« SE EU FOSSE POETA | Entrada | A POSTA ERÓTICA »

fevereiro 22, 2005

A POSTA A TRÊS

Olhar.jpg

Aqui há dias estive a conversar com pessoas amigas acerca de uma das fantasias mais recorrentes entre a rapaziada, a do trio maravilha.
O assunto é mais desconfortável de discutir do que eu pensava, sobretudo quando na conversa participam mulheres. É que nós homens trocamos impressões nesta matéria com a leviandade machona que caracteriza a generalidade das nossas abordagens ao sexo. Fazemos e acontecemos, é tudo muito natural, não custa nada e venha a oportunidade que nenhum garanhão a desperdiçará.
Pois, pois. Mas as raparigas não olham a coisa com a mesma displicência e tocam com o dedo nas feridas mais expostas dos atrevidos, nomeadamente quando se fala no trio um com duas e elas carecas de saber que a maior parte dos parceiros nem de uma conseguem dar boa conta...

Esta foi a primeira armadilha que a conversa proporcionou a alguns. As mulheres são implacáveis no seu discurso e são pouco dadas a excitações verbais, fazendo aterrar os sonhos eróticos mais bem elaborados no domínio do real (onde as coisas não são exactamente como se teorizam). Elas falam com a plena consciência de que é tudo muito bonito, mas na verdade existem limitações e perigos de que nós homens só damos conta depois da bronca acontecer. E isto porque são raras as pessoas capazes de lidarem com as repercussões, como algumas das que uma relação a três (mesmo ocasional) podem acarretar quando os intervenientes param para pensar um bocado sobre o assunto, à posteriori.

Se é verdade que em dadas circunstâncias as coisas até podem conjugar-se para correrem bem, quando brotam de surpresa entre parceiros(as) que nem mantêm qualquer tipo de ligação sentimental, a coisa pia mais fino quando um casal se deixa arrastar para o vórtice do furacão. O problema, naturalmente, reside no inevitável ciúme e no instinto de posse que as pessoas desenvolvem, quer o aceitem como real ou não. Não é pêra doce enfrentar o outro depois de uma sessão de cama com outra pessoa, qualquer que seja o seu género. Se era uma amante adicional, a parceira fica de pé atrás relativamente aos futuros contactos do SEU homem com a dita cuja. E se é de um amante adicional que se trata, o macho da espécie até engole em seco quando recorda algumas passagens do imbróglio em que se meteu. A veia liberal definha aos poucos perante a fotografia do evento que antes parecia tão espontâneo e natural. O dele era maior do que o meu e ela gostou mais e raciocínios do género. Acaba por dar pró torto, claro está...

Por essas e por outras é que as pessoas devem medir bem os passos que dão, sopesando com lucidez os factores a ter em conta nestas aventuras à partida tão aliciantes. Mas arriscadas, como as aventuras devem ser. Se não faltam exemplos de casais bem sucedidos nas práticas sexuais mais arrojadas, mesmo quando envolvem terceiros(as), é igualmente verdade que para a maioria essas incursões por território bravio acarretam danos irreversíveis na estrutura de uma relação. E esse é sempre um preço demasiado alto para compensar umas horas de prazer.
Essa foi a principal conclusão que extraímos do nosso diálogo e note-se que apenas dois dos presentes assumiram que já haviam experimentado essa versão trifásica que preenche os imaginários de muitos de nós e nem seriam esses os mais entusiastas na respectiva defesa.
A intimidade não é um conceito, é uma realidade factual. E não reside apenas na simples troca de fluidos e de carícias, como as componentes femininas do grupo fizeram questão de salientar, para desgosto dos sonhadores mais incautos (e comprometidos) que participaram na conversa.

Desenganem-se os que concluam que a minha perspectiva acerca do assunto é conservadora. Chamo a vossa atenção para o facto de eu ter frisado que são os casais com uma relação a preservar que devem medir as consequências das farras em que decidem meter-se, sob pena de estragarem o que têm de melhor. A título individual, a minha perspectiva é radicalmente oposta e assenta nas experiências que, digamos, vivi de perto ao longo de meses num país do norte da Europa, culturalmente menos condicionado do que o nosso nessa sensível matéria. Contudo, e como a lucidez feminina deixou bem presente na interessante conversa em que participei, uma coisa é teorizar acerca das potencialidades de determinadas extravagâncias quando se desconhecem ou não estão em causa as suas repercussões nas tolas de cada um(a). A outra é arriscar no escuro, sem avaliar previamente as consequências (quase sempre imprevisíveis) das nossas leviandades e excitações.

O sexo, vivido entre desconhecidos ou entre pessoas sem vínculos emocionais, pode cingir-se a uma fascinante e divertida experiência ao nível sensorial. Mas no âmbito de uma relação amorosa a dois, e há até quem procure parceiros(as) em anúncios de jornal, os entusiasmos de ocasião podem ser como fósforos acesos nas mãos de crianças de colo. E ninguém se arvore de bombeiro nessas condições: depois de ateado, é fogo que arde sem controlo e nunca é bonito de se ver...

Publicado por sharkinho às fevereiro 22, 2005 07:29 PM

Comentários

Parece que ninguém se atreve a abrir as "hostilidades" :)))

Serve se eu disser que, para mim, três não foi conta que Deus fez?

Publicado por: Hipatia às fevereiro 22, 2005 11:02 PM

Hipatia, para mim serve muito bem. Concordo plenamente. O próprio Shark dá exemplos de vários inconvenientes desse tipo de relacionamento, que de facto não encaixa na minha maneira de ser e agir.

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 23, 2005 12:16 AM

Caro Sharkinho, colega de escrita e da São. Li o comentário que me fizeste na Mushu. I came to offer my respect! :)
Bom blog!
Abraço,
João

Publicado por: João Mãos de Tesorua às fevereiro 23, 2005 04:48 AM

É uma questão cultural. Depende da forma como as pessoas encaram o sexo e o amor. Para mim serve bem a fórmula "a nossa liberdade acaba onde começa a dos outros".

Publicado por: derFred às fevereiro 23, 2005 11:46 AM

O apetite ajuda os atrevidos.

Publicado por: bill às fevereiro 23, 2005 11:59 AM

nem sei como comentar. cobriste o assunto de várias perspectivas diferentes e, que eu me lembre neste momento, não sobrarão muitas mais.
p/isso, tenho de descontextualizar uma frase tua para tentar lançar alguma confusão que seja: "...as pessoas devem medir bem os passos que dão..."
quem n/gosta ou n/aguenta broncas claro que o deve fazer mas quem mede e pesa o tempo inteiro, não acaba p/reduzir a aventura a 0 ?
E o que é uma vida sem broncas ?

Publicado por: JQ às fevereiro 23, 2005 12:37 PM

Que assunto, tão dificil de comentar, sem lançar polémica. Mas basicamente, concordo com o teu ponto de vista.

Publicado por: Karla às fevereiro 23, 2005 12:52 PM

assunto polémico como sempre.
Também pertences ao Clube dos Incómodos?
Acho que te posso mandar um boletim de inscrição :))
xi

Publicado por: maria às fevereiro 23, 2005 01:12 PM

Muito interessante este post.
Comentário:...cada um é como...

Um abração do
Zecatelhado

Publicado por: zecatelhado às fevereiro 23, 2005 01:25 PM

Concordo plenamente Sharkinho. É uma daquelas fantasias que só se devem realizar com parceiros ocasionais. Dentro de uma relação, é para esquecer...
Mas diria talvez mais: talvez seja uma daquelas fantasias que nunca deveria passar daí, de uma fantasia. Pelo que tenho ouvido, parece que a realidade nunca corresponde às expectativas...

Publicado por: M. às fevereiro 23, 2005 01:39 PM

Homem ...

... este não comento

... pelo menos aqui.

Publicado por: Eufigénio às fevereiro 23, 2005 01:47 PM

Sabendo que o tema não é fácil (percebi-o na conversa a que faço alusão), começo por louvar a coragem de quem já comentou ou venha a comentar.
Há assuntos que pertencem ao nosso "jardim secreto" e por isso mesmo eu antevia a dificuldade com que vos confrontei.
Mas não posso deixar de vos retorquir, em homenagem à vossa disponibilidade para dizer qualquer coisa a propósito.
E começo pela Hipatia, cujo mérito passa por ter sido a primeira a avançar com uma opinião, a sua. Obrigado, amiga, por teres "aberto as hostilidades"!

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 02:00 PM

Zu, sem nunca ter falado contigo a propósito já antevia a tua posição. E tens razão no que toca aos inúmeros inconvenientes. Eu nem os citei a todos...

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 02:01 PM

João, Mãos de Tesoura. Que ganda pinta, essa do I come to offer my respect, pá! Folgo em ter-te por cá. Agora que já sabes do que a casa gasta, conto contigo em mais ocasiões.

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 02:04 PM

derFred: andas muito prudente e moderado nos teus comentários. Presumo que estejas numa fase morna da actividade intelectual, até pelo ritmo a que postas... :)

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 02:08 PM

Ò Bill: ainda um dia me irás contar de onde te saem essas frases lapidares...

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 02:09 PM

JQ, meu associado alterneiro, não resistes a uma bicadazinha pois não? O teu raciocínio é lógico, mas sabemos os dois que existem riscos difíceis de quantificar...

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 02:12 PM

Connosco, Karla, a sintonia é tão evidente em tantas matérias que parece que estudámos a vida nas mesmas esolas. Também adivinhei a tua posição na matéria, ou a tua concordância com os meus pontos de vista.

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 02:14 PM

É verdade, Maria. Acho que podes mesmo mandar a ficha, pois acredito que reúno as condições necessárias. Mas no caso concreto, eu não quis incomodar. Não gosto é de tabus...

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 02:17 PM

Gostei do que a M. opinou: na maioria dos casos, deveria ser uma fantasia a manter-se como tal. Aliás, há fantasias que valem por isso mesmo, por serem impossíveis, inconcretizáveis, e por isso mesmo imaginá-las proporcionar por si só prazer, sem ser preciso pô-las em prática (até por correrem o risco de serem altamente decepcionantes, no caso de serem, sequer, possíveis).

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 23, 2005 02:23 PM

E o Zecatelhado? Sempre correcto e afirmativo! Um gentleman da blogosfera, é como eu te vejo, amigo.

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 02:25 PM

E ouviste bem, M.. Existem sobretudo questões muito complicadas de sincronização (não é mesmo nada como nos filmes), já difíceis a dois e muito mais melindrosas a três. Além de que não é difícil encontrar por onde as coisas possam correr mesmo muito mal, não conhecendo as pessoas os limites que as outras estão dispostas a cruzar...

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 02:28 PM

Eufigénio: aproxima-se a hora em que temos mesmo que tomar um café, face-to-face.

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 02:30 PM

como sempre, tudo o que resulte de um/num bom entendimento, a mim parece-me bem

a título pessoal, nesta matéria, nem fetiche, nem tabu
(mas sei lá eu das surpresas que a vida me reserva)

Publicado por: Mi às fevereiro 23, 2005 02:32 PM

E eu gostei do que tu opinaste, Zu. Raramente estamos tão de acordo. Eu subscrevo na íntegra o teu último comentário.

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 02:34 PM

Espectáculo, Mi! Tens um jeito para comentadora que é obra. Farto-me de rir com a tua frontalidade tão... agradável. A tua maneira de dizer as coisas é especial, pelo menos no meu modesto entender.

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 02:39 PM

Sharkyman, a minha actividade cerebral anda próxima do zero. Há fases assim.

Publicado por: derFred às fevereiro 23, 2005 02:54 PM

Não te atormentes, parceiro. Tarda nada, a fera desperta, e temos-te na plenitude outra vez. E considerando o que te tenho lido, a situação não é dramática e muito menos desesperada.

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 02:59 PM

Note-se que o meu último comentário ia muito para além da fantasia a três (será que eu tenho tal fantasia? nunca dei por ela, mas eu sou um bocado distraída...). Um bom exemplo será fantasiar sobre um actor de cinema qualquer. Dava-me um bocado de trabalho a mais tentar entrar em contacto com ele, fazer com que ele se interessasse por mim, seduzi-lo, etc, e tal, talvez para no final perceber que ele só era uma "bomba" no écrã. Antes mantê-lo eternamente fantasiado, com menos trabalho e muito mais proveito ;)

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 23, 2005 03:12 PM

Maria, manda ficha de inscrição para mim também e, se souberes do Club dos Inconformados ... tb aceito

Publicado por: Karla às fevereiro 23, 2005 03:13 PM

Cheguei tarde, mas gostava de opinar.
Porque julgo que só funciona se as 3 pessoas se conhecerem muito bem. Caso contrário, mais vale ficar na imaginação.
E se as pessoas se conhecerem muito bem, também me parece que tem ser encarada como uma saída: com o mesmo espírito com que os três iriam comer uma feijoada, assistir a um concerto ou a um filme.

Publicado por: maria árvore às fevereiro 23, 2005 03:14 PM

Também achei piada ao teu comentário, Maria Árvore. Sobretudo pela feijoada... :))))

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 03:18 PM

Só estranho ninguém ter feito referência à ilustração tão gira que eu escolhi prá posta. Até porque parte da posta está escrita na foto...

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 03:26 PM

Deixem-se de coisas, fantasia ou realidade desafio qualquer um dos homens (*) daqui a negar que nunca teve e que não mantem a fantasia de uma "posta" a 3!
O resto, (as provaveis consequencias disso), nada tem a ver com a questão, porque aqui se fala exclusivamente das fantasias/realidades sexuais, daquelas que não têm preconceitos nem consequências, e que por isso, na maior parte dos casos, nunca deixarão de ser fantasias, essas já parte da nossa saciedade (como diz a Zu).
Como isto está muito confuso apenas quero dizer que a "posta" a 3, ainda que apenas fantasiada é em si mesma um acto sexual nosso. E quando esta, nos casos mais audazes, se chega a concretizar, nem por isso deixa de ser apenas uma fantasia sexual que foi apenas experimentada. Se for ou trouxer mais do que isso, então já não é uma "posta" é um "blog".
(que grande confusão que aqui deixei)

Ah, é verdade, quanto ao (*) ele deve-se ao facto de eu achar que nós homens somos uns levianos, e que ás mulheres nem tal fantasia lhes passaria pela cabeça (que horror, dois homens na mesma cama)

Publicado por: Eufigénio às fevereiro 23, 2005 04:40 PM

Não acho que seja uma grande confusão, Eufigénio. É mais, talvez, a dificuldade em não dizer certas coisas de forma totalmente crua.
Deixa ver se te entendi (porque se o consegui, concordo contigo): uma fantasia a três encarada como a tal ida à feijoada ou ao cinema, como uma simples experiência a três que por ali fica, será só isso (trazendo para cada um dos intervenientes os resultados e consequências que trouxer). Passar desse acto esporádico para uma relação a três é que já seria uma enorme complicação.
E eu continuo na minha: no reino da mera fantasia, nada é proibido, não há tabus, podem-se pensar as coisas mais inconfessáveis do mundo. Não se pretende passar nem metade delas para a realidade, por isso mesmo é que são fantasias.

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 23, 2005 05:09 PM

Tem piada...tenho exactamente a opinião contrária à da Maria Arvore: acho que essas coisas funcionam melhor quando as pessoas se conhecem mal. Aliás, para mim, o sexo pelo sexo (porque realmente ir à procura do/da +1 dentro de uma relação a dois tem os seus perigos) é tanto melhor quanto menos bem se conhecem as pessoas.

Quanto ali à opinião do Eufigénio, nada mais errado...:D

(off tópico: 'nunca' é uma data de tempo, uns três dias blogsféricos, talvez...;))

Publicado por: catarina às fevereiro 23, 2005 05:17 PM

fantasia simbólica em um acto, com três perspectivas picturais. (sem choque de pilas)

Publicado por: bill às fevereiro 23, 2005 05:17 PM

Catarina,
Eu também não concordo com o que escrevi, sobretudo na parte que ainda não percebi.

Zu,
Eu também concordo com o que escrevi, pelo menos na pequena parte que percebi do que escrevi.

Bill,
Hoje estou como tu, assim um pouco Zen

Sharkinho,
Desculpa lá eu estar a dar ares que a casa é minha. Deve ser por me fazeres "ler como se o tivesse escrito" ... e depois um gajo baralha-se

Publicado por: Eufigénio às fevereiro 23, 2005 05:33 PM

Eu vou mudar um bocadinho o tom para dizer uma coisa que nem sei como será entendida. Mas cá vai: quando falei no três, nem estava apenas a pensar apenas no acto sexual em si que, este, tantas vezes, resulta de necessidade físicas e não de necessidades emocionais. Só que todos sabemos que, muitas vezes, numa cama (ou outro lado qualquer também agradável) onde estão dois corpos, estão mais presenças ainda. Levar para o sexo a dois este tipo de "peso" pode ser tão ou mais demolidor como levar logo outro corpo. E quase me atrevia a questionar quantos fantasmas, cada um de nós, já não levou assim a passear. E, lá está, continuo na minha: não gosto do número três.

Publicado por: Hipatia às fevereiro 23, 2005 05:39 PM

Numa relação a 2 quando aparece mais um e se for por sexo (não que seja por insatisfação, mas porque assim acontece) que seja vivido como tal, como fetiche as coisas são um pouco diferentes
...mas é um longo tema para deixar num comentário.
Eg como estás equivocado...vocês assumem mais do que praticam, nós mulheres provavelmente não nos vanglorizamos por isso, praticando sem o assumir!

Publicado por: Luna às fevereiro 23, 2005 05:41 PM

Hipatia, de novo de acordo, e de que maneira!

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 23, 2005 05:58 PM

Ò Eufigénio, esta casa é tão mais tua quanto mais tu a desbundares nessa perspectiva. E um comentário como o teu dá direito à chave da porta e só não começas a partilhar a renda porque o que pago ao weblog não justifica 'racharmos' a coisa.
E quanto ao teu desafio, sim. Desde muito jovem fantasiei a cena a trois e era ainda novito quando as coisas se proporcionaram nesse sentido pela primeira vez. Ainda é uma das imagens mais poderosas do meu imaginário e funciona muito bem como motor de arranque. Curiosamente, achava mais piada quando me limitava a fantasiar do que depois de experimentar a coisa...

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 06:30 PM

Zu: estou espantado com a nossa concordância!

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 06:31 PM

Eu também ;))

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 23, 2005 06:34 PM

Catarina: posso afiançar que estás com a razão. Entre pessoas com proximidade, as coisas adquirem proporções muito mais complicadas e é muito mais fácil correrem mal antes, durante e depois.
Quando a gente não tem qualquer vínculo com os intervenientes, a ideia que se tem é a de que não há mesmo nada a perder e as coisas acontecem com maior fluidez e menor embaraço, por assim dizer.
(Off tópico: três dias blogosféricos podem mesmo parecer uma eternidade.) :)))

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 06:38 PM

Hipatia, esse já é um campo mais manhoso e não sei se possuo arcaboiço para o discutir com a mesma pertinência. Mas estou com a Zu: pouco interessam os fantasmas presentes se isso resultar no que verdadeiramente interessa, que é a gente sentirmo-nos bem, felizes e realizados. Já bastam as condicionantes de toda a ordem que nos privam muitas vezes de um prazer saudável, quanto mais impormos qualquer tipo de restrição às nossas carolas...
Espero ter interpretado correctamente o teu comentário.

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 06:45 PM

Luna: UAU!

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 06:47 PM

Mas eu concordo com a Hipatia, Shark: levar para a cama outra pessoa no pensamento é um peso muito grande. E é injusto para com quem está connosco. Isso é um campo bem diferente do das fantasias de que se estava a falar. Concretizemos: será muito mais fácil e até eventualmente "interessante" dizer ao meu companheiro de cama que vou imaginar que quem está comigo é o George Clooney, e ele entrar na brincadeira, porque é uma simples fantasia, do que confessar-lhe que estou com ele mas a pensar no meu colega lá do escritório...

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 23, 2005 06:59 PM

Oi, lindo!!!!Andas tão ocupado em responder ao mulherio que briga com você ( e também que te acarinha ) rsrs que nem tempo mais tens para "nadar "até o outro lado do mar??? Vá até lá e..relaxe..rsrsr

Publicado por: agatha às fevereiro 23, 2005 07:02 PM

E a foto, senhores(as) ... a foto?
A foto diz tudo.
Quem não consegue dizer mais nada, sou eu.

Publicado por: Karla às fevereiro 23, 2005 07:07 PM

É isso mesmo, Azul. Uma coisa são as fantasias, que podem bem ser negociadas. Outra, é uma série de tralha de que, muitas vezes, não nos conseguimos livrar.

Quantos homens não temem que se lhes comparem "as dimensões", ou a "performance", exactamente por causa disso? Quantas de nós não ficamos mal só de pensar que há ali momentos em que não estão, verdadeiramente, connosco?

Publicado por: Hipatia às fevereiro 23, 2005 07:08 PM

... Ou não ficamos mal porque há momentos em que não estamos, ali, verdadeiramente com eles?...

A foto, volta a Carla a lembrar. Custa-me ligar a foto com o texto, porque a foto é uma ternurice infantil e o texto fala de fantasias sexuais. Mas estão lá, sem dúvida, alguns dos problemas dessas ideias a 3: o menino que dá um beijo a uma menina e a outra que fica com ciúmes. Pois...

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 23, 2005 07:25 PM

Muito sinceramente, Hipatia: se vocês quiserem mesmo, não há hipótese de não estarmos verdadeiramente convosco...
Ou dito de outra forma, só uma atitude demasiado passiva pode dar azo (e disponibilidade mental) a que a nossa mente vagueie por outras paróquias. Espero ter sido claro, pois, como já referi, nado menos à vontade nesses domínios.

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 07:30 PM

Esqueci-me de referir que só falo por mim, não convém generalizar...

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 07:33 PM

É bom ver isso lembrado e confessado por um homem, Shark.
Suspeito é que nós, apesar de todo o vosso empenho, conseguimos sempre deixar um bocadinho da mente livre para pensar; o que pode ser uma bela de uma chatice, diga-se de passagem. Ou estarei a dizer um grande disparate, e só se o vosso empenho não for tão grande assim?

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 23, 2005 07:34 PM

Ó Zu, essa matéria já faz parte dos insondáveis desígnios da mente feminina...
Diz-me tu, se o nosso maior empenho pode ou não obliterar-vos a pensadura. :)

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 07:49 PM

Eu também só estou a dar a minha opinião e ela vale pelo que vale, Sharkinho. E penso que o que disseste é verdade para os dois lados. Se me permites a falta de decoro nas palavras, não há maior tira tusa do que sentir que alguém está connosco só para se aliviar. E o mal é que, muitas vezes, é só isso que uma mulher sente (suponho que os homens também, em certa medida), num qualquer engate de ocasião. Por mim, ainda, posso dizer que nem chego à cama. Levar lastro não vale. Mas há também coisas piores. Às vezes basta uma frase, um cheiro, e fantasmas que pensavámos enterrados ganham vida. Não estou a criticar os homens ou as mulheres. Estou, sem dúvida, a generalizar. Mas o mal talvez seja eu ser daquelas pessoas que, para além do corpo, gosta de um bom "fucking my brains out". E talvez não ache que isso possa acontecer se a atenção estiver demasiado partilhada.

Publicado por: Hipatia às fevereiro 23, 2005 07:57 PM

Detesto essa cena do 'aliviar'. Uma amiga minha, cinquentona, revelou-me um dia que o seu ex punha as coisas nestes termos: 'Vira para cá que eu quero despejar'.
Foi talvez das coisas mais repugnantes que me contaram, em matéria de sexo.
Mas nunca me senti no papel oposto, mesmo nas mais ocasionais das minhas relações. E espero nunca o sentir...

Publicado por: sharkinho às fevereiro 23, 2005 08:06 PM

Acho que a resposta depende do grau de envolvimento sentimental e do vosso empenho. E, falando mal e depressa, da tusa com que se estiver. E já agora, ainda, de não andar com outras coisas na cabeça (tipo trabalhos complicados - mas não tirem daí nenhumas ilações em relação ao meu trabalho, até porque o trabalho intelectual pode jogar como um pau de dois gumes!).

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 23, 2005 08:25 PM

shark depois de ler o teu UAU! se calhar excedi-me...é que a minha quota parte de irreverência por vezes ultrapassa o socialmente correcto!

Publicado por: Luna às fevereiro 23, 2005 10:28 PM

É um tema incómodo porque atravessa as nossas fantasias e talvez tenhamos dificuldade em lidar com elas se as pusermos em prática. É que há fantasias que se sentem como fantasias e se estamos bem e sem tédio numa relação, a tal fantasia serve para dar um tom mais quente.

Concretizar as fantasias a 3 traz um perigo bem real, sobretudo qdo não se tem consciência disso e se pensa q se pode parar quando se quer ou qdo se leva o nosso parceiro para uma situação dessas - Agora está muito em moda o swing, não é? E no swing, normalemente há já casais formados.

O envolvimento emocional numa relação q se deseja puramente física é perigoso - até pq nunca se sabe até onde leva a vertigem do perigo, do desconhecido, da consciente transgressão. Acho mais fácil como disse alguém, não conhecer a pessoa, se se parte para um relacionamento desse tipo. Ser amigo e continuar amigo é um peso difícil de suportar. Uma fantasia realizada por curiosidade q pode entrar pla vida dentro e baralhá-la bem como à vida, é algo para que é preciso ter estrutura emocional forte e com apetência. Não me seduz. A não ser no plano da fantasia.

Publicado por: vague às fevereiro 24, 2005 12:36 AM

tenho que discordar do que não sei quem disse: para mim, a ideia de dois homens comigo é sedutora mas não gostaria de partilhar a coisa com outra mulher.

Publicado por: susana às fevereiro 24, 2005 01:36 AM

Ò Luna, nem te passe pela cabeça lidares assim com o meu uau. A minha expressão quis dizer uau, que forma frontal de colocar as coisas, não pretendia denunciar-te a irreverência (que, aqui para nós que ninguém nos ouve, fica bem a qualquer pessoa!). Espero não te ter intimidado com o meu uauzito e garanto que não foste socialmente incorrecta, pá!

Publicado por: sharkinho às fevereiro 24, 2005 09:39 AM

Ò Zu, agora apeteceu-me dizer uau outra vez... :)))

Publicado por: sharkinho às fevereiro 24, 2005 09:40 AM

A tua posição, Vague, coincide em boa medida com a minha. Mas o swing, que nunca "dancei", parece-me ser objecto de outro tipo de contornos. Francamente, alicia-me menos porque entra mais na óptica do que entendo como perverso.

Publicado por: sharkinho às fevereiro 24, 2005 09:43 AM

Estranhamente (ou não) concordo contigo, Susana. As coisas funcionam melhor nessa distribuição de géneros. Tenho alguns argumentos para defender esta posição, mas não sei se interessa a alguém conhecê-los...

Publicado por: sharkinho às fevereiro 24, 2005 09:46 AM

Claro que interessa venham lá esses argumentos, agora que completamente desinibida nesta tua casa....;)pronta para dialogar à altura.

Publicado por: Luna às fevereiro 24, 2005 10:02 AM

Cheguei tarde, que ontem foi dia atarefado e hoje parece que não consigo escrever o que penso, mas vou tentar
A minha opinião reside no risco da mistura do nº3, mesmo quando o pretendido é apenas físico, mesmo quando os envolvidos não acarretam compromissos...
Quantas vezes não somos traídos por nós próprios e pelos sentimentos, nossos ou dos outros?

Publicado por: sofia às fevereiro 24, 2005 10:11 AM

Ai, Luna, que me desgraças...
Bom, avanço com a primeira constatação factual: os homens são mais solidários. Ou seja, empenham-se em não atrapalhar o colega na função, pois o que interessa é ambos curtirem que nem umas cebolas.
As mulheres são mais egoístas e mostram-se menos flexíveis, com as coisas a descambarem com frequência no 'chega pra lá'. Além disso, contrariamente ao que os filmes mostram, as mulheres entusiasmam-se tanto umas com as outras como os homens uns com os outros. E isso cria um óbvio obstáculo, uma questão física e aritmética...
E ainda há o problema das diferentes resistências de homens e mulheres. Duas mulheres estoiram mais facilmente o 'atleta' de circunstância do que dois homens esgotam uma parceira entusiasmada.
Ai, Luna, que me desgraças...

Publicado por: sharkinho às fevereiro 24, 2005 10:21 AM

Sofia: tal como já referi, estou mais à vontade na questão carnal do que na questão emocional (pois esta última nunca se-me colocou). Mas sei que tens razão, pois quando as coisas atingem determinado grau de envolvimento ninguém pode responder a 100% pelas suas reacções sentimentais.
Esse é um dos factores que podem conduzir às broncas a que faço alusão na posta.

Publicado por: sharkinho às fevereiro 24, 2005 10:24 AM


Isso é bem verdade, Shark. Duas mulheres derrotam num instante um homem enquanto uma parceira entusiasmada não arrefece com dois homens.
MENINAS! Temos de nos gabar que eles para serem solidários uns com os outros é o q se quiser e nós nem sempre somos sinceras umas para as outras. No grupo da meia dúzia de Verdadeiras Amigas estão dois homens e não são gays :)

Aliás, mesmo com uma só vcs nem sempre estão à altura. Pq não podem fisicamente, é da natureza das coisas, e é justo q tenhamos mais prazer e mais difuso :D Que alegria a nossa :D

Se eu não tivesse blog e a ele não estivesse colada uma imagem ou uma máscara (é o mesmo ao fim e ao cabo) dizia aqui das boas. Digo só um pouco então. A sensualidade e a sexualidade explodem no encontro independentemente do género.

O q quero dizer é q se alguém te tocar ou acariciar, e tendo tu a orientação sexual q tiveres ou descobrires, se não o/a estiveres a ver e não souberes se é homem ou mulher, os teus sentidos despertam-se.
Mas isto dava pano p/ mangas e eu estou aqui numa rapidinha.

Voltando à combinação (3 igual = a quê?), peça intimamnente sexy, tanto podia ser 2+uma ou duas +1. Isto é no plano da fantasia ou da pura imaginação. Falar de não significa q se quer fazer ou que não quer fazer nem significa desejos recalcados. Não os tenho, graças a Deus...:)

Sim, falo em Deus, eu q sou católica, que vejo um Deus que nos quer ver felizes (apesar de tudo)


E assim escreveu Vague, baralhando e voltando a dar e metendo Deus ao barulho, com todo o respeito por Ele.

Publicado por: vague às fevereiro 24, 2005 11:38 AM

Podes meter Deus ao barulho, Vague, que um comentário assim só pode provir de inspiração divina!

Publicado por: sharkinho às fevereiro 24, 2005 11:42 AM

Só agora é que vim aqui meter o bedelho porque ao constatar o tema e como faço questão de falar apenas do que tenho conhecimento, resolvi agarrar em mim e partir em busca da sapiência.
Depois da noite de ontem já posso emitir uma opinião: levar dois estalos na fronha dói muito mais do que só um. Double the fun, twice the pain.

Publicado por: PN às fevereiro 24, 2005 12:31 PM

Relativamente ao assunto, e um pouco mais a sério, não posso acrescentar muito mais ao que foi já abordade e discutido.
Mas houve aqui em cima uma referência com que discordo.
Espero que a vague não me leve a mal, nem as outras meninas que abordaram essa questão, mas considero essa referência à nossa incapacidade de nos mantermos fisicamente à altura das mulheres no acto do "fazer amor" (desculpem lá mas não consigo escrever sexo. Coisas de formação!) um pouco redutora do acto em sim. Claro que a nível fisiológico existem algumas limitações mas não será que para além da penetração não existe muito mais?
Ter-se-á sempre que estar a 'correr' quando pode ser igualmente ou até mais interessante e compensador 'andar a ver as vistas' nas alturas de descanso?

Publicado por: PN às fevereiro 24, 2005 12:46 PM

Chego sempre no fim da festa...;-)
Quanto ao tema, não querendo repetir nada mas não deixando de dar a minha opinião, só posso dizer que como fantasia, sim, esta e muitas mais, todas as que apetecer.
Como prática, não obrigado, pela simples razão de que, para mim, o sexo só faz sentido estando apixonada, acto físico, como complemento do acto emocional, ambos actos de amor, paiixão, deslumbramento, seja lá o que fôr. E isso, desculpem lá mas eu não consigo ter por duas pessoas ao mesmo tempo.
Beijos e abraços a todos que me voy de novo.

Publicado por: Mar às fevereiro 24, 2005 12:51 PM

Andar a ver as vistas, hã, PN?
Sim senhor, eu também gosto de miradouros...

Publicado por: sharkinho às fevereiro 24, 2005 01:53 PM

Antes de mais: bravo, PN! Um homem que não tem problemas em admitir que fazer amor é muito mais gratificante que simplesmente sexo, e que mais do que performances de atleta importa tudo o que envolve os actos praticados pelas duas pessoas envolvidas. Afinal, um dos momentos melhores não pode ser o depois? Ou o compasso de espera para a continuação?

Antes que o Shark diga mais Uaus a propósito do que escrevi (e que não entendi bem se se devia à liberdade de linguagem que me permiti usar, se ao que deixei meio dito), posso esclarecer umpoucomais. O trabalho intelectual tanto pode absorver-nos de tal modo que nos tira toda a capacidade de pensar noutras coisas, como sexo ou a simples hora de jantar, como pode estimular muito mais do que os neurónios; aliás pode ser quase orgásmico, nos momentos em que se chega à conclusão que pretendíamos, ou se descobre o que procurávamos há imenso tempo.
(e agora retiro-me meio corada, a pensar nas ideias que vos poderão estar a passar pela cabeça sobre as vantagens - ou desvantagens - das teses de doutoramento)

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 24, 2005 02:00 PM

Era um uau muito abrangente, Zu. E deixas-me uma súbita vontade de regressar à vida académica... :)

Publicado por: sharkinho às fevereiro 24, 2005 02:17 PM

Aqui estamos em caminhos muito divergentes: eu estou desejosa de a abandonar! ;)

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 24, 2005 02:21 PM

Shark, não só os miradouros, como também paisagens montanhosas e o que interessa é calcorrear os caminhos. A maravilha das "Viagens pela terra dela".
Ai, ai que estou a ver que a Azul assim nunca mais acaba a tese.
Agora vou ter de me ausentar um pouco porque tenho ali uma sebenta sexy de Matemática Aplicada a piscar-me o olho.

Publicado por: PN às fevereiro 24, 2005 02:32 PM

Acaba, acaba. Esta semana. A verdade é que a relação está mais do que gasta, a excitação já é pouca, enfim, percebe-se que é mesmo "the end of the affair". looool

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 24, 2005 02:45 PM

Shark desgracemo-nos então...No campo deste tipo de relacionamentos discordo contigo, tem mais a ver com a libertinagem de cada um, seja homem ou mulher. Se encaras a relação como eterna tens essa competição em ambos, se for numa relação pontual penso não existir{olha que isto é só teoria;)}se tiverem poder de encaixe para isso.
Em relação ao darem cabo de quem...tb discordo e mais uma vez depende do individuo independente do sexo(m/f) concordo com o que afirma PN, existe muito mais...e calmamente conseguirão atingir tanto como as mulheres, porque aí estão a esquecer que não é só no orgasmo q se obtem prazer...outras formas de dar e obter são tão ou mais gratificantes...Agora é que não venho cá mais completamente desgraçada e mãe de filhas...qiue horrrrrrroooooooorrr!!!!!!

Publicado por: Luna às fevereiro 24, 2005 03:07 PM

Vim dar uma voltinha por aqui e descubro que perdi uma conversa interessante.
Vou-me embora, antes que uma das intervenientes me volte a fazer perder o fôlego, pela segunda vez nesta semana. Mas antes, deixo uma frase que penso que ela vai perceber: as relações a três só costumam ser boas para o terceiro.

Publicado por: Jorge Morais às fevereiro 24, 2005 03:25 PM

Desgraça, por desgraça, desgracemo-nos portanto :)

Disse duas vezes aqui nesta caixa de comentários que não gosto do número três. Pois confesso que às tantas devia ter colocado lá um "agora". Na verdade, imagino-me perfeitamente no lugar da menina ciumenta da foto: o que é meu, é meu, não partilho e pronto! Tenho um sentido de posse danado em relação ao que (a quem) me dá prazer. Quero que dê só a mim, não quero partilhar. Odeio a ideia de ver no outro gestos, toques, que antes só dava a mim. Odeio só de imaginar. Mas também já houve tanta coisa no sexo que achei que nunca iria experimentar e depois se proporcionou sem traumas que...

Ou seja, pelos meus pontos de vista de hoje, menages a troi nem pensar. Mas não sei se um dia não terei uma relação tão desgastada em que uma coisa destas passe a ser o picante para me manter, a mim e ao meu parceiro, mais unidos ainda.

É a velha história de me recusar a dizer "desta água não beberei". Vai sempre depender da sede, não é?

Publicado por: Hipatia às fevereiro 24, 2005 04:04 PM

Boa tarde a todos,
Vejo que por aqui, o tema continua o mesmo.
Mas a minha mãe, não me deixa falar nestes assuntos.

Publicado por: Karla às fevereiro 24, 2005 04:07 PM

Olá, Karla.
Hipatia, se for preciso um terceiro elemento como picante para uma relação a dois, então o que o Jorge diz está errado, e o terceiro seria aquele para quem era menos bom, não?
E será que é mesmo o terceiro elemento quem tem a melhor parte de uma relação a três? Que relação a três?, é a primeira pergunta que coloco. E que terceiro?, segunda questão.

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 24, 2005 04:19 PM

1poucomais,

A tua pergunta é sinal que não percebeste e queres mesmo saber ou é sinal que percebeste e queres provocar-me? ;-)

Publicado por: Jorge Morais às fevereiro 24, 2005 04:29 PM

Não percebi mesmo (by the way, o teu mail funciona??? - isto não se devia perguntar aqui, mas não dá para perguntar por mail, obviamente).

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 24, 2005 04:34 PM

Não sei responder a isso, Azul. Quando estava a escrever estava a pensar num cenário em que todos os outros "toys" possíveis já tinham sido experimentados...

O que, provavelmente, também não faz muito sentido :S

Publicado por: Hipatia às fevereiro 24, 2005 04:39 PM

Como fantasia, Hipatia, acredito que acrescente sal e pimenta, e piri-piri, o que for. Como realidade, acho que seria o fim da relação. Mas falo em teoria.

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 24, 2005 04:42 PM

OK, o meu e-mail funciona, mas não o tenho aberto há algum tempo. De vez em quando faço uma cura de 24 horas sem ler e-mails ;-)

O que eu queria dizer é que o terceiro, se assumir que é o terceiro e não quer ser mais do que isso, é o que, quando acaba, vai à sua vida e não fica com marcas, apenas com uma "experiência interessante".

Publicado por: Jorge Morais às fevereiro 24, 2005 04:47 PM

A Mar também já exprimiu a sua menor empatia com "multidões". Tenho que fazer o "score", pois dá-me a ideia que as coisas pendem mais para um dos lados (a dois), embora existam opiniões suficientemente "elásticas" para poderem alinhar no lado do trio. Isto, claro, em termos meramente teóricos. Isto é a gente a falar...

Publicado por: sharkinho às fevereiro 24, 2005 04:47 PM

Para quem não o conheça, o Jorge Morais estreou-se há pouco no Afixe e tem um blogue que vale a pena conhecer. Gosto de o ter cá e acho que vão perceber porquê. Um grande abraço de wellcome, Jorge Morais!

Publicado por: sharkinho às fevereiro 24, 2005 04:49 PM

Wellcome com dois éles. O Jorge merece.

Publicado por: sharkinho às fevereiro 24, 2005 05:03 PM

Obrigado pelo wellcome com dois éles.
Um abrasso com dois ésses para ti também... ;-)

Publicado por: Jorge Morais às fevereiro 24, 2005 05:09 PM

Ah, agora já entendi (ambas as coisas). E concordo (com ambas as coisas).
Achei piada ao termo "elásticas" nesse contexto, Shark ;).
E depois de mais uma machadada na minha reputação (não és só tu, Luna, estás bem acompanhada), vou ver se dou mais uma machadada na minha relação intelectual ;)

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 24, 2005 05:15 PM

1poucomais,

já que me perguntaste aqui, já li o e-mail e já respondi a todos...

Publicado por: Jorge Morais às fevereiro 24, 2005 05:24 PM

Conseguiste? És ultra-rápido. Eram praí uns 120! ;)

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 24, 2005 05:28 PM

E a secura que alguns comentários me provocam? :) Dá-me vontade de beber Frize (todas as frutas)...

Publicado por: sharkinho às fevereiro 24, 2005 06:43 PM

Isso foi do sal, pimenta e piri-piri de que há bocado falei? Vai beber mas é água ;)

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 24, 2005 06:46 PM

Ou despejar um balde dela bem fria pela cabeça abaixo, que estas coisas sobreaquecem-me até à ebulição. Sou muito sensível à escrita bem condimentada.

Publicado por: sharkinho às fevereiro 24, 2005 07:14 PM

Olha que ficas doente outra vez, homem... Pensa é noutra coisa qualquer. Sei lá, em trabalho. Ou na mulher mais feia e "desatraente" de que te possas lembrar.

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 24, 2005 07:19 PM

Huummm...
Tem mesmo que ser um homem...

Publicado por: sharkinho às fevereiro 24, 2005 07:24 PM

Quando me dá para suspirar pelo homem dos meus sonhos, um amigo meu consegue sempre que eu volte à real sugerindo um dos indivíduos mais feios, desinteressantes e morcões que conhecemos. É remédio santo. Regresso à terra num instantinho.

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 24, 2005 07:28 PM

Menina 1 pouco

HOMEM PERFEITO

O homem perfeito é lindo
tem um pouco de mistério
é belo quando está rindo
é belo quando está sério

O homem perfeito é bom
tem um jeito carinhoso
quando fala, em meigo tom
causa arrepio gostoso

O homem perfeito é fino
é solícito, é fiel
tem a graça de um menino
e é mais doce que o mel

O homem perfeito adora
dar flores, botões de rosa,
a uma velha senhora
Ou uma jovem formosa

O homem perfeito tem
energia, não se cansa,
lava louça, cozinha bem,
gosta muito de criança

O homem perfeito é
sensível à grande arte
gosta de dança e ballet
nunca há de magoar-te

Para encerrar a preceito
estes versos que alinhei:
se existe um homem perfeito...
O filho da mãe é gay!!!

(recebido hoje por email)

Publicado por: Carlos F. Afonso às fevereiro 24, 2005 10:11 PM

Ah ah ah ah ah ah ah!
(Em que espantosos sítios nos encontramos, caro sr. doutor ;)). Entre o homem perfeito e gay que tão lindamente é retratado no poema e o horror (muito macho)que me impinge o tal meu amigo, há-de haver um meio-termo que corresponda à minha ideia de um bom companheiro.

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 24, 2005 10:49 PM

cheguei cá pelos comments no seu blogue e com ouvi que estava quente resolvi aquecer-me. E, Oh, escaldava... A versalhada tinha-a recebido por email e achei-a especialmente apropriada para o tom da conversa. Espero que o nosso anfitrião não se ofenda pela falta de nível do tom e do poema!

Publicado por: Carlos F. Afonso às fevereiro 24, 2005 11:20 PM

O anfitrião gosta sempre de receber convidados novos com belas contribuições para o debate (eu é que fico toda envergonhada por lhe dar a conhecer a si um dos muitos outros lados da 1p+...).

Publicado por: 1poucomais às fevereiro 24, 2005 11:56 PM

Ó PN, como é q se vai levar a mal a discordância q neste caso e por acaso nem o é totalmente?

Uma subtil provocaçãozinha fica sempre bem nestas coisas :)

O facto de um homem precisar de um período de convalescença após o acto sexual levado até ao fim (eu por acaso neste contexto, não falo em 'fazer amor' pq falo em abstracto e o 'fazer amor' parece-me q faz parte de um registo mais pessoal) não significa que não se continue, se a ambos apetecer (pq se for realmente um prazer a convalescença é dupla), a prática do amor ou sexo sem se chegar aquele culminar.

É redutor dar ao sexo ou ao fazer amor aquela carga de se chegar aquele 'fim'. Há muitas formas de dar e receber prazer que não têm q ser feitas a correr (até rimou!) a não ser... q se queira :)

E muitas vezes o fim nem tem de ser esse. Explorar suavemente e sem complexos orgásmicos de obrigatória penetração o outro é algo que até tem mais valor que o acto 'final' em si. É q sexo penetração qualquer um o faz, mas sexo vivência q nem está reduzido a uma cama ou outro espaço físico mas se alarga ao mental e à sensibilidade, ao corpo-alma, ao explorar do outro e querer fazê-lo feliz nesses momentos é algo que nos faz homens e mulheres de boa vontade :))

Comecei pelo Afixe, acabo no Sharkinho a minha intervenção madrugadora :). Agora vou atirar-me à vida***

Publicado por: vague às fevereiro 25, 2005 08:32 AM

Ò amigo Carlos, como é que o anfitrião poderia ofender-se com uma entrada tão peculiar? A originalidade e o sentido de humor são visitas preferenciais deste charco!

Publicado por: sharkinho às fevereiro 25, 2005 09:19 AM