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outubro 07, 2005

A POSTA DESCONFIADA

amigos do peito.jpg

A traição, como deixo transparecer em muito do que escrevo neste blogue, é uma das minhas mais vincadas obsessões.
E não falo apenas do clássico par de cornos que tanto terror inspira, mas que vale pelo que vale desde que um gajo não saiba ou, sabendo, não se importe. Neste exemplo concreto, para além da premissa de que depois de lavado e enxuto fica tudo como novo, a responsabilidade da coisa pode ser sempre atribuída à condição humana (a monogamia é um conceito muito escorregadio) e não ao fraco desempenho do(a) encornado(a). A tentação pode surgir ao virar da esquina...

Ao longo da minha existência a confiança que depositei nos outros foi sistematicamente abalada por episódios susceptíveis de a minarem de forma quase irreversível. O resultado, ao fim destas quatro décadas de aprendizagem à bruta, foi a consolidação de um critério que não dispenso nas minhas relações com as outras pessoas: toda a gente é suspeita até prova em contrário.
Ou seja, parto sempre do princípio que a cada entrada de alguém na minha vida corresponde mais uma potencial desilusão.

Não é fácil assumir as coisas desta forma, até porque colide com a posição oficial da maioria das pessoas. É mais frequente a malta seguir a onda de bute lá e logo se vê. Eu já vi, mais vezes do que desejaria. E por isso desconfio e fecho-me em copas. Ou disseco o alvo da minha estima até à exaustão, para me certificar da sua integridade de carácter antes de abrir a matraca e entregar à sorte as minhas confidências ou, mais complicado ainda, até me permitir amar sem reservas.
É um processo penoso e exigente, para mim e para quem se aproxime deste gajo cheio de nóias.

E não julguem que falo por falar. Quem conhece de perto a minha história sabe que já reuno uma lista apreciável de pequenas e de enormes traições no meu currículo, episódios que me provocaram grandes perdas e transtornos. Senti na pele a dor de dezenas de falsidades, mentiras, omissões ou meras tábuas rasas aos príncipios que prezo e nunca escondi a ninguém. E esta expressão (dor) não é utilizada à toa: dói mesmo, sentirmo-nos atraiçoados por alguém. Insisto: não estou a falar (principalmente) de cornos.

Sentimo-nos vulneráveis, sempre que alguém nos desilude em matéria de confiança. A segurança com que enfrentamos os outros depende sobremaneira das marcas que a vida nos deixa. Isso bastaria para tornar a lealdade (fidelidade? Nem ao meu cão posso exigir tal garantia...) um ponto assente na essência de qualquer relação de amizade ou de amor. Mas não é.
Nem preciso do meu exemplo, basta-me testemunhar as facadas nas costas dos outros para nelas (re)ver as minhas. Com os valores mais relevantes transformados em empecilhos arcaicos e a pedirem reforma, o mundo não está a evoluír no sentido de me acalentar esperança de encontrar ao longo do caminho meia dúzia de pessoas capazes de me desmentirem o pressuposto.
Em cada nova relação antevejo uma inevitável desilusão. E ajo de acordo com essa perspectiva pessimista.

Isso torna-me mesquinho, rigoroso, atento e desconfiado. Difícil de aturar. Mas é um preço que me obrigo a pagar, para manter alguma margem de cautela. São os meus mecanismos de defesa, nascidos como uma reacção espontânea (e talvez legítima) ao mal que os outros podem fazer-me quando lhes abro as portas. Cada vez menos, aliás, pois um tipo satura-se de lidar com os desgostos que a deslealdade acarreta.
Tenho plena consciência de que não arranjarei muitos amigos com este feitio...

Um dos aspectos que a minha forma de estar mais influencia é o da coerência. E por isso, porque são muito importantes para mim as vossas opiniões em tão delicada matéria, reabro nesta posta a caixa de comentários onde tanto me têm dado a aprender e a pensar.
Aliás, qualquer pretexto serviria para acabar com esta verdadeira tortura... :-)

Publicado por sharkinho às outubro 7, 2005 11:12 AM

Comentários

"O resultado, ao fim destas quatro décadas de aprendizagem à bruta, foi a consolidação de um critério que não dispenso nas minhas relações com as outras pessoas: toda a gente é suspeita até prova em contrário."

Ou seja, estás como o Sampaio: és pela inversão do ónus da prova :)

Publicado por: gibel às outubro 7, 2005 11:54 AM

Eu sempre achei que tenho perfil para os mais altos vôos, Gibel...
Mas sou mais pela protecção do ânus do que pela inversão do ónus. Dispenso os elementos de prova nesta questão concreta.
Abraço, aphixador!

Publicado por: sharkinho às outubro 7, 2005 11:58 AM

yesss já se cu-menta aqui!

Publicado por: Luna às outubro 7, 2005 12:15 PM

Antes de mais devo manifestar a minha alegria em ver esta caixa aberta - fazia-me falta ;)
Quanto à posta...
"disseco o alvo da minha estima até à exaustão" e "Em cada nova relação antevejo uma inevitável desilusão. E ajo de acordo com essa perspectiva pessimista"
Talvez o truque seja só encetar a relação após a total dissecação…
Não acredito em relações (e refiro-me a qualquer tipo de relação) encaradas de início com pessimismo, acredito antes em degraus que se sobem, quer em confiança como em envolvimento. Acredito em ir dando à medida que se conhece.
Não quer dizer que não se caia - nunca se sabe quando o corrimão apodrece ou parta…
Difícil é encontrar esse meio-termo entre o confiar e desconfiar, agora partir do princípio que ninguém presta, isso, seria demasiado desmotivador.
O que vale é que sabemos que gostas de pessoas ;)
Beijoca

Publicado por: sofia às outubro 7, 2005 12:15 PM

agora vou ler e já venho :)

Publicado por: Luna às outubro 7, 2005 12:16 PM

Como diria a zu, o charco tem àgua de novo...:-) E é fácil perceber o

Publicado por: Mar às outubro 7, 2005 12:42 PM

Shark,
a desconfiança a priori não é, a meu ver, o melhor caminho. Por uma razão muito simples: todos temos defeitos. Se dissecamos até à exaustão esses defeitos a priori, perdemos a oportunidade de conhecer verdadeiramente as pessoas, e por que têm esses defeitos. E uma pessoa sem defeitos é, muitas vezes, uma pessoa bastante dissimulada. Por isso, neste campo estamos em total discordância.

P.S. Aproveito para dizer que ainda bem que reabriste a caixa de comentários, pois o e-mail não substitui esta caixa de comentários.

Publicado por: Jorge Morais às outubro 7, 2005 12:49 PM

Shark,
quando é que embrulhas tudo isto em papel? Gosto de te ler, mas aqui (pc) torna-se cada X mais difícil - gosto do cheiro a papel, de manusear as folhas e além do mais dá-me tão pouco jeito ler no pc. E gosto de comentar qdo leio tudo mas assim não de más hipótese :(
Eu perdoo-te se, um dia te vir publicado, como desejo (na Playgirl), perdoo-te, dizia, se me fizeres um dedicatória especial à comentadora ao metro (ao metro mas com substância :p)
Então até logo, não li o texto, li 'traição' e digo-te é das coisas piores q me podem fazer. Risco implacavelmente se descobrir. Quase não dói riscar, tal o peso do que implica 'traição'.
Traição em sentido lato, é do q falo. E espero não ter traído muito também...

Publicado por: vague às outubro 7, 2005 12:56 PM

Na vida.

Publicado por: vague às outubro 7, 2005 12:57 PM

Na vida, Vague. Pois na vida deste blogue acabas de fazer história: foste a comentadora 10000!
Acho justo.

Publicado por: sharkinho às outubro 7, 2005 01:03 PM

Sharkinho, antes de mais regozijo-me pela abertura da tua caixa de comentários! Ficava uma espécie de: um prato que se serve frio, e não obtemos feed-back do cliente. Por isso, era naquela base, come e cala-te, gostes ou não!? Quanto à posta em si, digo-te o seguinte: o amor como outra coisa qualquer na vida, por exemplo: as nossas relações quer sociais quer de outra índole, devem ser sustentadas numa base de confiança mútua. Não adianta andar com os cavalos à frente da carroça... Também Judas Iscariotes, o apóstolo que atraiçoou Cristo, também o fez na altura e nem por isso o mundo acabou. Sempre haverá traidores! Mas que isto não te cegue ao ponto de não veres virtude onde ela possa existir. Senão qualquer dia andamos todos dentro de uma redoma! E há mais um factor: devemos sobrevalorizar o que há de bom nas pessoas e não as negativas, essas quando for o caso de se tornarem perceptíveis, devem-se tomar a atitude mais correcta que é ignorar e desprezar o prevaricador e o cúmplice, caso o haja. Nós apesar de gostarmos das pessoas não transformaremos o mundo e o mundo é constituido também pela desilusão! Existem coisas que nos transcedem...

Publicado por: soslayo às outubro 7, 2005 01:28 PM

Ressalvo: andar com o carro à frente dos cavalos. è a mania de comentar e não reler o que escrevo. Perdona!

Publicado por: soslayo às outubro 7, 2005 01:31 PM

Esta caixa aberta é como uma lufada de ar fresco a entrar pela janela num destes dias de calor abafado.

Não poder comentar os teus 'posts' como que nos 'sufoca'...

A foto é espectacular.

Julgo que pode haver diferentes graus de 'traição' (olhar para alguém que passa na rua poderá ser considerada uma pequena 'traiçãozinha'?...).

A traição 'a sério' parece-me uma coisa insuperável - quando se quebra a relação de confiança, dificilmente será possível voltar atrás... as coisas nunca mais serão iguais; ficará uma mancha indelével.

Publicado por: Leonel Vicente às outubro 7, 2005 01:52 PM

A foto é interessante, de facto, não desfazendo. São duas mãos pelas costas, dois gestos, mas com várias interpretações. Pode até ser que o "terceiro" fulano seja simplesmente irmão da rapariga; aquilo lá, na China, é tudo gente muito fraternal, por assim dizer.
"Aliás, qualquer pretexto serviria para acabar com esta verdadeira tortura... "
Pois. Pretexto. Bem, disso não temos, mas talvez o (texto do) "nosso" consultório sentimental, sobre o assunto, ajude alguma coisinha: tem por título "Maria da Encornação" e está no ficheiro de Julho deste ano.
Desculpe a indecente "self-citation", mas vem a propósito:
"Assim como se pode afiançar que nenhum homem reconhece possuir armações na testa, a não ser a coberto do mais cobarde anonimato, como é o caso, também se pode jurar - pelo que há de mais sagrado - que apenas existe traição quando e se esta se torna pública."

Publicado por: Dodo às outubro 7, 2005 02:45 PM

Começo já por reclamar...
Primeiro tiras os comentários... e deixas uma caixinha de e-mail... a "boa" da Je... mandou e-mail e tudo... Mas, não teve direito a resposta... Como não sei se respondes ou não aos outros e-mails que recebes... fiquei desiludida contigo... Pensava eu, que receberia, uma resposta do género... "Deixa lá miuda, que isto passa e mais dia menos dia, eu fico com umas saudades danadas de ver lá o "meu" pessoal todo juntinho. Obrigadinho, pelo mail!"

Mas, não. Nada. Nadica. E, como não esperava desiludiste-me.

A ignorância... cria em nós imensas expectativas... fáceis de não se confirmarem.

O escuro, faz-nos olhar para os outros, à nossa própria procura. E a possibilidade que os outros nos desiludam é a nossa arma, para nunca nos desiludirmos, nem virarmos as costas, a quem gostamos, porque fazemos de UM episódio, uma história completa... onde não existe nexo...

Ao contrário de ti. As pessoas nunca me desiludem. Vão-me desiludindo, num ponto, ou noutro, como tu o fiseste... E são eesas desilusões, que me fazem ver, como somos todos uma caixinha de surpresas... e me deixa mais atenta.

Beijos... x2!

Publicado por: Partilhas às outubro 7, 2005 02:59 PM

Agora o assunto dos... bem das outras traições...

Pelo que leio, da tua posta. Nunca traiste ninguém (aos teus olhos; um homem, raramente o assume... tem sempre aquela desculpa, que só ele viu... e desculpa-me sinceramente, se estou a ser injusta!)... daí este discurso, tão bem elaborado...

Sabes o que te desejo... Que nunca sintas a necessidade de escrever uma posta diferente sobre o mesmo tema; É bom sinal.

Quanto aos amigos... Os meus amigos, quando eu preciso deles, raramente são simpáticos comigo... pelo contrário, sabem que eu só oiço se for á bruta... e então vai disso... fico atordoada... mas acabo por lhes dar razão.

Mais beijos x2!

P.S. Não feches a caixinha, sff.

Publicado por: Partilhas às outubro 7, 2005 03:05 PM

E foi com aquele 'na vida' que atingi o status :)


A justiça tarda mas não falha, Shark :P

Bom fim de semana, que ando muito cansada :D
a ladaínha do costume, e o sono, e as madrugadas e blábláblá :)

beijos
V.

Publicado por: vague às outubro 7, 2005 03:48 PM

Meu caro:

Penso que sei do que falas. E como há muito me habituei a despir-me confesso que já traí e já fui traído. No sentido clássico do termo nas relações macho/fêmea. Mas curiosamente não são essas traições que me marcam. Aconteceram em determinadas circunstâncias e ponto final. O que me magoou e sempre me dói é a mentira, a deslealdade e a falta de carácter. Aí, ponto final na relação sem mais delongas. O que não consigo é partir para uma relação de confiança, de amor ou de amizade, com pedras no sapato. Prefiro mil vezes dar-me como sou e aceitar os outros como julgo que eles são e, se me desiludirem, será mais uma desilusão na minha vida. Afinal, a vida é uma sucessão de encontros e desencontros, de enriquecimentos e desilusões, de subidas e descidas, e há que retirar de tudo o melhor dos ensinamentos. Restará a nossa consciência...
Um forte abraço bom Amigo.

Publicado por: Pedra às outubro 7, 2005 04:57 PM

J’aurais aimé pouvoir m’exprimer en portugais, mais pour l’instant mon niveau est celui d’un traducteur automatique très nul, je veux pourtant me rejoindre à ceux qui vous encouragent.
Ça fait du bien de savoir qu’à de milliers de kilomètres, quelqu’un se pose les mêmes questions que nous autres et qu’il y fait face. Je ne peux que demander à vos amis de vous entourer.
Amitiés@+Manu

Publicado por: Manu às outubro 7, 2005 05:09 PM

Chegámos aos 10.000 booooaaaaa Vagu'inha

Publicado por: Luna às outubro 7, 2005 05:39 PM

Linda, Vague, se há alguém que o merecia eras tu! :-))

Olá Pedra!

E o meu coment de há pouco foi comido pelo sistema de evitar abusos que o nosso Shark aqui onstalou, assim uma espécie de "Big Brother is watching you" que lhe permite saber quando alguém com intenções menos boas vem cá parar...;-))

Mas repito: Dizia eu que era fácil perceber o teu comportamento, Shark, pela velha analogia do "gato escaldado...".
É, sem dúvida uma forma menos cor-de-rosa de ver a vida, não te trará muitos amigos, tal como referes, causará dissabores a quem verdadeiramente se queira aproximar de ti.
Mas, ao menos, permite-te ter a certeza de que, se alguém é capaz de suportar passar por esse crivo tão apertado, então meu amigo tem mmesmo que gostar a sério de ti.
E isso é o prémio final.

Publicado por: Mar às outubro 7, 2005 06:27 PM

Mar, Luna, 10 000, q se há-de fazer? Nasci para o palco :p mesmo q o palco não seja meu :)

Pedra, q bom ler-te, eu q tenho andado, por gosto, meio afastada de todos os blogs. A pouco e pouco, talvez retome, não digo 'a normalidade', pois não considere 'isto' uma obrigação, uma 'normalidade', na verdade acho mais uma anormalidade :)) no sentido de escrevermos o q nos apetecer, em liberdade e respeitando a do outro.

"A deslealdade a mentira a falta de carácter" tudo isso não será uma traição? Se calhar traição às nossas expectativas.

Eu sei, estou a baralhar e de propósito.

Dói a traição mas a essência da traição não resulta numa falta de carácter, deslealdade e mentira, mesmo q pontuais?


Não se admirem se eu não continuar a conversa e não encontrar o fio à meada, mas é q este fds estou sem net (aleluia) e vou só ali ao meu blog favorito escrever umas coisas (é o meu, 'tão não?)
:)

Vá, é tarde. Ide dormir.

Publicado por: vague às outubro 7, 2005 07:42 PM

Foi precisamente numa posta sobre traições e deslealdades que comecei a comentar aqui no charco. Não podia deixar passar hoje, que atingiste 10000 comentários, sem te deixar aqui um abraço.

Publicado por: karla às outubro 7, 2005 08:39 PM

Creio que às tantas penso mais como o Pedra. E a intuição sempre vale alguma coisa. Digo eu... :-)

Publicado por: susana às outubro 7, 2005 08:59 PM

Confesso que também desconfio de todos até me entregar na totalidade. É preciso uma relação de confiança muito forte. Digo sempre um dia de cada vez, se assim for, foi um dia que perdi.

Publicado por: Lobistico às outubro 7, 2005 09:00 PM

Sou fechado por natureza a novos conhecimentos, mas quando sucedem tenho todas as defesas em alerta.
Não me consigo libertar desta armadura.
Sou sempre franco mas nunca exploro temas controversos até "conhecer" quem está ali.
Ora aí está...confessei-me!

Publicado por: mfc às outubro 7, 2005 09:21 PM

Podes crer, Sofia, gosto mesmo de pessoas. Apenas não gosto de pessoas que me façam mal...

Publicado por: sharkinho às outubro 7, 2005 09:57 PM

Por acaso também subscrevo o pedra, susana...:-)

Relendo de novo, concluo que até agora me tenho enquadrado mais na forma de ser que o pedra aqui retrata. Com desilusões pelo meio, fruto de quem se dá demais, como é óbvio. É claro que quem acredita nos outros corre muito mais riscos. Alguns dos quais só muito mais tarde os vem a descobrir, iludida pela aparência que alguém muito habilidoso em pintar uma pele de cordeiro...
Resumindo: apesar do que concluo sobre mim, na dose certa, julgo que a metodologia do Shark acaba por poupar muito desperdício de tempo com gente que não interessa nem a cristo...

Publicado por: Mar às outubro 7, 2005 10:48 PM

"iludida pela aparência de alguém ...", de, de, de.

(e isto não é uma tentativa de chegar aos 10 000) ;-)))

Publicado por: Mar às outubro 7, 2005 10:49 PM

Na dose certa é um reparo importante, sócia. Uma pessoa às vezes perde a noção das proporções e vai longe demais na paranóia.

Publicado por: sharkinho às outubro 7, 2005 10:53 PM

Jorge, eu não tenho problemas em lidar com os defeitos das pessoas. Só mesmo a deslealdade e a traição me trocam as voltas. E por isso tento perceber se lido com gente de confiança (por quão falível que isso por vezes se revele...).

Publicado por: sharkinho às outubro 7, 2005 10:56 PM

Depois de tudo o que se disse pouco mais há a acrescentar....dou sempre o beneficio da duvida, dou-me tal qual sou sem reservas e sem reservas também me saio muito mal ás vezes...mas nem todas e essas são as melhores coisas que levo da vida ;)

Publicado por: Luna às outubro 7, 2005 11:26 PM

Luna, pá, falhaste por pouco o número mágico...
Mas sei que conto contigo prós 20000! :)

Publicado por: sharkinho às outubro 8, 2005 01:23 AM

Soslayo: esse tipo de escolhas é em boa medida determinado pelas circunstâncias que nos rodeiam. Garanto que prefiro acreditar. Mas também garanto que não tem valido a pena...

Publicado por: sharkinho às outubro 8, 2005 01:40 AM

Obrigado, Leonel, pela parte da caixa (aliás, o mesmo a quantos se referiram a este nosso espaço de partilha).
Concordo relativamente à mancha. Também já traí.

Publicado por: sharkinho às outubro 8, 2005 01:42 AM

Dodo, nesse caso equivalemo-nos (no anonimato, quero eu dizer). Tens um estilo muito terra-a-terra na escrita e confesso que gostei de reler o teu texto de Julho (apesar de ser um lençol que vou-te contar...).
Mas os cornos (como os côrnos) são apenas uma das faces do problema. E nem sempre causam tanta mossa como outras faces daquilo a que se convencionou chamar traição.
Gosto de te ter por cá.

Publicado por: sharkinho às outubro 8, 2005 02:20 AM

Shark,
talvez me tenha explicado mal. Aquilo em que discordamos é na parte de desconfiar a priori ou não. Talvez tu tenhas mais más experiências ou talvez eu seja menos exigente, não sei ao certo. A parte dos defeitos é um exemplo da experiência que tenho de algumas pessoas. Também não me parece que sejas como uma rapariga que eu conheço (fisicamente não és certamente) que desprezava todos os rapazes que andavam de sapatilhas (não estou a falar em namoros, estou a falar mesmo em dirigir-lhes a palavra).

P.S. Já te tinha dado os parabéns pelo retorno da caixa de comentários, ficam os parabéns 10000 (a vague mereceu, se bem que foi com um comentário estranhamente pequeno ;-) )

Publicado por: Jorge Morais às outubro 8, 2005 10:21 AM

Compreendo, Jorge. Mas já não me sobra fé para abrir o peito à incógnita e esperar o melhor. E não estou armado em calimero, vivo bem com isso e poupo-me a uma data de desilusões.
(O comentário foi pequeno, mas se o esmiúçarmos bem dá pano para mangas.) :)

Publicado por: sharkinho às outubro 8, 2005 11:51 AM

Pedra, admiro o estoicidade de quem como tu prefere arriscar a desilusão do que refugiar-se por detrás de um biombo de suspeitas.
Sou demasiado cobarde e emocionalmente instável para me submeter aos ditâmes da estatística e aos acasos do destino, não tenho mais espaço para acrescentar outros capítulos aos que me amarrotam.
As perdas acumuladas, meu grande amigo, resultaram na falência da minha fé.

Publicado por: sharkinho às outubro 8, 2005 12:02 PM

Manu, gostava de poder responder-te na tua língua mas não a domino o bastante para não passar aqui uma vergonha. :)
No entanto, consigo perceber-te e isso basta para podermos dar os primeiros passos na nossa relação virtual.
(Recebi o que me enviaste, mas ainda não consegui abrir o ficheiro pps - não tenho o software necessário no meu computador - mas conto fazê-lo depois de amanhã).
Um abraço e sente-te em casa neste espaço que é teu enquanto o quiseres frequentar!

Publicado por: sharkinho às outubro 8, 2005 12:10 PM

Obrigado pelo abraço, Karla, e por teres marcado presença neste regresso a um tema que é recorrente na minha tola e nos meus receios.

Publicado por: sharkinho às outubro 8, 2005 12:15 PM

Afilhada: faço votos para que a tua intuição nunca te falhe. E parece-me estar bem afinada. :)

Publicado por: sharkinho às outubro 8, 2005 04:10 PM

É uma forma difícil mas prudente de estar, Lobistico. E os dias nunca se perdem, enquanto aprendemos a conhecer a essências dos que nos rodeiam.

Publicado por: sharkinho às outubro 8, 2005 04:14 PM

Mfc: quem confessa merece perdão. :)

Publicado por: sharkinho às outubro 8, 2005 04:16 PM

E quanto a ti, Partilhas, confirmo que recebi o teu desabafo público mas não tive acesso a qualquer email teu.
Seria incapaz de proceder como me pintas.
Desejo-te um excelente fim-de-semana.

Publicado por: sharkinho às outubro 8, 2005 04:19 PM

Bem... eu fiquei com o n.º 9991, isso não dá direito a aproximação, Shark? ;)

Quanto à traição, não tenho muito a dizer. Houve amizades que se desfizeram, em definitivo, mas nem aí tenho grande experiência. Cauteloso sou, desconfiado a esse ponto, não.
Abraço (eu sabia que não ia durar muito...)

Publicado por: cap às outubro 8, 2005 08:00 PM

O 9991 foi eleito miss simpatia deste blogue pela Imprensa da especialidade.
Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, a verdade é como o azeite e não acredito que alguém tenha desfeito uma amizade com o Cap que eu conheço. Deve ser boato, pá...
Abraço (e até durou tempo demais. Fiquei sem unhas pra roer...) :)

Publicado por: sharkinho às outubro 8, 2005 08:16 PM

O 9991 foi eleito miss simpatia deste blogue pela Imprensa da especialidade.
Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, a verdade é como o azeite e não acredito que alguém tenha desfeito uma amizade com o Cap que eu conheço. Deve ser boato, pá...
Abraço (e até durou tempo demais. Fiquei sem unhas pra roer...) :)

Publicado por: sharkinho às outubro 8, 2005 10:04 PM

Ena pá...há tanto tempo que não tinha tempo de passar por aqui...ainda bem que nem dei por teres fechado a caixita mágica. Tinha saudades tuas, Sharky!!! Ok, não tem a ver com o post...mas também levar com um post sobre traição numa altura destas e sem anestesia...posso voltar lá p'ra Terça Feira, p'ra dizer qualquer coisita mais acertada? Ou despacho a coisa já? Ok, cá vai...
Também já traí (daquela forma que mete coisas na cabeça. Das outras acho que não...perdi amizades, desencontrei, afastaram-se caminhos... agora trair...não me parece...).E fui traída (aqui, se bem me lembro, com coisas e sem coisas na cabeça...). Mas continuo sempre com aquela treta esquerdóide do todos serem inocentes...depois é que é o delas...se ouvisses a barulheira que os galos na cabeça fazem cá em casa de madrugada...

Publicado por: isabel faria às outubro 8, 2005 10:08 PM

Hesitei em comentar porque defendo basicamente o oposto: qualquer pessoa é amigável até prova em contrário.

Pode durar 7 segundos, 7 meses, 7 anos ou a vida toda até às expectativas serem traídas. Julgo que qualquer que tenha sido o tempo, nos fez descobrir mais sobre a natureza humana.

O reverso da minha abertura é que quando cai o pano, cai o silêncio mais completo.

E Sharkinho, aposta é nos 20 000 que esta caixinha não te trai. :)))

Publicado por: maria arvore às outubro 8, 2005 10:10 PM

Zabelinha, filha, que bom ter por cá a minha segunda candidata de eleição (sou um fã de candidatas autárquicas)!
Traíste, foste traída e continuas crédula. Eu admiro a fé nas pessoas, precisamente por ser um agnóstico (também) nessa religião...
Beijoca alfacinha!

Publicado por: sharkinho às outubro 8, 2005 10:20 PM

E hesitaste porquê, Maria Árvore? Eu não tenho o hábito de morder em que se opõe às minhas posições...
Eu já fui assim, voluntarioso e crente, mas o meu pano caiu demasiadas vezes sobre histórias sem final feliz. Agora prefiro armar-me em detective, em sentinela da minha sensibilidade maricas. Mesmo assim, consigo estar longe da solidão que me parecia reservada.
Eu adoro a minha caixinha!

Publicado por: sharkinho às outubro 8, 2005 10:28 PM

Como tive direito a resposta dupla (e depois de muito reflectir ao espelho), aceito o título, com a condição de tu seres miss fotogenia e ficarmos juntos na foto (por falar em fotos...?) :)))

(quanto à amizade desfeita, dava um post dos teus: era jovem, meteu saias pelo meio) ;)

Publicado por: cap às outubro 9, 2005 12:36 AM

Eu não tenho medo que me mordam. ;) Tenho é medo de magoar quando não quero. :)

Publicado por: maria arvore às outubro 9, 2005 12:38 AM

E por falar em fotos, dizes muito bem ò charmoso. (Mando-te as minhas, goesas, se me mandares as tuas)
Gostava muito de ser a miss fotogenia, mas sempre me considerei mais apto a dama de honor...
(manda-me os pormenores "sumarentos" e eu prometo-te uma posta de arrasar que imortalizará esse momento, não faço a coisa por menos).

Publicado por: sharkinho às outubro 9, 2005 12:43 AM

Aprecio o teu cuidado com a minha sensibilidade tão frágil, futura parceira (tou à espera de autorização superior para badalar a cena), mas daí a magoares-me por teres opiniões contrárias à minha, enfim... :)

Publicado por: sharkinho às outubro 9, 2005 12:46 AM

Que bom poder ler todos estes comentários... estava a ver que depois de ganhar o impulso para dizer umas "coisas" deixaria de o poder fazer:)relativamente a este assunto confio quase sempre, apesar das muitas desilusões que tenho tido... já tentei ter uma postura semelhante à que "defendes" mas apenas serviu para me sentir mais fechada, triste... Para mim não funcionou:) tenho de me dar e confiar para ser plenamente feliz, mesmo que isso tenha como consequência a desilusão e a dor... afinal também são estes sentimentos que nos constroem e, acima de tudo, nos fazem valorizar a confiança, o amor, a amizade...

Publicado por: Ana às outubro 9, 2005 09:19 PM

É uma perspectiva interessante, Ana. Espero que consigas obter bons resultados com essa abordagem.
Eu só "defendo" a minha pele das aves de rapina, mais do que a teoria em causa... ;)

Publicado por: sharkinho às outubro 9, 2005 11:04 PM

Olá Sharky Bom Dia,

DESCULPA.
DESCULPA.
DESCULPA.
DESCULPA.
DESCULPA.

Quis relativizar a teoria das desilusões... e acabei por ser injusta contigo.

Não era essa, de todo, a minha intenção.

E diria mais alguma coisa... mas não quero, de maneira nenhuma, ser mal entendida.

Mais uma vez Desculpa.

Boa semana!

Publicado por: Partilhas às outubro 10, 2005 11:00 AM

Ò rapariga, pá...

TÁS DESCULPADA
TÁS DESCULPADA
TÁS DESCULPADA
TÁS DESCULPADA
TÁS (mesmo) DESCULPADA!

Um dos efeitos do excesso de desilusões é precisamente aquele que se reflectiu no teu coment. Happens all the time aqui ao teu amigo esqualo.
Siga a marinha, amiga que bloga! :)

Publicado por: sharkinho às outubro 10, 2005 04:12 PM

Cada novo conhecimento é uma potencial desilusão ?

Pois é, a grande maioria poderá ser se por acaso sequer se aproximar de poder ter essa importância.

Mas há uma minoria que passa o crivo, e essa merece que se tente sempre a sorte.

Publicado por: Mário às outubro 11, 2005 12:18 AM

Nem mais, Mário. Daí eu tentar cingir a minha atenção (e a minha exposição) a esse lote minoritário.

Publicado por: sharkinho às outubro 11, 2005 12:39 AM

Bom,

Publicado por: Ariadne414 às dezembro 31, 2008 07:27 PM

Bom, foi muita informação de uma vez só, mas acredito na fidelidade e na honestidade, sim. É por isso que me sinto uma alma "velha" e, talvez desajustada no nosso tempo. Acho a traição uma das piores agressões que se pode fazer a uma pessoa, com consequências inesquecíveis e mesmo trágicas.
Fiquem bem

Ariadne

Publicado por: Ariadne414 às dezembro 31, 2008 07:31 PM

Mas é preciso não confundir infidelidade e traição.
Nem sempre são coincidentes...

Publicado por: shark às janeiro 1, 2009 05:12 PM