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julho 31, 2006
SERVIÇO PÚBLICO JUDAICO-CRISTÃO

Hoje, num noticiário do canal público de televisão, ouvi referir o bombardeamento israelita a Cana, onde terão perecido quase quarenta crianças, como um “acidente”.
Eu não acredito em bombardeamentos acidentais, sobretudo numa época em que é possível atingir um alvo humano a partir da localização do seu telemóvel (como os israelitas já provaram).
Bombardear alvos civis, como o fazem igualmente “por acidente” os combatentes do Hezbolah, nunca pode merecer uma operação estética, um embelezamento verbal para minorar os seus contornos facínoras.
Este tipo de discurso (ninguém chamou acidente à colisão de dois jactos comerciais com as torres do World Trade Center e na óptica de quem executou esse atentado tratou-se de um acto de guerra), denuncia os partidos que se tomam num conflito onde toda a prudência e isenção são boas conselheiras.
Se existisse uma razão, se alguém estivesse do lado certo nesta espiral de violência, seria fácil encontrar uma solução diplomática e pacífica para o conflito israelo-árabe e para as suas repercussões mundiais naquilo a que damos o nome de terrorismo (acto cobarde, deliberado e nunca acidental).
Há poucos dias, as bombas israelitas atingiram (também por acidente?) instalações da ONU no Líbano e causaram a perda de quatro funcionários das Nações Unidas.
Já morreram “por acidente” mais de meio milhar de pessoas desde o início desta sequência de acidentes provocados (lembram-se?) pelo rapto de um único soldado de Israel.
Chamar acidente à chacina deliberada de crianças, como aconteceu por exemplo em Beslan, é uma infâmia e mostra o quanto não se consegue disfarçar para onde pende o fiel da balança na perspectiva “imparcial” da Imprensa naquilo que assume cada vez mais os contornos de uma guerra entre mundos. Os pequenos detalhes também contam e contribuem para diabolizar os “maus” e minimizar os pecados do “bons”.
E eu não distingo com tanta nitidez essa fronteira. E mais: não duvido que se o mundo ocidental estivesse no lado errado do equilíbrio de forças, o terrorismo constituiria uma opção. Exemplos: os métodos da ETA para reclamar a independência do País Basco e, recuando no tempo, os atentados bombistas perpetrados pela resistência nos países ocupados pela Alemanha na II Guerra Mundial.
Não foram acidentes os bombardeamentos a Guernica, a Dresden, a Hiroshima. Tal como não são acidentais os alvos seleccionados pelos mísseis das duas partes envolvidas no conflito que a RTP noticiou esta manhã.
A escalada, o gesto indigno que acicata a sede de vingança num povo que se quer hostil para justificar a sua eventual aniquilação à bruta, constitui uma arma de que qualquer guerra cruel se faz. É isso que fazem, deliberadamente, as partes envolvidas na insanidade que o Médio Oriente protagoniza mas o mundo inteiro interpreta também neste filme com inocentes e com culpados em ambos os lados da barricada.
Apesar de me assumir “ocidental”, não ponho as mãos no fogo por quem me “representa” nesta espécie de cruzada judaico-cristã. Mas também não me revejo na colocação de engenhos explosivos nos transportes públicos para reivindicar seja o que for.
Por isso não gosto de pender para lado algum desta salada letal, tal como não entendo o critério “jornalístico” de uma informação veiculada como a que citei acima.
Morreram quase quarenta crianças vítimas de uma explosão provocada por um dispositivo militar e não pelo rebentamento de uma bilha de gás.
Bombardeamento é um acto deliberado que visa atingir um alvo específico para obter determinada consequência.
Um acidente é um acontecimento súbito, fortuito e imprevisto.
Na Redacção da RTP deveria existir alguém capaz de distinguir estes conceitos elementares.
É para isso que os contribuintes sustentam o tal serviço público que inclui a verdade e a objectividade por inerência.
Pelo menos no Jornalismo digno desse nome.
Publicado por sharkinho às 12:31 PM | Comentários (8)
julho 30, 2006
FIM DE SEMANA ALENTEJANO 2


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 10:27 PM | Comentários (4)
FIM DE SEMANA ALENTEJANO


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 09:56 PM | Comentários (0)
julho 29, 2006
A POSTA À PRESSA
A TMN inventou um concurso para os patos seus clientes que adquiriram uma placa GSM. A prova consiste em testar, em simultâneo, a paciência e a capacidade de improviso de quem só pode utilizar a internet durante um máximo de cinco minutos antes de perder o sinal.
Para quem bloga, o desafio é ainda mais interessante pois priva-nos de ilustrar as postas e obriga-nos a despachar a escrita e respectiva publicação (sob pena de só o conseguirmos à 16ª tentativa).
Embora só esteja disponível nalguns pontos do país, esta modalidade pode ser praticada de norte a sul, nomeadamente no litoral alentejano onde me encontro nesta altura.
Volto já.
Logo que possa e tenha sinal.
Publicado por sharkinho às 05:21 PM | Comentários (9)
julho 28, 2006
A POSTA PRA VER
Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 06:25 PM | Comentários (7)
NÃO TE PIRES, MARIA JOÃO

Nenhum país resiste a uma sangria de valores como a que enfrenta Portugal. Sangra pessoas, este país entregue aos vampiros oportunistas e aos medíocres comodistas que lhe impedem a circulação até ao enfarte fatal.
Soa pessimista, fatalista até. Mas só os muitos distraídos ou os que se estão nas tintas não percebem que se instalou uma decadência que nem as euforias patrióticas suscitadas pelo futebol conseguem disfarçar.
Uma das melhores pianistas do planeta é portuguesa e acaba de desertar do combate por um sonho a que dará corpo numa Pátria que não a sua, que o deixou definhar. Belgais transformou-se num projecto de vida para uma virtuosa que queria fazer algo de bom pela terra que a viu nascer.
Não a deixaram, à conta daquela visão curta e mesquinha que caracteriza as últimas vagas de decisores desta nação.
Neste país dos alvarás, onde cada iniciativa requer uma inesgotável paciência para enfrentar a burocracia mental dos que mandam, impressos, requerimentos, autorizações, passe por cá amanhã ou depois, quem manda é o outro a seguir, cresce o desalento de quem se propõe fazer a título individual o que compete ao colectivo estatal que todos suportamos.
O rocambolesco exemplo da colecção que Joe Berardo quase implorou que deixassem ficar em Portugal é outra nódoa das que envergonham e desanimam, outro indicador do quanto esta parvónia se transforma aos poucos numa gigantesca repartição de incapazes, de sanguessugas, de bloqueadores.
Será no Brasil que Maria João Pires dará corpo à sua visão. Lá fora, onde se interessaram pela sua ideia genial. Serão brasileiras as crianças beneficiadas pelos horizontes alargados no conceito de uma portuguesa que nunca nos renegou até que a paciência finalmente se esgotou.
Como tantos outros que abdicam com mágoa, impotentes, da sua terra natal.
E assim sangra Portugal os seus melhores, os que querem fazer.
Na pauta dos que só entendem a música (e o resto da cultura) em tom de marcha à ré, escrevem-se nota por nota, como adágios de frustração, os hinos da despedida a um país que mete dó.
Menor.
Publicado por sharkinho às 12:34 PM | Comentários (5)
julho 27, 2006
QUANDO DEI POR MIM...
...Já passava das cinco da matina. E por isso decidi ir assistir ao início do dia sobre o Tejo.
Bom dia para todos/as vós.



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 09:14 AM | Comentários (10)
CONTO COM UM FINAL FELIZ

O velho Baptista, muito tempo depois, ainda frequentava todos os dias o tasco onde ambos se encontravam anos atrás. E ela também.
Cruzavam-se em silêncio, magoados. Estavam separados pelas divergências inconciliáveis de uma relação que nunca deveria ter acontecido. Mas aconteceu, para desassossego dos dois.
Não voltaram a falar depois, mas todos os dias cumpriam o estranho ritual ressentido. Ele sofria e não sabia se com ela se passaria igual. Nenhum deles encontraria uma forma de contornar a situação derradeira, aquela que os havia empurrado para longe um do outro, como carrinhos de choque em permanente rota de colisão. Batiam e fugiam, batiam e fugiam. Até que a última volta chegou.
Um dia os seus feitios embateram sem pára-choques e os danos não se ficaram pela mossa habitual. Foi perda total e a pista fechou.
O velho Baptista, no entanto, olhava para o tempo que restava e torcia-se por dentro de cada vez que a observava sem poder trocar uma palavra sequer. E aquela mulher, tudo em si o gritava, tornara-se uma parte importante, essencial até, do seu quotidiano. Algo que não conseguia explicar, vinha de dentro, incontrolável. Achava-se cheio de razões para nada mais querer daquela pessoa e entendia que assim fosse também do outro lado da questão.
Um dia entrou pelo tasco cheio de determinação. Passou de raspão pela mesa dela, linda como sempre, e deixou tombar sobre o tampo um pedaço de papel.
Depois saiu, mirando à distância a expressão desdenhosa que ela exibira quando lera o que ele havia escrito, antes de o amarrotar e deitar para o chão.
O papel dizia apenas “Não”.
Dias depois, o velho Baptista repetiu a graça.
Outro papel amarrotado, outro esgar incomodado. Mas ele não desistia do que abraçara como uma missão. Trazia o papel na mão, saturado do afastamento que entendia como um cruel castigo.
O segundo papel dizia “Consigo”.
Durante uns tempos, o ancião não apareceu no tasco e ela temeu o pior. Mas não deixava transparecer, orgulhosa, mantinha-se ciosa da sua razão.
Recordava cada uma das asneiras que ele cometera na sua perspectiva. E não reconhecia a sua parte da culpa. Pelo menos não a admitia.
Mas também ela sentia a necessidade de o ver de vez em quando, sozinho, numa mesa qualquer daquele espaço comum.
Disfarçou a alegria que sentiu quando o viu regressar, com um ar abatido, estivera doente talvez. E ele passou pela mesa devagar, olhos nos olhos dela, e deixou o terceiro recado com uma expressão de dor.
Dizia apenas “Viver”.
E ela, intrigada, fingiu-se amuada e machucou-o como aos anteriores enquanto ele espreitava pela montra e seguia o seu caminho habitual.
No dia seguinte ele apareceu outra vez. Parecia desanimado, mas insistiu. Com um aspecto cansado, aproximou-se sem pressa e parou durante uns segundos a curta distância, como que a contemplá-la. Ela fez de conta que não percebeu, conversou com o parceiro da mesa do lado e ignorou o velho Baptista como se ele não estivesse ali.
Pela primeira vez ele não deitou de imediato o papel na mesa. Dirigiu-se ao balcão e pediu uma caneta emprestada, vermelha, e escreveu algo no papel que no caminho de saída deixou tombar mais uma vez.
A última, percebeu ela quando reparou que pela primeira vez eram duas as palavras sem sentido que ele lhe entregava, uma a vermelho e a outra de cor azul.
Esta mensagem dizia “Sem Ti”.
Nos dias que se seguiram ele voltaria, como sempre, ao tasco para a ver. Mas já não escrevia coisa alguma, apenas se sentava em silêncio e bebia o seu café.
Depois saía e olhava-a por detrás do vidro antes de seguir.
Cada dia que passava ela notava o esforço que ele fazia para insistir na sua presença naquele local, vexado e visivelmente desgastado pela ausência de uma reacção.
Ele perdera a esperança, dias depois da última entrega do que considerava uma tentativa de aproximação. A possível, naquelas circunstâncias.
Notava-se no seu olhar perdido numa esquina da mesa ou nas pontas dos pés, na sua apatia, a tristeza que lhe provocaria a incerteza de ela ter entendido ou não o seu recado infantil.
Ela resistia, teimosa, mas sentia-se receosa que ele deixasse de aparecer de vez.
Nessa tarde decidiu oferecer-lhe algo em troca, um sinal qualquer que lhe desse a entender que talvez houvesse uma forma de reatarem a comunicação.
Levantou-se da mesa depois de escrever algo num guardanapo e de o embrulhar em torno de algo que falaria por si.
Passou de raspão na mesa do velho Baptista e deixou cair o guardanapo com um gesto gracioso. E seguiu para a porta, altiva, sorriso nos lábios que dissimulou no momento em que o espreitou enquanto ele abria o guardanapo que dizia apenas “Prova-o” e quatro pedaços amarrotados de papel espalhados à sua frente lhe arrancaram o primeiro sorriso que lhe via desde o dia em que se haviam beijado pela última vez, demasiado tempo atrás.
Publicado por sharkinho às 12:41 AM | Comentários (9)
julho 26, 2006
I LOVE MY CITY
Foto: Shark
Vejam mais abaixo algumas imagens da Lisboa que amo.
Publicado por sharkinho às 08:19 PM | Comentários (2)
(LIS)BOA TODOS OS DIAS




Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 08:18 PM | Comentários (2)
julho 25, 2006
A POSTA DESIDRATADA

Foto: Shark
O arbusto seco, mirrado pelo calor, soprado pelo vento, rebola sem rumo pelo piso de pó à espera que alguém o siga com o olhar, testemunha, naquela parcela derradeira do caminho que o acaso escolheu.
Cambalhotas sucessivas, mudanças imprevistas de direcção. Está tudo na mão daquele sopro ocasional, no silêncio de um longo funeral que a natureza marcou.
No deserto, a vida das coisas acontece devagar e extingue-se sem dor. O silêncio ao luar e o cheiro da morte que a chuva ausente intensifica, perante a implacável rudeza do sol que não se compadece de ermos assim.
A erva ruim que cresce na saudade da última gota que pingou num pedaço qualquer de chão é o ornamento macabro do inferno ressequido que a Terra oferece como uma visão do futuro global.
O horizonte distorcido pelo efeito das ondas de calor, vida própria animada numa dança colorida de castanho com azul que só vê quem consegue sobreviver. As miragens produzem-se assim, nas mentes sequiosas de imagens milagrosas como oásis verdejantes em pleno nenhures.
A sede de vida a enlouquecer, aos poucos, a alma que pinga pelo suor com os outros líquidos essenciais. Gota a gota no chão, semente escondida de planta bandida e oportunista que as bebe para depois romper de surpresa por entre o tapete de desolação.
E o arbusto que caminha encontra o final da linha com um ramo encravado sob o peso de um calhau. Agita-se num último estertor, ajuda-o o vento, mas a luta é inglória.
E nesse fim da sua história deixa-se ficar com raiz voltada para o céu até um dia se transformar em pó.
Publicado por sharkinho às 04:03 PM
A POSTA PRA VER
Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 12:26 PM | Comentários (5)
A POSTA NA MARATONA

- Porque é que andas nesse alvoroço, pá?
- Ando a perseguir os meus sonhos. Não os vês lá ao fundo?
- Porra méne, mas olha que eles correm comó caraças!...
Publicado por sharkinho às 10:13 AM | Comentários (0)
A POSTA QUE SE ESTAVA MESMO A VER
Foto: Shark
Os preconceitos e os pressupostos, depois de despidos, deixam-nos a consciência como uma árvore de folha caduca a meio de Dezembro. Atafulham-nos como erva daninha e corrompem os mais bem cuidados jardins das boas intenções em cada um de nós.
Juízos de valor, manias, palpites, certezas infundadas, esperanças mutiladas pelo faz de conta no nosso interior.
Supera o amor, essa armadilha que se instala ao longo de uma (co)existência recheada do calor humano que tanta trampa atrai e faz circular nos nossos contactos sociais. Adultera-nos o comportamento, a massa disforme de informação que julgamos necessária para melhor identificarmos os inimigos potenciais em cada pessoa.
Claro que não o assumimos dessa forma, pelo menos os mais reservados. Chamamos precaução a essa desconfiança permanente que cedo ou tarde nos faz recuar os dois passos quando ainda mal avançámos um.
Presumimos, intuímos, concluímos até. Se isto então aquilo. Logo vi que ia ser assim. Já estava a prever. Embruxamos diante da bola de cristal embutida no nosso cérebro como um aneurisma pronto a explodir ao primeiro sinal de confirmação da nossa teoria rebuscada.
A confiança limitada, sempre atrás das costas o cutelo do chega pra lá. E os outros sempre tão sagazes, moldados na mesma forma de pão-de-ló, eu não te dizia, estava-se mesmo a ver e as outras confirmações que os factos produzem quando antes nos induzem que a outra ou o outro podem sempre ser uns maus.
Às vezes até são, de vez em quando (que nem aqui a coerência se impõe). E a gente sofre e junta mais um prego no caixão pré-fabricado da nossa fé em extinção.
Outras vezes é a nossa perspectiva adulterada a pregar a partida no desenrolar da situação.
O fenómeno (de)corrente das más interpretações.
Sempre de pé atrás, progredimos aos solavancos pelos caminhos da proximidade possível. Tropeçamos aqui e além, no meio da fuga uns dos outros, as fintas de corpo que a mente nos impõe. Malmequer. Bem me quer. A sorte de acertarmos na pétala melhor e de entregarmos um pouco mais da nossa poupança emocional. Um juro elevado que suporta quem nos atura enquanto a paciência dura nos outros ou em nós.
Costas voltadas, acusações veladas, tiros às cegas num alvo a motor.
E mesmo o amor definha às mãos de tanta suspeita apriorística, de tanto receio com o nosso umbigo maior. Muito sensível às ameaças do exterior. O mundo inteiro, por causa do dinheiro ou simplesmente porque cada vez somos mais idiotas na nossa incursão pelo estranho mundo dos videntes e das médiuns. Paranormal, esta tendência absurda para o conflito interior que alastra como uma praga pela periferia onde acaba por eclodir uma incompatibilidade artificial. Anticorpos contra a infecção, o mal nos outros que pode comprometer-nos a estabilidade beata a que nos agarramos para explicar cada episódio imbecil. Quantas vezes o estúpido somos nós.
Mas em regra só o assimilamos nessa perspectiva quando os danos são profundos demais.
Às vezes dá-me a impressão de que existe um gigantesco equívoco na educação de uma geração inteira, uma enorme rasteira no nosso mecanismo de compreensão do que a felicidade implica e dos (falsos) sacrifícios que pode acarretar. Um medo terrível de tombar de um pedestal que nos isola de forma fictícia dos males na multidão. Todos iguais, exímios na diabolização do parceiro, o passo mais óbvio para a guerra das rosas entre pessoas de bem.
Pensava que, percebi diferente e é-me indiferente se gostas ou não.
A etapa seguinte mais temerosa, lição aprendida à custa de um engano que não queremos repetir. A vida a fugir, nós e o tempo investido às apalpadelas pelo meio da teia viscosa das certezas sem nexo e das falências de relações com tudo o que faria falta para vingarem por si.
Às cegas, retalhamos uns aos outros a tranquilidade que só na confiança se conquista. Cortamos os laços sem querer porque deixamos de os distinguir no meio do breu.
Minamos a solidez.
E depois vagueamos como fantasmas numa busca patética do eterno sossego. No meio de uma sucessão de histórias incompletas onde (quase) nunca acontece um final que nos pareça feliz.
Publicado por sharkinho às 12:04 AM | Comentários (0)
julho 24, 2006
VISÕES - Ponte Vasco da Gama
Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 05:23 PM | Comentários (0)
A POSTA QUE ME CUSTA ESCREVER
Como já assumi por diversas vezes mas não me importo de repetir, sou um gajo desconfiado e com tendência para a paranóia. Isso pode explicar-se por diversas razões que se prendem com o feitio mas também com uma sucessão de eventos que me sustenta a fobia da traição.
E não falo (neste caso) da traição em sentido restrito, a cena dos cornos, mas da que está ligada à deslealdade. Laços familiares, emocionais ou de amizade devem ser sagrados e vivo com pesos na consciência por cada gesto que identifico como uma afronta a essas ligações.
Contudo, não é raro ver-me confrontado com a quebra desses vínculos por parte de terceiros, pessoas muito próximas até. E são esses episódios que me vão tornando cada vez menos receptivo à proximidade com os outros.
Ainda assim, não é o acto de traição de que sou alvo que mais me perturba mas sim a injustiça de me ver questionado sem motivo nessa matéria.
Volto a insistir que tenho os meus pecados e não sou um santo (também) nesse aspecto. Todavia, quando dou mais do que devia por um amigo não admito que me apontem o dedo como a um suspeito e ponham em causa a minha lealdade.
Mais do que um insulto, é uma desconsideração e uma injustiça. E fazem-me perder de todo a cabeça com a raiva que toma conta de mim.
São as pequenas merdas de que qualquer pessoa se faz. Cada um tem as suas. E por isso nunca me senti compelido a abdicar dessa revolta instintiva, mesmo sabendo e admitindo que é legítimo da parte dos outros sentirem o mesmo perante as minhas parvoeiras desconfiadas.
É um beco sem saída para as hipóteses de sucesso de qualquer relação de amizade próxima comigo, como é fácil de concluir.
Mas sempre insisti que qualquer pessoa merece um desconto pelas suas fraquezas se em troca oferecer compensações.
A quem as nega não concedo hipótese de retrocesso. Ou seja, se me atingem por sistema com aquilo que entendo como ofensas, desmazelos ou injustiças e nem se esforçam por me dar em troca algo de compensador desse desequilíbrio não há mesmo nada a fazer.
Porque em causa está o respeito que merecemos uns aos outros, muito mais importante do que o orgulho imbecil que corrói a estima pelo ar de desprezo que instila.
Até ao ponto sem retorno…
E na maioria dos casos, o pormenor mais estúpido e grotesco, até bastaria um simples pedido de desculpa para encerrar definitivamente a questão.
Publicado por sharkinho às 10:41 AM | Comentários (17)
julho 23, 2006
PALAVRAS PERDIDAS
Palavras que escondem as mágoas são como mentiras piedosas dirigidas a quem as pronuncia. São gatos escondidos com o rabo de fora, ocultam a alma que chora por dentro, como um lamento em surdina que ninguém pode ouvir.
E ninguém quer, afinal. Tristezas dos outros não passam de estorvos à felicidade instantânea que se bebe da alienação. A sede de solidão, isolamento, e as repercussões inevitáveis na sensibilidade que parece não fazer falta quando apenas o próprio está em causa.
As palavras assim ignoradas fecham-se em copas no naipe das espadas que trespassam o coração de quem as proferiu. Transformam-se em lacraus, cercados pelo fogo das verdades que queremos esconder. Rabo de fora, na ponta um ferrão venenoso que num acto de traição inocula um antídoto poderoso contra os benefícios da lucidez.
Tombamos de vez nas garras do desconsolo, incapazes de despertar. O resto da vida para gozar, oferecida de bandeja com todas as iguarias de que a felicidade genuína se faz.
Palavras a sorrir, palhaços pobres, para quem nos ferir, gestos nobres desperdiçados, laços dourados nas prendas para a ingratidão. Mentiras piedosas, fachada, a revolta abafada em nome da ilusão. Até se impor a razão, por linhas tortas, escrita nas palavras mortas para a esperança no milagre sempre adiado. Cravadas no peito de quem faz de conta enquanto pode que melhores dias virão.
Palavras de fel, aguçadas, para escarafunchar as feridas. Das mágoas lambidas sem medo da dor.
As palavras esquecidas falavam de amor.
Publicado por sharkinho às 07:39 PM
julho 22, 2006
A POSTA QUE HÁ QUEM ME PREFIRA COMO SOU
A partir de certa altura comecei a notar um desfasamento entre a minha atitude e a de muitos dos que me acompanhavam pela vida nos dias da juventude. De repente ficaram mais sérios do que eu, a maioria. Cresceram mais depressa e mergulharam na pose adulta enquanto eu insistia em agarrar-me ao que podia para retardar a minha entrada naquilo que me parecia uma seca de estado de espírito.
Sem deixar de assumir as responsabilidades normais para um gajo como os outros, enveredei sempre por um culto paralelo de traços que apreciava e me recusava abdicar.
A maluqueira, sobretudo. A capacidade de desbundar depois de adulto boa parte das coisas que pintam como impróprias a partir de uma “certa idade”.
Eu não sei que idade é essa e francamente não me interessa.
Honro os meus compromissos “crescidos” mas não deixo de incutir algo do puto em mim em tudo o que faço e em muito do que sou.
Acredito que essa insistência em preservar a irreverência, alguma ingenuidade e disponibilidade para a aventura me torna um tipo diferente para melhor. Menos certinho, menos alinhado, menos cota.
Todavia, tenho consciência de que alguns desses tiques de chavalo me inferiorizam aos olhos de quem prefere pessoas “maduras”, constantes, regulares.
Aliás, desde há muito percebi que o meu feitio imprevisível constitui um barómetro para o quanto alguém gosta de mim.
Enquanto se divertem com as peculiaridades que o meu lado adolescente produz, encantados com essas diferenças, não escondem o seu apreço.
Confirmo o fim do estado de graça quando vejo as mesmas pessoas, carregadas de desdém, a resumirem a sua falta de pachorra no que já se tornou num clássico da minha existência.
Vê se cresces, dizem eles.
Quem me conhece e me estima de verdade sabe que isso corresponderia à morte em vida de um gajo como eu.
Contudo, na maioria dos casos isso pouca relevância assume para quem me tolera enquanto dou jeito, acham piada, é bom prá paródia e tal, e se está a cagar em mim quando as facetas joviais colidem com os seus interesses sempre manifestamente superiores aos de quem, afinal, não passa de um gaiato aos seus olhos onde já espreitam as cataratas de uma velhice prematura.
Mas eu sou teimoso, fico assim.
Só me interessa agradar a quem gosta de mim.
Publicado por sharkinho às 01:12 AM
julho 21, 2006
PALAVRAS SISUDAS
As minhas palavras não bastam e as ondas arrastam as areias dos castelos, movediças, até ao ponto onde a memória os esqueceu.
Tudo o que se varreu e já não basta escrever nestas pedras de gelo expostas ao calor de um sol apagador e da falta de zelo nas más interpretações.
A fúria que resulta da incompreensão. Distância maior, ao longe o amor a desaparecer para lá do horizonte, a cor a esbater no céu que a noite escureceu na sua ausência.
Até que amanhece, um novo dia, por detrás dessas pálpebras agora fechadas, quando os olhos reflectem o que o coração me diz a sorrir e as tuas palavras sisudas não conseguem, mesmo à bruta, desmentir.
Publicado por sharkinho às 03:39 PM
VAMOS A LA PLAYA


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 12:40 PM | Comentários (4)
julho 20, 2006
INSANIA

Foto: Shark
Até os pássaros no céu alinham em formação e desenham um Vê. Que recuso, viro a cara para o outro lado, um olho meio fechado e o outro a fingir que também cegou.
Voam para longe, onde a minha vista não alcança a mensagem do despertador que me grita a hora de acordar está aí.
O esquadrão alado fala-me do tempo desperdiçado a dormir sobre o assunto. E eu sinto muito que este sono inquieto desperte desfeito nos sonhos por concretizar.
Despejo água benta de uma gamela, presunção, sobre esta nojenta ramela que me tolda a percepção.
E um dia espreguiço o olhar no voo das aves, quase sem querer.
Fica então acordado que em cada sonho frustrado existe um sinal para ler.
Nas entrelinhas do oráculo ou nas entranhas da minha intuição.
Publicado por sharkinho às 09:47 PM | Comentários (3)
TRAVESSA DO FALA SÓ
Nem tudo o que luz é ouro.
E eu sou um garimpeiro pitosga...
Amador.
Publicado por sharkinho às 04:09 PM
A POSTA NA FOTOGRAFIA

Pelo menos é o que parece, com o tempo a fazer cara feia nuns lados e a sorrir escancarado nos outros...
Publicado por sharkinho às 12:30 PM | Comentários (4)
AMIZADE CIUMENTA
Enquanto fumo um cigarro à janela vejo do outro lado da rua o meu amigo que “gosta muito da minha companhia” mas anda sempre demasiado ocupado para tocar à minha porta. Porém, tem tempo para andar atento, todos os dias, a ver se um outro amigo (melhor do que eu, a avaliar pelo cenário) está em casa para poder com ele conversar.
E entretanto eu vou fazendo o meu papel e procuro-o, com insistência, feito melga.
Posto no meu lugar, e dado que os amigos comuns que moram no meu prédio também reparam nessas merdas, as conclusões não podem ser agradáveis ou lisonjeiras. E embaraçam-me de alguma forma.
E por isso sou capaz de fazer de conta que não estou em casa da próxima vez que ele vier em busca da solução de recurso para entreter o ócio em que pretende transformar-me.
E vou seleccionar melhor as companhias, para evitar este tipo de constatações que me magoam e inferiorizam.
Estamos sempre a aprender...
Publicado por sharkinho às 11:47 AM
A POSTA NA FACHADA

Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 10:48 AM
A LÓGICA DA BATOTA
Perante as manifestações públicas do desprezo que mereço a algumas pessoas costumo ficar indiferente.
Mas depende das pessoas, do grau de insulto/desconsideração e do que está em causa para (em) mim.
Existem pessoas que disfarçam a crueldade com a hipocrisia de uma alegada tendência para a distracção. Desculpas de maus pagadores, incapazes de assumirem a verdadeira natureza das suas pretensões e, no entanto, inábeis em ocultá-las.
Eu não sou distraído. E só preciso de somar pormenores.
Publicado por sharkinho às 10:23 AM
julho 19, 2006
TEMPO DE PRAIA
Foto: Shark
Gosto muito de veleiros no meu horizonte....
Publicado por sharkinho às 02:38 PM | Comentários (11)
A POSTA QUE O MUNDO PAROU
Foto: Shark
Encantado, absorveu-lhe os pormenores com o olhar. Deitada de bruços na cama, cabelo espalhado pelos lençóis, ela aguardava as delícias de que ele se acreditava capaz de lhe proporcionar.
Sentiu-lhe na face interior das coxas o pulsar intenso do sangue, bombeado em fúria por um coração que acelerava a cada instante porque ele passeava as mãos sobre o seu corpo como folhas arrastadas pelo vento e beijava com ternura os pontos aleatórios que a boca seleccionava para a agradar.
E cheirava-a, inebriado. E olhava-a, deliciado. E tocava-a com mãos eléctricas, nas nádegas, pequenos choques que a despertavam cada vez mais para o prazer. Gostava do seu corpo naquelas alturas, pelo que lhe transmitia. Aquilo que sentia apoderar-se da sua vontade, olhos fechados, a pele agradecida pela sensação oferecida por um homem empenhado em impressionar.
Sentia-se ferver aos poucos por dentro, ele o forno que a aquecia, ponto por ponto, da base da nuca aos dedos dos pés.
Já mal conseguia reprimir a sede de a possuir quando decidiu virá-la ao contrário para prolongar a sessão no outro hemisfério daquele mundo na sua mão. A boca mais afoita passeava agora pelos seios, brincava como um gaiato com a sensibilidade que ela não conseguia camuflar. Nem queria, como ele já lia naquele olhar. De fogo, analogia ideal, enquanto o convidava de forma subtil a descer, ventre abaixo, para a enlouquecer com o seu empenho. E ele contornava o objectivo, fazia de conta que não percebia. E espalhava a magia pelas ancas que mordia com a suavidade de um ligeiro beliscão.
O estrondo de um chupão, intenso, de surpresa o seu ataque manso ao desejo animal que a contorcia no leito como uma louca. O calor de uma boca no momento ideal. O mesmo cuidado de um homem devotado, a calma aparente imposta pelo esforço de contenção.
Pressentia-lhe a emoção controlada e confirmava-lhe o desejo naquela bandeira hasteada da república do beijo na zona púbica tão próxima de si. Devolveu-lhe por instantes a satisfação que uma boca pode dar, até nenhum aguentar a espera pelo instante da concretização.
Inundou-o de provas da sua primeira explosão quando lhe colou as costas à cama e se sentou sobre aquela exibição de querer. O pedaço de homem que engolia à medida que descia, em brasa, ao rés-do-chão daquela tesão indisfarçável que os unia até parecerem um.
Partilharam-se enquanto os corpos não apelaram à rendição e depois entregaram-se ao carinho, conversaram baixinho a cumplicidade amorosa até adormecerem abraçados com um sorriso nos lábios.
Lá fora, ouviram-se os sons esporádicos da madrugada dormente e o resto do mundo voltou a girar.
Publicado por sharkinho às 12:31 PM | Comentários (2)
julho 18, 2006
A POSTA NAS PESSOAS



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 03:58 PM | Comentários (16)
DIANTE DE MIM (UM HORIZONTE SEM FIM)

Foto: Shark
Percorro em silêncio a corda esticada entre o ponto de partida e o ponto de chegada, equilibrado apenas pelos braços abertos como as asas dos anjos que me transportem para um mundo melhor. Se escorregar ao longo do caminho, sem rede para me amparar a queda no vazio que multidão alguma conseguirá preencher.
Um passo de cada vez, avanço sem hesitar. Não fico no mesmo lugar mais do que o tempo necessário para reconhecer a validade da minha presença na realidade de quem partilha o mesmo espaço por simples coincidência temporal.
Como um estorvo não me aceito, jamais.
Avanço para a outra margem do fosso escavado a preceito pelo rio que antes ali passou, equilíbrio precário, confiança na coragem cega que move os que preferem a adrenalina do risco à naftalina da estagnação. Um passo de cada vez, sem pressa. Antes que arrefeça o corpo inerte do homem que deixei para trás, simbólico, o meu passado assim representado no cadáver a fingir de alguém que esquecerei na outra ponta da corda. Eu mesmo, o que fui naquele lugar a que virei as costas quando chegou o momento de mudar de paradeiro.
Imagem parada, fotografia, memória arquivada de algo que existia antes de o tempo rasgar uma porta de saída na parede daquele presente que se passou.
Uma corda, em vez da ponte, o desafio arrogante de quem me conhece o bastante para adivinhar a reacção. Braços abertos, equilíbrio, para receber o abraço amigo ou amante de quem me espere na outra ponta ou para planar a sós até ao desfecho que o destino me reservar.
Não me impede de avançar o receio que a incógnita suscita.
Feliz é quem acredita na navegação serena e sem medos de todas as almas sem âncora.
E eu sinto orgulho por ultrapassar cada escolho e abraçar, nos portos seguros por onde a minha existência passa de raspão, as vidas em trânsito que renegam esse travão de recurso.
Na corda bamba nos cruzamos ao longo do percurso, ou nesse mar que navegamos sem coordenadas, sem faróis ou estratégias sofisticadas para nos guiarem até ao momento seguinte de intersecção.
Que acontecerá ou não, num qualquer ponto distante do meu horizonte mutante.
Onde a esperança nunca se põe.
Publicado por sharkinho às 03:05 PM
julho 17, 2006
A POSTA QUE PARECE OUTRA COISA
Foto: Shark
As certezas adquirem-se a partir de um misto de raciocínios mais as constatações que os comprovam.
Nem sempre aquilo em que acreditamos corresponde ao que se vê. E muitas vezes o que vemos apenas confirma o falso pressuposto na base de cada equívoco e de cada ilusão.
As evidências também iludem, para o bem como para o mal. E as tais certezas não passam de consequências da nossa incapacidade para decifrarmos os poucos sinais que a mente consegue assimilar. Tábuas de salvação para a santa ignorância que nos custa admitir mas que nos confronta a toda a hora.
Por isso mesmo insisto em seguir acima de tudo a sabedoria inexplicável, intrínseca, quase divina, daquilo a que chamamos instinto.
Devidamente assessorado pela douta intuição.
Publicado por sharkinho às 03:31 PM | Comentários (11)
A POSTA QUE DEVE SER DO CALOR

Começo a semana profissional a braços com um dilema ético daqueles que no meu ofício são corriqueiros. É uma sensação desconfortável, percebermos que estamos encurralados entre decisões que implicam consequências foleiras.
O meu papel consiste precisamente em contornar essas manifestações do carácter mesquinho e desapiedado da esmagadora maioria das organizações e das pessoas que as fazem, invocando por vezes apenas o senso comum que desmascara pelo óbvio a indignidade de algumas posições assumidas.
O problema é que não sou gajo para pactuar com a insistência de alguns no caminho que se prova errado e a essa teimosia corresponde sempre um conflito e respectivas repercussões no meu estatuto junto das entidades em causa. E na minha vontade de manter o meu nome ligado a uma actividade que me embaraça cada vez mais em lugar de me proporcionar orgulho e realização pessoal.
O dinheiro não paga a minha resignação. Nem a favorece sequer. Recuso a cedência a princípios sem os quais não me reconheço nesta vida.
Não sou um falso moralista mas apenas um fulano que se empoleira no topo da sua carreira para contrariar uma tendência que lhe é hostil.
Sou um gajo baril, mas não me revejo numa atitude passiva perante gestos que revelam falta de consideração pelas pessoas e pelo que elas (nós todos) representam. E já deu para perceber que não sou boa onda quando os calos se fazem sentir pela pisadela.
Começo a semana a braços com mais um excelente pretexto para lhe saborear o fim por antecipação.
Às vezes sinto as segundas-feiras como nada menos do que uma maldição.
Mas depois passa (por norma às sextas…).
Publicado por sharkinho às 12:19 PM | Comentários (0)
O SEXO SEM NEXO

Sexo por mútuo consentimento é bom. Ponto.
Mas quando toca à expressão do mesmo na tela, num livro, numa conversa ou numa posta, acessível a terceiros com sensibilidades e perspectivas por vezes opostas às de quem arrisca tocar no assunto, o consenso é uma utopia.
Por isso se torna tão complicado escrever o sexo sem chocar uns e umas ou entediar outras e outros. E nem sempre o critério estético e a linguagem utilizados correspondem ao perfil na cama (ou fora dela) de quem assina a prosa.
Podem ser palavras, apenas.
Enquanto uns fazem amor nas nuvens com as palavras (a minha escola) outros fodem-nas sem apelo nem agravo no meio do chão.
Mas o sexo escrito pode ser bom na mesma, se mexe com quem o dá e com quem o queira receber.
E o consentimento é mútuo (é bom, ponto), sempre que a quem o escreve em liberdade corresponde alguém que o leia sem coerção.
Haja quem o pratique a contento dos/as parceiros/as (dos/as leitores/as), tanto na quantidade como na qualidade.
O resto é conversa. E essa só fornica o juízo às pessoas.
Publicado por sharkinho às 01:28 AM | Comentários (9)
julho 16, 2006
A POSTA PRA VER



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 11:32 PM | Comentários (4)
julho 15, 2006
A POSTA QUE ASSUNTO NÃO NOS FALTA
Foto: Shark
Talvez esteja encerrada num cofre apodrecido, há muito esquecido num porão submerso que ninguém conseguiu encontrar. Roubada por piratas, gente má, escondida numa caixa antes do barco naufragar. De Pandora, agora que os anos passaram e forças misteriosas se apropriaram dos segredos que escaparam entre os dedos de um velho lobo-do-mar.
Uiva agora fantasma nas profundezas do esquecimento, um terrível lamento pela perda que sofreu. Ninguém o ouve lá fora, no mundo das trevas, mergulhado num silêncio sepulcral. Arrastadas para o fundo com o peso dos canhões, perderam-se com as vidas quaisquer ilusões.
De um dia alguém conhecer a verdade enclausurada numa caixa fechada fora do alcance de qualquer olhar. Todas as respostas, mais um ror de perguntas que ainda nos restam por fazer. As dúvidas esclarecidas por palavras escondidas, tesouros únicos cercados e à mercê da implacável erosão.
O tempo a passar e o texto a esborratar até se tornar ilegível para o mergulhador do futuro, um homem no escuro com um fato especial incólume à pressão. O segredo num borrão, a mancha negra num pedaço de papel. Um traste sem valor, incompreensível, uma prova tangível da estupidez dos que ambicionam em demasia aquilo que não é seu.
O vazio no interior do casco, reproduzido agora no cofre aberto, corrompido pelo sal e pela força que o comprimiu. O tesouro perdido em pequenos pedaços, espalhados pela corrente, cada um, até um ponto distante que o tempo se encarregará de cobrir com as suas marcas.
As almas piratas vagueiam agora por todos os oceanos, numa busca eterna pelas peças do puzzle que o acaso entendeu tresmalhar. A verdade omitida pela ausência da sua revelação, a fortuna repartida por milhões de criaturas sem tempo para leituras, analfabetas e cheias de azar, pedaços da herança maldita de uma folha proscrita que um dia o sábio escreveu.
E porque ninguém a leu, temos sempre assunto para a próxima posta.
É ou não é?
Publicado por sharkinho às 07:56 PM | Comentários (4)
A POSTA QUE ENTENDI A MENSAGEM
Há várias interpretações para a utilidade de uma caixa de comentários de qualquer blogue. Existem os que a consideram inútil ou mesmo prejudicial e blogam sem caixa. Soa pouco simpático, mas faz todo o sentido à luz de algumas perspectivas.
Outros optam pelas caixas abertas mas filtradas, para deterem o controlo sobre a publicação de cenas desagradáveis, spam ou insultos e coisas assim. Estão no seu direito.
Outros ainda, a maioria, escolhem abrir as caixas ao livre arbítrio de quem quiser deixar uma manifestação da sua presença.
Neste caso, a única interpretação possível é a de que esses/as colegas estão receptivos à comunicação com o exterior. Acessíveis. E por inerência assumem a obrigação polida de se dignarem responder a quem os aborda.
Claro que cada um sabe de si e é livre de deixar ou não alguém “pendurado” na sua caixa.
Todavia, até nisso vale a opinião de cada um.
A minha consiste no seguinte: se me deixam sem resposta num comentário ou são pessoas sem educação ou não estão interessados na minha presença e deixam isso implícito no desdém que o seu silêncio representa.
À conta disso, já esta semana retirei três ou quatro blogues da minha lista de “favoritos” e não voltarei a tê-los em conta no tempo que gasto aqui.
Tenho mesmo um feitiozinho de merda, não é?
Publicado por sharkinho às 03:52 PM | Comentários (12)
A POSTA QUE O CLIMA NÃO SOFREU QUALQUER ALTERAÇÃO
Foto: Shark
No Piódão, um homem com 34 anos de idade foi subitamente arrastado por uma enxurrada diante da mulher e de um filho. Até à data as buscas foram infrutíferas e é pouco provável que encontrem outra coisa que não o cadáver deste português de Oliveira de Azeméis que fazia turismo com a família num local fresco para fugir ao calor seco deste pedaço de Verão.
Bom, podia pegar pelo sentido da vida e de como a cena acima não faz sentido em contexto algum. Seria um exercício interessante, mas bem acima da minha capacidade de filosofar acerca das coisas mais complexas.
Mas bem vistas as coisas basta-me levantar uma pequena questão.
Tornado em Odemira, granizo do tamanho de ovos de avestruz no Douro, enxurrada em Piódão.
Soa-vos normal?
Publicado por sharkinho às 02:45 PM | Comentários (9)
julho 14, 2006
MOMENTO NATIONAL GEOGRAPHIC
Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 06:00 PM | Comentários (4)
A POSTA QUE NÃO CAIU EM SACO ROTO

Foto: Shark
Buscar a perfeição nos outros é tão absurdo como a procurarmos em nós. Perfeitos são os momentos em que se conjugam factores que nos permitem descobrir o melhor de que somos capazes, pelo que isso implica de sintonia com quem nos reflecte essa virtude ou o feliz acerto com aquilo que definimos como ideal.
Os tais momentos mágicos em que nos transcendemos, derrotamos as limitações que nos impedem de ir mais além e proporcionamos a alguém uma irrefutável evidência da nossa estima e da nossa capacidade de interferir de forma positiva no outro lado da questão.
E as questões são pessoas e os dilemas que a interacção nos coloca. As diferenças, os espartilhos, as divergências ou as simples más interpretações. Um ror de preocupações e de empecilhos que nos afastam do essencial. E o essencial é amar as coisas boas que a vida tem para nos oferecer e lutar contra aquilo que nos inferioriza na difícil perseguição da paz interior individual.
Não é fácil esse caminho e multiplicam-se os cruzamentos e entroncamentos nas estradas que percorremos de acordo com o nosso mapa pessoal e intransmissível. Às vezes não coincide com o do companheiro de viagem e desviamo-nos do traçado original e nem sempre retomamos o carreiro num ponto de intersecção. E acontece a separação.
É aqui que entra a fé tal como a advogo e sei sentir. A fé num rasgo de génio que abre caminho pelo muro de betão que erguemos em nosso redor, como uma redoma opaca, para nos protegermos contra os fantasmas de papel que a nossa consciência produz ou a nossa sensibilidade identifica como potenciais agressores. As falsas questões, os tais dilemas, que se desmistificam com gestos tão simples que nos deixam embasbacados perante a evidência de como é fácil acertar a passada e reencontrar um rumo paralelo, um destino partilhado nos termos que a vida nos impõe. E as tais barreiras dentro de nós, pontuais ou definitivas, ruído de fundo, nevoeiro, que nos privam da estrela polar salvadora.
É esse o tipo de desnorte que não se combate sem as armas que só o amor (sob qualquer das suas formas) nos faculta. O amor instintivo é mais poderoso no nosso sentido de orientação do que qualquer tipo de sinalização luminosa ou outra, pois brilha com a nossa própria luz mais a da(s) pessoa(s) que nos querem bem. E verga os obstáculos com a força desse querer, desenha na terra, na água ou mesmo no céu os trilhos adequados para a inevitável reunificação, com regras mais claras e muita garra para prevalecer, sem a opção desistir. A fé no amor, na amizade, a persistência, aquela irreverência que nos catapulta por instinto para os gestos que definem o que somos, o que queremos e até onde estamos dispostos a ir para conservar intactas as mais valiosas premissas. E estas são o sustentáculo definitivo de qualquer tipo de ligação.
Resistência.
Pouco importam no balanço os números a vermelho que nos afastam da tal perfeição que idealizamos quando aquilo que pretendemos é apenas a alegria da partilha dos momentos melhores e uma mão disponível para nos arrastar pelo meio dos temporais. Tudo o resto é moldado pelos termos em que o caminho a meias se palmilha e pelas contingências da vida de cada um.
Tão simples, afinal.
E pode durar uma vida inteira, acreditas?
Publicado por sharkinho às 12:47 PM | Comentários (19)
julho 13, 2006
GENTE QUE BLOGA - BASTET
Hoje nem estava com ideias de adicionar mais uma das minhas referências na blogosfera ao novo espaço para linques no charco, mas o momento não podia ser mais oportuno. É que o Sol&Tude nasceu em 13 de Julho de 2004 e é um espaço que merece a efeméride devidamente comemorada.
Foto: Shark
Como já vos expliquei, existem diversos factores que podem levar-me a prender a atenção neste ou naquele blogue. Porém, é também óbvio que me cativam acima de tudo as pessoas (de que gosto imenso, nham, nham) e a qualidade da sua escrita.
Foi esta última que me tornou um cliente certo do que a Bastet produz.
Este é o tipo de argumentação que só colhe a quem lê como São Tomé e só quem já concedeu a si mesmo o prazer de perder a vista na forma como ela arruma as palavras pode concordar comigo ou não.
Eu digo-vos como vejo a coisa: a Bastet é sem dúvida das blogueiras mais escorreitas no verbo que encontrei em dois anos de blogosfera. Faz das palavras o que quer e acho que só não faz mais por falta de tempo, de pachorra ou de confiança no talento que inegavelmente possui.
Eu reconheço-lhe esse talento e não preciso de mais pretextos (que não os tenho) para clicar invariavelmente no linque do Sol&Tude quando me apetece ler boa prosa. Sabe-me bem, visitar um espaço onde é visível o carinho de quem tenta dar o melhor de si. Dou sempre por bem empregue o tempo que lá passo e por isso faz todo o sentido que vos recomende uma visita agora mesmo para perceberem porquê.
E sempre aproveitam para deixarem um abraço de parabéns a uma felina que se desunha a escrever.
Passe a expressão...
Publicado por sharkinho às 05:44 PM | Comentários (6)
A POSTA NOS SINAIS DE TRÂNSITO


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 12:52 PM | Comentários (10)
julho 12, 2006
SAVE AS
Falta-me espaço na cabeça para o tempo por arquivar. E a vida ensinou-me que o passado não deve ser deixado à solta, desarrumado, misturado com os factores de ponderação das decisões de que o futuro se faz.
O passado atrapalha o raciocínio, confunde-o, porque é tempo como o futuro e quando os deixamos juntos às tantas parecem-nos iguais. Pensamos mal e adiamos importantes decisões. Ou nem as tomamos, hesitantes, e deixamos o presente arrastar-se pela mente como uma náusea em final de gravidez. A acção sai-não-sai e a gente entretanto enjoa.
Fico passado quando permito que o ontem ainda hoje esteja presente no futuro das decisões que deixo sempre para amanhã. Dá sempre merda, este laxismo mental. Empata, condiciona e às vezes destrói. Há gajos que enlouquecem com estas agonias que se entalam na vida como uma ponta de palito partida entre dois dentes unidos como siameses.
Eu nem tenho o estômago fraco, mas quase chamo pelo gregório nessas condições.
Tenho mesmo que fazer um delete dos ficheiros a mais, aqueles que já não uso.
E estou decidido: vou substituir o processador, reinstalar o sistema operativo e criar umas pastas novas no desktop da minha atenção.
Publicado por sharkinho às 01:03 PM | Comentários (22)
ENFIARAM-LHE O BARRETT

Tinha nove anos quando ouvi Pink Floyd pela primeira vez, no sopé da Serra da Estrela, à luz de uma fogueira em redor da qual rodavam baforadas intensas de “boi” (a erva angolana que tomou conta do país no início dos anos setenta).
Eu não fumava na altura, mas acredito que fiquei under the influence com o nevoeiro instalado ao alcance do meu nariz bisbilhoteiro.
A música bateu. Deitado no lençol de carumas de pinheiro, olhei as estrelas e abandonei em definitivo “A Pandilha” e outros sucessos pimba da canção infantil.
A partir desse dia outra música tocou no velho gira-discos onde aprendi a apreciá-la. Os Queen, os Genesis, os Supertramp e tudo dos Pink Floyd a que conseguia deitar a mão. Esperava horas numa discoteca ao pé dos Bombeiros de Benfica pela chegada do vinil que a proprietária me avisava vir a caminho.
A minha adolescência irrompeu rebelde por entre os sinais do buço que começava a despontar precoce, tal como as erecções por justa causa e não apenas involuntárias.
A sonoridade de Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason, Rick Wright e a alma criativa do Syd estimulou a minha evolução num sentido diferente do que me destinavam.
Descobri que os outros eram um factor a ter em conta quando prestei atenção à letra do tema Dogs, do álbum Animals. Entendi o quanto a amizade pode ser próxima de um amor ao ouvir a obra-prima Dark Side of the Moon e o magnífico Shine On You Crazy Diamond. Consolidei a minha loucura pela Ficção Científica ao som de Set the Controls to the Heart of the Sun.
E foi numa viagem alucinada pelo meio do ambiente criado pelo Meddle que me vi num planeta completamente azul na maior moca que apanhei ao longo da primeira metade da minha existência maluca.
A morte do Syd incomoda-me. Trata-se de um homem que influenciou a minha vida e deixou rasto nas vidas de milhões como eu.
É uma perda que sinto, um prenúncio do final de uma geração que o mundo nunca poderá apagar da memória.
Voa, méne! Instala-lhes a balbúrdia no céu com a tua loucura alada.
Publicado por sharkinho às 10:59 AM | Comentários (4)
julho 11, 2006
ORGULHOSAMENTE NÓS

Foto de autor desconhecido, recebida por email
O orgulho é uma característica simultaneamente rígida e flexível. Verga mas não parte, acompanhando-nos até ao fim e mesmo quando somos enterrados e nos tornamos esqueletos cheios de certezas e de convicções, com um metatarso orgulhosamente erecto a apontar para o céu onde esperamos encontrar tudo menos setenta e duas virgens à nossa espera como prémio para um comportamento exemplar (nos termos d’Ele e não de outros como nós, ou piores).
Quem não se olhou já ao espelho, cheio de orgulho por este ter prevalecido sobre todas as insofismáveis perdas associadas à sua preservação? Que atire a primeira pedra a este incréu.
É visto por uns como um acto digno, corajoso, esse assentar arrais do nosso amor-próprio em detrimento de tudo aquilo de que mais precisamos e nos dispomos a abdicar quando o nosso orgulho está em causa. E por outros como mais uma deplorável manifestação da estupidez humana, responsável por conflitos evitáveis e antagonismos estapafúrdios.
É polémico, então.
Mas consensual nalgumas matérias. É sabido que nós, gajos, somos quase unânimes na forma como sobrevalorizamos o orgulho em temas como o sexo (só para citar um exemplo qualquer que me ocorreu). E depois na vida profissional. E talvez no amor.
Ser desprezado pela amada é péssimo, ser menosprezado pelo chefe é horrível, falhar na cama é uma tragédia de dimensão colossal.
Coisas nossas, nas quais abrimos poucas excepções e sempre nos arrependemos.
Orgulhosos, prezamos a nossa dignidade e tentamos defendê-la das mazelas a que o triunvirato acima nos expõe.
Ficamos uns fulanos sem jeitinho nenhum, quando deixamos vergar demais (e aqui já tou a tomar partidos pela surra, não sei se tão bem a ver…) esse limite para o poder de encaixe de que a natureza nos dotou. E também tem a ver com o resto com que essa Mãe Gaia nos ofereceu na lotaria genética que determina se somos parecidos com o George Clooney, divertidos como o Woody Allen ou simplesmente uns trambolhos que não interessam a ninguém. Assim, na proporção directa dos atributos que nos reconhecem ou acreditamos desesperadamente possuir.
Vergam mais os que precisam, nesta estranha cadeia alimentar de egos e de consciências onde ninguém se assume presa e não faltam candidatos a predador.
O orgulho cega. Eu seja ceguinho se assim não é. Não raras vezes me perdi pelo meio dos intrincados raciocínios e dos comportamentos idiotas que se desenvolvem de forma autónoma como mecanismos de protecção do queixo para a cabeça nunca parar de se erguer. O sexo, outra vez, mas em sentido figurado. A nossa principal ralação. E o chefe, cabrão, a impor-me os galões? Mas eu sou muito homem e não me deixo vergar. E pela companheira também não, era só o que faltava...
Flop, despedimento e divórcio (ou separação). São esses os preços a pagar por alguns excessos nesse particular.
É que ninguém se condói nestes dias por um falso invisual.
E por isso, em jeito de conclusão, afirmo-vos com natural satisfação que me orgulho do gajo que às vezes consigo ser e outras vezes não. E basta-me assim, capaz de fazer elevações sem mãos com o toalhão de banho em dias bons e calar a proeza num sorriso imbecil e solitário ou de me deixar enxovalhar durante algum tempo pelos contornos intensos de um amor sem explicação. Rígido e flexível, em simultâneo, o orgulho tal como o defini mais acima. E eu.
Somos parecidos, afinal.
Não é um bom augúrio…
Publicado por sharkinho às 05:38 PM | Comentários (7)
RESERVADO A GRELHADORES

Foto: Shark
Para quando os parquímetros para resolver esta vergonha? :)
Publicado por sharkinho às 04:24 PM | Comentários (9)
A POSTA PICTÓRICA
No futebol nunca me destaquei, pois apesar da entrega e da emoção era desastrado e capaz do melhor e do pior. Mas ninguém podia acusar-me de não me bater por melhorar e de não insistir até ao limite para justificar a minha inclusão na convocatória.
Como em tudo o resto na vida, sempre detestei jogar a suplente e lutei muito pelo meu lugar na equipa principal.
Estava atento ao que o “mister” dizia, mas raramente fazia no campo o que lhe prometia em vão. Não tinha “disciplina táctica”, acusava. E punha-me de castigo, na bancada. E eu revoltava-me contra o que considerava uma injustiça, um exagero, considerando os momentos bons que proporcionava à equipa quando um remate à baliza levava a melhor direcção.
Um dia fartei-me de insistir. E entreguei-lhe um cartão, quando me desvinculei do clube e rumei para um de maior nomeada onde vinguei como goleador, que rezava assim:
Isto: . é um ponto final.
Sem… (reticências, queria eu dizer)
Publicado por sharkinho às 03:03 PM
DE OLHOS EM BICO

Fico eu, de cada vez que leio uma posta da China Blue, no Sociedade Anónima.
É um tratado a escrever e tem uma forma única de ver e de escarrapachar as coisas em que acredita.
O seu último lençol é daquelas peças raras nesta blogosfera feita de lei do menor esforço e de palmadinhas nas costas.
Não há como contornar a cena.
É mêmo boa, a gaja!
(Perdoem-me o excesso eufórico na linguagem. E tou a falar do talento para isto, da colega que respeito, claro, pois nem faço ideia de quem se trata. - embora uma blogueira assim seja boa sob qualquer perspectiva aos olhos de quem aprecia esta arte que, feita assim, é mesmo do que se trata.)
Publicado por sharkinho às 12:16 PM | Comentários (2)
ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO
A audiência não chegou a ter início porque eles não conseguiam chegar a um acordo. O tempo passava (tiquetaque) e agravava a situação enquanto discutiam sem razão, para desespero de quem adivinhava o desfecho pior.
E aconteceu.
Por causa dos "advogados" (que queriam pertencer ambos à acusação) o crime prescreveu, o processo acabou arquivado e só a justiça não saiu absolvida.
Publicado por sharkinho às 11:25 AM
A POSTA NUM HOMEM MELHOR

Foto: Shark
Li há dias que um abastado empresário norte-americano elevou o conceito de generosidade a um plano que já não se usa. Surpreendeu-me até tratar-se de uma das notícias em destaque, no meio das desgraças costumeiras que este mundo dá a noticiar.
Mas este senhor (propriamente dito) não mereceu tal distinção à toa.
Podia ter-lhe dado para doar a fortuna aos famintos de Darfour, para construir um hospital no Quénia ou para outra das façanhas possíveis a quem possui riqueza e sabe geri-la.
Contudo, o seu gesto nasceu de uma simples coincidência, de um impulso de circunstância daqueles que definem o valor intrínseco de uma pessoa.
Já há uns anos que o Dan recorria a um serviço de aluguer de limusinas e aos préstimos de um motorista libanês.
Quis o destino que o motorista tivesse oportunidade de partilhar com o Dan a sua desdita, diabetes, que o amarrava à diálise e ameaçava matá-lo a qualquer hora.
Só um transplante renal poderia devolver ao homem a qualidade e, mais ainda, a esperança de vida.
Mas mesmo na América não sobejam os doadores compatíveis…
O Dan ouviu e o Dan perguntou: qual é o seu tipo de sangue?
Coincidia. E pronto, o empresário de sucesso ofereceu um dos seus rins ao fulano que o conduzia de vez em quando. Para fazer algo de útil na vida, referiu.
Para mim, isto é um conto de fadas moderno.
Parece mentira, não é?
Publicado por sharkinho às 10:22 AM | Comentários (8)
CARTAS NA MESA

O que é que um gajo normal pode oferecer às outras pessoas? Amor, amizade, carinho, essas coisas. Pois, mas isso qualquer gajo normal consegue disponibilizar na boa, reunidas algumas circunstâncias.
Então é o quê? Conversa interessante? Bom, isso já não está ao alcance de qualquer um. Mas ainda há os bastantes para toda a gente ter gente interessante com quem conversar. Sobretudo em contactos ou relações fugazes, onde um gajo normal pode sacar dos trunfos todos e fazer um vistaço. O pior vem depois, se a coisa se prolonga e afinal esse gajo normal esgota o manancial de matérias interessantes que domina…
Então, rapaziada? Notem que quando digo gajo também meto gaja ao barulho, não há heróis nos géneros. Não é fácil responder, pois quase todos possuímos características, umas melhores outras piores, que nos distinguem mas não bastam para constituírem argumento de destaque para um gajo normal. Isto, claro, excluindo os ornamentos naturais ou artificiais com que nos esforçamos para sermos agradáveis à vista. Estou a falar do resto, daquilo que nos faz preferir esta ou aquela companhia para investirmos o nosso tempo de uma forma compensadora.
Vou ser sincero: para mim, gajo normal, uma defesa óbvia para evitar perder-me no meio de uma multidão de gajos como eu é a originalidade. Fazer diferente, confundir, surpreender. Nem sempre resulta bem, mas por norma é uma atitude que nos permite manter os outros interessados na nossa presença. Eu gosto de pessoas diferentes, confesso, embora não aplique esse critério nas minhas escolhas. Mas gosto de pessoas que apreciem o meu esforço em fazer e em dizer as coisas de uma forma original.
Nota-se neste blogue esse meu estilo pessoal, essa mariquice com a qual me defendo da alergia a armar-me em intelectual (não sou um rato de biblioteca), em vivaço (sou estupidamente revelador das minhas fraquezas) ou em engatatão (há quem confunda cortesia com “investida”).
Já aqui me denunciei uma data de coisas foleiras, de forma implícita nalguns casos e com uma clareza sem mácula noutros. Mas também deixo transpirar o resto que valho, aquilo que vos traz aqui, gostem de mim ou não. Não vos fico indiferente e essa é talvez das maiores compensações que extraio desta cena de blogar.
Não escrevo com os pés, mesmo dando algumas calinadas, e não vos maçando com teorias, biografias ou citações deixo-vos claro que não sou burro de todo e aprendi algo pelo meio de quase um quarto de século a frequentar escolas em festa. Fica sempre qualquer coisinha, que nos permite não fazer má figura. Mas não chega, eu sei.
A diferença, a que tento fazer, reflecte-se no melhor e no pior de mim. Aquilo que vos dou aqui, sem exigir nada em troca que não uns minutos do vosso tempo precioso. Um pouco da vossa atenção que reclamo assim. E vêm muitos de vós, mais do que alguma vez acreditei ser possível. Porque sou um gajo normal, apenas. Que não quer (ou não gosta de) ser julgado a toda a hora mas não se furta aos testes que fazemos uns aos outros para descobrir o calibre de quem se julga merecedor de alguma importância.
No entanto, muitos ficam, acompanham este diário meu, riem, escarnecem, duvidam, questionam, apreciam, louvam, odeiam até. Porquê? Porque percebem o meu esforço hercúleo para ultrapassar as minhas limitações e presentear-vos com as minhas emoções, as minhas ideias, as minhas contradições, as merdas comuns de um gajo normal embrulhadas com cuidado num texto feito à medida para os vossos olhares. E imagens, quase todas minhas, que são mais um argumento que tenho tentado utilizar em meu abono. Pela vossa preciosa atenção.
É isto o charco e é isto que sou. Sem razão alguma para ter peneiras. Convicto, bem ou mal, que uma forma muito minha de blogar poderá atenuar a minha génese de gajo normal aos vossos olhos. A tal originalidade que empresto à vida lá fora com a minha rebeldia relativa e a irreverência possível a quem tem uma filha para criar e que, para vos cativar, tento espelhar neste suporte virtual. Sou um cromo, se calhar, como alguns me apelidam. Com coisas para dar, chatices também. Arrelias, por eu defender algo em que não acreditam, ou por acreditar em algo que vos insulta, ou apenas por deixar escapar algumas das imperfeições de um gajo normal. O que sou.
Capaz de pedir desculpa a quem a justifica, quando me concedem essa graça. Capaz de reconhecer as minhas merdas e de pactuar com as de outras pessoas. Capaz de ser um gajo normal que dê pica acompanhar desta forma ou mesmo de outra. Só fica quem acredita. E quem quiser fazer melhor, basta-lhe o talento e/ou a sabedoria que tantos/as gajos/as menos normais do que eu invocam.
Não tem nada que saber. E no Blogger até é de borla.
Publicado por sharkinho às 12:59 AM | Comentários (4)
julho 10, 2006
A POSTA POR EMAIL

Este charco foi em tempos apelidado de “chat blog”, pela profusão de comentários que derivavam das postas em animados diálogos que me orgulho de ver registados no arquivo deste espaço.
Não é essa a realidade destes dias, em que aos poucos se vai instalando o mutismo nas caixas de quase todos os blogues que recordo tão ou mais animados do que este num passado recente (e neste acima de tudo pelas minhas culpas no cartório…). Aos visitantes basta a observação em silêncio do que somos capazes de lhes proporcionar em troca do tempo que nos dão. E a mim também bastaria.
Contudo, e com especial incidência nos últimos dias, tenho sido agradavelmente surpreendido com o aumento da comunicação por email gerada por quem visita o charco. Bem mais interessante e susceptível de criar laços mais vincados (ou de desfazer os equívocos na sua criação) entre as pessoas, essa alternativa parece ganhar terreno à exposição que os comentários impõem.
Prefiro, de resto, esta opção mais reservada. Porque as pessoas falam com menores reservas quando não se sentem intimidadas pelos olhares alheios.
E esclarecem aspectos que de outra forma nem arriscariam abordar.
Esta posta serve para agradecer a todos/as quantos/as me têm feito chegar por essa via (tanto no do yahoo - no cabeçalho, mais acima - como no novo, do gmail) a amizade, a confiança, o carinho, o apoio ou a simples informação útil e esclarecedora que me poupa a embaraços ou a erros desnecessários.
Estou inteiramente disponível para comunicar convosco por qualquer via.
Se assim não fosse não faria sentido blogar.
Publicado por sharkinho às 06:04 PM | Comentários (8)
RIO POR DENTRO

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 04:07 PM | Comentários (0)
A POSTA NA FOTOGRAFIA
Foto: Shark
No meu refúgio.
Publicado por sharkinho às 03:54 PM | Comentários (4)
NA RONDA SEMANAL
No meio de algumas paragens no tempo que me entristecem, ou mesmo súbitas desistências que me espantam (adenda: fixei esta magnífica tirada do autor efémero - aguardo em silêncio o tempo das tuas decisões, uma delícia que prometia mais e melhor), vou assistindo a alguns regressos tímidos ou em força que me apanham (quase) de surpresa mas agradam imenso pelo que implicam de compensador pelas ausências que vou notando (e sentindo) nesta comunidade.
E ainda existe o prazer de novas descobertas que enriquecem a minha coluna de favoritos.
A blogosfera, esta realidade em constante mutação, é um mundo…
Publicado por sharkinho às 03:04 PM | Comentários (8)
julho 09, 2006
VOLUNTÁRIOS AMADORES
Foto: Shark
E de repente uma mudança radical no tom do teu olhar. Os olhos feitos bocas que me chamam como sirenes para a emergência de combater o fogo em ti. Deixas arder, aos poucos, até a temperatura subir ao ponto de ebulição.
Labaredas nos teus cabelos que brilham com a luz reflectida pela minha pele que já cobre a tua, pela urgência e pela minha carência do amor que tens para me dar nessas alturas.
Bombeiro me faço, sem a imagem brejeira, que a minha mangueira é um corpo inteiro ao teu dispor. Soldado da paz dentro de ti, fogo posto no desenho do rosto em forma de desejo a sorrir. A chama que chama por mim, apaga-me com o teu calor, assoberba-me de amor num instante incendiário. Consome-te, pirómano, no inferno em que me transformo para te atrair.
E eu vou, como um asteróide arrastado para a órbita do sol, cobrir-te de beijos, derreter os desejos, sem sombra para me proteger da tua luz que me ofusca. Dentro de ti, a combater o incêndio ateado pelas chispas que os nossos olhares disparam entre si, mais a corrente eléctrica da pele incandescente como um tição.
O poder de uma mão, passagem rente na pista de aterragem para o avião imaginário carregado de suor meu. Encharco-te de mim e tu absorves, sequiosa, como a floresta em aflição no meio de um braseiro descontrolado. Pelo vento que fazemos a dois, energia eólica, soprar arrepios pela boca e espalhá-los pelos corpos em pequenos pedaços de gelo partido. Um copo vazio da caipirinha anterior, a tentação dos dedos em buscar o contraste do frio que te arqueia. Pequenos pormenores, as diferenças que se fazem com o poder arbitrário da imaginação.
E de repente o teu olhar diferente, no rescaldo fumegante de um fogo controlado. O desejo convertido na expressão meiga de uma gratidão que não te aceito, pelo muito que me dás. Deves-me apenas uma próxima chamada, a meio da madrugada ou no pino de uma tarde de Verão. E eu devolvo-te o carinho, neste instante, porque me sinto o amante melhor do mundo e arredores na luz desses teus olhos reflectores que transmitem para o céu a emoção que o meu amor te despertou.
Um beijo que não tem fim. O resto de mim que não te entreguei na altura e que sela com lacre vermelho vivo, cor do desejo intenso, a jura repetida em silêncio enquanto fazemos amor.
A próxima vez, garantido, será sempre a melhor.
Publicado por sharkinho às 07:04 PM | Comentários (0)
A POSTA NO EFEITO BOOMERANG

Quem com ferro mata com ferro morre. Não é uma frase bonita, bem sei. Mas reforça a ideia que deixo no título desta posta. Não bastam os exemplos que a História nos dá. Os dos outros e os que acumulamos na nossa experiência pessoal.
Eu somei alguns, pois nunca escapei impune dos meus momentos menos bons. De uma forma ou de outra, a vida encontrou sempre um meio de fazer chegar às minhas mãos a notificação do castigo. Nem assim aprendi a lição. Insisti. E paguei, quando chegou a hora.
Acredito que esse é um reflexo do equilíbrio que as coisas procuram. Ou talvez um sinal para que evitemos cometer imprudências que depois se viram contra nós. Como os excessos (e os abusos) de confiança, por exemplo. Ou qualquer acção incorrecta para com terceiros, desproporcionada, indevida, ou mesmo indigna.
Às vezes vamos longe demais...
Hoje, como referi abaixo, tive do meu lado o pragmatismo e a lucidez de quem me abriu os olhos para mais um erro imbecil que andei a cometer. Que teve um preço, claro, mas poderia vir a custar-me muito mais. E esta é a parte bonita desta posta, numa fase em que vos prometi incidir sobre a beleza das coisas. Quem me ofereceu o safanão de que precisava para despertar duma estranha letargia em que mergulhei tempos atrás vai merecer o meu reconhecimento para a vida inteira (e espero que estejas a ler estas linhas, pois é com gratidão genuína que o afirmo). Porque me poupou a uma perda imensamente maior que o futuro certamente reservaria, caso eu insistisse em trilhar o caminho com os olhos fechados à razão.
Eu optei mal, apostei no cavalo errado da minha consciência, da minha paupérrima inteligência emocional. E isso conduziu-me a actos indignos de mim cujo troco a vida me foi dando aos poucos, em crescendo, até ao ponto em que só uma intervenção enérgica impediria de se transformar num martírio ou num final infeliz para algo que muito prezo.
Tive a sorte de ter alguém que o tomasse a seu cargo, essa atitude necessária. Outros não têm a mesma sorte que eu, ou não prestam a devida atenção aos tais pequenos avisos (profecias?) que a vida nos entrega.
Devolvida ao remetente, cada uma das nossas acções (as boas como as más), cada uma das nossas intervenções é uma pedra lançada ao céu que depois pode tombar na nossa cabeça. Maior quanto pior seja a vilania e as respectivas consequências. E essas permitem avaliar o quanto fomos ou não longe demais num conflito, numa teimosia ou numa simples embirração. Há desfechos que não se podem permitir, são excessivos relativamente ao que quer que esteja em causa. O tal momento de dizer basta que descobri e gostaria que toda a gente fosse capaz de ter em conta, no momento de ir (ou não) um nadinha mais além num qualquer assomo ou crise de estupidez como as que protagonizo em demasia.
Eu lamento muito as consequências de tudo quanto faço (e reconheço) errado. Não pelo que isso implica de peso na minha consciência (que a tenho), mas pela evidência que constituem de que não soube quando parar e isso repercutiu-se na sensibilidade ou mesmo na vida de alguém. E mereci cada um dos castigos que chegaram, quase masoquista, tal como me sinto merecedor da oportunidade que me chegou por voz amiga.
É talvez a única forma de aprender este tipo de lição, olho por olho, até abrirmos a pestana de vez e nos metermos no nosso devido lugar. A humildade em vez da arrogância, o arrependimento em vez da euforia, as voltas trocadas pela moeda (de troca) forte da vingança que a vida nos retribui, de uma forma ou de outra.
É feio, à partida, mas faz todo o sentido quando nos vemos atingidos ou atingimos alguém com o mal que qualquer um pode fazer.
Gostava que estas minhas conclusões tivessem chegado mais cedo, para me poupar (e a terceiros) a uma data de desgostos evitáveis.
E lamento muito que sempre haja algures quem possa partilhar comigo o arrependimento de descobrir o mesmo.
Mas tarde demais para evitar piores consequências.
Publicado por sharkinho às 02:18 AM | Comentários (8)
julho 08, 2006
OBRIGADO, PÁ!
Hoje recebi uma extraordinária lição de vida por parte de alguém muito especial para mim.
Com clareza, com franqueza, com tudo aquilo que os amigos podem dar quando precisamos de ajuda para dar a volta a um problema.
Tenho muita sorte por poder contar com pessoas assim no meu círculo pessoal.
Há poucas.
Publicado por sharkinho às 09:51 PM
SEM PALAVRAS

Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 12:38 PM
julho 07, 2006
MOMENTOS ASSIM
Foto: Shark
Coisas belas. Um glaciar ao amanhecer, imagem bonita. Coisas agradáveis, simples, ao alcance de qualquer um. Uma aurora boreal, com o céu a encantar-nos num espectáculo de cor. Basta olhar, estar lá, onde essa vida acontecer, e levantar a cabeça para observá-la feliz. O mar a empurrar, teimoso, uma falésia. Basta até imaginar, pois a beleza aloja-se onde pode, como uma lapa, nas ideias de cada um. Como uma amizade verdadeira. Está lá quando é preciso. O sol quente de Verão no seu bronze laranja, num ocaso perfeito com uma brisa quente a soprar-nos ao de leve os cabelos. Um beijo de vento que nos dá alguém que já partiu para outra dimensão, energia ou o que lhe quiserem chamar. Vida feita de luz. Eterno a amar-nos assim. De cortar a respiração. A penumbra da noite rasgada pelos contornos do corpo de uma mulher. O tempo a parar ali. Belo como nenhum.
Um grande amor.
Um filho.
Coisas belas. E agradáveis.
É disso que vos quero falar aqui durante uns tempos.
Publicado por sharkinho às 10:59 PM
A POSTA CONTUSA

A pele. A segunda camada, escondida por detrás de uma capa de si. A pele vestida de desejo e coberta por um fino véu de pudor. Que se rasga no meio do calor da fricção apaixonada, vale tudo, sentidos em alerta mesmo à sua flor. Arrepios, inevitáveis. E gritos abafados, interiores, da pele em carne viva que cobre o coração de alguém que se entregou.
Os olhos. A alma à janela por causa do barulho, a espreitar a razão do sururu lá fora e a explicar a agitação no seu interior. Por detrás das cortinas que a ocultam, o medo mais a dor mais o resto que a acorrenta e a proíbe de voar. À janela, a sonhar, reflectida numa lágrima ao canto da abertura da sua cela, de felicidade aquela água salgada por todo o invólucro efémero, a água que sabe não ser chuva porque a chuva não possui tempero algum.
A faísca que emana da alma alada imita o clarão da tempestade. Lá fora, a acontecer. O mundo parado e o chão a tremer. A libertação, olhos fechados e a alma a voar, as asas a roçar na outra a seu lado, voando as duas em formação.
O cheiro. Como o da terra húmida depois de um aguaceiro de Verão, intenso e familiar. Dois cheiros num só, fragrância de vida soprada pela respiração, o ar que rareia no topo da montanha mais próxima do céu, impregnado pela essência de um perfume feliz. Valioso. O rasto a seguir, odores gravados a ferros na lombada do arquivo das sensações, o corpo a exigir (de novo) a fusão.
O som. Um saxofone à distância, sensual. Sussurros masculinos. Os tambores que rufam ao ritmo que as vozes inspiram. Devagar. Um gemido a soar, baixinho, uma nota de violino no silêncio quebrado pela melodia composta a dois. Sem pauta. Cacofonia no instante de magia. Ilusionismo para ouvir. Palavras de amor, algumas, ou gritos contidos de uma espécie de dor agradável, paradoxo, ou algo que soa parecido com um coro de anjos a cantar.
Divinal.
A pele outra vez. Molhada. Como que borrifada por gotículas de suor, lábios colados na impressão digital dos dedos cravados num pico de prazer. O cume da montanha onde as almas suspendem o voo para recuperarem as forças, talvez. Nódoa negra numa anca, pancada, uma marca na pessoa magoada.
A pele contusa.
E um beijo suave, de reconciliação.
A pele de outra boca a pedir-lhe perdão.
Publicado por sharkinho às 10:21 AM | Comentários (8)
julho 06, 2006
A POSTA CONFUSA

Há conflitos interiores muito penosos de gerir. Tanto piores quanto mais contraditória for a essência dos dois extremos em disputa e mais dramáticas se revelarem as perdas associadas a qualquer das decisões finais possíveis.
É que existem conflitos assim, sem uma saída airosa. Uma derrota garantida e a incerteza imediata quanto à escolha acertada do mal menor. Facas de dois gumes e coisas assim.
Como termos que optar entre o apelo do coração e a razão da cabeça, quando esta possui alguma. Acontece mais em vidas intensas e quase sempre lhe está associada uma decisão “impossível” de tomar. Ficamos rasgados por dentro pelas duas metades equivalentes de nós a puxarem as pontas opostas de uma corda. O que devemos contra o que queremos, para melhor apanharem a ideia.
Pode assumir proporções devastadoras, quando nos deixamos enfraquecer por essa guerra sem quartel que se trava sem controlo algum. Eu contra mim, um absurdo cristalino.
Mas é mesmo assim que me sinto nessas condições, encurralado. Sou filho legítimo da emoção e bastardo da racionalidade que me acautela, que me impede sempre de dar o passo longo demais e que pode virar-se contra mim. As duas realidades que me atormentam quando se enfrentam na sequência de um daqueles dilemas em que parecemos um saco de esponja com um gato assanhado no seu interior. As unhas que nos retalham fornecem o conjunto das dores que se apoderam de nós nessas alturas.
Há quem perca as estribeiras no limite máximo da pressão.
É que por vezes, as próprias perdas inevitáveis constituem a única hipótese de salvarmos algo de precioso para nós. Perdemos até o que olhamos como um pedaço da nossa essência, o preço exagerado de algumas formas de abdicação. Para acudir a outra perda que sentimos ou julgamos ainda mais valiosa para experimentarmos a (difícil) felicidade que a vida nos dá a provar.
Às vezes são os outros que criam o problema, outras vezes somos nós. Incapazes de conciliar o impulso palerma com o discurso racional. E as combinações possíveis entre esses quatro quadrantes do nosso reduzido espaço de manobra.
Filha da mãe de provação, quando a sucessão de acontecimentos parece conjugar-se de forma perfeita para refinar o padecimento, para afiar as garras dos miaus…
E depois há os umbigos exteriores, se for o caso, que nos avaliam pelo modo como reagimos ao longo dessas tomadas de decisão. Aumenta a confusão associada e fica quase caótico o campo de batalha onde se desenrola cada “guerra civil” em nós.
Fazemos merda, claro está.
E depois reciclamos os cacos e construímos à pressa um mecanismo de defesa. A sua fraqueza está nas infiltrações de tristeza no muro patético da nossa debilidade interior mal disfarçada, o tal saco rasgado que nunca conseguimos coser e nos deixa à mercê das ondas de choque criadas. As réplicas inesperadas e algum arrependimento, quando calha, pois cegamos perante a exibição necessária do nosso poder, da firmeza das nossas convicções.
Somos umas criaturinhas mesmo parvas.
Falo por mim, claro está.
Publicado por sharkinho às 09:54 PM
GENTE QUE BLOGA - LEONEL VICENTE
Se mantenho o ritmo de só preencher o “Gente que Bloga” às sextas, nunca mais tenho os meus linques aqui no charco na forma que escolhi para os assinalar.
Assim sendo, vou acelerar um bocado a coisa e aumento para duas vezes por semana esta divulgação das blogueiras, dos blogueiros e dos espaços que mais me impressionam de entre a blogosfera a que acedo.

Tomar (Foto de autor desconhecido, recebida por email)
Hoje, para alternar, decidi escolher um gajo. E estou certo de que bastam algumas linhas de apresentação para toda a gente saber de quem se trata.
Está nisto há mais de três anos, o que só por si confere um estatuto especial a qualquer pessoa que bloga. Ainda por cima, ao longo desse período tem sido irrepreensível em matéria de contacto. Afável, cordial e dedicado, possui a aura inconfundível das pessoas de bem.
Tive o prazer de conviver pessoalmente em duas ocasiões com este “histórico” da blogosfera lusitana. Em ambas confirmei os pressupostos nas palavras reflectidos no olhar. Tem um olhar que diz tudo e uma calma e ponderação no discurso que jogam certo com a sua forma séria de blogar. Não alinha na blogosfera “pequenina”, a das intrigas e dos ataques e das questiúnculas pessoais. Tá noutra, sem excepções, e assume essa atitude sem pestanejar.
O Leonel Vicente é um nome incontornável da minha blogosfera e da dos outros também. O seu Memória Virtual constitui um arquivo de muito do que a nossa comunidade se faz, rigoroso, ponderado e com o rigor de quem gosta disto e tem por hábito levar a sério o que bloga. É isso que transpira do homem em causa e do espaço que o traduz.
Exprimo sem reservas a minha admiração por uma pessoa assim.
Vão lá ver do que estou a falar.
Publicado por sharkinho às 12:07 PM | Comentários (18)
AMIGOS DE PENICHE

Foto: Shark
É algo que não muda com a alteração aos costumes que o progresso impõe. Uma amizade mostra o que vale nos maus momentos e não nos bons. Porque para curtir os dias porreiros a amizade de quem nos acompanha é dispensável. Quando a coisa dá para o torto, aí sim: os amigos estão lá e os conhecidos batem em retirada.
Conheço um tipo que atravessou pouco tempo atrás um daqueles períodos em que todos os amigos fazem falta. Do seu círculo habitual faziam parte várias pessoas, entre as quais um fulano que tudo indicava ser o mais próximo dele de entre aquele grupo de que faço parte por coincidência.
Todos notávamos as alterações no comportamento do rapaz, cada vez mais incapaz de manter o tom afável e bem disposto que lhe reconhecíamos, mas ninguém se sentia motivado ou legitimado para o questionar. Tirando o tal fulano, Sérgio (segundo creio), os restantes tinham o estatuto de acompanhantes de borga e pouco mais.
Após alguns episódios desagradáveis, o grupo foi-se desmembrando até restarmos quatro ou cinco. Eu seria talvez o gajo mais “de fora”, alinhava porque eles eram uma boa companhia para uma noite de copos pontual. E porque entendia o problema daquele tipo, saturado que parecia de aturar os outros e a si próprio, algo em que me revejo aqui e além.
O tal Sérgio também parecia entender, mas as suas reacções aos maus dias do outro eram cada vez mais extremadas e insensíveis. Claro que nós homens não podemos ter “mariquices” uns com os outros e raramente damos o braço a torcer com as nossas fraquezas, mas eu sentia que a ligação entre eles merecia algum empenho adicional.
Na última vez que saí com eles, éramos apenas um trio. Eu, o Sérgio e o mister X (que o meu escasso anonimato recomenda prudência).
Encontrámo-nos num café da zona do Parque das Nações e seria um serão como os do costume se não fossemos apenas três pessoas, o que me deu a entender que o X estava a ficar cada vez mais isolado. Valia-lhe, julgava eu, o consolo de contar comigo, na condição de ouvinte outsider, e com aquele amigo que o acompanhava desde há anos na rambóia.
Claro que no meio da conversa o X acabou por ter uma das suas intervenções exaltadas, a propósito já nem sei de quê. Eu abstive-me de reagir, embora me sentisse desconfortável pelo que me soou já a desespero, a um pedido de ajuda de um homem em franca degradação psicológica. A vida corria-lhe mal. E aguardei as palavras de apoio do outro, amigo do peito, que o escutava com ar enfadado de quem só estava ali pra ver a bola e tinha mais o que fazer do que aturar choramingões. Um duro, claro…
O X insistia, exaltado a propósito de nada. E o outro, cada vez mais distante, fazia cara de mau. Mas era fácil de ver que o X requeria naquela fase alguma paciência suplementar e alguém disposto a dar-lhe a volta, a apoiá-lo naquele período menos bom.
O Sérgio escutava e rosnava, até ao instante em que se levantou da mesa com brusquidão e disparou à queima: “Ò meu, vai mas é arranjar alguém com quem conversar que eu não te aturo mais.”. E basou.
Ficámos, eu e o X, em silêncio na mesa por alguns minutos. Pouco depois, ele olhou para mim e eu reconheci naqueles olhos um apelo a que não tinha meios de responder. Dei-lhe uma palmadinha nos ombros e confortei-o como pude, tentei desvalorizar a situação.
E li-lhe a tristeza profunda que o invadiu perante aquela deserção infame e de todo inesperada e injusta.
Enquanto percorria o caminho em sentido oposto ao dele, no regresso a casa, senti-me incomodado com a constatação de que a maioria das relações entre as pessoas são assim, ligeiras e superficiais. Duram enquanto não surgem desafios que as expõem na sua futilidade e fachada.
Porque afinal a onda é apenas curtir uma boa.
Cada um na sua.
Publicado por sharkinho às 10:58 AM | Comentários (0)
julho 05, 2006
DE CABEÇA ERGUIDA

Foto: Shark
Acabou o lindo sonho. Saímos do palco principal e baixamos em definitivo a fasquia, magoados pela derrota mas sem motivo para nos sentirmos humilhados ou com vergonha.
A alta competição é assim mesmo, não há perdão para certas falhas, para deslizes que são castigados com crueldade na verdade do marcador.
Não há coração que resista a desgostos tão profundos, mas o futebol, como a vida, é mesmo assim. Há que dar a volta por cima e ignorar o sentimento de revolta, a desilusão, as cenas foleiras que nos invadem quando atribuímos demasiada importância ou criamos demasiada expectativa relativamente ao que, afinal, não passa de um jogo.
Por vezes o jogo é mal jogado, por desgaste dos jogadores ou apenas porque nem sempre eles enfrentam dias bons. Mas em momentos decisivos isso pode hipotecar um sonho, um objectivo ambicioso. É que o adversário não perdoa, como a França provou. Fria, cínica, implacável, impiedosa. E letal.
A esperança trucidada num momento infeliz. À bruta.
Agora, no próximo jogo tanto faz ganhar ou perder. É quase como se fosse a feijões. E o país regressará ao seu ritmo normal, aos poucos, depois de recuperar o chão que fugiu sob os pés. Entristecido, sem dúvida, mas convicto da sua capacidade para surpreender pela positiva. No mesmo campeonato ou naquele que venha a seguir.
Temos equipa. Faltou-nos apenas um adversário que nos permitisse aplicar o melhor do nosso futebol.
Mas os outros também jogam. Ou não deixam jogar…
Publicado por sharkinho às 10:41 PM | Comentários (8)
CADA VEZ PERCEBO MENOS
Disto:

Publicado por sharkinho às 02:25 PM | Comentários (10)
A POSTA NOS ALTRUÍSTAS
Acho magnífica a forma como ainda há pessoas que são capazes de tudo para protegerem a imagem dos seus amigos. Mentem, se necessário, entendendo que numa amizade muito próxima os fins justificam os meios para a defender com unhas e dentes.
Mais raro ainda, e merecedor da minha admiração devotada, é aquele tipo de pessoas capazes de investirem o seu tempo a ajudarem os outros, perfeitos desconhecidos, mesmo que esse tempo seja precioso e falte depois para a ajuda aos mais próximos (que às vezes também precisam). E tudo isto apenas pelo prazer descomprometido.
De ajudar quem precisa.
Já fui assim. Mas perdi algures esse dom.
Publicado por sharkinho às 12:32 PM | Comentários (2)
NADA DE EUFORIAS
Enquanto nós vamos disputar o direito a uma presença inédita numa simples final do Mundial de futebol, os norte-coreanos disputam um surpreendente lugar de destaque no fim do Mundo propriamente dito.

Publicado por sharkinho às 10:34 AM | Comentários (4)
julho 04, 2006
E AMAR BASTARIA

Todo o ciclo tem um fim. Que pode apenas ser um reinício, noutros moldes, como pode revelar-se um complicado processo de transição. A mudança e a esperança num ciclo melhor. Ou no mínimo igual.
O preço da readaptação a novos espaços, a novos ritmos, a novas pessoas até. A incógnita. A insegurança. E o desafio de fazer melhor, aprendida a lição.
Ou não, prisioneiros que somos da teimosia na aposta que fazemos num determinado perfil. Ou numa dada opção. As escolhas que nos competem no pouco que decidimos do que o futuro trará.
Ou não, outra vez. Porque não existem duplicados ou repetições.
E porque algo que se fez pode estar errado apenas em função da conjuntura e ser perfeito na que vier a seguir. A dúvida que se impõe. A incerteza. E a garantia de que vale a pena tentar outra vez, ultrapassada a desilusão. Coisa pouca, feitas as contas, quando o saldo se revela ganhador.
Aquilo que nunca se perde porque nada existe de nosso afinal, senão as memórias da interacção com as coisas e com as pessoas que nos moldam a existência que retocamos com pinceladas vaidosas de um ego castigador.
Dos outros, o nosso, e o contrário também. Conflito de interesses nas rotas de intersecção e o sentimento de posse sem sentido algum. Das pessoas, sobretudo. Estapafúrdio. Porque a vida é um estúdio onde apenas figuramos e nem todas as cenas partilhamos pois é único o papel que o acaso atribui a cada um. A sorte e outros factores, aleatórios, que nos incutem castrantes no âmbito do que chamamos educação. A moral e a religião, mais a opinião dos vizinhos. Aquilo que nos é imposto menos tudo o que alguém entendeu proibir. A sociedade, enfim, o grupo anónimo onde descartamos as culpas para os outros que passaram e as consequências para aqueles que virão.
A força da tradição, obsoleta, mas consagrada nos costumes que repetimos sem questionar. A herança da geração anterior, que nos confunde, até abraçarmos um caminho que nos sirva melhor. Atenuantes da treta para as merdas que nos atrapalham e impedem a progressão em mais um ciclo que assim se completa, inibido. O futuro interrompido pelas questões de pormenor, as mais supérfluas. Sem a nada a ver com as emoções. Apenas os feitios, preponderantes, mais as tais cenas “marcantes” que sobrevalorizamos em busca de justificações disparatadas para a nossa estupidez.
Tentar outra vez. Falhanços esquecidos, perdões garantidos pelas desculpas de conveniência que o ego sabe sempre providenciar. Esquecemo-nos de amar, no meio da confusão. De estar presentes sem apresentar facturas das nossas amarguras provocadas sem querer.
Esgotamos a paciência em exercícios inócuos de esgrima mental e a única resposta é tão simples de descobrir.
Mas as nossas contas, tão complicadas, são sempre de sumir.
Publicado por sharkinho às 09:32 PM | Comentários (4)
BOCA DO INFERNO

Escuto o vento e vibro por dentro com o arrepio desse calor. Intermitente, ofegante, o sopro que me agita os cabelos à sua passagem, o prazer de uma aragem que anuncia a tua presença em mim. Distante, mas logo ali.
A brisa do levante na minha garganta, o som que me encanta, os pássaros anunciam estridentes mais um dia a morrer. E eu a tremer, pela iminência da acalmia, escuto o vento que há pouco gemia como se temesse parar de soprar.
Enche-se o peito do céu com a fúria desvairada de um furacão, a tua emoção tempestuosa, na boca das nuvens um grito que impeço de soar. A minha mão na tua boca e o vento entre os dedos, tão quente, escapa imprudente para a periferia do meu coração.
O desejo reanimado pelo sopro encantado de um suspiro teu, guloseima. Para o meu corpo que teima em quedar-se inerte nas rochas, alheio ao frio, cativo da imaginação soprada e pelo vento transportada até junto de mim.
Sentada a meu lado, feliz.
E eu sonho acordado pelo vento despertado pelas palavras que lhe sussurras, ao nosso carteiro secreto que agita os arbustos ali atrás. Sei que sou capaz de te decifrar em cada mensagem escrita na folhagem em forma de som. Identifico-o sem custo, o tom, e interpreto a melodia empolgante que me soa a tua voz.
Existe em nós um vento interior que sopra rebelde com a força do amor.
E eu sinto-me atraído pela fúria de um tornado de Verão.
Para os braços feitos asas da emoção descontrolada que te reclama, marioneta arrastada em espiral pelo louco vendaval da minha paixão insana.
Publicado por sharkinho às 11:48 AM | Comentários (4)
julho 03, 2006
A POSTA QUE SABIAM
Na verdade, tudo aquilo que se sabe não passa ainda de um rumor. Agimos com confiança, tomando como certo cada pedaço da escassa informação que somos capazes de digerir.
Contudo, arrotamos ignorância como uns alarves no preciso instante em que nos deparamos com o conteúdo das nossas certezas inabaláveis (mas mancas na interpretação subjectiva, que o problema está sempre em nós), e descobrimos, entre golos ávidos de água com gás da marca Evidência, que afinal a vida como a pensamos é apenas um boato que só nos é desmentido à beira do suspiro final, tarde demais para remediarmos o problema.
Publicado por sharkinho às 09:42 PM | Comentários (4)
A POSTA PARA A MAR

Foto: Shark
E esta, Mar, meu elemento natural, dedico-a a ti, na qualidade de protagonista do dia em que a tirei e que foi, seguramente, um dos dias mais bem passados da minha vida.
Publicado por sharkinho às 03:12 PM | Comentários (2)
SÓ PARA NÃO HAVER CONFUSÕES
Para quem ainda não tenha percebido, e isso nota-se pelo teor de alguns comentários aqui no charco, a Mar já não escreve neste blogue. Devem pois, os que procuram prosa dela, dirigir-se ao seu blogue individual, aqui.
Por outro lado, e porque neste blogue foi bastante alardeada a nossa relação emocional, é também natural que se desmistifique o pressuposto da sua existência nesta altura para que não se mantenha uma “colagem” entre nós os dois que já não se justifica.
Somos bons amigos.
E nada mais.
Publicado por sharkinho às 12:36 PM
CANDEEIROS É QUE TÁ A DAR

Foto: Shark
E este é para ti, Saltapocinhas.
Publicado por sharkinho às 11:57 AM | Comentários (4)
A POSTA NA FOTOGRAFIA
Foto: Shark
Esta é para ti, Carla. Boas "férias" e volta depressa!
Publicado por sharkinho às 11:56 AM | Comentários (2)
A POSTA NA FOTOGRAFIA

Publicado por sharkinho às 11:36 AM | Comentários (10)
PELA MEMÓRIA COLECTIVA

Há coisas que a gente não pode ver só sob o prisma da ideologia. O regime salazarista cometeu excessos e esses não constituem mais uma panca exclusiva de comunas. Houve malta presa e torturada para chibar os amigos. Não se faz. Não pode voltar a acontecer neste país. Nem aos de esquerda, nem aos de direita. É uma violência, um abuso de poder intolerável.
E a porra é que aconteceu. Não há volta a dar e não há como passar um apagador nos exageros de quem se sentiu legitimado para ir longe demais na defesa de um poder, de qualquer poder. Eu friso esta questão: sou de esquerda mas nem é preciso invocar essa tendência para não admitir a possibilidade de portugueses voltarem a passar por este tipo de merdas hediondas.
A democracia dá-nos a liberdade e os meios para defendermos aquilo em que acreditamos, por muito estúpidas que as nossas crenças possam soar a quem vê a coisa completamente do avesso. Isso faz sempre mais sentido do que entrar pela casa das pessoas, vasculhar-lhes os pertences e arrastá-las para um buraco qualquer só porque pensam diferente e agem de forma incómoda para os interesses instalados em dado momento da História.
É que os interesses mudam, os ditadores caem das cadeiras, as revoluções e os golpes de estado acontecem, a malta vota ou pensa diferent