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maio 21, 2006

Tenho

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a mania estúpida de julgar os outros à minha imagem e semelhança. É assim uma espécie de vocação sublimada para exercer a profissão de Deus. Constata-se noutras características minhas, como ser teimosa e mandona, pensar que as pessoas me idolatram e ter um mau feitio desgraçado.
O pior é que farto-me de levar com baldes de água fria, coisa que, caso eu fosse mesmo Ele, não poderia nunca acontecer, pela lógica da gravidade. No mínimo, seria eu a abrir as torneiras do dilúvio, lá em cima...
O certo é que, enquanto imagino que quando alguém diz que faz, fará mesmo ou sempre que afirma a pés juntos que não faz, a acção não será jamais cometida, eis que um abanão na estrutura me demonstra que um qualquer gene defeituoso, a ponta da dupla hélice um nadinha torta, produziu um exemplar fora da minha matriz.
Pela quantidade de fugas aos meus parâmetros, constatadas na coabitação diária com os meus semelhantes, só posso mesmo exclamar: malditos hackers...

Mar

Publicado por sharkinho às maio 21, 2006 01:00 PM

Comentários

Repara, sócia, que nem mesmo o Altíssimo consegue prever todas as consequências das situações malucas em que coloca as Suas criações. Estou certo de que a maioria dos "desvios" ao teu padrão genético primordial resultam do efeito acção/reacção dos comuns mortais.
Claro que uma deusa não tem que se preocupar com pormenores...
Ah, e quanto à questão do balde de água fria e da gravidade e tal não me digas que Deus não instalou sequer uma merda de um chuveiro de massagem no WC celestial... :)

Publicado por: sharkinho às maio 21, 2006 09:41 PM

Lá no Dele deve ter, lá isso deve...

Publicado por: Mar às maio 21, 2006 09:48 PM

Atão, vês, o balde de água fria é possível (nem que Ele tenha que fazer o pino para viabilizar a coisa - ou é Deus e pode tudo ou atão a coisa não funciona).
E as criaturinhas bípedes que vão preenchendo os espaços vazios desta esfera azulinha destinam-se precisamente a participar nas experiências de aperfeiçoamento da cena. São, como as cobaias de laboratório, submetidas a medos, a tentações, a emoções descontroladas, a todo um leque de pressões destinadas a testar-lhes os limites, a confundi-las e, em última análise, a permitir que o Divino corrija as pequenas deficiências.
E quando a malta pisa o risco, existe sempre a hipótese do perdão e da absolvição inerente... ;)

Publicado por: sharkinho às maio 21, 2006 09:55 PM

Eu há muito que descobri que é preferível ter poucos (muito poucos mesmo) amigos, criar com eles uma sociedade quase secreta, com um código rígido e pena cruel a quem o não cumprir. Confiar em poucos e só depois de provas dadas de merecimento para tal. Mas hoje, na minha muito modesta opinião, a net criou o mito que é possível ter "amigos" por todo o mundo, seres que comungam dos ideais que nós temos. Errado: a net criou uma sociedade cada vez mais paranóica com informação e contrainformação de tal ordem que nada podemos saber, menos adivinhar, do que é a verdade. Criou uma sociedade de ódios, onde, ao abrigo do aninomato onde eu próprio me escudo, permite agitar águas, mexer em feridas , expor vulnerabilidades, de forma friamente pensada.
Eis Deus na forma de Jeohava, o senhor cruel.
Eu pensava, e hoje penitencio-me disso, que seria impossível (des)evoluirmos para uma sociedade totalitária... mea culpa. Os grupos neonazis e radicais de extrema esquerda, os fanáticos religiosos aí estão, em força, para me desmentir.
A democracia tem um grande perigo: até os idiotas podem votar.
Por isso, Mar, se permites e desculpas, colhes os males de quereres alargar o teu rol de conhecimentos. a maior parte deles nunca estará perto de te merecer, como, provavelmente, tu mesma não estarás perto de merecer também a maior parte deles. Ab uno disce omnes, como se costuma dizer na barra de tribunal, quendo pretendemos generalizar. Melhores dias para ti, são os meus votos.

Publicado por: Almeida Garrett às maio 22, 2006 09:39 AM

Sócio, tens cá uma forma de dar a volta ao texto que, quer-me parecer, até a Ira divina se desvaneceria com a tua argumentação...;-P

Publicado por: Mar às maio 22, 2006 07:18 PM

Caro Garret, não tenho nada a desculpar, todas as intervenções são benvindas, ainda que discordantes.
Mas olha que, asseguro-te, com cerca de 3 anos de blogosfera, desde há muito que comecei a saber distinguir os "amigos" virtuais. As honrosas excepções que mantenho até hoje contam-se pelos dedos de uma mão e ainda sobram alguns...
E, de resto,os baldes de água fria que descrevo apanham-se na net tanto quanto na rua, ao passarmos debaixo de uma janela...que é como quem diz, acreditarmos no vizinho do lado.
Obrigada pelos votos.

Publicado por: Mar às maio 22, 2006 07:24 PM