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dezembro 17, 2004

OS NETOS DO HORROR

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Feliz Natal!

Pura coincidência. Quando o filme estreou eu estava em Colónia com um amigo. Com algumas horas para ocupar nesse serão, decidiramos rumar ao kino mais próximo e com muita sorte deitámos mãos a dois dos últimos ingressos para a estreia.
Uma plateia jovem, aparentemente todos alemães, mais nós, dois portugas infiltrados, eu com uma barba cerrada e cabelo comprido que me garantia a cidadania turca naquelas paragens e me valeu alguns problemas ao longo da estadia, testemunhas do horror inenarrável protagonizado pela geração dos avós daquelas pessoas.
Uma após outra, as cenas sucediam-se e definiam os contornos de um passado hediondo que aquela nação, décadas antes, marcara na história com a vida e o sangue de milhões.
A carga emocional, tremenda, aterrou na sala quando o filme chegou ao fim. Nem um som, nem um movimento, luzes acesas sobre os rostos fechados de quem se debatia entre a incredulidade e a vergonha que é impossível disfarçar perante tamanha chacina.
Nem uma pessoa fez menção de abandonar a sua cadeira, já a música parara de tocar e nenhuma imagem coloria o écran. Em absoluto silêncio, os jovens germânicos fixavam o olhar no chão ou na tela vazia e meditavam acerca da crueldade insana que a película apenas recriou.
Deu-me para chorar como uma madalena arrependida, a tensão insuportável que esmagava cada um dos presentes na sala, a carga terrível que tal registo depositava nos ombros daqueles herdeiros involuntários de uma cicatriz feia e sem remissão.
Alguns não resistiram e choraram também. Outros abandonaram finalmente o seu lugar, sem pressa, silenciosos como no interior de uma igreja, sobrolhos franzidos, esgares de contrição interior.
Fomos os últimos a sair, quase meia hora depois da última imagem projectada.
Pelas circunstâncias que descrevi, a Lista de Schindler tornou-se num dos filmes que jamais esquecerei.

Publicado por sharkinho às dezembro 17, 2004 10:07 AM

Comentários

Não tá fácil de comentar...

Publicado por: ave rara às dezembro 17, 2004 10:19 AM

Tmabém não sei o que te diga...sobre o filme (e outros assim) estamos conversados. Sobre a herança que deixaram às gerações futuras, parece-me uma tão grande injustiça e peso...

Publicado por: catarina às dezembro 17, 2004 11:28 AM

Só me sai um suspiro.

Publicado por: derFred às dezembro 17, 2004 01:38 PM

Sharky, não consigo ir às Ruínas. Sabes o que se passa?

Publicado por: derFred às dezembro 17, 2004 02:21 PM

Eu também não. Suponho que ninguém consegue. Estava aqui a pensar que ontem dei pela tua falta derFred e hoje faltam as Ruínas.

Publicado por: ave rara às dezembro 17, 2004 02:32 PM

Não sei o que se passa com o Ruínas. Ainda ontem estava tão vivinho, tão saudável. Até lhe enviei dois coelhinhos suicidas e tudo...
Não tenho o contacto telefónico do JP, só me resta aguardar e torcer para que não seja nada de significativo. Faz mesmo falta, o puto, não faz?

Publicado por: sharkinho às dezembro 17, 2004 02:39 PM

Cá para mim, foi hackado.
E eu tão curioso para ver os coelhos.
Mas eu só mandei um. Foi a segunda vez que usei o Paint - um suplício!

Ave, mas eu tenho-te visitado e ontem até deixei uma garrafa a boiar.

Publicado por: derFred às dezembro 17, 2004 02:48 PM

JP, conta coisas.

Publicado por: derFred às dezembro 17, 2004 02:58 PM

Coelhos??? Que Coelhos???? Mas vocês agora também andam à caça de coelhos que se suicidam??????

Eu sei, eu vi e já respondi. Mas ontem, enquanto aqui estive, ou seja, até às 17h30, não te vi em nenhum dos blogs onde te costumo encontrar, era isso que eu queria dizer.

Publicado por: ave rara às dezembro 17, 2004 03:13 PM

De facto, não fica fácil comentar este post.
Estava a pensar que este ano saiu um filme alemão sobre Hitler (não sei se já exibido em Portugal, aqui na minha terrinha ainda não) que coloca a tónica no facto de ele ser um homem, um homem como qualquer de nós, com o objectivo de mostrar que são seres humanos que se podem tornar verdadeiros monstros. Isto, creio, incomoda muito mais as nossas consciências do que pensar em Hitler, Stalin e tantos outros como feitos de uma massa diferente da nossa.

(em relação ao resto dos comentários: ainda agora fui às Ruínas, lá continuam a circular normalmente)

Publicado por: 1poucomais às dezembro 17, 2004 03:14 PM

Estava muito trabalhadeiro.

Publicado por: derFred às dezembro 17, 2004 03:15 PM

Ora gaita, a Azul consegue ir ao Ruínas e eu não? Não me digam que o tipo mudou a fechadura...

Publicado por: sharkinho às dezembro 17, 2004 03:47 PM

esse é um filme que tem dado uma certa polémica, não é 1pouco+? como se se entendesse que uma explicação do fenómeno de algum modo tentasse justificar a atrocidade.
(eu, que tenho quase sempre alguns bloqueios inexplicáveis, também consegui ir ao ruínas)

Publicado por: susana às dezembro 17, 2004 04:01 PM

Olhem que esta! Eu ainda não consigo.

Publicado por: derFred às dezembro 17, 2004 04:06 PM

Outro aspecto que não referi, mas que me interessa muito, é o facto de o Schindler ser um salvador de segunda categoria à beira do nosso Aristides Sousa Mendes cujas dezenas de milhar de vistos escaparam à atenção do Spielberg...

(e continuo sem acesso ao Ruínas)
derFred, será que o tipo nos bloqueou?

Publicado por: sharkinho às dezembro 17, 2004 04:45 PM

LOL. Eu também não consigo ir lá. Acrescentem-me à lista negra.

Publicado por: ave rara às dezembro 17, 2004 04:51 PM

E houve mais por esse mundo Sharkinho. A par do silêncio e da resignação da maioria.

Publicado por: ave rara às dezembro 17, 2004 04:53 PM

olha, olha, ainda há alguns minutos deixei lá um comentário e agora verifiquei que o mal já alastrou até aqui. ave rara, também não consegui deixar uma garrafa ao largo do teu.

Publicado por: susana às dezembro 17, 2004 04:55 PM

Bem. O vento hoje não está de feição. Bom fim-de-semana a todos. Não te preocupes susana: as mensagens hão-de dar à costa. É o que acontece sempre. ;)

Publicado por: ave rara às dezembro 17, 2004 05:01 PM

Parece que tem dado muita polémica, sim, Susana. Eu só posso falar do que li, e pelas palavras do realizador ele não queria justificar nada, mas sim mostrar que qualquer de nós tem dentro de si os gérmens da crueldade, da monstruosidade. Isso é que incomoda. Quantos dos cruéis SS, por exemplo, não eram, até à guerra e a lhes ser dado poder sobre os outros, normalíssimos e pacatos pais de família?

Publicado por: 1poucomais às dezembro 17, 2004 05:40 PM

uma das imagens mais vivas que guardo desse filme é a de uma menina de casaco vermelho, perdida numa multidão a preto e branco. mácula de que muito dificilmente aquele povo irá livrar-se. lamentavelmente.

(também não consigo entrar nas ruínas)

Publicado por: Mi às dezembro 17, 2004 05:50 PM

Por favor ajudem-me: HACKARAM_ME o blog!!!!!!!!

Publicado por: João Pedro da Costa às dezembro 17, 2004 08:53 PM

Mas já postaste no blog, JP! E ainda agora, depois de não conseguir aceder-lhe, entrei nas Ruínas.
(Isto deve ser o que dá ter um blog de sucesso :DD)

Publicado por: 1poucomais às dezembro 17, 2004 09:11 PM

JP: já conseguiste entrar em contacto com o Paulo Querido? Tens a certeza de que se trata de sabotagem? Queres postar no charco pra não dares em maluquinho? Tens a chave, pá...

Publicado por: sharkinho às dezembro 17, 2004 09:34 PM

Eu consegui entrar no blog, mas não consigo aceder a comentários. O endereço por onde entrei, a partir de um comentário do JP não sei onde, leva o www.

Publicado por: 1poucomais às dezembro 17, 2004 09:40 PM

eu tb consegui entrar agora numa versão light, com o www à frente. que cena marada...

Publicado por: Mi às dezembro 17, 2004 09:45 PM

e mais! tal como a azul, não consigo aceder aos comentários, excepto se copiar o link dos comentários para outra janela e acrescentar o www :D

Publicado por: Mi às dezembro 17, 2004 09:47 PM

Já tá tudo ok com o nosso JP! Agora sim, vou pra casa jantar, mais satisfeito da vidinha.

Publicado por: sharkinho às dezembro 17, 2004 10:44 PM

Charquinho, fico feliz por te teres referido ao Aristides Sousa Mendes. Andas bem informado.
Então o blog do ... foi ao ar? Desde que me censurou nunca mais fui ao blog dele, mas, pelos vossos comentários, cheguei a pensar (regozijos tamanhos) que ele teria desistido do blog, que, num acesso de não sei, o quê ele o teria apagado para que sentissem a falta dele... E deu resultado, vocês não falam noutra coisa... :)
Beijinhos para todos e até para aquele macaco que foi hackado.

Publicado por: Claudia às dezembro 18, 2004 03:29 PM

Ai que foda que uma vírgula faz toda a diferença:
"que, num acesso de não sei o quê, ele o teria apagado...".
Desculpem, mas a paixão cega-me... lol...

Publicado por: Claudia às dezembro 18, 2004 03:43 PM

Cláudia: o grande Aristides é um dos meus heróis de referência. Quanto ao resto, já sabes a minha opinião...

Publicado por: sharkinho às dezembro 19, 2004 09:27 PM

Ó Claúdia, com que então a chamar o nosso amigo de macaco?! Bem me parecia que querias era conversa com a banana... ahahah

Publicado por: Cristina às dezembro 21, 2004 04:12 PM