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junho 30, 2006

GENTE QUE BLOGA - EMIÉLE

Como vos referi tempos atrás, a ausência de linques no espaço lateral do charco corresponde apenas à minha incapacidade para lidar sem problemas com os bastidores desta coisa.
No entanto, sinto vontade de partilhar convosco os espaços e as pessoas que, por este motivo ou aquele, mais prendem a minha atenção ao longo do tempo que dedico a blogar em casa alheia.

emiela.jpg

A Emiéle é sem sombra de dúvidas uma blogueira exemplar. Constituía para mim a alma do Afixe de saudosa memória, como várias vezes afirmei a quem quis ouvir. Todos os dias as postas aterravam em catadupas, notícias frescas, episódios curiosos e pequenas fugas inadvertidas da emoção que ela deixa correr pelas veias que funcionam como sistema de canalização para o combustível de foguetão que lhe alimenta a pedalada.
Incansável, prosseguiu no mesmo ritmo quando a carreira a solo nos proporcionou o Pópulo que, diga-se de passagem, é uma referência do Weblog à semelhança da respectiva autora.

É incontornável, a alusão à energia que a Emiéle liberta na sua forma de blogar. Contagia, pelo exemplo, pela clarividência, pelo tom cordato com que “ataca” os problemas (mesmo quando a indignação se escapa para o teclado e topamos todos que a mostarda lhe subiu ao nariz). E impressiona pela abrangência também.
A Emiéle fala do que for preciso, pois nenhum tema parece intimidá-la e encontra sempre um ângulo para tratar a “notícia”, o pedaço de informação acerca do qual lhe dá na bolha partilhar a sua perspectiva única com quantos a visitam.

É inimitável e por isso se destaca com naturalidade nesta multidão que formamos. É empenhada, interessada, leva a sério aquilo que faz. Quase como uma missão.
E é sensata, coisa rara neste mundo virtual. Escreve simples, directo, sem flores. A sua verdade dos factos mais a opinião implícita de uma mulher que parece absorver a vida em seu redor e se recusa guardá-la só para si.

O Pópulo é uma manifestação de pujança, de vigor, um espaço onde tudo acontece à velocidade de um meteoro que a vista mal consegue acompanhar.
A Emiéle é uma blogueira sem rival no seu género.

Por isso foi o primeiro nome que me ocorreu quando ponderei quem deveria estrear esta nova secção que passará a acontecer no charco, por norma, todas as sextas-feiras.
Ide lá ver porquê.

Publicado por sharkinho às 11:42 AM | Comentários (20)

junho 29, 2006

AINDA A PROPÓSITO DE CANDEEIROS...

...E só para concluir o tema.

Se isto:

martelo.jpg

São tubarões martelo.
E isto:

pila de tubarao martelo.JPG


É um objecto fálico, como é que eu, o Shark, posso evitar a imediata e terrível associação de ideias?

Publicado por sharkinho às 03:22 PM | Comentários (11)

FALO DE LUZ

Descobri há pouco, na caixa de comentários da posta abaixo, que sou um apreciador de objectos fálicos. É por estas e por outras que vale a pena termos um blogue, para aprendermos a conhecer os lados obscuros da nossa personalidade complexa.
Às vezes, mergulhados nas nossas certezas e convicções, alheamo-nos do nosso verdadeiro eu e apontamos na direcção errada.
A avaliar por esta surpreendente revelação que uma letra associada a alguém que se preocupa comigo e tenta acompanhar-me nesta travessia pelo deserto das minhas limitações e tendências reprimidas me ofereceu, não tardarei a pegar de marcha-atrás.

Confesso que fiquei abismado. Perturbado até, receoso de me descobrir de olhos fixos num pepino, num gargalo de garrafa ou mesmo num martelo pilão. É que um gajo passa a adolescência toda mais uma parte substancial da vida adulta a consolidar os seus gostos e apetências e de repente, pimba! O machão das dúzias (eu) gosta de falos em forma de candeeiro.
O que seleccionei para vos exibir o lado gay do meu carácter está apagado, como o Farpas muito bem destacou nessa caixinha do meu embaraço. Não sei se fica menos fálico assim, mas só os entendidos na matéria (fálica) poderão ajudar-me a interpretar se o meu candeeiro apagado corresponde, na minha mente em negação, a um pénis pouco brilhante ou a uma erecção mal iluminada.

Contudo, custa-me gastar o meu tempo nesses assuntos. E isto porque, lamentavelmente, o meu candeeiro pessoal só prova estar ligado à corrente na presença de pessoas que nunca precisam de mudar a lâmpada.
Ele há coisas sem explicação, nesta realidade confusa que são os nossos desejos e as nossas tendências sexuais. Valem-nos os de fora, atentos, imparciais. Mordem logo os tiques de expressão que denunciam a verdadeira essência do que nos faz.

Resta-me agora assumir-me perante vós, nada tenho a esconder nessas matérias. Sou um livro aberto e, graças a um comentador anónimo, descobri que gosto que me leiam com a luz acesa.

Passo então a exibir alguns pertences do meu jardim secreto fotográfico que julgo confirmarão a suspeita que sobre mim passou a pender. Mas sem problema algum, pois sempre defendi é que a malta goste e faça. Com as grutas de Altamira ou um candeeiro de mesa de cabeceira na mona, tanto faz.

Não tou aqui pra enganar ninguém.


objecto falico.jpg

parece um candeeiro mas de pila se trata.jpg

grande e grossa.jpg

Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 12:08 PM | Comentários (10)

GOSTO DE CANDEEIROS

Assim:

ha uma luz.jpg

Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 12:18 AM | Comentários (8)

junho 28, 2006

PURE CHESS 3

Long Live The King! (Martin Luther, mais concretamente)

A torre preta regressou ao tabuleiro com base no argumento de que a sua captura constituira um acto indigno de pura descriminação racial.

Publicado por sharkinho às 05:59 PM | Comentários (0)

PURE CHESS 2

Reputação Manchada

Todos no reino ficaram perturbados quando se soube que Sua Eminência acabava de comer mais um pequeno peão.

Publicado por sharkinho às 05:43 PM | Comentários (0)

PURE CHESS

Orgulho Machão

O que mais custou a Sua Majestade foi ver-se encurralado não pelo cavaleiro mas pela esposa do monarca inimigo.

Publicado por sharkinho às 05:36 PM | Comentários (0)

DÚVIDA METÓDICA

Não existo.

Publicado por sharkinho às 12:26 PM | Comentários (12)

DÚVIDA BLOGUEIRA

Ainda não percebi se a malta fala muito de sexo quando tem fartura ou quando lhe sente mais a falta…

Publicado por sharkinho às 12:06 PM | Comentários (8)

A POSTA NA PONTE (Vasco da Gama)

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 11:12 AM | Comentários (0)

junho 27, 2006

FAZ-TE BEM, AFASTARES-TE DE MIM

porras.jpg


Disse-lhe ele em tom paternalista, descontraído, mais uma vez. E ela esboçou o sorriso amarelo possível a quem não pode protestar sem ao mesmo tempo experimentar uma estranha forma de humilhação. Mas engoliu a pasta viscosa de indignação com tristeza mais a revolta batida em castelo, tão clara como a certeza que ele acabava de lhe (re)transmitir.
Sem réstia de fé, ela prosseguiu com a explicação do afastamento temporário como consequência de inúmeras partidas que a falta de empenho dele lhe pregava. Magoada pelo desmazelo, gritava-lhe em voz baixa, inaudível, que lhe pedisse para ficar perto, que lhe pedisse desculpa, humilde, por aquilo que ele desvalorizava, por sistema, como simples lapsos ou distracções que deixava cair a toda hora em cima dos dedos dos pés imaginários de um amor já sem pernas para andar.

E ele insistia, deixa-te disso e bute curtir. Numa boa, assim o queria, brincamos ao faz de conta e a coisa resulta na mesma. Mas não era assim que ela pretendia. Pedia-lhe respeito e cortesia e ele refugiava-se na sua falta de pachorra para as formas mais sérias de fazer as coisas.
Aligeira, dizia ele, que tudo correrá melhor.

E ela abria o jogo, lutava. Por aquilo que acreditava ser indispensável para justificar uma relação digna de tal nome. Mas perdia. Vezes sem conta, goleada, pontapés na boca virtuais. Até a esperança lhe chamar maluca e abandonar o ringue de forma voluntária.

Aconteceria quando ele menos esperava, sem hora marcada, sem qualquer agitação. Apenas a constatação da influência que ele exercia, levada à letra, mas nos termos que ela decidisse impor. O fim absoluto das ilusões romanescas, a ligação descomprometida e livre dos condicionalismos que tanto o atormentavam, liberal, quando ela os defendia. A faca de dois gumes para a arrogância masculina, expressa na resposta que ela escondeu por detrás de um sorriso ligeiro, no meio de um pensamento que pela primeira vez a invadiu, quando finalmente caiu em si.

(Não perdes pela demora…)

E não perdi. Pouco tempo depois, há cerca de vinte anos, descobri a minha pequena costela conservadora.

Publicado por sharkinho às 09:50 PM | Comentários (4)

MESMO COM AS LETRAS TODAS

aeiou.bmp

Ainda há dias voltei a zurzir na pele da malta do AEIOU, no que já se encaminhava para assumir contornos de tradição. É que eu sou um bocado rude na forma como manifesto a indignação, da mesma forma como tento ser gentil quando as coisas me agradam.

Agradou-me a reacção da Cátia Pitrez à minha posta (que ela, polida, apelidou de sugestão), reacção essa que me chegou na forma de email. Exactamente como aconteceria nos tempos a que queremos regressar. Ou ainda melhores, pelos meios superiores de que o AEIOU dispõe para tomar conta desta realidade construída e mantida a meias.

Pois é, pela voz (pelo teclado) da Cátia, o AEIOU comprometeu-se a resolver o problema que aqui expus. E o que tem isso de especial?
Nada, se quisermos ver as coisas de forma desapaixonada.
Mas eu não sei ver as coisas dessa forma e por isso digo que a especialidade consiste em três aspectos que prenderam a minha atenção:

1 – Ao meu tom jocoso a roçar o hostil, correspondeu uma mensagem formal mas sem frieza;

2 – A malta do AEIOU lê os nossos blogues. Eu não encaminhei a minha crítica para eles e, todavia, obtive uma resposta;

3 – À questão que levantei correspondeu um compromisso de resolução do problema.

Do conjunto destes factores depreendo uma nova política nas relações da empresa connosco e isso faz-me saborear por antecipação um regresso aos tais dias melhores que defendo.
É que eu não acredito em instituições sem rosto, sem alma, sem comunicação. E a Cátia, assumindo o papel que a empresa lhe atribuiu, acaba de conferir tudo isso à realidade sem contornos definidos que para nós se afigura o AEIOU SA e este barco que mantemos à tona. Pelo menos neste episódio obtive aquilo que reclamava e a partir de agora terei o cuidado de lhes comunicar previamente por email, sempre para pugnar por um Weblog à altura, aquele que a nossa vontade exige melhor do que qualquer outra plataforma.

Fica expresso o meu reconhecimento pela nova atitude que a Cátia personificou.
Eu gostei.

Publicado por sharkinho às 07:03 PM | Comentários (2)

EM SENTIDO FIGURADO

in my dreams.jpg


Concentrou o olhar na pequena caixa em cima da mesa. Deixou-se estar, dentro de si, sentado numa cadeira imaginada a contemplar o receptáculo de algo que desconhecia mas que presumia tratar-se de uma parte significativa daquilo que o compunha.
Algo de que sentia a falta, mesmo sem saber do que se tratava, encerrado naquela caixa pousada numa mesa desenhada pela imaginação dentro de um crânio com arame farpado e um guarda armado para evitar as intrusões. Para sua protecção, incapaz de permitir que algum curioso emboscado pudesse observar em simultâneo o que pressentia como uma revelação.

Tentava controlar as emoções e só aí lhes dava pela falta, a sua reprodução mental sentada num espaço imaginário com fundo cinzento como um horizonte de temporal. A ausência mais notada e a caixa apontada como principal suspeita de conter algo que lhe pertencia, de forma ilegítima. Imoral.

Olhou a caixa com um ar circunspecto, agente secreto, detective particular. Lá dentro a resposta, certamente. E ele antecipava o gosto da vitória pelo desvendar do mistério, mesmo ao alcance da sua mão sonhada naquela figura sentada sem nexo no meio de um ambiente sombrio.
Fantasmas em seu redor, ameaças. Comiam como traças os retalhos de tecido do seu uniforme de soldado desertor. Fugira do amor, em plena batalha, incapaz de pactuar com a disciplina militar que lhe impunham os sargentos instrutores.

Esburacado, como se sentia. E seguramente preferia sentir-se embaraçado perante uma plateia, semi-nu, do que enfrentar o julgamento que se impunha, carrasco e juiz, daquilo que sentia como mais uma pequena facada na carne retalhada da sua esperança em agonia final.
E a caixa, se calhar, continha a sentença que apreciava de fora com os olhos que a sua cabeça inventava para lhe proporcionar o triste espectáculo das suas introspecções num ecrã panorâmico com imagens em três dimensões.

Esticou a mão para a abrir, culpado da loucura que lhe agravava a pena com a vontade irreprimível de se auto-flagelar. Suportava as culpas alheias mais as vinganças merecidas pelas suas reacções. Na caixa as punições que o aguardavam e ele de mão esticada para soltar os demónios dentro de si, outra vez.

Afinal quando a abriu contemplou o vazio.
E cruzou os braços, fatigado, o que em sentido figurado simbolizava as lágrimas que se sentia incapaz de verter.

Publicado por sharkinho às 10:29 AM | Comentários (2)

junho 26, 2006

PALAVRAS É NAS DE BAIXO

pao e azeitonas.JPG


a melhor sangria de portugal.JPG


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indispensavel cafe.JPG

(É que eu hoje nem jantei. Ah, e normalmente dispenso a sobremesa...)

Fotos: Shark (ouviste, "carla"?)

Publicado por sharkinho às 11:14 PM | Comentários (2)

A POSTA PARA MIM

Aviso: esta posta é extensa, o tema não interessa a ninguém senão a mim próprio (apenas o meu umbigo é tido em consideração) e a caixa está fechada porque não busco críticas, palpites, opiniões ou palmadinhas nas costas.
Ou seja, quem se predispuser a ler esta conversa com os meus botões não pode depois vir queixar-se que sou chato, esquizofrénico, paranóico, imbecil, sem gosto para pijamas ou outra merda dessas.
Esta treta é um blogue individual, intimista, aquilo que quiserem chamar-lhe. Mas é meu e ponho cá o que me der na bolha. Só lê quem estiver praí virado ou padecer de insónias.

Para evitar o transtorno basta não clicarem onde diz continue a ler a posta para mim.

É fácil, não é?

Nada do que eu diga, escreva ou faça de errado é susceptível de suscitar a compreensão, o perdão ou o simples benefício da dúvida seja da parte de quem for. E muitas vezes no que faço acertado também.
Sou um gajo fácil de diabolizar, por uma data de motivos que quem me detesta não deixará de enumerar mentalmente perante esta posta.

Contudo, o mesmo não se passa de mim para com muitas outras pessoas. Gosto de acreditar, esforço-me por entender as razões que assistem aos outros e, salvo raras excepções, consegui sempre encontrar uma forma de dar a volta às traições e às desconsiderações que, como qualquer pessoa, já causei como já sofri.
Fiz alguns amigos assim e até recuperei dois ou três amores (anos atrás).

Mas comigo não. Faço merda, levo nas trombas e fico logo até à morte com a canga do vilão. Isso não me faz perder o sono, até porque em última análise quem me deixa cair de forma tão simples afinal nunca se ralou pevas comigo ou com as minhas razões ou momentos menos maus.
Ou seja, podem tirar o cavalinho da chuva se vos dava mais jeito interpretar isto no sentido calimero da coisa. Cada vez mais aceito que mais vale só do que mal acompanhado e não é a primeira vez que assumo essa opção, embora me doa como a qualquer outro ser humano e, por inerência, animal social.

É que um gajo farta-se de ver o seu feitio apontado a dedo à mínima falha, as suas acções colocadas em causa por hipotéticas segundas intenções ou porras do género e, acima de tudo, as suas palavras distorcidas sob qualquer pretexto como se fosse impossível alguma vez ter razão no que sinto ou penso.
Às vezes é quase como se eu não tivesse o direito de existir para algumas pessoas, como se tudo em mim fosse desenhado para agredir a Humanidade inteira e nada de meu possa ser considerado algo de bom.

Passo de bestial a besta a toda a hora e Deus me livre de aplicar essa filosofia a qualquer outra pessoa. Heresia. O cabrão tem a mania e merece desprezo, desconfiança, punição. O cabrão sou eu, nesta história. E se não concedo a ninguém oportunidade de comentar esta reflexão não é porque tema as larachas jocosas seja de quem for (e já estou farto de o provar a quem duvida), mas apenas porque com toda a sinceridade estou-me nas tintas para a opinião de terceiros relativamente a este particular.

Ainda assim, e embora reconheça as inúmeras máculas na minha estrutura, nomeadamente a minha permeabilidade a algumas emoções que me perturbam e desnorteiam, recuso o estatuto sistemático de mau da fita que me oferecem na maioria dos guiões, como se todos os figurantes da película fossem os anjos e eu o inevitável pecador.

De vez em quando preciso de uma comédia. E estou certo de que esta posta será um excelente pretexto para muitos de vós soltarem, no mínimo, um sorriso que faz tão bem às pessoas, mesmo que mal intencionado ou movido pelo escárnio fácil de quem se empertiga perante as fragilidades alheias. É mais um trunfo que vos dou, certo que estou de mim e da minha inquebrantável capacidade de resistência a essas merdas. E até depende da minha disposição do momento, a forma como reajo. Na boa ou à bruta, nos extremos de mim.

Porque tal como os outros, possuo coisas boas e coisas más. Mas medo não tenho.
E não admito ser julgado a toda a hora sob falsas premissas ou punido como uma criança por cada uma das minhas falhas, com as contrapartidas que dou a serem sempre encaradas de forma ligeira como uma mera obrigação.
Como um detalhe menor.

Quem não gostar do embrulho tem a porta sempre escancarada. Só fazem falta os que cá estão (na blogosfera e fora dela) na condição de pessoas como eu, inconstantes, imprevisíveis, alternando a perfeição com a inevitabilidade da sua frágil condição humana que a atrapalha ou impossibilita.
Valho o que valho e nunca prometi um milagre de criatura. Mas repito que não admito a canga do vilão, sobretudo a quem não possua razões de queixa e queira apenas embirrar ou a quem tenha ou possa ter tido acesso ao contrabalanço das minhas macacoas.

E agora não me venham chatear a porta com o tamanho do lençol ou o seu cariz umbiguista ou a porra.

Ver acima, se tiver falhas de memória.

Publicado por sharkinho às 10:32 PM

A POSTA NA ECONOMIA DE PACOTILHA

Aqui há dias, num daqueles programas com mais de duas horas que passam nas televisões que não transmitem jogos do mundial, mas que nem por isso perdem de vista a mama dos patrocinadores milionários da competição, ouvi um daqueles “ilustres” comentadores do costume (um economista do qual nem me ocorre o nome) afirmar a um jornalista, em tom jocoso, que “nem que Portugal fosse campeão do mundo isso traria algo de novo para a economia nacional”.
E o jornalista, claro, toca a vestir a pele e a alinhar na opinião incontestada mas nunca inquestionável do “seu” guru de serviço.

Nunca me deu para estudar economia, mas já percebi pelos resultados que há algo de errado nos modelos que estes esforçados cidadãos elaboram. A minha conta bancária é um exemplo flagrante desta premissa…
Ainda assim, ao longo dos anos universitários e mesmo depois, fui aprendendo com o que li e com o que vi a extrair algumas conclusões que não encaixam de todo em algumas destas “doutrinas” que os supra sumos da batata frita económica nos impingem.

Vou pegar pelo exemplo que refiro.

Portugal, e isso é mais do que evidente, não consegue promover a sua imagem no exterior o bastante para conseguir sequer acabar com a ideia generalizada de que somos uma província de Espanha (o que é falso, excepto na província alentejana de Olivença).
E mesmo os economistas que não percebem de bola puderam observar o impacto do Europeu 2004 no nosso país e nos dos outros.
Assim sendo, quando o tal economista afirma que “quando muito, o futebol gera consumo. Mas investimento não”, eu pergunto-me em que domínio ele enquadra os proventos do turismo (se o nome do país é mais divulgado, há mais hipóteses de ser uma alternativa turística, ou não?).

E a construção de estádios e das respectivas ligações, não tem impacto nos índices relativos à actividade da Construção Civil (esse “consumo” exorbitante de cimento)?

E a confiança de potenciais investidores externos num pequeno país de que antes nunca ouviram falar e que, nessa feliz hipótese, passaria a estar nas bocas da esmagadora maioria da população mundial por ter obtido um feito que, queira-se ou não, é entendido como muito mais representativo da capacidade de um povo do que, por exemplo, um Prémio Nobel da Literatura?

O que é que me escapa no raciocínio daquele fulano a quem dão tamanho crédito que até influencia a perspectiva dos jornalistas? Um país ser campeão mundial não influencia em nada o rumo da sua economia, nem mesmo a produtividade e os índices de confiança da respectiva população?

Mas em que raio de escolas obtêm estes tipos as suas licenciaturas?

Publicado por sharkinho às 05:01 PM | Comentários (4)

REFÉM

refem de ti.jpg

Me assumo.
Do amor que me aprisionou.

Publicado por sharkinho às 11:08 AM | Comentários (0)

A POSTA NA TABELA FANTASMA

top defuntos.jpg


O top de comentários do Weblog transformou-se numa página de necrologia e oferece-nos a oportunidade de render as homenagens póstumas a diversos blogues que esta tabela de velórios (e o Charco está lá, porra…) rende, constituindo alguns deles verdadeiros case studies do que a confusão instalada pelo spam e as caixas abertas em blogues parados podem realçar.

Uma análise breve à lista dos 25 blogues mais comentados da semana nesta plataforma sui generis permite-nos descobrir candidatos ao Guiness como o Semiramis (mais de dois mil comentários na posta “fatídica”, acumulados desde Fevereiro) ou o Gato de Uma Orelha Só (perto das quinhentas entradas, quase quinhentas spamadas, ali expostas desde o dia em que o blogue conheceu a extrema unção por parte do respectivo criador, meses atrás).

E já vão dois. Mas há mais extintos nesta lista de “mais participados”.
O Dias de Blogue há quase 365 deles que não bloga. O Com Pinga de Sangue está sem pinga de coisa alguma desde o ano novo e só com uma transfusão do Top do Weblog se mantém na "ribalta". O Enigmódromo está como o nome indica, misterioso, vivinho da silva e cheio de comentários (mas ninguém se acusa). O Short Stories também não percebi muito bem, pois passou a Bunkerproject (um photojournal do Tiago) e não sei se é um blogue sequer (mas se é, é dos mais participados. Claro.).

E quem soma dois a quatro obtém meia dúzia.
No Papel de Parede anunciam que “ainda cá estamos”. Mas desde Maio que estão mas não piam e os fiéis comentadores parecem nem dar conta…
O Microcosmos não dá sinal de vida desde Novembro do ano passado. Mas os de cima comprovam que não é necessário blogar para obter excelentes lugares nos melhores rankings e este não é excepção. Quem não aprecia um grupo de comentadores tão persistente?
Ainda há o Planeta Diário (que tudo indica ter passado a trimestral). Meses após a última edição, tem leitores e dos que comentam! A Imprensa escrita devia pôr os olhos neste exemplo de longevidade e de fidelização da clientela.

E vão nove. Em vinte e cinco. Sobram dezasseis, o que é razoável.
O problema é que encontro lá blogues como o Delírios (cujo visual não parece vocacionado para atrair multidões) e o Rei Vai Nu (também pouco comentado, como se pode perceber pelas últimas entradas – e isto não é desprimor para ninguém, no charco não reina a confusão nas caixas… - o que faz estranhar a sua presença nesta tabela, convenhamos).

Sobram catorze. Pouco mais de metade. Activos e efectivamente comentados. E o que quer isto dizer? Quer dizer que a malta do Weblog não está atenta e que irá descredibilizar os indicadores que nos faculta naquilo que inclui num espaço chamado “Serviços”. Serviços pagos, recordo eu, que justificam medidas mais empenhadas para os manter operacionais.
E não tentem colar-me a pele do “malandro” que escolheu o Weblog como alvo prioritário das suas atoardas. Se eu menti em algum aspecto, digam-me. Por favor.
Preferia estar enganado do que ter que admitir que o AEIOU se está nas tintas para esta cena toda. E enquanto não estiver certo do contrário e, pelo menos, até Outubro (quando expira o período que paguei), tudo farei para me certificar que não dormem no ponto (como estes sucessivos indicadores, aliados aos silêncios comprometedores, nos transmitem).
Explicações e pedidos de desculpa. Como qualquer empresa do mercado. É o que se exige a quem não cumpre. E a malta pressente que o Weblog, como quase metade da sua listagem de mais participados, já conheceu melhores dias.

E eu ambiciono dias melhores. Porque me esforço e porque assisto todos os dias ao resultado do esforço de muitas e de muitos como eu, a pagantes, para tornar esta realidade dinâmica e apelativa (à medida dos interesses comerciais do AEIOU, que defendemos por tabela…).

Já têm sorte por ainda não ter chegado o dia em que terão de pagar para contarem com os melhores e/ou os mais visitados para manter viva a plataforma.
E isto é quase uma profecia.

Pode tornar-se, se não fazem pela vidinha e tentam seduzir os vossos clientes/fornecedores que já bateram ou ameaçam bater em retirada, quase uma maldição…


Nota: Não incluo linques por dois motivos. Para não ser mais um a enviar visitas para blogues abandonados. E porque esta posta foi feita com base nesta tabela (onde os mais cépticos podem comprovar o que afirmei.)

Publicado por sharkinho às 09:41 AM | Comentários (4)

junho 25, 2006

GRITA-SE PORTUGAL, PORTUGAL!

paises irmaos.jpg
Que bela final seria...
(Foto: Shark)


O redor da minha casa parece o exterior do estádio onde a selecção nacional de futebol acaba de correr com os porcalhões dos onze holandeses que envergonharam o seu país (que não reconheço neste comportamento) com duas derrotas: a desportiva e a outra.
A outra foi uma série de atitudes muito foleiras e indignas de uma equipa com os pergaminhos holandeses.

Portugal estará no sábado a disputar com a Inglaterra o lugar na meia-final com todo o mérito, embora privado de alguns dos seus melhores (lesionados ou expulsos). Mas hoje ficou provado que melhores são eles todos, pois os que entraram foram decisivos para a manutenção da vitória.tangencial.

Mais do que uma vitória merecida da nossa selecção, que se bateu com galhardia, foi um triunfo do futebol que este Mundial merece ver. Os brutos e maus perdedores sem talento não têm lugar nesta competição.

É um jogo, vale o que vale.
Mas eu estou orgulhoso das cores do meu Portugal!

Publicado por sharkinho às 10:14 PM | Comentários (8)

HOJE É DIA DE ELEIÇÕES

laranjinha c.jpg
Foto: Shark

Pelo menos eu estou a torcer para que percam os mesmos...

(Até os esprememos!)

Publicado por sharkinho às 02:12 PM | Comentários (0)

FIZESTE-ME FALTA

reflexos de ti.jpg
Foto: Shark


Amava-me de uma forma muito intensa, quase desesperada. Porque via, porque sabia que eu não era nessa altura mais do que um meteoro que lhe passava pela vida a correr.
E eu percebia o seu anseio em aproveitar a sorte que lhe restava, na sua perspectiva. Que na minha as coisas assumiam outras proporções e via na sua paixão devotada apenas mais uma desilusão que a minha presença na vida ofereceria a alguém.

Os olhos dela ganhavam mais brilho quando eu aparecia no Dois. Nesse dia derradeiro passava a minha malha preferida dos AC/DC, Back In Black, quase um hino ao negro algo gótico que me trajava na altura. Como sempre, aproximei-me do balcão para pedir a cerveja sem a qual a minha noite na pista não podia oficialmente começar. E como sempre já vinha acelerado de outras andanças, fumos em barda e cerveja até doer a pila de tanto mijar.

Mas raramente perdia o controlo de mim e dei por ela nem dez metros adiante, à espera da sua deixa para poder beijar-me como se o seu mundo acabasse amanhã. E fazia-me sentir que esse mundo era eu e eu achava que não valia a pena a aposta, ela só perdia o seu tempo, mal investido num homem que só sabia fazer contas de sumir. Para outro lado qualquer. E depressa.
Era esse o ritmo dos meus dias e nada nem alguém conseguia meter-me travão.

Ela nem tentou. Apenas se aproximou conforme podia, só às vezes, quando eu não desaparecia para um ponto qualquer no horizonte que me parecia bom para observar o pôr-do-sol. E só regressava algum tempo depois, dias até. E ela entregava-se de novo a mim, depois de me chamar a atenção com insistentes carícias no cabelo comprido e revolto que tanto apreciava. E eu, sem assumir qualquer compromisso, oportunista, não conseguia rejeitar tamanha devoção e deixava-me arrastar pela sua beleza e pela sensualidade que transparecia de toda aquela mulher.

Nem sei quanto tempo as coisas se mantiveram assim. Ela a amar-me e eu a fugir, não dela mas de mim. Na correria, com medo que acabasse a energia que me empurrava mais além. O mundo inteiro, era já ali. E eu não podia parar, a corrente quase a acabar e a malta amiga a incentivar-me para avançar um pouco mais na loucura de cada dia. O limite mais distante, o desafio mais importante, mulheres bonitas, grande som, toneladas de chamon, litros de cerveja e muito futebol.
A festa da vida em movimento e ela, terrivelmente apaixonada, a atrapalhar a minha passada quando o que eu queria era acelerar.

Egoísta, nem hesitei. Sabendo que nunca abrandaria, chegou enfim o dia em que parei. A corrida dela na minha peugada, demasiado próxima, demasiado óbvia, ao ponto de me embaraçar. Com o excesso de amor (como é isso possível)? Mas assim parecia na altura, essa doença cuja cura resolvi encontrar antes que a situação ficasse descontrolada.
Jogada combinada, a malta a dar de frosques de mansinho e eu a levá-la para um canto onde a surpresa foi minha pois a ela bastou reparar na minha expressão.

Depois de meia dúzia de palavras vãs, desculpas esfarrapadas, cortesia, acho que lhe pedi desculpa (e bem podia), beijei-a na testa e virei-lhe as costas. Abri caminho pelo meio da pista à bruta, como se fosse de toda aquela gente a culpa de eu ser um gajo assim. Incapaz de valorizar a paixão, de abrandar a pressão da fúria de chegar depressa a lado algum.
Rosto fechado e cérebro anestesiado pela mistura de sensações malucas. Tudo no extremo, sempre um nadinha mais para lá do risco a não pisar. Para provar aos outros o que me desmentia nos raros momentos de tranquila solidão.
O mais atrevido, o mais arrojado, o mais capaz de converter o medo e o bom senso em instantes patéticos de absoluta estupidez em riscos desnecessários que corri.

Antes isso, essa glória dos danados, essa revolta mal contida que se libertava enraivecida no seio de um grupo dos meus iguais. Antes isso do que um amor comprovado, uma companheira dedicada à minha satisfação. Mas que era doce e tentava acalmar-me com o som quente da sua voz e as mãos como bocas no meu cabelo, saboreava-me com os dedos e eu descontraía mas depois qualquer coisa acontecia e eu arrancava rumo a outro pedaço de vida qualquer. E sentia-me desconfortável naquele papel.

Hoje é outro, o meu desconforto quando olho para trás em busca das memórias que me merecem as pessoas que tentaram fazer-me feliz. Não conseguiram, a esmagadora maioria, senão em breves instantes, amadas ou amantes, quando me permitia uma pausa na correria e atinava na boa.
Mas ela conseguiu sempre respeitar-me, entender-me, inspirar-me confiança, confiar em mim.
Nunca me permitia experimentar a solidão.

Ela já não estava por perto quando finalmente percebi a falta que me fazia o calor do seu olhar e o toque suave das suas mãos.
Mais a sua companhia, no alto da falésia da Boca do Inferno que eu gostava de chamar minha, o meu miradouro interior que só ela conheceu, a única “honraria” com que a distingui, tão especial, depois de tudo quanto deu sem nada exigir em troca. Apenas parcelas de mim, em trânsito para outra emoção forte que não a incluía. E ela esperava e sofria.

Recordei há dias o seu amor incondicional que desdenhei, enquanto deixava o olhar percorrer as ondas como fizemos em silêncio ou em conversas muito íntimas, a dois. Permiti-me esse pecado capital na minha estrutura sempre tão avessa à saudade e tão alérgica às despedidas, a propósito já nem sei do quê...

Talvez a propósito de mim, do muito que já perdi pelo que fui e do que ainda perderei pelo que sou.

Publicado por sharkinho às 01:06 PM | Comentários (2)

junho 24, 2006

A POSTA COPIADA

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O plágio desperta-me um sentimento de asco profundo. Como exibição pública de mediocridade, como revelação de cleptomania intelectual, como manifestação do nojo de pessoa por detrás desse comportamento aberrante.
Por plágio entendo a cópia e reprodução de algo produzido por outrem, assumindo-se a respectiva autoria descaradamente ou por inerência.

Ou seja, um inepto ou uma bronca qualquer pegam no trabalho dos outros e fazem um vistão, mesmo que sejam incapazes de produzir por si algo de bom.
E esses expoentes máximos da imbecilidade (acreditam sempre que nunca serão desmascarados/as e são tão básicos que muitas vezes nem têm o cuidado de adiarem a exibição da sua apropriação indevida) proliferam por este meio sem regras onde muitos chegam a defender que “sim, é legítimo copiar porque tá na net e viva a liberdade e coiso e tal…”.

Não me flixem. Uma coisa é encontrarmos algo que apreciamos e pedirmos licença à autora ou ao autor para o reproduzirmos seja onde for. E sempre, mas SEMPRE, com a indicação (o linque) do espaço onde encontrámos o ORIGINAL. Aplica-se a textos, a fotos, a seja o que for que não é nosso apenas por estar ao alcance de qualquer um.
Não há volta a dar, é uma vergonha para quem o faz. Desmascaram-se assim como indigentes cerebrais, crápulas mesquinhos e com costela de carteiristas (sim, porque o mal é roubar a primeira cena…).
Nunca fariam parte do meu leque de opções em matéria de convívio ou de contacto sequer.

A única forma de combater essa praga é através da respectiva denúncia, o que, neste nosso suporte tão plural, equivale a conceder publicidade de borla ao prevaricador. Não o farei, mas cito os nomes do blogue alegadamente plagiado (Aliciante) e do blogue alegadamente ladrão (Me Myself And I) para que possam por comparação retirar as vossas conclusões. Não sou polícia, nem investiguei coisa alguma para confirmar o pressuposto atrás incluído, daí os alegadamentes da praxe.
Mas acho que os factos falam por si.

A blogosfera é um paraíso para a gentalha sem princípios e sem pudor. Cada vez é mais urgente expor essa bandalheira de pessoas e criar mecanismos para as entalar perante a Lei que, em nome da independência deste meio, parece não ser aplicável em defesa dos direitos de autor.
E multiplicam-se cada vez mais estas badalhoquices impunes, numa blogosfera cada vez mais parecida com o mundo “lá fora” no que este tem de pior.

A liberdade de expressão nunca justificará este tipo de comportamento vil. Aliás, nem a de expressão nem qualquer outra pois ser livre não implica uma carta branca para se fazer o que nos dá na bolha.

Ao que vejo, e porque vi publicados os trabalhos pela Mad em primeiro lugar, a “Carla Sousa”, seja quem for, assina textos e fotos dos outros com um inequívoco “by Carla” que não lhe esconde as intenções. E já bloga há tempo suficiente para perceber as regras do jogo.

E é obvio que não as percebeu.

ADENDA: Como podem constatar no comentário da Mar, na caixa, também o Sociedade Anónima foi alvo da pirataria da fulana. Os alegadamentes deixam de fazer sentido.
A tipa é mesmo daquelas...

Publicado por sharkinho às 05:47 PM | Comentários (15)

junho 23, 2006

A POSTA PARA VER

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 11:24 PM | Comentários (3)

A POSTA NA ESTACA ZERO

A vida é feita de avanços e de recuos. Um pouco como as marés ou os ciclos da economia. É frase feita, mas parece que na estratégia mais comum e bem sucedida um passo atrás pode valer dois adiante depois.

(E vice-versa, digo eu.)

Publicado por sharkinho às 10:59 PM

SOL NASCENTE

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Foto: Shark

Fez-se esquecido do tempo perdido a sonhar um amor que nunca existiu, nessa forma ideal. Ela chegou e ele sorriu, lábios humedecidos pela sede de beijos proibidos, incapaz de virar a cara e recusar a cedência ao apelo que o coração lhe gritava por detrás de um peito a galope que a razão se esforçava, sem sucesso, para travar.
Sentiu-lhe o cheiro do cabelo e estremeceu. Tinha a noção de que perdia nesse instante a batalha interior contra a violência de um amor que o agredia. Mas impossível de renegar.

Masoquista, avançou. E no empenho que dedicou estava a certeza adquirida de que nenhuma esquina da vida o libertaria daquela prisão emocional. Amou-a até o corpo lhe pedir clemência, condenado, o pescoço marcado pelo ferro em brasa de um chupão. Daquela boca sempre sua que vestia o rosto da mulher nua com sorrisos despidos de pudor, marotos.
Cumplicidade que se fez em muitos momentos de nudez, da alma também.

A felicidade simples da emoção adolescente num adulto consciente da sua reclusão mal assumida. Pregava-lhe uma partida em cada troca de olhares, raios de luz rasgando o espaço entre ambos como o prenúncio de uma tempestade de Verão. O calor que os derretia, no amor que os fundia como vidro pronto a moldar.
Cálices de cristal, reflexos coloridos pela luz intensa do sol que os iluminava abraçados mesmo à beira de uma mesa posta para dois.

Vinho gelado a arrefecer as gargantas que aquecia depois, com as palavras que devolvia embriagadas de fantasia mas controladas pela lucidez. Choque térmico de correntes opostas numa ligação paradoxal, fios descarnados, pontas soltas, a energia desperdiçada no desnecessário acerto das contingências e limitações. Imensas discussões, para nada. Acertos das agulhas magnéticas com pólos sobrepostos, atraem-se os opostos quando não falha o sentido de orientação.

Mas ele fez-se esquecido do tempo investido a alimentar uma ilusão. Ela partiu e ele sorriu, lábios abertos de par em par, promessa renovada, na separação forçada, de um reencontro inevitável algum tempo depois.
Ela não negava aquilo que a arrastava para os braços que agora a envolviam sob a tez alaranjada do ocaso que os despediu.

E a mente dele partiu desarvorada rumo à alvorada do dia em que estariam juntos outra vez.

Publicado por sharkinho às 04:02 PM | Comentários (4)

A POSTA QUE VEM A SEGUIR...

...É que é a de hoje. Esta é só para partilhar convosco, os que não Weblogam, o cagaço que o Weblog me pregou esta manhã.


503 Service Unavailable
The service is not available. Please try again later.

Só assim é que um gajo dá pela falta que isto lhe faz.

Publicado por sharkinho às 03:43 PM | Comentários (0)

junho 22, 2006

A POSTA PRA VER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 09:06 PM

A POSTA NA VARIEDADE

Nunca consegui aprender com as minhas asneiras algo que me impedisse de as repetir. Pelo menos com boa parte delas assim aconteceu.
Isso não faz de mim um tipo muito esperto.

É que não faltam erros novos para um gajo desbundar…

Publicado por sharkinho às 08:30 PM

DIABOS ME CARREGUEM

Se eu percebo alguma coisa disto...

Publicado por sharkinho às 06:36 PM

A POSTA SEM CRITÉRIO

E (quase) sem palavras.

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 05:50 PM | Comentários (2)

A POSTA FUMADA

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FUMAR MATA

Antes que os/as moralistas do costume avancem com os seus argumentos estafados de antitabagistas primários/as, de ex-fumadores/as convictos/as ou de vítimas passivas do fumo alheio cumpre-me esclarecer que considero o acto de fumar uma estupidez.
Podemos arranjar mil e uma atenuantes e outras tantas justificações: enfiar fumo carregado de agentes cancerígenos pela boca de forma voluntária é uma tolice e ponto final.

Ou seja, não defendo o tabaco como não defendo a minha inocência enquanto vítima da ausência de informação acerca dos malefícios da coisa quando, aos catorze anos de idade, decidi embarcar neste vício medonho. Hoje sei o que me pode esperar, só não paro se não quiser e apoio todas as medidas que tomarem para evitar que mais palermas adiram a esta pequena insanidade.

Agora que estamos esclarecidos quanto à minha posição no assunto, passo a explicar-vos porque insisto em fazer o papel do advogado do diabo nesta matéria.


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CONDUZIR MATA

Passei as minhas férias numa unidade hoteleira espanhola na qual é proibido fumar em toda a parte menos nos quartos e no exterior. Nos quartos a malta praticamente só dorme, pelo que só na rua (ou quase) é concedido aos fumadores o direito à sua forma mansa de suicídio. Em dias de frio e de chuva, confesso que me sentia um nada estúpido quando partilhava um pequeno espaço coberto no exterior com os restantes viciados enquanto os outros, os puros, nos observavam com expressões de piedade pelos coitadinhos dos asnos.
Não é uma pele fácil de vestir e logo dei início às minhas sistemáticas transgressões de todas as normas que me soam excessivas.

Tal como a coca-cola e o mcdonalds, que dão cabo da saúde aos nossos putos, os americanos foram os pioneiros do disparate antitabagista que agora alastrou à Europa. Não sei o que lhes deu, mas de repente o tabaco tornou-se num alvo prioritário da legislação dos Estados Unidos e agora está a assumir o mesmo cunho na Europa.
Isto a propósito da discussão pública da lei que o Governo prepara para restringir ainda mais os movimentos dos fumadores e que inclui a brilhante ideia de reforçar os maços de tabaco com fotos chocantes de cadáveres e cenas assim.
Não quero que a minha filha siga o meu exemplo, mas não gosto de a saber exposta a imagens de terror que são proibidas no cinema ou na escola mas passam a ser impostas pela lei em qualquer ponto do país. Nos maços de tabaco que nos querem obrigar a esconder.

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BEBER MATA

Isto deixa-me perplexo, pela morbidez e pelo exagero. Mais ainda do que a ideia peregrina, entretanto abandonada, de transformarem os donos de bares, restaurantes e cafés em polícias do vício, multando-os pelo incumprimento por parte de terceiros, como eu, que não se importam de arriscarem eles próprios a coima em causa. Arriscarei, em mais do que uma ocasião, e aceitarei as respectivas consequências. E se não pretendo enviar baforadas arrogantes de fumo para cima do comensal da mesa do lado ou acender cigarros em espaços fechados na presença de mulheres grávidas ou de crianças pequenas, não contem comigo para, por exemplo, abdicar do meu lugar estratégico junto da janela por onde expelirei o fumo branco da discórdia. Proibido ou não, é assim que farei e assumo a desobediência implícita nesta afirmação.

A hipocrisia preside a esta força que os Estados aplicam invocando a preocupação com a saúde das pessoas, sobretudo as que não fumam. Mas se hostilizam tanto as tabaqueiras e os que as sustentam, porque não se tornam tão rígidos relativamente à indústria automóvel e os seus inseguros caixões metálicos que são responsáveis pela maior fatia da poluição? Eu sou um inalador de fumo de escape passivo e não me vêem reclamar que todas as viaturas automóvel tragam nas portas fotos de cadáveres estropiados em acidentes de viação ou de moribundos com doenças dos pulmões. Ou que proíbam a circulação automóvel fora das auto-estradas…

A maior causa de morte em Portugal são as doenças do coração, na sua maioria provocadas pelos venenos que a alimentação inclui. Então porque se preocupam tanto, sei lá, com o tipo de galheteiros que usamos e não cuidam de estampar nas embalagens de sal, em letras garrafais “O SAL MATA” e vão seguindo esse critério com tudo o que prejudica as pessoas mas continua disponível no mercado para comprar e usar quem quiser?
É que estas leis idiotas visam apenas, como no caso da criminalização do consumo de drogas leves, marginalizar cidadãos. Vergá-los pela vergonha, pelo ostracismo a que são votados pelo seu comportamento ilegal.

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TRABALHAR MATA

Perdi a vontade de voltar a casa de amigos que torceram o nariz quando no final de uma refeição me encaminharam para a rua, a varanda quando a tinham, para fumar o mais indispensável dos cigarros para qualquer fumador. Mesmo em salas amplas e bem ventiladas, os anfitriões preferiram interromper um diálogo importante ou agradável e banirem da mesa um convidado do que abrir excepções ao seu rigor normativo. Por causa do cheiro, alegam, que se agarra às paredes e incomoda-os (mesmo que tenham passado a infância no convívio com pais fumadores).
E nos carros, a mesma merda. Só te dou boleia se conseguires não fumar. Chantagem pura, que deriva da moral que o Estado pretende agora aplicar com mais acutilância como algo de correcto a fazer. Prefiro andar a pé.

E recuso-me a fazer o papel de doninha fedorenta, tal como sou livre de escolher os espaços onde convivo com alguém e de reclamar legislação que obrigue as tabaqueiras a reduzirem o teor cancerígeno dos seus produtos e as unidades hoteleiras a investirem em sistemas de exaustão de fumos que permitam aos fumadores (que também lhes sustentam os negócios) terem sempre um sector onde não tenham que dar cavaco a ninguém pela sua opção parva.
E se querem mesmo impor a moralidade, vamos então comparar o teor da legislação antitabagista com a que se aplica às unidades industriais (as que poluem e as que fabricam géneros alimentares carregados de “E-qualquer número”, daqueles que nos mandam na mesma para o IPO mas não são proibidos nos restaurantes, nos supermercados ou seja onde for).

A minha posta já vai longa (O Lobistico passa-se...), mas o assunto não fica por aqui. A quem quiser contestar-me nesta abordagem inicial, ou apresentar a sua versão das coisas neste polémico domínio, deixo aberta a caixa de comentários para que o possam fazer. Estou receptivo a todo o tipo de argumentação, mesmo a mais absurda, pois sinto que a questão transcende em muito o objectivo apregoado e que o Estado está a ir longe demais na interferência nos direitos e na imagem dos seus cidadãos, optando pela parte mais fraca (o indivíduo e a sua impotência para se defender) para impor aquilo que seria mais complicado mas legítimo perante o verdadeiro poder (a corporação e o dinheiro a ela associado).

Discussão pública, querem eles. Está iniciada a minha intervenção.

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E AQUILO? TAMBÉM PODE MATAR...

Publicado por sharkinho às 10:19 AM | Comentários (20)

A LUTA É EM TUDO

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Mas ainda não perdi.
Nem faço tenção de permitir que tal aconteça.

Publicado por sharkinho às 12:22 AM | Comentários (7)

junho 21, 2006

PAUSA PUBLICITÁRIA

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É grátis. Oferece leitura ligeira, consumível em pouco mais tempo do que demora a fazer a torrada da manhã.
Possui um jet set muito mais acessível (composto regra geral por anónimos pelintras e boçais) do que o da Caras (não estou a falar do Pacheco Pereira), proporcionalmente muito mais numeroso do que noutros meios sociais.
Permite o acesso a arquivos detalhados acerca das intimidades de outras pessoas, particularmente interessantes por nunca se saber se estamos no domínio da realidade ou da ficção. E é grátis.

Na maioria dos casos, o que não acontece por exemplo com os jornais e com os livros, permite a interacção por vezes praticamente em directo com o autor (estando até disponível a opção “insulto” nas já existentes ao alcance do utilizador comum).
É alvo de mais actualizações do que a agenda das redacções televisivas e possui, sobretudo no formato tablóide, um enorme manancial informativo acerca das relações institucionais entre os fazedores da coisa. Não existe monotonia neste produto que, não sei se já referi, é grátis.

Pela profusão de reproduções do trabalho de terceiros, é fácil encontrar seja o que for (dos outros) nesta maravilha moderna. E por vezes, sem custos adicionais, até encontramos pequenos trechos ou mesmo imagens da autoria de quem assina a obra (obra no sentido betonado da coisa)!
A optimização de recursos possibilita a mudança fácil de ambiente através de saídas de emergência estrategicamente colocadas no painel lateral ou inferior do trabalho em apreço, bastando um simples movimento da mão (menos complexo do que a mudança de uma folha em papel) para transitar com todo o conforto para uma das imensas alternativas ao dispor. Nenhuma unidade hoteleira possui um sistema de check out mais cómodo e eficaz!

O cariz multifacetado destes verdadeiros balões de ensaio da natureza humana faculta ao utilizador o acesso a autênticos tratados do escárnio contemporâneo, bem como inúmeros exemplos de suprema refinação das invectivas. Aprenda aqui a insultar com extrema elegância, com uma característica única no género (se efectuar a sua encomenda durante a leitura deste panfleto), inteiramente grátis, sem nunca apontar ou identificar directamente os visados! Um pacote de formação intensiva em analogias, metáforas e muitos outros expedientes de camuflagem das verdadeiras intenções de quem dispara e da verdadeira identidade das suas “vítimas” potenciais, em verdadeiros tiroteios de palavras que fazem as delícias e até podem provocar descargas de adrenalina ao utilizador mais permeável a este tipo de filmes de acção.

Descubra como se constrói um intelectual de pacotilha (Volume I: As Citações de Terceiros – Uma Imagem Marcante Com Um Esforço Irrelevante, incluído nos primeiros fascículos), uma imagem apelativa para pessoas absolutamente desinteressantes e insípidas (inclui o módulo “Como Obter a Beatificação em Meia Dúzia de Lances – A Operação de Charme II”) ou um grau de projecção impensável, mesmo que se trate de alguém incapaz de dar nas vistas na reunião de condóminos do seu edifício sequer! Tudo sem sair do conforto do seu sofá e, surpreendente, completamente grátis.

Desista na boa daquelas figuras patéticas, agarrado ao telemóvel na terceira fila dos mirones diante das câmaras de televisão. Porquê lutar pelos seus meros 15 minutos de fama quando pode obter aqui 15 semanas ou mesmo mais (apenas nos pacotes Pachorra Extra e Pachorra Vip)?

Não espere mais! Blogue como se a sua vida (ou a plataforma, se se tratar do modelo Weblog) acabasse amanhã! Apareça nos topes, seja atacado à bruta pelo palavreado inócuo de absolutos desconhecidos, alimente a ilusão de que lhe atribuem alguma importância!

Adira JÁ!
(É grátis…)

Publicado por sharkinho às 11:45 AM | Comentários (6)

POR MOTIVOS ALHEIOS À NOSSA VONTADE

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Algures, ainda hoje, o Weblog vai perder o pio. E com ele, todos os blogues lá alojados. Como este.
Vai fazer-se um silêncio sepulcral neste cantinho cada vez maior da Internet que alimentamos. Ninguém faz ideia do que virá a seguir. Ou melhor, ninguém sabe se virá algo a seguir.
É que são grandes as dúvidas acerca do empenho da AEIOU SA no futuro desta plataforma que adquiriu, como já aqui expressei por mais de uma vez, por via da ausência (escassez) de contacto e de alterações (melhoramentos) à versão mantida pelo Paulo Querido de saudosa memória.

Não faço ideia de quanto tempo irá durar esta “pedimos desculpa pela interrupção, a emissão segue dentro de momentos” e resta-me torcer para que corresponda a um regresso livre das pancas que o Weblog nos tem dado a provar nos últimos tempos.

Escrevo esta posta com o coração cheio de esperança de que conseguirei publicá-la.

Cada vez mais, este Weblog constitui acima de tudo um teste à nossa (boa) fé.

Publicado por sharkinho às 09:04 AM | Comentários (4)

junho 20, 2006

A POSTA NUM IDEAL EM CONDIÇÕES

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Foto: Shark

Eu sei que na maioria dos casos a vida desmente as utopias que desenhamos, como petizes, sobre o fundo rosa do papel fantasia que nos forra as ilusões.
Por isso mesmo as utopias funcionam como um Santo Graal, um objectivo a perseguir para assim contrariar o tédio de uma existência sem sonhos. Uma fé como outra qualquer, tão realista como a certeza de que Ele está em todo o lado e cuida de (uma parte de) nós.

O pragmatismo é o maior adversário de qualquer veleidade utópica. A realidade, que deveria ser tão bela quanto o milagre da vida que nos permite recolher a sua percepção, exibe-nos a todo o instante os aspectos menos agradáveis da sua composição.
As pessoas, nós todos, fazem parte desse pesadelo que nos acorda para a necessidade de manter ambos os pés bem firmes no solo para não vacilarmos perante as traições corriqueiras aos princípios fundamentais.
Como se tivéssemos a obrigação universal de despertar à estalada, tão trágico, os ocupantes do tapete mágico que vêem unicórnios e acreditam no Pai Natal.

Houve diversas fases da minha vida em que as utopias cederam à força bruta dos factos que as esmagavam sob o peso das mais diversas desilusões. A ideologia perfeita, manipulada sem escrúpulos pelos bandalhos do costume alcandorados ao poder. A profissão ambicionada, absolutamente eliminada das perspectivas por questões meramente conjunturais. A capacidade de fazer coisas decentes pelos outros, corroída pelas forças do bloqueio que empatam iniciativas com a sua arrogância, a sua estupidez ou a simples cegueira pelo poder pequenino que a qualquer medíocre satisfaz.
E acima de tudo, a confiança cega no cariz eterno da amizade e do amor verdadeiro. Um requisito fundamental para alimentar a versão romanceada da vida de qualquer sonhador.
As mais hostilizadas premissas pela frieza objectiva das coisas como elas são.
Como as deixamos ser.

Já soa ridículo acreditar no amor, como se este existisse apenas nos contos de fadas que Hollywood produz (sem magia) para se substituir aos livros que dantes cumpriam essa função, quanto mais acreditá-lo eterno (até ao fim da vida e mais além)...
Ah ah ah. Consigo ouvir neste lado mudo do meu monitor as expressões trocistas dos que perderam a esperança ou a deixaram fugir, cobarde, com medo da verdade que é o cutelo que nos amputa a ilusão.
“Tente mais tarde, estamos com problemas no servidor.”

Quem nos serve é a vida, o prato frio de uma vingança construída a partir dos escombros de cada amargura e de cada aventura sem um final feliz. E felicidade genuína não precisa de ter um fim, arrisco eu. Nem a morte que nos priva da a usufruir consegue destruir o que a perda de consciência protegeu nesse derradeiro suspiro. Levamos connosco cada alegria que vivemos, cada memória que preservamos, cada sonho por concretizar.
A utopia também, se conseguirmos arrastá-la com persistência através dos obstáculos aos milhões, com pernas, mais o destino sem penas que quantas vezes nos arrasa as expectativas com um sismo a que chamamos azar.

A sorte é acreditar no que pintam de cinzento impossível, como daltónicos optimistas que cobrem de verde as mazelas e correm como gazelas pelos campos floridos da sua obstinação na vitória do que entendem como a única meta a atingir. Corremos para fugir ao gigantesco despertador, ao desenlace dantesco do fim de um amor ou de outra emoção divinal. E rara, por isso preciosa aos olhos do mercado de sentimentos cuja oferta deserta e a procura ameaça, a cada tropeção, desistir.
É importante resistir, a toda a hora, e lutar pela vida fora por esse cálice mágico que nos embebeda de euforia no tal reino da fantasia que precisamos salvar.

A nossa verdadeira essência é alheia à consciência de que são causas perdidas as apostas totais, as entregas divididas em pequenas porções de nós, até às partes hesitantes perante a desilusão possível se unirem confiantes no todo feito da força que a esperança nos dá. E o prémio é uma medalha feita de bocados de estrelas bordados em tecido daquele com que se faz o céu.

O prémio em disputa é uma vitória na luta que deixaremos registada como um exemplo a seguir. A utopia conquistada é uma teoria comprovada, um caminho desbravado por pioneiros da teimosia e por amantes de um rumo sonhado com tanta insistência que se obriga na prática à sua concretização. Na perseguição feroz, contra tudo e contra todos, de uma prova inequívoca do poder que a amizade e o amor evidenciam quando lhes damos uma oportunidade decente para exibirem a sua prevalência sobre todo o tipo de desânimo, de desprezo, de ódio e de mesquinhez. Sobre todas as armas de que o inimigo dispõe.
O inimigo é a cedência ao falso inevitável, ao consolo frustrado dos que afirmam impossível contrariar uma tendência e depõem a fé e a vontade aos pés da tal realidade que nos compete afinal moldar.

Contudo, existe quem não aceite a derrota e instale uma frota poderosa no mar da incerteza para garantir uma rota para o sonho, qualquer um, pelo qual se justifique enfrentar sem medo a iminência de um temporal.
São esses os meus heróis, os que acreditam nas emoções.

E que nunca abdicam da sua fé num ideal em condições.


Publicado por sharkinho às 10:20 AM | Comentários (16)

junho 19, 2006

A POSTA NA MUDANÇA

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Há cedências que não estou disposto a fazer para fugir à inevitável solidão que feitios como o meu necessariamente acarretam. Existe um limite a partir do qual me sinto no direito perante os outros e no dever perante mim próprio de dizer basta e de enveredar pelo meu caminho, pela minha razão, mesmo sabendo que essa opção acarreta muitas vezes o afastamento definitivo de pessoas que me acompanham ao longo de segmentos mais ou menos compridos desta recta sem medida definida que é a vida de cada um.

Dessas obstinações que me caracterizam há uma que se tem destacado com frequência ao longo da minha presença na blogosfera: a incapacidade de virar a cara para o outro lado quando me sinto atacado por alguém. Uma estupidez, claro, que já me causou diversos desgostos, arrelias e preocupações.
Mas parece que esta forma de nos revelarmos, em postas e em comentários que nos vão definindo aos olhos de quem nos lê (observa), peca por distorcer de alguma forma alguns pressupostos da vida que acontece para lá deste suporte virtual. Reagimos de forma diferente, algo extremada, a impulsos que certamente nos passariam ao lado numa mesa de café.

Pelo menos é essa a ideia que tenho de mim e da falta de razoabilidade de algumas das emoções a que me permiti no convívio com esta nossa comunidade virtual. Estão registados alguns desses episódios na memória arquivada do que aqui se passou. E na minha memória também. Os amores, os ódios, os desprezos e muita admiração pelo que a maioria das pessoas se revelava capaz de produzir até dada altura, em que a blogosfera pareceu entrar numa crise colectiva de inspiração que afastou muitos “clássicos” do seu instinto blogueiro original.

A vontade de (nos) comunicarmos foi sendo progressivamente substituída pela proliferação de quezílias “públicas” (na dimensão social do relacionamento que aqui se produz) e mesmo pelo transporte de inimizades “de fora” para o quotidiano desta cena.
Não faltam exemplos do mal estar que se instalou nas relações entre muitos/as blogueiros/as, ou entre estes/as e os seus comentadores, a propósito das merdices mais disparatadas que, quantas vezes, assumiram proporções muito mais sérias do que seria normal.
E é difícil a pessoas como eu resistirem à tentação de alimentar as picardias, de enfatizar a dimensão das palavras (que não passam disso mesmo) que me eram dirigidas ou dirigia a alguém.

Por isso, e como a (re)conheço muito parecida comigo nesse domínio, fiquei agradavelmente surpreendido com a reviravolta que se produziu no discurso da Mar que agora encontramos na sua nova dimensão a solo e que subscrevo sem hesitações como uma vitória dela sobre um instinto estranho que se apodera de nós quando nos sentamos diante do monitor para interagirmos com quem nos aprecia ou detesta.
E o teor das suas últimas postas só por si bastaria para me fazer repensar a minha própria atitude perante esta realidade que tanto tempo e energia me consumiu até à data.
A vontade expressa pela Mar no novo amanhecer que pinta o Ponto sem Nó é uma vontade que pretendo partilhar e incentivar na parte que lhe toca. Porque é a que melhor serve os interesses de todos quantos partilhamos esta forma de comunicar.
É uma alternativa que só pode enobrecer quem a abraça e deve fomentar reacções análogas da parte de quem possa ter alguma reserva ou disputa que, a sério, a sério, devem sempre ser resolvidas fora do âmbito desta realidade virtual.
O objectivo de quem bloga, o sentido que tudo isto possa fazer, não passa pelo dispêndio de energia e de motivação em ataques e respostas sucessivas que em nada contribuem para nos engrandecer ou mesmo para satisfazer alguma necessidade intrínseca.
Serve apenas para tornar desagradável este suporte e para catapultar mais pessoas para fora desta realização colectiva. Saímos todos a perder, afinal.

Por tudo isto, porque de uma nova realidade se trata, renovo hoje o convite para conhecerem a dimensão que a nossa colega escolheu para o seu “regresso” à blogosfera.

E tiro o chapéu à coragem e a lucidez que lhe terá sido necessário reunir para, em pleno calor de uma “refrega”, inflectir o seu discurso daquela forma (juntando-lhe pedaços de si que melhor a definem aos olhos de quem pretenda conhecer-lhe melhor a essência). Tentarei seguir-lhe as pisadas nesse aspecto, tendo já dado alguns passos nesse sentido.

Mas para já, limito-me a registar com agrado e a enviar os meus parabéns pelo que espero ser o reinício de um percurso que o Espelho Mágico comprova, o charco acrescenta e agora anseio ver abraçado em pleno no Ponto sem Nó.

Publicado por sharkinho às 09:31 AM

NÃO CONSIGO ESCONDER...

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...O meu entusiasmo por hoje ser dia de regressar ao trabalho.

Publicado por sharkinho às 12:59 AM | Comentários (2)

junho 18, 2006

ROOM SERVICE

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O hóspede, ainda em cuecas, preparava-se para vestir uma T-shirt (tinha-a precisamente enfiada na cabeça, tapando-lhe a cara e a visão) quando soou o barulho da porta do quarto que se abriu de surpresa.
Escutou uma interjeição de espanto, enquanto se esforçava por desimpedir a cabeça, e depois uma sucessão de pedidos de desculpa numa língua que não a sua.
Tinha acabado de ficar só no quarto, minutos antes, e não contava de todo com aquela intrusão.

Contudo, quando finalmente pode mirar quem assim o surpreendera, a sua boca rasgou-se num sorriso perante o que viu.
Sentiu-se apanhado de surpresa em mais do que um aspecto, pois a beleza da mulher que agora hesitava na soleira da porta entre ir ou ficar desmentia-lhe um estranho pressuposto. Na sua ideia, as mulheres da limpeza encaixavam num perfil diferente, num ícone de matronas feiosas que, de todo, não correspondia a um sorriso tão belo e a um corpo tão perfeito como o que se desenhava no interior da farda de trabalho da divertida criatura.

Incentivou-a a ficar, ultrapassando com a simpatia o embaraço da situação. A culpa era sua, que não cuidara de colocar a etiqueta no lado de fora da fechadura para indicar a sua presença no quarto.
“Não se preocupe, esteja à vontade que eu até estou quase de saída…”
E ela não se preocupou, antes arrastou o equipamento para o hall de entrada, fechando a porta nas suas costas, facto que não passou despercebido ao ocupante do trezentos e trinta e um.

Começaram a conversar, ela a arrumar e ele a acender o primeiro cigarro da manhã enquanto reparava melhor, discretamente, no milagre que o acaso lhe trouxera no início de um dia que começando assim nunca poderia ser um dia mau.
Ela era uma mulher encantadora, bem disposta, uma conversadora agradável. E não dissimulava o quanto a divertira a situação e o quanto lhe agradava a reacção do hóspede apanhado de surpresa daquela forma.
Ele era um homem descontraído, pouco dado a embaraços sem nexo, e apreciador de pessoas que partilhassem essa característica.

O cariz divertido daquele primeiro contacto quebrou o gelo de forma quase instantânea e conversavam os dois de forma animada como se tivessem passado o serão anterior na palheta no bar do hotel, alheios à diferença de estatutos que a vida lhes teria imposto naquelas circunstâncias se fossem pessoas com outro tipo de feitio.
Entusiasmada, ela acabaria por suspender a labuta e quedar-se-ia de pé junto a uma das camas enquanto revivia às gargalhadas os contornos caricatos de algo que sabia poder acontecer um dia, pelas histórias que as colegas veteranas lhe contavam, mas que para si constituía uma estreia.
E a sua, ao contrário das que lhe haviam descrito, estava muito mais divertida e sem a carga pejorativa de uma reacção hostil.

O diálogo duraria escassos minutos, mas parecia ter durado horas. E de repente alguns instantes de silêncio deram a ambos a ocasião de se observarem mutuamente e de sentirem instintivamente que o tempo era curto para algo mais que pudesse dali derivar.
Foi ela quem o quebrou, quando esticou uma mão e lhe mostrou as marcas que uma porta lhe deixara nessa manhã, atingindo-a de raspão e esfolando-lhe ligeiramente a pele morena.

Ele sorriu, ciente do que aquele gesto poderia representar, e de o quanto a sua atitude nesse instante definiria o desenlace de toda a situação.
Como um cavalheiro, não hesitou.
Segurou-lhe a mão de forma gentil, olhou-a nos olhos e beijou delicadamente a pele esfolada daquela gata borralheira que protagonizava o seu conto de fadas daquela manhã solarenga de Verão…

Publicado por sharkinho às 10:34 AM | Comentários (6)

junho 17, 2006

A POSTA FÚTIL DE FIM-DE-SEMANA

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Trago das minhas férias uma certeza renovada. As portuguesas são as mulheres mais bonitas do mundo. Dá gosto, a um apreciador do género como eu, essa constatação que até nos olhos gulosos dos nuestros hermanos e dos restantes cámónes se lê na boa.
Lá aparece aqui e além uma holandesa gira, uma inglesa com uns olhos espectaculares, uma calmeirona alemã toda cheia de motivos de interesse e muito, mas muito raramente, uma bela morenaça espanhola (e certamente com uma costela do lado de cá…). Mas basta entrarem as portugas em cena e é ver a estrangeirada toda ofuscada pelo porte da elite, a graciosidade nos gestos, a generosidade das formas, a alma que só uma “das nossas” consegue espraiar em seu redor.

Nunca duvidei desta premissa e sempre afirmei que apenas as brasileiras (e tá bem de ver porquê) conseguem dar luta às miúdas lusitanas. É tão óbvio que só assim se entende que nunca mandemos as mais bonitas aos concursos de misses. Seria como o Michael Schumacher na Fórmula Um, ganhava sempre a mesma (a portuguesa, claro está).

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E então as mães, amigas e amigos, é esmagador. Se nas chavalinhas ainda a coisa fica aparentemente equilibrada, quando se comparam as mães portuguesas com os batoques estrangeiros até dá gosto um tipo ter nascido numa terra tão feliz nessa matéria.
Estou rendido à sensualidade, à elegância, à diferença que as nossas mães fazem para melhor quando confrontadas com os desinteressantes barris com pernas (e não estou a falar apenas de tecido adiposo) que se desengonçam no meio da sua prole enquanto os respectivos consortes (sem sorte nenhuma) se regalam com a presença da beleza que esta Pátria consegue produzir em quantidade e qualidade astronómica.

Se insisto na óptica das mães (uma preferência minha) é porque dá a sensação que a generalidade das europeias abdicam da sua condição de mulher depois de experimentarem a maternidade. Desistem de lutar contra as inevitáveis marcas dessa violência que o seu corpo suporta e aceitam de forma passiva o fim da sua capacidade de luta por um visual atraente. E é aqui que as portugas se distinguem das outras.
Sofrem os mesmos efeitos das outras mas não se resignam, procuram soluções de indumentária mais favoráveis, combatem o excesso de peso, insistem na estética como uma componente indissociável da condição feminina.

Não há como dar a volta a isto, a maioria das mulheres gostam de se sentir atraentes e esforçam-se por obter resultados nesse domínio. Nada de errado nisso, pois são igualmente pessoas interessantes e não encafuam os cérebros numa mentalidade tacanha de mãe galinha (sem que por isso revelem um desempenho inferior ao das outras no que concerne ao papel que acumulam com o de mulher). Nota-se, esse equilíbrio que as outras parecem desdenhar, nos mais variados pormenores.
E começa a estender-se à rapaziada também, pois ninguém gosta de fazer má figura à beira do seu mulherão e as tradicionais barrigolas e o ar desleixado dos nossos patrícios começam a dar lugar a uma atitude mais preocupada com o aspecto e até com o calibre da conversação.
Os dias labregos das famílias patanisca estão a acabar e lá fora já deram por isso.
Ou então andam muito distraídos e preferem fazer de conta que não percebem.

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Eu percebi. E sou um português orgulhoso dos meus, sem precisar do futebol para alimentar o lado mais bacoco do patriotismo que nunca me abstenho de cultivar.

Publicado por sharkinho às 06:29 PM | Comentários (6)

junho 16, 2006

BAILE DE MÁSCARAS (repost)

A Vaidade desceu magnífica a escadaria para o salão. Resplandecia, confiante, inebriada de alegria pela reacção da plateia improvisada. Ufana, profana, elevou-se na aparência o que certamente cairia se devassada nas virtudes, um vazio, e na leviandade da sua conduta mal justificada com inepta hipocrisia. Uma santa, na sua boca. E nas dos presentes, até virarem costas à anfitriã ocasional e transferirem para outro palco as suas celebrações. Casacas cortadas, pedaços rasgados de uma reputação que arrastava na queda as vidas dos que as viviam em função do falatório. A Vaidade tinha telhados de vidro nessa matéria.

As outras, também. Mas comiam pela calada, mais sonsas, encobriam. A Inveja disfarçava em elogios o rancor que sentia pela vedeta de circunstância, guardava para mais tarde o prazer mesquinho de emporcalhar a existência da princesinha. Já a Ganância não via modos de deitar a mão ao companheiro da dona da casa, o Dinheiro, que a sustentava e lhe conferia estatuto bastante para conviver com a nata, com os melhores. Ambas odiavam a outra, conspiravam, fomentavam reciprocamente o despeito.

Vaidade sabia, mas fingia como era de bom tom, suportava-lhes a presença para as presentear com a tortura de se confrontarem com a imponência do seu dourado pedestal. Sorria-lhes, acolhedora, e elas retorquiam com um aceno, encenavam a amizade possível no seu pequeno círculo infestado de tubarões.
A seguir retomavam, antenas em alerta máximo, a captação de indícios seguros, ou não, de outras vaidades efémeras, de almas simples e pobres, infiltradas por engano na elite dos ganhadores. Presas vulneráveis, patéticas, sinceras. Que confiavam em surdina os segredos que se espalhariam nesse mesmo dia por quantos ouvidos se conseguissem alcançar, como uma peste. Essas penetras, fraquinhas, afastavam-se sem luta, tinham vergonha na cara e desapareciam da alta roda para nunca mais darem conta de si.

Contudo, também os havia renitentes, os que agarravam com as unhas e com os dentes a vaga que para si reservavam, o seu lugar ao sol. Cada um com a sua motivação. O Orgulho, por exemplo, sabia-se falido mas escondia nas mais fundas masmorras essa verdade cruel, assim julgava. Mas sempre transpiravam uns rumores pelos poros ímpios daquelas línguas viperinas, pequenas partículas de boato que se concentravam como neblina em redor do visado. E depois desatava a chover sobre os impérios de fachada, castelos de areia que se dissolviam com os donos numa torrente de lágrimas sempre que o sonho chegava ao fim.
Poucos se ralavam, antes pelo contrário, com a desdita dos iguais. A Piedade há muito deixara o convívio daquela faixa social, como outras, palermas, armadas em boas num vespeiro letal.

A Fortuna, cunhada da anfitriã, só bafejava alguns e pouco primava pela estabilidade dos seus humores. Dava e tirava, fazia e desfazia, ao sabor da corrente em que embarcava, das modas e conjunturas. Instável e precariamente fiel. Porém, todos a adoravam, poderosa mas discreta, alardeava a riqueza somente nos instantes em que a partilhava e assim recrutava novos adeptos para a causa motivada pela vontade de enriquecer. Uma corte de fiéis, em constante renovação. Jet set, chamam-lhe por aí.


O quinteto de cordas anunciou o momento mais alto da ocasião, fotógrafos em barda, cronistas em profusão. Uma união de famílias, como se previa, a junção de outra jovem Fortuna com um membro destacado do clã residente na Quinta do Poder. Um casamento de conveniência, aliança forçada, forjada, para fortalecer posições e perpetuar a excelência de uma existência superior à disponível para milhões que os seus ajudariam a melhorar, se desviados para outros fins.
À cerimónia anunciada, com a presença da televisão, não faltariam sequer os mais ilustres representantes da economia mundial, sedentos de pretextos para afinarem mais um pouco os diapasões da sua estratégia global. Convidariam também, a bem da saúde do Mercado e da sua imagem de seriedade, algumas figuras de proa, assalariados, para conferirem ao evento a dignidade indispensável, para mutuamente se legitimarem no esquema eterno de entrada restrita no clube privado, abastado, dos que se reconhecem entre si através das máscaras que lhes disfarçam nos rostos o desdém pelos que ficam de fora.

A ilusão, qual adereço de cinderela, desvanece-se em fumo quando se esgota a finalidade, o único elo de ligação entre esses personagens irreais de um paraíso de fantasia. Se o Dinheiro morre um dia, de enfarte nas acções, certamente tombará com estrépito.
Dona Miséria, encarregada da limpeza, cuidará de reunir de novo, com paciência infinita, os pedaços estilhaçados de muitos sapatinhos de cristal. Os contos de fadas de outras Ambições encontrarão assim o seu pessoal e intransmissível cartão de acesso a um final que todos imaginamos feliz.

E o baile recomeçará.

Publicado por sharkinho às 12:01 PM

junho 15, 2006

PARA QUE CONSTE

Nada tenho a ver com um blogue chamado OLÉ! do qual só hoje tomei conhecimento por intermédio de alguém sem nada a ver com o mesmo.
Fica implícito que não subscrevo o respectivo conteúdo, desenvolvido sem a minha anuência ou solidariedade, nem estou associado a qualquer tipo de ataque que dali possa partir dirigido seja a quem for.

Publicado por sharkinho às 11:01 PM

junho 14, 2006

GAIVOTAS... DAS OUTRAS...

Sim, porque isto das férias do Shark não é só andar de nariz no ar à procura de passarinhos... :)

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Fotos: Shark (dá pra notar, não?)

Publicado por sharkinho às 12:11 PM | Comentários (11)

THE PERFECT STORM

Neste momento assisto à trovoada mais intensa que experimentei em toda a vida, acompanhada de um forte aguaceiro. Já dura há mais de uma hora e não dá sinais de abrandamento.
Se esta segue para Portugal, preparem-se para uma madrugada muito luminosa e barulhenta...

Publicado por sharkinho às 12:48 AM | Comentários (10)

junho 13, 2006

A POSTA NAS GAIVOTAS

Embora seja um mau indicador do que me espera em matéria de clima, sou um fã de gaivotas e acabo de ter um bando delas, como spitfires da Royal Air Force, a planarem sobre a varanda do meu quarto.
Para quem é apreciador deste pássaro (e em especial para a minha sócia) ficam uns instantâneos que consegui recolher.

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Publicado por sharkinho às 05:59 PM | Comentários (13)

E JÁ AGORA LEVAM ESTES TAMBÉM

Se vos der na ideia adquirirem uma placa GSM para o vosso portátil não posso garantir que a Vodafone ou a Optimus são melhores, mas fujam da TMN a sete pés! A gente queixa-se e eles impingem-nos os pontos wi-fi, "imensos em todo o país". Quer dizer, um gajo se quiser utilizar o 3G tem que sair de casa e ir para o aeroporto ou para um centro comercial. E é esta a solução que apresentam.
E se não avançassem ao menos com uma solução sem nexo até pareciam sócios do AEIOU...

A rede GSM deles é uma bosta, parece que temos internet do tempo dos Flintstones. A rede é fraca ou inexistente em sítios tão distantes como Sacavém, Alcobaça, Beja, Vila Nova de Milfontes. E no estrangeiro posso adiantar que em França, na Áustria e na República Checa é mentira. E em Espanha, onde estou agora, é conforme o vento, do tipo pisca-pisca, agora tens agora não.

A combinação de forças destas duas organizações (TMN e AEIOU) é a mais poderosa ameaça à paciência do blogueiro comum. Um gajo até se passa.
E agora vou a correr postar isto antes que dê uma filoxera no Weblog ou no roaming marado dos "até já"...

Publicado por sharkinho às 03:46 PM | Comentários (6)

junho 12, 2006

COM AS LETRAS TODAS: O SERVIÇO TÁ UMA TRAMPA

A minha vontade, a sério a sério, era cagar nisto e não postar até que a coisa funcione em condições. É que não dá pica nenhuma. Ontem, por exemplo, demorei quase meia hora para publicar a merda de um título, mais a merda de uma frase, mais a merda de uma fotografia.
E perguntam vocês, se pões tantos defeitos porque é que continuas a insistir?
E eu respondo:

1 - Porque tenho a cena paga até Outubro e não gosto de encher o pandeiro a gulosos;
2 – Porque o Paulo Querido me sossegou quando garantiu que nos entregava em boas mãos e não numas manápulas que conseguiram em dois ou três meses mais e mais prolongados blackouts do que ele em vários anos;
3 – Porque o Sapo ainda é pior e o Blogger já conheceu melhores dias;
4 – Porque sou preguiçoso e atarefado demais para procurar uma alternativa decente;
5 – E porque sim.

A ideia é um gajo arranjar disposição para postar cenas baris para os outros gajos arranjarem motivação para as lerem/verem e, quando tão praí virados, até deixarem um comentáriozinho ou assim.
Mas porra, eu nem consigo responder aos poucos comentários que me deixam! Atão uma empresa, SA e tudo, não consegue fazer melhor trabalho do que um carola individual que manteve a coisa a funcionar sozinho? Não me lixem. Ou não percebem pevas do assunto ou compraram a cena para darem cabo dela e começarem uma nova sem a concorrência feroz que o WEBLOG com maiúsculas (o do Paulo Querido) lhes faria.

Acham que é má vontade? Desde Fevereiro, o que de novo e de significativo aconteceu nesta plataforma? Citem-me um só aspecto, uma só melhoria que os utentes possam apontar. Hã? Não ouvi bem, podem repetir?
Poizé, népia, nestum, rien. Divulgação do Weblog? “Ah, e tal, pusemos o símbolozinho da treta no meio do resto dos símbolozinhos do maralhal que faz parte do grande AEIOU”. Fabuloso…
Atão e falar ca malta e coiso? “Pois, um postzito por mês no blogue da cena e até respondemos a uns emails de vez em quando (não falta quem afirme aguardar respostas)…”

A verdade, meus lindos, é que este funcionamentozinho de treta vai espantar primeiro os de fora, que não têm que arranjar pachorra prós soluços desta cagadazinha, e depois os de dentro, que não pagam o que podem ter de borla para depois levarem com estes filmes em sessão contínua.
É difícil postar, é quase impossível comentar e nem a merda dos contadores (que assinalam 2000 comentários por semana a blogues com meia dúzia deles por posta) servem de alguma coisa a quem lhe liga alguma importância.
Então pagamos pelo quê, concretamente? Pelo aluguer do espaço? Nesta altura é como pagar o preço de uma suite no Ritz e usufruir de uma água-furtada na pensão da coxinha…

E para que gasto nisto o meu latim e a pachorra dos leitores? Para duas coisas: alertar os incautos a quem ocorra a ideia de instalarem aqui os seus blogues e refilar para que quem responde por este serviço rasca não julgue que a gente come e cala.

Já tiveram tempo suficiente para mostrarem o que valem. E na óptica do utilizador estão a valer quase nada. Prefiro não blogar a ter que sustentar os vícios a quem não evidencia respeito pelo meu estatuto de cliente e pelas centenas ou milhares de alminhas que investem aqui o seu tempo em vez de o gastarem noutra cena qualquer.

Acabou o estado de graça e o tempo de paninhos quentes e de falinhas mansas.
Ou fazem o vosso trabalho em condições e se empenham, no mínimo, em pedir desculpas pelo mau funcionamento, em apresentar justificações cabais e, acima de tudo, em definirem com clareza até quando vai durar esta bagunça ou merecem que cada um dos que utilizam esta plataforma vos denuncie como incapazes e vos dê com os pés quando chegar o momento de renovar a assinatura.

Pelo menos, é essa a ideia que nos transmite o vosso autismo e o resultado desastroso das vossas intervenções (esperemos que as haja) para resolverem o problema.

Paulo Querido: deves fartar-te de rir dos que antes te hostilizavam…


Adenda - eis o que nos espera quando tentamos entrar nos bastidores dos nossos blogues:

Got an error: Bad ObjectDriver config: Connection error: Too many connections

Ou, em alternativa:

Internal Server Error
The server encountered an internal error or misconfiguration and was unable to complete your request.
Please contact the server administrator, correio1@weblog.com.pt and inform them of the time the error occurred, and anything you might have done that may have caused the error.
More information about this error may be available in the server error log.

Apache Server at charquinho.weblog.com.pt Port 80

Publicado por sharkinho às 04:34 PM | Comentários (25)

junho 11, 2006

GOSTO MUITO DOS ANGOLANOS

Mas hoje, desculpem lá...

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Publicado por sharkinho às 06:09 PM | Comentários (9)

junho 10, 2006

SEXO ANAL NO WEBLOG

Sexo anal
O SEXO ANAL é o nosso tema. Bem vindo ao nosso blog, se gostas de o praticar ou simplesmente te excitas vendo fotos de sexo anal, este é o teu Blog. Fizemos uma recopilação e ordenamos em diversos post´s numerosas fotos de sexo, para que desfrutes, sozinho ou acompanhado para o melhor sexo de rede. Prepara-te para veres as nossas fotos e videos de sexo anal
junho 08, 2006
Fotos de sexo anal
Sexo anal em fotos
Gostamos demais do sexo anal ver as meninas a serem enrabadas por mastros enormes. Aqui podes ver uma galeria de fotos de uma menina atrevida a ser comida pela cuzinho.
Fotos de sexo anal
Publicado às 07:57 PM | Comentários (0)

Tinha linques e tudo, em http://sexoanal.weblog.com.pt


E esteve online o tempo suficiente para o Shark o topar antes que a atenta equipa do AEIOU (mesmo assoberbada com as merdas que todos sentimos na pele nos últimos dias) lhe desse com o camartelo.
Nunca entendi esta panca da rapaziada pelo sexo anal, não tanto pela curiosidade mas pela fixação de alguns nesta variante específica. Aliás, é notória a incidência de tudo quanto é porno nesta espécie de fruto proibido que tantos buscam com afinco por essa net fora.

É um chamariz de visitas, como o próprio charco confirma. Do Google vem muita gente à procura de uma posta que fiz há tempos acerca do assunto. E eu pasmo com tanto interesse que, de resto, só pode provir da falta que a malta sente de variar na ementa…
Os números indicam até que existe uma hierarquia nessa demanda de temas relacionados com o sexo. Já quase ninguém liga ao sexo dito “normal” (sem penetrações anais ou extravagâncias orais). O sexo anal é o top da cena, um objecto de culto dos atesoados virtuais. Depois vem o sexo oral (com refinação na busca, sexo oral mas com o happy ending todo retratadinho senão perde a piada). A seguir, na tabela de preferências, surge o clássico ménage a trois, um must das fantasias do pessoal.
E pelo meio ainda há as “cenas com lésbicas” (não precisam de ser mas apenas de parecer, pois a malta quer é ver fotos de gajas com gajas), mais uma data de aberrações com bicharada e instrumentação diversa que me abstenho de enumerar.

E no fim, bem no fim, o sexo propriamente dito. Sem nenhuma especialidade em concreto. Apenas o que houver disponível para apreciar no recato do monitor.
Isto preocupa-me, pois leva-me a crer que a monotonia está instalada em boa parte dos lares lusitanos (e não só) e os buscadores anseiam por um cocktail de gambas para desenjoarem do bitoque do costume.
E porquê, afinal? Mas a malta não fala uns com os outros na cama (e fora dela)? Custa assim tanto encontrar uma abordagem decente na intimidade que se partilha com quem nos deitamos?

Parece que é pecado falar destas coisas tão… falha-me o termo… tão complicadas. Vai daí, bute ao computador procurar umas fotos bacanas para tirar a barriguinha de misérias e sonhar com o que se quer mas não se tem.
Isto custa-me, pois deve ser frustrante abdicar da concretização de um desejo em prol da fixação numa fantasia por realizar. Não estou a brincar, agora. A vida é muito curta para uma pessoa se privar de algo que não possui nos nossos dias o cariz de bizarria, a carga pejorativa que no passado lhe atribuíam vá-se lá saber porquê.

Corpos são corpos e monas são monas. Quem quer faz, quem não quer arreia. Mas vale a pena tentar, porra, antes de embicar para o teclado à procura de imagens dos outros a fazerem o que nos apetecia. Isto não é uma espécie de chá, não dou pala de moralista nessa matéria. Queria era ver a malta feliz e, pardon my english, bem fodida para substituírem as carrancas por um sorriso saudável e para não atrofiarem dentro de si próprios como putos que sonham há anos com a pista de automóveis que os pais não lhes compram.

Claro que existem excepções. Se alguém quer muito mas o/a parceiro/a se nega por isto ou por aquilo e não queremos procurar junto de outra pessoa, que remédio…
Mas isso será uma minoria e não se traduziria no fenómeno de popularidade que a indústria do sexo aplaude e fomenta.
O amor e/ou o desejo, bem conversadinhos, vencem quase todas as renitências. E isto não é discurso de sexólogo, pois não tenho veleidades de competir com o Murcon. É um gajo como qualquer outro a tentar abrir os olhos (nada de más intenções, ò pessoal) aos companheiros de luta que sofrem em silêncio essas privações quantas vezes desnecessárias.

Volto a repetir: nem todos/as se disponibilizam à priori para a variedade. Mas vale a pena tentar, tentar outra vez, tentar com jeitinho e com nova abordagem até baixar os braços e ir encher a mula aos que se aproveitam destas fraquezas da malta. E isto não se aplica apenas ao sexo anal. Cada um tem a sua forma de viver com estas coisas e de as sentir e ansiar, não há heróis. Fetiches, sexo em grupo, sessenta e nove, swing, you name it.
No remanso da nossa tola acontece um mundo de variações para um denominador comum: o sexo, tal e qual.

Limites todos temos, mas só os conhecemos se tivermos a coragem de os forçar um nadinha. Vale a pena, acredito, se a alternativa é desbundar (lá tão vocês outra vez) com a irmã da canhota ou definhar em desgosto até um dia passar uma coisinha má pela vista e tentar obter a satisfação reprimida junto de profissionais ou, pior ainda, à bruta e à custa de quem não pretenda alinhar na dança. Acontece mais do que se pensa e não é motivo de graçola.

Por tudo isto, louvo a “censura” que o AEIOU impôs aos espertalhões que aproveitaram a goela para atrair mais clientela e tentei, mal ou bem, pegar no assunto numa perspectiva mais saudável e, espero, mais útil para quem vive esse drama da vontade não concretizada.
Se reduzir a quota de mercado aos gulosos nem que seja num só irmão que beba algo de positivo destas palavras já terá valido a pena.

Se assim não for, deu-me um bom pretexto para escrever uma posta acerca de um assunto que, não é segredo, é sempre bem vindo ao espaço do tubarão.

Publicado por sharkinho às 11:43 PM | Comentários (12)

A POSTA NAS VACACIONES

Tomem lá para verem onde é que o esqualo está a blogar nesta altura.

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 03:45 PM | Comentários (7)

junho 09, 2006

NAS RÉDEAS DO MEU DESTINO

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De repente percebemos o quanto nos afastamos da nossa essência na pele de reféns de compromissos que o tempo nos esclarece serem assumidos em vão.
Abdicamos de forma inglória até do nosso orgulho, afogados nas cedências nas quais mergulhamos em nome de um ideal que os factos desmentem e as consequências cravam nas costas da nossa esperança como facas afiadas destinadas a fazerem-nos sangrar, panaceia medieval, como se fosse esse o melhor caminho para a cura das almas traídas pelas expectativas imbecis.

É inútil acreditar, pois nenhuma crença transforma em mentiras as evidências que nos gritam a realidade que rejeitamos. Não interessa se não assumimos aquilo que a vida nos prova inevitável, pois em cada novo capítulo o livro escreve-se sozinho e ignora as fantasias na mente do respectivo autor.
Passo a passo, as certezas desmoronam-se e com elas arrastam os pilares de sustentação da mais sólida das fés.

As histórias mal contadas e as promessas adiadas em nome de um amanhã feito de novas justificações para o que ontem se deixou por concretizar outra vez. Mentiras piedosas, algumas, e o fardo arrastado quase como uma obrigação em nome do que virá depois. Talvez.
Porque era uma vez um conto de reis. Mil escudos apenas, na moeda de um passado que entretanto se transfigurou numa ilusão sem sequência, numa sucessão de explicações absurdas para tudo aquilo que passou a correr mal.

A carreira mercenária abraçada como uma missão. Crises passageiras que se ultrapassam como barreiras destinadas a oferecerem-nos uma inestimável lição. Bandeiras desfraldadas perante o adversário que na sombra alicia, congemina com os nossos a forma mais seca de nos destruir, camuflado como um farol que nos indica a salvação ou como uma cenoura diante dos olhos que nos seduz e nos arrasta aos poucos para o fim da navegação, a quilha rasgada pelas rochas submersas dos silêncios comprometedores e dos esquemas para ocultar a tal verdade que não queremos descobrir.
Aos poucos, interiorizamos o naufrágio como um final feliz.
O fim dos desgostos e a hipótese de um recomeço a partir do zero que afinal é menos um.

O momento certo para dar início à revolução. Mudança de vida, revolta gritada na coragem de um ponto final, na determinação de um adeus.
O golpe de misericórdia no poder que nos atrofia, a palma da mão vazia com a qual recebe de nós e nem se digna agradecer. Sem nada para nos oferecer, apenas o desprezo que este mercado de escravos nos dedica enquanto nos corrompe à revelia em jogadas de bastidores e nas tais promessas que nunca é sua intenção concretizar. A liberdade hipotecada em prol de uma escritura assinada em pedra de gelo no pino do Verão.

E essa sanguessuga das nossas forças desperdiçadas nunca abdica dos direitos que indevidamente adquiriu. Puta que a pariu, se nem se digna apoiar-nos nos momentos menos bons. Só somos dignos de consideração enquanto nos submetemos aos seus desígnios, à sua interpretação da forma correcta de agir, a mais lucrativa na sua perspectiva (ainda que viole princípios que nos são caros e nenhum benefício possamos recolher em troca da capitulação).
Trata-nos como meros peões, males necessários para preencher o seu alucinado tabuleiro de xadrez.

No meu sonho que se desfez do regresso aos dias de glória está a força para mudar o rumo desta história, deste livro aziago mas prestes a chegar ao fim.

E o seu último capítulo vai agora ser escrito por mim.

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Publicado por sharkinho às 12:48 PM | Comentários (19)

junho 08, 2006

FILHO ÉS PAI SERÁS

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Foto: Shark

O homem sentou-se à minha frente para tratar de um assunto profissional, mas eu tenho o hábito (nem sempre compensador) de conversar sobre outros temas enquanto cumpro o expediente. É a minha forma de mostrar interesse por quem me sustenta os vícios e de tornar menos impessoal a relação com as pessoas que sirvo.
O homem, cuja sucessão de azares fui conhecendo ao longo dos anos por via de alguns serem alvo da minha intervenção no sentido de minorar as respectivas consequências, começou por alimentar um assunto banal mas depressa lhe li no olhar um misto de tristeza e de indignação.

Adivinhei que não seria um contacto breve, caso puxasse por ele. Contudo, a sua aposta insistente nos meus serviços (postos à prova em diversas ocasiões) justificava da minha parte a consideração necessária para lhe conceder uma oportunidade de desabafar um pouco as suas mágoas.
Inquiri-o nesse sentido e ele, ávido de expurgar o que o afligia, agarrou a oportunidade sem pestanejar.

A sua dor, visível, derivava de problemas com a filha única que um casamento desfeito lhe deixara como legado principal. Eu conhecia-lhe o apego à menina (agora maior de idade) e calculei que a situação seria sem dúvida perturbadora para aquele pai.
Resumiu-me, sem pormenores, o facto de uma zanga com ela ter resultado na suspensão de contactos entre ambos dois meses atrás.

Do meu lado da secretária senti o impacto da sua tristeza, que tentava em vão camuflar com um tom indignado de quem se sente alvo de uma injustiça. Um pai e uma filha de candeias avessas. E eu, pai de uma menina e alvo potencial de uma situação análoga num futuro próximo demais, senti na pele o choque de me imaginar na sua pele. E eu, filho de um casal a quem claramente defraudei as expectativas, senti também o constrangimento de quem pode invocar uma data de razões mas não deixa de estar na origem de um desgosto daquela natureza.

Tempos atrás, este blogue foi palco de uma situação que ainda hoje me embaraça e constitui talvez o maior calcanhar de Aquiles ao alcance de quem me queira atingir na credibilidade da bonomia que gosto de reconhecer em mim. Envolvia um conflito sério entre mim e a minha família, na sequência do qual produzi um desabafo com contornos excessivos que derivaram do que na altura interpretei como uma agressão.
Apaguei essa manifestação na sequência da perda do meu anonimato, o que permitiria identificá-los como protagonistas da situação. E isso eu nunca quereria que acontecesse, pois se assumo as minhas falhas como filho nunca correria o risco de os magoar dessa forma, dando-lhes a conhecer o que na altura senti e escrevi (e que ainda está acessível em diversos pontos da internet).

Acabaram infelizmente por ter acesso a esse desabafo inócuo que as circunstâncias transformaram numa desnecessária punição para as suas culpas no cartório e para a minha incontinência verbal indesculpável. Ainda assim, e apesar da profunda tristeza que terão sentido em face de uma prosa que nunca lhes daria a conhecer em caso algum, encontraram uma forma de ultrapassar a questão e hoje mantemos uma relação menos próxima e efusiva mas dentro dos padrões normais de qualquer ligação dessa natureza.

Não sei o que me espera amanhã, na relação de proximidade e de confiança que tento construir.com a minha filha que, por diversas razões, será provavelmente (como no caso daquele homem sentado diante de mim) a única que criarei e cuidarei até ao dia em que assuma as rédeas da sua vida. Contudo, não alimento uma expectativa optimista pois não sou flor que se cheire em matéria de feitio e ela herdou muitos dos traços que o caracterizam.
Não estou livre de que também a mim o destino apresente uma dessas facturas que até já pude experimentar por aproximação.

Resta-me a esperança de que o amor mútuo mais a minha infindável tolerância de pai nos impeça sempre de irmos longe demais, de violarmos regras sagradas que os laços de sangue devem acautelar e assim chegarmos a uma situação de ruptura temporária ou mesmo definitiva.
Devo aproveitar ao máximo estes dias felizes do amor incondicional e livre dos braços de ferro associados à conquista da sua independência que adivinho, pela minha própria experiência, tumultuosa.

Quero acreditar que saberei, como os meus pais, encontrar sempre um espaço para o perdão depois de reconhecidas as minhas culpas, as minhas limitações, as decisões erradas e tudo quanto armadilha o bom desempenho que, por princípio, qualquer pai anseia.

Resta-me amar a minha filha e lidar com as suas revoltas e amarguras no futuro em que me confrontarei com o papel de intérprete da sua desilusão pelos aspectos em que a defraudar, adivinhando-lhe, naquilo em que tanto se assemelha ao pai, as garantidas reacções intempestivas.

Publicado por sharkinho às 11:22 PM | Comentários (8)

Em paz

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Inesperadamente.
Abate-se sobre nós, como se fosse uma ave em voo picado, um turbilhão de Cor .

Desarma-nos, encanta-nos, quase nos subjuga.
E, ali, só nós e a Natureza, tomamos consciência da nossa pequenez e da vastidão do Mundo.
Mordiscando o caule de uma erva, enquanto aspiramos o ar morno da tarde, somos apenas mais um elemento da paisagem, perecível, como os restantes.
Que um dia desaparecerá, da mesma forma como apareceu. Do nada para o nada.
Por agora existimos. Em paz.
É aproveitar.

Mar

Publicado por sharkinho às 01:37 PM | Comentários (8)

FLOWER POWER

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Fotos (acima): Shark


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Publicado por sharkinho às 09:22 AM | Comentários (7)

junho 07, 2006

Sweet September

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aqui


Como diria o meu sócio, "adoro pessoas". São tão giras, tão previsíveis, tão agradáveis de observar nas acçõezinhas canalhas que praticam, tentando fazer boa figura (e isto não é, de todo, dedicado a alguém do sexo masculino) e passar pelas santas da casa, quando estiveram no cerne de todos os incêndios ateados enquanto manobraram outros para lhes fazer o trabalhinho sujo.
E elas, as "pessoas", a gozar o pratinho à conta dos que se atiram prá frente sem medo, em contraponto à sua cobardia, amarela e peganhenta, gordurosa como o excesso de peso de que sofrem.
O problema delas, das "pessoas" é que se denunciam quando se deixam entusiasmar em excesso.
E deitam a perder todo o esforço que fizeram, inglório, ao tentar ficar por cima. (se bem que elas "as pessoas" também gostam de outras maneiras emais ainda com "pessoas" iguais a elas).
É por isso que eu hoje aqui dedico uma "poisia" a uma "pessoa" da minha estima, ex-confidente por sms e outras vias.
É que, como é grande, por sms não dava muito jeito a ainda podia vir a ser usado depois...

Mensagem do Mês de Setembro

Caminha placidamente entre o ruído e a pressa. Lembra-te de que a paz pode residir no silêncio.

Sem renunciares a ti mesma, esforça-te por seres amiga de todos.

Diz a tua verdade quietamente, claramente.

Escuta os outros, ainda que sejam torpes e ignorantes; cada um deles tem também uma vida que contar.

Evita os ruidosos e os agressivos, porque eles denigrem o espírito.

Se te comparares com os outros, podes converter-te numa mulher* vã e amargurada: sempre haverá perto de ti alguém melhor ou pior do que tu.

Alegra-te tanto com as tuas realizações como com os teus projectos.

Ama o teu trabalho, mesmo que ele seja humilde; pois é o tesouro da tua vida.

Sê prudente nos teus negócios, porque no mundo abundam pessoas sem escrúpulos.

Mas que esta convicção não te impeça de reconhecer a virtude; há muitas pessoas que lutam por ideais formosos e, em toda a parte, a vida está cheia de heroísmo.

Sê tu mesma*. Sobretudo, não pretendas dissimular as tuas inclinações. Não sejas cínica no amor, porque quando aparecem a aridez e o desencanto no rosto, isso converte-se em algo tão perene como a erva.

Aceita com serenidade o cortejo dos anos, e renuncia sem reservas aos dons da juventude.

Fortalece o teu espírito, para que não te destruam desgraças inesperadas.

Mas não inventes falsos infortúnios.

Muitas vezes o medo é resultado da fadiga e da solidão.

Sem esqueceres uma justa disciplina, sê benigna* para ti mesma. Não és mais do que uma criatura no universo, mas não és menos que as árvores ou as estrelas: tens direito a estar aqui.

Vive em paz com Deus, seja como for que O imagines; entre os teus trabalhos e
aspirações, mantém-te em paz com a tua alma, apesar da ruidosa confusão da vida.

Apesar das tuas falsidades, das tuas lutas penosas e dos sonhos arruinados, a Terra continua a ser bela.
Sê cuidadosa.
Luta por seres feliz.

(Inscrição datada do ano de 1692. Foi encontrada numa sepultura, na velha igreja de S. Paulo de Baltimore)

* No original, o género era masculino mas a "pessoa" é do feminino por isso substituí.

Mar

Publicado por sharkinho às 05:41 PM | Comentários (4)

EU ATÉ NEM COSTUMO ESCREVER PALAVRÕES

Mas vocês têm que me desculpar este desabafo.
Deitei-me às quatro da matina e tou com uma puta de uma soneira que não lembra.
Mais café, só injectado. Cada cigarro que enrolo é um trambolho pior do que o antecessor, com as mãos titubeantes e a vista toldada por sacas de serradura virtual.

Ganda merda, pá. Já não me aguento à bronca com duas noitadas (eu disse noitadas) consecutivas. Isto não é o que eu tou a pensar, ou será?

__/ /__

Mas há mais palavrões por dizer. É uma guerra para comentar na merda do blogue e é uma porra postar na merda do blogue e esta posta já devia ter entrado há mais de duas horas e eu não consegui obter sucesso nessa tarefa. Admito que não pago uma fortuna por isto, mas pago de facto e é frustrante dar de trombas constantemente com este cenário.
E eu mordo-me todo para não disparar umas bujardas porque tenho medo que o sono me leve longe demais no vernáculo e porque tenho que acreditar que alguém está a fazer algo para acabar com estas pancas cíclicas no Weblog.
Dasse...

Publicado por sharkinho às 05:23 PM | Comentários (10)

PESSOAS DE BEM

Resolvem problemas com base no bom senso e num diálogo sem merdas nem rancores.
Hoje tive a feliz oportunidade de ser interveniente num desses momentos que, na minha forma de ver e de sentir as coisas, só enobrecem e valorizam quem neles participa.
A todos quantos assistiram à evolução de um episódio que não desejo ver repetido neste blogue o meu pedido de desculpas pela má impressão que estas coisas sempre deixam.

Espero que o desfecho condigno que protagonizamos sirva de atenuante para o que se passou e de exemplo para o futuro que anseio para a minha presença na vida como na blogosfera.

Publicado por sharkinho às 12:21 PM

junho 06, 2006

A POSTA VARIADA

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 05:21 PM | Comentários (8)

SANTINHO! (repost)

Jurou vingança perante o Conselho logo que lhe confirmaram a sua dispensa do cargo de assistente do departamento de Estudos Galácticos. Acreditava ser o melhor cientista do universo e não tolerava a ideia de ser afastado das suas cobaias, criaturas raptadas em centenas de planetas distantes.
Dedicara a vida ao trabalho e rejeitava a ideia de que tinha de alguma forma sido afectado pelo contacto excessivo com alguns espécimes. Acusavam-no de comportamento agressivo e sabia que isso resultaria em demissão. Já antevira tal desfecho e tratou de retirar a sua criatura preferida do casulo em que a colocara tempos atrás. Sabia que a cobaia era portadora do vírus mais letal que se conhecia e arrastou-a para um local movimentado de Crion, dentro de um saco isolador. Retirou da bolsa o antídoto, injectou-se e libertou do saco a criatura rosada.

O inferno instalou-se quando o terráqueo espirrou.

Publicado por sharkinho às 05:20 PM | Comentários (3)

PRECISO DE UM CAFÉ

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 04:55 PM | Comentários (5)

O TOM DO ADEUS