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abril 30, 2006
TERAPIA

Os milagres, fruto do acaso, acontecem. Conjugações perfeitas para um desenlace ideal.
Mas o acaso, que não é fruto dos milagres, também acontece por si. Não estava escrito, mas às vezes conjugam-se forças malignas (e outras) com o intuito de provocarem uma súbita vontade de reescrever a(s) História(s).
Basta às vezes um pequeno empurrão da mente, de algum instinto de conservação, e eis-nos capazes de cometer os excessos oportunos que nos evitam maçadas. Ou descambam num mal pior.
E o pior é nunca conhecermos as repercussões. Nunca sabemos se as nossas decisões são as mais indicadas para nos poupar às ditas maçadas, aos fretes que pretendemos inconscientemente evitar. E por isso nos deixamos levar, arriscamos que algo corra mal, o pretexto ideal para nos safarmos à justa do que nos incomoda enfrentar. Pelo receio da pior escolha.
Porque temos sempre opções alternativas, quando às expectativas se junta um impulso real.
Depois analisamos as coincidências, medimos as consequências e até achamos que há males que vêm por bem. Como a tempestade medonha que se abate sobre um incêndio difícil de controlar. Oportuna, surge no horizonte como uma benção cinzentona por substituição. Do mal o menos, direito por linhas tortas e assim. Todas as histórias têm um fim que os meios justificam. E cada evento inesperado surge com o cunho gravado de uma premonição, com a clareza de um sinal.
Os azares, fruto de coincidências aziagas, acontecem também.
São evidências reveladoras de que alguém optou pelo caminho pior, nesta vida que de opções se vai fazendo aos poucos.
Ou não, porque às vezes a desgraça de uns pode ser a sorte de outros.
Publicado por sharkinho às abril 30, 2006 11:30 PM
Comentários
entrei por acaso, melhor... descobri este espaço, o seu espaço por acaso, confesso que prendi-me mais as imagens que ás palavras, mas este ultimo li té ao fim... que dizer?
a vida é feita de momentos, certos ou errados, mas de momentos, aprendemos com os menos bons e apenas sorrimos aos agradeveis, mas acredito que a vida é o que fazemos dela, com uns tropeções, umas quedas, mas , o importante é nunca parar de viver...
(prometo ler devagar tudo o que está até aqui :) )
Quieta no Canto
Publicado por: Quieta no canto às maio 25, 2006 05:54 PM
Fez bem em não ficar quieta no canto desta vez. Benvinda ao charco, a alcunha institucional deste blogue.
Concordo plenamente consigo, até porque me revelo por vezes sôfrego nessa ânsia de sentir que vale a pena... sentir demais.
A vida é um privilégio ímpar, um milagre até. Mesmo na sua incerteza permanente, que nos fascina.
Às vezes desanima. Outras, enfuna-nos as velas como um sopro divino e só paramos no céu.
Obrigado, amiga virtual. Sinta-se em casa.
Publicado por: sharkinho às maio 25, 2006 11:35 PM
Olá bom dia
Eu sei, como sei, que é fácil opinar no que diz respeito aos outros... mas já parou para pensar que com a ansiedade nem aproveita as pequenas coisas que lhe passam à frente?
Por vezes ansiamos tanto por tanto que perde-se o pormenor...
Até mais ler :)
Quieta no Canto
Publicado por: Quieta no canto às maio 26, 2006 09:27 AM
recebi este texto via electronica e apeteceu-me partilhar :)
será que posso?
ok, desta vai sem esperar resposta, mas numa proxima só o farei com a sua aprovação...
"Contam, que certa vez ao chegar a casa, o Dr. F. Louçã ouviu um barulho
estranho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão
tentando levar os seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do
indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com os seus amados
patos, gritou-lhe assim:
- Oh, bucéfalo anácroto! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos
bípedes
palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito
Da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa: Se
fazes
isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada
prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala
fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te
reduzirei à quinquagésima potência do que o vulgo denomina por nada.
E o ladrão, confuso, pergunta:
- Doutor, eu levo ou deixo os patos?"
com este jogo de palavras achei que poderia sorrir :)
Publicado por: Quieta no canto às maio 26, 2006 11:37 AM
curti seu blog
Publicado por: http://maryjannespunka.zip.net/ às novembro 13, 2006 09:53 AM