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dezembro 30, 2005

PAGO A PRONTO (reposta)

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Queria que a verdade prevalecesse. Integra, total. Não gosto de meias verdades e encaro como repugnantes as mentiras por omissão ou as mentiras piedosas que se utilizam para escamotear as realidades que queremos ver escondidas no fundo do baú. Como em qualquer mentira, afinal.
Não entendo porque fugimos como coelhos assustados para uma toca qualquer, sempre que não conseguimos enfrentar as consequências do que fomos na interpretação do que somos e do que afirmamos ser. Não entendo porque hipotecamos a confiança dos outros por medo das nossas revelações. E nem quero entender.

Queria apenas que a verdade servisse em todas as ocasiões e não apenas nas que nos servem qualquer propósito, legítimo. Queria que as mentiras e as omissões não minassem a confiança total que gosto de depositar nas pessoas, não me obrigassem a todo o instante a analisar incongruências e a pedir para elas uma justificação. Que chega trapalhona, envergonhada, camuflada num lapso de memória que alivia o desconforto de quem prefere fugir.

Queria que a coragem andasse de mãos dadas com todo o tipo de emoções. A verdade surgiria como uma consequência natural, pois a mentira e a sua amiga omissão servem apenas como tábuas de salvação efémeras para o que a vida se encarrega de descobrir, depois. Por acaso, ou talvez não...

Queria que os outros não receassem arriscar, que apostassem na minha lealdade, na minha capacidade para ser o fiel depositário de todos os seus medos, de todas as verdades temidas que só não corroem quando expurgadas, quando contadas a quem as mereça e saiba ouvir. As mentiras, como as omissões, posicionam-se num espaço negro da nossa consciência e envenenam-nos as reacções. Ficam demasiado próximas da traição.

Queria que as coisas acontecessem com espontaneidade, coerentes, frontais. Que as peças do puzzle não fossem apenas pedaços mal encaixados pelo esforço inútil do meu raciocínio ou da minha imaginação. Queria a confiança dos outros para lhes poder provar a minha, sólida e incondicional.

Tenho para mim como certa uma vida feita de utopias, de ilusões, de histórias mal contadas que me induzem à desconfiança e ao temor.
Nunca saberei perdoar a quem algum dia me enganou, nos pequenos detalhes como nas coisas relevantes. Não sei perdoar a cobardia nem recuperar a confiança que me escamoteiam.
Não sei entregar-me às prestações.

Publicado por sharkinho às dezembro 30, 2005 10:34 AM

Comentários

Shark,
Desejo que 2006 seja um EXCELENTE ano para ti e para as tuas meninas.

Publicado por: Mushu às dezembro 30, 2005 12:29 PM

Com toda a frontalidade,não vou fazer um comentário. :)
Venho desejar-vos um óptimo 2006, sharkinho e mar! :)
É preciso pá, navegar, navegar... :)

Publicado por: maria arvore às dezembro 30, 2005 09:55 PM

Deixa-os, quem perde é quem não percebe que a verdade vem sempre ao cimo. De uma forma ou de outra, mesmo sem me esforçar, acabo por perceber que me mentiram. Mas ao contrário de antes, em que confrontava as pessoas com a verdade, agora fico tranquila, pois nada fiz de errado. E esse meu perdão, que é agora essencial para a minha paz, passa obviamente por um necessário afastamento. Há coisas que não se desculpam, realmente, mas se as guardarmos em nós, continuaremos magoados. Só devemos guardar o que nos faz bem, tanto amigos como atitudes. Feliz Ano Novo.

Publicado por: rosmaninho às dezembro 30, 2005 10:25 PM

Meu querido Amigo Sharky, (permite-me que te trate assim, porque é assim que sinto). Sem escamotear e muito menos «às prestações» dou-te por inteiro e sem hesitações, os meus sinceros votos que tenhas um ANO NOVO cheio de realizações pessoais e profissionais e que concretizes o quanto antes o teu regresso. Olha Sharkinho, logo à noite e, quando der as 12 badaladas do entrar do novo ano e quando erguer a minha taça de champanhe, também o farei por ti e por todos aqueles que te amam. Não atormentes mais aqueles que gostam de ti e, o resto manda pr'aquele lugar. MEU AMIGO UM BOM ANO NOVO e aquele abraço.

Publicado por: soslayo às dezembro 31, 2005 06:35 AM

Shark, vê-se que este post tem destinatário e desejo que a mensagem chegue lá e seja aceite.
Por mim, vinha desejar-te a a todos de quem gostas, um ano muito bom, onde consigas realizar os teus sonhos - peçlo menos uma boa parte deles. Convém deixar "alguns sonhos" para reserva do futuro..
:)
Um abraço

Publicado por: ML às dezembro 31, 2005 10:37 AM

Mushu, Maria Árvore, Rosmaninho, Soslayo e ML: sabem que nem é meu hábito responder "em grupo". Mas está mesmo na hora de eu dar à sola para o meu poiso de transição e de concluir a minha intervenção aqui, conforme combinado.
E esta será a última até que eu volte a postar (uma hipótese sempre em aberto no futuro).
A todos/as obrigado e bom ano de 2006!

Publicado por: sharkinho às dezembro 31, 2005 06:35 PM

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