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março 21, 2006

No tempo em que eu acreditava

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aqui

que as pessoas eram isentas, tinha a convicção de que também eram sinceras.
Quando eu ainda era ingénua o suficiente para crer que os actos se praticavam sem que um inconfessável objectivo individual os movesse, era capaz de apreciar tudo o que de novo se me oferecia ao olhar.
Nesse momentos de crença ou fé, até era capaz de sorrir ao ler um email, aplaudir o esforço que produzia um texto mediocre mas, ainda assim, um texto.
Nessas eras longínquas, confesso, os dias tinham mais piada, a expectativa tirava-me o sono, a esperança ainda me vestia.

Hoje, dois anos, alguns encontros blogueiros e um projecto colectivo volvidos, ensinaram-me o alfabeto com que leio as caixas de comentários semi-vazias.

Mar

Publicado por sharkinho às março 21, 2006 08:39 PM

Comentários

Claro e conciso, sócia. Aprendeste a ler e a escrever na mesma escola... ;)

Publicado por: sharkinho às março 21, 2006 09:51 PM

Não se pode pedir mais do que se dá, Mar. Ou então não esperar receber em igual medida. Queres um exemplo? Há quanto tempo não vais à Voz? As pessoas desaprendem os caminhos, especialmente por aqui, onde há sempre caminhos novos. No fundo, tudo depende sempre da postura: dar e receber e, com a nossa medida, acabamos também medidos. De certa forma, todos acabamos a colher o que semeamos.

Publicado por: Hipatia às março 21, 2006 10:33 PM

E muito mais, parceiro. E sabes? Estou grata por isso, à escola que me faz hoje olhar com um sorriso sereno aquilo que antes me parecia real. Cai-se menos quando não se voa tão alto.

Publicado por: Mar às março 21, 2006 11:26 PM

Os provérbios populares resultam de experiência acumulada pelos homens, sem dúvida, Hipatia. E têm o seu quê de verdade.
Mas eu acabo sempre a contorná-los.
Primeiro, quando dou muito é porque quero, sem que os outros sejam obrigados a retribuir.
E muito menos me passa pela cabeça pedir em troca porque, se pedir, o que me é dado já não tem o sabor da espontaneidade.
E a minha posta não fala de reciprocidades.
Fala de desilusões. Essas acontecem quer demos muito ou pouco.

(À Voz vou quase todos os dias, ainda hoje de tarde)

Publicado por: Mar às março 21, 2006 11:33 PM

Mas a última frase do teu post parecia cobrar, sabes? É assim que vai ser lida, não tenhas dúvidas. E, quanto às visitas que fazes à Voz, agradeço, claro. Mas eu, que não controlo IP's nem visitas, que tenho contadores em que não me fio e onde raramente vou, digo-te apenas que entrar silenciosa e sair calada pode não chegar. E eu poderia fazer um post com uma frase muito semelhante à que deixas no fim do teu post. Mas, em lugar de me queixar e apesar das desilusões, prefiro continuar a achar que por aqui funciona a partilha, para o bom e - às vezes - também para o mau. Se as visitas silenciosas te chegassem, terias feito o post da desilusão a remeter para "o alfabeto das caixas de comentários semi-vazias"?

E se achas que te estava a cobrar visitas, desengana-te: estava a dar um exemplo. Eu nunca quis um blogue cheio de comentários a que não tenho tempo de responder. Não me causa qualquer espécie ver o número de respostas a zero. E sei bem que vou tendo o que mereço e o resultado tem sido, apesar de tudo, muito positivo.

Publicado por: Hipatia às março 22, 2006 12:01 AM

Hipatia:

Este blog tem em média cerca de 800 visitas por dia.
O meu post não tem nada a ver com números, estatísticas e afins, asseguro-te.
Tem a ver com situações e pessoas concretas. Experiências minhas desde que entrei para a blogosfera há mais de dois anos. Cada um interpreta e lê como quer, como é óbvio. São experiências e conclusões minhas, com base em factos.
As tuas serão diferentes, óptimo para ti. Como digo também, no tempo em que as minhas eram parecidas a essas tuas, este meio dava-me muito mais pica.

Publicado por: Mar às março 22, 2006 09:32 AM

Ó Mar, não foi má a minha intenção em não fazer o tal comentário aqui. Só achei que seria completamente descabido vir cortar esta conversa para uma pergunta que poderia não ter qualquer nexo. Infelizmente, aquilo fechou mesmo.

Mas já que aqui estou aproveito para dizer-te que, simplesmente, adoro o que escreves. O que dizes e como o dizes. E se mais não comento é por ainda não ter posto totalmente de lado a timidez de uma blogueira inexperiente ou não encontrar as palavras certas para comentar as tuas (sim, eu ainda busco as palavras).

Publicado por: 6to100tido às março 22, 2006 03:19 PM

Nem eu pressupus isso, colega blogueira! Foi mesmo para te manifestar a abertura total destas por(s)tas que me dirigi a ti ali em baixo. :-)
Para colocares as questões que queiras, sem restrição, foi o que te quis dizer.

Quanto à Casa de Alterne, rectifico, parece que foi a decisão do sócio, respeito, claro.

Obrigada pelo teu apreço pelo que escrevo, sente-te livre de dizer o que te apetecer, bom ou mau. As palavras são sempre uma riqueza. :-)

Publicado por: Mar às março 22, 2006 03:52 PM

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