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janeiro 22, 2006
QUERIA

muito que os outros imaginassem que tinha sido diferente daquilo que, na verdade, fora.
Talvez assim, aos seus próprios olhos, se pudesse engrandecer...não admitir a derrota, a frustação.
Utilizava os esquemas do costume, de alcance virtual quando o que queria mesmo era o doce calor de uma pele, a carícia no cabelo que nunca pudera provar. Talvez assim se convencesse de que só tinha sido um sonho a rejeição. Insistia na cegueira que, aos olhos de quem sabia a verdade, soava tristemente patética.
Só, uivava à lua cheia sempre que lhe parecia que o apelo podia lá chegar. Onde nunca fora.
O bom das palavras é que nos podem transformar em heróis e conquistadores. O mau é que não substituem um beijo, o quente de um colo ou o brilho do olhar.
Mar
Publicado por sharkinho às janeiro 22, 2006 08:30 PM
Comentários
Sou um apreciador destas aves marinhas... :)
Publicado por: sharkinho às janeiro 22, 2006 09:09 PM
Ah, e eu não troco (o quente de um colo pelo calor das palavras)...
Publicado por: sharkinho às janeiro 22, 2006 09:18 PM
Não duvido, sócio...;-)
Publicado por: Mar às janeiro 22, 2006 10:02 PM
Caro Shark: Ainda sobre as eleições onde já concordámos que não estamos de acordo. Continuando o nosso saudável (des)entendimento, pareces-me ser alguém perto dos 35 anos, pela forma, conteúdo e estilo da tua escrita. Ora eu tenho quase o dobro, e na minha vida profissional sou advogado (por isso te disse que conhecia muito bem o Garcia Pereira)e tenho contactado de perto com aquilo que os idealistas de esquerda chamam de povo. E o que a minha vida profissional me tem ensinado é que de uma forma geral estão desiludidos com o que os idealistas de esquerda apresentam como solução - que não soluciona nada. Não te iludas: não tenho cor política e se a vida me ensinou algo foi que os políticos servem-se de nós em vez de nos servir. Mas não concordo contigo quando defines Cavaco como o fizeste - ele é humilde, na medida que subiu a pulso, sem ajuda de ninguém (ao contrário de Louçã, Alegre e Soares, todos eles filhos de uma aristocracia) e nisso eu revejo-me nele, porqu consegui o que tenho a pulso, sem atropelar ninguém.
Tenho poucas ilusões do que fará Cavaco enquanto presidente, mas ao menos sei o que não fará, o que já não é mau.
Já te interrogaste porque é que ele, que é um Salazar em pequena escala, teve tanta votação? Creio que é esse o grande erro da esquerda - em vez de procurar compreender motivos quer que os motivos se adaptem às suas necessidades: ainda ontem ficou bem patente nos discursos de Louçã, Soares, Alegre e Jerónimo.
Um abraço; talvez no futuro acabes por me dar razão.
Publicado por: Almeida Garrett às janeiro 23, 2006 09:11 AM
Bom dia, Garrett. Tenho 40 anos, embora nunca tenha conseguido libertar-me da crise da adolescência que tanto influi no meu comportamento...
Sei onde queres chegar quando falas no desencanto que os líderes de esquerda nos provocam. E não é tanto uma questão da utopia inerente aos sonhos de esquerda, mas a noção clara de que a esquerda não dispõe de figuras capazes de se equipararem a essa postura de "salazar em pequena escala" que referes, de transmitirem a segurança que o povo (a palavra é porreira) busca em cromos como o novo Presidente. Nesse aspecto, o Sócrates foi uma falsa promessa e a maioria absoluta já ardeu.
Eu aguardo uma nova ideologia, mais moderna, mais à medida do mundo que deixámos construir e que é imparável em muitos dos seus caminhos.
Sou mais próximo do que se convenciona chamar de esquerda, mas não renego algumas práticas de direita que considero essenciais para o bom funcionamento da "máquina".
Gostava que os nossos Governos fossem seleccionados como numa equipa de futebol, os melhores, sem olhar ao seu "clube". Apenas os mais capazes, a puxarem para o mesmo lado que é a Pátria que deveriam ter orgulho em servir.
Mas isto é ainda mais utópico do que alguns pressupostos da esquerda como a acredito.
Um abraço. E nunca se sabe...
Publicado por: sharkinho às janeiro 23, 2006 10:23 AM
Sharkinho, Bonita a imagem desta ave lindíssima que aqui colocaste. Deixai-a voar que um dia (que há de chegar!) também deixará de voar e/ou da cadeira cair assim que a perna quebrar. Mau presságio!? Não! Apenas intuições. Também as tenho!!! Um abraço.
Publicado por: soslayo às janeiro 24, 2006 11:00 AM
Não fui eu que coloquei, Soslayo, a posta é da minha sócia e foi dela a selecção da passarada.
E vira pra lá esse agoiro, rapaz...
Publicado por: sharkinho às janeiro 24, 2006 11:11 AM
Sharkinho, o agoiro referia-se às aves de rapina (políticos) que estão e entrarão... Nada de más interpretações.
Publicado por: soslayo às janeiro 24, 2006 04:33 PM
:)
Publicado por: sharkinho às janeiro 24, 2006 06:00 PM