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dezembro 13, 2005
A POSTA QUE TÁS MESMO A PEDI-LAS
Ao longo da minha presença na blogosfera tentei entendê-la. Não consegui, como os factos comprovam, mas aprendi a lidar com alguns dos seus fenómenos mais comuns.
Como o do tradicional insulto, mais ou menos polido, que sempre alguém gosta de deixar na caixa de comentários de algum(a) blogueiro(a) com quem embirrou.
Deve ser tentadora, esta bebedeira de liberdade que nos permite insultar sem castigo, vilipendiar sem sentido ou simplesmente dizer nas trombas de um bacano que não se gosta do gajo e tá a andar.
É óbvio que não podemos fazer jogo duplo nestas coisas. Se abrimos a caixa, temos legitimidade para apagar o que não corresponda aos nossos anseios mas aí traímos o espírito da coisa.
Esta questão ética, numa altura em que me apresto a encerrar o meu ciclo blogueiro, tem mexido com a minha consciência.
Eu tenho um blogue. Sou o dono, ponho e disponho porque pago para o ter. Posso por isso apagar os comentários que quiser, clique e já está, bloquear IPs aos mais insistentes e por aí fora.
Mas isso é uma forma de cercear a liberdade de expressão e assim fomentar a hipocrisia nas relações virtuais. Uma coisa que colide contra os meus princípios nesta hora dos fins.
Por isso sou livre de abrir uma excepção e permitir que toda a gente que por aqui passa e não gosta do blogue, do autor, da cor das suas cuecas, seja o que for, possa exprimir livremente a sua opinião, sem receio de cortes ou de censura. Uma espécie de catarse colectiva, onde podemos livremente exprimir o nosso desagrado e até obtermos uma reacção.
Claro que preferia que evitassem os palavrões, por exemplo, isto para evitar o avacalhamento da iniciativa e para lhe conferir a credibilidade de que necessita para ser um exercício satisfatório para todas as partes envolvidas. Até porque dói muito mais uma crítica fundamentada do que uma boca sem justificação e já reconheci que não sou nenhum doutor e dou o "corpo" ao manifesto nas minhas limitações identificadas.
Não estou a brincar. Se tiverem algo para dizer de desagradável, aquilo que sempre quiseram deixar no charco para memória futura, esta é uma oportunidade única para o fazerem de uma forma definitiva e com a devida projecção.
A melhor tirada será transformada numa posta, com crédito ao autor pelo peso que representam as críticas no conjunto dos comentários e no funcionamento global da blogosfera.
Naturalmente, não deixarei de oferecer uma oportunidade a quem pretenda fazer o contrário. Democracia é assim e o meu ego tem as mesmas carências dos das outras pessoas que blogam. Mas estou certo de que num caso como no outro poderei contar com a generosidade habitual de quem me ajudou a construir o charco e/ou a dar-me cabo da paciência e das condições para o manter.
Vamos lá, não se acanhem. Caixa aberta e despejem lá o saco de uma forma original e que vos satisfaça a sede de cascar no coirato do tubarão. Prometo responder de forma isenta e frontal a todos os comentários (até porque não tenho nada a perder, nesta pele de defunto anunciado) e assim merecer o vosso empenho.
Podem ser anónimos ou não, tanto faz. Pontos nos is é agora ou nunca. E escusamos de ficar com cenas atravessadas e ainda damos um excelente exemplo de sinceridade e de poder de encaixe que poderá fazer escola, na base da terapia de grupo mensal ou coisa que o valha.
Caixa aberta, desafio lançado.
Estou à vossa inteira disposição.
Publicado por sharkinho às dezembro 13, 2005 08:40 PM
Comentários
A mim, desagrada-me que penses em abandoná-la!
De resto, a influência daqui do Charquinho é tão pouca que até já dou títulos semelhantes aos posts! :)
Saudações
Publicado por: Carriço às dezembro 13, 2005 09:08 PM
Ò Carriço, a ideia é dizer mal e tu não consegues reprimir a tua personalidade simpática...
Hoje a oportunidade é para os que desgostam, mais tarde abro a caixa aos que gostam para poderem deixar uma mensagem de despedida.
Obrigado pela tua insistência, amigo, mas o processo é irreversível e necessário.
Saudações e mais um abraço!
Publicado por: sharkinho às dezembro 13, 2005 09:13 PM
(O Carriço agarra-se à caixa e é sempre o primeiro)
Já que é para dizer mal: É só para avisar que já ando na net à procura de receitas de tubarão às postas (se não ando vou andar) - porque é o que mereces por quereres fechar o charco
E a biodiversidade animal? e o ecossistema? como é que tudo isso fica se drenas o charco? ou o deixas ao abandono (leia-se poluição)?
(também eu já dou por mim a chamar postas aos posts)
beijoca tubarão - tinha de aproveitar esta aberta ;)
Publicado por: sofia às dezembro 13, 2005 09:48 PM
Isto é um boicote! Coméque a malta pode entrar no espírito da coisa se vocês andam aqui a espalhar boa onda? Já não basta o espírito do Natal para condicionar os impulsos malévolos e esvaziar a motivação à malta do contra?
Ò Sofia, francamente...
E quanto à biodiversidade não há problema: eu sou um tubarão fajuto e não cumpro o meu papel no topo da cadeia alimentar. Qualquer peixinho dourado pode dar conta desse recado... :)
(obrigado pela beijoca e segue outra pra ti, mas merecias era um calduço por vires práqui com essa bonomia e sem uma ou duas pedritas na mão)
Publicado por: sharkinho às dezembro 13, 2005 09:58 PM
Um beijo terno e sensual nesse teu focinho de tubarão. Um beijo com um pré-sabor a batatas cozidas com bacalhau e pedacinhos de alho, hummm. Um beijo sedento de dentes aguçados, carnívoros, de peixe assustador. Um beijo com sabor a mar salgado, a algas acastanhadas, rejeitadas por águas barrentas. Um beijo de quem se permite dar beijos - finalmente - nesta caixa de comentários.
(passei-me, a sério, mas é tão bom poder comentar novamente neste blog e dizer o que lhe vem à cabeça)
Publicado por: claudia às dezembro 13, 2005 10:59 PM
O teu entusiasmo, Claudia, deixa-me constrangido por manter as caixas fechadas. :)
Eu acrescentaria uma cebolinha picada com salsa (no bacalhau) e um agradecimento pela manifestação tão... efusiva do teu apreço.
Sabes que nunca te reprimi o impulso de dizeres o que te vem à cabeça neste blogue, excepto em circunstâncias muito específicas que nem interessa aqui recordar.
E esta resposta integra-se no meu compromisso de frontalidade, embora também tu não tenhas querido fazer parte dos que me podem zurzir sem medos nesta caixinha... (onde os beijos marcaram presença mais ou menos constante, aliás).
Publicado por: sharkinho às dezembro 13, 2005 11:22 PM
:-) lol. Um tubarão é sempre frontal. Aprecio. Quanto às ditas cujas circunstâncias, é verdade, é para esquecer. É um prazer comentar no Charquinho e, por mais que quisesse descascar nesse teu lombo de peixe gigante, não conseguiria. Podia dizer: "E quando me baniste, oh tubarão?". Mas tu tinhas razão... Aqui a sardinha da Cláudia andava a rabear demais e a chatear o cardume... Beijo na ponta do focinho.
Publicado por: claudia às dezembro 13, 2005 11:48 PM
Se é para dizer mal, aqui vai: és o blogger que melhor combina as imagens com os textos (excelentes só por si)! E isto não tem discussão!
Abraço
Publicado por: Carriço às dezembro 14, 2005 12:02 AM
Salut amigo !
Finalement tu nous abandonnes de libre droit et ton côté masochiste viens donner à battre un dos déjà doloris . Les squales ont la peau dure, mais pas insensible nous l’avons remarqué tout au long de ton aventure verbale.
C’est un excellent blog, mais je comprends que tu aies marre de ces gents parfaits qu’ont la science infuse et la manière contestataire ne comprenant que la démocratie ne doit pas être un moyen d’accès à la critique destructive.
Bon vent !
Publicado por: Manu às dezembro 14, 2005 07:36 AM
E pronto...
Um gajo a pedir porrada e só aparece gente numa de paz, de amizade e de amor.
Estragam-me com mimos e depois estranham que eu me vá abaixo das canetas.
Manu, Claudia e Carriço: aos três um sincero obrigado pelas vossas insistências e pela vossa fé na pessoa que eu nem sempre sei traduzir.
Publicado por: sharkinho às dezembro 14, 2005 09:04 AM
Ai queres? Atão cá vai.
Não concordo nada contigo nessa treta da liberdade de expressão. Um blog é a casa de quem posta, e quando se abre a porta de casa não se está a dar a liberdade de nos emporcalharem o tapete de entrada, descalçarem as botas enlameadas e abancarem no sofá a debitar disparates. Quem não se sabe comportar deve ser conduzido à porta da rua. Liberdade é aquela coisa que implica responsabilidade e respeito; cortar o pio a quem não se mostra digno da nossa hospitalidade não colide com a tal liberdade de expressão. E por isso, delete nos disparates, insultos e quejandos é uma medida mais que justa, é acertada. Liberdade é respeitar a liberdade do outro!
Toma, não concordo contigo.
E agora reservo-me para a tal posta de despedida para dizer mais de minha justiça... mas já adianto que tenho muita, muita pena que te vás.
Beijinhos
Publicado por: Lisa às dezembro 14, 2005 10:36 AM
Ó rapaz, não gosto de ti devido às cores das tuas cuecas (tubarõezinhos) onde é que já se viu... E essa de defunto anunciado? Agora deu-te pra isso, anunciar de véspera a morte como o perú? Toma juízo e vive a vida e logo agora que está aí o Natal... Um abraço se quiseres receberes senão também não faz mal! Pronto já despejei. Queres mais? Só mais uma coisinha: lindo poema que fizeste na posta de cima, aí não tiveste o "espírito da coisa". Bolas.
Publicado por: soslayo às dezembro 14, 2005 01:06 PM
Ò Soslayo, eu sou um daqueles gajos que ponderam a hipótese de encomendarem (e pagarem) antecipadamente o seu próprio funeral, só para não deixar para trás qualquer transtorno... :)
Sigo esse critério relativamente à minha presença na blogosfera, onde vivi pouco mais de um ano mas com muita (demasiada) intensidade.
E na posta de cima não está um poema, mas sim uma prosa apimbalhada (como fiz questão de sublinhar).
Aceito o abraço e retribuo o dito sem hesitações. Mas não abdico do colorido na minha roupa interior... :)
Publicado por: sharkinho às dezembro 14, 2005 02:32 PM
Até que enfim alguém consegue transmitir a sua ira quanto à minha presença blogueira, ò Lisa. Não terá sido exactamente hostil ou antipático, mas foi um comentário com o tom adequado para esta função. :)
Quanto ao resto, só posso dizer que tudo tem um tempo e o tempo do Charquinho está prestes a acabar. Poucos darão pela falta, verás.
Do blogue e do dono...
Publicado por: sharkinho às dezembro 14, 2005 02:37 PM
Eu vinha aqui dizer que és um u&%$#$%&!! e mais um b/((&&&%%/%$$""?!&! e ainda um raio de um V$#@&&%!!**ª?!!, mas depois li a posta ali de cima e apenas fui capaz de sorrir e de pensar que, ao contrário do que dizes, haverá quem te sinta a falta aqui na blogosfera. Um beijo.
Publicado por: Mar às dezembro 14, 2005 02:41 PM
(ah, e quanto à posta de baixo, apeteceu-me mesmo dizer LOL!);-)
Publicado por: Mar às dezembro 14, 2005 02:43 PM
Fica registada a tua indignação, sócia. (E a LOLADA também ;)
Quanto ao resto, o futuro o dirá a quem ficar para ver.
Dou-te dois.
Publicado por: sharkinho às dezembro 14, 2005 03:01 PM
Olá Beleza,
Desculpme-me, mas é assim que trato quem gosto.
Tenho andado meia longe... que deixei acumular trabalho e olha... agora deixo acumular posts, que não leio nem escrevo.
Tenho estado pouco por aqui... e tenho reparado nas caixinhas inibidoras dos comentários publicos... mas não privados...
O que tenho a dizer em teu desagrado...?!
Gosto de ti... Porra!
Beijos
Publicado por: Partilhas às dezembro 14, 2005 05:14 PM
É mesmo um desagrado, Partilhas, gostares de uma encomenda como eu... porra! :)
Espero que consigas recuperar dessa acumulação de trabalho, escritas e leituras, amiga.
Idem. Nos beijos.
Publicado por: sharkinho às dezembro 14, 2005 05:20 PM
:)
Dos comentários q li acima, identifico-me com a posição do soslayo.
E mais nada.
*
Publicado por: vague às dezembro 14, 2005 07:10 PM
E quem comenta assim não é gago, Vague Maria... :)
(Mas o que é que esta malta tem contra as minhas cuecas?)
Publicado por: sharkinho às dezembro 14, 2005 07:12 PM
aproveito também para te mandar um beijinho e dizer-te que gostei muito daquele céu ali em cima.
(esta cláudia não é a cláudia nova? é a antiga cláudia?)
Publicado por: susana às dezembro 14, 2005 07:19 PM
Só há uma Cláudia, Susana, mas muito multifacetada.
Retribuo o beijinho e partilho o teu gosto por aquele céu, afilhada.
Publicado por: sharkinho às dezembro 14, 2005 07:38 PM
lol, Charquinho. Agora fizeste-me rir. É verdade, sou uma espécie de camaleão. No fundo, todos nós somos multifacetados. Abraço pré-natalício para todos os comentadores da posta.
Publicado por: claudia às dezembro 14, 2005 07:46 PM
tem graça, eu pensava que a cláudia de ultimamente não era a cláudia de há um ano, que conheci aqui. estás boa, rapariga?
Publicado por: susana às dezembro 14, 2005 09:52 PM
olá, Jorge
Se bem que com algum receio que interpretes tudo isto ao contrário, aceito o teu desafio porque achei por bem escrever-te isto antes que acabes por fechar as portas:
Discordo completamente da tua decisão de encerrar este blog. Ao fim de todo este tempo, é evidente - não só para mim, creio - que gostas «disto» ainda mais do que a maior parte dos bloggers que conheço.
Mais errado me pareceu teres fechado a caixa de comentários. Para além de teres deixado passar a impressão de que o terás feito porque estavas zangado/desiludido com este mundo virtual - o que é legítimo sentir mas não tanto generalizar - também é óbvio que tal decisão é completamente oposta à tua maneira de estar e comunicar e, mais ainda, à "natureza" deste blog desde o início.
Enfim, a vida é tua, o blog também e daí, cada um faz as escolhas que entender.
Aqui há uns dias, numa caixa de comentários dum post mais abaixo, deixaste implícito algum desalento com o facto de algumas pessoas já não comentarem aqui como o faziam há alguns meses. Sendo isso é extensível a todos os blogs que conheço, tenho a certeza que a qualidade ou quantidade de comentários não pode ser determinante para continuar ou deixar de escrever num blog ou fora dele.
Tentando justificar algum afastamento e só podendo falar por mim - comentador demasiado poupado em guardanapos e "mãos largas" a estender lençóis como este - acho que fui vítima de algum cansaço relativamente aos ventos e tempestades emocionais que levantaste por esta ou por aquela razão, a que se seguiam manifestações de arrependimento e novamente ventos e tempestades seguidos de...
Espero que encares este último parágrafo não como uma crítica velada às tuas posições, à tua escolha desses assuntos. Tenho quase a certeza de que o terás feito porque, ao fim de centenas de posts, é compreensível cair na tentação de achar que era isso que as pessoas queriam ou então, que qualquer pretexto é bom para escrever e, sem dar por isso, transforma-se a vida e o blog numa espécie de Big Brother (como alguém terá referido, e bem, num desses momentos mais atribulados) em que, quem se expõe demasiado, tenha ou não razão, sai sempre a perder no final.
Um aparte: no dia seguinte à tua publicação dum post começado com uma foto, um close-up de ti mesmo, arranjei uma imagem do género Raio X térmico duma cara que parecia estar a ser consumida pelo fogo e escrevi isto:
«Ele há dias em que esqueço as turras mútuas e me apetece enviar-lhe um abraço e, logo de seguida, dizer-lhe que foi longe de mais, puxá-lo pelas orelhas para terra, trazê-lo de volta da névoa de pixels onde adora perder-se».
Não o publiquei porque havia o risco de ser mal interpretado e também para evitar entrar num esquema pouco claro de parábolas muito indirectas e com demasidas entrelinhas dirigidas especificamente a esta ou àquela pessoa que nunca se nomeia.
Para acabar de estender o lençol: posso não alinhar muito com desabafos emocionais - teus, meus, seja de quem for. Isso não me impede de achar que foi aqui (e na tua passagem pelo Afixe) que encontrei alguns dos melhores textos de ficção pura da blogosfera. Ficção mesmo, sem qualquer conexão com assuntos da actualidade. Mais uma escolha minha, certamente diferente da tua e da maior parte dos que têm passado por aqui.
Gostava que acreditasses que não há neste comentário qualquer intenção subliminar. Isto é o que penso realmente do teu blog e de ti enquanto blogger. Encara-o como quiseres. Para mim, além de responder ao que pediste neste post, foi a modos que uma tentativa quixotesca de te demover da intenção de fechares este blog.
Aqui ou longe daqui, fica bem.
Publicado por: jose quintas às dezembro 15, 2005 01:47 AM
Porra, Jota...
Porra porque não contava de todo contigo nesta altura e porque não esperava de ti tanta objectividade e conhecimento de causa nas observações que acima deixaste e que muito me orgulham, por te ter justificado tal empreitada.
Tens razão em praticamente tudo o que afirmas. E só não a tens toda pelo facto de existirem aspectos que não são do teu conhecimento e que influenciam o meu comportamento público e privado. Por causa das tais tempestades emocionais a que fazes alusão...
Ainda hoje não sei o que provocou o teu afastamento da Casa de Alterne, embora seja óbvio que te desmerdas muito melhor sem os condicionalismos que a nossa parceria acarretava.
Mas calculo que tenha dito ou feito algo que não devia, o que vem sendo apanágio da minha pessoa nos últimos meses.
É irrelevante, pois a merda foi feita e o resultado foi o que se viu, mas incomoda-me esta sensação de que posso dever-te um pedido de desculpa e não sei sequer porquê.
Eu não quero fechar o blogue, tenho que o fazer. Porque esta vida virtual interferiu em demasia no meu mundo lá fora. Porque a minha instabilidade e o excesso de dedicação a esta merda foram uma conjugação que me demoliu algumas defesas, nomeadamente o filtro do bom senso. E porque, tens razão, depois de uma fase de euforia em que me julgava nas nuvens aterrei com estrépito numa data de situações que me desmentiram o cenário cor-de-rosa que pintei.
Algumas dessas situações resultaram de pura paranóia minha, outras (como a do Afixe que citaste) resultaram das reacções de outras pessoas.
E a soma desses pequenos episódios de merda com o meu desacerto pessoal e a recente novela mexicana que muito me embaraçou neste meio e se arrastou de forma vil ao meu mundo "lá fora" (o que explica a necessidade da tal foto, a única saida airosa para a situação com que a mulher que eu chamava irmã me confrontou), tudo somado mais uma série de factores que tenho conseguido abster-me de escarrapachar neste "diário" deram cabo da minha fé e da minha capacidade para me enfrentar aos olhos dos outros que são todos vós.
Fechei as caixas para minha protecção, reconheço.
Não podia continuar exposto a algumas hienas que quiseram aproveitar o desacerto da minha vida e da minha lucidez para me fazerem o que nunca deixei: rentabilizarem o meu excesso de confiança e/ou a minha estupidez. Aconteceu em mais de uma ocasião, Zé, e foi degradando o lirismo com que abracei esta "causa" que tentei servir ao meu melhor nível (como pudeste constatar enquanto fomos parceiros nesta aventura).
Se eu pudesse viver disto não faria outra coisa, não tenho dúvidas. E se o desnorte não me tivesse arrastado para os excessos que agora se apresentam à cobrança, nunca colocaria sequer a hipótese remota de virar as costas a algo que se entranhou desta forma em mim.
Mas eu sou, como referi, um homem vulgar e sem traquejo para este tipo de pressão acumulada às que somei fora deste mundo virtual.
Preciso de estabilizar a vida e de recuperar o meu equilíbrio emocional, algo que não é viável no actual contexto da minha presença na blogosfera. Porque relevo em demasia tudo o que deriva daqui e porque me sinto de alguma forma inferiorizado pelos vários episódios de merda que protagonizei por minha iniciativa ou pela de outros(as).
Vivo bem com as minhas fraquezas pois cultivo forças que as podem compensar. Mas não vivo tão bem com as minhas vergonhas e com as minhas desilusões, com a constatação de que algo de errado se está a passar e que, sem dúvida, está a fazer-me mal.
Tenho que fazer sentido aos meus olhos e aos das outras pessoas, tenho que me saber um homem de bem. E nunca como nos últimos meses me senti tão afastado do homem que sou (que gostaria de ser).
É isso que está em causa e por isso tenho que me afastar, para recuperar o fôlego e tomar uma série de decisões importantes sem distracções.
E porque não quero deixar uma imagem distorcida do homem que já provei ser, ao longo de 40 anos cujo balanço não pode resultar em meu desfavor por uma fase endiabrada que aqui se reflectiu.
Os outros são sempre um pretexto para o mal que afinal está em nós próprios. E compete-nos lidar com esses desvios sem arrastar terceiros para o centro do furacão, como a blogosfera facilmente proporciona.
A tua reacção desmente-me uma série de pressupostos e de especulações. É mais uma prova de que necessito de parar para reflectir o homem que sou nesta altura, para me reencontrar com o gajo sem medos nem paranóias ou hesitações absurdas que me têm exposto os flancos e roçado o ridículo em situações pontuais.
E o "sumo" das amizades virtuais não rende o bastante para fazer delas uma espécie de muleta para as fragilidades que a blogosfera (na minha versão intensa e desbocada) nos obriga a expor.
É isso que está em causa, Zé. E por isso a tua intervenção tem um enorme significado e relevância para mim, sobretudo no que concerne à imagem que criei desta plataforma de comunicação e das pessoas que nela contactei.
Obrigado, meu amigo.
Foste afinal uma das minhas mais acertadas apostas e a blogosfera saiu a ganhar.
Quem diria?
Publicado por: sharkinho às dezembro 15, 2005 09:47 AM
Sim, estou boa, Susana. É um prazer ver-te por aqui também. Efectivamente, sou capaz de ter mudado... E isso nota-se na minha forma de abordar o real. Coisas da vida... No fundo, no fundo, talvez tenha ganho juizinho que bem me estava a fazer falta ;-) Beijinho.
E agora vou ler o longo comentário do Charquinho que está mesmo acima (quero saber o que o levou a escrever tanto).
Publicado por: claudia às dezembro 15, 2005 10:33 AM
Acho que já entendi mais ou menos o porquê da decisão da saída, Charquinho. Se é o que penso, digo-te que já saí queimada também... E compreendo perfeitamente essa situação. Uma pessoa faz as coisas por bem e as coisas acabam por cair... no lodo. Quero que saibas que estou inteiramente contigo. Entendo agora o porquê do teu "comportamento". Sem saber de nada, a minha intuição - que, por vezes, falha - dizia-me que só algo exterior podia estar na base de tal decisão. Acho que não me enganei. Abraço. Gosto de ti, Charquinho, e - podes crer, foste um excelente blogger, nem que seja pelas óptimas fotografias com textos com que nos costumas brindar - daqui até ao último patamar da contagem decrescente espero ver mais postas à moda do Charquinho.
Post Scriptum - No meio disto tudo, descobri que eras boa pessoa. Pelo menos, o que transmites naquilo que escreves não parece expor nenhum monstro do Lockness ;-)
Publicado por: claudia às dezembro 15, 2005 12:15 PM
O comentário do Jota foi o que eu chamaria de um comentário de "mundo real".
É aquilo que se diria cá fora, numa conversa frontal, de olhos nos olhos do interlocutor. Prova que, quando as pessoas são pessoas de bem e se posicionam neste meio também dessa forma, isso consegue transparecer nos comentários que fazem. Mostra a excepção. Porque, infelizmente, a regra é o que te leva a teres que sair um pouco para respirar e repensar a tua forma de estar neste mundo virtual. Que é isso mesmo. Virtual. Onde a maioria não se expõe como tu o fazes, porque se mascara de personagens que não encarna mas que apenas quer fazer de conta que lhes veste a pele. Porque considera que é assim que terá mais a ganhar. Embora este "mais", eu sinceramente não saiba bem o que é: Prestígio? Engates? Ego massajado?
Publicado por: Mar às dezembro 15, 2005 12:37 PM
Continuando:
Não sei bem o que se pretende ganhar quando se representa algo que não se é.
Mas que se pretende sempre ganhar algo, disso não tenho dúvidas.
O tempo que tenho de blogosfera também já me permitiu apreciar tantas manifestações disto que refiro, que acabou por provocar o desencanto ou "falta de pica" que agora tu mencionas. A um período de "exaltação" das virtudes deste mundo (que incluiu a descoberta de pessoas de carne e osso que valeram a pena) seguiu-se a constatação de uma maioria de factos que desmentem essas virtudes. A isso segue-se, invitavelmente, a desilusão. E a vontade de esquecer que isto existe, porque é falso o que aqui se diz e passa.
Generalizando, o que é sempre um risco, claro.
Resumindo: Não é boa política dar muito de nós num blogue. Paga-se sempre um qualquer preço e tu estás a senti-lo na pele, Shark.
A ficção ainda é a melhor forma de se sobreviver por aqui. Mesmo que seja real. ;-)
Por isso faz as tuas catarses e seja qual fôr a decisão que tomares, conta comigo para a apoiar.
Um beijo grandão.
Publicado por: Mar às dezembro 15, 2005 12:47 PM
Obrigado, Cláudia, por desmistificares o monstro em mim. :)
Sou, como o Zé Quintas, capaz de praticar sexo (pouco, claro), crimes (fiscais e pouco mais) e outras barbaridades (como manter um blogue).
Mas na maioria do tempo não faço mal a ninguém e ando enfiado nas águas mais profundas em que se movimenta um tubarão comum.
E eu, comparado com a maioria dos esqualos undercover, sou um vegetariano chapado...
Publicado por: sharkinho às dezembro 15, 2005 12:50 PM
Ao contrário do que é voz geral, eu não vou dizer para não fechares o blog. Mais: acho positivo que os blogs fechem, que outros abram, que a vida continue. Se chegou o momento de a viveres longe daqui, que seja, mesmo que isso custe a quem gosta de te ler. Mas os amigos estão para lá disto, como já aqui disse. Beijo, Tubarão amigo.
Publicado por: Zu às dezembro 15, 2005 12:50 PM
Já estava desabituado da versão long drink dos teus comentários, Mar. E agrada-me poder degustar de vez em quando uma carrada de palavras tuas, seja qual for o seu suporte.
Por diversas vezes partilhámos estes "desabafos" e estas interrogações no nosso privado e por isso tenho noção do que te vai na alma a propósito.
E creio que boa parte do problema está diagnosticada, mormente nas peles que se vestem e que nem sempre correspondem (pela positiva ou não) ao original.
De facto, eu tenho tentado ser fiel ao Jorge na minha pele de tubarão. O Jorge não é tão frio como um esqualo tradicional, embora possa revelar-se igualmente feroz (quando as circunstâncias o impõem). Nem é tão quente como o Shark, embora seja essa a sua predisposição de base.
No resto, um e outro são a mesma face da moeda que me cunhei.
Nem todos(as) são assim e isso induz-nos em erro, aumenta-nos as expectativas e reflecte-se nas evitáveis desilusões.
É prestigiante conseguir engatar e isso afaga-nos o ego por si só. Mas num contexto onde temos mesmo que provar o que valemos, dia-a-dia, do ponto de vista da tola e do talento e do que temos para dar, não me parece que a coisa possa passar por aí.
O que se ganha é o mesmo que na vida real, quando se adopta uma postura diferente da que seria natural em nós: trunfos efémeros que se desmantelam ao virar da esquina.
Ninguém consegue manter uma pála por muito tempo quando tem que "prestar contas" perante uma plateia tão atenta...
Conto contigo, sempre, nos momentos em que precise de alguém para me apoiar nos momentos mais complicados. E nos outros também.
Beijão, lindona!
Publicado por: sharkinho às dezembro 15, 2005 02:32 PM
Tens toda a razão, Zu. E por isso estou a caminho de cumprir esse papel na renovação do contingente blogueiro, esperando que outros(as) me substituam.
E vou fazê-lo o mais depressa possível, para não perturbar malta como o "Antão" da posta lá de cima... :)
Publicado por: sharkinho às dezembro 15, 2005 03:12 PM
Os cinco ou dez minutos por dia que posso dedicar à blogosfera, por recomendação dos senhores de bata branca que estão aqui ao lado, hoje foram todos aplicados neste post e respectivos comentários.
E agora que o tempo está a esgotar-se só me ocorre dizer-te obrigada. (Olha! Mas é que é isso mesmo.) Obrigada :)
De resto, sabes onde estou. Um jesuíta ou uma chamuça, galão ou imperial. Quando quiseres. Beijinho.
Publicado por: Mi às dezembro 15, 2005 04:41 PM
Acho que geriste bem os teus cinco minutinhos de hoje, amiga. Isto porque eu abri esta caixa na onda da terapia de grupo e tal, prá malta poder mandar vir na boa. Os senhores da bata branca, se disseres que foi no Charquinho, vão confirmar-te que é quase como se uma pessoa nem saísse da instituição... :)
Obrigado eu, mulher!
E ando mais na onda da chamuça (bem picante) e da cerveja (bem gelada). Quando puder. Beijoca.
Publicado por: sharkinho às dezembro 15, 2005 05:27 PM
e o galão pá!, sabes que sem o galão a rapariga não vai lá. corroboro o obrigada da mi, acho que é uma palavra bem escolhida.
beijinho. :)
Publicado por: susana às dezembro 15, 2005 07:26 PM
É verdade, o galão! Claro que sou capaz de beber um, só pra fazer companhia a uma verdadeira apreciadora... :)
Mas obrigada a quê, se foi feito por prazer?
Beijoca.
Publicado por: sharkinho às dezembro 15, 2005 08:10 PM
Obrigada O quê. Nunca um o fez tanta diferença numa frase... :)
Publicado por: sharkinho às dezembro 15, 2005 08:12 PM
nao tenho comentado por causa dessas guerras em que tu andas nao sei com quem.......nem porquê....gosto do que escreves,e como escreves, tao simples como isto,tenho pena que acabes .
Publicado por: Maria às dezembro 16, 2005 08:37 PM
Também eu tenho pena, Maria, e a maior guerra é o meu conflito interior.
Mas ou acabo com o blogue ou ele acaba comigo...
Publicado por: sharkinho às dezembro 16, 2005 08:52 PM