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fevereiro 18, 2006
ASPIRINA X

Como referi duas postas atrás, estou engripado. E os sintomas estão assanhados o bastante para um médico me receitar um antibiótico.
Questionar o critério de um médico é algo que só concebo quando é evidente o engano (sempre possível) nas suas opções terapêuticas. Nem deve ser o caso, mas parece-me que prefiro confiar na capacidade das minhas defesas naturais para combater o bicho que me entope as guelras. E explico porquê.
Tenho o péssimo hábito de ler aqueles papéis com letrinhas muito pequenas que os laboratórios farmacêuticos fazem, por gentileza, acompanhar os seus produtos. Chama-se posologia, ao que sei, e contém a informação que se julga necessária para todos sabermos que raio de mistela estamos a enfiar pela goela. E sempre que leio este manancial de informação desencadeio em mim uma reacção alérgica. Tomem nota, por favor, do que o laboratório que fabrica o antibiótico que me foi receitado inclui num parágrafo a que dá o título “possíveis efeitos indesejáveis”.
A itálico destaquei as “panaceias” para dourar a pílula e a onda “ok, este faz mal. Mas os outros não são melhores”.
(…) Foram observadas, embora com uma escassa incidência, manifestações digestivas, perda de apetite (anorexia), náuseas, vómitos/diarreia (chegando a causar de forma excepcional desidratação), fezes soltas, incómodos abdominais (dores/cólicas), obstipação, flatulência, colite pseudomembranosa e, raramente, descoloração da língua.
Em alguns doentes, com doses elevadas e durante períodos de tempo muito prolongados, observaram-se alterações da audição que na sua maioria desapareceram quando se interrompeu o tratamento.
Em alguns doentes observou-se, de forma excepcional, alteração no paladar.
Em alguns doentes observaram-se casos de alterações das funções hepática (raramente graves) e renal.
Observaram-se casos de tontura/vertigem e convulsões (tal como sucede com outros antibióticos deste grupo), assim como dor de cabeça, sonolência, formigueiro, hiperactividade, reacções de agressividade, nervosismo, agitação e ansiedade.
Em ensaios clínicos foram observados, por vezes, episódios de neutropenia ligeira transitória (diminuição do número de glóbulos brancos), embora não se tenha estabelecido a sua relação causal com a Azitromicina, e de trombocitopenia (diminuição do número de plaquetas).
À semelhança de outros antibióticos, foram comunicadas reacções do tipo alérgico, em raras ocasiões de carácter grave, em doentes tratados com Azitromicina.
Foram comunicados casos de alterações cardíacas (tal como sucede com outros macrólidos), embora não se tenha estabelecido uma relação de causalidade com a Azitromicina.
Excepcionalmente apresentaram-se reacções cutâneas graves.
Foram comunicados casos de astenia (cansaço) mas não se estabeleceu a sua relação causal com a Azitromicina, assim como de infecções por fungos, dores nas articulações e vaginites.
Eu estou constipado, porra! E este mal já conheço de ginjeira.
Sinceramente, doutor: Prefiro morrer da doença.
Publicado por sharkinho às fevereiro 18, 2006 11:20 PM
Comentários
quem é vivo sempre aparece... e acabou de me acontecer exactamente o mesmo que a ti.
Também tenho a mania de ler essa maldito papel que me põe sempre a desistir de tomar seja o que for.
As contra indicações dividiam-se em três secções -
pequenas, médias e grandes.
Bem não digo mais nada excepto que só um super homem com uma saude de ferro poderia sobreviver à ingestão de semelhante produto sem lhe dar a pataleta de vez.
xi
maria de são pedro
Publicado por: maria de são pedro às fevereiro 20, 2006 09:47 AM
Olha a Maria das Causas! Viva, rapariga, bons olhos te leiam.
Realmente é assustador ler a "argumentação" desta mercadoria...
Eu não tomei aquilo. E só em desespero de causa o faria.
Bom ver-te aqui.
Beijos.
Publicado por: sharkinho às fevereiro 20, 2006 11:21 AM
shark
todas as bulas são obrigadas a referir e prever possiveis efeitos secundários, ou serão de imediato processados por displiscencia, em caso de dores de dentes nos 3 dias a seguir porque houve quem os mastigasse em vez de os beber com água ;-)
Normalmente são assustadores, mas mesmo assim ainda não impedem a malta de experimentar os remédios que a vizinha tomou e que lhe fizeram muito bem, ou ainda aquele comprimidos novos que fazem bem ás enxaquecas,à dismenorreia,à cutis e afins.
Agora imagina sem bula...
Mas concordo contigo, em não tomares. Por qualquer coisa se recitam antibioticos,e as multi-resitencias já são um facto confirmado.
Neste caso a azitromicina é como todos os outros, passiveis de provocar qualquer merda.
mas tb basta a malta andar na rua para lhe cair um piano de cauda em cima ;-)
melhoras, pá!
Publicado por: j.p. às fevereiro 20, 2006 12:31 PM
Olá, bom dia j.p..
Acredita que achei o médico muito "rápido no gatilho". Eu fui à urgência por causa da cólica e ele, para aproveitar o embalo, toca de me atacar a gripalhada (que hoje até está mansa...) com um antibiótico. Sendo eu (muito) alérgico à penicilina e derivados, tenho que evitar a ingestão das alternativas por dá cá aquela palha.
Não tomo não, chiça!
Alguma vez eu ia arriscar uma vaginite, e logo como efeito secundário? :)
Publicado por: sharkinho às fevereiro 20, 2006 12:58 PM
Boa noite shark
cólica...gripe, cólica,e já sgora que tal um antibioticozito para a gripe?
Caía bem.
assim, sempre se vai esquecendo da cólica enquanto coça a micose, provocada não pela sua vaginite, mas pela vaginite que lhe vai provocar.
Conheçe a Candida...a Albicans?
:DD
Publicado por: j.p. às fevereiro 20, 2006 11:43 PM
Já ouvi falar, j.p.. Mas não aprecio fungos, mesmo continuando a fungar imenso por causa da gripe.
E era incapaz de provocar tal coisa, sobretudo a mim próprio (por falta dos cromossomas adequados). E a outrém (pela ausência de comportamento de risco - não estou a falar de sexo, mas da ingestão de antibióticos).
Insisto, prefiro morrer da doença. ;)
Publicado por: sharkinho às fevereiro 21, 2006 12:09 AM