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março 14, 2005
CONTAS DE CABEÇA
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No trailer de um filme prestes a estrear, o personagem representado por Will Smith fornece tutoria a um fulano acerca da melhor abordagem a seguir quando chega a hora de conquistar o primeiro beijo a uma mulher. "Avanças noventa por cento e deixas-lhes os restantes dez por cento para percorrerem elas o resto do caminho". Não terá sido exactamente desta forma que ele o disse, mas a ideia era precisamente esta.
Sorri e dei comigo a pensar nesta questão da estratégia que todos tentamos desenvolver para lidar com tais situações. Claro que existem contextos onde as coisas não passam por qualquer tipo de esquema pré-concebido, mas é inegável que cada um de nós possui a sua própria medida para os avanços e os recuos. É nesse aspecto que concentro a atenção desta posta.
Cada pessoa tem uma noção de como deve (ou de como quer) reagir perante um(a) amante potencial. É nesse sentido que falo em estratégia. Por exemplo, existem homens que quando avançam é a cem por cento. Nem consideram a hipótese de deixar margem a hesitações. Esta forma radical de fazer as coisas só resulta, no entanto, se estiver reunida uma feliz conjugação de factores. Ou dá para o torto e de uma forma nem sempre agradável para os protagonistas.
Outros homens, pelo contrário, só avançam dez por cento e expõem-se a fracassos evitáveis. Porque do outro lado está outra pessoa, uma mulher e, regra geral, condicionada pelos seus medos e pelas suas próprias reacções a este tipo de iniciativa. Com noventa por cento do caminho por percorrer, dificilmente se contará com a colaboração entusiástica da hipotética beijada.
Isto parece simples de analisar, como tudo o que se analisa à distância. Mas no momento das grandes decisões, quando tudo em nós grita que está na hora de tomar uma atitude, o caminho a percorrer pode estar (e nas pessoas com bom senso deve estar) dependente da pessoa alvo desse avanço e do contexto global que proporcionou a ocasião. Até porque nem sempre os sinais que interpretamos jogam certo com as intenções do emissor. E quando se equacionam as coisas desta forma, as teorias dos "entendidos" perdem alguma consistência.
Se impomos às outras pessoas o nosso modelo de comportamento, a nossa percepção da distância a percorrer (em centímetros e em intimidade e confiança) ao contacto físico que pretendemos, estamos a desrespeitar as suas decisões e as suas fronteiras. Estamos de alguma forma a violentar essa pessoa, que até pode ser apanhada de surpresa e perder a capacidade de reacção pelos piores motivos. Podemos deitar tudo a perder.
Este equilíbrio não é fácil de estabelecer e até existem casos nos quais o avanço destemido é a melhor receita. Porém, esse tiro no escuro pode desviar-nos a pistola para um pé. O nosso ou a da outra pessoa, se de alguém fragilizado se tratar. É essa, no meu entender, a justificação razoável para a prudência (mesmo quando esta se possa revelar excessiva). Porque outras se intuem facilmente a partir do diálogo (embora nem sempre este denuncie determinadas imprecisões) e de outros indicadores menos fiáveis mas fundamentais na interpretação das intenções de pessoas mais tímidas ou temerosas (ou simplesmente não interessadas em nós nessa perspectiva).
Existem riscos que não se devem correr, mesmo hipotecando a oportunidade que aparentemente se configura. É embaraçoso e confrangedor para ambos os intervenientes quando algum se vê obrigado a travar as investidas do outro, sobretudo quando já existem laços de amizade a preservar. E o desconforto instantâneo pode ser a menor das consequências de tamanha trapalhada.
Tudo isto, porém, depende ainda de factores absolutamente irracionais e imprevisíveis. O amor e a paixão nunca se prestam ao estatuto de ciência exacta, precisamente porque nem sempre reagimos como a nossa razão recomenda. Neste tipo de assunto apenas ambicionamos mitigar um pouco a nossa ignorância, quando nos atrevemos a teorizar.
Por isso mesmo e na minha perspectiva, aquilo que o Will Smith advoga no trailer que citei não passa de uma chalaça inócua e como tal deve ser entendida. A medida dos nossos avanços e recuos define-se pelo nosso carácter, pelas circunstâncias concretas em que nos confrontamos com tais decisões e, acima de tudo, pelos mecanismos de protecção que as contingências da vida nos instalam. E isto vale para homens como para mulheres, pelo que o cariz absolutamente aleatório de demasiadas variáveis é sempre o dado mais adquirido da equação.
Com tantas contas de cabeça nunca cheguei a conclusão alguma. E sem ter a mínima noção se tomei a decisão mais acertada quando esta me competiu, já perdi a conta aos beijos que ao longo do caminho deixei por dar.
Às vezes, quando me vejo numa fase da vida da qual a estatística mais favorável indica que mais de metade já "ardeu" e da outra metade não poderei usufruir com o presente potencial, dá-me vontade de mandar às urtigas a cautela e de arriscar um pouco mais. Mas depois olho para a minha pila, esse dinâmico mas obtuso rolo de carne, e não consigo convencer-me a confiar-lhe as minhas escolhas. Mesmo que em casos pontuais se venha a confirmar ser ela a verdadeira e única detentora da razão, a existir uma.
Publicado por sharkinho às março 14, 2005 10:11 AM
Comentários
Por momentos pensei que estivesse a ler a "mariaonline" e até achei divertido. Depois de ter confirmado na barra de endereços que não era, achei triste; é que não me lembro de ter lido nada tão machista nos últimos tempos.
Publicado por: sopeiro às março 14, 2005 11:16 AM
Maxista, sopeiro?...
Bom dia e Tuby - gosto de te voltar a ler - volto mais tarde
Publicado por: sofia às março 14, 2005 12:08 PM
Eu não achei um texto machista. Acho que se pode adaptar (quase todo ;)) a uma mulher.
Mas acho sobretudo que a fazer tantas contas, a oportunidade do beijo escapa é de todo! Quando ambos estão mortinhos por que ele aconteça, ele acontece, mais dia menos dia :)).
Publicado por: 1poucomais às março 14, 2005 12:09 PM
Eu já tinha reparado que não dispensas uma visitinha ao charco, sopeiro, desde um episódio que chamou a tua atenção (sim, bastam os linques do teu blogue para topar a origem da tua motivação).
E topa-se o desagrado com que vens ler a mariaonline, mas olha pá: faz de conta que estás na sala de espera do dentista e não arranjas mais nada para ler. E para fazer, pelos vistos...
Já agora explica-me lá essa do machismo, pois pareces um entendido e eu sou ávido do conhecimento pela boca de especialistas.
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 12:14 PM
Sharkinho: só se perdem os que caem ao chão! (neste caso os que não são dados). :)
Ó rapaz, como é que tu consegues pensar na manutenção de coisas racionais como o 'bom senso', a 'prudência' e o 'equilíbrio' numa coisa destas? :DD
Parece-me que, previamente a um beijo, existem uma série de sinais que são absolutamente reconhecíveis. E o equilibrado é que o caminho seja percorrido em 50% cada; isto se se pensasse no assunto: desejável é que nem sequer se dê pela percentagem de cada lado.
Publicado por: catarina às março 14, 2005 12:27 PM
Bom dia, Sofia! Também fiquei confuso com aquela do machista, pois tal como a Zu refere eu encaminhei o texto de forma à "carapuça" servir a senhoras e a cavalheiros. E serve. Ou não?
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 12:33 PM
Ò Zu, gostei muito do teu comentário. É que eu sempre chumbei a Matemática... ;)
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 12:36 PM
bom dia!
(as carapuças fazem-me calor. nunca usei.)
Publicado por: Mi às março 14, 2005 12:41 PM
Bom dia Shark, bem vindo
Bom dia a todos,
Já por aqui tinha andado, a dar voltas à mona, não pelo impulso de um beijo... esse, solta-se, como diz a canção... mas pq não entendo a acusação de machista. Diria até que tanta dúvida e controlo, são muito mais próprios das incertezas femininas, que das vontades masculinas.
Publicado por: Karla às março 14, 2005 12:42 PM
Só agora reparei que com o atordoamento que o comentáio do sopeiro provocou em mim até escrevi mal.
É que mim também me pareceu que o texto se adapta tanto a homens como mulheres, de modo que não entendi e o sr podia vir aqui explicar-se...
(ainda não "voltei")
Publicado por: sofia às março 14, 2005 12:44 PM
Ó Catarina, percentagens à parte, esses sinais "reconhecíveis" podem dar origem a umas galhetas bem aviadas. E ainda por cima não é universal, essa sinalização que às vezes nos faz embicar por ruas de sentido proibido ou por becos sem saída. Além de que eu, como referi, percebo pouco do assunto. E ia chumbando no exame de código... :)
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 12:50 PM
Bom dia, Mi! Serve um barrete bem arejado?
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 12:52 PM
já agora, o comentário ao texto :)) parece-me, de facto, que se aplica a qualquer ser beijador, versão masculina ou feminina. eu é que não me revejo nele, que eu nunca pensei, nem pensei em pensar.
Publicado por: Mi às março 14, 2005 12:54 PM
:D também não. nada. gosto de manter a cabeça totalmente arejada.
Publicado por: Mi às março 14, 2005 12:55 PM
Se for só um beijo, estou como a Cat: só se perdem os que não forem dados. É que te esqueceste de referir qual é o tipo de beijo, Sharkinho. E eu só enfio a tal da carapuça se o alvo se aproximar em demasia da boca. Uma beijoca sonora na bochecha tem muito pouco de problemático :))))
(já não estamos "itálicos"?... oh!)
Publicado por: Hipatia às março 14, 2005 01:46 PM
Curiosa perspectiva, Karla.
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 01:57 PM
Ideias sempre fresquinhas, Mi.
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 02:15 PM
Olá, Hipatia. Juro que não foi quem derrotou os invasores itálicos. Montei no meu brioso corcel, vesti a armadura (uma trabalheira) e os gajos desapareceram sem eu saber como nem porquê.
Quanto aos beijos, vejo que a questão das distâncias não é assim tão descabida. Da bochecha à boca ainda são uns centímetros...
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 02:21 PM
Errata, Hipatia. "Juro que não fui eu", senão não faz sentido. É a dislexia das segundas-feiras...
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 02:22 PM
Hmm, o tubarão às segundas-feiras é disléxico... Que caso curioso para ser estudado :DDDDDD
Às vezes o beijo começa na bochecha - e quando se dá por ela deslizou um pouco mais para a boca. E há sempre aquele beijinho que "sem querer" apanha o canto da boca, e nos deixa ficar a sonhar no mais que poderia ser...
Publicado por: 1poucomais às março 14, 2005 02:38 PM
Por cada pessoa ser única, existe um «timing» diferente para cada pessoa e temos de intuir que tempo é esse.
De qualquer forma, acho que como em tudo na vida, importa arriscar. Se acabar por dar para o torto, pelo menos, durante uns momentos, contribuimos para levantar o ego da outra pessoa.
Na minha opinião é muito mais complicado, expressar que deixámos de gostar de alguém do que manifestar que gostamos dela.
(E agora vou ler os comentários)
Publicado por: maria árvore às março 14, 2005 02:45 PM
E quando partimos a pensar que vamos para a bochecha e damos por nós na boca?! Ou seja, da razão à emoção nuns poucos centímetros...
É bom poder voltar a ler-te!
Publicado por: joana às março 14, 2005 02:51 PM
Por acaso já me aconteceram esses do canto da boca. E é mesmo como tu dizes, Zu, sonhar no mais que poderia ser (excepto quando a - química da - outra pessoa nos provoca uma reacção de repulsa).
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 03:01 PM
Bem apanhado, Maria. Tens toda a razão. É uma porra termos que defraudar expectativas sabendo que vamos provocar uma tremenda desilusão e tristeza nas outras pessoas. Prefiro sem dúvida o tal tabefe ocasional dos sinais mal interpretados.
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 03:10 PM
É verdade que venho cá, mas nunca com desagrado Charquinho. Como referi, até me divirto. Acho que devias fazer um esforço por entender que nem todos os comentários discordantes são ataques pessoais. Eu não tenho nada contra ti, mas como leitor, reservo-me o direito a ter uma opinião, quer ela seja positiva ou negativa. Quanto ao que pensas serem as minhas motivações, é-me completamente indiferente.
O machismo implícito no teu texto é estrutural, e está tão assimilado que te passa despercebido. Qualquer tentativa de te explicar a minha opinião revelar-se-ia infrutífera, não só porque sendo contrária à tua é, logo à partida suspeita, quer porque esbarraria no conceito estereotipado que tens do papel da mulher – esses seres fragilizados, condicionados pelo medo e incapazes de tomar iniciativas - nestas questões.
Publicado por: sopeiro às março 14, 2005 03:11 PM
Ó Sopeiro, eu acho que este texto é claramente escrito por um homem; mas daí a ser machista vai uma grande distância. O único parágrafo em que se poderá, a meu ver, encontrar algo mais próximo de uma atitude de tipo machista é quando diz que "Outros homens (...) só avançam dez por cento e expõem-se a fracassos evitáveis. Porque do outro lado está outra pessoa, uma mulher e, regra geral, condicionada pelos seus medos e pelas suas próprias reacções a este tipo de iniciativa. Com noventa por cento do caminho por percorrer, dificilmente se contará com a colaboração entusiástica da hipotética beijada." Mas eu, como mulher, também acho que se eu avançar apenas 10% e deixar todo o resto do caminho para ser percorrido pelo homem que quero beijar, arrisco-me a ficar sem beijo, porque ele também está condicionado "pelos seus medos e pelas suas próprias reacções a este tipo de iniciativa". Com a diferença de que na nossa sociedade continua a haver um machismo, pelo menos latente, que leva a que se ache que tais iniciativas devam ser dos homens e não das mulheres, o que condiciona por vezes, mesmo sem querermos, o nosso próprio comportamento neste domínio.
(Dito de outra maneira: seja por condicionalismo da sociedade envolvente, por educação, ou por feitio, a verdade é que se a iniciativa de um beijo for toda, ou quase toda, deixada a mim o mais provável é eu considerar que a outra parte não está assim tão interessada como eu gostaria e que não vou arriscar-me a fazer figura de parva atirando-me ao homem. Será isto fruto do machismo? Às tantas. Eu vivo nesta sociedade, não sou imune às influências externas.)
Desculpem o tamanho do "testamento" :) E agora vou para ali rir-me e tentar fazer uma estatística de quem, ao longo da minha vida, tomou a iniciativa ;)
Publicado por: 1poucomais às março 14, 2005 03:25 PM
Assim, com as tuas intenções expostas de forma clara, não vejo porque não poderás manifestar uma opinião contrária à minha, Sopeiro. E quanto à mesma, e não duvides que levo a sério tudo o que aqui me dizem (não sou dono de qualquer verdade absoluta e já por diversas vezes aqui assumi que tenho muito para aprender até ser o homem que desejaria). Não me revejo na pele do machista e, como deves calcular, conheço mulheres em número suficiente para não alinhar em estereótipos. Além disso, eu assumi no meu texto precisamente as mesmas características que atribuis ao tal estereótipo. E garanto-te que não me tenho por efeminado.
Espero que isto desmistifique os pressupostos que levantaste. E não te peço para seres "cá dos meus". Solicito apenas que quando me colares rótulos tenhas o cuidado de me explicares porquê, para eu não presumir que se trata de um ataque pessoal gratuito e injustificado.
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 03:31 PM
Joana, obrigado pelo teu simpático comentário. E vim para ficar, embora com uns até jás pontuais (sempre que for de férias ou por motivos de força maior).
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 03:41 PM
Em aditamento à explicação que forneci ao Sopeiro e porque gostaria de não expor as minhas palavras a mal entendidos, eu personifiquei por mais de uma vez na vida a pessoa condicionada pelo medo e incapaz de tomar uma iniciativa. Pensei que isso estava perceptível, mas esqueço-me que quem lê não acompanhou o meu raciocínio enquanto o escrevi.
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 03:46 PM
Quem nunca na vida hesitou perante um primeiro beijo? Só alguem muito confiante de si ...
Que tem de curioso o meu primeiro comentário, SharK?
Publicado por: Karla às março 14, 2005 03:54 PM
Tem de curioso o facto de contradizer o pressuposto que levantei no texto (e que se aplica a mim, em boa medida, no capítulo das hesitações).
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 04:00 PM
Como diz a Zu, 'quando ambos estão mortinhos por que ele aconteça, ele acontece, mais dia menos dia', de forma natural.
Uma coisa diferente - que se enquadrará mais no 'post' do Shark - é um beijo por impulso, de pessoas que ainda não tenham atingido um determinado nível de cumplicidade (!?)
Publicado por: Leonel Vicente às março 14, 2005 05:55 PM
É mais desses que falo, Leonel. Até porque varia de pessoa para pessoa a percepção dessa cumplicidade que referes. E os sinais valem o que valem...
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 06:06 PM
Ora pois admito que já me aconteceu falhar o alvo. Especialmente quando dois pares de óculos se enfrentam. Entre o vira a cara para cá, vira a cara para lá, pimba, lá foi ao centro...
Até hoje não sei qual foi a dose de improviso e qual a dose de vontade, lol. Mas suponho que tenha sido fifty-fifty ;)
No entretanto, quero mandar ali uma beijoca à Dona Zu, que deixou um testamento à maneira. E também à tua pachorra, Sharkinho. Que isto de dar troco a quem foge com o rabo à seringa, tem muito que se lhe diga.
É que, Sopeiro, eu também estava curiosa para saber onde estão as tais das raízes do machismo... Afinal é uma coisa que me interessa, já que sou um tudo ou nada feminista. Já me estava a imaginar a dar nas orelhas do anfitrião, caso concordasse com a prosa. É que fiquei mesmo curiosa. E, como qualquer mente inquiridora, pensei ver aqui expresso o rol dos postulados. Mas não... não encontrei nada. Não queres tentar outra vez, ou custa assim tanto fundamentar uma opinião?
Publicado por: Hipatia às março 14, 2005 06:42 PM
Desculpem ir contra as teorias, mas se me apetecer beijar mesmo, eu avanço 100% e só não se estabelece contacto se do outro lado houver um recuo.
É que se torna difícil calcular os 90%. Imaginem que as duas pessoas estão a uma distância de 35 cm. Primeiro, conseguir calcular quanto é 90% quando se está a pensar num chocho é quase impossível. A única alternativa seria recuar até um metro de distância e depois percorrer 90 cm, até ficar a apenas 10 cm de distância, o que levaria a outra pessoa a pensar que não regulávamos bem da cabeça.
Assim, a minha proposta é: vão até aos 100%, a outra parte que recue se não quer ser beijada. ;-)
Publicado por: Jorge Morais às março 14, 2005 07:38 PM
Eh, parceiro! Não brincas em serviço, pá...
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 08:01 PM
Boa teoria, a do Jorge ;-))
Publicado por: Mar às março 14, 2005 08:12 PM
E tu também não, Hipatia. Espero que o Sopeiro não consiga expor o machista oculto que possa existir em mim, senão já sei o que me espera. :)
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 08:13 PM
Especificando: Boa teoria para quem não quer ficar eternamente na dúvida do "se" tivesse feito, o que teria acontecido. Má, do ponto de vista da auto-estima do que avança os tais 100% e afinal o outro lado recua...
Publicado por: Mar às março 14, 2005 08:16 PM
Oh Mar.... que estás a fazer aqui no Sharkinho, m'lher? Não devias estar em viagem?
:))))))
Publicado por: Hipatia às março 14, 2005 08:16 PM
Olha quem apareceu, a minha sócia. Se calhar tu e o Jorge têm razão, já confessei a minha inépcia e as minhas interrogações nessas andanças. E ainda bem que conto convosco para me abrirem novos horizontes que muito me poupariam a excelentes oportunidades ingloriamente desperdiçadas. Vou arriscar um destes dias essa abordagem simplificada, a ver se resulta.
Estamos sempre a aprender, não é? :)))
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 08:21 PM
Charquinho, eu não te colei rótulo nenhum. Dizer que um texto é machista não é o mesmo que tecer considerações pessoais ou formular juízos de valor em relação ao autor do mesmo. Também não é presumir erradamente as motivações de quem o escreveu.
De resto, nem sequer acho que machismo seja um termo insultuoso.
Às leitoras que aguardavam um esclarecimento da minha posição as minhas desculpas. Não fugi com o rabo à seringa mas um gajo quando tem ir buscar os filhos à escola, fazer o jantar e arrumar a cozinha não pode passar a tarde enfiado nos comentários de um blog.
Publicado por: sopeiro às março 14, 2005 09:12 PM
E achas que a designação mariaonline é lisonjeira para quem escreve este blogue e para quem o lê, ou estavas apenas a tentar fazer humor e ninguém percebeu a piada?
Explicado este particular, fica quebrado o gelo e podemos passar, quando os teus afazeres em casa o permitirem, a dialogar com o melhor tom para nos fazermos entender.
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 09:24 PM
Tenho imenso respeito pela revista "Maria". A sério. E pelo autor deste blog e respectivos leitores, também, como é evidente. Volto logo que possivel.
Publicado por: sopeiro às março 14, 2005 09:28 PM
...cheira-me que querias só dizer que as "mariasonline" é que não têm afazeres domésticos... ou então, fui eu que não percebi bem...
Publicado por: Hipatia às março 14, 2005 09:34 PM
De volta, gostaria de concordar com o Jorge Morais: tudo a 100%. Hesitações para quê?... Reafirmo que mostrar paixão a outrém não o pode magoar. Então é o medo que nos rejeitem?... Se somos crescidinhos, sabemos que nem todos podem gostar de nós e se interpretámos mal os sinais, paciência, porque fica mais esta experiência para sabermos mais como entender os outros.
Tem a ver com o que a Mar também refere de ser mau para a nossa auto-estima o recuo do outro. Mas julgo que ninguém pode baixar a sua auto-estima por causa disso se pensar que não se agrada a gregos e troianos. Os cães é que ficam connosco só porque somos os seus donos. Mas é muito mais saboroso que um gato(a) fique connosco porque gosta de nós.
Não aprendemos tudo por tentativa-erro? Porque é que na paixão, amor, engat, o que lhe quiserem chamar havia de ser diferente?
Publicado por: maria arvore às março 14, 2005 10:06 PM
(Posso fazer um pedidozito baixinho? Não azedemos a conversa, por favor. Já vimos como é fácil criar equívocos com palavras que se escrevem rápidas e sintéticas, com a falta de olhares e expressões. Eu, por exemplo, quando escrevi o testamento lá de cima, estava simplesmente a conversar, a reflectir sobre algo que foi dito e me fez pensar e escrever sobre o assunto. Se calhar, se a questão do machismo não tivesse sido levantada, eu nem teria feito aquela reflexão, que no entanto acho importante, pelo menos para mim - porque se calhar eu não teria coragem de avançar 100%, "à moda" do Jorge, apenas de sugerir, insinuar, sem avançar, precisamente por causa desses preconceitos sobre homens e mulheres a que não consigo escapar de forma absoluta, mesmo que os ache um perfeito disparate).
Publicado por: 1poucomais às março 14, 2005 10:08 PM
Quanto ao sopeiro, julgo que quis demonstrar que não é machista porque se dedica a todas as tarefas domésticas. Mas espero que acabe por explicar quais os traços de machismo no texto do Sharkinho.
Publicado por: maria arvore às março 14, 2005 10:12 PM
Concordo com a Zu, sobretudo pelo facto de ser óbvio que este meio pode prestar-se a interpretações dúbias e que o Sopeiro tem tentado desdramatizar o tom e as palavras. Sou todo ouvidos e estou certo de que se trata de alguém com coisas interessantes para dizer.
Via aberta à reposição do diálogo sem posições extremadas.
Olá outra vez, Frondosa.
Publicado por: sharkinho às março 14, 2005 10:25 PM
Com tanta coisa no dia de hoje ia-me escapando este problema das contas e para o caso de um primeiro beijo...
Instinto e avanço a 100%? Talvez quando o medo não nos corta as asas ou quando o descaramento nos rouba lugar à razão
Pessoalmente prefiro o insinuar e sugerir, como diz a Zu, e de apalpar terreno (e nada de pensamentos dúbios faz favor)
Só não faço é contas - os beijos que não aconteceram é porque não tinham de acontecer
Publicado por: sofia às março 14, 2005 10:47 PM
Agora lembrei-me como terá sido o primeiro beijo do Guterres:
- Ora 90% de 35... 90% de 35... ora 9 x 5... dá... bem, é só fazer as contas... onde é que ela se meteu?
Publicado por: Jorge Morais às março 14, 2005 11:09 PM
LOL!! Aqui o Jorge tem umas saídas giras...;-)) e concordo com a maria árvore, realmente com essa noção de não se poder agradar a todos é mais fácil lidar com a rejeição...(isto é o meu lado racional a falar, agora experimentem estender o rosto e os lábios de encontro ao objecto da vossa paixão e o gajo saltar para trás horrorizado...) (e atenção, estou a falar hipotéticamente...nunca me aconteceu, hein?!) ;-)))
Publicado por: Mar às março 14, 2005 11:24 PM
Hipatia, a viagem afinal, foi ligeiramente mais pequena do que ir ao outro lado do mundo....;-)
Publicado por: Mar às março 14, 2005 11:31 PM
vivendo e aprendendo caro shark, pois é, sim senhor :-)
Publicado por: Mar às março 14, 2005 11:32 PM
Esqueci-me de dizer que não basta a técnica 100%. Um pouco de charme também é preciso ;-)
Publicado por: Jorge Morais às março 14, 2005 11:58 PM
Oh Mar, nesse caso, inspiras fundo, pensas "nem sabes o que perdes!" e dizes numa voz terna "eu não quero violar ninguém!". :)
Publicado por: maria arvore às março 15, 2005 12:11 AM
Eh! Eh! Eh!
Publicado por: cap às março 15, 2005 12:24 AM
Toda a gente sabe que o Tuby (como eu) é gay e travesti. Apodá-lo de machista é, portanto, um exercício inconsequente.
(Ouve lá: quando é que me devolves a saia?)
Publicado por: João Pedro da Costa às março 15, 2005 12:25 AM
É que ainda por cima, João, essa saia é minha! Então eu empresto-ta e tu passa-la logo ao Tuby??? Como é que é?
Publicado por: 1poucomais às março 15, 2005 01:22 AM
Não me digam que é a famosa saia do Jacarandá?
Publicado por: Jorge Morais às março 15, 2005 01:30 AM
O mecinho foi prá naite, João. Só amanhã recuperas a saia. :)
Publicado por: cap às março 15, 2005 02:07 AM
Não revelo as circunstâncias em que o JP ficou com a saia, ora essa. Vocês queriam ficar a saber mais do que eu, era? :DDD
Publicado por: 1poucomais às março 15, 2005 02:46 AM
Fiz um vistão, Zu. Tens é que ter paciência, pois cheguei muito tarde da night e não deu tempo para a saia secar. E claro que quero devolver-ta engomadinha... :)
Publicado por: sharkinho às março 15, 2005 11:06 AM
Não consigo imaginar, que tipo de saia ficará melhor num tubarão ... uma mini-saia? uma saia rodada? um kilt escocês? talvez as sete saias nazarenas...
Publicado por: Karla às março 15, 2005 11:20 AM
Charquinho,
Ainda antes de justificar a minha “acusação” de machismo, gostava que de esclarecer a questão da "marionline". Na minha opinião utilizas nos teus textos uma linguagem muito reflexiva, colorida e sensual, um tom intimista e autobiográfico, insistes com frequência na exploração de sentimentos e tens uma forma muito própria, de falar de sexo. Também noto na tua escrita um tendência conciliadora e demonstras uma capacidade invulgar para abordar temas relativamente polémicos sem ferir susceptibilidades. Podes defender no mesmo parágrafo deus e o diabo, o sim e o não, o bom e o mau, e nunca és extremista na defesa das tuas posições.
Ao ler-te fico sempre com a ideia de que escreves com o objectivo de agradar a todos.
Nada do que disse é necessariamente mau, mas é sem dúvida muito semelhante (até nos temas que escolhes) ao que podemos encontrar na imprensa cor de rosa.
Publicado por: sopeiro às março 15, 2005 02:06 PM
Quanto ao machismo, e sem me querer alongar muito, acho que no teu texto está claramente presente um padrão de mulher recolectora/homem caçador. Um ideia de que o homem tem uma identidade sexual activa, que é ele quem domina as situações e inicia as relações.
Quando li “Porque do outro lado está outra pessoa, uma mulher e, regra geral, condicionada pelos seus medos...” e "Com noventa por cento do caminho por percorrer, dificilmente se contará com a colaboração entusiástica da hipotética beijada” depreendi, que na tua opinião a mulher é incapaz de expressar a sua sexualidade, que se remete a um papel passivo, submisso e inválido e de que dela não se espera que seja capaz de fazer alguma coisa por iniciativa própria.
Esta foi a interpretação que dei ao texto. Espero que consideres o meu comentário justificado e que não te sintas ofendido porque, garanto-te, não é essa a minha intenção.
Publicado por: sopeiro às março 15, 2005 02:17 PM
De todo, pá. Fazes-me é ficar com uma grande tola por ter entrado a matar, correndo o risco idiota de desperdiçar a qualidade destes teus comentários. E por qualidade refiro-me à clareza com que manifestas a tua opinião e à lisura como reages à minha desconfiança injustificada.
Lamento ter interpretado mal as tuas palavras. A tua discordância seja sobre o que for, quando colocada nestes termos, é muito bem vinda e até a considero valiosa (pelo tique que denuncias na primeira parte do comentário).
E quanto à ideia que o meu texto te transmitiu, asseguro-te que encaixo perfeitamente no perfil que tracei com vestes femininas e a minha experiência pessoal na matéria nunca me permitiria embicar por algum tipo de padrão ou rotulagem generalizada.
Tu dás atenção ao que escrevo. Avisa-me se alguma vez eu te transmitir de novo esse laivo de machismo que, a existir em mim, muito surpreenderia e será motivo de preocupação mais do que justificada. Acabarás por entender porquê, se puder contar com a tua visita depois da recepção que te fiz. Obrigado por transformares um conflito iminente numa troca agradável de impressões. Manda sempre.
Publicado por: sharkinho às março 15, 2005 06:43 PM
Isto está com nível!
É por isso que vale sempre a pena passar por cá...
Publicado por: Leonel Vicente às março 15, 2005 07:01 PM
(louvo a capacidade de diálogo que aqui demonstraram ter)
Publicado por: Mi às março 15, 2005 10:31 PM
da-sssse.....que isto é que é produzir comentários....(69)
:)até me esqueci do que escreveste Tuby...vou ler outa vez
Publicado por: Luna às março 16, 2005 08:14 PM
E quando o beijo não acontece (apesar de haver vontade) porque a pessoa acha que depois não vai saber lidar com o que vem a seguir? Será calculismo? Ou efectivamente falta de...paixão?
Publicado por: Avidez às março 16, 2005 08:58 PM