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novembro 23, 2005

CONTAGEM DECRESCENTE - 7

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Ontem, um gesto bonito de uma amiga que bloga levou-me a colocar a mim próprio a seguinte questão: quando chegar o dia de encerrar este blogue (e subsequentemente a minha presença na blogosfera), o que irá acontecer com as minhas actuais ligações blogueiras?
Ou seja, qual será a força dos laços que me unem às pessoas que blogam e se tornaram boa parte das minhas referências em matéria de relações sociais? Resistirá à minha "perda de estatuto", ao meu alheamento total deste fenómeno?

São questões pertinentes para quem está nisto há mais de um ano e já experimentou alguns cortes radicais em relações de amizade e de confiança estabelecidas neste meio. A fragilidade das relações blogueiras evidencia-se ao primeiro choque de personalidades, quando chega a hora de exibir na prática a tal confiança que acreditamos.
É nesses momentos de crise que uma amizade virtual se pode comparar a uma congénere analógica. No meu caso pessoal, o balanço é sintomático: poucas foram as situações melindrosas que não resultaram no arrefecimento ou mesmo na extinção dos contactos com as pessoas envolvidas.
A margem de manobra para os erros (tão humanos) é menor para os nicks do que para os nomes reais e os rostos de carne e osso.

A iniciativa da minha amiga que bloga surpreendeu-me por desmentir esse pressuposto. Confrontada com o que lhe indicia (com alguma razão) o meu caminho inexorável para a saída desta amálgama de umbigos virtuosos, preocupou-a o que virá a seguir.
E tratou de me evidenciar a sua disponibilidade para um depois, para a manutenção de um laço que se criou com base naquilo que somos e damos a conhecer aqui mais do que em qualquer outra condição (por inerência do strip psicológico a que nos submetemos).
Por contraponto, outras amigas e amigos blogueiros deixaram cair o meu nick (e o meu nome) ao primeiro precalço que o nosso desacerto pontual provocou.

Confesso que não alimento grandes esperanças no futuro das minhas ligações nascidas deste meio, as mais como as menos próximas, pois a estatística não me deixa hipóteses de sonhar e a prática indica que só uma atitude consensual permite prolongar o "estado de graça" que se cria entre a maioria de nós. Basta olhar para os nicks de quem comentava o charco há uns meses atrás e compará-los com estes dias. Ou reparar nos emails que hoje me chegam (e que eu envio), por contraponto com os do passado recente (que em termos blogueiros equivale a uns anos atrás).
À mínima contrariedade, o fim. Mesmo quando não anunciado, apenas confirmado pela ausência de contacto a partir do momento desse "choque tecnológico" que quantas vezes não reflecte a essência das emoções mas apenas a inevitável má interpretação das palavras que nos definem a imagem junto das outras pessoas.
Os malentendidos na blogosfera são frequentes e liquidam muitas vezes aquilo que julgamos serem elos duradouros.

Por isso não sou optimista quanto ao que virá a seguir, mesmo considerando o gesto da amiga que hoje serviu de inspiração para a minha posta. Foi um sinal quase isolado, por parte de quem poderia seguir na boa o mesmo rumo de quem até hoje não me perdoou algum dos deslizes que cometi. E foram vários, considerando o figurino que acima tracei.
Isto leva-me a concluir que as amizades nascidas na blogosfera não possuem a consistência das outras, duram menos e cedem com maior facilidade aos conflitos e às ausências de uma visita de cortesia.
Tu, a quem agradeço a diferença, foste a excepção a duas regras de ouro nestas andanças.

Na blogosfera, quem não aparece esquece.
E quem tropeça nunca mais se levanta.

Publicado por sharkinho às novembro 23, 2005 10:08 AM

Comentários

Acho que as relações, aqui como "lá fora", são o que ambas as partes quiserem fazer delas (e deixa-me ir trabalhar, que este comentário é a excepção à regra e o tempo para blogar é mais do que curto por estes dias).

Publicado por: Zu às novembro 23, 2005 10:36 AM

Amores e amizades à distância não sobrevivem, mas há excepções que felizmente confirmam a regra... Acho que as ligações que vamos estabelecendo neste meio não têm necessariamente que evoluir para outra coia. Contam mais as palavras, as emoções, uma fotografia que se escolhe para mostrar, e não as outras coisas que normalmente dominam as relações tradicionais. É certo que falta o olhar, o mexer das mãos, a forma de rir, mas talvez não falte e seja mesmo suposto ser assim...Que mania a nossa de transformar tudo!!!

Publicado por: Sofia às novembro 23, 2005 11:18 AM

Sharkinho, não sei se será obrigatoriamente assim. Há alguns anos que frequento um fórum de futebol (já fui mais assíduo) em que se foram criando alguns encontros com direito a peladinha e jantar. O ambiente foi tão bom que actualmente o modelo de encontro já é um fim-de-semana inteiro. Na ultima iniciativa estivemos em Seia. Utilizadores do fórum (masculinos e femininos, apesar de ser futebol) e muitas das namoradas(os)/mulheres/maridos.
O ponto interessante: alguns dos utilizadores que já abandonaram o fórum, continuam ligados a nós (via e-mail, MSN...) e fazem questão de integrar estes encontros! Depois há também os casos de maior proximidade geográfica. Nestes casos sei de malta que já combina futebol e estende o convite ao outro, malta que almoça regularmente...

Não é um exemplo da blogoesfera em si, mas julgo que o modelo é semelhante.

Saudações

Publicado por: Carriço às novembro 23, 2005 11:29 AM

Shak, nem sempre quem te lê comenta e às vezes quem comenta não te lê (vai lendo...). Quero dizer com isto que provavelmente as coisas não são tão lineares assim.
Consigo perceber a ideia de que tudo tem um princípio e um fim, no entanto não consigo entender esta nova "moda" de se fecharem blogs. Há um ano atrás foi a grande explosão, agora parece que todos ficaram cansados, sem imaginação, aborrecidos, sem tempo e eu sei lá que mais...
Perco um pouco de tempo nas minhas rondas blogueiras, mas ganho sorrisos, desadormeço sentimentos, participo em sonhos e realidade... admito que eu própria nunca tive vontade de ter o meu blog, mas fico triste de cada vez que nos meus favoritos, mais uma tasca ou fecha as portas ou simplesmente é abandonada.

Publicado por: Lurdes às novembro 23, 2005 11:46 AM

Queria eu começar, obviamente, com Shark.

Publicado por: Lurdes às novembro 23, 2005 11:47 AM

ups! Obviamente o meu testamento começa por Shark.

Publicado por: Lurdes às novembro 23, 2005 11:49 AM

Lindo, agora repeti-me. Sorry, problemas técnicos...

Publicado por: Lurdes às novembro 23, 2005 11:50 AM

(Estás a ler a Lurdes?...)
Com este teu anúncio de despedida calam-se-me as palavras.
Nada podemos fazer que te demova ao que quer que tenhas decidido (dito num encolher de ombros cheio de resignação)
Vou ficar com pena - claro que sim
(apetece-me ir aos aquivos procurar as tuas postas que mais pareciam salas de conversa)
Já não se conversa como dantes, e daí?
As visitas não são as mesmas, e daí? (pode ser que mais pessoas tenham voltado ao trabalho ou encontrado novos empregos)
Outras continuam - já viste que este tasco não está às moscas?
É verdade que a vida continua e acontece longe do computador, mas também é certo que passamos boa parte do tempo anexados a uma coisa destas...
Pegando na tua imagem - não te irá faltar o login de todos os dias?
e as pessoas (tantas vezes disseste que gostavas de pessoas), não irás estranhar o aparecer de alguém novo numa caixinha de comentários?
Por mim, sabes onde me encontrar :)
Beijocas Tubarão

Publicado por: sofia às novembro 23, 2005 11:56 AM

Óh meu amigo Sharky, se tropeçares, cá estarei eu para te dar uma mão (ainda que virtual). Mas atendendo que percebes disto mais do que eu, certamente não precisarás. Até já te mandei um tobarãozinho a dar a bolinha ao dono. Numa coisa tens razão: «Na blogosfera, quem não aparece esquece.» Eu que o diga, se não vou lá, eles também não vêm ao meu. Coisas da blogosfera! É a partilha meu amigo a funcionar, ou seja, receber com uma mão e dar com a outra. Um abraço.

Publicado por: soslayo às novembro 23, 2005 12:10 PM

Olá!
O meu gesto, foi espontâneo.
Percebi, que no que te escrevia, revelava alguma friesa, que não sinto, talvez até algum distanciamento... que também, não sinto.

Achei que to devia dizer de viva voz. Que o timbre, seria mais honesto, do que as mesmas palavras escritas...

Enquanto não se dão rostos, nem nomes, nem vozes, nem abraços, as entoações e as expressões são fruto da nossa imaginação... a pouco e pouco criam-se laços... e os laços são criados, na base da aceitação mutua...

O que eu conheço de ti! Gosto!

Posso votar contra esta ou aquela opção, TUA, que me envolva a mim... Mas, esse facto não quer dizer, que não te goste, nem te respeite.

De algum modo tens razão... Existem amizades que se criaram por aqui (ou que criei) e que acabaram por se afastar de todo...

Fui atrás! Telefonei, procurei, mensagem... escrevi, e-mailei... enfim... se o feed-back, acaba por se esgotar... esgota-se...

Talvez porque o entusiasmo, aqui seja mais rápido... o afastamento, também o acabe por ser... Mas, só o é, se as pessoas quiserem...

"És responsável, para todo o sempre, por quem cativaste!" E se queres ir embora, vai. Mas, até eu perceber, como se fosse muuuiiito burra, não se safas com essa facilidade toda.

Jocas

Publicado por: Eu às novembro 23, 2005 12:25 PM

Julgo que as relações aqui são mais frágeis que na vida real. Com honrosas excepções como é, aliás, normal também na vida real.
E a fragilidade tem a ver, precisamente, com a questão da confiança que mencionas.
É indesmentível que não nos podemos considerar os melhores amigos do mundo de alguém de quem apenas lemos textos que nos provocam emoções. Tal como não o fazemos em relação a alguém com quem tomamos uns cafés ou bebemos uns copos. A diferença é que, porque aqui nos expomos como não o fazemos à mesa de café, temos a tendência para pensar que conhecemos o íntimo do outro como se fosse de toda uma vida. E não é verdade.

A amizade a sério é desinteressada, requer tempo, repetição, persistência, paciência encontros e desencontros.
E não acontece no período de uma relação blogueira. Poderá ter início por aqui, sem dúvida, mas só se transformará em amizade se sobreviver aos factores que refiro. Se durar o tempo suficiente para isso, fora da vertente virtual, ou seja, ao vivo e a cores.
Supondo que é isso que as pessoas procuram aqui. Pois também pode acontecer, como diz a Sofia, que quem frequenta a blogosfera não pretenda criar amizades de carne e osso mas tão só procurar a poesia das palavras. ;-)

Publicado por: Mar às novembro 23, 2005 01:29 PM

Concordo inteiramente com este comentário da Mar, nas duas vertentes que aborda:

"não nos podemos considerar os melhores amigos do mundo de alguém de quem apenas lemos textos ... temos a tendência para pensar que conhecemos o íntimo do outro como se fosse de toda uma vida. E não é verdade"

"pode acontecer... que quem frequenta a blogosfera não pretenda criar amizades de carne e osso mas tão só procurar a poesia das palavras"

Ou como tantas vezes se repete: "um blogue é apenas um blogue", e se é verdade que é escrito por alguém, isso nunca lhe dará a genuinidade suficiente para que possamos confundi-lo com quem o escreve. Aliás, as palavras, e sobretudo as escritas, são o que são, talvez a parte visivel de quem as escreve, talvez nem isso.

Shark, não gosto do teu countdown, e teria muita pena se o visse chegar a "- 0". Não gosto de nada que marque o ritmo de uma despedida. E não gosto de pensar que fechas o teu blogue por desilusões (se for o caso) que tens com algum(uns) blogger(s). Porque um blogue é acima de tudo um jardim que cultivamos de nós, não tem sentido deixá-lo ao abandono porque nas cercanias do mesmo alguém decidiu plantar cravos ou rosas. Um blogue é um espaço individual, solitário também (por mais audiência que tenha), que deve estar imune ao que os outros pensam, ou acham, ou dizem, ou fazem. Mas isto sou eu a achar, do lado de fora, das cercanias, e isso vale o pouco que vale.

Publicado por: Eufigénio às novembro 23, 2005 02:24 PM

Gostei do teu comentário "à Cap", Zu. E espero que isso se traduza em algo de concreto no futuro que nos estiver reservado.

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 02:36 PM

Há excepções à regra em tudo, Sofia. E apesar do meu estilo de escrita (e de discurso) sempre tão cheios de certezas absolutas, não são raras as vezes em que dou o braço a torcer nas minhas conclusões precipitadas.
Ainda assim, não dispenso o contacto com os olhos de alguém numa relação séria.
E essa sede de transformação faz parte da ambição que é o motor da maior parte das realizações humanas... :)

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 02:45 PM

Carriço, nem imaginas o quanto me agrada o contraponto da tua perspectiva. Eu baseio muito do que digo na minha experiência pessoal. E tenho um feitio difícil que dá cabo das estatísticas mais bem intencionadas... :)
Mas a minha vontade é manter a fé. E o teu ponto de vista contribui para isso mesmo.
Abraço do esqualo.

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 02:48 PM

Ò Lurdes, não há fome que não dê em fartura! :)
Tu, que és presença muito ocasional em matéria de comentários - apesar de os mesmos provarem que és uma habitué do charco, primaste hoje pela quantidade (também).
Eu tenho mais motivos para me desiludir comigo próprio do que com os outros. Isto não se aplica só à blogosfera.
Se pondero a minha saida, isso deve-se à soma de desilusões que dei com as que me suscitaram (algumas bastante questionáveis, quando as repenso). E por outros factores alheios à realidade que se bloga.
Ainda não sinto esgotados os motivos de interesse desta via de comunicação, pelo que não é de cansaço que se trata.
É mais uma questão de relação custo/benefício...

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 02:55 PM

Bom dia,
Perdes-te muitos dos teus amigos virtuais que descobriram que finalmente és um ser humano como os outros e os que te aceitam assim humano como todos nos ainda estão aqui contigo.
O mais fácil é fazer um outro blog com um nik anónimo e procurar outros amigos virtuais que também partirão a primeira contrariedade, o mais difícil é ficar aqui com estes que te dão uma verdadeira amizade e que estão presentes cada vez que tens duvidas.
Sou democrata respeitoso das liberdades individuais e da livre escolha, recebeste-me aqui com as minhas diferenças a palavra amizade só tem um sentido para mim, neste blogou no meu émail podes contar comigo.
A@+
PS. Espero que seja compreensível escrevo numa língua que não é minha.

Publicado por: Manu às novembro 23, 2005 03:06 PM

Sofia d'O Tecto: eu não me queixo desse tipo de indicadores, pá.
O charco tem hoje o dobro das visitas desses tempos de chatblogue e a meu ver tem comentários muito mais empenhados (como os desta posta comprovam) do que a simples "visita de cortesia" a que fiz alusão.
O que está em causa é o "sumo" disto tudo, que depois de espremido deixa muitas impurezas no espremedor e pouco líquido no copo...
Nisso assumo a minha quota de culpas no cartório e por isso me incluo num dos problemas a expurgar.
Mas nada é definitivo neste mundo virtual, eu já antes encerrei blogues (três, vê tu bem) e já saí de um outro.
E cá estou, até ver... ;)

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 03:09 PM

Olá Sharky,
O teu blogue é quase uma mesa de café... o pessoal senta-se aqui à conversa... que hoje está sol e tudo... e tu... tu és a mesa, as cadeiras o ambiente e etc...
E é fixe, estar aqui. Eu pelo menos sinto-me bem nesta casa...
E é desconfortável, perceber que alguém se despede... Mas as opções são sempre tuas... e aqui a Je... respeita... desde que não te pires... :-)

Jocas

Publicado por: Partilhas às novembro 23, 2005 03:09 PM

Obrigado, Soslayo, pela mão virtual que me estendes.
Mas olha que não concordo mesmo nada com essa política da etiqueta blogueira. Quem gosta (e quem não gosta) do que digo ou escrevo não pode condicionar a sua presença aqui pela minha retribuição.
Esse tipo de cenas só contribui para a tal criação de circuitos fechados que não levam ninguém a lado algum.
Obrigado pelo tubarão, mas estou sem poder abri-lo por causa de um bicharoco que se instalou no meu portátil...

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 03:18 PM

Ò "Eu" (posso tratar-te por "tu"? :): todas as hipóteses ficam em aberto pois só os burros não mudam de opinião e muitas decisões são tomadas em função de conjunturas. E estas alteram-se, mesmo para os burros mais teimosos...
Daí eu ter optado por um processo gradual de adaptação (e ponderação) aos passos a seguir. Enquanto avanço nesse processo, reflicto convosco os prós e os contras de qualquer rumo a tomar.
Obrigado mais uma vez pelo teu contacto, amiga!

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 03:25 PM

sharkinho,

sempre que aqui venho, confesso, raramente me sento à mesa à conversa, vou direito ao balcão, tomo a bica em pé e saio a correr. Mas não deixo vir ao charco.

abraço

Publicado por: gibel às novembro 23, 2005 03:28 PM

Meu elemento natural, as tuas palavras podiam ser as minhas. Temos sem dúvida muitas sintonias nesta matéria (como noutras), embora eu tenha sempre revelado um grau de desconfiança muito superior ao teu quanto a quem de mim se aproxima (mesmo de forma virtual). E isto sem negligenciar o facto de eu ter a noção de que também não sou um inocente ou um santo.

Claro que existem os que procuram apenas a poesia das palavras (e os que têm que se contentar apenas com estas), mas eu refiro-me aos que vão mais além e depois "arrecuam" ou simplesmente desaparecem de cena como se nada se tivesse passado...
Beijo, sócia.


Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 03:36 PM

Eufigénio, eu sempre dei muita relevância às tuas opiniões e o charco comprova-o pela proliferação de linques para as tuas palavras.
Até me estreei nos trackbacks aqui há dias com uma posta tua... :)
E agora que engraxei devidamente a minha resposta, e dado que concordei com a Mar e tu concordas com ela e assim estamos os três de acordo, passo à segunda parte do teu comentário: a da contagem.
Tu já me conheces no lado mais perturbador da minha faceta que bloga. É essa acima de tudo que me leva a ponderar a saída, antes que provoque danos irreversíveis à minha imagem que na blogosfera não deveria, por princípio, ser diferente da que mantenho fora dela.
Mas é, em muitos aspectos, e isso desagrada-me pois esforço-me por reflectir no que escrevo a essência do que sou (mesmo oferecendo de bandeja os pretextos para me denegrirem depois).
E é nesse pressuposto que me desgosta descobrir que não é assim que a coisa funciona e que existem mesmo erros de palmatória na interpretação do que acontece neste domínio virtual.
Além de ser confuso para um gajo com a perspicácia de um rochedo, é frustrante na óptica de um gajo que preza as relações intensas e sólidas.
Para mim um blogue não é só um blogue. E esse é talvez o maior dos meus equívocos.

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 03:51 PM

Manu, as tuas palavras são claras e as ideias também.
Mas nota que da mesma forma que tenho tido a sorte de acolher aqui pessoas de boa onda como tu, já tive a minha conta de desgostos sérios à conta deste blogue e descobri a vulnerabilidade da exposição.
Suspeito até que o excesso de contacto com a blogosfera produz alterações no feitio de algumas pessoas. Já vi acontecer noutros e sinto que me tem acontecido em ocasiões esporádicas.
E o fenómeno estende-se aos danos que pode provocar, no excesso, pela interferência na nossa vida pessoal e profissional.
As minhas contrapartidas são as pessoas e as suas reacções. E nem todas são como tu.
Quando ainda por cima me vejo na origem de reacções negativas de quem me estima, é normal que questione a validade da minha intervenção. Na blogosfera também...

Abraço, rapaz!

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 04:05 PM

Partilhas, obrigado pelos teus elogios à minha performance na indústria hoteleira.
É assim que vejo o charco e por isso mesmo não consegui abdicar deste espaço nobre que é a caixa de comentários, apesar de saber que isso me preservaria dos ataques continuados de quem me quer mal no mundo "lá fora" e neste que (re)criamos todos os dias.
Como disse à Sofia (d'O Tecto), sou um burro muito flexível (quase vira-casacas). Por outro lado, reajo a certos estímulos como um boi quando é picado (passe o exagero da comparação).
E há a vida a gritar-me para que deixe de me expor onde as fraquezas do sistema me tornam mais vulnerável...

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 04:12 PM

Desde que pagues sempre a despesa, Gibel, não levo a mal que saias à pressa... :)
E, como calculas, por motivos de índole saudosista e emocional é sempre um prazer para mim constatar que aqui deixas umas palavrinhas.
Abraço, amigo aphixador.

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 04:18 PM

O "sumo" é "problema das laranjas" - andam secas, algumas tipo palha!
Mas tem chovido muito, vais ver, logo logo passa.
Beijinho Tubarão
(e só tu para me fazeres parar o trabalho que hoje tá de doidos)
E fico contente por saber :)

Publicado por: sofia às novembro 23, 2005 05:01 PM

Por acaso ou talvez não, é um assunto que por vezes me faz pensar, coisa rara, há de aproveitar a onda. E penso nisto: conheço A, B e C, D, E e F posso vir a conhecer. Com A, B e C criei laços que extravasaram o virtual mas q de alguma forma estão condicionados pelo suporte que lhes deu origem. Pq é a net e os blogs q serve de elo entre nós, uns que estão pr'ó sul, outros no norte, outros algures por aí.
E se eu fechar o pc e deixar de cá vir durante uma dúzia de fins de semana o que fica? Este lugar virtual é um lugar. Esta terra de ninguém é um lugar e eu sei que se a maior parte das pessoas fechar os blogs, a minha blogosfera vai ser diferente. Ou até inexistir. Às vezes até posso estar semanas e dias sem lá ir mas sei q estão lá. Mas se deixarem de existir os blogs, as pessoa q os suportam deixam de fazer sentido, não é?...Acho mto difícil manter-se uma amizade que não tem elos palpáveis e a blogosfera é um elo. Virtual, mas é um elo. E além disso, a virtualidade torna tudo isto das relações mais efémero e dramático. E volátil. Viver um dia de cada vez. Já falei nisto mas estas palavras tocam-me sempre, ditas por uma pessoa amiga antes de imaginar q morrerria cedo: 'Só se vive uma vez mas se a vida for bem vivida uma vez basta'.
Ou seja, não vale a pena criarmos guerras, antecipar cenários, pensar mto no amanhã. De repente tudo pode ficar em causa. Por isso, carpe diem, hoje estamos aqui, amanhã logo se vê.
Sei, ao mesmo tempo, que as conversas q tive, os olhares q troquei, as cumplicidades e as indiferenças q gerei (estas não contam :p) não estão esquecidas, repousam num canto vivo da memória, da minha memória dos dias.
E a net é só uma parte de muita gente a quem disse adeus com um sorriso.

Publicado por: vague às novembro 23, 2005 05:48 PM

Sofia, concordo com o teu 1º comentário deste post. Não li os outros, mas fica desde já assente o meu apoio :)

Publicado por: vague às novembro 23, 2005 05:50 PM

Manu, "PS. Espero que seja compreensível escrevo numa língua que não é minha." Não exageres... Aposto que a tua língua materna é a língua portuguesa.

Publicado por: claudia às novembro 23, 2005 05:53 PM

Mar e Eufigénio, concordo convosco também.


Shark, vais mesmo fechar o blog?
A gente há-de ver-se por aí, mas desenquadrados dos blogs, onde nos enquadramos/encontramos?
Ora, nem vale a pena responder. O q for soará e assim me rendo a uma certa ideia de destino...:)

Publicado por: vague às novembro 23, 2005 05:59 PM

Ah ele é isso? Julgas que se fecha assim um estabelecimento de qualquer maneira?...Ora deixaláver se alcanço ali o código comercial e a directiva europeia sobre deslocalizações...título III...capítulo II...subsecção A...artigo 333.º...ora cá está, bem me parecia: há lugar a indemnização de clientela calculada sobre uma fórmula algorítmica cujos factores não alcanço de imediato..mmmmhhhh...olha! é fazer a conta! Mas não é barato!

Publicado por: gibel às novembro 23, 2005 06:16 PM

gibel: lol

Publicado por: claudia às novembro 23, 2005 06:19 PM

Vague: a ideia de fechar este blogue ganhou corpo devido a uma série de conclusões que me vi forçado a extrair, mais uma série de problemas com que a vida me confrontou nesta altura.
Nota: nesta altura. Daí eu ter enveredado por esta forma progressiva de caminhar para o fim, a ver se algo se altera na conjuntura que me permita mudar de opinião.
E quando (se) chegarmos a esse dia do fecho, a vida continua! :)

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 07:09 PM

Gibel: lol e relol!

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 07:10 PM

As laranjas transformaram-se em limões, sofia... :)

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 07:12 PM

Parece que o (um dos) teu(s) mal(es) é a tua extrema fertilidade em matéria de conclusões a inglesa (=jump into conclusions; vê o teu comentário das 7:09). Extrais conclusões como os dentistas brasileiros extraem dentes. :)

E antes que isto se transforme num comentário à la Vague: ainda bem que fazes referência a mails recebidos e enviados...

Publicado por: tu sabes que eu sei que tu sabes quem sou às novembro 23, 2005 07:46 PM

Eu também concordo comigo e com o Eufigénio e contigo, Shark e com a Vague Maria. ;-)
(achei que ficava bem, assim na onda dos enigmas e tal...)LOL!

Publicado por: Mar às novembro 23, 2005 08:13 PM

E eu a pensar que a contagem decrescente anunciava o nu integral. Enfim, paciência!
Abraço

Publicado por: PN às novembro 23, 2005 08:17 PM

Eu sei que tu sabes que eu topo-te a léguas. E também sei que sabes que os emails são a minha cruz, a par do meu instinto natural para lhes saltar pra cima (das conclusions).
Mas não sei se sabes que tenho, como já referi, a perspicácia de um rochedo (eu sei que te ocorreu a expressão "calhau").
Mereço por isso uma obturação sem analgésico. Ao ritmo do samba.
Eu sei que o que eu sei já a ti esqueceu. :)

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 11:38 PM

Um mar de mistérios, sócia. ;)
Que hoje não fique ninguém embuçado nesta sala.

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 11:40 PM

Ò PN, não tás farto de reprises?

Publicado por: sharkinho às novembro 23, 2005 11:41 PM

olha que o gibel tem razão. tu vê lá o que fazes, olha que o gajo sabe de leis e nunca nunca nunca mentiria numa questão desta importância.

Publicado por: susana às novembro 24, 2005 12:23 AM

Dá que pensar, Susana. Lá isso...

Publicado por: sharkinho às novembro 24, 2005 12:25 AM

'Comentários à la Vague'


é registered trade mark :)

Com todo o gosto, paciência e despaciência que a vida me dá :)


Publicado por: vague às novembro 24, 2005 10:20 AM

Amigo Shark,

Não têm sido muito 'disponíveis' estes dias por razões que podes imaginar (boas razões!...).

E, porque, 'de vez em quando', também é preciso trabalhar, e o tempo (a eterna desculpa) não estica, não tenho conseguido acompanhar e participar em tudo o que gostaria.

Já ficou um pouco lá para cima, mas concordo bastante com o comentário da Mar (23/11, 1:29 pm): a blogosfera é um (muito bom) ponto de partida para amizades mais reais, para além do espaço virtual.

Para além disso (da 'bioesfera'), sabes que gostava de poder continuar a visitar-te diariamente por aqui.

Queria dizer-te também que - com a tua colaboração - sinto reforçada a confiança de ser capaz de continuar a participar no desenvolvimento de projectos que muito acarinhamos.

Um abraço!

Publicado por: Leonel Vicente às novembro 25, 2005 08:27 AM

Conta comigo na colaboração necessária, Leonel.
E ainda vou ficar por aqui mais uns tempos, para contrariar os que me querem ver fora... :)
Um abraço para ti também e tem como certas notícias minhas ao longo destes dias, rapaz.

Publicado por: sharkinho às novembro 25, 2005 09:05 AM

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