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março 03, 2005
LÍNGUAS AFIADAS
Esta é mais para despegar o meu amigo do crucifixo onde o pendurei. Até porque confesso que nem ontem ao serão (quando escrevo a maioria das minhas postas) nem hoje ao longo do dia encontrei uns minutos para escrever a posta costumeira.
Porém, a mais recente “bronca” da blogosfera mais próxima (que teve início numa posta do Barnabé, espalhou-se ao 100nada, incendiou o Afixe, alcançou o Renas e ainda faz correr tinta virtual numa data de espaços colegas), essa reacção em cadeia incentivou-me a falar um pouco acerca do assunto, aproveitando uma pausa estratégica.
Até porque eu próprio já dei início a reacções do mesmo género, em menor escala (felizmente), e percebi nessa altura que isto da blogosfera já atingiu um ponto (em expansão e em expressão) que nos obriga a levar muito a sério aquilo que postamos. E isto aplica-se a qualquer blogue, pois as broncas tanto podem ter início numa posta política como num momento menos conseguido de humor. Ou até num comentário palerma (como é mais minha tradição). Nem nos comentários podemos dar-nos ao luxo de abardinar. As pessoas lêem, as pessoas reagem e ninguém consegue ficar indiferente ao clima que se instala. E se estala...
No meu Afixe, as águas agitaram-se a tal ponto que até pareciam ter partido dali as ondas de choque que tantas palavras produziram. Mas não. É o tal efeito bola de neve que as nossas intervenções mais polémicas podem iniciar e que acabam por confirmar, pela sua intensidade e pela dimensão que atingem, o interesse que as pessoas têm por este fenómeno, a importância que lhe atribuem e o respeito que isso nos exige quando lhes damos algo a ler. É essa a principal conclusão que extraio de mais um momento de azedume blogueiro.
A sensibilidade dos outros não pode ser descartada do que afirmamos. Não pode e não deve. A inteligência também não. Os outros, que sou eu e que são vocês, porque gastamos parte do nosso tempo a dar atenção ao que a blogosfera produz, merecem toda a consideração. No meu entender, é esse o ponto de partida para tudo o mais. E justifica até que nos reprimamos de vez em quando, que nos tentemos impor alternativas menos agrestes para exprimirmos as nossas posições. Não é diferente do que tentamos fazer numa mesa de café. Não pode ser diferente. Sob pena de qualquer dia nos fartarmos de más ondas e irmos surfar para outras paróquias.
Eu adoro isto. E postas bem esgalhadas como a que hoje nos ofereceu o Oldman abrem-me os olhos, todos os dias e em muitos blogues, para a falta que esta maravilha me fará se um dia definhar por causa da falta de contenção verbal generalizada. Até me passava...
Publicado por sharkinho às março 3, 2005 04:28 PM
Comentários
Na minha opinião cada um tem o direito de escrever o que bem lhe apetecer e até a dizer as bacoradas que bem entender. Porque isto dos blogs não é nenhuma imposição – cada um visita os que mais lhe apraz – e é como um café, se não se gosta do ambiente não se volta a lá por os pés...
Agora ninguém tem é o direito a faltar o respeito aos outros.
Até porque essa é a pior forma de escrita.... Mas cada um é que sabe que imagem de si próprio pretende transmitir.
(eu cá gosto deste "café")
Publicado por: sofia às março 3, 2005 05:17 PM
Compreendo perfeitamente aquilo que dizes e aquilo que pensas. Mas cada um tem o blog que tem e que quer ter. Eu posso arrepender-me amargamente no dia a seguir, posso pedir desculpa...mas nunca deixarei de escrever a quente as maiores barbaridades que me passem pela cabeça, directo da fúria para o teclado. Como nunca as deixei por dizer, também não as deixo de escrever. Parto a loiça toda, apanho e colo os cacos depois, mas sou assim e não quero que aquilo que eu escrevo seja travado por quem lê. Tal como na minha vida, digo e escrevo o que penso sem panos quentes; e aplico ao meu tasco aquilo que eu penso: quem não gosta que meta à borda do prato. :)
Publicado por: catarina às março 3, 2005 05:24 PM
Sofia e Catarina, as vossas opiniões são bastantes aproximadas e contrariam a que expressei. Às vezes sinto-me um idiota por reprimir alguns impulsos. Mas depois leio as coisas incríveis que a malta me deixa nas caixas e fico logo a acreditar que tenho que fazer tudo para não colidir com a sensibilidade dessas pessoas e das que não comentam mas vêm cá. Não é fácil agir desta forma, sendo um desbocado com o coração à frente da mona. Ainda assim, e porque fico inconsolável quando descubro que alguém mete o charco à borda do prato, esforço-me por não ir longe demais e por jogar pelo seguro. Não sei se é a escolha acertada, mas alguma um gajo tem que fazer, não é?
Publicado por: sharkinho às março 3, 2005 05:38 PM
Eu fico assim a modos que a meio termo entre o que diz a Cat e o Shark. Também eu escrevo o que muito bem entender no meu tasco, e independentemente disso ser contrário à opinião de toda a gente. Disse outro dia e repito-o: o meu blog é o meu saco de boxe, atiro-lhe com tudo o que me vier à veneta. Procuro, no entanto, lembrar-me de certas coisas, as mesmas regras que tento aplicar na minha vida. Uma delas, básica e limitadora, é o facto da minha filha ler o meu blog de vez em quando (e já algumas vezes me excedi no tocante a isso, e tenho de ter cuidado com isso). Outra é que não tenho o direito de andar por aí a insultar meio mundo (pessoas em concreto) porque acordei mal disposta. O respeito pelos outros e pela sua opinião, concorde eu com ela ou não, é algo que procuro ter em conta. Procuro, mesmo, medir os outros com a medida com que gostaria de ser medida; e como não acho muita piada a que me chamem idiota ou palerma, nem de ter de pedir desculpa, mais vale pensar duas vezes antes de "falar" e não andar por aí em quezílias com os outros... A menos que esses outros estejam a ser verdadeiramente idiotas, tenham ofendido ou desrespeitado os outros e a sua dignidade. E muitas vezes, apesar disso, prefiro desaparecer e deixar os idiotas, palermas ou intolerantes a falar sozinhos (às vezes depois de explicar porque o faço).
Por outro lado, também acho que a certa altura nos esquecemos que blogs são, unica e simplesmente, blogs. Não vale a pena ter uma apoplexia ou deixar de dormir tranquilo por causa deles. Bastam as chatices da vida, as a sério, não vale a pena inventar novas.
(que grandes comentários eu ando por aqui a escrever...)
Publicado por: 1poucomais às março 3, 2005 07:15 PM
Eu estou assim tipo para o azulinho... é que também fico mais ali para o meio termo. Ou, pelo menos, tento lá permanecer.
Só que, às vezes, também não é no meio termo que quero estar.
Ou seja, se leio o 100nada, é porque a Catarina não se limita na sua liberdade de expressão e, ao ter uma postura assim, permite uma reacção. Seja em concordância, ou em discordância, conseguir uma reacção será sempre positivo. É porque se tocou alguma corda certa. Se venho ao Charquinho, é porque sei que, apesar de apregoadas boas intenções de contenção, eu prefiro mil vezes ler o Sharkinho com as teclas perto do coração. E também tu, oh Shark, sabes bem como tocar nas cordas certas. Isso é um dom vosso e de tanta gente que leio. Por isso leio. Por isso em tantos até comento.
Só que eu ontem não li só tiradas a puxar a uma reacção. Li insultos e faltas de respeito. E, isso, são águas demasiado turvas para o meu gosto.
Publicado por: Hipatia às março 3, 2005 07:26 PM
Realmente, Zu, são comentários do tamanho de postas. Mas confirmam tudo o que tens dito até agora, pecando apenas pelo facto de eu me ver obrigado a enfiar algumas carapuças que lá deixas, no meio daquele palavreado todo... ;)
Publicado por: sharkinho às março 3, 2005 08:10 PM
Porém, a Catarina diz o que quer e como quer sem que alguém se sinta ofendido ou desrespeitado, Hipatia. Isso é que é um dom. Ela é daquelas pessoas que nos insultam e a gente responde com um 'obrigado'.
Eu, longe de me querer comparar a ela (fico foleiro em biquinhos de barbatanas), quando me estico levo logo na corneta. Ou na guitarra, considerando o magnífico elogio das "cordas certas"... :))))
Publicado por: sharkinho às março 3, 2005 08:18 PM
a ver se consigo...
Publicado por: Luna às março 3, 2005 09:05 PM
Shark, não estava a pensar em enfiar-te carapuças. É assim que eu penso, apenas. Um pouco como tu: o que dizemos sobre os outros aqui, e como dizemos, não pode ser muito diferente do que seria em torno de uma mesa de café. Note-se que eu disse sobre os outros, sobre pessoas em concreto. Sinto-me no direito de dizer tudo o que me apetece sobre mim e o que me diz respeito, por exemplo, ou o que penso.
E há uma coisa: nunca vi a Cat a insultar ou desrespeitar ninguém, apenas a dizer o que acha e sente. É muito diferente. Ontem também eu saí da blogosfera desconsolada.
Publicado por: 1poucomais às março 3, 2005 09:34 PM
consegui...é que não tenho conseguido comentar aqui. Também eu concordo que no teu canto escrevas aquilo que bem te apetece, e se queres q te diga quando escrevo não penso se vai ser lido, é um bocadinho como dizia outro bloger, escrevo para mim mesmo. Óbviamente que depois dá um certo gozo leres os comentários e o que depois se cria com eles. Beijos
Publicado por: Luna às março 3, 2005 09:57 PM
Eu sei que não me querias enfiar carapuças, Zulinha. Mas a minha consciência pesada em relação a reacções minhas tempos atrás faz-me enfiá-las mesmo que tal não seja de todo tua intenção. E quanto à Catarina, eu não queria sugerir que é costume ela insultar a malta :). A minha ideia é que ela tem uma forma tão dela de ser frontal que não deixa muita margem de manobra para más reacções. Não sei explicar bem a ideia, mas acho a frontalidade dela pouco "hostilizável".
Publicado por: sharkinho às março 4, 2005 09:45 AM
Ò Luna, não ponho em causa escrever o que me apetece. É mais o como me apetece. Sinto que tenho o dever de ter quem me lê sempre presente quando me decido a publicar seja o que for, para evitar excessos que possam magoar ou indignar alguém. Percebes onde quero chegar?
Publicado por: sharkinho às março 4, 2005 09:48 AM
Um blog é um blog e é um pouco de nós no meio de alguma ficção. E existe porque nos dá prazer. Por isso, se não pudermos ser ali autênticos e genuínos, com as nossas qualidades e defeitos é uma coisa falsa que também não interessa a ninguém e mais vale passar o tempo livre na pesca (não é de tubarões) ou à caça de gambuzinos.
Podemos ter excessos que ofendam ou beliscam algumas pessoas que os leêm. Para isso lá estão os comentários para que cada um diga o que sentiu. Pedimos desculpa a seguir e isso já é uma garantia de que somos pessoas de bem, amochar e dizer que fomos uns tansos.Ás vezes discordamos, ficamos susceptíveis, levantamos o tom de voz, amuamos, dizemos "foste injusta/o", eu não sou assim como dizes. Qual é o drama? Não acontece isso no nosso dia a dia com os amigos, com aqueles que amamos? Se gostam de nós não é pelos desentendimentos que deixam de o fazer, há sempre uma segunda (3ª, 4ª, 5ª....) oportunidade.
Assim são os amigos.
Já não acho nada disto quando se fala de blogues com este ou aquele objectivo, que existem para cumprir determinada função e onde fácilmente se descamba para o insulto e a baixeza. E a esses, passo-lhes ao lado.
Nem te queiras comparar àquilo, Sharkinho.
Publicado por: Mar às março 4, 2005 10:19 AM
Ò meu elemento natural, que comentário bem construido. Vejo-me forçado a concordar contigo, até porque nunca hesitei (só demorei) em pedir desculpas quando constatei a minha falta de razão.
E estou nervoso pela falta de um contacto teu, a propósito daquilo que sabes. Tarda nada começo a fazer pressing via télélé...
Publicado por: sharkinho às março 4, 2005 10:44 AM
Metendo-me entre o tubarão e o seu elemento natural: vocês decidam lá as coisas, que a gente tem de resolver a vidinha também quanto ao encontro das mantas! Já estamos em Março, lembrem-se disso!
(beijinhos e um belo dia para todos)
Publicado por: 1poucomais às março 4, 2005 11:53 AM
Apoiado, Zu.
Publicado por: Mi às março 4, 2005 12:08 PM
Passei ao lado de toda esta questão, e ando sem vontade para escrever nem ler no pc.
Apanhando as coisas mto por alto, a m/ opinião em relação aos desacordos na blogosfera é muito pragmática e sentimental. Alguns de nós por feito e impulsividade esticam-se, e dizem coisas que ferem, sem querer, a susceptibilidade dos outros.
(Cont., no próximo post, q este comentário já atingiu as 8 linhas)
Publicado por: vague às março 5, 2005 12:56 PM
Os blogs q prefiro p/ ler e comentar são aqueles não 'profissionais', q dizem o q pensam sem calculismos, que dão feed-back e não se remetem aos píncaros da escrita. A esses dou o meu mais sincero desprezo.
Se errar é humano, como me responderam há uns dias, numa conversa fora daqui, mais humano é pedir desculpa pelo erro. E eu gosto das pessoas que sabem pedir desculpa da mesma forma apaixonada como magoaram.
Publicado por: vague às março 5, 2005 01:04 PM
Cada um é como é, diz-se no maior lugar comum, mas nós não temos de aceitar todos os 'sou como sou' dos outros. Ou gostamos ou não.
Eu não leio mto o Barnabé e não é por ser de esquerda (e sei alguns de vós são fervorosos bloquistas e isso não me inibe de dizer isso); não leio pq me chateiam mtos dos posts de cariz missionário (não conhecerão posição mais de acordo com o espírito dos tempos?) e a falta de tolerância que geralmente se sente à légua, em qq post. Como me aborrece a direita mais tradicional pela mesma arrogância.
Publicado por: vague às março 5, 2005 01:15 PM
A esquerda e a direita não são estanques (não?) e as posições radicais defendidas por uma e por outra são posições em que não me revejo. Daí a minha a-politização. E se a política e a religião, separadamente indendeiam as hostes, imagine-se as duas juntas.
Não me apetece entrar numa guerra em que me iria necessariamente envolver e hoje tenho mais q fazer q espetar farpas (embora daquilo q disse alguém poderá extrair lenha para a fogueira)
É o q penso mto sumariamente sobre isto.
Viram o Celso Martins na 'Caras' há uns tempos? ;)
Publicado por: vague às março 5, 2005 01:20 PM
Ó Vague, uma posição mais de acordo com o espírito dos tempos? Esclarece-me lá o que é que o espírito dos tempos aconselha, porque eu detesto andar desfazado das novas tendências... ;)
Publicado por: sharkinho às março 5, 2005 11:40 PM