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julho 24, 2006

A POSTA QUE ME CUSTA ESCREVER

escrevo assim.JPG


Como já assumi por diversas vezes mas não me importo de repetir, sou um gajo desconfiado e com tendência para a paranóia. Isso pode explicar-se por diversas razões que se prendem com o feitio mas também com uma sucessão de eventos que me sustenta a fobia da traição.
E não falo (neste caso) da traição em sentido restrito, a cena dos cornos, mas da que está ligada à deslealdade. Laços familiares, emocionais ou de amizade devem ser sagrados e vivo com pesos na consciência por cada gesto que identifico como uma afronta a essas ligações.

Contudo, não é raro ver-me confrontado com a quebra desses vínculos por parte de terceiros, pessoas muito próximas até. E são esses episódios que me vão tornando cada vez menos receptivo à proximidade com os outros.
Ainda assim, não é o acto de traição de que sou alvo que mais me perturba mas sim a injustiça de me ver questionado sem motivo nessa matéria.

Volto a insistir que tenho os meus pecados e não sou um santo (também) nesse aspecto. Todavia, quando dou mais do que devia por um amigo não admito que me apontem o dedo como a um suspeito e ponham em causa a minha lealdade.
Mais do que um insulto, é uma desconsideração e uma injustiça. E fazem-me perder de todo a cabeça com a raiva que toma conta de mim.

São as pequenas merdas de que qualquer pessoa se faz. Cada um tem as suas. E por isso nunca me senti compelido a abdicar dessa revolta instintiva, mesmo sabendo e admitindo que é legítimo da parte dos outros sentirem o mesmo perante as minhas parvoeiras desconfiadas.
É um beco sem saída para as hipóteses de sucesso de qualquer relação de amizade próxima comigo, como é fácil de concluir.
Mas sempre insisti que qualquer pessoa merece um desconto pelas suas fraquezas se em troca oferecer compensações.

A quem as nega não concedo hipótese de retrocesso. Ou seja, se me atingem por sistema com aquilo que entendo como ofensas, desmazelos ou injustiças e nem se esforçam por me dar em troca algo de compensador desse desequilíbrio não há mesmo nada a fazer.
Porque em causa está o respeito que merecemos uns aos outros, muito mais importante do que o orgulho imbecil que corrói a estima pelo ar de desprezo que instila.
Até ao ponto sem retorno…

E na maioria dos casos, o pormenor mais estúpido e grotesco, até bastaria um simples pedido de desculpa para encerrar definitivamente a questão.

Publicado por sharkinho às julho 24, 2006 10:41 AM

Comentários

Todos nós temos o nosso conceito de respeito. O que merecemos dos outros e o que lhes devemos.
Quando achamos que é um está em causa, o reverso do espelho pode mostrar que foi o outro que falhou.

Publicado por: Mar às julho 24, 2006 06:14 PM

Já viste as confusões que se arranjam dessa forma?
A vida parece aquela casa dos espelhos na Feira Popular. Fartamo-nos de rir mas saímos sempre de lá sem um único reflexo correspondente à imagem real, tudo distorcido até nem sabermos quem (como) somos afinal.
E os outros padecem da mesma distorção.
É uma cacofonia visual.

Publicado por: sharkinho às julho 24, 2006 06:20 PM

Pois, mas basta olhar com olhos de ver, fora da Casa dos Espelhos, para sabermos como somos de verdade. O mal é que há pessoas que não conseguem sair de lá de dentro.Baralham-se nos labirintos.

Publicado por: Mar às julho 24, 2006 06:33 PM

amigo shark
a simplicidade dos relacionamentos e, respectivos afectos é um pau de dois bicos. Quando mal explicada, ou demasiado explicada, deriva num esforço tensado,e dizem-nos que sim acenando a cabeça,por desleixo, distração, ou qualquer outra coisa que também não interessa nada.
Nem todos somos capazes da capacidade da verdade absoluta, que roi e corroi, porque a maioria vive num prototipo criado milimétricamente ao espelho.
E depois existem variadissimas capas,e contracapas, que escondem lados sórdidos que aparecem ou em situações extremas, ou por dá cá aquela palha, porque se é canalha quase genéticamente.
Antever o esteriotipo é meio passo. Deixa-nos desapontados e vexados por vezes? É a vida Shark
Temos é que aprender com ela

Publicado por: j.p. às julho 24, 2006 07:14 PM

Parece fácil, dito assim. Mas olha que a vida tem-me mostrado, Mar, que mesmo vendo de fora não escapamos aos equívocos.
Às vezes parece que falamos línguas diferentes em tempos distintos para gentes de outros mundos. E o que vemos nem sempre corresponde à ideia que resulta dessa visão "cristalina"...

Publicado por: sharkinho às julho 24, 2006 07:20 PM

Mas eu vivo bem com a minha canalhice genética, Jotapê. Quando a identifico nas manifestações de mim trato de repudiá-la como posso e tento compensar a quem atingi.
E também vivo bem com as dos outros, desde que eles assumam o realismo necessário para se reverem nos actos menos dignos (ainda que o sejam dessa forma apenas à luz da interpretação alheia).
Acho que fica bem pedir perdão. É meio caminho andado para provarmos que temos consciência do mal que somos e que fazemos e outro meio para os outros aprenderem a lidar com essas nossas características menos simpáticas.
É a história da inevitável cedência em prol da convivência...

Publicado por: sharkinho às julho 24, 2006 07:26 PM

Tento seguir a regra básica da convivência, Sharkinho : Agir com o outro como eu gostaria de ser tratada...há aqueles que devolvem esse tratamento com o dobro de atenção e cortesia ( fico felicíssima , sem graça e lisonjeada ); há aqueles que devolvem na mesma proporção : ótimo ! o empate nesse caso é perfeito...mas há também aqueles que não entenderam nada,exercem a ingratidão no lugar do respeito e o pior: acham-se certos em tudo que fazem ;Para esses tais é o "Delete" real...não adianta ! Há certas brigas na vida denominadas "burras" ( não soma ) e essa de tentar conscientizar alguém do básico tipo respeito, afeto, consideração , etc.. é uma delas..Grande beijo!

Publicado por: agatha às julho 24, 2006 08:03 PM

Enfio já essa carapuça, Agatha, do gajo que aceita essas brigas burras (mesmo). Mesmo com a consciência de que essa de agir com o outro como eu gostaria de ser tratado nunca funcionou a meu favor.
Ainda assim, deposito tanta fé na capacidade de entendimento de quem se cruza comigo no caminho que só recorro ao delete quando eu próprio já me apaguei. Luto até já ser inevitável a derrota, ou mesmo depois, pela causa perdida.
E outro beijão, enorme, a voar desde este lado do nosso mar.

Publicado por: sharkinho às julho 24, 2006 08:27 PM

o que fica bem, não é só pedir perdão.
o que fica bem , é reconheçer que se fez merda, tentar perceber porque, e não voltar a faze-lo.
o aceno do sim, bem como o mero: ai desculpa lá, perdoa que não foi por mal, e na próxima faz o mesmo, a mim não me serve.(mas isto sou eu, atenção)
mas tens razão ao reconhecer que somos todos um pouco canalhas. agora é ser mais ou menos, e neste caso menos seria o devido, com o respectivo reconhecimento.
e falo por cima da rama, que nem sei do que se trata, apenas leio que estás completamente lixado com alguêm, e é sempre uma pena que tal desentendimento aconteça

Publicado por: j.p. às julho 24, 2006 09:59 PM

o que fica bem, não é só pedir perdão.
o que fica bem , é reconheçer que se fez merda, tentar perceber porque, e não voltar a faze-lo.
o aceno do sim, bem como o mero: ai desculpa lá, perdoa que não foi por mal, e na próxima faz o mesmo, a mim não me serve.(mas isto sou eu, atenção)
mas tens razão ao reconhecer que somos todos um pouco canalhas. agora é ser mais ou menos, e neste caso menos seria o devido, com o respectivo reconhecimento.
e falo por cima da rama, que nem sei do que se trata, apenas leio que estás completamente lixado com alguêm, e é sempre uma pena que tal desentendimento aconteça

Publicado por: j.p. às julho 24, 2006 10:00 PM

o que fica bem, não é só pedir perdão.
o que fica bem , é reconheçer que se fez merda, tentar perceber porque, e não voltar a faze-lo.
o aceno do sim, bem como o mero: ai desculpa lá, perdoa que não foi por mal, e na próxima faz o mesmo, a mim não me serve.(mas isto sou eu, atenção)
mas tens razão ao reconhecer que somos todos um pouco canalhas. agora é ser mais ou menos, e neste caso menos seria o devido, com o respectivo reconhecimento.
e falo por cima da rama, que nem sei do que se trata, apenas leio que estás completamente lixado com alguêm, e é sempre uma pena que tal desentendimento aconteça

Publicado por: j.p. às julho 24, 2006 10:00 PM

porra!porra!porra!
3x é convers demais, comentar aqui está complicado
peço desculpa

Publicado por: j.p. às julho 24, 2006 10:10 PM

LoL, Jotapê! Eu acho um piadão a estes trigémeos do comentário. São uma peculiaridade do Weblog para filtrar as/os comentadores raçudos dos maçaricos amadores... :)
Ah, e sou também suficientemente estúpido para repetir as asneiras. As canalhices nem por isso.

Publicado por: sharkinho às julho 24, 2006 10:28 PM

Então, porquê escrever!?

Publicado por: psi2 às julho 29, 2006 02:46 AM

Tu ofereces uma resposta plausível no teu blogue, psi2.
É a terapia, sem dúvida, o expurgar do que nos entope a canalização emocional e não conseguimos verbalizar de outra forma.
Até pela escassez de potenciais destinatários na periferia...
Mas existe também o apelo irresístivel de arrumar umas palavrinhas sem as encafuar esquecidas numa gaveta qualquer.

Publicado por: sharkinho às julho 29, 2006 03:13 PM

Este tipo de posts, acho que sempre foram os mais frequentes em ti...
Expores-te e partilhares com quem te lê a tua maneira de ser...

Ando sem espirito blogueiro... mas não me esqueço de quem gosto...

Joca

Publicado por: Partilhas às julho 30, 2006 02:14 PM

Olha quem ela é! Olá, Partilhas.
Pois é, continuo a abrir-me todo. E isso porque não sinto que tenha algo a esconder no que respeita ao meu carácter, de bom e de mau, porque não me orgulho nem envergonho daquilo que sou.
Sou um gajo normal, com meia dúzia de cenas giras que vão dando para alimentar um blogue.
Entendo a tua falta de espírito blogueiro e espero que se deva às melhores razões.
Um beijo, amiga. Vai aparecendo.

Publicado por: sharkinho às julho 30, 2006 09:10 PM

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