« DA MINHA CASA VEJO... | Entrada | RUÍNAS EM DIRECTO »
julho 13, 2005
A POSTA NA INTIMIDADE
Mais cedo ou mais tarde, isto da blogosfera transforma-nos nuns cuscos. A malta gosta de "espreitar" as cenas uns dos outros, de acumular informação para melhor traçar um perfil ou simplesmente para arranjar tema de conversa com toda a gente menos o visado.
É um tique muito comum, mais previsível numa comunidade fechada sobre si própria como esta se está a tornar. O que está a dar é meter o bedelho, sacar nabos da púcara, criar um ambiente que nos faz sentir... lá fora cá dentro.
Muitos dos visitantes que não blogam evitam arriscar um comentário e estou certo de que poucos regressam. Sentem-se estranhos, marginais aos núcleos que (inevitavelmente) se criam e se traduzem numa linguagem cada vez mais cifrada nas caixas de comentários. Ninguém percebe pevas das nossas referências blogueiras, dos nicks que se convertem em alcunhas, dos episódios que partilhamos aqui ou das ocasiões em que nos encontramos no outro lado da vida que nos uniu em torno disto.
Somos cada vez mais um grupo de grupos herméticos, impermeáveis, desconfiados. E este tipo de congregação tende para a cuscovilhice, claro está, e acabamos por dar connosco a comentar (mesmo em off) os casos e as pessoas (as imagens?) que a blogosfera produz. É o problema dos amores à distância que a Vieira abordou aqui há dias...
A Mar lida com o assunto na sua posta mais fresca, com a novidade de a blogosfera começar a ser também uma espécie de miradouro para os de fora. Como se estivéssemos em pequenos compartimentos vidrados e a malta fosse passando para apreciar o peep show.
Também sinto na pele esse fenómeno e às vezes dá-me vontade de me fechar em copas, sem veia de macaco amestrado para divertir a populaça (à borla, ainda por cima). Ou de cobaia para os pseudo-intelectuais que aproveitam o que escrevemos para nos tentarem dissecar a tola como se faz às rãs. O Eufigénio parte a tola à conta destes problemas da exposição às claras.
Mas servimos também de tema para as conversas da rapaziada, a de dentro e a de fora, o trombone no teclado e o mirone no monitor. "Deixa-me cá explorar os pontos fracos desta pessoa que bloga". E sai mais um comentário anónimo, cobarde, insultuoso, só para nos dizerem "olá, estou aqui de naifa afiada e tu que blogas estás à mercê dos meus devaneios e das minhas taras doentias".
É um lado menos bom desta onda que nos consome algum tempo precioso e que justificaria da nossa parte um esforço para recentrar as atenções naquilo que temos para dizer nas nossas postas, com palavras e/ou imagens, em vez de nos fecharmos em circuitos de relações conversadas até à exaustão.
Gostava que investíssemos outra vez nas ideias, nos talentos, nas coisas que possam interessar a quem gasta o seu tempo a apreciar o que fazemos.
Contudo, ideias e talentos é mais com quem possui disso à brava. Eu defendo-me como posso e se do que o povo gosta é de uma boa espreitadela, dei início com as duas postas anteriores (com a vista da minha casa a denunciar onde moro) a um ciclo alternado de exposição de coisas minhas, a minha vida (parte dela) e a minha pessoa (também aos bocadinhos) aqui postadas para gáudio de quem me quiser conhecer melhor. Basta observar e tirar conclusões. Sem problema nenhum, desde que seja mantido aquele nível de respeitinho que é muito bonito (mesmo quando, na apoteose final, eu exibir uns nus integrais - naturezas mortas - para completar o puzzle).
Claro que não vou maçar-vos com postas sucessivas em torno do meu precioso umbigo pois vai sempre havendo outras cenas para vos mostrar, na periferia. Mas prometo que alimentarei com regularidade o bichinho da curiosidade mórbida em vós. Como o demonstra a foto abaixo, tirada bem no interior do meu wc e que expõe o viveiro das melhores ideias do tubarão.
É até pedirem clemência e (então e só então) eu voltar a esgalhar postas como deve ser...
Foto: sharkinho
Publicado por sharkinho às julho 13, 2005 02:29 PM
Comentários
Hum...não te imaginava assim tão fotogénico, shark...;-)))
Publicado por: Mar às julho 13, 2005 05:35 PM
Não podia concordar mais com o retrato que fazes deste círculo vicioso. Eu agora devia dizer que não me incomoda, que há conta disso haverá menos gente de fora a comentar-me e até a ler-me, e esses blá blá blás que escrevo em que digo que não é por isso (por eles) que escrevo, mas confesso que me irrito quando ouço alguém de "fora" dizer-me que gosta de lá ir mas que isso dos comentários é conversa de meia duzia de amigos e que se sente intrometido. E é verdade que muitas vezes essa conversa pouco ou nada contribui para o enriquecimento do que se escreve no blog, e que pode até ter uma intenção malévola (eu felizmente, ou inocentemente nunca o notei comigo mas vou cheirando o ar que anda por aí na blogosfera). Em suma, concordo com tudo o que dizes Tubarão, assino por baixo, e lamento também que um espaço tão grande possa tender para a implosão e impedir a impregnação daqueles que se vêm enxotados daqui simplesmente porque não têm um blogue, como se isso fosse um direito de admissão ao clube.
Agora a parte de partir a tola é que não percebi bem. Eu parto a tola é a tentar perceber porque escrevo, e já estou cheio de cicatrizes à conta disso, agora da exposição ... olha que mais exposto que eu só conheço um, tu!
Publicado por: Eufigénio às julho 13, 2005 06:12 PM
Fica-me bem o branco, não é? ;)
Publicado por: sharkinho às julho 13, 2005 06:26 PM
Cuidado com o que mostrares da periferia do umbigo - serão mesmo naturezas mortas? ;)))
Publicado por: Zu às julho 13, 2005 06:33 PM
(Este é o tipo de comentário que eu só faço em blogs com cujo autor tenho confiança, criada aqui ou "lá fora". Há muitos blogs que leio e onde não participo com comentários. Neste momento, aliás, são quase todos ;))
Publicado por: Zu às julho 13, 2005 06:35 PM
E depois levamos com a conta nas beiças (a chamada factura exposta), de cada vez que percebemos que isto está a ficar como as pescadinhas de rabo na boca, Eufigénio.
Quanto ao nosso grau de exposição estou em profundo desacordo contigo, o que é raro. Tu julgas que me enfias o barrete, pá? Tá lá tudinho, excepto essa carinha laroca com que a natureza te dotou...
Publicado por: sharkinho às julho 13, 2005 06:35 PM
A periferia do umbigo são os limites do universo, Zu. Há muito material para publicar...
(Eu achei piada ao comentário e digo que nim. Mas este é o tipo de comentário que só faço a comentários com cuja autora tenho confiança, criada aqui ou na China.)
Gosto de te ler aqui, deixa-te lá de merdas. E há mais de um mês que me deves a resposta a um email. E agora, hã?
Publicado por: sharkinho às julho 13, 2005 06:54 PM
Boa!
(como tantas outros 'posts'...)
Acho que as caixas de comentários desempenham um papel bastante interessante a nível da interacção entre quem escreve e quem lê, ao mesmo tempo que colocam também em contacto 'entre si' os leitores.
Por mim, muitas vezes não comento, por 'falta de tempo'... ou porque é preciso vencer uma certa inércia para passar à acção de escrever, tentando alinhar 1 ou 2 ideias que façam algum sentido...
Apesar de ser também 'blogger' (se é que o conceito existe e (me) é aplicável (!?)...), já senti (uma vez ou outra) que 'não fazia parte' de um determinado grupo de 'convivas' ou, pelo menos, que não fazia parte daquela conversa, o que pode ser de alguma forma intimidatório para quem não bloga e vai passando por aqui discretamente, sem 'dar sinal de si'...
E é verdade que, por vezes, as trocas de comentários são quase que um código apenas de entendimento para alguns 'iniciados'... tipo 'seita esotérica'.
Depois, a questão da 'fofoquice'... acaba por ser inevitável; a compulsão ao 'voeyurismo' está evidente no sucesso das novelas da vida real, para já a atingir o nível mais baixo de degradação com o "Fiel ou Infiel"... mas ainda há-de chegar mais baixo!
Concluindo, que isto já vai longo: é de facto pena que as pessoas não canalizem as suas energias de uma forma positiva...
Abraço!
Publicado por: Leonel Vicente às julho 13, 2005 06:54 PM
Sou egoísta. E preciso de escrever. O blogue nasceu por isso e vai continuar a existir enquanto não arranjar outra forma de escrever, ou não tiver tempo para as que gostaria. Tenho o umbigo à mostra? Claro que tenho. E tenho telhados de vidro, como todos. E vou depenicando as vidas dos outros - ou o que os outros delas quiserem contar - com à vontade. Que estamos sujeitos a que uma série de tarados nos entrem "casa" dentro até é verdade; mas também nos entram todos os outros. E nem precisam de convite que, para isso, lá estão os sistemas de comentários. Não me preocupo se tenho mais ou menos comentários, ainda que goste de os ter. E gosto de ver gente nova a acrescentar qualquer coisa, mesmo que, muitas vezes, eu achasse que ali nem era merecedora. E uma coisa descobri: não são os textos que mais gosto os que parecem originar mais comentários. Esses textos estão, quase sempre, fechados sobre eles mesmos, não produzem muito interesse. Depois, de um momento para o outro, um textito qualquer produz uma miríade de comentários fantásticos.
E também não me preocupa em demasia o facto de me sentir pertença de um grupo. Sou, como (quase) todos nós, um animal social. Faz parte da minha natureza estabelecer contactos e aprofundá-los, criar laços e empatias. Assusta-me bem mais o solitário que faz da Net uma coutada. Esse não me diz rigorosamente nada. Mas nunca me dei bem com as psicopatias e os sociopatas ficam bem à distância.
Depois, há conversas que não me dizem nada, ou conversas onde já disseram tudo. Como não costumo comentar só para dizer "amén", acabo por ficar calada. E, depois, num exercício de "gestão de tempo", sou bem capaz de aproveitar antes as palavras dos outros para enfeitar a Voz. Depende tudo dos dias e do estado de humor. Aliás, é também com esse meu humor que terão de se preocupar todos os cromos que passarem os limites. Mas a verdade é que, para os tais anónimos, reservo pouco mais que piedade. Piedade e nojo. Afinal, escarrapacharam, num qualquer comentário imbecil, o poucochinho que são. E está lá para ser lido, quer por quem comente a seguir, quer por quem se limita a ler. No fundo, são como as pragas: rodam, rodam e entram no cu de quem as roga.
Publicado por: Hipatia às julho 13, 2005 08:03 PM
Eu devo-te um mail???? Tu deves-me uma resposta há mais de 2 meses! Desde antes do encontro ilegal - tinha-te mandado um mail a que não respondeste. Não te preocupes, que já perdeu validade e não tem qualquer importância :) Mas se mandaste alguma resposta, eu não a recebi.
Não é por nada disso, porém, nem por qualquer tipo de merdas - como acho que sabes, ou pelo menos deves saber! - que não ando a comentar. Não o faço em lado nenhum, ou quase. Não me apetece, só isso. Como não me apetece grandemente escrever. Pelo menos, escrever expondo-me. Há fases que passam e pronto, não me parece que haja nada a fazer. E, afinal, ainda bem: é sinal que a vida vai levando o seu curso. No meu caso, acho que é um bom sinal :)
Fico à espera para saber se a natureza periférica está ou não morta ;)
Publicado por: Zu às julho 13, 2005 08:35 PM
Tu és blogger até às orelhas, Leonel! E claro que estamos inteiramente de acordo na necessidade de canalizar as energias de forma positiva. Eu tenho alguns momentos de azedume e acabo sempre por me arrepednder de publicá-los, precisamente por causa do tom.
Não receio os tons desagradáveis, mas temo que façam parte dessa tendência para a aglomeração que nos isola do viajante desprevenido. E acabam por nos afastar uns dos outros, também.
Um abraço para ti e obrigado por encontrares o tempo bastante para me deixares um comentário que, por si só, revela a tua alma blogueira.
Publicado por: sharkinho às julho 13, 2005 08:38 PM
Nem sei por onde começar, Hipatia. Mas começo por te referir que nunca roguei pragas e quando o fizer lembrar-me-ei de me manter sempre com o dito cujo encostado a uma parede.
Quanto ao resto, destaco uma referência que penso ser comum a todos os que blogam: essa discrepância entre o número de comentário de cada texto e as nossas expectativas. Nunca encontrei explicação para o fenómeno. E agora deixei de a procurar.
A questão dos grupos, e como sabes eu tenho fortes motivos para me considerar integrado num, não a coloco para criticar a sua existência mas sim a sua atitude, de uma forma genérica. Tal como o Leonel referiu também, os grupos tendem a reagir mal ou com indiferença aos recém-chegados, sobretudo se não blogam. Posso referir-te que já desanquei sem dó um anónimo que não identifiquei como sendo afinal um amigo meu...
E volto já, que o jantar está a ficar demasiado próximo da ceia... :)
Publicado por: sharkinho às julho 13, 2005 09:23 PM
Já que quebrei o silêncio, deixa cá falar mais um pouco :)
Pertencer a grupos. Nunca pertenci a um só, aqui na net. Mas sinto-me bem a fazer parte desses vários grupos, e acho que nunca nenhuma das pessoas se sentiu inibido de comentar no meu canto. Ali, não há indiferença para com os recém-chegados; aliás, vários recém-chegados se têm tornado comentadores assíduos de um dia para o outro, o que é sinal que não se sentiram constrangidos para dizer o que lhes apetecia. Mas há pessoas que não gostam de comentar, e optam por comunicar comigo apenas por mail. Curiosamente, em quase ano e meio de blog, nunca tive um comentário malcriado ou abusador. Por mail já recebi umas parvoeiras, a que dei resposta na volta do correio - foi remédio santo, nunca mais incomodaram.
Quanto aos umbigos à mostra, o meu blog segue a moda contrária à deste Verão: cada vez o tapa mais :)))
Publicado por: Zu às julho 13, 2005 10:54 PM
Agora mais a sério e com tempo: percebo-te Zu e era essa a natureza do post que escrevi lá no espelho - dá vontade de nos taparmos quando sabemos que há quem "cusque", na verdadeira acepção da palavra, o que somos, através do que "despimos" ali.
E dá-me idéia que cada vez mais gente se sente desta forma, abdica de se expôr naquilo que escreve, vai deixando de participar nas conversas das caixas de comentários, embora cada um possa ter diferentes motivos para o fazer, claro. Sinto isso, de alguma forma, no "grupo" de que me sinto mais próxima ou de que faço parte, por exemplo, e o que escreve a Zu confirma-me o pressuposto.
Mas subscrevo o que diz o Shark, penso que ainda vale a pena investir neste meio como forma de aproximação de pessoas, de divulgação dos tais talentos e idéias que quem bloga tem para oferecer a quem lê.
E "pedaços de intimidade" não deixam de ser um tema deveras atractivo para quem lê, ó parceiro.
:-)
Publicado por: Mar às julho 13, 2005 11:52 PM
Não sei se percebi muito bem este teu post, mas do que percebi gostava de te dizer que não me revejo em nenhum dos tipos de leitores que referes. Venho aqui regularmente porque gosto de ler o que escreves, não comento porque não me apetece (pronto, está bem, eu confesso: às vezes apetece-me...)e acho normalíssimo que os comentadores que se conheçam bem tenham conversas que eu não atinjo. Não sinto vontade de deixar de visitar o teu blogue por causa disso, mas também não é por nenhuma tara oculta (espero eu...) nem por nenhuma "curiosidade mórbida" que aqui venho quase todos os dias. É apenas por gostar de ler o que escreves.
É a primeira vez que comento aqui, mas se depois de mais algumas "postas na intimidade" me apetecer comentar outra vez para pedir "clemência", não levas a mal, pois não?
Ana
Publicado por: Ana às julho 14, 2005 12:47 AM
De um comentador educado, sem blog:
Os grupos, são automáticos. Eu mesmo, enquanto leitor, construí um. Sem conhecer (pessoalmente) um único blogger. Só pelas ideias, e pelo prazer de os ler.
Não são muitos os blogs que visito, muito menos os que comento. Parto do princípio de que o que está lá é para ser lido por todos. Mas acho normal que se cruzem os comentários de pessoas «chegadas» que estejam «por dentro» da vida dos que conhecem.
O que não me inibe de ler, e até de comentar, se achar que posso dizer algo de minimamente interessante. Cheguei até a pedir desculpas por isso, a alguém que conhecemos, mas logo fui assegurado que não invadia nada, antes ficavam contentes até por aquilo que eu dizia.
Isto não é espírito de voyeurismo, pelo contrário. Um blog é público, e eu leio pela qualidade do escritor e por apreciar e me identificar com algo que é dito (é isso que me leva a comentar isto ou aquilo e não a abrir um blog).
Por isso, acho que estás muito bem e o risco de implosão não é assim tão elevado. Com espírito positivo, espreito as postas fresquinhas. Os cuidados com a intimidade são teus, a medida é tua! Mas, se é preciso, aqui peço «clemência»!
Publicado por: Andy às julho 14, 2005 09:45 AM
Ò Andy, pelo calibre dos teus comentários adivinho que não tens um blogue agora mas já sentes o "chamamento"... :)
Acho positiva a tua forma de encarar isto e tentarei ser justo e misericordioso (relativamente ao pedido de clemência)
Publicado por: sharkinho às julho 14, 2005 10:00 AM
Como pudeste fazer uma coisa dessas, Ana? Privares-nos de comentários teus para depois te estreares desta forma? Bem vinda ao aquário "profundo" (a caixa de comentários)!
E folgo imenso em ver a sintonia da tua perspectiva com a do Andy, por exemplo, e que desmentem alguns dos pressupostos que invoquei.
Gosto que me provem estar errado nalgumas conclusões, pois essa é uma forma de aprender algo de novo com quem arrisca dois dedos de conversa nesta plataforma de comunicação.
E não, não levarei a mal se insistires neste impulso comunicador... :)
Publicado por: sharkinho às julho 14, 2005 10:05 AM
Bom dia, sócia! A tua posta tem muito a ver com a minha, como referi. Há algo de diferente na forma como se bloga actualmente, por comparação com há uns meses atrás. Eu noto isso e sinto algum desinteresse relativamente a blogues que frequentava todos os dias, porque às vezes parece que toda a gente se saturou disto em simultâneo (pelo menos "toda a gente" que me habituei a visitar todos os dias).
Publicado por: sharkinho às julho 14, 2005 10:39 AM
Revejo-me quase inteiramente no que disseste. Até mesmo na cena dos grupos. E é curioso perceber, graças ao teu texto, que mais facilmente se entra num grupinho nestas andanças dos comentários para lá comentários para cá, do que propriamente deste lado do monitor, em que os grupos se fecham muito mais e resistem com muita mais veemência às mudanças.
Publicado por: Ricardo Garcia às julho 14, 2005 11:13 AM
As opiniões dividem-se nalguns aspectos, Ricardo, e ainda bem. Até porque a nossa percepção da blogosfera não é tão coincidente como eu sempre pensei, temos maneiras bem distintas de sentirmos este vício de blogar.
Quanto aos grupos, insisto que se tratou de uma generalização (manhosa, como todas). As excepções existem e estão lá, para comporem a regra...
Abraço, pá.
Publicado por: sharkinho às julho 14, 2005 12:02 PM
Zu, criatura linda, eu respondi mesmo ao teu email (embora quase um mês depois...). Mas o que interessa mesmo é que a natureza periférica ressuscitou (tá aí o Verão, né?) e por isso mesmo ando a debruçar-me num círculo afastado do cerne (umbigo) da questão. Este é, como sabes, um blogue dum autor de confiança...
E por falar de Verão, Viena concretiza-se ou não?
Publicado por: sharkinho às julho 14, 2005 12:08 PM
Não recebi resposta nenhuma, Shark! Os nossos mails não gostam muito um do outro, parece-me; já não é a primeira vez que se perdem mensagens.
Mas agora perdi-me no teu raciocínio: que natureza periférica é que ressuscitou?
Viena, em princípio, concretiza-se, iupi! Mas até lá ainda há muita coisa pelo meio. Até umas férias.
Publicado por: Zu às julho 14, 2005 12:28 PM
Shark,
hoje é um dia atarefado, mas não podia deixar de ler e comentar. Só li por alto os comentários, espero não estar a repetir nada.
Penso que a blogosfera acaba por funcionar como uma extensão da vida. Criamos amizades, inimizades, encontramos cuscos e tarados. Muitas vezes, parte-se daqui para um conhecimento real, onde por vezes há decepções, mas muitas vezes o relacionamento se aprofunda e evolui, seguindo os mesmos passos da vida real.
A grande diferença é a distância e a assincronia. E isso pode fazer alterar as relações de forma diversa do que aconteceria pessoalmente. Por um lado o facto de não se ter acesso aos olhos e à expressão de quem escreve, leva muitas vezes a mal entendidos. Por outro, o facto de nem sempre estarmos na blogosfera, por causa de outros compromissos, faz com que muitas vezes as coisas tomem proporções exageradas, impedindo-nos de cortar o mal pela raíz. Quantas vezes as caixas de comentários não se tornam campos de batalha por causa destes dois factores?
P.S. Epá, até no autoclismo somos parecidos, o teu também é da marca "Dilúvio".
Publicado por: Jorge Morais às julho 14, 2005 03:14 PM
Lá isso temos, sharkinho. O caraças é que tenho outro blogue com que te identificarias muito mais, se o conhecesses.
;)
Publicado por: Ricardo Garcia às julho 14, 2005 03:42 PM
Outro dia escrevi sobre os blogues se estarem a tornar cada vez mais fechado e serem cafés de bairro onde os "amigos" se encontram.
Lamento que estas tecnologias sejam apenas usadas para fazer o que já se faz offline, sem acrescentar nada.
Não tenho nada contra as pessoas falarem da sua vida, mas têm de estar cientes que isso lhes pode trazer problemas. Já soube de efeitos perniciosos que algumas pessoas sofreram na sua vida por causa de outros os terem identificado.
Tirando algumas entradas muito raras que reflectem a minha vida, no meu blogue não há nada de intimo ou cuscável. Tudo é pessoal, nada é intimo, para alguém saber algo da minha vida teria de me conhecer e isso é só para alguns bem seleccionados.
Publicado por: Mário às julho 15, 2005 10:50 PM
Muitas vezes depois de as pessoas se conhecerem e trocarem numeros de telemovel e msn, os comentários deslocam-se para as janelas de msn e os sms.
Publicado por: Mário às julho 15, 2005 10:56 PM
Ricardo e que tal o linque desse blogue secreto enviado pela surra pró shark_inho at yahoo ponto come ponto br? Juro que não conto a ninguém...
Publicado por: sharkinho às julho 16, 2005 11:15 AM
Tens razão, Mário. Isso explica o facto de este charco ter deixado de pertencer à recém-criada categoria de chatblog.
E de ter triplicado a minha conta mensal da TMN...
Publicado por: sharkinho às julho 16, 2005 11:17 AM
Jorge, não existe mesmo um autoclismo melhor. Nunca requer uma segunda descarga, é uma limpeza.
E a minha caixa de comentários nunca foi um campo de batalha, pois é complicado guerrear debaixo de água e porque os tubarões são atraídos pelo chapinhar dos mais hostis e depois pimba...
Publicado por: sharkinho às julho 16, 2005 11:21 AM