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novembro 22, 2005
A POSTA NAS HISTÓRIAS

Atormentam-me as histórias que deixarei de contar. E mais ainda as que contei, por sabê-las agora irrepetíveis.
Nessa representação do que mudou, nesse farol que assim se apagou, vejo o medo por detrás da minha hesitação.
Hesito acreditar. Receio deixar-me atraiçoar pelo excesso de fé.
A fé no futuro de um farol que não ilumina agora os caminhos percorridos nem desvenda os que no futuro se querem percorrer.
Às cegas. Desprovidos da luz, da energia das histórias e da vontade indómita de as perpetuar na memória e no papel.
Um final com sabor a fel para um símbolo do que se perdeu.
--/ /--
Alimentam-me as memórias que cuidarei de preservar. E mais ainda as que amei, por sabê-las inesquecíveis.
Nessa lembrança do que ficou, nesse rumo que assim se traçou, vejo a esperança abraçada à minha convicção.
Decido avançar. Sem temer a traição que o medo inventou.
O medo de um passado que não faz história na vitória que o presente concedeu.
Às claras. Livres da escuridão, para viver as histórias que um dia se contarão sob a luz de um luar reflectido no mar e nos olhos brilhantes de quem as projectou num amanhã melhor.
Uma história de encantar, como todas as histórias com um final feliz.
Foto: sharkinho
Publicado por sharkinho às novembro 22, 2005 01:54 AM
Comentários
Parabéns!!!
Publicado por: Manu às novembro 22, 2005 08:55 AM
Ao longo do tempo há histórias que se repetem, outras que começam de uma forma e adquirem novos rumos à medida que se desenrolam, algumas que se reescrevem de modos totalmente diferentes.
Todas nos transportam por mundos mágicos, momentos inesquecíveis, emoções intensas. Temos é que as saber viver. Plenamente.
Um beijo, sócio.
Publicado por: Mar às novembro 22, 2005 10:31 AM
"Nessa lembrança do que ficou, nesse rumo que assim se traçou,(...)".
Deu-lhe para o lirismo agora.
Publicado por: claudia às novembro 22, 2005 01:40 PM
Todos os dias temos a oportunidade escrever mais um capítulo nest história irrepetível que é a nossa vida...e um dia, ao olharmos para trás, veremos, de certo, os nossos filhos a escrever tudo outra vez, com os mesmos erros, as mesmas falhas. O interessante não é o final, são os esquemas que encontramos para resolver as questões, os conflitos, que se repetem sempre...só as soluções podem ser inovadoras!
Publicado por: Sofia às novembro 22, 2005 03:27 PM
Olá Sahrky,
"Decido avançar. Sem temer a traição que o medo inventou." Não percebo bem o que queres dizer, mas de algum modo, esta tua frase, agrada-me... Embora ao contrário de ti... onde a aplico, tenha decidido não avançar...
Jocas
Publicado por: Partilhas às novembro 22, 2005 04:01 PM
Obrigado, Manu. Às vezes sai-nos bem...
Publicado por: sharkinho às novembro 22, 2005 04:04 PM
Plenamente de acordo, Mar. Que as saibamos viver então e que se (re)escrevam com palavras, imagens e sons que incluam essa magia de que falas.
Um beijo, sócia.
Publicado por: sharkinho às novembro 22, 2005 04:08 PM
Obrigado por descobrires o poeta escondido em mim, Cláudia.
Publicado por: sharkinho às novembro 22, 2005 04:09 PM
Bem visto, Sofia. Eu gosto de soluções inovadoras. :)
Publicado por: sharkinho às novembro 22, 2005 04:11 PM
Eu tenho esta mania em mim, Partilhas, de que em frente é que é o caminho.
Por isso avanço sempre e por isso levo constantemente com portas nas trombas ou deparo-me com imprevistos que não consigo contornar.
Mas para isso existem as soluções inovadoras que a Sofia referiu... :)
Tem um resto de dia fixe, pá.
Publicado por: sharkinho às novembro 22, 2005 04:14 PM
Concordo consigo, sharkinho. Tudo tem o seu tempo e este blog esgotou-se. É altura de o fechar e procurar uma vida. O problema é que com uma contagem descrescente tão lenta nem daqui a 10 anos....
Publicado por: Gomes às novembro 22, 2005 04:27 PM
Tás com pressa, ò Gomes? É um bom sinal para mim, saber-me tão incómodo para alguns ao ponto de lhes justificar estes desabafos tão profundos.
Não insistas muito que sou capaz de voltar outra vez ao 10, só para te contrariar...
Publicado por: sharkinho às novembro 22, 2005 05:00 PM
Shark,
então que é isso?...
Vejo 'contagem decrescente' - mas queres fazer uma morte anunciada como no livro de GGM?
Sei lá se te entendo...mas há alturas em q me ( o meu eu literário) apetece fazer algo assim, dar um salto, pôr tudo em causa e renascer
ou morrer,
e esses momentos de crise de 'fé' podem ser tb oportunidade para ela se reforçar, não é?
De qq forma, dramatizando ou não (eu tenho uma veia dramática, sabias? :p), vê lá se não desapareces de circulação. E, para rimar, faço uma sugestão: não podes passar a escrever com caracteres maiores?
;)
Publicado por: vague às novembro 22, 2005 05:14 PM
(Tenho q ir mas é dar uma volta às mantas q não sei onde pára essa gente toda)
Hip,
Zu,
PN,
Mar,
JQ,
Fred,
JPC,
MI e co-Mi :) (as miminhas estão bem?)
Pedra
Cap
(não é da minha manta ainda :D)
e se me esquecer de alguém,
q se há-de fazer, é da idade. qto mais nova estou mais livre fico, até do que me lembro.
Publicado por: vague às novembro 22, 2005 05:20 PM
Olá, Vague Maria, ilustre comentadeira dez mil!
Ando realmente numa fase de menos pachorra, mas sou (como todos os que blogam) persistente qb para ir retardando essa contagem até os que gostam deixarem de cá vir e os que não gostam deixarem de zurzir...
Publicado por: sharkinho às novembro 22, 2005 05:39 PM
Os q não gostam não interessam senão na estrita medida em q incomodam e têm q se pôr na linha, o que, convenhamos, é um bocado difícil para quem se esconde atrás de um 'nome anónimo' :)
Pelo q se ignora, não achas?
Eu tb ando sem pachorra para escrever muito e, imagina, sem vontade de ler 'os meus blogs', os habituais e os outros q gosto de ler.
Às vezes apetece simplesmente deligar, relaxar das coisas e embarcar noutras ou ficar quietinha a ouvir o silêncio. Fases. Ainda bem q existem ou a vida seria uma sensaboria.
Lord Byron, creio, dizia mais ou menos isto:
"Às vezes duvido que uma vida calma fosse suficientemente para mim e, no entanto, às vezes anseio por isso".
Poetas! :)
bj
Publicado por: vague às novembro 22, 2005 06:17 PM
Eu voto contra!
(mas isso tu já sabias)
beijocas
(e desdramatiza homem)
Publicado por: sofia às novembro 22, 2005 06:19 PM
Sofia: nessa do desdramatiza acertas em cheio na mouche!
E a bem da democracia vou registar o teu voto (se não sabia, pelo menos ambicionava). :)
Publicado por: sharkinho às novembro 22, 2005 10:23 PM
Sem me comparar de alguma forma ao Lord Byron (eu seria incapaz de viver numa zona tão húmida como Sintra), digo-te Vague que o homem não era tolo nenhum.
Às vezes dá-me ganas de ir morar para nenhures e viver da lavoura. Mas depois acordo para a minha realidade de inveterada flor de asfalto e mergulho de novo na agitação que me caracteriza... :)
Publicado por: sharkinho às novembro 22, 2005 10:29 PM
São as humanas contradições, Shark e quem mais criativo é, mais as sente na pele. Criativo ou louco, dirão. E que interessam os outros sem nome? :)
Publicado por: vague às novembro 23, 2005 04:56 PM
Eu sinto-as na pele. (E como sou criativo posso sempre negar a minha loucura, não é?)
Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 07:17 PM