« MORO DENTRO DE TI | Entrada | A POSTA AFIXADA »
janeiro 18, 2006
A POSTA NA SENHORA SEM PUNHOS II

Podia ser a vizinha do terceiro, uma prima mais velha ou a professora de inglês. Quando à descoberta do corpo se associa a correria hormonal, marcha tudo quanto mexe. Na minha fantasia comi dois terços das vizinhas, quatro quintos das minhas colegas de turma e todas as fêmeas jeitosas que o destino colocava ao alcance do meu olhar. Eram os anos loucos da irmã da canhota e eu, adolescente apressado, devorava Henry Miller, a Gina e a literatura institucional que Abril permitiu. Isso mais as imagens descontextualizadas de todas as posições vagamente eróticas que alguma mulher assumia no meu raio de acção.
Foram dias castiços, clandestinos, quando buscava com ansiedade a melhor oportunidade para "esgalhar o pessegueiro". Observava, fantasiava e depois era só encontrar um poiso discreto para experimentar as delícias do amor a sós.
Valia tudo, nessa altura. O que se fazia e com quem, na carola de um puto sôfrego da sua estreia no mundo do sexo a dois, pouco interessava. Antes avaliava qual a ideia que mais depressa me despachasse a situação, para evitar o embaraço que um flagra em tais propósitos poderia provocar.
Nem aos melhores amigos confessava essa prática solitária, esse treino intensivo para a sexualidade que entretanto consolidei. As mulheres que amei, ao longo desse percurso de autodidacta...
A masturbação, assumo-o hoje sem hesitar, foi um estágio decisivo para o amante em que me tornei. Nos meus devaneios e ilusões consolidei a maior parte daquilo que hoje exibo na cama. As preferências e os limites, as competências e os apetites. Aprendi, na minha escola sem colegas, a controlar o momento de me vir, uma vantagem competitiva num mercado adolescente pautado por uma maioria de ejaculadores precoces que frustravam as miúdas. Percebi-o pela literatura e confirmaria depois. E revi-me vezes sem conta a aplicar teorias que desenvolvi no recato dos lençóis e nos palcos secretos da imaginação. Mais tarde resultaram nas diferenças que entendi destacar, as habilidades peculiares, o jeito pessoal de lidar com corpos partilhados com o meu.
Nada que não esteja ao alcance de qualquer comum mortal. Entrega altruísta com esperança justificada numa generosa retribuição. Isso mais a tesão, a meias.
Podia ficar tuberculoso, diziam-me, se insistisse em demasia nessa abordagem. Falavam-me do amigo do tio do vizinho que acabara os seus dias num sanatório, à conta do excesso de entusiasmo.
Mas eu entendi arriscar. Também fumava e assim até arriscava um cancro do pulmão.
“Aquilo” dava mais gozo e eu sentia que algum dia me iria servir para alguma coisa. E achava que nos sanatórios só proíbem o tabaco…
E porque me deu práqui?
Porque isto da blogosfera é mesmo disso que se faz. Actos solitários de prazer. Com terceiros, estranhos até, a espreitarem às escondidas pelo buraquinho da fechadura enquanto a gente grita.
Ai.
Publicado por sharkinho às janeiro 18, 2006 12:15 AM
Comentários
Já cá estou a espreitar. Ainda gritas?
:))
Publicado por: Hipatia às janeiro 18, 2006 12:46 AM
Ai... :)
Publicado por: sharkinho às janeiro 18, 2006 08:56 AM
Olha o grande sharquinho no seu melhor... palavras sem nexo ligadas por ponto e vírgula.
Publicado por: biquaite às janeiro 18, 2006 09:04 AM
Embaracei-te, foi? Perdoa-me Biquaite, podes sempre desistir do charco e insistir no Canal Panda...
Publicado por: sharkinho às janeiro 18, 2006 09:13 AM
Um tubarão num charco é mais divertido de pescar. Tem pouco por onde fugir e diz muito da pessoa: bicho grande num charco pequeno.
Publicado por: biquaite às janeiro 18, 2006 09:35 AM
A sério? Eu já tinha percebido que andas a tirar-me as medidas, mas não te sabia tão impressionado com as proporções.
Tiraste Biologia Marítima, foi? Ou és um obcecado por fitas métricas?
E tem cuidado: és muito chavalo para brincares com anzóis...
Publicado por: sharkinho às janeiro 18, 2006 09:54 AM
deu-te para aí e deu-te muito bem....
um bom dia para ti
Publicado por: Maria às janeiro 18, 2006 11:42 AM
Olha que o biquaite até foi gentil. Isto é mesmo do piorio. E o único embaraço que se sente é mesmo o de ver exposta tanta piroseira, tanto convencimento e tanta falta de jeito para a escrita. E mais: julgas tu que o teu percurso de masturbador tem alguma coisa que não tenha sido partilhada por milhões de miúdos? Santo convencimento!
Mas, ainda assim, esta prosa não morde os calcanhares da anterior: "Nesta carta registada onde ponho tudo a nu, a minha morada de sonho és tu"!
Terá existido alguma vez "poesia" mais bacoca e kitsch? Eu nem queria acreditar quando li isto:
"Ofereço-te amor nas palavras que escutas em troca do telhado que por vezes me facultas.
Na pele de inquilino e com poderes para o acto formalizo o pedido de renovação do contrato."
Isto é sensacional, poesia de pé-quebrado da melhor. E o mais fantástico é que aparece quem aplauda esta coisa!
Bem, está encontrado o site humorístico da década. Entrei aqui por acaso, mas prometo voltar.
Publicado por: Armando Marques às janeiro 18, 2006 12:47 PM
lolol. Ai, Sharquinho, Sharquinho.
Publicado por: claudia às janeiro 18, 2006 01:55 PM
Este blog nao deixa ninguém indeferente os comentarios sempre melhores.
Sharkinho gosto cada vez mais do teu blog, e como muitos, tenho que vir sempre.
Força amigo!
Publicado por: Manu às janeiro 18, 2006 04:57 PM
Salut, Manu. Je suis d' accord avec toi :P
Publicado por: claudia às janeiro 18, 2006 05:17 PM
Eu também vim cá...
:-)
Publicado por: Partilhas às janeiro 18, 2006 06:44 PM
Ai... ;) são tantos os ais que até parece o "Padre Padrone" ;)
Publicado por: maria arvore às janeiro 18, 2006 08:47 PM
Sharkinho, há pessoas que ficam incomodadas com as coisas mais simples da vida. Imaginemos se não fossem simples, entravam em transe. Um abraço e continua firme.
Publicado por: soslayo às janeiro 19, 2006 10:35 AM
Com as minhas desculpas pela ausência forçada, começo por agradecer a generosidade das vossas intervenções. Mesmo as que exibem o desagrado de quem, sabendo fazer melhor do que eu, investe o seu tempo na defesa da literatura séria que, de borla, é difícil de obter...
E passo ao Soslayo: firme o mais possível e sempre a cultivar essas coisas simples que referes. Grande abraço para ti também, amigo.
Publicado por: sharkinho às janeiro 19, 2006 10:47 AM
Bom dia, Maria. A minha veia eclesiástica inspira as gritarias mais cheias de fé.
A(i)men...
Publicado por: sharkinho às janeiro 19, 2006 10:49 AM
Olá, Partilhas. Folgo em reler-te por cá. Espero que esteja tudo numa boa contigo, dona tia. :)
Publicado por: sharkinho às janeiro 19, 2006 10:50 AM
Obrigado, Manu. Realmente, os comentários exibem cada vez mais o facto de a minha escrita paupérrima não deixar indiferentes os críticos mais ilustres.
É um orgulho para mim.
Publicado por: sharkinho às janeiro 19, 2006 10:51 AM
Ando fresco, Cláudia, como o tempo... ;)
Publicado por: sharkinho às janeiro 19, 2006 10:52 AM
Bom dia, senhor Armando Marques e bem vindo ao mundo fascinante da crítica literária.
Agradeço o empenho manifestado na defesa dos valores importantes que a blogosfera (esta, minha) conspurca.
Precisamos de pessoas assim, com elevado sentido estético, total disponibilidade para a defesa da língua-mãe e a convicção vincada de quem se sabe capaz de fazer melhor.
E por isso lanço aqui um repto: faça melhor! Envie-me a sua proposta alternativa e publicá-la-ei com imensa satisfação neste blogue que bem precisa de gente capaz para o engrandecer.
Seria uma honra, garanto, além de ser um privilégio aprender com os melhores.
Tem o email no cabeçalho do blogue, pode enviar a ilustração em anexo e todos quantos tivemos a sorte de ler as suas palavras ficaremos ansiosos para assistir à sua exibição de talento e capacidade.
Obrigado pela lição de humildade que me proporcionou. Sou um pupilo rendido.
Publicado por: sharkinho às janeiro 19, 2006 11:00 AM
Bom dia, Maria. É uma maravilha, esta cena da liberdade de expressão...
Publicado por: sharkinho às janeiro 19, 2006 11:02 AM
Esqueci-me de referir: senhor Armando Marques, fiquei encantado por saber que alguém com um IP de Telaviv(!) me comenta.
Ainda bem que a nossa "diáspora judaica" engloba portugueses do mais fino recorte e tão versáteis na arte de despistar o rasto...
Publicado por: sharkinho às janeiro 19, 2006 11:47 AM
Oh Sharkinho, então que é isso da diáspora e do IP? Não vez que foi "por acaso" que o Sr. Marques aqui chegou? Está ali no comentário...
"E o mais fantástico é que aparece quem aplauda esta coisa!" Será que tinha a ver com o meu comentário? Ai ai! Eu até esqueci de te bater palmas, Tuby :)))
Publicado por: Hipatia às janeiro 19, 2006 01:48 PM
Foi uma curiosidade, Hipatia. Estou certo de que anteontem França, hoje Israel e amanhã o Japão.
Só por acaso, as críticas mais assanhadas provêm sempre dos sítios de onde a gente menos as espera... :)
Obrigado pelos aplausos. Que soem daqui até ao médio oriente!
Publicado por: sharkinho às janeiro 19, 2006 02:15 PM
Estou a ver que a privacidade dos comentadores não é valor muito acarinhado por aqui. Tudo bem: a resposta dos medíocres, quando confrontados com quem destoa do coro de aprovações geral, costuma sempre andar perto da raiva mal-educada.
Por acaso, não vivo em Tel Aviv (é assim), mas não estou longe.
E não disse que você "conspurca" seja o que for; para isso, seria preciso outro arcaboiço que a sua escrita pretensiosa e infantil claramente não tem. Isto é só manhoso e piroso (para fazer uma riminha ao seu nível), nada mais. E não receie outras ameaças do meu IP, que aqui não volto.
Publicado por: Armando Marques às janeiro 19, 2006 04:01 PM
Armando, desculpe dizer-lhe isto, mas foi extremamente mal-educado. Se não gosta do que o Sharquinho escreve, é só mudar de canal. As suas críticas mordazes, corrosivas, são próprias de quem não encontrou o seu próprio caminho (ou passa a vida em desvios constantes).
Talvez as suas acerbas opiniões escondam outras facetas: a faceta da inveja, a máscara da frustração, o véu do medo que impede de ser.
Os meus melhores cumprimentos.
Publicado por: claudia às janeiro 19, 2006 04:14 PM
Armando, Armando...
Não marques mais a tua presença mesquinha. Ambos sabemos quem és e o que te move nesta cruzada.
E ambos sabemos também que voltarás com outra pele, até obteres o resultado que as evidências te negam.
Parte para outra. Esquece-me.
Publicado por: sharkinho às janeiro 19, 2006 05:41 PM
:)
olá, pá.
Publicado por: susana às janeiro 21, 2006 05:34 PM
Ora viva, afilhada.
Bons óculos te leiam... :)
Publicado por: sharkinho às janeiro 21, 2006 07:17 PM