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maio 17, 2005
SAUDADES DE FALAR DAQUILO

Claro que me apetece falar de sexo. Aliás, desde que tomei contacto com o conceito fiquei um incondicional da coisa. Embora não me reconheça tão destravado como algumas das minhas atoardas possam fazer-vos, por vezes, presumir.
Até porque li umas merdas, vi uns filmes e pratico há mais de duas décadas essa sublime arte indissociável do amor quando falamos da sua máxima expressão. Além de ser um tema que gosto de abordar com outras pessoas. Aprende-se muito dessa forma também.
Mas não me interpretem mal, quando afirmo que o (melhor) sexo pratica-se por e com amor. Pode existir uma relação de amor onde o sexo não vale grande coisa como pode existir um acto sexual gratificante e bem vivido, inesquecível até, sem que o amor esteja presente na equação. Pelo menos com a intensidade a que me reporto quando o incluo nas contas de pensar.
Porém, conheço os dois lados da questão e falo por mim apenas. Quando se conjugam um amor intenso e apaixonado com um desejo irreprimível, sem merdas de medos ou vergonhas, sem constrangimentos artificiais, aí temos reunidas as condições para atingirmos o nirvana. Não é fácil de explicar, mas quem experimentou as duas variantes sabe muito bem a que me refiro.
A minha concepção do sexo exige a entrega total. Os limites são os traçados pelo que conhecemos do(a) nosso(a) parceiro(a) – uma vantagem competitiva em matéria de intimidade relativamente às relações de ocasião – e os que se definem na altura, numa boa, muitas vezes sem palavras. A entrega total implica a inexistência de reservas em relação às outras pessoas. E falo de reservas morais, psicológicas, físicas ou quaisquer outras. Falo de proximidade e de confiança, difíceis de obter em meia dúzia de horas de contacto, ainda que aberto e sem tretas.
A confiança é vital para uma relação bem sucedida, no sexo como no amor.
Por outro lado, existe a complicada questão do depois. Instala-se sempre uma sensação de vazio quando enfrentamos a impossibilidade de prolongar a relação com alguém, depois de partilharmos o maior grau de intimidade física que nos é dado conhecer. Só a paixão pode garantir-nos uma sequência ao passo que nos uniu de forma tão intensa.
Isto parece uma inflexão no meu discurso habitual, um tudo nada mais romântica ou conservadora. Mas não é. Adoro o sexo como nunca e ninguém poderá um dia apontar-me como puritano ou moralista nessa matéria. Apenas o vivo à medida do meu corpo e da minha cabeça e dos corpos e das cabeças das pessoas com quem me disponho e se dispõem comigo a amar. Sexo é amor e o amor intensifica-o onde ele mais acontece, nas nossas mentes mais ou menos depravadas, mais ou menos fantasiosas, mais ou menos românticas. Tudo multiplicado, inclusive as sensações. Falo por mim e o meu falo também.
Em nada me perturba a forma como cada pessoa vive a sua experiência nesse domínio, excepção feitas às aberrações de nojo universal e não preciso de citá-las. E nestas, fique bem claro, não incluo contactos mutuamente consentidos entre qualquer raça, género ou tipo de pessoas. O importante é o prazer e a realização pessoal que daí deriva, a felicidade que o sexo nos dá. E são muito mais agradáveis as pessoas realizadas nesse plano das suas existências, muito mais seguras de si.
Claro que me apetece falar de sexo. Quase tanto como me apetece fazê-lo. E por isso retomo a linha habitual deste blogue, (re)começando pelas questões genéricas para depois entrarmos nos detalhes.
Até porque a pressão dos motores de busca (a expressão “blog de sexo” assume cada vez maior preponderância) obriga-me (entre aspas) a corresponder ao apelo da sociedade civil que bloga.
Mas também me apetece falar do amor.
Publicado por sharkinho às maio 17, 2005 03:51 PM
Comentários
Já eu não posso. Era despedido. :)
Publicado por: Ricardo Garcia às maio 17, 2005 04:17 PM
Mais um excelente texto!
uma frase ficou-me : "Até porque li umas merdas, vi uns filmes e pratico há mais de duas décadas essa sublime arte indissociável do amor quando falamos da sua máxima expressão"
mais de duas décadas? ora bem, se comecaste aos 16, mais 20 e poucos anos do acto , dá cerca de 40 anos de idade? acertei? :))
Publicado por: cachucho às maio 17, 2005 05:02 PM
Deve estar no seu auge e deve perceber da técnica ao máximo. Mas que bom. Tens cabelos grisalhos? lol
Publicado por: Rata Zinger às maio 17, 2005 05:52 PM
Sex est rex
Publicado por: derFriend às maio 17, 2005 06:05 PM
(latim não és mim)
Publicado por: derFred às maio 17, 2005 06:06 PM
Lingua latina difficillima est. Sex difficillior est quam lingua latina (juro que não sei se isto está bem, fiz o que podia).
Publicado por: Rata Zinger às maio 17, 2005 06:24 PM
(Curioso. Ainda há dias estava a pensar no sucesso da posta 69 e ia sugerir-te o título A Posta das Traseiras, para ver o que escreverias.)
Sexo é amor? Sexo é Carnaval :)
Publicado por: Mi às maio 17, 2005 06:26 PM
Ò Ricardo: não podes tirar uma semana de férias como eu, não podes escrever do que gostas como eu...
Atão e ninguém arranja um tacho em condições a este rapaz, pá? Um jovem tão dotado, pá?
Publicado por: sharkinho às maio 17, 2005 06:26 PM
Fiz anteontem 40, Cachucho. Bingo.
E tenho a sorte de ter grisalhos à fartazana, Rata, o que me poupa (para já) a um dos maiores papões masculinos. :)
Publicado por: sharkinho às maio 17, 2005 06:29 PM
Ò Mi, podes contar com a posta das traseiras para os dias mais próximos.
E quanto ao Carnaval, posso assegurar-te que há muito samba no sexo que eu danço. Sobretudo com amor (aí entra o tango também e a música é outra...) :)))
Publicado por: sharkinho às maio 17, 2005 06:31 PM
E eu sou o seu fiel súbdito, derLínguasmortas.
Publicado por: sharkinho às maio 17, 2005 06:34 PM
Eu tenho língua latina.
(e sou um bocado brejeiro)
Publicado por: derFred às maio 17, 2005 07:05 PM
Tu és é um bocado varejeiro. O que andas a cheirar no blogue daquele flausino? Já não me amas?
Publicado por: sharkinho às maio 17, 2005 07:18 PM
I hava the bigga hearta. We latins...
Publicado por: derFred às maio 17, 2005 07:25 PM
Oh carago, és melhor do que eu pensava. Cabelo grisalho, não há nada mais sexy.
Publicado por: Rata Zinger às maio 17, 2005 07:26 PM
derFred, tu escreves como um God. Desconhecia essa tua vertente escondida. Tu me plais affreusement, derfredemment.
Publicado por: Rata Zinger às maio 17, 2005 07:34 PM
Também gosto de dançar. Há dias em que é mesmo só o que me apetece fazer. Sem falar :)
Publicado por: Mi às maio 17, 2005 07:38 PM
Ego God sum.
Porem, tintam im canetam finitum.
Ergo num scrito plus.
Publicado por: derFred às maio 17, 2005 07:49 PM
Tua lingua latina, o derFrede, rebuscata est. Non scriptari mais? Ma qué calamidad affreuse. (nunca escrevi tanto barbarismo na minha vida)
Publicado por: Rata Zinger às maio 17, 2005 07:52 PM
eu cá não gosto de sexo.
aspiro ao spam e ao pleroma
e fiquei triste por não teres desenvolvido as «aberrações de nojo universal»
Publicado por: JQ às maio 17, 2005 08:58 PM
(O derFred também tem grisalhos. Descobri há dias. Tá cada vez mais giro, o cabrão...)
Big heart o tanas, ò cascavel. Vais a todas, não? Ou a todos, no caso em apreço... :)
Publicado por: sharkinho às maio 17, 2005 08:58 PM
Eu também não gosto nada dessas porcarias, Jota. Partilho a tua tristeza. Não sei porque não desenvolvi. De resto, quem consegue falar bem do sexo (que horror) consegue desenvolver na boa uma aberraçãozinha ou outra, não é?
(e já experimentaste, de certeza?)
("aquilo", quero eu dizer...)
Publicado por: sharkinho às maio 17, 2005 09:04 PM
Rata: estás cada vez mais parecida com uma pessoa que frequentava este blogue. Não sei se já te falei nisso.
Publicado por: sharkinho às maio 17, 2005 09:09 PM
Sexo é bom. Ponto. Mesmo quando corre menos bem, ainda assim é muito bom. Ponto.
Fora isso...
Bem, acredito que há um grau na entrega que só o amor permite conhecer. Vai parecer foleiro - soa foleiro - mas é realmente uma comunhão. Aliás, nem é só uma comunhão: é a missa toda, a liturgia, os ritos, a confissão...
(acho que ando a ler posts a mais da Maria-Árvore...)
Publicado por: Hipatia às maio 17, 2005 09:13 PM
querido sócio, tens-me em demasiado boa conta.
se tivesse experimentado aquilo (aberrações de nojo universal?) não tinha perguntado.
ó pra mim ainda triste :( por não teres definido tão feliz expressão :)
Publicado por: JQ às maio 17, 2005 09:40 PM
Sexo é bom, mas com amor...
A analogia da dança também subscrevo...
Já agora... eu também não consigo ir uma semana de férias... onde é que se tira senha para tachos? ;)
Publicado por: sofia às maio 17, 2005 10:17 PM
Sexo com amor é o melhor de todos. Não vejo a possibilidade de amor sem descontracção no que respeita a essas cenas "do nojo". Poderia ser paixão, mas amor conta com total abertura (estou a falar da mental, mas claro que a outra está subjacente), para mim.
Publicado por: susana às maio 17, 2005 10:56 PM
É bom voltar a ler-te neste teu ritmo despachado de falar de sexo como quem fala do último derby ou da última feijoada.
Agora essa coisita de 4 letras misturada no sexo é uma complicação para a resistência dos materiais. Porque como não bastasse o peso das 2 pessoas ainda se leva para a cama a biblioteca, a discoteca e a colecção de dvd's de cada um.
Publicado por: maria arvore às maio 17, 2005 11:00 PM
Susana, acho que o nojo se referia apenas aos contactos que não são mutuamente consentidos. Mas o Sharkinho já nos vai elucidar (depois de ler o post do derFred, claro está)
Sofia, sexo com vontade é bom mesmo sem amor, não? :)
Publicado por: Mi às maio 17, 2005 11:05 PM
Epá, se ele está a ler o post do derFred, não volta, que aquilo nunca mais acaba...
Publicado por: susana às maio 17, 2005 11:17 PM
Ai Mi...
Agora é que disseste tanto!
Publicado por: sofia às maio 17, 2005 11:38 PM
Shark,
para mim, sexo é só mesmo para (pro)criar.
P.S. Já que tu e o derFred têm cabelos grisalhos (no teu caso eu pensei que fossem nuances), não querem responder ao meu desafio?
Publicado por: Jorge Morais às maio 18, 2005 10:07 AM
Parecida? Talvez, Charquinho ;P O derFred tem grisalhos? Oh caramba, realmente, isto é melhor do que eu pensava, lololol.
Publicado por: Rata Zinger às maio 18, 2005 10:47 AM
Olá Shark Bom Dia,
Tu dizes/escreves tudo lá em cima... uma pessoa comenta o quê?
Ou fala do seu (no caso meu) sexo, ou não fala...
Há alturas, em que só posso falar de sexo, outras, em que só posso falar de sexo amoroso... felizmente, nunca tive assunto,sobre o amor, sem sexo (uffa... até ver...)...
Hoje, estou na "vossa" onda, falaria de Sexo, com Amor... ou sexo, como uma das expressões do Amor, mas não saberia escrever sobre isso...
Jocas x2
Publicado por: Partilhas às maio 18, 2005 12:03 PM
Bom dia, Partilhas. O que interessa é falarmos dos assuntos que interessam. :)
Publicado por: sharkinho às maio 18, 2005 12:24 PM
Eu tou como a a maioria dos liberalíssimos comentadores. Querem lá melhor do que a plenitude de realização que dá um acto sexual com amor pelo meio, ou antes ou no depois??
Não me parece ter grande piada a satisfação de ums necessidade fisiológica, apenas, sem mais emoções à mistura...
Publicado por: Mar às maio 18, 2005 01:50 PM
Publicado por: Avidez às maio 18, 2005 03:52 PM
Venho pela presente desmentir que tenha grisalhos. Sou um jovem de 22 anos e cabelo alourado tipo surfista.
Se uma norueguesa me fizesse felattio durante toda a noite, sei que a certa altura havia de adormecer, mas dormia como um anjinho. E nem precisava de estar apaixonado por ela.
Finalmente, estou de acordo com o Jorge Morais: sexo só para pro.
Publicado por: derFred às maio 18, 2005 04:07 PM
Felattio toda a noite? Vejo que também te sentes em boa forma, rapaz... :)))
Publicado por: sharkinho às maio 18, 2005 05:40 PM
Não, a norueguesa da notícia é que precisava de estar em forma. Eu, como disse, dormia como um anjinho. Que é o que eu faço melhor.
JQ, fui ao dicionário ver o significado de pleroma e acho que tens toda a razão.
Publicado por: derFred às maio 18, 2005 06:24 PM
Ena Fred, não sou vegetariano. espero bem que tenhas consultado o dicionário de grego ou riapês.
Publicado por: JQ às maio 18, 2005 10:54 PM
Então, tenho de reavaliar a tua afirmação.
Publicado por: derFred às maio 19, 2005 12:22 AM
A História do Rapaz e da Menina
Era uma vez um Rapaz q queria q uma certa Menina o masturbasse, e então disse:
- Faz umas festinhas aqui.
E a Menina:
- Não, porque a menina não quer, a menina é muito púdica e não percebe nada disso.
E o q é q acontece? Ele "força-za"! Pega-lhe na mão e começa c aquilo p cima e p baixo, "pumba q pumba, nhoca q troca, pega q puxa". Consequentemente, o Rapaz auto-gratifica-se!
E a menina fica c o esperma na palma da mão, ela nunca tinha visto aquilo, fica a olhar, mto pálida e pergunta:
- Oh amor o q é isto?
Ao q ele responde
- Isso, minha querida, podia ser o nosso filhinho.
Ela continua a olhar mais uns segundos p a palma da mão e diz:
- Ora então dá um beijinho ao papá! - e vai espeta-lhe aquilo na cara.
Publicado por: Avidez às maio 19, 2005 12:30 PM
Avidez, nem sei o que te diga...
Mas é uma história com um final dramático, sem dúvida.
Publicado por: sharkinho às maio 19, 2005 05:59 PM