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novembro 26, 2005

MAIS DO MESMO

mais uma.JPG

Aos poucos, a vida liberta-me dos engulhos e devolve-me aquilo de que me privou noutros períodos menos bons.
Como se tudo no universo se conjugasse para devolver o equilíbrio a todas as coisas, como se existisse de facto uma força superior que nos organiza a existência com moedas de troca que funcionam quase como uma lei das compensações.

Ganhos e perdas, equilibrados na balança. Na vida que dança ao ritmo das alíneas escondidas na pauta que firma o tom do contrato, talvez assinado por um Deus. A obra do acaso que nos desvenda o passo seguinte do plano concebido para cada um. Predestinação. Ou outra coisa qualquer que nos empurra para o momento da decisão que transforma as que virão a seguir.
Causa efeito Nas consequências que conseguimos explicar, nas coincidências que nos fazem interrogar quem manda afinal no caminho que percorremos. E quando morremos?
Quem aponta no calendário o dia em que soltamos a última das inspirações que nos estavam destinadas, peito cheio para as despedidas possíveis num suspiro final?

De uma irrelevância total, a quem devo agradecer as benesses concedidas ou praguejar as tristezas sofridas. Existe um deus em cada um de nós, mais o demónio que nem sempre conseguimos exorcizar. Acertam-se as contas no fim, com toda a certeza. E a vida é uma beleza quando a sabemos apreciar.
Não vale muito a pena pensar. Pelo menos, demais...
Ninguém anota as lágrimas que chorámos e as gargalhadas que deixámos por soltar. Somos nós a avaliar. Mais ninguém se interessará, na terra como no céu, pelos pecados que cometemos ou pelas orações que esquecemos na hora de deitar. Demasiada importância a questões de pormenor. Interessa-nos o amor.
E as histórias que temos para nos contar. As memórias que nos revelam como um espelho o que a nossa existência rendeu.

Um homem como eu não aceita as contas de sumir. A aritmética para rir, ao longo de uma aprendizagem que é feita de adições. O produto das emoções, dividido pelo tempo concedido pelo Criador (havendo um). A média do interesse que a vida nos despertou, a nossa presença no tempo de quem nos amou. Coisas que interessam ao objectivo primordial: que tenha valido a pena pela entrega total de que a vida se fez.

A uma amizade regressada e a um amor que se redescobriu, brindo com um beijo nos lábios do copo que deixo vazio.
E agarro a botelha pelo gargalo. Outra vez.

Publicado por sharkinho às novembro 26, 2005 08:44 PM

Comentários

Par pudeur et respect de l’intimité, je ne commenterai pas le poste de « MAR ».
Du bonheur à vous deux !
A@+

Publicado por: Manu às novembro 27, 2005 10:32 AM

Sharky, «mais do mesmo» inalterável como o vinho iluminado. Fez-se luz, mesmo o da vela. Partilho contigo esta frase «brindo com um beijo nos lábios do copo que deixo vazio.» no bom sentido. Um abraço.

Publicado por: soslayo às novembro 27, 2005 12:09 PM

Força nesse brinde, que ele seja tão só uma celebração da vida.
É como dizes, não vale a pena pensar demais. Cada minuto que se desperdiça é precioso. Os "peanuts" que se lixem.

Publicado por: Mar às novembro 27, 2005 01:07 PM

Shark,
continuo com o meu choque tecnológico no seu máximo esplendor, pelo que tenho andado afastado disto. Agora, mesmo sem tempo para ler, vi os títulos de alguns posts preocupantes e como também andei a ver outros blogs, como BdE, só me apetece perguntar-te:
- Tu não está a armar-te em Blogue de Esquerda, pois não? ;-)
A ver se ainda esta semana, ponho os meus assuntos em dia. Eu não desconfiava que era tão portátil-o-dependente...

Publicado por: Jorge Morais às novembro 27, 2005 01:39 PM

Respeito a tua sábia decisão, Manu. E sei que encontras nessa posta "segredos" a que só eu e tu temos acesso (vês como se cria cumplicidade por email na boa?).
Abraço, mon ami!

Publicado por: sharkinho às novembro 27, 2005 04:38 PM

Soslayo, a magia que encontro num copo vazio depende da quantidade de néctar disponível na(s) botelha(s).
Não tem piada por estar vazio mas por poder encher-se de novo... :)

Publicado por: sharkinho às novembro 27, 2005 04:41 PM

Precisamente, meu elemento natural. O que interessa, o coração sabe distinguir por nós. E o que não interessa, também.
A cabeça só trata de limar arestas ou de inventar complicações.

Publicado por: sharkinho às novembro 27, 2005 04:44 PM

Jorge, continuo solidário com o teu problema. Até porque o meu portátil apresta-se para me dar o mesmo desgosto que te deu a tua máquina...
Não há nenhum tique de BdE na minha forma de anunciar o que se vai tornando inevitável por via de acontecimentos recentes e da própria evolução da minha presença na cena.
Para já, tudo bem. Sete. And counting...
Abraço, rapaz.

Publicado por: sharkinho às novembro 27, 2005 04:52 PM

por que carga de agua tu mudas isto de poder comentar?
assim nao sei como funciona..........tencionas ir embora? como porquê?
alguem te magoou?????diz que eu te defendo.......vá lá .preciso do teu blog...ok?
um beijo grande!

Publicado por: Maria às novembro 29, 2005 05:52 PM

Ena tanta pergunta, Maria!
Mudo isto dos comentários quando entendo que isso de alguma forma me poupa chatices e desilusões;
Tenciono ir embora, antes do final deste ano;
Como? Deixando de frequentar a blogosfera. Porquê? Por uma data de motivos que tenho vindo a abordar;
Sim, várias pessoas. Sobretudo eu. Não há defesa possível;

Ninguém precisa do meu blogue, acredita. E são cada vez mais raros os que precisam do dono...

Um beijo enorme para ti.

Publicado por: sharkinho às novembro 29, 2005 06:20 PM

No devido lugar, era esta a posta que eu queria comentar.
Faço-o aqui.
Porque no devido lugar é onde nos colocam quando nos direccionam, de alguma forma, os actos que queremos praticar. Como não deixar comentar.
No devido lugar é onde cada um de nós se deve sentir, sempre que analise os seus actos, tal como fazes nessa posta. Ou sempre que pratique outros, que sejam susceptíveis de análise por outras pessoas. Como "dar a cara" nas postas ou nas caixas de comentários.
Ter a consciência do seu devido lugar é apanágio de pessoas inteligentes. Nem todas o alcançam taditas...
Eu sinto-me. No devido lugar. Sempre que leio os teus textos ou os comento. Aqui. No teu espaço, enquanto o mantiveres.
Um Beijo.

Publicado por: Mar às novembro 29, 2005 08:28 PM

E fazes muito bem, ò meu elemento natural. Concordo quando dizes que "no devido lugar é onde nos colocam quando nos direccionam os actos que queremos praticar".
Eu já fui colocado por diversas vezes no devido lugar e aprendi essa lição, tenho vindo a estudá-la com atenção para nunca me esquecer da distância que se cria quando o devido lugar é (in)definido pelas palavras que se suprimem ou pelas acções que se deixam por praticar.
Eu sinto-me no devido lugar, pois esse é-me imposto pela vida (pelas pessoas) a toda a hora (normalmente é fora).
Contudo, nem sempre tenho consciência do meu devido lugar (e por isso mo indicam) pelo que não é meu o apanágio que referes.
Sou, como referi, um homem vulgar.
Um beijo do tamanho daquilo que o teu nick representa, sócia!

Publicado por: sharkinho às novembro 30, 2005 09:10 AM

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