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maio 12, 2005
A POSTA NO BEM

Uma pessoa amiga (colega de trabalho) alertou-me para o facto de a felicidade de cada um de nós ser susceptível de atrair as más ondas dos outros. Algo que leu nem sei onde, mas que associou de imediato às minhas circunstâncias actuais. Isto a propósito da divulgação pública das nossas emoções. E eu agradeço a preocupação dessa pessoa. Mas não a subscrevo. E explico-vos porquê.
As pragas valem o que valem, como quaisquer bruxarias ou outras exibições de força do mal como este se manifesta nas pessoas pequenas. São crendices ao dispor de qualquer charlatão ou outro tipo de ser mesquinho.
Mas mesmo admitindo, para apimentar esta posta, que existem cromos capazes de transformarem uma galinha preta noutra coisa que não uma canja em condições, qualquer mal só penetra onde o bem se distraiu. Maniqueísta, bem sei.
As más ondas, como a inveja, o despeito ou o ciúme doentio, podem alimentar nas pessoas ofendidas ou rejeitadas (ou ofendidas pela rejeição) um enorme rancor. E esse diz-se alimentar a parafernália ao alcance da bruxa ou do bruxo comum e facilitar a propagação dos malefícios até à(s) pessoa(s) a atingir. Um bocado como a ADSL dos harry potters de trazer por casa.
Contudo, diz-se também que o mal não consegue vergar as forças do bem e isso deriva do poder da fé. Por exemplo, em Deus. Eu chamo-lhe Amor e não apenas por ser romântico ou agnóstico, mas porque aprendi ao longo da vida que essa é a maior de todas as forças e não oferece contestação. Alimenta até o ódio que algumas pessoas conseguem sentir, se defraudadas de alguma forma nas suas expectativas em relação a algo ou alguém.
Neste pressuposto, qualquer pessoa ou relação munidas de fé em Deus (ou no Amor) são imunes mesmo às mais complexas artimanhas do voodoo (e a outras). E o mesmo acontece no que toca aos cépticos perante esses alegados poderes malévolos e poderosos ao alcance do cidadão comum ou de um Mestre ou Professor qualquer coisa com anúncio no Correio da Manhã. Lérias, tão válidas como as profecias dos visionários religiosos, o pessimismo dos velhos do restelo ou as pragas da vizinha de cima.
A pessoa amiga e bem intencionada que me alertou, e não sou pobre e mal agradecido, merece a minha gratidão pelo facto de se preocupar com um assunto que nem lhe diz respeito de forma alguma. Aprecio pessoas assim, embora lhes reconheça alguma propensão para a paranóia. Coisas que se desculpam na boa a quem nos quer bem.
Até por isso, doravante darei mais atenção ao que essa pessoa tem para dizer.
Porque não acredito em bruxas nem em varinhas de condão. Porém, eu que gosto de partilhar a minha felicidade com as outras pessoas, também gosto de me sentir preparado para o que der e vier. Mesmo que venha, sabe-se lá, uma figurita a correr sem rumo certo, julgando que voa, patética, montada afinal numa simples e vulgar vassoura.
Publicado por sharkinho às maio 12, 2005 01:18 PM
Comentários
Sou obrigado a concordar com a pessoa que te fez o aviso. De facto, transmitirmos a ideia de que estamos bem com a vida, gera em alguns um mal-estar que invariavelmente se traduz em acções concretas. Não as que referes, as metafísicas, mas sim aquelas que se materializam num certo trabalho feito à revelia do nosso conhecimento. O vulgarmente denominado "cortar na casaca" e que pode obviamente ter consequências no nosso bem-estar. Comparo este fenómeno àquele que deriva de baixas expectativas relativamente a determinados grupos. Os cidadãos deficientes, por exemplo. Quanto menores forem as expectativas de quem com eles trabalha, menores são as possibilidades de eles transcenderem as suas limitações. É um pouco análogo ao tema que propuseste hoje.
Publicado por: Ricardo Garcia às maio 12, 2005 02:04 PM
Julgo que é de pegar na vassoura que passa e varrer a soleira da porta.
Publicado por: maria árvore às maio 12, 2005 02:07 PM
Não é nada Maria!
Toda a gente sabe que tu não varres;)
as árvores não usam vassoura pá!
Publicado por: bin_tex às maio 12, 2005 02:28 PM
Essa da inveja e de pôr em prática sentimentos comezinhos é típico do portuguezinho frustrado que não pode ver o vizinho a nadar em mares de contentamento. Enquanto houver fatum na alma não se pode acreditar em si, muito menos no outro.
Publicado por: Rata Zinger às maio 12, 2005 02:44 PM
Eu cá dou para o peditório do Amor e da Fé e das Paixões.
Pelo que "cusco" por aqui, vocês os dois são maiores de idade... há já algum tempo... sabem o que fazem e os riscos que correm...
E quem está Apaixonado quer mais é partilhar com o mundo inteiro, que o está... E se não for assim... será que é Paixão?
Já percebi que ficas todo atrapalhado, mas a Mar, já percebeu... Tu falas de coração na boca e quando digo que gosto de ti, é exactamente por isso...
Fui lá lê-la com mais atenção... gostei... gostei mesmo
Muitos beijos aos 2. :-) :-)
Publicado por: Partilhas às maio 12, 2005 03:02 PM
Começo por ti, Partilhas, por seres uma das representantes da melhor onda que aqui se instalou na sequência da nossa revelação (como, aliás, se aplica a cada um(a) dos comentadores acima).
Agora já não fico atrapalhado, prometo. E sei que é essa do coração na boca que nos aproxima, pá.
O que é que uma pessoa pode fazer? É falar...
Publicado por: sharkinho às maio 12, 2005 03:43 PM
Há quem não suporte ver ninguém feliz, que retire alguma justificação para a sua pobre existência em desfazer em quem está bem. A inveja é um veneno bem incómodo.
Eu gosto de ver rostos com sorrisos pintados, alegra-me o dia, por muito mal que me corra a vidinha. A felicidade genuína, mesmo que não seja a nossa, é sempre inspiradora.
E nem digo mais nada... :)*
Publicado por: Lisa às maio 12, 2005 04:03 PM
Sobretudo, Rata, quando o contentamento extravasa do domínio da adivinhação e passa ao da constatação. ;)
Publicado por: sharkinho às maio 12, 2005 04:10 PM
Maria: eu, que sou um homem moderno, já uso aspirador. :)
Publicado por: sharkinho às maio 12, 2005 04:11 PM
Ricardo: vozes de burro não chegam ao Céu e com a conversa da treta (ou outras acções concretas) podemos nós. A gaita são os maus olhados, pá, uma aflição... ;)
Publicado por: sharkinho às maio 12, 2005 04:13 PM
Pronto. Tinha de falar de gaitas, o gajo.
Publicado por: Mi às maio 12, 2005 04:19 PM
Ò porra, escapou-me outra vez...
Publicado por: sharkinho às maio 12, 2005 04:30 PM
olá, Lisa! Tens andado desaparecida, rapariga. Obrigado pela tua expressão "felicidade genuína". É mesmo disso que se trata.
Publicado por: sharkinho às maio 12, 2005 04:33 PM
(Não sei se repararam, mas o Bin não me ligou nenhuma. Mas eu mando-lhe um abraço na mesma.)
Publicado por: sharkinho às maio 12, 2005 04:34 PM
Também não vou pelas bruxas (que as há, mas são desdentadas e só dizem palavrões), mas que a felicidade provoca inveja, isso já são outros 500 (como diz uma certa amiga).
Abraço ò florido e um beijo à Maresia. :)
Publicado por: cap às maio 12, 2005 04:46 PM
Posso não ser visível, mas ando (sempre) por aqui.
Este teu texto fez-me lembrar que no passado domingo estive um bom pedaço sentada a ver o rio e a deleitar-me com os ares de felicidade de pessoas que por ali passavam. Fez-me bem. Gosto de pessoas, e algumas nem sequer conheço. Mas gosto.
Publicado por: Lisa às maio 12, 2005 04:52 PM
Shark,
eu já tive uma péssima experiência, há 15 anos, de uma rapariga gira, numa discoteca, que após conseguir o monopólio da sua atenção, me começou a falar sobre um mau olhado que tinham deitado sobre ela, a partir de uma fotografia dela, blá, blá, blá... Como sou educado, estive a ouvir aquilo durante uns 15 minutos antes de me pôr a andar.
Ensinou-me duas coisas:
- que é triste viver condicionado por estas coisas;
- que não se deve julgar as pessoas pelas aparências e pelo tamanho reduzido da roupa que envergam.
P.S. Sim, ela era loira, só não o disse para não cairmos nos velhos estereótipos.
Publicado por: Jorge Morais às maio 12, 2005 05:12 PM
Infelizmente há pessoas que não têm nada que fazer da vida, ou não se querem dar à oportunidade de ter.
Faz-me confusão quem acredita (e pessoas supostamente instruídas, que até dizem que já é por telefone, como eu conheço), mas cada um acredita no que lhe apetece.
Por mim, prefiro acreditar no amor e dou por mim a sorrir, não só com a minha felicidade mas também com a dos outros.
Mas isso sou eu, que faço colecção de sorrisos!
Beijocas
Publicado por: sofia às maio 12, 2005 05:19 PM
"quando o contentamento extravasa do domínio da adivinhação e passa ao da constatação"
Exactamente. Concordo contigo. Ao escrever aquilo, pensei nisso. Omiti, mas foi bom salientares isso.
Publicado por: Rata Zinger às maio 12, 2005 06:30 PM
Obrigado, Cap! (Ainda não me esqueci que me prometeste um beijinho, ò mariola).
Publicado por: sharkinho às maio 12, 2005 07:26 PM
Também gostas de pessoas, Lisa? São uma maravilha, não são? Eu cá não dispenso...
Publicado por: sharkinho às maio 12, 2005 07:28 PM
Ò Jorge, agora que falas nisso, realmente o tamanho da roupa das pessoas pode cegar-nos às conclusões mais acertadas...
É o efeito "barulho das luzes" (muito frequente nesses espaços de diversão nocturna) :)
Publicado por: sharkinho às maio 12, 2005 07:31 PM
Ó bin,
pois... mas eu tenho um jardineiro amigo. :)
E Sharkinho, fazes bem usar aspirador para sentir bem cada bom momento. :)
Publicado por: maria arvore às maio 12, 2005 08:29 PM
que bem definiste a maneira correta de ser crente!
e subscrevo o amigo cap(taine) que las há há...mas quero que vão dar sangue!
E a paixão é mesmo para se viver intensamente sem medos, sem merdas...beijos
Publicado por: Luna às maio 12, 2005 09:24 PM
Não há Forças do Mal que vençam, nunca. Pelo menos é o que eu aprendi com o Harry Potter e o Senhor dos Anéis...;-PP
Publicado por: Mar às maio 12, 2005 11:41 PM
O máximo que pode acontecer é eu ajudar a inaugurar a época de caça às bruxas. Mas tenho a certeza que nem vou precisar tirar o pó ao gatilho :)
Beijo
Publicado por: Hipatia às maio 12, 2005 11:57 PM
Para quê caçá-las, Hipatia? É como diz a Mar, mais acima. Nunca vencem, mais vale ignorá-las...
Mas obrigado pela tua disponibilidade para o tiroteio, caso aconteça.
Publicado por: sharkinho às maio 13, 2005 12:15 AM
E um beijo para ti também. :)
Publicado por: sharkinho às maio 13, 2005 12:16 AM