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novembro 30, 2005
A POSTA ADITIVA
Foto: sharkinho
Talvez pudesse ter sido de outra forma, claro. Seria diferente, não necessariamente para melhor. Nunca sabemos se uma opção alternativa traria resultados mais convenientes, apenas especulamos. E por isso mesmo é estúpido interrogarmos a validade das decisões à posteriori.
Tomaram-se, estão tomadas. Bute e venham de lá as consequências da responsabilidade que se assumiu para podermos decidir, mal ou bem, outra vez. Talvez melhor, pois contamos já com a avaliação do que presumimos ter sido um erro e orientamos as coisas em função de não o repetir.
O problema está no impacto das alterações necessárias. Mesmo quando visam fazer melhor o que estava aparentemente mal feito, provocam a natural reacção (alérgica) à mudança de que a maioria padece. É diferente, é desconhecido. Logo, é mau.
Isto a propósito de quase tudo. É este raciocínio que não adia as decisões determinantes mas atrapalha carradas de decisões que não interessam nem ao Menino Jesus. Valha-nos esse benefício. Porque de resto só complicamos o que é fácil à partida, avançar sem medos e com alguma ponderação. Pensar com o coração e submeter o resultado à apreciação da carola, para evitar o trapézio sem rede. Viver depois com o resultado das nossas opções e somar mais um grão à nossa infinda fuga à ignorância original.
O saber de experiência feito, calo no cu do macaco, gato escaldado e essas merdas. Maturidade e tarimba que a vida nos proporciona a cada esquina da nossa imperfeição combatida às cegas, sob os falsos pressupostos de uma educação cheia de equívocos e de castrações.
Mas antes de adquirirmos essa sageza, governamos a vida sob perspectivas menos avisadas.
Tudo isto para partilhar convosco uma conclusão.
Se fosse hoje fazia da mesma maneira.
Publicado por sharkinho às 09:12 AM
novembro 29, 2005
A POSTA NA FOTOGRAFIA VI
Empresa austríaca. Não sei de que ramo, pois não tive tempo para ler o resto...
Porque o saber não ocupa lugar.
Publicado por sharkinho às 05:31 PM | Comentários (4)
A POSTA NO DEVIDO LUGAR
É possível afastar de nós as pessoas por estimá-las (ou amá-las) demais. Soa paradoxal, mas não é. O excesso de dedicação confunde-se num instante com um impulso para a obsessão e tendemos a "abafar" o outro, guiados pelo medo da perda (instinto de posse), o inevitável egoísmo (chamemos-lhe ciúme) mais a onda paternalista tradicional. O outro sente-se manietado, sufocado e tratado como um imbecil sem vontade própria.
Eu sou uma dessas pessoas que insistem em forçar a barra dos que o rodeiam com uma estranha manifestação de excesso de zelo. E isto também se reflecte num elevar da fasquia que torna insuportável o nível de exigência que imponho a quem está próximo. Vale-me apenas o esforço de compensação que a minha entrega traduz, na amizade como no amor, embora nem sempre se revele um trunfo capaz enquanto moeda de troca.
Há quem lhe chame "personalidade forte", mas eu não lhe reconheço essa força nas fraquezas que suscita. Nos resultados finais. Porque afasto os outros como me afasto de mim. Forte é uma personalidade equilibrada, com espaço de manobra, flexível. Que sustente uma atitude em conformidade com o que os outros precisam em dado instante, disponível e generosa, sem pressões ou exigências estapafúrdias. À medida das necessidades que todos precisamos suprir.
Essa é a pessoa que eu gostava de ser, à altura. E isto não implica que me considere menos digno seja do que for em relação aos que me rodeiam, é o reconhecimento de uma debilidade na minha estrutura. Uma fraqueza que gostaria de eliminar, por na prática contrariar a ânsia que exibo por ser um gajo do agrado geral. E do meu.
O tal tipo porreiro que sempre me quis afirmar.
Deixa mazelas, a constatação de que somos diferentes daquilo que temos por "padrão" da nossa conduta, da nossa essência e do impacto da nossa presença na vida dos outros. Diferentes para pior, quando constatamos que afinal o inferno das nossas boas intenções mede-se pela distância a que os tais outros (que nos servem de "barómetro") se colocam para se salvaguardarem de nós. Pela prudência e pela saturação. Não existe volta a dar, é mesmo assim.
Defeitos e virtudes na balança. E o peso (o equilíbrio) determina-se pelo tipo de relações que fomentamos, pelo cariz das reacções que suscitamos, pela bitola que nos avalia do lado de fora da nossa vontade e da nossa convicção.
Os factos que nos entram pelos olhos e pela alma, quando a visão é aguçada e a lucidez não perdoa.
A blogosfera, como o resto da vida, obrigou-me a reequacionar uma porradona de ideias (pressupostos) que tinha por dados adquiridos na versão cristalizada do homem que sou (que acreditava ser) e dos outros (como os idealizava). No que me respeita e no que concerne ao meu papel na vida de terceiros.
Talvez consiga um dia ser uma pessoa melhor, mais consonante com o perfil que vestiria (na minha ambição) o conjunto de características que me compõem, com base neste ponto de partida tão bom como outro qualquer. Nas conquistas e nas perdas, nas expectativas e nas desilusões (os outros também erram). Na contabilidade fria e racional do mérito que me assistiu e do demérito que os factos não permitem desmentir. Na análise distanciada dos meus (d)efeitos nas intervenções que produzi e nas suas consequências à vista desarmada.
Nas contrapartidas que não consigo descortinar para a minha forma de encarar as coisas e de agir em consonância com o que me julgo, com o que me sentem e com aquilo que na verdade sou.
Sou um gajo decente mas com muita merda por expurgar.
Sou, no final das contas, um homem vulgar.
Publicado por sharkinho às 11:18 AM
novembro 28, 2005
CONTAGEM DECRESCENTE - 6
Há coisas que não me fazem falta. Enxovalhos, por exemplo. Desconsiderações, desgostos, desilusões, essas merdas todas que dão cabo do humor a uma pessoa. Não fazem falta.
Por isso, nunca deixo de tomar as atitudes necessárias para me poupar a esse tipo de contratempos. A vida é curta e um gajo não pode desperdiçar tempo com situações frustrantes e com confirmações desgastantes que só servem para nos dar cabo do astral.
A decisão é fácil e a atitude está tomada.
Renovo os votos de uma excelente semana.
Publicado por sharkinho às 04:34 PM
A POSTA COOL
Sentido de oportunidade.
Foto: sharkinho
Uma boa semana fresquinha para todos(as)!
Publicado por sharkinho às 09:15 AM
novembro 27, 2005
MESMO AO PÉ
Foto: sharkinho
Sentado numa rocha diante do mar e do céu de inverno encontro tudo quanto preciso para estar próximo de mim.
É esse o meu ideal de solidão temporária, de momento e de cenário perfeitos para a introspecção.
Nas forças combinadas desses espaços onde a liberdade se anuncia poderosa está a energia que me alimenta. Na parede de rocha que me serve de chão está a solidez que ambiciono, a sensação de terra firme onde assento as certezas e saboreio as emoções.
Estou eu.
Sou eu, ali. Recortado num horizonte feroz, vestido de preto, mal distinto do cinzento em que me quero fundir. Bebendo das ondas que conquistam a terra, aos poucos, em pancadas de fúria que soam como trovões, a determinação e a confiança. Sorvendo das nuvens que conquistam o céu, aos flocos, em mantos de chuva que abafam o sol, a inspiração e a segurança.
Mais a rebeldia inerente e a teimosia latente destas forças da natureza que me falam de mim. Que me ensinam o que falta saber porque me falam ao coração como à cabeça, a amizade e o amor, conjugados numa mensagem de coragem (na vontade) e de comunhão (na pertença). De partilha sem perda da essência que nos faz e nos aproxima, sem perguntas nem explicações. O calor da minha luz no torpor de um dia frio.
Apenas eu. Mais o mar e o céu. E as sensações de arrepio.
Sentado num dia de inverno na orla escarpada da Boca do Inferno.
Publicado por sharkinho às 06:30 PM
CONTAGEM DECRESCENTE - 6 1/2
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Obrigado pelo convite gentil que o teu sms corporizou.
Já lá fui e gostei.
Mas não imagino quando voltarei.
Raramente me atormentam as cefaleias.
Votos do maior sucesso ao colectivo e até sempre, João.
--/ /--

(CANCELADO)
Publicado por sharkinho às 05:55 PM
novembro 26, 2005
MAIS DO MESMO
Aos poucos, a vida liberta-me dos engulhos e devolve-me aquilo de que me privou noutros períodos menos bons.
Como se tudo no universo se conjugasse para devolver o equilíbrio a todas as coisas, como se existisse de facto uma força superior que nos organiza a existência com moedas de troca que funcionam quase como uma lei das compensações.
Ganhos e perdas, equilibrados na balança. Na vida que dança ao ritmo das alíneas escondidas na pauta que firma o tom do contrato, talvez assinado por um Deus. A obra do acaso que nos desvenda o passo seguinte do plano concebido para cada um. Predestinação. Ou outra coisa qualquer que nos empurra para o momento da decisão que transforma as que virão a seguir.
Causa efeito Nas consequências que conseguimos explicar, nas coincidências que nos fazem interrogar quem manda afinal no caminho que percorremos. E quando morremos?
Quem aponta no calendário o dia em que soltamos a última das inspirações que nos estavam destinadas, peito cheio para as despedidas possíveis num suspiro final?
De uma irrelevância total, a quem devo agradecer as benesses concedidas ou praguejar as tristezas sofridas. Existe um deus em cada um de nós, mais o demónio que nem sempre conseguimos exorcizar. Acertam-se as contas no fim, com toda a certeza. E a vida é uma beleza quando a sabemos apreciar.
Não vale muito a pena pensar. Pelo menos, demais...
Ninguém anota as lágrimas que chorámos e as gargalhadas que deixámos por soltar. Somos nós a avaliar. Mais ninguém se interessará, na terra como no céu, pelos pecados que cometemos ou pelas orações que esquecemos na hora de deitar. Demasiada importância a questões de pormenor. Interessa-nos o amor.
E as histórias que temos para nos contar. As memórias que nos revelam como um espelho o que a nossa existência rendeu.
Um homem como eu não aceita as contas de sumir. A aritmética para rir, ao longo de uma aprendizagem que é feita de adições. O produto das emoções, dividido pelo tempo concedido pelo Criador (havendo um). A média do interesse que a vida nos despertou, a nossa presença no tempo de quem nos amou. Coisas que interessam ao objectivo primordial: que tenha valido a pena pela entrega total de que a vida se fez.
A uma amizade regressada e a um amor que se redescobriu, brindo com um beijo nos lábios do copo que deixo vazio.
E agarro a botelha pelo gargalo. Outra vez.
Publicado por sharkinho às 08:44 PM | Comentários (12)
A POSTA NA FOTOGRAFIA V
Foto: sharkinho
Contra ventos e marés. Quase um ano depois.
Publicado por sharkinho às 04:45 PM | Comentários (2)
novembro 25, 2005
FEIOS E PORCOS E MAUS

Este não é, nem pode ser, um tema agradável. Convivi com o fenómeno até aos treze anos de idade, altura em que consegui impor pela força o fim de algo a que quis poupar uma irmã mais nova por quem me preocupava nessa altura.
A violência doméstica é um pesadelo sem sentido, é uma exibição grotesca de selvajaria com palco no que deveria ser um santuário para qualquer pessoa: a sua própria casa.
Na esmagadora maioria dos casos são mulheres as vítimas. Isto explica-se pelas abjectas questões ditas culturais (a educação que "os" perdoa), pela escassez de opções de quem sofre às mãos de um algoz "da casa" e, santa paciência, pela lei da selva onde o mais forte impõe esta regra medonha à bruta. Uma cobardia, sob qualquer prisma. E uma indignidade também, mesmo que de violência psicológica se trate.
A dor de quem se vê refém de um filme assim não se mede pelo teor das sevícias praticadas. Violência é violência e o resto são tretas.
Já falei neste espaço acerca do martírio que hoje está na ordem do dia. Aumentam os casos reportados às autoridades e mesmo que isso reflicta apenas o facto de mais gente avançar com a imprescindível denúncia, é uma estatística que nos envergonha em pleno século XXI.
Não há atenuantes para a violência doméstica. A própria expressão engloba o quão nojenta se revela esta manifestação de instintos pré-históricos por parte de alguns neandertais cujo lugar adequado é uma cela. Ou, perdoem-me a franqueza, uma cama de hospital (tá bem, pode ser no Miguel Bombarda...).
Insisto nesta tecla porque nunca é demais apontar o dedo às vergonhas e chamá-las pelos nomes, para que nenhum bandalho se consiga sentir mais macho por dominar a murro a sua companheira (e/ou o resto da família). É assim a realidade nua e crua e não existem paninhos quentes que a pintem de um tom menos hostil.
Este ano já morreram mais de trinta mulheres às mãos dos seus carrascos cruéis. Mais de trinta. As que morreram, pois as queixas são às centenas e os silêncios representam milhares.
É um problema, é uma vergonha. E tem que acabar, de uma vez por todas.
Publicado por sharkinho às 09:29 AM | Comentários (28)
novembro 24, 2005
A POSTA NA LUBRIFICAÇÃO

Depois de semanas, meses, a encontrar na caixa do correio os folhetos do costume (hipermercados, serralharias, excursões com oferta de tupperware e aparelhos auditivos grátis), foi com agrado que deparei com a apresentação cor-de-rosa da Erosfarma Intimidades.
Como o nome indica, esta empresa está vocacionada para o mercado do prazer. De resto, a foto de uma jovem esbelta com a mão na anca e expressão de actriz porno ladeando a linha completa de massajadores, lubrificantes e afins não deixa margem para dúvidas. "Prometemos melhorar a sua vida sexual!" Não fazem a coisa por menos.
Estou sempre receptivo às novidades nesta área, pois o progresso tecnológico faz antever verdadeiras revoluções na parafernália ao alcance dos(as) mais arrojados(as). E dos mais necessitados(as) também.
Por isso não juntei o folheto pink às recomendações da leopoldina para o Natal Comercial no cesto do lixo e decidi dar uma vista d'olhos (só para ver as ilustrações, claro) ao que a empresa (há 11 anos em Portugal - como é que eu não dei por isso?) propõe à vasta clientela potencial.
Logo à cabeça as Kraftdragees, as drageias da potência. O Zé, de Setúbal, another satisfied customer, refere que apesar de reformado ele e a Maria gostam de ter a sua vida sexual e pimba nas drageias que ligam o turbo e dão cabo do início de noite ao Chico e à Amélia do segundo direito que, lamentavelmente, afixaram o autocolante amarelo na caixa do correio e ficam assim privados da "extraordinária bomba de potência" que custa pouco mais de 14 euros. Uma pechincha.
Depois vêm as "super gotas" afrodisíacas que misturadas em qualquer bebida fazem com que uma pessoa não consiga deixar a "cama" (entre aspas, tão a ver?). Indicadas para diabéticos! Este artigo não me entusiasmou pois não necessito de gotinhas para exibir essa incapacidade terrível de deixar a cama. Todas as manhãs, não falha uma...
Mas há mais, no catálogo Outono/Inverno da Erosfarma.
O melhor creme para os amantes de sexo. Recomendado para bolas de berlim! (Isto sou eu a brincar) A Inês, de Ovar, afirma o seguinte: "Tenho sempre alguma dificuldade em excitar-me, mas depois que o meu marido me aplicou Erotisin Creme, tudo se tornou mais fácil, até para ele!". Mais fácil o quê? - , perguntarão.
É que o creme, devidamente barrado, actua exactamente onde é aplicado, nos centros de prazer do homem e da mulher (ou seja, directamente no cérebro).
Não liguei ao perfume com feromonas, mas não deixei de reparar no facto de o P, de Lisboa, colocar a seguinte questão: "a verdade é que as mulheres caem-me todos os dias no colo quando vou no autocarro, será coincidência?!"
Talvez seja coincidência, P, mas à cautela eu começaria a ceder o lugar às senhoras sem as forçar a medidas tão radicais e que, em circunstâncias extremas de inclinação da via e de peso da passageira podem causar danos que nem as drageias de potência conseguem contrariar.
Passei então ao artigo que mais chamou a minha atenção, pela fotografia. No que à primeira vista me pareceu um aparelho medidor de tensão, o Seaman's Pump, estava afinal um pequeno ginásio para o atleta de barguilha. Uma bomba de vácuo para exercitar o pénis, destinada a "desobstruir os corpos cavernosos" do dito. E ainda promete um "aumento generalizado do pénis". Generalizado, note-se. E ainda remove as obstruções dos corpos cavernosos (faz impressão, um gajo saber que tem coisas destas num sítio daqueles...).
Confesso que não me imagino a enfiar o meu apêndice pela "manga interior em silicone com saliências massajadoras" adentro e dar à bomba como se estivesse a encher os pneus da bicicleta, mas uma pessoa nunca sabe o dia de amanhã e quando começa a cair-nos o cabelo tememos logo que nos vai cair também a força na verga (pardon my french).
À cautela, guardarei o folheto. Nem que seja para ter à mão o contacto de quem me pode fornecer o "Super Pacote Surpresa", um kitkeka que inclui um vibrador em borracha, um lubrificante neutro, um afrodisíaco em gotas, 3 preservativos neutros e lubrificados (trazem feita a revisão dos 5.000), um óleo de massagem super deslizante, um slip sexy para ele, um slip sexy para ela e a surpresa de um brinde Erosfarma (que imaginamos não ser um colete reflector nem uma frigideira anti aderente).
E terei sempre à mão os contactos desta Super Empresa para os ceder a qualquer colega que se veja confrontado com aquele problema que, de acordo com o Nicolau Breyner, afecta meio milhão de portugueses.
Só assim poderão juntar-se ao Alberto, um idoso de Almada, que afirma "ter desenvolvido uma língua com aumento generalizado e potência extra para as mais variadas brincadeiras". Embora reconheça que o Wild Climax, lubrificante íntimo à base de água, não gorduroso, não tenha produzido os resultados esperados a "reduzir a fricção na zona mais sensível da sua anatomia traseira".
Publicado por sharkinho às 11:12 AM | Comentários (16)
novembro 23, 2005
A POSTA NA MEMÓRIA
Os sons, os cheiros, as palavras, os rostos, as gargalhadas.
O encanto de um olhar.
Faz-me bem.
Saber-me lá.
Publicado por sharkinho às 11:08 PM | Comentários (14)
A POSTA AVISADA II
Foto: sharkinho
Agora é a minha vez de brincar.
Publicado por sharkinho às 05:14 PM
CONTAGEM DECRESCENTE - 7

Ontem, um gesto bonito de uma amiga que bloga levou-me a colocar a mim próprio a seguinte questão: quando chegar o dia de encerrar este blogue (e subsequentemente a minha presença na blogosfera), o que irá acontecer com as minhas actuais ligações blogueiras?
Ou seja, qual será a força dos laços que me unem às pessoas que blogam e se tornaram boa parte das minhas referências em matéria de relações sociais? Resistirá à minha "perda de estatuto", ao meu alheamento total deste fenómeno?
São questões pertinentes para quem está nisto há mais de um ano e já experimentou alguns cortes radicais em relações de amizade e de confiança estabelecidas neste meio. A fragilidade das relações blogueiras evidencia-se ao primeiro choque de personalidades, quando chega a hora de exibir na prática a tal confiança que acreditamos.
É nesses momentos de crise que uma amizade virtual se pode comparar a uma congénere analógica. No meu caso pessoal, o balanço é sintomático: poucas foram as situações melindrosas que não resultaram no arrefecimento ou mesmo na extinção dos contactos com as pessoas envolvidas.
A margem de manobra para os erros (tão humanos) é menor para os nicks do que para os nomes reais e os rostos de carne e osso.
A iniciativa da minha amiga que bloga surpreendeu-me por desmentir esse pressuposto. Confrontada com o que lhe indicia (com alguma razão) o meu caminho inexorável para a saída desta amálgama de umbigos virtuosos, preocupou-a o que virá a seguir.
E tratou de me evidenciar a sua disponibilidade para um depois, para a manutenção de um laço que se criou com base naquilo que somos e damos a conhecer aqui mais do que em qualquer outra condição (por inerência do strip psicológico a que nos submetemos).
Por contraponto, outras amigas e amigos blogueiros deixaram cair o meu nick (e o meu nome) ao primeiro precalço que o nosso desacerto pontual provocou.
Confesso que não alimento grandes esperanças no futuro das minhas ligações nascidas deste meio, as mais como as menos próximas, pois a estatística não me deixa hipóteses de sonhar e a prática indica que só uma atitude consensual permite prolongar o "estado de graça" que se cria entre a maioria de nós. Basta olhar para os nicks de quem comentava o charco há uns meses atrás e compará-los com estes dias. Ou reparar nos emails que hoje me chegam (e que eu envio), por contraponto com os do passado recente (que em termos blogueiros equivale a uns anos atrás).
À mínima contrariedade, o fim. Mesmo quando não anunciado, apenas confirmado pela ausência de contacto a partir do momento desse "choque tecnológico" que quantas vezes não reflecte a essência das emoções mas apenas a inevitável má interpretação das palavras que nos definem a imagem junto das outras pessoas.
Os malentendidos na blogosfera são frequentes e liquidam muitas vezes aquilo que julgamos serem elos duradouros.
Por isso não sou optimista quanto ao que virá a seguir, mesmo considerando o gesto da amiga que hoje serviu de inspiração para a minha posta. Foi um sinal quase isolado, por parte de quem poderia seguir na boa o mesmo rumo de quem até hoje não me perdoou algum dos deslizes que cometi. E foram vários, considerando o figurino que acima tracei.
Isto leva-me a concluir que as amizades nascidas na blogosfera não possuem a consistência das outras, duram menos e cedem com maior facilidade aos conflitos e às ausências de uma visita de cortesia.
Tu, a quem agradeço a diferença, foste a excepção a duas regras de ouro nestas andanças.
Na blogosfera, quem não aparece esquece.
E quem tropeça nunca mais se levanta.
Publicado por sharkinho às 10:08 AM | Comentários (48)
novembro 22, 2005
CONTAGEM DECRESCENTE - 8
A linha do comboio de chelas. É só baixar a carola...
Não sei se repararam, na caixa de comentários da minha posta anterior, num tal de Gomes (que se chama Gomes hoje mas pode chamar-se outra gaita qualquer amanhã). Estes nicks inventados à pressa representam uma das cenas na blogosfera que mais me adiam o momento de lhe virar as costas.
É que eu tenho um feitio danado e estimulam-me estes coices de mula da parte de quem, manifestamente, se sente incomodado com a minha presença mas não consegue descolar da minha sola. Dá-me vontade de insistir, só para provar que não vou lá com meia-dúzia de atoardas de um bacano (ou de uma bacana) qualquer. Até porque quando saem da linha apagam-se nas horas com um simples clique num botão.
Sim, porque esta coisa de se inventar um nick e um email para proteger nem sei bem o quê (mas acho que vocês adivinham) só para se poder destilar uma aversão mórbida durante dias a fio tem muito que se-lhe diga. É coisa típica de medíocres e eu, como já referi, gosto de lidar com eles sem qualquer espécie de contemplações. Mesmo os que blogam, aproveitando esta via para exibirem a sua sexualidade reprimida ou os seus recalcamentos amordaçados pela incapacidade de fazerem melhor.
Temos que os destacar, para se esticarem e assim revelarem num tique de expressão ou num IP repetido a sua identidade, a sua essência mesquinha que os leva a tentarem emporcalhar o que os outros produzem.
É que estas aventesmas são livres de embirrar com um gajo qualquer por não se sentirem com arcaboiço para marrarem com o comboio de chelas. Porém, topa-se que o fazem da forma mais gratuita, incapazes que são de assumirem e justificarem as suas apoquentações (com argumentos, percebem?). E depois há aquele raciocínio lógico: se não gostam e até estrebucham, porque carga d'água insistem em voltar? Dor de cotovelo, rapaziada...
Isto de criar e manter um blogue parece fácil a quem se limita a assistir na bancada, como o Gomes e outros da sua igualha.
Mas o Gomes ou lá o que o pinte faz parte desta versão figurada da realidade que vivemos lá fora, onde também não faltam os que ficam de fora a zurzir na obra alheia. Levo com eles na minha componente analógica e dou-lhes a mesma resposta: se está mal feito, mostrem-me como se faz melhor. Mas façam.
E eu seguirei humildemente o seu exemplo.
Para já, fico mais um bocadinho. Pelo menos enquanto os "Gomes" me derem conta da sua pressa...
Publicado por sharkinho às 05:43 PM | Comentários (23)
A POSTA NAS HISTÓRIAS

Atormentam-me as histórias que deixarei de contar. E mais ainda as que contei, por sabê-las agora irrepetíveis.
Nessa representação do que mudou, nesse farol que assim se apagou, vejo o medo por detrás da minha hesitação.
Hesito acreditar. Receio deixar-me atraiçoar pelo excesso de fé.
A fé no futuro de um farol que não ilumina agora os caminhos percorridos nem desvenda os que no futuro se querem percorrer.
Às cegas. Desprovidos da luz, da energia das histórias e da vontade indómita de as perpetuar na memória e no papel.
Um final com sabor a fel para um símbolo do que se perdeu.
--/ /--
Alimentam-me as memórias que cuidarei de preservar. E mais ainda as que amei, por sabê-las inesquecíveis.
Nessa lembrança do que ficou, nesse rumo que assim se traçou, vejo a esperança abraçada à minha convicção.
Decido avançar. Sem temer a traição que o medo inventou.
O medo de um passado que não faz história na vitória que o presente concedeu.
Às claras. Livres da escuridão, para viver as histórias que um dia se contarão sob a luz de um luar reflectido no mar e nos olhos brilhantes de quem as projectou num amanhã melhor.
Uma história de encantar, como todas as histórias com um final feliz.
Foto: sharkinho
Publicado por sharkinho às 01:54 AM | Comentários (21)
novembro 21, 2005
A POSTA INDIVIDUAL
Foto: sharkinho
Sem a certeza que busquei, aguardo o que o futuro revelará.
Cumprirei o meu papel.
Publicado por sharkinho às 08:55 PM
novembro 20, 2005
CONTAGEM DECRESCENTE - 9
Outro passo está dado, difícil mas imprescindível. Para não atrapalhar. A mim e aos outros. E para oferecer mais tempo a tudo o que precisa acontecer a seguir.
De insubstituíveis está o cemitério cheio.
Publicado por sharkinho às 08:57 PM
CONTAGEM DECRESCENTE - 10
Foto: sharkinho
O primeiro número já aconteceu. O tempo escoa-se e nós tentamos medi-lo para nos castigarmos com a marca inapelável da sua passagem que nos arrasta para o fim de todas as coisas.
Falta menos um pedaço para acontecer o que a vida programou para o final da contagem, desta contagem descrescente que é a minha, que é a nossa, para definir um ponto imaginário onde cravar o marco que assinala o momento em que algo aconteceu. Ou irá acontecer.
Nunca fui adepto de charadas embora tenha construido algumas. E sei que nada ficará por explicar quando chegar o número um desta sequência.
Depois? Bom, depois vem uma continuação.
Outro caminho pelo meio da multidão.
Publicado por sharkinho às 06:35 PM
A POSTA PESQUEIRA
Foto: sharkinho
Não pesco nada disto.
Publicado por sharkinho às 03:41 PM | Comentários (2)
A POSTA AVISADA
Foto: sharkinho
Começou a contagem decrescente.
Publicado por sharkinho às 01:19 PM
novembro 19, 2005
CÍRCULO BLOGAR CÁUSTICO

Numa fase em que diversos(as) colegas discorrem acerca da sua actividade blogueira (e da dos outros, claro, que isto só lá vai por comparação), entendi que seria um bom mote para a minha posta "de aligeirar".
Sim, porque isto da gente saturar as pessoas com temas deprimentes como a fome no mundo, a política ou a irregularidade do Glorioso no seu nível exibicional acaba por ter repercussões no nosso blogue (em nós) que nunca suspeitaríamos. Um pouco como o efeito dos telejornais.
Por outro lado, a perspectiva umbiguista esgota-se quando percebemos (em choque) que pouco mais temos de nosso para partilhar sem darmos à plateia blogueira (sedenta de pretextos para nos achincalhar, mesmo em surdina) mais umas munições para a sua escrita trauliteira pela qual, naturalmente, nutrem a maior admiração.
Pela escrita e pela pessoa, pois é raro o blogueiro capaz de se submeter sistematicamente ao enxovalho por parte dos abutres que já esgotaram a sua quota de novidades de índole pessoal. É que as vidas correm, para a maioria de nós, entediantes e não constituem um viveiro natural de postas. Vai daí, tendência irreprimível, passam a ser as vidas (e os blogues) dos outros a constituir a alma do negócio. E rende, a coisa, bem esmifradinha, como se constata em blogues com bastante projecção como noutros sem projecção alguma.
Por projecção entenda-se "quota de mercado", algo que se mede em unidades de consumo registadas por contadores. Claro que os mais ciosos não expõem à saciedade essa estatística que lhes pode reduzir o orgulho a pó. É que a malta também se mede uns aos outros por essa bitola e quem está nisto há uns anos nunca compreenderá como é que um blogue juvenil consegue, de repente, dar nas vistas. É um fenómeno muito humano e por isso também atrai as fraquezas inerentes (como a inveja e a dor de corno que tanto amargam os discursos dos "veteranos" menos "populares"). E ainda por cima, por muito que se ocultem essas "vergonhas" numéricas, lá estão as caixas de comentários a denunciar a falta de pachorra do pessoal para as tricas e os amuos publicados.
Mas o fenómeno acaba por existir apenas porque se atribui demasiada importância à estatística. A popularidade, um privilégio ao alcance de apenas uma ínfima percentagem de sobredotados(as) e de figurões, é um factor secundário quando o que está em causa é o talento das pessoas para se comunicarem. Naturalmente, os medíocres raramente saem do anonimato que os contadores, mais os trackbacks, mais os linques, mais o número (e a qualidade) de comentários acabam por reflectir. Mas existem blogueiros magníficos, poucos, que permanecem "na sombra" apenas por uma questão de falta de jeito para se promoverem ou por optarem por temas sérios a que ninguém parece dar grande importância nesta comunidade virtual. Ou porque não angariaram amigas(os) capazes de os distinguirem com linques que os projectem para um patamar sofrível de "audiência", como acontece a alguns que desapareceriam nas trevas sem o auxílio impagável desse empurrão "mediático" tão eficaz (e notem como acabo de fazer precisamente aquilo que pretendo criticar).
Como na vida lá fora, a antiguidade é um posto na blogosfera. Mas não basta para conferir a quem bloga um estatuto à altura das expectativas dos mais ambiciosos, por quanto se empoleirem em bicos dos pés num caixote de fruta de onde se esganiçam para uma sempre exígua multidão. Por mais voltas que se dê, a malta que bloga não dá muito crédito a quem envereda, por muito bem que se exprima, pela política do "aquele(a) é uma merda e por isso olhem só pra mim, tão refinado(a) filho(a) da puta que sou". Deve doer à brava um fracasso assim, a quem liga a essas tretas. É duro ver escapulir algo que se ambiciona e ter que admitir que a culpa não compete a terceiros mas sim ao fraco desempenho dos que não interessam a alguém por mais do que umas semanas. E a blogosfera, como a vida lá fora, é sincera e não nos poupa a derrotas e a frustrações.
Tudo isto para vos dizer que o verdadeiro problema da blogosfera, o que a atrofia, é precisamente a mentalidade mesquinha que grassa na maioria dos blogues (das pessoas que blogam). Em vez de surpreendermos pela positiva dedicamo-nos à má onda recíproca e esbanjamos a nossa "arte" em guerrinhas que espantam o maralhal, sobretudo o de fora (alheio aos ódios de estimação e aos grupelhos que se enredam num circuito fechado de maledicência inócua ou de descarada bajulação).
Eu, que estou no grupo dos "intermédios" (que nem são velhos qb para lhes reconhecerem o mérito da persistência nem jovens o bastante para recolherem o efeito da novidade), sinto alguma dificuldade em escolher um registo para o meu blogue, uma linha editorial se assim o quiserem.
Ando às apalpadelas em busca de assuntos que possam interessar às pessoas que aqui gastam o seu tempo, sem as fazer sentir a noção de desperdício, de tédio indisfarçável que a maioria dos blogues nesta altura me provoca.
Parecemos umas comadres plantadas todo o dia à janela em busca da informação alheia para no dia seguinte a partilharmos de forma cáustica com as vizinhas do lado, nas entrelinhas de uma posta ou nas piadinhas de comentador(a).
Temo pelo futuro desta cena. E confesso-me à nora, em boa parte dos dias, para a conseguir suportar.
Sobretudo quando reparo no desinteresse que os assuntos (os blogues) mais sérios inspiram nas decisões de quem bloga.
A malta foge da seriedade com a mesma pressa com que fomenta e divulga as paródias (que o são) ou as tricas (que o são também) que, doa a quem doer, são a alma deste "negócio" da blogosfera.
Por isso entendo o desabafo do homem que mais citei até hoje neste espaço, o Eufigénio dos parafusos.
E embora aceite o meu quinhão de futilidade no que blogo e no que dou a blogar, sinto que existia meses atrás um equilíbrio nos conteúdos e nos interesses que agora desapareceu. Como se estivesse em curso uma guerra das audiências entre um grupo alargado de rádios-piratas ou a rapaziada tivesse deixado de acreditar na diferença que se pode fazer com a força das ideias e das palavras. Com o debate construtivo acerca das várias questões que a vida nos coloca e não podemos discutir com facilidade noutro lugar ou noutra plataforma qualquer.
É isso que procuro na blogosfera e, tal como o Eufigénio, sinto cada vez mais difícil encontrar os espaços à medida dessa pretensão.
Arrepia-me a frieza que se instala aos poucos na nossa comunidade virtual.
E cada vez menos procuro o agasalho.
Sou um blogueiro em crise de fé.

Publicado por sharkinho às 08:20 PM | Comentários (8)
A POSTA EM SENTIDO FIGURADO



Bom fim-de-semana! :-)
Publicado por sharkinho às 01:37 AM | Comentários (0)
A VER NAVIOS
Foto: sharkinho
Um dia, no final da vigília, a surpresa de um até amanhã.
Esqueci-me de avisar.
E a intenção era só minha...
Publicado por sharkinho às 01:16 AM
novembro 18, 2005
A POSTA DE CARNAVAL
Foto: sharkinho
Sempre que visito um blogue dou bastante atenção às ilustrações que os colegas seleccionam para cada uma das suas postas. Em casos específicos, o profundo sentido de humor do blogueiro revela-se no "boneco" (ou na boneca) que escolhem a dedo para adornar os seus textos na paródia.
Tenho encontrado de tudo nessa matéria e, regra geral, fico surpreendido com a originalidade do critério. Outras vezes impressiona-me o arrojo. E outras ainda deixam-me estarrecido pelo desplante de quem as publicou.
Algumas fotografias de aparência inocente, quase pueril, podem funcionar como autênticos insultos quando integradas no contexto de determinada posta ou de quem a escreveu. São um recurso valioso para quem bloga nas entrelinhas (e às vezes é nelas que se encontra a "caricatura").
Mas claro que nem sempre a escolha é suficientemente discreta para evitar que um malabarismo genial se transforme numa lamentável exibição de esperteza saloia.
É um risco que se corre quando gostamos de brincar com coisas sérias.
Como no caso dos que brincam com o Carnaval fora de época, tentando disfarçar uma piada de gosto duvidoso com uma rábula fotográfica que jogue com determinadas parecenças físicas. A tentação do oportunismo, da brincadeira fácil em proveito próprio (o gozo interior), pode trair o melhor dos propósitos.
E ainda há, sobretudo no estrangeiro, quem tente ludibriar as "audiências" com uma variante: explorar as alegadas parecenças para darem o ar de que algum dia estiveram próximos de alguém que, afinal, deles (bad jokers) só procura distância.
E eu dou-vos um exemplo concreto:
Digam lá assim de repente se o gajo vestido de preto na foto não é parecido o suficiente com vocês-sabem-de-quem-eu-estou-a-falar para poder armar-me aos cucos, um aprendiz de paparazzi, enquanto autor e seleccionador do "boneco" ideal para fazer valer o meu ponto de vista?
Garanto que não estou a brincar.
Levo muito a sério estas coisas...
Publicado por sharkinho às 12:31 AM | Comentários (11)
novembro 16, 2005
A POSTA NUM PECADO MORTAL
Foto: sharkinho
O invejoso é um dos espécimes mais desprezíveis que um conjunto de seres humanos consegue produzir, dentro da camada mais soft de gente desnecessária que a sociabilidade nos obriga a aturar.
É enervante, o confronto com alguém assim. Quem inveja, alimentando um sentimento muito negativo (já vos explico porquê), destila rancor contra outrém pelo simples facto de o(a) visado(a) possuir algo que a vida não lhe proporcionou ou simplesmente retirou quando, num momento de lucidez, o acaso entendeu a dimensão do seu equívoco.
A inveja é negativa porque inspira estados de espírito muito desagradáveis nas pessoas. Tornam-se amargas, frustradas, incapazes de descolarem da sua obsessão mesquinha. É difícil explicar o facto de alguém optar pelo caminho infantil que empurra a pessoa para a onda "ó pai, aquele menino tem imensos brinquedos e eu também quero ter", quando nada se faz para os merecer.
A inveja requer algum dispêndio de energia, nem que seja no acto de a manifestar. E manifesta-se invariavelmente da mesma forma: "aquele menino tem todos os brinquedos que eu desejo, mas não lhe assiste mérito algum". Donde conclui o invejoso que é seu o direito a todas as guloseimas, mas a vida madrasta não sabe escolher os destinatários das benesses invejadas.
Pitosga, a vida entrega de bandeja as coisas boas a alguém que, não sendo o próprio, é sempre a pior aposta da sorte que o traiu.
A sorte, ou a falta dela, é sempre um argumento do invejoso vulgar. Ele não tem, mas isso não é porque não mereça. Os outros é que têm mais sorte do que ele. Ou manha, pois essa é outra das versões (mais típica do invejoso merdoso) com que se tenta tapar o sol cinzento da frustração com a peneira de uma qualquer teoria da conspiração. O outro tem o que eu quero mas só o obtém à custa de logros e de farsas. O outro, o que tem, assume de imediato o estatuto do mau. Como se tivesse roubado ao invejoso algo que, na verdade, nunca lhe pertenceu.
Mas onde a inveja se instala tudo adquire proporções exageradas. A galinha do vizinho fica cada vez mais gorda (isto, no interior retorcido do crânio que inveja), embora no discurso para o exterior se afirme com desdém a falta de atributos do escanzelado galináceo (porque não sendo o seu tem que ser de qualidade inferior).
Sendo difícil tipificar o invejoso-padrão, é simples distingui-lo dos demais. Pelos tiques acima referidos e por, regra geral, se tratar de alguém com nada de parecido com uma vida animada. Tem um emprego de treta, uma relação amorosa inexistente ou extinta e uma imaginação prodigiosa para se pintar à altura da sua desmesurada ambição. Normalmente também inveja o chefe ou o patrão, que desdenha pelas costas, às escondidas.
Tanto na versão macho como na sua correspondente feminina, o invejoso acredita-se belo e engatatão. Claro que isso raramente corresponde à realidade vista pelos olhos das outras pessoas, mas a inveja pode cegar e o espelho pode enganar os(as) que nele descobrem uma beleza especial que não passa de uma ilusão.
A inveja, como a mentira, torna as pessoas mais feias. Como pinóquios, aos invejosos cresce-lhes o nariz, brotam verrugas e todo o corpo mirra consumido pelos sucos gástricos que substituem aos poucos o sangue da pessoa.
Envelhecem de forma prematura, os invejosos mais obstinados...
Por isso não os invejo e rejeito em mim qualquer indicador dessa forma doentia de encarar a vida. O segredo, quando se cobiça algo igual ao que outros desbundam, está na vontade de fazer pela vidinha e procurar obter a mesma satisfação pelos nossos meios. Uma espécie de masturbação intelectual que reprime a tentação traiçoeira e nos encaminha para um objectivo alcançável, tangível, real. Sem má onda, apenas naquela de "tão bom que seria eu desbundar uma cena daquelas". E depois é só partir para outra e buscar algures uma cena parecida ou redimensionar (baixar a fasquia) a ambição à medida da capacidade e do engenho de cada um(a).
Isto sou eu a falar, que só poderia invejar coisas que não me fariam falta alguma. Tenho o que preciso e não pretendo açambarcar. O supérfluo, como o inatingível, são posses que uma pessoa com um mínimo de bom senso não deveria reclamar.
E ainda menos apontar o dedo aos que, possuindo, repousam tranquilos à sombra dos factos que falam por si.
Publicado por sharkinho às 11:17 AM | Comentários (47)
novembro 15, 2005
ESCREVER PRÁS PAREDES
É frustrante, apesar de tranquilo, manter a porta fechada ao retorno de quem se sente motivado(a) para deixar um comentário ao que escrevo (quase) todos os dias.
Até porque sempre foi essa a alma deste blogue e porque só dessa forma consigo evitar o desconforto de sentir o que escrevo como um monólogo, mesmo sabendo que assim não é.
Eu prefiro comunicar a duas vias e sinto a falta da presença regular de alguns/algumas de vós nesta companhia virtual que se gera na caixa de comentários de cada posta. Mesmo que haja dias em que o "silêncio" se torna indispensável para fazer uma pausa para reflectir ou colocar outros assuntos em ordem.
Nunca consegui manter este esquema da porta fechada por mais do que um dia ou dois. Até porque a vossa reacção é a única que posso obter ao que me esforço para fazer bem, as postas que são pedaços de mim. E é desconsolador constatar a ausência de um comentário, de um contacto, de uma simples apreciação do que fiz.
Admito que me é difícil blogar desta forma, verdadeiramente a sós.
E a constatação de quão solitário é o acto de escrever, de criar seja o que for a partir do nada, estampada no nosso rosto quando damos pela falta de uma opinião é terrível e obriga um gajo como eu a preferir arriscar meia dúzia de atoardas que se apagam com um clique. É isso ou a impressão de que ninguém ligou pevas ao trabalho que se produziu.
Reabro de novo a caixa, pois sinto a falta de quantos(as) encontram motivação para apreciarem o que consigo fazer para cada um(a) de vós. É assim que me sinto blogueiro e é assim que o charco se caracteriza.
Um blogue é o espelho do dono.
O meu fala demais...
Publicado por sharkinho às 05:08 PM | Comentários (32)
A POSTA PINTADA
Foto: sharkinho
Lisboa, 2005.
Um grito pintado em tom azul na fachada de um edifício recorda-nos que nem só na França existem fenómenos de desespero provocados pela exclusão social de uma faixa significativa da população urbana.
O problema já não se confina aos subúrbios. E não afecta apenas as minorias étnicas, os "de fora", todos aqueles a quem assumimos marginais como se existisse uma espécie de convenção que lhes imponha uma faixa na manga, um sinal que os distinga dos demais.
Cidadãos de classe média atolam-se nos resquícios de uma fartura que acabou, deixando para trás a pesada factura das prestações do deslumbramento fatal. Penhoras, execuções, vidas esfrangalhadas pela tensão das contas por pagar. Casa onde não há pão...
Podemos, claro, fazer de conta que o problema não é assim tão grave. Podemos confiar na capacidade das pessoas controlarem a sua revolta, de a limitarem a umas pinturas murais. Alguns, mais discretos, até reservam os desabafos para uma pequena folha de papel. Não se dá por eles enquanto acreditam no milagre que tarda ou nunca chega a aparecer.
Depois acordam, fartos da espera por quem preste atenção aos seus gritos pintados no frontespício da indiferença geral.
Tal como acontece em França e noutros países europeus (e não só), podemos um dia despertar ao som do motim.
E a miséria pode tornar-se muito barulhenta quando se acaba a tinta...
Publicado por sharkinho às 11:34 AM
A POSTA QUE MORREU DE VELHA
Isto de blogar com a caixa de comentários fechada faz experimentar uma estranha sensação de euforia e de segurança.
Um gajo manda a mensagem no interior da garrafa na mesma, mas não aparece ninguém logo a seguir para nos enfiar a mensagem pelas costas do ego ou dar-nos com o respectivo receptáculo na mona.
Ou vice-versa.
Publicado por sharkinho às 12:39 AM
novembro 14, 2005
(RE)POSTA Para Ti
Palavra. Assim, quieta, num canto da folha. Sem sentido, à espera da companhia de outras como ela. As únicas capazes de lhe fornecer uma explicação de si mesma, perplexa com a ambiguidade de uma palavra só, quando apenas uma palavra deveria bastar.
O sentido que lhe faltava não era uma lacuna no sentido convencional. O sentido, afinal, padecia do mesmo problema. Na condição de palavra e enquanto conjunto de letras que queriam dizer alguma coisa a quem as soubesse ler. Eram vários os sentidos que lhe atribuíam mas ele sentia-se único, atónito com a variedade nas interpretações possíveis para uma palavra só. Como se cada palavra fosse concebida para atrair mais companheiras, e criassem novas expressões, frases completas, parágrafos elucidativos, capítulos de um livro que alguém se orgulharia de publicar. Milhares de palavras reunidas para construírem uma coisa qualquer, importante. Decisiva até.
Palavra. À espera de companhia para poder comunicar melhor. Palavra só. Mas afinal já eram duas. Olha uma palavra só. De repente, a frase brota da boca, descodificada pela mente da pessoa que a compreendeu à sua maneira. Mais vale só? - interroga-se a palavra, intimidada com a falta de privacidade que a presença de outras palavras lhe pode acarretar. Palavras feias, talvez. Más companhias. Abeirou-se de imediato a pessimista e sentou-se à direita da palavra só. A palavra disse não sou. Mas parecia e por isso lhe enviaram o castigo pejorativo de uma péssima conotação. A palavra rotulada de pessimista não estava sozinha outra vez. Mas queria, ou assim julgava, até decidir meditar por algum tempo, a sós.
E por isso a deixaram quieta, noutra zona da folha, à espera do que viria, riscos calculados de uma solidão voluntária que a iria (alegadamente) proteger. Receava ser mal interpretada, tinha medo da incompreensão. Palavra que sim, afirmou. Que sim lá ficaram e palavra aprendeu a gostar do novo sentido que o trio lhe conferia. Sentia-se uma palavra melhor. Entretanto aprendeu algo mais, formulou uma hipótese e testou as conclusões.
Palavras. Reunidas em harmonia, perfeitas na combinação. Inequívocas.
Porém, palavras é só uma. Artificialmente multiplicada por se travestir num plural. Sem precisar de outras palavras para seguir no sentido que pretendia, individual no ajuntamento, virtual na sua realidade que ambicionava comunicar. Não precisou de uma multidão de palavras para melhor se exprimir, bastou-lhe sintetizar o espírito da união que a sua pluralidade traduzia. E para os bons entendedores, calculava, apenas uma letra bastaria.
Publicado por sharkinho às 01:04 PM
A POSTA SEM RETORNO
Foto: sharkinho
Sucedem-se os acontecimentos que provam a razão que quis negar. Novos capítulos de uma lição empinada à bruta, reacções esclarecedoras do que está em causa quando a causa sou eu. E o efeito também.
Inevitáveis conclusões, as que me afastam. Consequências do que sou e do que posso representar.
Fecho-me em copas. E agarro-me ao que interessa preservar.
O resto, conversem vocês.
Eu não me sinto conversador.
Tenham uma semana à maneira.
Publicado por sharkinho às 12:08 PM
novembro 12, 2005
OCASO NO SUL
No meu ocaso de ontem a paz que alvoreceu.
Fotos: sharkinho (a todos quantos têm utilizado fotos minhas nos seus blogues peço apenas que citem o nome do autor ou, no mínimo, o blogue de onde as retiraram. Não vivo disto e não reclamo direitos de autor, mas sinto que é de bom tom dar os créditos - como os deméritos - a quem os mereça. Obrigado.)
Publicado por sharkinho às 03:45 PM | Comentários (18)
novembro 11, 2005
A POSTA QUE NÃO ME APETECE II
Escrever.
Foto: sharkinho
Publicado por sharkinho às 09:14 AM | Comentários (17)
novembro 10, 2005
LÁ CHEGAREMOS
Foto: sharkinho
Beijo com um leve roçar de lábios as penas brancas da pomba que as minhas mãos libertam e oferecem ao céu.
O seu destino é o meu.
Carrega consigo o carinho que sinto e a vontade que não desminto na promessa que ontem lhe fiz.
Amanhã beijá-la-ei outra vez.
Publicado por sharkinho às 09:35 AM | Comentários (8)
novembro 08, 2005
PEÇAS SOLTAS
Foto: sharkinho
Aos poucos, as peças vão sendo encaixadas pela vida. Um pedaço aqui, outro pedaço além. Memórias, experiências, conclusões. Vitórias, coincidências, desilusões. Não escapa ninguém ao julgamento que a vida nos faz, podemos apenas escapar à sentença se alienarmos o realismo ou a corrida por algum motivo se interromper, de repente.
E de repente o desenho fica completo o bastante para nele revermos a realidade que a nossa passagem pela vida produziu. Maturidade, chamam-lhe alguns. Ou outra coisa qualquer.
Sintomas da lucidez que os anos nos impõem, uns atrás dos outros, a correr. Os outros a servirem-nos de bitola e os desacertos a partirem-nos a tola até um dia percebermos o porquê. Ou não, sei lá eu. Tantas peças por encaixar e a existência a escoar pelo calendário fora, folha atrás de folha no outono cada vez mais rigoroso que o envelhecimento acarreta. Na cabeça também.
A careca que se descobre no passado que se revela. Tão diferente, sob a luz titubeante do futuro que o esclareceu melhor, aquele conjunto de certezas que ontem nos davam razão. Nenhuma, afinal, ao sabor das conjunturas como barquinhos de papel, sopradas as conclusões para longe do rumo que hoje reconhecemos menos fiel. Aos princípios, os que se traem no fim, quando certamente amaldiçoamos uma infeliz decisão e os seus danos. Nas convicções. E nas más acções que praticamos sem medo de nos arrependermos depois. Se calhar tarde demais.
A felicidade esbanja-se dessa forma leviana, fazemos a cama onde nos iremos deitar.
Aos poucos, o esboço grosseiro do balanço que podemos fazer (algures pelo caminho) esborrata. Maleitas que ninguém trata, até ao dia em que a doença se revela terminal. Negligenciamos, ofendemos e vingamos, agora. Mas esquecemos o dia de amanhã, o troco merecido. Por alguém mais atrevido ou simplesmente pela imagem que as peças encaixadas nos permitem decifrar. Com maior nitidez, que as dioptrias diminuem e a miopia que nos oculta a dimensão verdadeira da asneira cometida desaparece de vez. As sombras na parede da caverna, alegoria, simples erros de percepção. Falha na tradução.
O filme era outro. Em vez de protagonistas de uma película sonhada descobrimo-nos figurantes de uma cena marada em que, invariavelmente, morrem os maus e morrem os bons. Acaba sempre por acontecer.
E a vida a correr, alheia aos nossos erros e desatenções. O azar no euromilhões e as fantasias por concretizar. Fazia assim, fazia assado. Se acertasse na merda das cruzinhas ou arrancasse as ervas daninhas que dão cabo do melhor jardim.
A vida realizada a alimentar ilusões.
Mas à vida ninguém pode impor condições. Faz parte dela o destino que nos escolhe o momento do fim. A coisa funciona assim. Os canteiros que ambicionamos, expostos às intempéries que ajudamos a criar. Tiros no próprio pé.
E enquanto o puzzle se completa e a consciência se desperta, percebemos que seria fácil até.
Ser feliz.
Publicado por sharkinho às 11:41 PM | Comentários (17)
novembro 07, 2005
A POSTA MINHA AMIGA
Foto: sharkinho
Ia falar convosco acerca do amor, mas este gajo antecipou-se (vale a pena ler, asseguro). Por isso falo da amizade, que até é coisa parecida.
Aliás, nem é tema virgem no charco. Com o fim aparente das relações "para a vida", à medida dos tempos individualistas e apressados que se vivem, nasceram novas regras para esse tipo de ligação que todos mantemos com alguém.
Uma ligação frágil, na maioria dos casos, bastando uma alteração de morada (ou de email?) para extinguir em pouco tempo os vínculos conquistados em meia-dúzia de anos (ou de meses?) de perseverança.
Tememos a amizade mais do que o amor e isso traduz-se numa superficialidade que parece "proteger" os elos entre as pessoas. Como se ir mais além fosse exactamente o mesmo que ir longe demais.
É esta a percepção que desenvolvo quando me apercebo do muito de mim, bom ou mau, que não partilho com os que chamo amigos mas não nego a quem chamo meu amor. Como se mais de mim pudesse saturar a outra pessoa, que faz o favor de me seleccionar como companhia para uma noite de copos. Mas não está disponível para me aturar os desabafos ou sair da cama de madrugada porque tive dois furos seguidos nos pneus.
Não está disponível para outro lado de mim que não aquele que a qualquer conhecimento de ocasião consigo oferecer. Esbatem-se deste modo as diferenças entre quem frequenta a minha casa e quem comigo gasta umas horas à mesa de um café.
E a passagem do tempo parece não ajudar, como há uns anos eu tinha ideia que acontecia. A intimidade não se cria, nem se fomenta, e qualquer conflito mais sério arrasa uma relação, pela surpresa. "Não te conhecia essa faceta", dizemos na altura. É essa a raiz do problema. Desconhecemos uma parte importante do carácter das pessoas em quem depositamos a nossa confiança e depois reagimos de forma hostil perante as constatações menos agradáveis.
Eu alimentava a noção de uma amizade que se fortalecia com bons momentos, conversas sérias e reacção às aflições recíprocas, por exemplo. A noção está a soro, convalescente, muito diferente nos anseios e nas emoções. E eu constato nos outros o absoluto desinteresse pelas minhas preocupações e o meu pelas suas, salvo mui raras excepções.
Este é um assunto que não admite quaisquer juízos de valor, cada um sabe de si e, tal como no amor que o Eufigénio hoje descreve à sua maneira, não existem realidades universais. De resto, ambos sabemos que uma amizade sem substância é nado-morta. À espera de um desentendimento ou de uma embirração que até podem resultar meras de falhas na comunicação.
E isto leva-me à amizade entre quem bloga, feita de um grau de proximidade virtual que raramente se traduz na vertente analógica. Pés de barro à mercê dos equívocos da linguagem escrita, onde pinceladas rimam com marteladas e de repente o caldo entorna sem sabermos exactamente como e porquê. Na inimizade também funciona um pouco assim, connosco a percebermos de repente a dimensão da nossa estupidez, do desperdício que pode resultar de uma simples divergência mal conversada.
A amizade séria e empenhada, um monstro sagrado de qualquer escala de valores, parece-me apenas um nadinha despida de relevância no contexto das relações sociais. Secundária, dispensável até. E não devia, pois reduz-nos a um lote restrito de referências que ainda alimentam a ilusão um ano sem contactos depois, empurra-nos aos poucos para uma estranha forma de solidão acompanhada.
E como algures já postei neste blogue (num cartaz ou coisa que o valha), e vale para a amizade como para o amor, nunca se está tão sozinho como quando somos dois com a pessoa errada.
Publicado por sharkinho às 10:05 PM | Comentários (27)
GUERRILHA URBANA
Foto: sharkinho
De repente, a França a ferro e fogo com um problema muito sério em mãos. E a Europa a assistir, receosa de um contágio desta súbita intifada que deixa a gripe das aves num plano secundário das suas preocupações.
De repente, o inferno ao virar da esquina.
Desejo-vos uma semana tranquila.
É do melhor que podemos ambicionar neste nosso mundo em ebulição.
Publicado por sharkinho às 12:04 AM | Comentários (20)
novembro 04, 2005
A POSTA INCONFORMADA
Foto: sharkinho
Tenho fobia às existências vulgares. Prefiro arriscar uns mergulhos no caos.
Publicado por sharkinho às 11:54 AM | Comentários (33)
novembro 02, 2005
JÁ HÁ!!!
Proximidade e mão amiga. "Proximizade", feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que se sabe e ao que se vê. Aqui, já está a acontecer.Publicado por sharkinho às 07:30 AM | Comentários (14)
novembro 01, 2005
A POSTA DE AMANHÃ

É bom ver aproximar-se um dia do fim, quando o dia que se segue já está garantido como um dia especial.
É bom sabermo-nos mais próximos, mais úteis, mais nós.
O meu dia de amanhã já começou. E eu sinto-me ansioso pelos dias que virão depois.
Publicado por sharkinho às 08:19 PM | Comentários (15)
