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outubro 09, 2005

A POSTA NA ALEGRIA COSTUMEIRA

portugal profundo.jpg

Chove a potes lá fora. Será húmida a festa dos vencedores.
Eu não festejo coisa nenhuma. Assisto na televisão ao discurso vitorioso de um cacique que parece contar com um propagandista do tipo Heinrich Himmler na sua prole de assessores, esganiçado. Já assisti à reacção amarga e elucidativa de um outro da sua laia, talvez pior, sacudindo a culpa do seu revés para os ombros de um pato bravo da construção civil.
Ainda faltam outros dois, retumbantes na sua confirmação de que pouco interessam os partidos políticos quando os figurões controlam a cena.
A democracia expõe-se em directo ao ridículo da sua actual condição.

No resto, o costume. O partido no poder perdeu pouco e, no meu entender, perdeu onde mais merecia (pelo nível dos seus candidatos de merda). O maior partido da oposição ganhou onde precisava mas já tinha perdido onde os seus rebeldes se impuseram. O partido que nunca perde voltou a não perder e ainda pode invocar algumas surpreendentes vitórias. O partido desfeito parece, nesta altura, ter recebido a f(r)actura das portas que se fecharam nas costas do seu novo líder. O partido tudo-ao-molho recebeu uma clara indicação de como ninguém deu pelo efeito do seu aumento parlamentar e apenas obteve aquilo que se previa, presenteando a Câmara alfacinha com um vereador no qual se depositam esperanças legítimas. E os partidos dos quais mal se conhece o nome permaneceram na sombra.
Tudo na mesma, portanto.

Desconheço ainda o nível da abstenção. Mas pouco alteraria o desencanto com que encaro mais esta exibição de como a política já não se compadece de ideologias. As estruturas partidárias esfalfam-se por mobilizar outros que não os directamente interessados no resultado final da coisa, na tacharia. Não conseguem, como a pálida campanha eleitoral confirmou. E isso aplica-se a todos por igual.
Apodrece aos poucos, o sistema, abandonado pela maioria. Deixado à mercê das hienas, como um pedaço de carne putrefacta que dividem entre si enquanto rosnam. Pela melhor parte do festim, a ocupação dos lugares em disputa, por troca com as aves de rapina espantadas pela vontade popular.
A falta de entusiasmo tresanda.

A chuva é muito desmotivadora.
Nem sequer festejámos em condições a qualificação da nossa selecção de futebol para o Mundial da Alemanha...

Publicado por sharkinho às outubro 9, 2005 10:40 PM

Comentários

"A chuva é muito desmotivadora", dizes. Para mim, a sua chegada é a maior alegria, a única razão pela qual pulei de contente hoje.
E a minha vontade era que a chuva viesse com força, com tanta força que lavasse a cara cinzenta e as imensas nódoas deste país pessimista e desencantado

Publicado por: Zu às outubro 10, 2005 12:11 AM

Aqui (onde mais devia) não chove quase nada e há entusiasmo pela renovada vitória de uma força política que está no poder há mais de 30 anos. Alguma coisa há-de querer dizer...
Não me sinto desencantada, antes sinto que tenho pela frente mais quatro anos onde vou poder continuar a ser co-responsável pelo progresso da minha terra (chamem-me lírica mas eu mostro resultados objectivos). Embora perceba o sentimento geral que mencionas, Shark.

Publicado por: Mar às outubro 10, 2005 12:19 AM

Devia chover, Zu, para além da água que tanta falta faz ao país, trampa da grossa nas carolas de (quase) todos os figurões deste circo que nos embala para o caos.

Publicado por: sharkinho às outubro 10, 2005 01:05 AM

E tu, sócia, fazes parte de uma realidade que já conheço de perto e que, não duvido, desmente em boa medida a minha perspectiva global das coisas.
Não há regra sem excepção e é perfeitamente natural que no teu micro-cosmos as coisas possam (devam) ser entendidas de outra forma.
Mas tu, como afirmas, percebes também a justificação para o sentimento geral que menciono.

Publicado por: sharkinho às outubro 10, 2005 01:10 AM

Como não me apetece falar de politica (talvez pelo descrédito que me atinge) opto por comentar a chuva que tanta falta faz, mas que no meu caso podia ficar só para a semana (que acabar obras assim e lavar tudo vai ser muito chato) mas ainda bem que veio
A selecção passou é verdade - parabéns a eles e a quem gosta de futebol. E o Tiago Monteiro está a um grande prémio do record de provas terminada numa temporada...
Que seja uma boa semana. beijocas

Publicado por: sofia às outubro 10, 2005 11:30 AM

Para ti também, Sofia. E que te livres depressa da maltosa da construção civil... :)

Publicado por: sharkinho às outubro 10, 2005 01:59 PM

Sahrky, se tu soubesses como me revi nas tuas palavras. Em todas. todinhas para mal dos meus pecados...escrevi há pouco um post a dizer mais ou menso isso. Na parte que me toca, mais ou menos isso, duma forma que me custa comó caraças...ainda bem que ouço alguém de fora usar as palavras que eu uso...é que eu tmabém não dei por nada...assim, pode ser que ainda vá a tempo!!!!porque eu acredito que vale a pena ir a tempo.Se não, não estaria lá, não é??? E olha, acredito mesmo que valeu a pena ter eleito o Sá Fernandes. Esta guerra eu tenho a certeza que valeu a pena ter sido feita. Ah e eu também fui eleita...só não percebo é porque não desatei aos saltos...deve ter sido por causa da tal chuva...
Um beijinho.

Publicado por: isabel faria às outubro 10, 2005 04:43 PM

Palavra de honra, Isabel, que eras a última pessoa com que eu contaria a apoiar esta minha posta!
E ainda por cima foste eleita, pá? PARABÉNS! Atão agora és o quê (para eu poder gabar-me do elevado estatuto das minhas comentadeiras)? Vais pertencer ao executivo? Vais exercer? Benza-te Deus, mergulhada no fedor da real politik...
Gostei da goela que o povo (nem sempre estúpido) deu ao Sá Fernandes. A ver como o homem se safa.
Mas continua a chover na mesma, né? (no molhado, quero eu dizer...) ;)

Publicado por: sharkinho às outubro 10, 2005 05:33 PM

Tuby, isso estou em crer que já só quando for para a reforma. Mas vou ficar contente quando me sairem lá de casa ;)
beijocas

Publicado por: sofia às outubro 10, 2005 10:15 PM

Foi isso que quis dizer sócio, vês como até é fácil de confirmar factos?
Sabendo como se vive neste micro-cosmos entendes decerto o lirismo que ainda mantenho em relação à forma de estar (e fazer) na política.
E é esse lirismo que me alimenta a esperança de essa forma se poder espalhar para o macro-cosmos nacional. Com as pessoas certas, como aqui.
E, como em inúmeros exemplos podemos constatar, a esperança é sempre a última a morrer. ;-)
Beijo enorme.

Publicado por: Mar às outubro 10, 2005 11:47 PM

Claro que é fácil confirmar factos, tal como te referi há pouco na nossa conversa telefónica (dando-te conta dos que apurei). E isso é válido para as diferentes ideologias e permite tirar conclusões interessantes.
E não posso concordar mais quando dizes que a esperança é a última a morrer, facto que se confirma na forma de actuação de alguns políticos em determinadas questões. Na intervenção como na ausência... ;)
Beijo ainda maior.

Publicado por: sharkinho às outubro 11, 2005 12:03 AM

Santa Engrácia, Sofia. Chez toi.
Beijoca pra ti também.

Publicado por: sharkinho às outubro 11, 2005 12:05 AM

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