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dezembro 16, 2005

A POSTA QUE DEU PORRADA DA GROSSA

I_mnotgay.jpg

O tipo, um asno fanfarrão arraçado de papagaio, nem hesitou quando lhe perguntei se conhecia a Patrícia.

- A Patrícia? Ò meu, aquilo é uma esfrega tal, uma aceleração, um calor, que no fim da cena um tipo até consegue estrelar um ovo nos tomates.

Boquiaberto pela imagem estrelada e pelo teor da resposta fiquei meio à toa, confesso. Mas recompus-me e tentei encaminhar a conversa para aquilo que me interessava.

- Deixa-te disso pá. A sério, conhece-la?

E ele, com um sorriso estampado no focinho lambão, devolveu-me um ar de quem percebe mesmo daquilo e vai a todas.

- Ando a comer a gaja, meu. Atão não havia de conhecer esse material? Umas mamas e um cu...

Tenho que fazer uma pausa na história, tal como o fiz na minha conversa com o pintas. Algures no meu processo de formação pessoal um veterano explicou-me que era de bom tom guardar segredo acerca de certas merdas. Como os melhores recantos para dar uma queca de rua sem receio dos mirones, as melhores barraquinhas de couratos no Estádio da Luz e, de um modo geral, todas as preciosidades que não queremos cobiçadas por demasiadas pessoas.
Nesse manancial da informação de manter secreta incluía-se, claro está, a identidade das mulheres com quem dormíamos. Até porque, como esse "velha guarda" salientou, cai bem às miúdas e torna-nos mais apelativos para as que precisam de fazer a coisa pela surra (sobretudo as casadas, dizia-me ele).

Pela lógica do ponto de vista e, convenhamos, também por me parecer mais digna essa forma de estar, passei a seguir as suas recomendações como uma cartilha.
Mas o Baptista não. Punha a boca no trombone e para ele eram todas uma vacas a partir do momento em que cedessem ao seu encanto natural. Ou o rejeitassem. E chamava-as pelo nome, para que todos tomassem nota de quais as que estavam "marcadas" com o ferro da sua ganadaria de que tanto se orgulhava que não hesitava publicitar.
Porém, essa sua característica acabava de me entalar na conversa. Ainda ponderei a opção de sacudir o assunto com um "por nada, por nada...", ou assim. Mas com o problema posto daquela forma, não me restava uma escapatória. Tinha que dar sequência ao assunto, não fosse o Baptista julgar que eu lhe cobiçava a "mercadoria".
E ele disparou a pergunta inevitável que qualquer um colocaria naquela ocasião.

- Mas porquê?

Tentei ler-lhe nos olhos alguma emoção, para perceber se a Patrícia (por acaso uma tipa inteligente, excelente conversadora e boa onda) tinha algum estatuto especial junto do meu interlocutor. Mas claro que ele, durão e burroso, botou aquele ar de "para mim tanto faz se é patrícia ou joana, marchou e tá a andar". E isso irritou-me um nadinha, até porque todos tínhamos a noção de um Baptista a tender para o gabarola. Daqueles gajos que as comeram todas e mais houvesse. Mas apesar disso ficava-se sempre na dúvida, perante as sumarentas descrições que ele fornecia acerca dos atributos das carradas de amantes na sua boca.
Por isso decidi avançar com a informação à bruta, até porque no dia seguinte já toda a gente saberia no liceu o que se passava e, por ironia, tocara-me contar a cena ao Baptista em frente dos cinco ou seis colegas de turma que me acompanhavam na altura e dos outros tantos da turma dele.
E a verdade doeu, no sorriso que me escapou enquanto a revelava.

- A Patrícia está grávida do teu irmão.

Publicado por sharkinho às dezembro 16, 2005 12:55 PM

Comentários

Charquinho, sou uma pessoa de grande abertura (ai, esta não!), mas, a sério, só li o diálogo... Estou literalmente chocada. O tipo de conversa que pressinto ou adivinho em machos badalhocos, mas desta... Charquinho! Tu és um escandaloso! ;-) Num habia nechechidade!

Publicado por: claudia às dezembro 16, 2005 01:27 PM

Isshhhh... que situação! Não sei quem terá ficado mais melindrado: se o Batista, se o irmão, se a Patrícia... antes de descobrir terei que ver 3 ou 4 novelas Mexicanas! :)

Abraço

Publicado por: Carriço às dezembro 16, 2005 01:34 PM

Retomei o fôlego e li até ao fim. É a isto que chamo narrar.

Publicado por: claudia às dezembro 16, 2005 01:38 PM

Charquinho, quanto à gravidez cada um que assuma as suas atitudes, não há nada a fazer! Agora, quanto ao tipo (estirpe) do cagarolas, tenho a dizer o seguinte, e como diz o humorista Brasileiro Agildo Ribeiro: vai a minha "gargalhada de desprezo".

Publicado por: soslayo às dezembro 16, 2005 02:12 PM

Machos badalhocos é uma expressão catita, Cláudia. :)
O que se passou a seguir à conversa é inenarrável...

Publicado por: sharkinho às dezembro 16, 2005 02:23 PM


Reservarmo-nos ao direito de guardar certos e determinados segredos pessoais não só revela humildade e inteligência como também maturidade. Nestes casos a maturidade roça a irracionalidade..

Publicado por: Lobistico às dezembro 16, 2005 02:24 PM

Quem ficou melindrado fui eu, que não tive nada com a Patrícia, mal conhecia o irmão e ainda levei umas mocadas no frontespício à conta do sururu que se gerou, Carriço... :)

Publicado por: sharkinho às dezembro 16, 2005 02:25 PM

Tás a referir-te ao momento antes ou depois da gravidez confirmada, Soslayo? :)))

Publicado por: sharkinho às dezembro 16, 2005 02:26 PM

Não tenho a certeza se percebi bem a tua ideia, Lobistico, mas sabemos ambos que nestas coisas há muito pouco de racional... :)

Publicado por: sharkinho às dezembro 16, 2005 02:37 PM

Coitada da Patrícia!
(e tempos de liceu... claro que só podia ser gabarolas e desbocado - é uma idade moldada à forma ;))
beijocas (e será este um "regresso"?)

Publicado por: sofia às dezembro 16, 2005 03:12 PM

A "Patrícia" tinha 16 anos na altura e a vidinha dela levou uma volta do caneco, lá isso...
(cuidado com as generalizações, ò madame!)
Beijocas (entre aspas, Sofia, só entre aspas) ;)

Publicado por: sharkinho às dezembro 16, 2005 03:20 PM

pobre Patricia....rodeada por tanto animal.......

Publicado por: Maria às dezembro 16, 2005 08:40 PM

É verdade, Maria, rodeada por animais. Eu fiz o que pude para cumprir o meu papel na roda.

Publicado por: sharkinho às dezembro 16, 2005 08:47 PM

Shark,
confesso que ainda ando em estado de stress (ou será stresse?), pelo que ainda não consegui ler os textos ali para baixo. Só vi que abriste a caixa de comentários e não vi mais contagem decrescente, o que deve ser bom sinal, isto é, que ganhaste juízo. ;-)
Bem, continua assim, e um dia destes eu prometo que leio o que está para trás - se bem que podias escrever um pouco menos, os teus textos têm quase o tamanho da tua tatuagem da nádega direita...

Publicado por: Jorge Morais às dezembro 16, 2005 10:37 PM

E nem imaginas o trabalho magnífico que fizeram na esquerda, pá...
A contagem continua (o que prova que ganhei mesmo juízo) e por isso terás tempo no futuro para ler os textos lá de trás na boa.
Estresse (será streçe?:) porquê, méne? Escapou-me alguma cena?

Publicado por: sharkinho às dezembro 16, 2005 11:12 PM

Não posso estar uns dias sem vir a este blog que depois perco-me. Já fiquei atarantada, e parece-me que fico por este post, que vem à cabeça.
:)
Olha que achei ( e lá por isso ainda acho ) que esta história foi "construida". Não foi? Parece tirada de uma cena de stand-up-comedy. Na minha cabeça a tua resposta final tinha sido apenas para arrumar com o Baptista. Porque a sério ou fantasia, arrumaste-o na perfeição!

Publicado por: ML às dezembro 17, 2005 12:28 PM

Sharky, eu refiro-me não ao antes e/ou depois, refiro-me durante e enquanto o gabarola se estendia sem saber. Adoro este tipo de macho... Nem queiras saber. Um abraço.

Publicado por: soslayo às dezembro 17, 2005 12:50 PM

Shark,
já li mais um bocadinho, inclusive o "comentário à la Vague" do José Quintas. Eu concordo com ele em muitas das coisas (depois digo-te o quê, quando for ver o trabalho da nádega esquerda). Mas posso adiantar-te, como leitor, que é pena que deixes de escrever no blog, mas compreendo que o faças se for no sentido de repensar os objectivos, ganhares fôlego e voltares. Se for mesmo para acabares, é uma pena. E para condizer com a foto do teste, nada mais gay do que um gajo deixar-te um poema que acho que define um pouco o que tem sido o blog Charquinho:
http://www.portugal-linha.pt/literatura/alvieira/

Devo dizer-te que é um dos poemas preferidos da minha filha. Espero que também

Publicado por: Jorge Morais às dezembro 17, 2005 12:55 PM

(ups, continuação)
gostes. Um abraço.

Publicado por: Jorge Morais às dezembro 17, 2005 12:56 PM

Ups, engano, onde se lê "foto do teste" devia ler-se "foto do post".

Publicado por: Jorge Morais às dezembro 17, 2005 12:57 PM

Andas bonito, andas... :)
Vou já de seguida ler o poema que me aconselhas e logo te digo qualquer coisa.
Vou parar o tempo suficiente para atinar, Jorge.
Depois logo se vê...
Abraço, rapaz.

Publicado por: sharkinho às dezembro 17, 2005 07:04 PM

Eu também tenho uma urticária qualquer com bacanos assim, Soslayo. Acho que emporcalham a eito por falarem demais.

Publicado por: sharkinho às dezembro 17, 2005 07:07 PM

Olá ML! Realmente tenho andado activo nesta fase, mas ainda não comecei a construir estórias.
Parece comédia, mas aconteceu e deu brado pela proporções que assumiu. Calhou eu viver o filme por ser na altura um dos alunos mais bem informados do Liceu Maria Amália e também um dos mais reguilas.
Outros tempos... :)
Quem me conhece sabe que atraio episódios assim. Bué.

Publicado por: sharkinho às dezembro 17, 2005 07:11 PM

Bué.
Que tu tens uma tendência particular para atrair esse tipo de cenas, lá isso...mas olha que o teu "berço" também não deixava de ser um "palco" fantástico para estes filmes...e se calhar continua a ser, não? Beijoca ;-))

Publicado por: Mar às dezembro 17, 2005 08:36 PM

É, não é? Já pudeste constatar algumas, sócia... :)
Quanto ao berço, aburguesou e já não tem a mesma pedalada castiça de outros dias.

Publicado por: sharkinho às dezembro 17, 2005 08:51 PM

Sharky, agora falando sério. Não tenho dado ouvidos a essa tua decisão que na tua consciência andas a amadurecer! Também, quem sou eu (o menos abalizado) para te dar conselhos. Mas, não quero acreditar que penses fechar o teu blogue! Vou fazer alguns considerandos para que tomes em consideração, a saber; Sharky, Sharkinho e Charquinho é, um nome acreditado na praça, sobejamente conhecido na blogosfera. Linkado a dezenas e dezenas de blogs. Com uma plêiade de comentaristas (me excluindo, claro!) do que há de melhor. Com estatísticas de visitas e comentários, de fazer inveja a qualquer um. Com um trabalho em escritas excelente. Sendo um blog quase que obrigatório a sua consulta. E depois de tudo isto que enumero, só tenho que te perguntar o seguinte: esta gente toda não significa nada p'ra ti? Fico esperando...

Publicado por: soslayo às dezembro 18, 2005 11:09 AM

Tu não me lixes, Soslayo...
Se esta gente toda não significasse muito para mim o charco já há muito estava a fazer tijolo no cemitério virtual.
E quanto aos indicadores que referes, são motivo de satisfação mas não compensam de forma alguma as perdas que implicaram aqui e lá fora. O balanço não favorece a continuidade, amigo, pois a minha interacção blogueira trouxe-me mais prejuízo e desilusão do que as alegrias escassas (e relativas) poderiam alguma vez compensar.
Para tudo há um tempo e um momento para o fim e eu não quero cometer com o blogue a mesma asneira que repito em diversos domínios da minha vida. Só isso.
E por isso tenho que parar e repensar tudo isto. Mas o instinto diz-me que fico melhor sem esta fonte de perturbação...
Um abraço, pá, e obrigado por exibires o teu apreço desta forma.

Publicado por: sharkinho às dezembro 18, 2005 11:53 AM

Charquinho, só tenho que respeitar amigão. Um abraço do Coração. Bom Natal.

Publicado por: soslayo às dezembro 18, 2005 12:08 PM

Salut Shark,
Finalement moi aussi, j’ai compris, l’amitié virtuelle peut apporter son lot de déboires insoupçonnés et inattendus.
Je viens de vivre des moments difficiles sans avoir le choix le monde virtuel est sans pitié pour ceux qui aiment cultiver l’amitié. Désormais je ferai très attention la méfiance sera ma devise, on aura du mal à me faire croire que tous ces mots gentils dits par le premier venu ont le même sens que dans la vie réelle.
Ton départ nous privera de quelques bons moments de lecture, mais il serait égoïste de te dire continue, rien que pour notre plaisir.
Joyeuses Fêtes !


Publicado por: Manu às dezembro 18, 2005 03:34 PM

Charquinho,

O ano que agora vai findar
É um ano para não recordar
O que eu temia aconteceu...
Em Abril perdi um amigo Irmão carnal
Em Dezembro perco o meu Amigo virtual
O que eu temia aconteceu...
Que fazer se não encontre palavras a juntar
para dar conta deste meu sentimento a lavrar
A partir de agora fico a pensar
Que ando eu também aqui a fazer
A pastar?

Sacanagem... Até sempre!

Publicado por: soslayo às dezembro 18, 2005 06:56 PM

I'm not gay also,understood! Isto é acerca da foto.

Publicado por: soslayo às dezembro 18, 2005 07:08 PM

Disso não me restam dúvidas! Isto é acerca da foto também.
Bom Natal, Soslayo e até um destes dias.

Publicado por: sharkinho às dezembro 18, 2005 10:39 PM

Manu, pena que tivesses aparecido numa fase tão próxima do fim.
Um grande abraço e Boas Festas para ti e para os teus, amigo gaulês. (estes portugas são loucos, não é?) :)

Publicado por: sharkinho às dezembro 18, 2005 10:41 PM

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