« QUERIA | Entrada | A POSTA NAS PASSARINHAS »

janeiro 23, 2006

SABER COMO SE FAZ

alma penada.JPG

De lágrimas nos olhos escrevo estas palavras que me abrem ao mundo na ânsia de transmitir a felicidade que o amor me traz. Lamechas, talvez. Mas trago em mim este frenesim de gritar o melhor que a vida me oferece e o quanto me apetece incutir em cada um de nós a vontade e a fé de encontrar o amor e alguém que o protagonize no nosso guião.
Não são lágrimas de dor, as que me ajudam a libertar a pressão que este sentimento provoca. É a música que toca em fundo, como uma banda sonora das emoções que sonho interpretar um dia na perfeição, num golpe de génio que me transforme num homem capaz de imortalizar com palavras o amor que gosto de tratar por tu.
É a música, Maria Callas a cantar, que me invoca a intensidade que ela tão bem conheceu. E é a minha alegria por me saber conhecedor, por entender o amor na sua essência.

Na minha, está sempre presente essa necessidade premente de abraçar a paixão como uma tábua de salvação para a minha forma de existir. Vivo para sentir e recuso abdicar da melhor oferta de entre as que a vida me consegue proporcionar. Viver para amar, pulverizar o coração com o combustível da mais forte aceleração que um ser humano pode conhecer. A velocidade da luz na intensidade de um olhar que nos disparam à queima-roupa, na faísca invisível que nasce nos lábios que se aproximam ao ponto de ebulição. A alta tensão numa carícia especial, empenhada, muito doce e ao mesmo tempo sensual.
Coisas difíceis de explicar, que nos entopem a fala como uma enxurrada de palavras a mais, as necessárias para o muito que há para dizer.

É isso que tento fazer, quando me sento diante de um monitor com a esperança de vos oferecer o melhor de que sou capaz nesta função. Desenhar a minha emoção nesta tela e assim partilhá-la com quem me lê, imagens reais em directo do meu interior, este espaço transformado no reality show daquilo que sou e daquilo que valho na arte da comunicação de mim. E de quem comigo partilha esta breve travessia pelo mar das interrogações, pela sucessão de acasos que nos empurra pela vida fora ao sabor de paradoxos e de coisas absurdas que raramente fazem sentido e, quantas vezes, insistimos em vão explicar.

Não sinto vontade de vos oferecer explicações. Nem disponho da sabedoria que me permitiria iludir-nos nessa premissa. As coisas que sei, o pouco que aprendi, são artes da vida que a experiência ensina e a sensibilidade permite interpretar.
A minha forma de dar, neste plano virtual, faz-se das emoções que tento escrever. As minhas e as das outras pessoas, as únicas responsáveis por tudo quanto sou capaz de sentir. A minha natureza são todos vocês, na proporção das relações que se estabelecem e do quanto somos capazes de acrescentar com as palavras que trocamos e daquilo que damos, mesmo quando nos dá para desatinar.

Por isso transpiro as emoções que me assolam e abro neste suporte as minhas portas, de par em par, para quem quiser entrar e fazer a diferença. Só assim se justifica esta insistência em comunicar o homem que sou nas palavras que vos dou, a minha ferramenta para dar largas ao trovador que seria num passado de cavalaria onde teria gostado de alternar o instinto guerreiro, nos campos de batalha, pelas causas mais nobres, com o apelo irresistível de contar o amor que gosto de viver em cada momento dos meus dias, nas camas e nos corações das mulheres que algures apaixonei.
As pessoas que amei, as pessoas que amo e as pessoas que exijo amar no futuro.

Tudo o resto são pormenores que às vezes me escapam, soam supérfluos na minha voracidade de glutão das sensações exacerbadas, das vidas agitadas pela minha intervenção e que constituem a minha razão de existir. E eu existo para amar a vida através de quem me aceita assim, tal e qual. Sou um dependente do amor que me dão e da paixão que aceitam em troca.
Sou um homem condicionado pelas existências alheias, exposto nessa fraqueza que me faz jogar à defesa por detrás das minhas ameias de papelão.
Contudo, sou um homem libertado pela fúria de um soldado que luta pelo amor descrito nas palavras de combate que vos dou.

Aquilo que sou. Apaixonado, destravado, o principal inimigo da minha lucidez.
Naquilo que dou. Emocionado, irreflectido. O amigo mais próximo da minha avidez, a alma penada que é o anjo da guarda que me guia no caminho que percorro sem ver, incapaz de abrandar no meio da luz que me cega.
A minha sofreguidão pelo amor, sob todas as formas, é a principal razão da cegueira. E esta é a minha maneira de partilhar o que sigo como uma visão, a rota do coração numa vida pautada pela firme certeza de que os ventos que me sopram são forças que me arrastam para os (a)braços (e)ternos de que a felicidade se faz.

Publicado por sharkinho às janeiro 23, 2006 01:16 PM

Comentários

Ou se sente ou não se sente. E o amor é isso mesmo, é sentir. Intenso, "destravado", louco, sonhador, altruista e egoista a um só tempo, torrente turbulenta de rio e baía calma de águas doces, a coexistir na plenitude.
Ou existe ou não existe. A emoção, a sensação a que se chama Amor.
E, se existir, não tenho a menor dúvida de que é com alguém como tu que ele é verdadeiramente experimentado e saboreado.
Não há meios termos no Amor. Simples. ;-)

Publicado por: Mar às janeiro 23, 2006 03:02 PM

E quem pode gostar de uma vida em lume brando? De vez em quando, ainda vá...
Mas por sistema, jamais!
O ritmo certo é o que melhor serve o propósito de esmifrar a vida até ao tutano. Ou seja, a abrir. :)

Publicado por: sharkinho às janeiro 23, 2006 04:55 PM

Deixa só que te diga que tanto deste texto, especialmente o último parágrafo, podia ter sido dito por mim... se, apesar da cegueira, o conseguisse exprimir desta forma - mas não sou capaz! É quase o escutar de um eco, a visão de um reflexo de algo que também trago no coração.

Muito, muito belo, o sentimento descrito e a forma como o fazes.

Um abraço.

Publicado por: Andy às janeiro 24, 2006 10:07 AM

É bom saber-te capaz de entender o que está em causa, Andy. Gostava que pelo menos uma vez na vida toda a gente conseguisse conhecer a experiência, pois acredito que teríamos um mundo melhor se prevalecesse este estado de alma.
Obrigado pela forma como manifestaste a tua "comunhão espiritual" comigo nesta prosa, amigo.
Cá chegou, recebe um dos meus em troca (barbatanas wide open).

Publicado por: sharkinho às janeiro 24, 2006 10:14 AM

Sharkinho, e, é assim que se querem os homens, apaixonados e destravados ao mesmo tempo, porque o Amor é a grandeza que nos enriquece a alma e o coração, porque o Amor é o alimento do nosso ego e razão de existir. Dar e receber amor faz de qualquer um a sua dor, mas vale sempre a pena este valor intrínseco entre o dador e o recebedor. Um abraço "destravado".

Publicado por: soslayo às janeiro 24, 2006 10:39 AM

Ora bem, vejo que não estou só nesta euforia que o amor gera. E agrada-me constatar que nós, os machos da espécie, já vencemos o preconceito que no tempo dos nossos pais tornava os homens "maricas" quando falavam destas coisas (à época) reservadas às leitoras da Crónica Feminina e do Corin Tellado... :)
Nos abraços nunca se mete travão, meu amigo ilhéu!

Publicado por: sharkinho às janeiro 24, 2006 10:47 AM

Não estarás, certamente, só, na euforia do amor. Embora a falta de entusiamo ao nível dos comentários nos possa levar a pensar que o Amor está "demodé"...ou então que as pessoas não têm vontade de travar debates sobre temas sérios como este. É mais fácil largar umas larachas sobre o conteudo de um frigorífico, sem dúvida.

"Anyway", considero esta uma das tuas melhores postas, o amor "cantado" pela voz do coração, o homem que és aqui depojado de ficção.
Parabéns, trovador ;-)

Publicado por: Mar às janeiro 24, 2006 06:34 PM

Obrigado, Mar, pelo voto de confiança implícito.
Pegando no que dizes, noto de facto uma maior tendência de quem comenta para procurar outro tipo de assunto (de pessoa, também) e essa tendência reflecte-se de caras no charco.
Custa-me a acreditar que seja uma questão de moda ou de que quem comenta pretenda evitar os temas sensíveis e busque refúgio nos conteúdos dos frigoríficos (giro, o exemplo, mas não me peças para falar do conteúdo do meu - já não vou ao super há uns dias...).
E admito que esperava outro tipo de eco ao que escrevi, mas presumo que tem mais a ver com factores conjunturais do que com uma espécie de boicote a este tópico em particular... :)

Publicado por: sharkinho às janeiro 24, 2006 07:02 PM

Estás mesmo em transe caramba....é bom....
Linda essa tua paixão e lindas são as palavras com que a descreves....parabéns!

Publicado por: sofia às janeiro 25, 2006 10:34 AM

Não estou, Sofia. Sou assim desde que me conheço, sedento pelo melhor que a vida tem. Pelas coisas lindas como a paixão e as palavras (que são uma benção) que me permitem exteriorizar estes estados de alma que me fazem sentir mais vivo. E muito mais feliz.
Obrigado pela tua simpática opinião.

Publicado por: sharkinho às janeiro 25, 2006 10:41 AM

Comente




Recordar-me?

(pode usar HTML tags)