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fevereiro 27, 2006
(MÁS)CARAS
Interrogo-me aonde quererá chegar toda esta gente.
Quantos silêncios existem atrás de cada rosto?
Do lado de fora sorriem, movem os lábios. Andam como um grande rebanho abandonado no cimo da colina, que já náo sabe o que fazer (...)
Todos são peças dentro desse conjunto a que chamam "massa": a família, a povoação, a colectividade.
É preciso assumir demasiadas máscaras para se integrar no conjunto e, quando alguma coisa falha, dá-se o caos.
Karla Suarez, in Os Rostos do Silêncio
Lembraste-me, com as tuas últimas postas, este excerto, que fixei particularmente, de um livro cru e objectivo, a partir da visão de uma mulher analítica. Desassombrada, sem paninhos quentes no que toca a retirar conclusões sobre a vida.
Por vezes, na grande maioria das vezes, é assim que sinto as pessoas e o mundo.
Praticamos variações de nós próprios, consoante o rebanho ou matilha em que nos integramos para prosseguir determinado objectivo.
O rosto profissional umas vezes, noutras o rosto de vizinho, de amigo, de pai ou mãe, de passageiro do banco ao lado, ou então o rosto de líder, de subordinado, de amante, de amado.
É o preço da sociedade, que nos torna actores.
Os melhores vivem várias vidas numa só e, às vezes, até se safam.
Os outros, que gostariam de não ter que afivelar, tantas vezes com cola de fraco poder, tanta máscara distinta e que optam por não o fazer, são olhados de lado, peças fora da engrenagem, alvos de suspeição e temor. São originais de ser humano, esses. Reversos do verso aceitável. Côncavos do convexo impresso no molde. Felizes, simplesmente.
Mar
Publicado por sharkinho às fevereiro 27, 2006 03:17 PM
Comentários
A felicidade é impossível de mascarar. E a maior parte da verdadeira essência de cada um de nós também acaba por transpirar por detrás dessas peles que se vestem, por imperativo ou por simples apetência pela facilidade inerente à vida sob uma postura disfarçada.
Quem não se camufla paga um preço, mas tem contrapartidas porreiras.
Achei interessante a tua referência ao facto de os melhores conseguirem viver várias vidas numa só.
Invejo essas pessoas. Mas não consigo imitá-las.
Boa posta, sócia.
Publicado por: sharkinho às fevereiro 27, 2006 06:11 PM
Os "melhores" era em referência a actores, sócio, actores...
Também não sou boa actriz. E nem sequer invejo os que são.
Mesmo que à conta disso, o rol de desastres que carrego como uma cauda de cometa, vá crescendo.
Mesmo assim, ainda prefiro ser apenas eu. Se bem que dando o braço a torcer, vezes sem conta. Ou, pelo menos, as que forem precisas para não afastar quem mais prezo.
Ainda bem que gostaste. :-)
Publicado por: Mar às fevereiro 27, 2006 08:11 PM
Uma amiga minha, sábia e caótica, costumava dizer, "não sou contraditória, sou vasta"...
Publicado por: perseguidor às fevereiro 27, 2006 09:29 PM
Perseguidor, pá, folgo em saber que não postas mas apostas em excelentes intervenções, que são teu apanágio, neste charco de ambiente marinho.
Mas esta posta não é minha e por isso estou aqui apenas para te dar um bacalhau (aí não há, calculo...).
Publicado por: sharkinho às fevereiro 27, 2006 10:44 PM
Excelente texto.
Um @bração do
Zecatelhado
Publicado por: zecatelhado às fevereiro 28, 2006 12:19 PM
Excelente texto.
Zecatelhado
Publicado por: zecatelhado às fevereiro 28, 2006 12:19 PM
O meu texto pretendia fazer, precisamente, a elegia dessa vastidão, perseguidor.
Publicado por: Mar às fevereiro 28, 2006 01:05 PM
Obrigada, zecatelhado.
Publicado por: Mar às fevereiro 28, 2006 01:05 PM
