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julho 31, 2005

SEGUNDA VEZ

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É de um recomeço que se trata. Uma segunda tentativa, melhor do que a primeira porque livre do condicionalismo que perturbou algures a evolução que prevíamos natural.
De um recomeço com novas regras e com outras que queremos iguais, a verdade essencial, a lealdade fundamental, mas com as mesmas ambições. Só muda o ponto de partida. Porque à chegada estaremos os dois, infinitos nas recordações, capazes de tocar qualquer ponto do espaço com os dedos de cada vez que fazemos amor.

Publicado por sharkinho às 11:14 PM | Comentários (5)

A POSTA NO ALBERONI

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Foto: sharkinho


"(...) No entanto, até a amizade tem crises. Não é algo que possa ser considerado adquirido para sempre. Sofre crises, como cada relação interpessoal, como acontece até no amor entre pai e filho, ou entre cônjuges. A crise quer dizer que um se sente inseguro da amizade do outro, talvez traído, incompreendido. Superar a crise quer dizer que o outro nos compreende de novo profundamente e nós o compreendemos. Porque, na crise, até nós entendemos mal, agredimos, queremos romper. A crise nasce sempre de uma desilusão e tende a tornar-se combate mortal. Se o amigo é aquele que nos faz justiça, crise quer dizer que até ele foi injusto. Nunca esperaria tal coisa de um amigo - dizemos. De uma pessoa que não fosse meu amigo poderia esperar uma falta de boa vontade. Nós estamos convencidos que, se existe realmente boa vontade, mentalidade aberta, honesta e favorável, então poderemos ser compreendidos. A incompreensão é um sintoma inconsciente de desinteresse, de desprezo ou até de agressividade. Por isso, então, se não somos compreendidos por um amigo, quer dizer que não é amigo, que não nos queria bem."

Francesco Alberoni - "A Amizade"

Não sou eu quem o afirma.

Publicado por sharkinho às 05:33 PM | Comentários (13)

A POSTA PARA INGLÊS VER

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Foto: sharkinho


Só para descansar a vista, pessoal. É tempo de praia para (quase) todos...

Publicado por sharkinho às 02:33 PM | Comentários (6)

julho 30, 2005

A POSTA SUICIDA

Tinha que acontecer. Foi o livro daquele cabrão desbocado. A bichinha folheou aquilo e não resistiu. Dei com ela nestes propósitos que vêem abaixo, avisando desde já as pessoas mais influenciáveis para não olharem (mesmo que a curiosidade mórbida vos atraia a vista para o cenário de horror).
A pobre coitada não resistiu às saudades do seu macho, culpa daquele cabrão que nunca mais publicou um coelhinho suicida no seu blogue. Desnecessária, inútil e cruel, esta morte anunciada, provocada pelo desleixo de um autor em honrar o seu compromisso de ir suprindo de vez em quando as carências afectivas de quem tanto depende da sua caneta ou do seu pincel (zé maria, para os amigos).
És mesmo um ordinário e eu não consigo entender porque continuo a perdoar-te estas pequenas traições ao espírito da coisa (coisa da tia, para os íntimos).
Há amores assim, inexplicáveis. Violentos, arrebatados, fatais (como o cadáver estrangulado ilustra), mas impossíveis de renegar.
Aliás, não sei se já vos contei a minha cena com um cão polícia a quem impus um conflito interior que se manifestava de cada vez que snifava as ganzas que insisti em fumar na sua presença. Aos poucos, destruí a nossa relação e acabei banido da sua vida emocional. Ainda hoje envergo as cicatrizes das dentadas que me deu, mas continuo a sentir-lhe a falta.
Sou assim, amor para sempre, incapaz de esquecer mesmo a quem me fez mal.
A coelhinha também, mas era menos forte do que eu, coitada. Não soube dar a volta à situação e agora...
Bom, e agora vamos partir para outra (ficam os remorsos para aquele cabrão) e avançar sem medos para onde no man as gone before.

(Mas lá que tenho saudades do Andy Rilley versão ruinosa...)

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Publicado por sharkinho às 03:11 PM | Comentários (19)

julho 28, 2005

A POSTA NOS PRELIMINARES

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Foto: sharkinho

Uma das lições mais importantes que retive da minha frequência das sessões de esclarecimento acerca de planeamento familiar a que assisti, adolescente, numa escola primária de Benfica, foi a de que os preliminares eram talvez o grande segredo do sucesso para qualquer amante em condições.
Claro que não ganhei por isso a falsa noção de que basta um generoso lapso de tempo dedicado à estimulação de uma parceira para as coisas correrem bem. Mas vendo as coisas à luz do que hoje sei e na altura não entendia, é inegável que o conselho que me foi dado olhos (os meus) nos olhos (lindos e azuis) da jovem monitora do meu grupo valeu para uma vida inteira de satisfação garantida. Ou o meu amor de volta.

É espantoso como uma pessoa de quem nem sabemos o nome consegue em minutos influenciar de forma determinante um puto, ao ponto de ainda hoje (mais de vinte anos depois) esse puto (eu) ainda seguir a sua veemente recomendação como uma cartilha. E valeu a pena dar atenção ao que aquela rapariga sentiu que valia a pena dizer, para lá do âmbito restrito de como se enfia correctamente um preservativo na pila ou de como devemos encarar o calendário biológico feminino como um razoável mas arriscado método anticoncepcional.
Cada um tem o seu estilo, a sua abordagem, um conjunto de procedimentos que o caracteriza e se expõe no momento da verdade. O meu deriva do aprofundamento da lição de que vos falo mais acima, uma vida (sexual) inteira a analisar reacções, a buscar novas sensações, a potenciar os recursos do corpo para despertar o desejo no corpo de outra pessoa, diferente de todas as outras pessoas, única, disponível para nós e, no mínimo por isso, inegavelmente especial. A pele é a tela que aprecio pintar com os dedos, com a boca, com o simples contacto de outra pele que é a minha e na qual concentro toda a energia que consigo desviar para tal propósito. Não há desenho mais lindo do que as linhas traçadas pelo arrepio no corpo vibrante de uma mulher ansiosa, sim, mas sem pressa do momento da concretização. E a concretização começa ali, afinal, naquele culto da sensibilidade alheia e da vontade de proporcionar prazer que lhe está associada. Na entrega que se vê.

O sexo, como eu o aprecio, é feito dessa prioridade que é a outra pessoa. A pessoa que por desejo ou por amor nos escolhe para a intimidade no seu apogeu, para o risco que sempre envolve essa prova de fogo que nos incendeia. Um risco que na minha perspectiva ninguém pode subestimar quando seduz, que deve incentivar um empenho total de parte a parte para que tudo corra pelo melhor. E o melhor é o prazer e esse faz-se de coisas tão simples como uma viagem de ida e volta com início por detrás do lóbulo de uma orelha e passagem obrigatória pelos dedos dos pés.
Até não ser possível suportar mais a vontade de ir mais além, até ser imprescindível consumar na fusão dos corpos o calor acumulado, abrasador, de uma sessão de preliminares que faça jus à atracção que aproximou alguém a um ponto sem retorno. Do or die. E sobrevivemos, exaustos, realizados, felizes naquela hora, capazes de congelar o tempo nesse instante precioso, em boa medida por via do carinho, da atenção, do interesse que o toque cuidado numa pele sempre provoca.
Não percebo como há quem desdenhe esta verdade absoluta que a prática nos confirma.

É tudo mais agradável dessa forma e por isso idolatro a moça anónima de quem apenas uns olhos magníficos mais esta lição me ficaram retidos na memória. Agradeço-lhe aqui, tiro no escuro, a influência que em mim exerceu. Ela mereceu, pela forma como, no final de cada sessão, tentava explicar a um grupo de putos a diferença entre um labrego atesoado e um amante dedicado, o sucesso garantido de coisas tão simples como a disponibilidade para estimular previamente o desejo de outra pessoa. E para nunca negligenciar o depois, aquela hora para os mimos que bem merece quem se dedicou a fazer-nos sentir bem, enquanto se satisfazia também. Com cigarro ou sem, tanto faz. Apenas um instante de serena contemplação, sorrisos cúmplices, alguma conversa ou um silêncio esclarecedor, uma pausa para o amor em mais uma das suas formas. Para saborear o que aconteceu e, quantas vezes, para reavivar a chama que o virar de costas e toca a dormir apaga, por mais tempo do que se possa pensar. Para ter mais do mesmo e ainda melhor. Tão simples assim.

E parece que toda a gente aprendeu na mesma escola, a teoria, parece que estou a chover no molhado da sapiência que tantos(as) apregoam. Mas eu falo do assunto com a certeza de que na prática as cábulas imperam e a preguiça ou a ansiedade descontrolada marcam o desempenho de muitos dos(as) que lêem esta posta e/ou dos(as) parceiros(as) que em rifa lhes tocam. É esse o desabafo da maioria dos que comigo falam destas coisas.
Como já repararam este é um tema recorrente na minha postura (de postas), um assunto que me fascina e me delicia debater na caixa de comentários onde conversamos. E sabem porquê? Ainda tenho muito que aprender e cada vez resta menos tempo antes do final de um raro (e por isso valioso) curso superior numa vida marcada por uma infinidade de ignorâncias. Quero saber mais e aplicar esse conhecimento na arte de ser feliz, como a monitora me explicou.
Aposto que muitos de vocês também.

Publicado por sharkinho às 11:02 PM | Comentários (46)

julho 26, 2005

A POSTA NO ESQUECIMENTO

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O PN levanta no seu blogue uma questão melindrosa e pertinente. Já não me lembro bem da questão que ele levanta. Ah, sim, é a cena da cannabis afectar a memória de curto prazo. Ou seja, afirmam uns gajos que a cannabis pode provocar amnésia.
Concordo com essa teoria. Qual teoria? Ah, pois, os que fumam "daquilo" ficam mais esquecidos. E os que não fumam, idem.
Só assim se explica que depois das eleições nem o Bloco de Esquerda, nem a JSD (?), nem (e sobretudo) a JS voltaram a referir aquela questão bué da jovem que fica tão bem nas campanhas eleitorais. A liberalização das drogas leves, ou despenalização ou o raio que os parta, foi direitinha à gaveta dos assuntos fixes para o próximo plebiscito. Esqueceram-se, claro.

E esse lapso da memória de curto prazo que afecta as organizações político-partidárias pode levar-nos a concluir que os partidos também dão nela. O que explica algumas das suas peculiares características, nomeadamente o facto de se-lhes varrerem da tola as promessas que atiram ao ar para ficarem bem compostos na fotografia para os chavalos que votam, como eu.
Quem já visitou Amesterdão sabe do que estou a falar quando faço a apologia da despenalização. Não me sai da memória de curto prazo a história do puto que foi preso meses a fio por causa de uma plantação de erva que o pai dele tinha no jardim. Se fossem begónias, só mesmo a inveja da esposa do comandante do posto da GNR local poderia assumir tais proporções. Ridículas, absurdas, aberrantes como só é possível em Portugal e no Dubai.

Transformar cidadãos válidos e inofensivos em criminosos passíveis de prender preventivamente é um absurdo de dimensão colossal. Mesmo os políticos que não fumam só podem andar a reinar com o pessoal quando viram a cara para o lado perante esta evidente estupidez.
Lembram-se do Carl Sagan? Admitiu, pouco antes de morrer, que boa parte do que produziu e que tanto entusiasmou milhões de caretas pelo mundo inteiro, o Carl Sagan (não sei se tão a ver) admitiu que fartou-se de escrever sob a influência daquela cena que faz perder a memória. Mas ele não se esqueceu de ser um dos gajos mais brilhantes do seu tempo na sua área. E podia não ter produzido coisa nenhuma se o caçassem no Bairro Alto a adquirir material para a carola e o enfiassem no Linhó.

Nunca vou entender porque insistem em meter drogas leves e drogas duras no mesmo saco. Um pouco como atribuir o mesmo valor de coima para o mau estacionamento e para as corridas em contramão nas auto-estradas. Eu vejo isto com clareza, apesar dos danos irreversíveis na minha memória de curto prazo: enquanto as autoridades insistirem na sua cruzada contra as traineiras que, honra lhes seja feita, nos trazem essa perigosa substância que tanto afecta o PN, o Carl Sagan, o João Pedro da Costa (que até tem uma Rua com o seu nome) e eu próprio (aproveito para me misturar pela surra neste leque de virtuosos), enquanto se mantiver esta ilegalidade indigna de um país com olhos na cara, estaremos a fomentar um disparate sem nexo e a concentrar as atenções e os meios (escassos) nos fantasmas de papel.
"Ena pá, ganda pinta, a polícia apreendeu mais não sei quantas toneladas de haxixe. ", aplaude o cidadão comum enquanto um mânfio lhe viola a filha ou lhe furta o automóvel acabado de comprar. E depois votam nos asnos que possuem a capacidade de pôr fim a esta aberração e eles (os asnos) esquecem apressadamente as promessas gritadas no intervalo do concerto dos Xutos onde encaixam os seus comícios de carnaval.

Já sou um bocado crescido para fumar às escondidas. E já dei provas de ser um cidadão válido, atinado qb e capaz de contribuir para o PIB, a Segurança Social, os impostos e essas merdas todas. E tirando uma ou outra maluqueira, nunca incomodei o remanso da sociedade em que me integro na perfeição (mais ou menos). Porque carga de água tenho que carregar a canga do marginal que a legislação proibicionista me confere?
Não faço ideia. E se calhar isso explica-se pelos tais danos colaterais de que o Fumos fala. Contudo, em face do que acima descrevo, até me sinto grato pelas falhas de memória.
Permitem-me esquecer a insensatez, a hipocrisia e a falta de vergonha dos caralhinhos que me representam nos órgãos do poder que me enoja.

Publicado por sharkinho às 12:05 PM | Comentários (41)

julho 25, 2005

A POSTA NA PSIQUIATRIA

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Foto: sharkinho

Alguém que não faz parte desta comunidade que bloga confidenciou-me que a sua passagem esporádica pelos blogues lhe transmitiu a ideia de que "são quase sempre as mesmas pessoas". De acordo com a perspectiva desse alguém, o ambiente das caixas de comentários (e de alguns blogues) parece o de uma novela fina, para os mais instruídos.
A princípio aquilo caiu-me mal, mas depois dei comigo a analisar uma sequência recente de episódios e tentei ver a coisa sob o prisma de quem está de fora. E de repente dei comigo a perceber que existe de facto um estranho ambiente de aldeia do interior. Isto acontece nos recados que se deixam nas caixas e nas postas e que reflectem a cumplicidade de bastidores entre alguns grupos de blogueiros(as) e nas ligações entre os "habitantes", que acabam por se fechar num círculo onde toda a gente se conhece nem que por interposta pessoa. Aí germinam os ingredientes para a tal permanente novela, talvez a verdadeira origem do fecho de alguma blogosfera ao exterior e de muitos aspectos desagradáveis que a frequência desta comunidade suscita.

Um dos problemas reside numa questão óbvia: apesar de os comportamentos se assemelharem muitas vezes aos de qualquer comunidade fechada sobre si própria (um local de trabalho, por exemplo), os métodos atingem uma sofisticação proporcional ao calibre das pessoas que a formam. E não é de menosprezar a estaleca de quem consegue aguentar a pedalada disto todos os dias, nas duas realidades onde o nosso "substrato" pode manifestar-se, as postas e as caixas (as nossas e as dos outros).
A pessoa que me forneceu o seu ponto de vista imparcial ficou impressionada com o esforço que é exigido a quem bloga. Compreendeu o desgaste que isto pode provocar, acumulando a exigência de postar o melhor de que somos capazes com a de sabermos a todo o instante como intervir de forma correcta no papel de comentadores.

Expliquei-lhe que nem sempre as coisas correm bem, como teve oportunidade de constatar nalgumas postas do charco e nas suas caixas de comentários. Estranhou de imediato as proporções que as coisas atingem neste meio. E tem razão em estranhar. Não são raras as vezes em que dou comigo a agir de forma inexplicável no âmbito da blogosfera, quando analiso essa acção à luz do gajo que sou "lá fora". E admito que me surpreende e preocupa essa divergência, pois denuncia um excesso de envolvimento da minha parte, uma influência perigosa em aspectos da minha personalidade que tinha como inabaláveis. O comportamento de quem bloga demais não é exactamente o mesmo no domínio do real e no do virtual. No mínimo é mais extremado, mais desconfiado e menos tolerante do que no quotidiano exterior a tudo isto.
E essa talvez seja a explicação para a constante suspensão e mesmo para o encerramento de muitos blogues.

Existe uma neurose qualquer associada ao excesso de exposição a esta cena, derive ela das perturbações que o tempo desviado para este fim possam causar ou da tensão que se sente no ar a todo o instante (por exemplo no tom dramático de muitas postas acerca de problemas de merda). Não me excluo deste fenómeno e já contribuí, infelizmente por mais de uma vez, com o meu quinhão.
Mas só não vê quem não quiser, olhando os exemplos das escaramuças públicas mais recentes entre blogueiros de nomeada e reparando nos respectivos desfechos. Mas entre blogueiros menos sonantes essas "guerrinhas" vão acontecendo também e vão desgastando os intervenientes e a paciência de quem não se deixa arrastar para estas palermices e assiste de fora.

Eu não me tenho pautado pela moderação, sempre que me vejo envolvido nalgum conflito de interesses ou numa troca azeda de palavras com alguém. Se isso reflecte a minha impulsividade e a firme determinação de nunca vergar perante "ameaças externas", esta última definição explica por si o absurdo em causa. Aqui acontecem palavras, na maioria proferidas por nicks que na maioria nem reflectem o verdadeiro carácter da pessoa que os utiliza. Sobrevalorizar as disputas neste contexto é um claro sintoma de que faz mal blogar em demasia. E eu, sempre assanhado quando toca a retorquir alguma indirecta (sim, porque a frontalidade é rara nestas andanças), vejo-me afectado e reconheço noutras pessoas a mesma sintomatologia.
Porém, insisto em dar imensa importância a tudo quanto é tolice e até reajo à bruta na pele do ofendido. No fundo, como faria na aldeia se suspeitasse que andavam a falar mal de mim pelas costas...

Já faltou mais para eu chamar a este vício uma doença.

Publicado por sharkinho às 12:57 AM | Comentários (57)

julho 24, 2005

A POSTA NA INTIMIDADE

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Foto: sharkinho

Tenho uma planta burguesa na cozinha. E atão, João?

Publicado por sharkinho às 07:42 PM | Comentários (10)

A POSTA NA INTIMIDADE

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Este é o meu vício diário mais recente. Desde o leite com chocolate da UCAL (o verdadeiro e não esta versão mixuruca da Parmalat) que não me agarrava tanto a uma bebida não alcoólica.
Podem conhecer melhor esta maravilha aqui.

Publicado por sharkinho às 07:31 PM | Comentários (4)

A POSTA NA INTIMIDADE

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Foto: sharkinho

Tão natural como a minha sede. Alguma vez vos menti?

Publicado por sharkinho às 07:08 PM | Comentários (10)

julho 22, 2005

A POSTA NO NOVO CAMINHO

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Acabou um caminho muito importante para mim. Um caminho que também percorri, que ajudei a construir ao longo de uma parcela de tempo que não me interessa quantificar. Por isso lhe conheço o traçado e por isso compreendo que se trata de um caminho que chegou ao fim.
A pessoa que consolidou aquela passagem até nós é uma das mulheres mais impressionantes que tive o privilégio de conhecer, uma senhora. Uma pessoa que está na minha vida a título definitivo, qualquer que seja o percurso que iremos percorrer (construído a dois, de raiz) no futuro diferente que nos preparamos para enfrentar e que remove inúmeros obstáculos da relação forte que aqui assumimos um dia. Longe dos olhares indiscretos e metediços de que ela deu conta no espaço que encerrou. Longe dos efeitos nefastos que o excesso de exposição nunca deixa de provocar. Condicionantes que espíritos livres como o dela e o meu não estão preparados para tolerar sem uma reacção enérgica. Uma das consequências do fim deste caminho é a de a nossa relação sair desta plataforma, a blogosfera, e passar ao domínio privado onde lhe compete estar.

Aquele caminho chegou ao fim. Outro acabou de começar. E eu orgulho-me, por mais razões do que aqui caberiam, de fazer parte dos dois.

Publicado por sharkinho às 02:40 PM | Comentários (50)

julho 21, 2005

BILHETE POSTAL

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É o nome da exposição que o fotógrafo Pedro Saraiva inaugura hoje, pelas 19 horas, na Galeria Hexalfa, na Rua Artilharia Um, 39-C, em Lisboa.
Existem dois bons motivos para investirem um pouco do vosso tempo a visitarem a exposição do Pedro: é meu amigo (um gajo porreiro, aliás) e tem mesmo jeito para a coisa.
Ainda por cima, esta exposição resulta de uma viagem ao Brasil e, a julgar pela amostra, deve ter-lhe proporcionado um porradão de bonecos à maneira.
Diz ele que "existe apenas uma simples atenção visual em mostrar aquilo que faz a realidade ser tão singularmente apaixonante: ela própria". Eu concordo, considerando a foto abaixo...
Se não tiverem disponibilidade para hoje, podem lá ir até dia 30, de Segunda a Sábado, entre as 14 e as 19 horas.

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Publicado por sharkinho às 10:22 AM | Comentários (9)

A POSTA QUE NUNCA SEREI

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Foto: sharkinho

Às vezes repesco da minha discografia em vinil algumas cenas que me agradam ouvir tantos anos depois. Depois partilho convosco alguns trechos dos poemas que servem de letra a músicas que mais me impressionam. É o caso deste A Man I'll Never Be, um tema do 33 rotações Don´t Look Back, dos Boston, que vos aconselho a ouvirem logo que possam (também existe em cd, com uma qualidade de gravação notável).
O poema é de Tom Scholz.

A MAN I´LL NEVER BE

If I said whats on my mind, you´d turn and walk away
Disapearing way back in your dreams
It´s so hard to be unkind, so easy just to say
That everything is just the way it seams

You look up at me, and somewhere in your mind you see
A man I´ll never be

If only I could find a way
I´d feel like I´m the man you believe I am
And it gets harder every day for me
To hide behind this dream you see
A man I´ll never be

I can´t get any stronger, I can´t climb any higher
You´ll never know just how hard I´ve tried
Cry a little longer, and hold a little tighter
Emotions cant be satisfied

You look up at me, and somewhere in your mind you still see
A man I´ll never be...

Publicado por sharkinho às 01:46 AM | Comentários (5)

julho 20, 2005

SOCIALITE RUINOSA II

Conforme prometido, regresso hoje ao happening do momento, o lançamento do livro d'O Blogueiro.
E para começar, provo que se trata da mais brilhante estrela do nosso firmamento que bloga. Vejam lá se não tenho razão:

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Já de seguida, faça-se justiça à dupla de apresentadores da cerimónia. Onde se prova que a malta de esquerda também sabe escolher bem as farpelas, reparem nestes dois pares de pernas que deixam o Eládio Clímaco e mesmo, porque não?, a Catarina Furtado boquiabertos.
O Zé Mário (mais à esquerda na foto) e o Luís Rainha (desculpa mais uma vez aquela "calinada", pá) falaram bem mas baldaram-se à náite. Os anos não perdoam...

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Vaidoso, o Fred exibiu orgulhosamente os seus diversos ornamentos (não podemos aqui revelar os da testa para não denunciarmos a sua verdadeira identidade) com os quais complementou a sua indumentária informal (a farda número 2 dos condutores de ambulâncias dos Bombeiros Voluntários do Campo Pequeno). Giríssimo, o rapaz. E tão peludo, Deus meu...

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Outro blogueiro que não passaria despercebido, sobretudo na fase final do repasto, seria o PN. Dele exibimos um pormenor distintivo que marca a sua presença fumarenta no evento. Com umas mãozinhas excelentes, este electricista especializado em bobines (enrolamentos primários) pautou as suas intervenções por imensa sobriedade e sentido de Estado (estado crítico, claro...).

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E para terminar em beleza (propriamente dita) esta segunda de mão no tema em apreço, exibo esta fotografia da qual não identificarei a protagonista por causa dos efeitos especiais que o flash do nosso sofisticado equipamento acrescentou...
Fica este registo da sua presença elegante e vistosa neste convívio blogueiro de elite (não me misturem, eu fui apenas o cronista de serviço e estive lá em trabalho, low profile).

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Publicado por sharkinho às 11:40 AM | Comentários (37)

julho 19, 2005

A POSTA NO DESCANSO IV

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Foto: sharkinho

Ai, desculpem. Esta foi por engano... :)

Publicado por sharkinho às 03:55 PM | Comentários (36)

A POSTA NO DESCANSO III

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Foto: sharkinho

Tava capaz de ir dar uma voltinha...

Publicado por sharkinho às 03:40 PM | Comentários (10)

A POSTA NO DESCANSO II

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Foto: sharkinho

Esta posta, tal como a anterior, não quer dizer absolutamente nada. Mas claro, sendo constituída por uma imagem com pormenores a gente consegue sempre encontrar-lhe um sentido ou uma explicação e aí já pode querer dizer alguma coisa. Mas não, na minha óptica.
Apenas me apeteceu descansar a vista, outra vez. Abancado.

Publicado por sharkinho às 03:04 PM | Comentários (4)

A POSTA NO DESCANSO

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Foto: sharkinho

Esta posta não quer dizer absolutamente nada. Apenas me apeteceu descansar a vista.

Publicado por sharkinho às 12:52 PM | Comentários (15)

julho 18, 2005

A PROPÓSITO DE EXCESSOS...

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São intensas as relações que nascem na blogosfera. Intensas para o bem e para o mal. Aqui há tempos protagonizei um episódio deplorável relativamente à Rititi e, mesmo confrontado com a sua natural reacção ao que entendeu como um abuso, custou-me a encaixar a ideia. Em causa estava precisamente isso: um abuso de confiança, da confiança que ela não me deu para eu me armar em brejeiro. E eu acabei por perceber e por apresentar publicamente o meu pedido de desculpas.

Acontecem com frequência lapsos neste meio sem entoação no qual as nossas relações se desenvolvem. Parece ser um dos riscos que a comunicação blogueira envolve e, como admito acima, eu próprio já me vi envolvido num episódio dessa natureza. Fiz o que me competia mas ainda hoje me envergonho desse episódio, mesmo não sendo a minha intenção na altura armar-me em espertalhão ou mesmo em abusador.
Aconteceu e tenho visto acontecer noutros blogues com diferentes protagonistas.

Pelo meu exemplo, sou forçado a acreditar que existem outras pessoas apanhadas neste entusiasmo que se cria em face do muito que expomos de nós a terceiros. A falsa noção de proximidade que se ganha com pessoas a quem nem o rosto ou a voz conhecemos é traiçoeira porque irreal. Nada substitui um olhar, um gesto ou o timbre de uma voz. Nada.
Por isso mesmo, uma das lições que espero ter aprendido foi a de nunca pressupor que do outro lado das palavras que envio está um(a) interlocutor(a) convicto das minhas boas intenções e do respeito que lhe pretendo exibir.

Acho perfeitamente normal que assim seja, pois a blogosfera não é nisso tão diferente assim do mundo lá fora. Somos pessoas na mesma e temos que ter a noção dos limites que nos são impostos pelo bom senso e pela nossa formação. Ignorar essa regra implica arriscar em demasia e levar com a porta na cara. Reincidir na ignorância implica acabar com o benefício da dúvida e deixar em aberto a hipótese de sermos palermas o bastante para não entendermos onde esteve o erro na situação anterior, ou, pior ainda, de não sermos inocentes de todo na nossa (falta de) compostura.

É tudo o que está em causa neste tipo de situação. Nada mais. Antes de avançarmos com certo tipo de paródias (que mesmo só a alguns amigos se aceitam) temos que consolidar as nossas relações. Só assim podemos saber até onde vai esse limite de confiança, só a partir desse pressuposto podemos (apenas) prever a reacção dos outros ao que lhes dizemos. Não há nada de anormal nesta presunção.
E não se julgue que pretendo com esta posta crucificar alguém na praça pública. Assumi as minhas culpas no cartório, mais acima, e isso deixa-me sem legitimidade para mandar chás.
Contudo, é óbvio que os episódios desagradáveis devem servir, no mínimo, para evitar a sua repetição no futuro. E é esse alerta que pretendo deixar a todos quantos como eu entrem nisto da blogosfera sem o devido cuidado com a medição das distâncias.
A nossa “intimidade” blogueira não invalida de forma alguma as mesmas reservas com que nos confrontamos num local de trabalho ou numa mesa de café, antes as enfatiza. Porque quem nem vê caras...

Publicado por sharkinho às 04:16 PM | Comentários (36)

julho 17, 2005

SOCIALITE RUINOSA

Antes de começar esta posta, fica uma palavrinha de agradecimento ao simpático patrocinador do acontecimento literário mais in da blogosfera nacional e estrangeira. Sempre que precisares de cobertura mediática para estas cenas, basta dares uma palavrinha para acertarmos os detalhe$. Gostei da pinta desse homem incansável. E agradável, também.
Ao seu lado, na foto, um pormenor da Ana. Um encanto de rapariga.

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O charme prevaleceu nesta noite, como comprova este instantâneo da Árvore mais Maria que pude fotografar. Chiquérrima, a nossa oliveirinha da serra.

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Só a gravata do Gibel (adquirida na Feira de Carcavelos) competia com este requintado penduricalho que o Leonel (a Memória deixou de ser Virtual) usa quando ganha a vida. Estava bonito, o nosso historiador oficial. E discreto, como é seu apanágio...

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Um ombro magnífico que enchia a sala com laivos de uma Ilegalidade descascada. Ainda por cima, a Mi estava só. Porém, de nada resultou o assédio dos mais afoitos (ouviste, Descompensado?).

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Um dos blogueiros mais charmosos que conheci destacou-se pela fluência do discurso e pela elegância no trajar. Quem vê cus não vê corações, mas eu acho que o Eufigénio tem um grande potencial cardiológico...

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E para terminar esta primeira sequência da crónica social do lançamento do dardo, perdão, do livro, e como não podia deixar de ser, destaco agora a minha predilecta (estava linda, a Mar, e não fui só eu a achar). Muito fresca, adivinhava-se na sua expressão que vinha pronta para enfrentar a náite até ao fim. E enfrentou-a, com galhardia. Na foto, um pormenor da sua mão que tanto aprecio (a pernoca por baixo, tá bem de ver, é a minha...).

Em breve regressarei a este tema, com mais apontamentos de reportagem.

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Publicado por sharkinho às 01:38 AM | Comentários (54)

julho 16, 2005

A POSTA ADENDA

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Voltando à vaca fria (o ruinoso), não posso deixar de fazer um acrescento à posta na qual identifiquei a blogueiragem presente no lançamento do seu livro.
É que havia mais malta presente mas eu não lhes conhecia as carinhas.
A Vi, por exemplo, só me explicaram quem era quando eu já tinha acabado a emissão. O mesmo se pasou com a Ana Roque (Modus Vivendi). Do XC só lhe conheci a identidade depois do final do evento, para pena minha que bem teria apreciado trocar com ele algumas impressões acerca da sua forma de blogar.

E não se admirem se ainda tiver que aditar outra adenda à dita posta. É que no meio de tanta foto de pés e de cus, sobram-me imagens que não consigo associar à pessoa...

Publicado por sharkinho às 08:39 PM | Comentários (13)

CÃO QUE LADRA

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Foto: sharkinho

Eu gosto de cães. Até tenho um, vadio e rafeiro, que recolhi anos atrás quando me deixei sensibilizar por uma campanha da União Zoófila.
Contudo, existe um cão que me faz gostar menos da espécie. É minorca, arraçado de lulu de uma dona distraída, cruzada com pai incógnito, rafeiro como ele. Feio e cheio de peladas, detesta a vida que leva (vida de cão, claro) e late ao vento as amarguras deixadas pelo pouco de bom que viveu.
Incomoda-me, pois já referi que tenho dó de animais assim. Porém, a atitude deste cão enerva-me e há dias senti-me particularmente desiludido com a sua forma de estar. E passo a explicar.

Como já não podia suportar os apelos angustiados do bicho decidi dar-lhe um suculento bife para o animar. Aproximei-me com cautela, apesar de ter reparado que ele abanava a cauda em sinal de boa disposição. Mas mal lhe estendi a mão para lhe fazer uma festa, eis que a besta arreganha a dentuça armado em barracuda. Traiçoeiro, ingrato e indigno da minha comiseração.
Claro que compreendo que ele tenha captado, com o apurado faro que caracteriza estes "batedores" dos contentores de lixo camarários, o drunfo que misturei com a carne. Pretendia apenas acalmar um pouco o animal, mas parece que lhe caiu na fraqueza.

Fiquei muito entristecido com o carácter exibido pelo canídeo, embora lhe compreenda as reacções tendo em conta o ambiente suburbano pimba que o educou. Apesar de meia leca, pouco maior do que um chiuahua, o seu ladrar grosso intimida quem não lhe conheça a verdadeira dimensão. Nem é o meu caso, pois alguém partilhou comigo a parte da sua triste história que lhe conheceu, feita de intenções não cumpridas e de frustrações típicas de cão com pulgas.
Outro pormenor que me desagrada no sacana do bicho é o cheiro incomodativo que dele exala, algo com que o animal conviveu de perto quando o pároco da freguesia o acolheu, tempos atrás. Julgava-o um santo animal, o senhor prior, mas depressa descobriu que aquilo é cão que não conhece o dono. Virava-lhe o dente a toda a hora e tentava assustar-lhe os fiéis. Resolveria o problema com dois pais nossos e meia dúzia de avé marias, depois de largar o rafeiro na outra banda da minha rua. Azar o meu.

Eu gosto de cães, mesmo os que se comportam como pessoas de baixa categoria, mas não tenho paciência para lhes aturar as madurezas.
Apesar da minha aparente bonomia, saturo-me com as exibições de mau fígado ou falta de tomates venham elas de que criatura vierem. Desagrada-me sobretudo a cobardia, pois apesar de lhe apontar com o dedo o local onde podia tentar dar-me uma dentadinha o baixote não é cão para ir ter comigo à esquina e mostrar o que vale com a boca.
Santa paciência, fartei-me de o aturar e vou seguir o exemplo da minha vizinha, deixando de lhe ligar qualquer importância.

A partir de hoje vou ignorar em absoluto os uivos lamentosos do cão abandonado no lado de lá da minha rua.
E sei que ele vai dar pela falta, pois tem meios (a intuição canina e a fome de conversa) para confirmar a minha ausência futura.

Publicado por sharkinho às 04:20 PM | Comentários (6)

julho 14, 2005

ACABOU, OBRIGADO. ADEUS.

Terminou assim a intervenção do autor, enquanto apareciam o Gibel do Afixe e a Karla (só para terem o prazer de assistir a esta brilhante despedida).
O gajo esteve bem. É verdade, esteve bem. Bonito, charmoso e com um olhar avassalador. Estou rendido. Se ele fosse gaja trincava-lhe as barbatanas até à espinal medula.

Publicado por sharkinho às 08:25 PM | Comentários (48)

TÁ A FALAR O MÉNE

Ninguém o cala. Tá a falar há mais de meia hora. Também se acha cartesiano mas manda as culpas para a educação franciú.
(Entretanto, pela surra, chegou o Jota (senhor José Quintas) ex-Casa de Alterne, actual Sexo mais Crime mais Barbaridades. Bárbaro, o Zé.

Publicado por sharkinho às 08:08 PM | Comentários (4)

TENHO QUE POSTAR EM VOZ BAIXA...

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(...Porque está a falar o Zé Mário e ele afirma que o Ruinoso é um cartesiano. Estou a olhar pró JP e tento encontrar-lhe esse traço distintivo que o Zé Mário lhe captou.
O público assiste em absoluto silêncio, provando que sem o teclado os blogueiros conseguem manter-se minutos a fio sem postarem.

Há olhares atentos na assistência, o que ilustra o interesse da dissertação do Zé. O gajo tem mesmo jeito para estas merdas. Quando escrever um livro quero que ele disserte também. É uma moca...)

Publicado por sharkinho às 07:42 PM

GANDA BARRACA

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Não me peçam para colocar os linques agora (maybe later), mas esta cena tá cheia de blogueiragem. Assim de memória: o Luís Raínha e o Zé Mário (conotados com a esquerda que bloga), o Leonel Vicente do Memória Virtual, as Estórias da Ruiva com representação da própria, a Maria Árvore do Chez Maria, o Eufigénio (Apenas Mais Um), a Susana e a Isabel do Afixe, o Paulo Querido do blogue formerly known as O Vento Lá Fora.
Como quem não quer a coisa, ainda apareceram os penetras de serviço: o PN do Fumos, a Mi do Ilegal, a Catarina do 100nada, a Lisa do 28, fjkezkdezl4ot (esta foi uma intervenção em directo do Fred) e ainda ando a contar carolas. E ainda estou eu, mais a Mar (claro) e o próprio ruinoso (cada vez mais lindo, o cabrão).
O livro, toda a gente concorda, é uma merda. mas o autor é um bacano e a gente tem que o apoiar, né? O gajo anda agarrado à caneta, armado em artista, mas ninguém lhe liga pevas.

Publicado por sharkinho às 07:12 PM | Comentários (7)

O AUTOR CHEGOU E DISSE

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E eis a primeira imagem do sensacional evento que estamos a cobrir em directo da capital do país. João Pedro da Costa, o magnífico, cumprimenta todos os seus amigos, visitantes e comentadores.
Respira-se um ar de vitória no seu semblante e está expressivo como nunca, tal como a foto documenta.

Publicado por sharkinho às 06:46 PM | Comentários (4)

RUÍNAS EM DIRECTO

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Numa iniciativa inédita (pelo menos neste blogue), é com toda a satisfação que vos informo que hoje, a partir aí das 18:30h (pouco mais ou menos) será transmitido em directo no charco o lançamento do livro d'As Ruínas Circulares, da autoria do grande João Pedro da Costa.
Esta transmissão pioneira (ainda um dia falarão disto como falam da inauguração das emissões da RTP na antiga - extinta - Feira Popular) visa conferir ao evento a dignidade blogueira que uma porra destas justifica.
Irei deslocar para o Bar do Teatro A Barraca os meios técnicos necessários para o efeito, nomeadamente um carro de exteriores com estúdio móvel e frigobar incorporados.
Dado tratar-se de uma estreia e porque desconheço até este momento as condições de trabalho (é um bar, pelo que presumo que não faltarão as condições bem frescas), apelo à vossa compreensão para algum pormenor que possa escapar à Produção desta grandiosa iniciativa.

Publicado por sharkinho às 02:27 PM | Comentários (7)

julho 13, 2005

A POSTA NA INTIMIDADE

Mais cedo ou mais tarde, isto da blogosfera transforma-nos nuns cuscos. A malta gosta de "espreitar" as cenas uns dos outros, de acumular informação para melhor traçar um perfil ou simplesmente para arranjar tema de conversa com toda a gente menos o visado.
É um tique muito comum, mais previsível numa comunidade fechada sobre si própria como esta se está a tornar. O que está a dar é meter o bedelho, sacar nabos da púcara, criar um ambiente que nos faz sentir... lá fora cá dentro.

Muitos dos visitantes que não blogam evitam arriscar um comentário e estou certo de que poucos regressam. Sentem-se estranhos, marginais aos núcleos que (inevitavelmente) se criam e se traduzem numa linguagem cada vez mais cifrada nas caixas de comentários. Ninguém percebe pevas das nossas referências blogueiras, dos nicks que se convertem em alcunhas, dos episódios que partilhamos aqui ou das ocasiões em que nos encontramos no outro lado da vida que nos uniu em torno disto.
Somos cada vez mais um grupo de grupos herméticos, impermeáveis, desconfiados. E este tipo de congregação tende para a cuscovilhice, claro está, e acabamos por dar connosco a comentar (mesmo em off) os casos e as pessoas (as imagens?) que a blogosfera produz. É o problema dos amores à distância que a Vieira abordou aqui há dias...

A Mar lida com o assunto na sua posta mais fresca, com a novidade de a blogosfera começar a ser também uma espécie de miradouro para os de fora. Como se estivéssemos em pequenos compartimentos vidrados e a malta fosse passando para apreciar o peep show.
Também sinto na pele esse fenómeno e às vezes dá-me vontade de me fechar em copas, sem veia de macaco amestrado para divertir a populaça (à borla, ainda por cima). Ou de cobaia para os pseudo-intelectuais que aproveitam o que escrevemos para nos tentarem dissecar a tola como se faz às rãs. O Eufigénio parte a tola à conta destes problemas da exposição às claras.
Mas servimos também de tema para as conversas da rapaziada, a de dentro e a de fora, o trombone no teclado e o mirone no monitor. "Deixa-me cá explorar os pontos fracos desta pessoa que bloga". E sai mais um comentário anónimo, cobarde, insultuoso, só para nos dizerem "olá, estou aqui de naifa afiada e tu que blogas estás à mercê dos meus devaneios e das minhas taras doentias".

É um lado menos bom desta onda que nos consome algum tempo precioso e que justificaria da nossa parte um esforço para recentrar as atenções naquilo que temos para dizer nas nossas postas, com palavras e/ou imagens, em vez de nos fecharmos em circuitos de relações conversadas até à exaustão.
Gostava que investíssemos outra vez nas ideias, nos talentos, nas coisas que possam interessar a quem gasta o seu tempo a apreciar o que fazemos.

Contudo, ideias e talentos é mais com quem possui disso à brava. Eu defendo-me como posso e se do que o povo gosta é de uma boa espreitadela, dei início com as duas postas anteriores (com a vista da minha casa a denunciar onde moro) a um ciclo alternado de exposição de coisas minhas, a minha vida (parte dela) e a minha pessoa (também aos bocadinhos) aqui postadas para gáudio de quem me quiser conhecer melhor. Basta observar e tirar conclusões. Sem problema nenhum, desde que seja mantido aquele nível de respeitinho que é muito bonito (mesmo quando, na apoteose final, eu exibir uns nus integrais - naturezas mortas - para completar o puzzle).

Claro que não vou maçar-vos com postas sucessivas em torno do meu precioso umbigo pois vai sempre havendo outras cenas para vos mostrar, na periferia. Mas prometo que alimentarei com regularidade o bichinho da curiosidade mórbida em vós. Como o demonstra a foto abaixo, tirada bem no interior do meu wc e que expõe o viveiro das melhores ideias do tubarão.
É até pedirem clemência e (então e só então) eu voltar a esgalhar postas como deve ser...


wcpaper.JPG
Foto: sharkinho

Publicado por sharkinho às 02:29 PM | Comentários (30)

DA MINHA CASA VEJO...

vista de casa.JPG
Foto: sharkinho

...uma ligação.

Publicado por sharkinho às 02:09 PM | Comentários (14)

E TAMBÉM VEJO...

luz do ocaso1.JPG
Foto: sharkinho

...a luz.

Publicado por sharkinho às 02:07 PM | Comentários (3)

julho 12, 2005

A POSTA NO BOM HUMOR

salva vidas.JPG
Foto: sharkinho

Sempre admirei as pessoas inteligentes e com sentido de humor. É uma fraqueza minha, responsável por alguns dissabores. Fico desarmado perante gente assim, capaz de reunir dois atributos tão importantes, e acabo por ceder aos encantos desses(as) fulanos(as) irresistíveis. E claro, às vezes lixo-me. A combinação em causa pode esconder uma personalidade mesquinha que, enquanto eu durmo no ponto, aproveita para me espetar as bandarilhas. Por isso me vejo obrigado a controlar as minhas emoções sempre que me surgem estas criaturas tão atraentes, tentando evitar ser traído pelo canto da sereia...

Contudo, não me é fácil negar ao instinto a firmeza das suas convicções acerca das pessoas. Ele empurra para o lado que julga certo e eu, teimoso, toca a contrariar-lhe a tendência, a vergá-lo pela razão (mesmo quando não me assiste nenhuma). É uma dualidade que me rasga por dentro, como uma faca regada com cicuta. Envenena-me o espírito e tolda-me a capacidade de discernir. Fico vulnerável ao livre arbítrio da minha especulação. Reajo mal, admito-o, e nem sempre me safo com o arrependimento posterior.

Pessoas como eu, facilmente impressionáveis, emprenham com muita frequência pelos ouvidos (e pelos olhos também). Gravidezes não desejadas que nos abortam algumas ambições e nos afastam do diálogo sincero com quem, afinal, nos poderia evitar a desdita. Mas essa é a punição dos que ignoram os conselhos nas entrelinhas e se deixam tentar pela fúria machona (quase sempre descontrolada e sem qualquer protecção). Não será o caso, pois eu, conhecedor de factos que interferem nesse tipo de decisão, protejo-me como posso e benzo-me ainda por cima. Os riscos que corro, calculados, são apenas os que considero de alguma forma valerem a pena por esta ou por aquela compensação. E o critério que sigo é o de optar sempre pelo caminho mais iluminado, às claras, preto no branco para evitar um parto auditivo que qualquer pessoa adivinha atroz.

Isto não invalida algumas revelações, como a constatação de que afinal somos todos uma caixinha de surpresas, capazes do melhor e do pior. Sempre bem intencionados, em teoria, mas susceptíveis de alinhar nas maiores parvoeiras. Faz parte da nossa natureza, tanto como a capacidade intelectual que desenvolvemos e nos permite rir de nós próprios quando os outros têm o condão de nos fazerem abrir a pestana. O sentido de humor funciona como uma gazua para nos desviar a tampa (quando ela não nos salta) e enfiar pela moleirinha as verdades que costumam ficar de fora por causa dos condicionalismos que gostamos de inventar. Às vezes é como uma bóia sorridente que nos lançam para impedir que nos afoguemos no péssimo clima que se gera com uma cara de pau. Às vezes, claro.

Hoje enfrentei no escritório uma dessas pessoas irresistíveis. Um gajo com o qual sempre embirrei, mesmo sem motivo plausível. Apenas por instinto e por ouvir dizer mal. Em causa estavam mais os meus interesses que os dele, mas eu embiquei para o despique na mesma. Só pela pica que isso me dá, pela adrenalina que me viciou algures nas cenas de porrada no bairro (em miúdo) ou nos papos fora de horas na vida académica que frequentei. Em poucos minutos, o tipo aplicou-me um golpe de judo mental e eu senti-me estatelado de costas pelo poder da sua argumentação. Recebi-o com um ar sisudo e despedi-me dele às gargalhadas, depois de uma anedota que me contou que mais parecia um trocadilho do Confúcio. Até engoli em seco, depois de o acompanhar à porta de saída. Só não vos conto porque, como é costume, nunca consigo lembrar-me delas (anedotas) depois.
Mas podem ter como certa uma coisa: depois de uma atitude como a do fulano, vou ver-me grego para algum dia reprimir um sorriso sempre que o receber. Até lhe dei o número do meu telemóvel, quando mo pediu, para combinarmos mais tarde um café por aí (uma excelente oportunidade para trocar impressões).

Bem vistas as coisas, sou capaz de ter naquele cliente que abominava um amigo para a vida. À cautela, porém, vou ficar à coca para me certificar das suas verdadeiras intenções. Como um gato escaldado por água a ferver. Sem vontade de me enfiar no duche às cegas, mas incapaz de resistir à sede enquanto fruto de um impulso tão natural. A do Luso, já agora e por associação de ideias, é a minha preferida.
De resto, das coisas que se bebem só não gosto que me dêem chás. Mas sou homem para degustar uma boa infusão de ervas ou uma postura bem humorada...

Publicado por sharkinho às 04:52 PM | Comentários (19)

A POSTA NA VAGA

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Esta semana acontecem ou aconteceram coisas importantes na vida de alguns blogueiros da minha preferência. São três pessoas que entraram na minha vida pela blogosfera, conheço-as pessoalmente e qualquer delas, à sua maneira, impressionou-me o bastante para não serem irrelevantes para mim as suas ocasiões especiais.

O primeiro foi o Jota, o meu antigo parceiro na Casa de Alterne. Completou mais um aniversário no dia 7 e fica aqui expresso o meu agrado pela fragilidade do seu invólucro não o ter impedido de completar mais um ciclo do calendário.

O terceiro será o João Pedro da Costa, o Ruinoso, que lançará em Lisboa o seu livro e eu gostaria que ele tivesse presentes no evento muitos amigos que blogam, como eu estarei. Podem consultar os pormenores no blogue do tripeiro mais móinas que conheci.

Mas é a segunda que merece hoje honras de destaque e toda a minha atenção. A doce Vague faz hoje anos e isso é uma alegria para o amigo tubarão. Esta blogueira a quem elogio a musicalidade do estilo de comunicação é uma pessoa que tem dado gosto conhecer. É afável mas rezingona. É simpática mas melancólica (só às vezes, eu sei). É uma data de coisas que não vou aqui postar, pois as oportunidades têm surgido para lhe transmitir as minhas opiniões.
Gosto muito dela e fica aqui registado o meu desejo de que conte muitos e felizes como o de hoje.

Publicado por sharkinho às 10:29 AM | Comentários (13)

julho 11, 2005

A POSTA ANÚNCIO II

Hoje deu-me práqui.
E não será a última vez...

Publicado por sharkinho às 07:32 PM

A POSTA MARADA

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Fico sempre surpreso com as manifestações de evidente insanidade mental que me confrontam na blogosfera e na sua componente analógica, o mundo lá fora (que às vezes me entra pela porta).
Eu protagonizo umas quantas e sinto-me por isso legitimado para falar com propriedade acerca do tema. Convivo bem com os meus instantes de loucura, com aquelas “travadinhas” que me dão e justificam alguns episódios que me podem fazer transitar da imagem de algo excêntrico para a de completamente chanfrado da mona.

Contudo, não me preocupa muito esta constatação. À minha volta, os sinais da doideira dos outros (os outros são importantes nestas coisas) multiplicam-se e assumem as mais variadas formas. Por isso não me sinto destoar da multidão, sempre que dou comigo a cometer um acto irreflectido ou perco as estribeiras. Pelo contrário, sinto o prazer único da plena integração. Sinto que pertenço ao mundo que me rodeia, na maluqueira também.

Talvez por isso insista em manter um blogue, em frequentar com assiduidade a blogosfera e mesmo em andar à solta pelas ruas, por mais pancas que a malta revele nas suas exposições públicas das flagrantes lacunas dos seus mecanismos de auto-controlo. E das suas obsessões mesquinhas, qué las hay.
Mas a loucura é necessária para conviver com a sociedade que temos, com o estilo de vida que a vida nos impõe. Até os governos sabem disso e hoje anda cá fora muita gente que antes do 25 de Abril não escaparia a um internamento no Júlio (de Matos, claro), rotulada com um nome moderno para o seu distúrbio e abananada com uma dose cavalar de anti-depressivos para lhes alegrar cada dia.
Nada de preocupante, afinal.

Eu cultivo a minha falta de um parafuso ou dois e tolero essa falta nos outros também. Desde que não se manifeste contra os meus interesses ou de forma hostil à minha pessoa, ciente que estou da minha inimputabilidade no caso de me saltar a tampa numa reacção instintiva de defesa. Não se pode contrariá-los, bem sabemos, mas temos que ter em conta o bom ou o mau feitio dos malucos que nos observam. Aos mais pacíficos, inofensivos e por isso merecedores da maior compreensão, devemos acarinhar-lhes as cenas maradas. Aos outros, os que exibem um olhar ou um discurso manhoso, devemos dedicar-lhes outro tipo de atenção e estarmos alerta para qualquer indicação perturbadora. E devemos ser firmes na nossa actuação.
Nunca se deve cruzar os braços ou virar-lhes as costas.

Felizmente, a maior parte dos malucos que conheci não eram parvos. Sabiam bem quando deviam achantrar, adivinhavam em mim os limites que não deviam transpor sob pena de acicatarem algum desvio não medicado. E por esse motivo, a falta de um parafuso (ou dois) raramente se reflectiu nalguma atitude tresloucada de índole, digamos, mais agressiva. Até pela minha essência de gente boa, incapaz de reagir mal sem provocação (uma característica habitual nos humanos doidinhos com manias de esqualo).
Um paz de alma, como se classificam os mais discretos ou bonacheirões na exibição do seu descontrolo mental. Os que apenas querem estar na sua, felizes e numa boa.

Tenho toda a confiança que conseguirei assim adiar por mais uns tempos a excursão (a que muitos escapam de forma indevida) aos corredores mais compridos do Hospital Miguel Bombarda.
Tenham vocês todos(as) uma excelente semana!

Publicado por sharkinho às 10:59 AM | Comentários (6)

julho 10, 2005

A POSTA NO SILÊNCIO

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Foto: sharkinho

Hoje, um homem desesperado confidenciou-me a sua maior angústia. Tinha conhecido a que julgava ser a mulher da sua vida.
E eu avancei logo: "Porreiro, pá, sorte a tua!"
Mas não, o tipo estava inconsolável. Ao fim de meses de uma relação amorosa com a magnífica, surgiu-lhe a oportunidade que tanto ansiava.
Desta vez calei-me e esperei que ele dissesse mais. E disse.
Disse que finalmente pudera experimentar sexo com ela. "Óptimo", pensei eu em silêncio. "Mas então qual é o teu problema?", continuei eu a pensar.

E ele, coitado, em voz alta o bastante para que todos em volta pudessem conhecer a sua desdita partilhou comigo o âmago da sua tristeza. Correu mal. Tanta promessa, tanta palheta e afinal na hora da verdade não ergueu a fala. Nem o falo.
"Ganda bronca", leu-me ele no olhar.

E prosseguiu com a lamentação, patético, referindo que ela não lhe deu segunda oportunidade. Largou-o da mão e até já anda com um outro que parece não lhe faltar com nada. E eu a tentar serená-lo: "Deixa lá, se calhar foi coincidência...". Na verdade, podia bem ser que ela tivesse percebido nesse instante que não o amava ou coisa assim (às vezes só se descobrem essas coisas nos momentos mais inesperados). Mas ele recusava-se a acreditar, insistia. Dizia-me até que não conseguia esquecê-la, mesmo apesar de ela fornecer indicações claras de que queria mais era obliterá-lo da memória.

O rapaz não queria acreditar numa realidade tão dura e eu não fazia ideia de como o animar. Olhei em volta, em busca de uma solução (sim, porque me dá pena ver um homem humilhar-se dessa forma).
Mas não me ocorreu nada, confesso. E agora sinto-me mal, pois acabei por deixá-lo abandonar a gelataria de Porto Covo (onde estou a curtir o fim-de-semana) sem conseguir dar a volta ao seu desgosto e acabar com a sua obsessão.

É nestes momentos que mais aprecio poder recorrer ao meu blogue para desabafar. Um blogue é uma ferramenta excelente para um gajo despejar as mágoas (como para debitar uns rancores). Eu gosto de ajudar os outros a carregarem a sua cruz, de lhes aliviar os pesos que os atormentam. Mas não sou um santo, nem faço milagres. E isso custa-me muito, nestas situações tão dramáticas.

No fundo, o infeliz ficou a chuchar no dedo mas a culpa não é minha. São coisas que acontecem a qualquer um e quando assim é, há que seguir em frente e partir para outra. Foi isso que consegui recomendar-lhe, quando me fartei de o ouvir. Que partisse para outra, pois a insistência em casos perdidos só pode resultar em agravamento do desgosto que se sente quando se leva uma tampa, sobretudo em tão melindrosas circunstâncias.
Não sei se ele me levou a sério, mas espero mesmo que sim para lhe evitar consequências ainda mais graves da sua alucinação. Um homem não deve, mesmo em situações extremas, abdicar da sua dignidade.
E às vezes, basta alguma contenção verbal e poder de encaixe para evitar vergonhas desnecessárias...

Publicado por sharkinho às 02:10 AM | Comentários (15)

julho 08, 2005

A POSTA DE ONTEM II

Shark fardado.JPG
Foto: Mar

Era um dia especial. Os meus dias especiais passo-os com as pessoas que têm o condão de os tornarem assim, diferentes para melhor.
Por isso mesmo, trajei a rigor. Segui a recomendação de um amigo cujo bom gosto não oferece discussão, um homem fora do comum cujos conselhos muito aprecio e acato sem hesitações.
É uma espécie de farda para os dias assim, em que as distâncias desaparecem da equação. Galgam-se quilómetros de intimidade nos caminhos da paixão, quando nos move a proximidade que ansiamos (conjugada com a saudade que nos impele a procurá-la). Em busca de nós, afinal.

Ontem, o meu Mar esteve sereno, azul e muito feliz.
Ontem, as águas em que me movi reflectiam a luz poderosa do sol no brilho de um olhar.
Não vale a pena esconderes-te lá atrás.

mar e Mar.JPG
Foto: sharkinho

Todos sabem que é a ti que me dirijo, sempre que as minhas palavras descrevem a alegria do reencontro e quando as histórias que aqui conto são crónicas do bem que isso me faz.
Os relatos de um tubarão que se sente como peixe na água. Arrastado pela corrente mais forte do seu elemento natural.

Publicado por sharkinho às 03:33 PM | Comentários (16)

A PUBLICIDADE FAZ DE MIM O QUE QUER II

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Foto: sharkinho

Depois de a mensagem do anúncio que afirma existirem milhares de pilhões no país (e ninguém os vê) entrar na minha cachimónia, admito que tenho procurado com atenção.
Ontem, finalmente, e para gáudio da minha paupérrima consciência ecológica, encontrei o meu primeiro pilhão. E tirei-lhe uma fotografia (a de cima), para perpetuar esse momento magnífico que a publicidade institucional me proporcionou.
Os pilhões existem e parece que evitam, quando utilizados, uma das péssimas consequências do nosso lixo na natureza que tanto nos esforçamos por arrasar.

O George, esse cretino, insiste em reafirmar a sua aversão ao Tratado de Quioto. Eu, nem que seja para lhe contrariar a intolerável estupidez dessa (re)afirmação, vou usar o pilhão. A minha vontade era dar-lhe com o pilhão na testa até ele acordar. E depois enfiava-lhe o pilhão (com pilhas duracell) pela via mais rápida até ao local onde se produzem estas suas magníficas ideias e intenções.

Hoje estou sem pachorra para os imbecis. Haja quem me ature... ;)

Publicado por sharkinho às 03:02 PM | Comentários (5)

A POSTA DE ONTEM

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Foto: sharkinho

Ontem, o meu Mar estava assim.

Publicado por sharkinho às 02:57 PM | Comentários (4)

julho 06, 2005

TRAMPA BUILDINGS

trampa buildings.JPG
Foto: sharkinho

Às vezes, quando não sei por onde começar uma posta, dou comigo a revistar o arquivo fotográfico em busca de soluções. Hoje encontrei a que podem observar acima, para marcar o abismo que me separa das pessoas que construíram tais habitações.
Sim, trata-se de casas onde vivem pessoas (por gosto e por tradição). Construídas apenas com dois materiais que se encontram com facilidade no local: galhos de árvores e merda de vaca. Exactamente, galhos de árvores. Eu sabia que iam estranhar.

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Foto: sharkinho

Também estranhei um dado curioso: quem constrói estes “condomínios” dos Masai são as mulheres da tribo. Só elas possuem o segredo de como erguer um edifício com base nos materiais que referi. E eles, sábios, entregam-se ao pastoreio e a uma vida passada em serena meditação (pelo menos enquanto não aparecer um predador para fazer a “tosquia” do rebanho ou a "folha" à manada).

chavinglesa.gif

E nós andamos num badanau para aguentarmos a prestação do frigorífico mais a do carro e a do crédito à habitação. Estoiramos, pela tensão que nos é imposta, tornamo-nos menos simpáticos, mais individualistas, gente com pressa e sem tempo para desperdiçar nas coisas boas que a vida nos dá. Como o contacto com a natureza, os seus cheiros intensos e aquela sensação magnífica de conseguirmos inspirar a plenos pulmões.

seca.jpg
Foto: sharkinho

E eu imagino-me a chamar o cão (o animal ia adorar esse novo esquema de vida) e a partir para os campos mais as ovelhinhas, as cabras, uma vaca ou duas, para me estender ao comprido debaixo de uma árvore até ao momento de assistir, queixo no cajado, ao mais belo ocaso. Tudo isto enquanto alguma fêmea recolhia com carinho os melhores excrementos para as obras de ampliação do apartamento para acolher os oitavo e nono filhos das minhas mulheres, grávidas em simultâneo.

mae leoa + cria.jpg
Foto: sharkinho

Mas não. Em vez disso, levo com o despertador número um à hora a que gostaria de me deitar todos os dias. E com o despertador número dois, minutos depois. Toca a levantar, por norma atrasado, e bute na pirisga para uma seca de ofício qualquer. Papelada, telefonemas, gente neurótica em volta de mais uma mesa de reunião. No fim do mês, um só dia, lá pinga a maravilhosa retribuição. A paga que merecemos pelo desperdício evidente das vidas que esbanjamos a concretizar planos sem nexo e a satisfazer as mais absurdas ambições. Uma merda, e nem sequer possível de se tornar num bom material de construção. Merda no sentido restrito da coisa, como se a maior parte do nosso tempo consistisse numa permanente obrigação de defecar.

sanita5.jpg

Já cheira mal esta conversa, eu sei. Florinha de asfalto a descobrir os encantos do campo onde nunca seria capaz de morar. Desabafos de quem de nada sente a falta excepto das coisas que não fazem falta a ninguém. Com tudo à mão de semear, a casa, o carro, a mobília e até um charro de quando em vez. Dias de festa, está claro, que a vida não abranda e dá pica assapar num veículo sem travões. Assistência médica em condições, hospital privado, de luxo, para atender às macacoas inventadas por um corpo saudável amarrado a uma mona vitimada pela lucidez. Falsos alarmes de uma potencial intrusão. Da morte que levou de repente o vizinho trintão. O que morava no segundo andar.
Sem causa provável ou qualquer justificação. Ataque de coração. Não fumava como eu, ginástica de manutenção num health club baril, bom nível de vida e montes de coisas marcadas para amanhã. E para todos os dias da semana a seguir. Não cumpriu.

semeterio.jpg
Foto: sharkinho

E eu olho para a vida e apetece-me sorrir. De escárnio, também, pela sua evidente estupidez. Importante é sentir-me feliz, mesmo entalado no povo apressado que apanhou, na hora de ponta, o mesmo comboio que eu.

comboio.gif

O que nos interessa, afinal?
Amor e alegria, parabéns à tia, um sorriso rasgado de quem nos quer bem.
Abraços amigos, prazeres sentidos, pedaços de uma vida em festa no melhor que ela tem.
Sexo selvagem, mais uma viagem, os filhos que amamos, o carinho de que precisamos, os meios adequados para atingirmos o melhor fim. Felicidade total.
Parece poesia, escrito assim, mas é prosa afinal. E a gente com os rostos virados noutra direcção, pura ilusão, alheios ao facto de a vida um dia se esgotar, de vez. A nossa e as dos outros, os que devemos estimar. Aliados numa missão. Derrotar a solidão que este ritmo nos impõe. Recuperar o sentido que o progresso desfez.

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E eu olho para a vida e só me apetece desbundar. Recuso aceitar a corrosão das minhas fundações, edificado sobre o arame, equilibrado de forma precária e sem rede para me sossegar, mais abaixo, acaso me ocorra cair. Exijo a liberdade para o corpo e para o coração. Imponho-me reagir. À custa, se necessário, das facturas que nos cobra esta selva de betão.
A minha casa é o mundo inteiro que anseio conhecer. A minha fantasia é cada livro que começo a escrever, o último capítulo de uma história qualquer. A minha vontade de tomar uma decisão. Radical. Revolução. Já está a acontecer, em redor de mim, no meu interior. Cabeça formatada num duplo mortal, pirueta. Conversa da treta em vias de extinção. Apenas a tesão, para enfrentar com galhardia os desafios que me oferecem a Liberdade e o Amor.
Em paz comigo próprio, sem remorsos ou temor. A aprender.

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Sentado na praia, com o sol a nascer.

Nota: Esta posta é uma cópia descarada (tipo cassette-pirata) do estilo adoptado pelo artista formerly known as Jota Quê. (Eu depois pago-te uma bifana para acertarmos as contas dos direitos de autor. E as agulhas, rapaz...)

Publicado por sharkinho às 12:57 PM | Comentários (17)

julho 05, 2005

A POSTA ANÚNCIO

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É só pra dizer que quem quiser prosa fresquinha do tubarão pode encontrá-la AQUI.

Publicado por sharkinho às 05:16 PM | Comentários (2)

julho 04, 2005

A POSTA QUE GOSTAVA DE SER

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Gostava de ter sempre a certeza de cumprir o meu papel no caminho para um mundo mais próximo da perfeição. Gostava de me saber, a todo o instante, capaz de acreditar e de contagiar os outros com a minha fé.
Gostava até de me sentir homem bastante para vergar o mal sob todas as suas formas, sempre que ele se cruza com o meu caminho (comigo mesmo) e com o das poucas pessoas que amo ou alguma vez consegui amar. Um homem forte, imune à corrosão das merdas que nos estragam, que nos tornam inferiores ao modelo que desenhamos nos dias em que o sonho nos conduz.
Mas não sou capaz.

Há sempre algo que me prova o contrário, que me ensina a desacreditar na capacidade de dar a volta por cima das inúmeras barreiras que a realidade do que somos e de tudo quanto nos rodeia consegue criar. Existe sempre um senão.
E eu sinto-me mirrar nesses momentos em que colido contra os muros das coisas tal como elas são, sinto-me aquém do melhor de mim e definho perante a desilusão que me dou e a que dou a quem me consegue acreditar.

Não abdico desta permanente exigência de ser uma pessoa diferente, uma pessoa melhor, de me moldar à imagem do gajo capaz de alcançar objectivo que tracei. E não me concedo qualquer forma de perdão quando me revejo numa pele distinta da que ambiciono, a pele ideal para mim. Não tolero o fracasso das ilusões nessa matéria porque são expectativas que me imponho, arrastando quem me rodeia para um patamar elevado e mal sustentado pela minha natureza irregular.
Depois, é maior o trambolhão.

Às vezes as coisas correm bem e permito-me ser estupidamente feliz, sobretudo pela felicidade que inspiro nas outras pessoas. E é este o segredo dos meus dias melhores. Os dias em que me sei na origem dos sorrisos, da beleza, da magia, da confiança, da alegria e de todas as emoções positivas marcadas pela minha presença nas existências de quem me quer bem. Só assim consigo apreciar o homem que sou. Só assim me considero merecedor.
Mas nem sempre é assim.

Gostava de estar sempre à altura do melhor que espero de mim. E nunca me arrependerei de manter a fasquia tão alta ao ponto de passar a vida a repetir o salto, vezes sem conta, até ter a certeza de que a consigo transpor em cada instante. Até ao dia em que morte me impeça de tentar.

Publicado por sharkinho às 06:43 PM | Comentários (13)

A POSTA NA CONCHA

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Ela não me grama nem à lei da bala (e a culpa é toda minha) e acha que não sei escrever (e a culpa é toda minha, também). Temos perspectivas antagónicas em barda e divergências várias que nos colocam nos antípodas um do outro.
Contudo, seria uma arrogância da minha parte fazer de conta que não lhe reconheço o mesmo mérito que assumi na versão original do charco, quase um ano atrás: ela escreve muito bem e tem um estilo raçudo na defesa dos seus pontos de vista. Para o bem e para o mal é uma das minhas blogueiras de referência.

Hoje, dia do seu aniversário, entendi que seria uma boa oportunidade de lhe render homenagem e de lhe endereçar os parabéns que estou inibido de colocar na caixa de comentários do Controversa Maresia (de onde me baniu).
A vida é mesmo assim e a gente tem que aceitar as coisas como elas são. Porém, o talento nada tem a ver com as diferenças nos feitios ou com as turras que se geram entre as pessoas. E a Vieira, no meu modesto entender, possui o dom e faz falta a uma blogosfera cada vez mais precisadinha de gente capaz.

Parabéns para ela. Que conte muitos. E de preferência, sempre a blogar.

Publicado por sharkinho às 04:34 PM | Comentários (46)

A POSTA GRRAURR

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Foto: sharkinho

“A monarquia já deu o que tinha a dar. O Sporting não sai da cepa torta. O Totta foi parar às mãos dos espanhóis. Os Masai têm a panca de que só se fazem uns homens quando substituem o meu dentista e tentam fazer-me a folha a toda a hora. Alguns europeus ainda acham piada à caça grossa de espécies ameaçadas de extinção. Os jardins zoológicos são cada vez menos. Os circos com animais também.
Ninguém liga cartuxo ao rei da selva (cada vez há menos selva) e a única coisa que me salva o pelo é a excitação dos turistas nos seus safaris.
Não sei porque insisto em dar esta pala de soberano. Mais parvo só o Sharkinho, convencido de que ainda há quem ligue alguma importância à merda do seu blogue...”

Publicado por sharkinho às 12:41 PM | Comentários (20)

A POSTA DE BONS DIAS

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Já é tarde comó caraças, mas não resisto a esticar o Domingo até onde o bom senso me permite. Admito que não sou um adepto ferrenho de segundas-feiras. E nisso não sou original, sem dúvida.
Mas uma pessoa precisa de desabafar estas coisas e afinal de que nos serve um blogue se a malta não aproveita para destilar as suas ansiedades e incertezas?
Eu fico ansioso com a iminência de um novo ciclo de cinco dias a vergar a mola. Chamam-lhes os dias úteis e nunca percebi porquê. Na minha perspectiva, úteis são aqueles dias que chegam ao fim com a gente a ter a certeza de que foram bem passados. E os dias bem passados, como os bifes, são aqueles que não se cozinham em lume brando mas sim os que passam na brasa, plenos de cenas fixes. Daquelas que dificilmente acontecem nos dias a que chamam úteis, mas ao longo dos quais nos vemos forçados a levar com uma data de filmes que nunca passariam nas nossas salas de cinema de fim-de-semana.

Sei que este papo não é animador e em nada contribui para estimular seja quem for a enfrentar a utilidade intrínseca de uma segunda-feira. Porém, há coisas que uma pessoa não consegue guardar dentro de si próprio. E tendo um blogue, claro está, um gajo sente-se no direito de maçar os outros com estas merdas, mesmo sabendo enquanto as escreve que mais valia enfiá-las no sítio mais recôndito e afastado do alcance de outras vistas que lhe fosse possível.
Mas não há nada a fazer. As palavras brotam na folha em branco e eu sou incapaz de censurar-me, tanto como sou incapaz de exercer a censura relativamente ao que os outros escrevem. Mesmo que me desagradem algumas coisas que acabo por ler. É a porra da liberdade de expressão, esse conceito valioso que funciona como uma faca de dois gumes quando temos que optar entre a franqueza inconveniente e o silêncio hipócrita.

Claro que tenho plena consciência da necessidade de existirem segundas-feiras. Até compreendo a premência dos restantes quatro dias ditos úteis. E acabo por amochar em cada um desses dias, mesmo sentindo que a minha existência seria bem mais simpática se lhes pudesse conferir uma utilidade mais própria de um feriado ou coisa assim. Dias úteis...
A economia é uma cena muito importante. E arbeit macht frei, perdoem-me esta alusão sinistra.
Ainda assim, raios me partam, não consigo deixar o fim-de-semana ir-se embora sem uma estranha sensação de perda. E de vos transmitir o meu desconforto perante essa desconcertante impressão.
A tipos como eu não deveria ser permitido o acesso a estas insidiosas ferramentas de propagação da preguiça.
Como é que vamos construir um dia um mundo melhor enquanto houver fulanos capazes de questionarem as coisas realmente importantes da vida?

Publicado por sharkinho às 02:30 AM | Comentários (13)

julho 03, 2005

INCONFESSÁVEL

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Foto: sharkinho

Apenas o sol testemunhou aquilo que te sussurro. Ouve o segredo que grito mas apenas os teus olhos conseguem decifrar. (re)Vê com o coração as imagens que as minhas palavras não podem contar a ninguém.
Estive lá agora mesmo e tu não faltaste à minha chamada.
Sente na alma aquilo que te recordo e confessa em silêncio a saudade que só eu saberei adivinhar.

Publicado por sharkinho às 02:46 AM

A CERCA AOS CASTELOS

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Foto: sharkinho

Cercadas pelo tempo, as criações do Homem e da Natureza apenas adiam a inexorável confirmação do seu cariz efémero.

Publicado por sharkinho às 01:43 AM | Comentários (13)

julho 02, 2005

A POSTA NOCTURNA

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Foto: sharkinho

Eu amo a noite. Ergo os meus braços às estrelas e entrego-me à magia da escuridão rasgada pela luz prateada do luar que me ilumina as mais intensas paixões.
Amo a noite pela memória do melhor que vivi e ofereço-lhe na penumbra o penhor emocionado da minha gratidão.

Publicado por sharkinho às 09:28 PM | Comentários (14)

julho 01, 2005

A POSTA DO LIXO

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A vingança não é uma atitude bonita. Pois não. E eu nem costumo exercer com frequência esse direito à retaliação que todos, ou quase, sentimos pelo menos uma vez ao longo da vida.
Contudo, o facto de eu preferir olhar-me no espelho e ver um homem de bem não implica que me predisponha a cruzar os braços perante algumas situações que me revoltam ou repugnam. E isto aplica-se também às injustiças que vejo cometer relativamente a outras pessoas, com especial preponderância quanto às pessoas que estimo.
A injustiça é sem dúvida a razão das minhas mais tristes reacções para com terceiros.

Por norma, quem é capaz de lesar os interesses dos outros sem justificação não possui a maior parte das características de uma pessoa em condições. A coragem, por exemplo, costuma estar ausente das personalidades menos recomendáveis. Cobardes, apontam as baterias a quem pressentem mais vulnerável e menos capaz de agir em legítima defesa. E fazem-na pela calada, para limitarem ainda mais a hipótese de se verem confrontados com o troco merecido para as suas baixezas.
Odeio gente assim e sou capaz do pior, acumulei alguns exemplos pouco abonatórios da minha bonomia ao longo da vida, para lhes fazer sentir na pele o desconforto ou mesmo o medo que suscitam aos outros.

Não me orgulho desta minha prerrogativa, nem a louvo enquanto regra de conduta. Mas não consigo reprimir-me quando as más acções dos sacanas afectam alguém, sendo a minha resposta proporcional aos danos causados e à vulnerabilidade das pessoas afectadas. É feio, bem sei, mas reajo por instinto e só depois me arrependo.
Assumo esta mácula perante vós por não querer criar uma imagem de santo que não corresponda à verdade dos (meus) factos tal como a tenho revelado neste blogue.

O pretexto para esta posta é idiota. Há meses que um vizinho anónimo despejava no patamar de entrada do edifício, por cuja limpeza assumi a responsabilidade dado tratar-se de um acesso ao meu escritório, todo o lixo que encontrava na sua caixa de correio.
É uma treta sem jeito nenhum, mas irritava-me pela repetição e pela impunidade.
Hoje, finalmente, alguém apanhou o suíno em flagrante quando ele deitava para o chão de forma displicente a propaganda e outros detritos que lhe atafulhavam a caixa.
Ainda por cima trata-se do “moralista” de serviço (todos os edifícios têm um), daqueles gajos que pegam por tudo e por nada para chatearem a cachimónia da vizinhança.
Agradeço ao destino não me ter cruzado com ele na hora desta revelação, para não transformar uma coisa de nada num problema mais sério.

E eis a minha confissão. Tudo quanto ele despejou na escada, mais todo o lixo que consegui reunir na altura encafuei na caixa do correio do bacano. Enquanto o fazia repeti várias vezes em voz alta que era eu o autor da proeza (sabia que ele estava em casa na altura), para que não lhe restassem dúvidas da porta a que poderá bater se quiser pedir satisfações. Que peça, eu dou-lhas...
Um disparate pegado, pois é, e nem faz sentido servir de mote a uma posta. Mas nós pessoas somos feitos destes pormenores e nem todos correspondem às nossas melhores intenções.

Por outro lado, já vos dei a saber de mim o bastante para que não me tomem por arruaceiro, não sendo de forma alguma um anjinho como gostaria. E assim aproveito para fazer passar a mensagem de que por muito porreiro que eu seja quando me tratam com respeito e cortesia, não me inibo de reagir em conformidade (e nem sempre na proporção) quando me pisam os calos ou a quem me seja próximo.
Mea culpa. Tenho mais de tubarão do que de peixinho dourado. Mas só tem a temer quem faça de conta que não percebeu o recado que aqui deixo, disfarçado por entre o meu desabafo pseudo-“ambientalista”...

Publicado por sharkinho às 04:00 PM | Comentários (20)