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agosto 15, 2006

A POSTA NA HISTÓRIA DE UM AMOR SEM FIM

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Foto: Shark

Olha para mim como se eu fosse aquele fim que os teus meios justificam por ser o mais feliz. Faz de nós a tua história mais sentida, o melhor da tua vida naquilo que tenho para te dar.
Um homem a corpo inteiro, amante companheiro, a tua escolha acertada quando o desejo ou a carência se sobrepõem a todas as coisas do mundo que prometo obliterar da consciência de ti. Parado, à espera que regresses comigo de um espaço e de um tempo vividos a dois.

Olha-me depois, com a certeza absoluta de que esta paixão impoluta é feita de tudo aquilo que se quer. Entre um homem e uma mulher, unidos na carne pela alma que fundiram na cama que partilham e na vida onde sem o outro nenhum deles se revê.
Aquilo que se lê nesse teu olhar convicto, no teu amar restrito aos momentos que me incluem. Essa mensagem que me fornece a corrente e me oferece de repente a vontade e a força para te provar o quanto estou próximo de ti. Dentro, se possível.

Conheço-me imprevisível mas aposto na minha persistência, pois a nossa consistência desafia as suas ameaças, olhos nos olhos, os teus e os meus, inabalável no que melhor a confirma. Indestrutível, também pelo teu lado. Quando se sente ameaçado reages com a fúria de leoa, um rugido que ecoa quando me agarras pelos cabelos e te vens sabendo-me teu como afirmas sempre que lutas. Nos momentos em que disputas um lugar que te pertence e nada te convence do contrário, sobretudo quando analisas atenta tudo aquilo que o meu olhar te diz.
E as minhas palavras também.

Mais o corpo que não me deixa mentir, seduzido. Sente-se atraído pelo toque que não estranha, a pele que a minha boca banha com beijos húmidos. Liquefeitos em instantes perfeitos de sintonia, o coração que se arrepia com a sensação indescritível que a nossa intimidade produz.
Não perdes o norte à nossa relação forte porque te guio com a minha mão, não alumio apenas os perigos que deves evitar, estou pronto para os desafiar em tua defesa. A minha firmeza é feita do poder que só o amor a sério confere. E tu és uma mulher que justifica qualquer guerra, no mar ou em terra, no céu para onde me transportas sempre que demonstras o teu empenho na minha presença a teu lado. A toda a hora, afinal, mesmo inibida pelo medo que te possam causar as minhas limitações.

Se algum dia vacilei foi apenas porque me sei incapaz de corresponder à tua altura. Esta paixão que tanto dura padece de um calcanhar de Aquiles, sempre que me perfiles com os príncipes encantados que nunca conseguirei igualar.
Aquilo que sei falar é o que vales para mim e a medida dessa importância assume natural preponderância em tudo o que faço para ti.

Como esta posta que escrevi, contigo na ideia, para nos perpetuar.
Foi escrita na areia mas nem tu, as marés da tua memória, nem o tempo, as ondas da nossa história, conseguirão algum dia apagar.

Publicado por sharkinho às agosto 15, 2006 06:05 PM

Comentários

Há amores escritos nas estrelas. Que existem, muito para além do tempo e do espaço que conhecemos. Há dimensões onde esses amores se fazem, crescem, se constroem, se fortalecem, não visíveis a olho nu porque paralelas às vidas comuns que levamos no dia-a-dia.
Há seres humanos que têm o raro privilégio de os experimentar. E essa é uma marca que transportam consigo, perene, para onde quer que a vida se encarregue de os levar. São especiais e apenas se reconhecem entre si. E são felizes.

Publicado por: Mar às agosto 15, 2006 08:46 PM

É uma espécie de twilight zone do amor, não é? Tão fora do comum, neste tempo feito de afectos artificiais, que até parece ficção científica.
Definiste isso de uma forma bonita, Mar.
Vê-se que percebes da cena... ;)

Publicado por: sharkinho às agosto 16, 2006 12:12 AM

O que estava escrito antes do Tempo/Espaço, não será nunca alterado, por Homem nenhum.

Por isso, perdurará para sempre. Até para além da eternidade

Publicado por: semnome às agosto 16, 2006 12:39 PM

É agradável, no contexto do que escrevi, ver as coisas dessa forma. Mas olha, semnome, que a ideia de nenhum homem conseguir alterar seja o que for do que conste de uma predestinação qualquer soa-me reducionista do nosso papel na existência.
Se está tudo escrito, para que movermo-nos sequer? ;)
O que não invalida o que disse antes: do ponto de vista romântico, o conceito de eternidade é um must.

Publicado por: sharkinho às agosto 16, 2006 11:09 PM

É o meu primeiro comentário num blogue do género. Este será o segundo. E, foi, exactamente e unicamente nesse contexto, que eu escrevi o que escrevi. Penso que estava a falar para mim própria. Facto pelo qual peço desculpa. Mas, gostei do que li. Mais do que gostei... fiquei tentada.
Sobre o ponto de vista existencial do Homem, para me não alongar em demasia, o Homem sempre pode e deve, mudar o curso das coisas. Se o não faz, devia-o fazer e unicamente num sentido: o da Verdade e o da Justiça. Nada o impede de o fazer. Só ele se impede a si mesmo.
No que toca ao AMOR ou a um Amor assim, pode bem ser como eu digo. Mas... Peço perdão por me ter "envolvido" mas tocou-me muito o que li. Prefiro acreditar, num amor assim.

Publicado por: semnome às agosto 20, 2006 12:43 AM

Fico, claro, agradado por te teres estreado aqui em matéria de blogues do género. Não sei a que género pertence o que construo aqui, mas adianto-te que o texto que leste e comentaste não é ficcionado.
Daí, podes acreditar num amor assim. Existe e manifesta-se.
Quanto ao caminho que indicas, o da Verdade e o da Justiça, é um caminho que me soa muito bem. Ainda que as minhas imperfeições toldem aqui e além o norte dessa caminhada. O tal auto-impedimento que referes, espelhado nas tais escolhas (as poucas) que podemos fazer...
Não tens nada por perdoar. O envolvimento é suscitado, sempre que anexamos ao nosso trabalho uma caixa de comentários aberta.

Publicado por: sharkinho às agosto 20, 2006 11:16 PM

Terceiro e provavelmente último comentário. Não que tudo o que li que o sarkinho escreveu, desde que li "A Posta na História de um Amor sem Fim" e "Só Para Ti", não me mereça uma profunda mais do que admiração e sim, uma enorme surpresa por existirem pessoas assim, mas talvez, porque afinal, não tem a haver comigo. Mas, podia ter. Porque eu acredito exactamente, nesses dois textos e no que eles têm escrito. E, como diz o sharkinho (não é ficção) ainda bem. O que eu não sabia é que existia outro "amor" assim.
Por isso fiquei tentada a participar, levemente.
Devorei tudo quanto escreveu. Pelo menos o que esteve ao meu alcance. E, penso que o entendo.
Desejo sorte em tudo e principalmente nesse Amor Universal que transporta dentro de si. desejo-o vitorioso, como se fosse para mim mesma.
Despeço-me (não sou muito dada a este tipo de exposição) e também não muito pratica ou sábia, entendida, nestes assuntos, de blogues e não só. Net.
Mas entendi que devia dizer-lhe algo. Mais ou menos. Isto é tentar explicar a minha intrusão, no seu espaço. Mas não tenho qualidade para ficar.
Foi esse AMOR que me chamou à atenção. Por nele acreditar.
Felicidades para o Sarkinho.
E, já agora, em tudo o que lhe li, não lhe vi imperfeições e sim o retrato da "alma" do "ente" daquilo ou da única coisa boa que o ser humano transporta dentro de si.
Por isso, faço votos, para que nunca deixe de ser quem é. Dou-lhe uma sugestão, que já recebi de algumas pessoas. Enquanto existirem pessoas assim, talvez nem tudo esteja perdido.

Com carinho da semnome. Até sempre!

Publicado por: semnome às agosto 21, 2006 10:52 PM

É claro que terei saudades destes seus comentários, Semnome, pois é inegável que as suas intervenções foram agradáveis e pertinentes.
Mas entendo a sua posição e resta-me esperar que continue a passar pelo charco em busca das referências que aqui espalho das emoções que me movem.
Sempre que sentir o impulso de intervir não o contrarie.
Será bem vinda a sua presença e saudado o seu regresso.

Até sempre, sem dúvida.

Publicado por: sharkinho às agosto 22, 2006 12:19 PM

Esta história que li, foi uma das coisas mas profundas... gostei, já vivi tudo isso que falas e passados tantos anos, sinto a mesma coisa. Tremo enquanto escrevo e só não choro por vergonha...

Publicado por: Rosy Mary às maio 31, 2007 10:05 AM

(Vergonha é não sentir...)
Fico feliz sempre que consigo escrever emoções.
Obrigado, Rosy Mary.

Publicado por: shark às maio 31, 2007 11:19 AM

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