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abril 21, 2006

cravo2.jpgA POSTA NA MANIA DA PERSEGUIÇÃO

aultimachance.jpg


A blogosfera duplica de tamanho a cada seis meses. Já existem mais de 35 milhões de blogues e surge um novo espaço a cada segundo que passa. Um por segundo!
Isto implica que a blogosfera está sessenta vezes maior do que há três anos.
Contudo, existe quem defenda que a blogosfera é uma espécie de parente pobre na Internet. E mesmo quem não é apologista dessa teoria acaba por relegar para segundo plano o papel desta comunidade, com a Imprensa (sempre tão ávida de divulgar os sites, esses parentes próximos) à cabeça do silenciador colectivo que olha para os blogues como algo de irrelevante no contexto da net.

No entanto, esta é uma das 50 mil postas publicadas na última hora pelo produtivo grupo que integramos. São números colossais, impossíveis de ignorar sob qualquer perspectiva.
A blogosfera está a tomar conta da Internet e não é uma moda passageira como muitos aventaram.
Ninguém se iluda com o fim de alguns blogues de referência e o de uma infinidade de outros que apenas se viram encerrados pelo processo de selecção natural ou por mero cansaço de quem os fazia acontecer. Isso faz parte do processo de amadurecimento daquele que, no meu modesto entender, constituirá um dos mais poderosos meios de comunicação desta década.

O que fazemos, postar/comentar, é um acto puro de liberdade de expressão. É, se quisermos extremar posições, um baluarte dos valores que a democracia representa. A reacção hostil dos vários poderes é sintomática.
Se nos países onde a repressão faz escola o controlo da blogosfera surge como uma opção inadiável, isso representa o reconhecimento da ameaça que representamos. E ameaçamos contrabalançar a manipulação informativa por parte de quem possui interesses obscuros a defender. A saber: o poder financeiro (que não conseguiu até à data impor-se aqui como noutros suportes virtuais); o poder político (que vê expostas as mazelas sem poder evitar a respectiva divulgação e arrisca ver brotar movimentos pontuais de cidadãos anónimos em torno de causas potencialmente embaraçosas); o poder dos media (dominado pelos dois anteriormente referidos e que tenta atabalhoadamente manter uma relação de amor-ódio com este novo factor na permanente guerra de audiências que anima e conduz a Comunicação Social).

É a reacção da Imprensa que mais me preocupa. Seria natural o nascimento de sinergias entre estas duas formas de comunicar, traduzida até na crescente proliferação de Jornalistas no nosso meio (e de blogueiros/as no deles). Porém, a Imprensa foge da divulgação da blogosfera como o diabo da cruz. Nas televisões insistem em apelidar de “site” os poucos blogues que se vêem obrigados a citar por força do impacto da sua intervenção. Nos jornais, raramente a blogosfera ocupa mais do que um espaço exíguo numa página secundária qualquer.
Esta opção contraria (tenta contrariar) o inevitável: a blogosfera representa, mais do que muitos jornais e apesar de alguns embustes que se produzem no nosso seio (como no deles), um veículo mais credível (e acessível) de informação em muitas áreas do que a Imprensa escrita.

Esta mini teoria da conspiração que se subentende pelas minhas palavras é gerada pelos factos que citei e alimentada por outros sobejamente conhecidos entre nós, episódios pontuais de reproduções jornalísticas sem citação da fonte. E um blogue é (ou pode ser) uma fonte tão legítima como qualquer outra, devendo ser citada nessa condição. Se assim não acontece, à sombra do anonimato que alegadamente nos descredibiliza nesse particular, é porque dá jeito manter discreto este fenómeno que construímos de borla, com a teimosia e a persistência de carolas empenhadas (regra geral) em produzir um trabalho em condições e que justifique o tempo e a atenção que nos são dedicados.

O Charquinho não se engloba sequer nos blogues directamente afectados pelos factos a que fiz referência. É rara a nossa incursão por temas que possam perturbar o dolce dire niente que reina neste país em visível degradação social e económica (o nosso inenarrável parlamento e a aflição bem patente no desnorte da acção governativa são um espelho da gravidade da situação). E somos inexpressivos para a estatística.
Mas a questão de princípio, a Liberdade que esta actividade simboliza, pode a curto prazo ver-se ameaçada pelo esforço conjugado de quem a entende como um mal a combater. Porque esperneamos sem que alguém possa impedir que tal aconteça, porque podemos denunciar o que está mal e opinar acerca de rigorosamente qualquer matéria sem nos expormos aos “castigos” que a sinceridade acarreta noutros meios mais à mão dos poderes.

Não é uma questão menor, vista nestes termos. É uma soma de pequenos indicadores que justificam alguma atenção e suscitam crescente reflexão (organizada) por parte de quem pretenda entender a blogosfera como um pouco mais do que um passatempo inconsequente.
O futuro que nos está reservado em matéria de liberdade de expressão passa seguramente pela protecção dos direitos e pela imposição dos deveres de quem bloga. Se a anarquia e a impunidade não servem os propósitos seja de quem for, os mecanismos de controlo aplicados sem uma discussão séria com a intervenção directa dos visados acabarão por nos condicionar sob um jugo de regras e de punições que desencorajem os mais bem informados e, acima de tudo, os mais afoitos a divulgar o que possa prejudicar os interesses de quem mais ordena.

E num país em vias de bana(na)lização dos maus hábitos, com Abril a definhar aos poucos na sua expressão democrática (mediática?), não é ao povo que me estou a referir.


(Se calhar este texto torna-me elegível como alvo potencial de uma implacável atoarda do nosso Grande-Guru num blogue e/ou num jornal de grande expansão. Do alto destes vinte meses de blogosfera o meu quarto de hora de fama vos contempla)

Publicado por sharkinho às abril 21, 2006 11:51 AM

Comentários

Não há dúvidas que me excluo do grupo de bloguers que encara a sua actividade como passatempo inconsequente. Sempre tive o claro intento de o utilizar para consolidar eventuais alegações de insanidade mental. Como é óbvio este comentário também se enquadra no plano.

Publicado por: PN às abril 21, 2006 02:59 PM

Concordo em absoluto. Irás certamente alcançar os teus propósitos e partilharás comigo (no Miguel Bombarda) os louros do triunfo final.

Publicado por: sharkinho às abril 21, 2006 04:55 PM

Deixo-te um pensamento: democracia e liberdade, são incompatíveis. Só existe uma, quando falta a outra. Ora pensa bem nisto.

Publicado por: Almeida Garrett às abril 21, 2006 05:52 PM

Já me arranjaste um sarilho pró fim de semana, Garrett...
Nem me dás umas pistas, pá?

Publicado por: sharkinho às abril 21, 2006 06:22 PM

Não consigo resistir à minha ¨pulsão psicológica para existir¨ e vou ¨parasitar¨ este blogue com um comentário: ainda bem que somos nós (comentadores compulsivos) que vivemos num mundo ¨perverso, ácido, infeliz, ressentido¨.

Publicado por: Maria às abril 21, 2006 10:44 PM

"episódios pontuais de reproduções jornalísticas sem citação da fonte"
É contra os meus princípios. Cito sempre.

Publicado por: claudia às abril 21, 2006 10:54 PM

é giro fazer parte da "fauna"...
o senhor que aquilo escreve deve ter tido muitos traumas na blogosfera para assim a percepcionar.
Generalizar sempre foi perigoso.

Isto já parece começar a fazer comichões a muita gente, tens razão...e qualquer dia arranjam maneira de silenciar o que os incomoda tanto.
Abraço

Publicado por: blue às abril 21, 2006 11:02 PM

Oh menha bida que num tênho têmpo prós bloguis

Publicado por: claudia às abril 21, 2006 11:11 PM

Tou cuma acidez que nem te digo, Maria.
Mas em vez de zurzir na malta que comenta vou tomar um alka-seltzer.

Publicado por: sharkinho às abril 21, 2006 11:23 PM

E é contra os meus. Aprendi isso quando exerci esse nobre ofício, Cláudia, muito tempo atrás.

Publicado por: sharkinho às abril 21, 2006 11:24 PM

E da flora também, Blue. Desde que se faça parte de um ramalhete bonito, claro... :)
Mas sim, a blogosfera é perigosa como um campo minado. Um passo mal dado e lá tamos nós a ter que enfrentar esses facínoras da comentação...

Publicado por: sharkinho às abril 21, 2006 11:28 PM

nobre ofício? :-)

Publicado por: claudia às abril 21, 2006 11:30 PM

Isto de comentador compulsivo deu-me que pensar. Quantas vezes será preciso comentar em blogues para ser considerado um ¨comentariodependente¨. É que só comecei á pouco tempo pode ser que ainda haja esperanca para mim.

Publicado por: Maria às abril 21, 2006 11:34 PM

Isto de comentador compulsivo deu-me que pensar. Quantas vezes será preciso comentar em blogues para ser considerado um ¨comentariodependente¨. É que só comecei á pouco tempo pode ser que ainda haja esperanca para mim.

Publicado por: Maria às abril 21, 2006 11:35 PM

Maria, sou uma comentariodependente.

Publicado por: claudia às abril 21, 2006 11:40 PM

talvez devessemos criar uma asssociacão de entreajuda do tipo Alcoólicos Anónimos.

Publicado por: Maria às abril 21, 2006 11:45 PM

Naaa, só sou comentariodependente agora, neste preciso momento em que teclo. De resto, ando sempre na vida real sem tempo para estar conectada. Ando numa desconexão completa.

Publicado por: claudia às abril 21, 2006 11:48 PM

Pois,pois. Isso é o que dizem todos os dependentes.

Publicado por: Maria às abril 21, 2006 11:53 PM

:)

Publicado por: sharkinho às abril 22, 2006 05:03 PM

Isto dá que pensar sim senhor!
Este fenómeno dos blogs tem lá que se lhe diga, é como um vicio que se odeia no inicio, depois abraça-se e acaba por se amar e não se passar sem...
Eu visito muitos blogs, e apesar do pouco tempo, sempre q posso leio atentamente os post's e por vezes até comento.
Este é um dos blogs q gosto de visitar sabes pk?
Trata os assuntos discretamente, sem agressividade, com uma certa beleza, e mais... a escrita é suave, as palavras saltam-lhe dos dedos com uma simplicidade e uma facilidade que só visto...
Ainda digo mais, este blog tem um toque de magia que consegue transportar-me, por vezes, até aos vossos pensamentos (aos dois)...a isto chama-se...ler os pensamentos né? E vamos lá a saber porquê!!
Parabéns!

Publicado por: sofia às abril 23, 2006 12:58 PM

Ò Sofia, deixas-me sem saber como reagir perante um comentário assim.
Mas é formidável obter um eco tão detalhado do trabalho que aqui se produz. É que a malta esquece-se que quem bloga esforça-se, falo por mim, por dar o melhor de si. De borla. E sem outra compensação que não esta, a de um retorno que nos faça sentir que vale a pena, que não estamos a postar prás paredes... :)
Obrigado, Sofia. Oxalá saibamos manter-nos dentro dos parâmetros que definiste.
(Agora, essa de ler os pensamentos é que assusta um nadinha... Mas só quando se tem algo a esconder, né?)

Publicado por: sharkinho às abril 23, 2006 01:49 PM

Ai Maria, Maria...

Publicado por: claudia às abril 25, 2006 07:18 PM

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