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agosto 23, 2005

A POSTA MUITO DEDICADA

longe de vos.jpg

Dedico esta posta a todos(as) quantos(as) conseguiram enganar-me, trair-me, ludibriar-me ou de alguma forma fazem ou fizeram pouco de mim. Dedico-lhes a minha admiração pela sua capacidade e engenho para o conseguirem. E o meu respeito pela habilidade que tiveram para me humilharem, me desiludirem ou simplesmente exporem o lado mais ingénuo do meu quase extinto amor pelas utopias.
Não é fácil obter sucesso em tal empreitada, gostaria de acreditar. Mas desacredito e apenas reflicto acerca das inúmeras ocasiões em que me vi confrontado com uma queda do céu. E perdi. Perdi sempre algo de precioso na ressaca de mais uma desilusão. Para sempre, como o tempo (mais um aliado inesperado dos(as) artífices da minha vergonha) se encarrega de provar. Perdi também o amor ao perdão.

Mas resisti, naturalmente. E aprendi a desconfiar. Em demasia, até. Pura ilusão. Nas manhas dos(as) que intrujam existem trunfos que não consigo combater. Porque o desgosto tem origem nos mais próximos de mim, regra geral. Os de fora apenas assistem, regozijam, ou assumem-se cúmplices da tramóia por simples diversão. O palhaço sou eu, nessas alturas. Assumo-o sem qualquer constrangimento ou embaraço porque apenas me iludem os que gostam de mim. Porque lhes dedico a minha estima e lhes entrego o coração, exponho-me à traição. Ainda que desconfie, afinal. Somos todos assim, os que insistem em acreditar na amizade séria e na paixão duradoura. Vulneráveis à confiança que precisamos de depositar.

Baixei os braços, entretanto, e aceitei a realidade tal como ela se pinta. Uma realidade que não desenhei nem esculpi. Uma ficção, no contexto das farsas em que a vida me obriga a participar. O bobo da corte, quer queira quer não, ao alcance de qualquer mão empenhada em me atraiçoar. Peito aberto, consciente da fragilidade do meu papel de incréu. Como referia, cada vez menos agnóstico, cada vez mais ateu.
A traição pode vestir-se de muitas peles e as palavras são como os folículos que se soltam a cada instante, ferramentas essenciais para arquitectar um engano ou uma omissão. Ou apenas um sinal oposto ao que se pretendia, revelado num simples descuido ou numa mensagem muito fácil de interpretar. Das que ilustram a essência do que se vive na alma de quem a enviou apenas no intuito de sujar o receptor. O destinatário da revelação de uma ideia muito porca acerca da natureza das suas intenções. Para desviar as atenções da culpa que cada um carrega no seu fardo de medos e de realidades difíceis de enfrentar de outra forma, as genuínas.

Mas também eu já traí. E admiti. Pago por isso o preço que a vida me apresentar, a repercussão das minhas escolhas, o descrédito que as minhas confissões acarretam.
O preço de uma forma ambígua de experimentar a solidão.

Publicado por sharkinho às agosto 23, 2005 11:27 AM

Comentários

Entrei...
Li...
Que foi? Estás triste?
Este teu modo de escrever na primeira pessoa, dá-me sempre uma vontade danada de te responder, na primeira pessoa, assim no discurso directo...

Lembras-me o meu irmão... Hoje tem 35 anos... E acho até... que mantem o que pensava aos 18... Mas, era também mais ou menos assim... Fazia-lhe confusão, ser tomado por parvo, fazer figuras ridiculas, que não fossem por sua própria opção... que gozassem com ele... ou o enganassem, não financeiramente, mas no caracter, naquilo que ele tinha imaginado, das pessoas... da imagem que ele tinha feito delas...

Muitas vezes, eu fazia imagens bem diferentes das dele, sobre as mesmas pessoas... Irrita-me fazer figura de otária... mas também só faço essa mesma figura, se eu me permitir fazê-lo... E sabes, sharky, nem sempre me apetece... Ninguém faz de nós nada! Nós é que nos atribuimos os nossos papeis... e para mim... só gosto da Julia Roberts... mas ela tem um sorriso tão lindo... que acho que fazia de comediante lindamente...

Topas?

Beijos x2! Muitos a ela, não te esqueças...

Publicado por: Partilhas às agosto 23, 2005 03:15 PM

Quem é que nunca traíu?
Não serei eu a dizê-lo...

Atrasados mas aqui vão os parabéns pelo ano (e tal) de bloguices.~
Um abraço.

Publicado por: mfc às agosto 23, 2005 06:19 PM

Há aquele dito: "Forgive and forget"

Perdoar, só se merecerem, e esquecer nunca.

Publicado por: Mário às agosto 23, 2005 07:35 PM

Charquinho, Quem nunca traíu por actos e/ou pensamentos, que atire a primeira pedra. Isso é, intrínseco ao ser humano. Não existe a perfeição!

Publicado por: soslayo às agosto 24, 2005 09:43 AM

Tubishark....
mais uma vez aqui me identifico, aqui me releio, aqui me suspende a respiração como em muitas outras postas.
Triste? Um bocadinho mas sei que voltarei a fazer igual ao que até aqui fiz. Sou assim
Beijos

Publicado por: Luna às agosto 24, 2005 10:56 AM

Tenho dias, Partilhas, como todos nós. E o teu irmão tem, como eu, que carregar o fardo dessa cruz chamada lucidez. (Eu adiciono-lhe uma pitada de loucura para condimentar a coisa, mas nem sempre me esqueço de tomar os medicamentos...) ;)

Publicado por: sharkinho às agosto 24, 2005 11:59 AM

Muito obrigado, mfc! Estou a ficar um veterano desta "guerra" que nos mobiliza (quase) todos os dias.
Um abraço, pá.

Publicado por: sharkinho às agosto 24, 2005 12:00 PM

Tens razão, Mário. Até porque cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a alguém e porque só um burro comete o mesmo erro duas vezes (porque há muitos erro por onde escolher).

Publicado por: sharkinho às agosto 24, 2005 12:02 PM

(e eu escolhi errar precisamente na palavra adequada, no comentário acima)

Publicado por: sharkinho às agosto 24, 2005 12:03 PM

Não existe a perfeição, Soslayo? Não mê dês um desgosto desses... ;)

Publicado por: sharkinho às agosto 24, 2005 12:04 PM

(Nota-se muito que me deitei às seis da matina?)

Publicado por: sharkinho às agosto 24, 2005 12:05 PM

Eu fazia diferente uma coisita ou duas, Luna. Nem fosse pela pica de variar...

Publicado por: sharkinho às agosto 24, 2005 12:07 PM

Os caminhos da vida, por vezes, fornecem-nos tantos exemplos coincidentes que, de exemplos, os passamos a considerar dados adquiridos. Nesta como noutras temáticas, Shark.
Mas convém deixar sempre uma nesga de porta aberta para permitir a entrada de acontecimentos e factos novos. Que até podem contrariar os pressupostos anteriores, ou não, sócio? :-)

Publicado por: Mar às agosto 24, 2005 01:52 PM

Tens muita razão, sócia. E eu sou um homem de portas escancaradas... :)

Publicado por: sharkinho às agosto 24, 2005 02:40 PM

também faria diferente um ou outra...mas referia-me á confiança, ao escancarar-me.
Gosto de me escancarar ;)

Publicado por: Luna às agosto 24, 2005 03:38 PM

E gostos não se discutem...

Publicado por: sharkinho às agosto 24, 2005 05:06 PM

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