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agosto 29, 2006
VOO 93

Foto:Shark
Vi hoje e fiquei impressionado. É um filme, mas parece um documentário. Sem aquele espírito “top gun” que caracteriza os épicos modernos de Hollywood, a película fala de cobardes e de heróis, de gente normal encurralada pelo destino a bordo de um avião da United Airlines. O único que não atingiu o seu alvo no dia 11 de Setembro de 2001.
O filme fala-nos de factos e de emoções. De desespero, de medo, de coragem e acima de tudo de fé. A fé em nome da qual quatro jovens arrastaram consigo para a morte os restantes passageiros e a tripulação de um avião que desviaram da rota para com ele atingirem o Capitólio.
Seriam, de acordo com os registos sonoros desse dia funesto, os próprios passageiros e as hospedeiras sobreviventes a impedirem o voo 93 de terminar como os que atingiram o World Trade Center e o Pentágono.
O filme tenta reconstituir os eventos de forma factual, quase jornalística. As emoções, bem presentes nos últimos instantes de uma longa-metragem cujo final todos conhecemos, são as que se adivinham em tais circunstâncias. O terror de quem se despede dos seus e de si mesmos, pessoas de todas as idades, pouco antes da tentativa desesperada de retomarem pela força o controlo da aeronave condenada.
E de repente o fim, para todos os ocupantes daquela barca do inferno. A tensão numa sala de cinema onde o silêncio denunciava o nó na garganta de quem (todos os presentes) tem a consciência de que podia acontecer a qualquer um de nós e que seríamos igualmente impotentes para evitar o trágico desfecho que a História registou.
Uma infâmia para uns e uma estranha forma de glória para outros. As mortes, todas elas, inevitavelmente desnecessárias.
E as que continuarão a acontecer na ressaca violenta daquele ponto de viragem para o mundo tal como o conhecemos até esse dia.
O mal à solta e as vidas anónimas ceifadas à bruta em nome de um falso pretexto, pois Deus algum pode encontrar na morte de inocentes (ou de culpados) a solução seja para o que for.
Mas isso já sou eu a opinar. O filme é seco e cru no que respeita a considerandos de natureza ética, religiosa ou moral. Cada um tira as suas conclusões, enquanto no ecrã, a bordo do avião em queda, todos rezam ao Deus que lhes alimenta a fé. O medo em todos por igual, o absurdo.
Dei por bem empregue o meu tempo. E recomendo sem hesitar a quem goste de cinema feito para nos agarrar à cadeira e nos transportar para o drama diante do nosso olhar.
Sabemos antecipadamente o fim deste Voo 93.
E ansiamos que nunca venham a existir pretextos para futuras sequelas.
Publicado por sharkinho às 01:27 AM
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agosto 27, 2006
ALENTEJO LITORAL



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 10:39 PM
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GENTE QUE BLOGA - São Rosas

Foi a primeira pessoa, das que blogam, que conheci na versão analógica. Foi também quem organizou o meu encontro blogger de estreia, magnífico, no decorrer do qual pude confirmar que se trata de alguém fora do comum.
Claro que bastaria uma visita à Funda São (o blogue) para ficar espantado com a desenvoltura com que o sexo é mimado todos os dias naquele espaço onde prevalece o bom humor.
São (mesmo) Rosas as cores com que se fazem acontecer de uma forma original e despudorada (sem falsos pudores) as cenas explícitas ou implícitas de um assunto que, afinal, está sempre na moda e interessa abordar qualquer que seja o tom.
E o daquele blogue, embora demasiado hardcore para a maioria das sensibilidades, pauta-se por um “não sei o quê” que filtra os tradicionais labregos que costumam assentar arrais onde lhes dê o cheiro a gaja fácil.
Mas dá-se ao respeito, esta São que acolhe a poesia com a mesma alegria que nos transmitem as ilustrações em catadupa nos posts como nos comentários ou as anedotas e cartoons que debocham na boa com o lado castiço e brejeiro da sexualidade que todos deveríamos cultivar com frequência.
E tudo isto, com a Gotinha a funcionar como uma parceira perfeita e diversos colegas a colaborarem no blogue individual mais colectivo de que há memória, acontece n’A Funda São.
É um blogue ímpar, impossível de imitar. Arrojado, divertido, “escandaloso”, alterna textos sublimes com paródias “de partir o tarôlo”.
E a mentora, pessoa que me deixou uma inesquecível impressão (rima com…com… confuSão, não é?), tem uma estrica para blogar que bate certo com a que pude observar no dia em que conheci a croma.
Será sempre uma referência para mim nesta comunidade que se faz de gente de todos os tamanhos (a São não desdenha minorcas mas prefere XXL) e feitios.
Vão-lhe ao blogue já, eu sei que ela deixa. Mas não se esqueçam de levar o BI, o boletim de vacinas e uma mente (tem que se começar por algum lado) bem aberta.
Aquilo é mesmo só para maiores de idade, vacinados/as contra o preconceito e apreciadores/as da melhor fruta.
E termino com uma rima. É de morrer a___________.
Se forem lá num instantinho, estou certo de que saberão completar a frase.
A Funda São é o Googléu (um google com as maminhas ao léu) e tem o motor de busca na zona da_______.
Vão lá que encontram de certeza.
Publicado por sharkinho às 12:38 AM
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agosto 26, 2006
A POSTA PRA VER

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 07:32 PM
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agosto 25, 2006
OS BRAVOS DO PLUTÃO

Nem sei bem o nível de autoridade que possuem para despromoverem assim um corpo celeste. Porém, agradou-me o relativo arrojo do grupo de cientistas que acaba de determinar que o longínquo Plutão não se encaixa naquilo que se define como um planeta.
Conhecendo a tradicional renitência da comunidade científica em desdizer-se desdizendo os seus pares, entendo a dificuldade desta opção. Logo numa altura em que a Imprensa ia somando parangonas acerca da descoberta de “mais um planeta no sistema solar” (acho que já ia em doze), implicando a projecção mundial dos respectivos “descobridores” e a sua “imortalização”, vem esta rapaziada dar cabo dos Atlas e das cartas astrológicas com a sua posição sobre a matéria.
De repente, Plutão não passa de um anão. E os outros minorcas que os telescópios descortinaram no meio de um espaço forrado de luzinhas (gosto desta expressão, tão fofa) adquirem agora o estatuto de calhaus de segunda enquanto Neptuno passa a planeta-vassoura das (agora) oito vedetas do nosso sistema solar.
É uma autêntica revolução e adivinha-se o sururu no seio de uma comunidade de carolas cuja inteligência cristaliza muitas vezes na teoria do facto consumado que não os obriga a refazerem os cálculos e os pressupostos.
É destes bravos gestos que se faz o progresso da Ciência em particular e da Humanidade por tabela. Os putos podem abandonar a mnemónica do cão do Mickey para fixarem o nome do nono calhau a contar do Sol e os astrónomos que andavam a acumular planetas mais pequenos do que algumas luas vão tirar o cavalinho da chuva. De ora em diante não lhes bastará toparem uma pedrita em órbita da nossa estrela bronzeadora para se armarem ao pingarelho. É pegar na fita métrica e ver se o pedaço de rocha não passa afinal de um reles meteoro com motor de 50cc.
Nem mais, rapaziada. É acabar com esta balda planetária, “olha ali um!, olha ali outro!”. Ponham os olhos em Júpiter, esse colosso capaz de levar meia dúzia de pedradas de um cometa que reconduziriam esta nossa merdita azul ao saudoso tempo das criaturas unicelulares na boa e é como se nada fosse, mais cratera menos cratera.
Bem vistas as coisas, e por comparação, Mercúrio, essa caganita fervente, só se safa por ser um vizinho próximo da malta senão era logo: cresce e aparece ó berlinde da treta que isto de ser planeta não é para qualquer bolinha.
É assim e tem mesmo que ser. Há que pensar estas coisas e redefinir os critérios para não ser tudo à brava. Se não tem as medidas oficiais, bute com eles para as páginas secundárias dos manuais. A comunidade científica tem mesmo que se manter atenta a estes assuntos prioritários e gastar a massa em objectivos à altura da desmedida ambição humana.
Nem percebo como é possível andarem algumas aventesmas com cérebros tão porreiros a esbanjarem neurónios em cenas como a cura para o cancro, o fim da fome no planeta Terra (sim, nós somos um big rock, planeta de pleno direito) e fontes alternativas de energia e tal.
First things first.

Publicado por sharkinho às 11:54 AM
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agosto 24, 2006
CADA UM TEM...
...Os Heróis que merece.

Ernest Hemingway
(21/07/1899 - 02/07/1961)
Publicado por sharkinho às 06:10 PM
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SEM SAÍDA

Foto: Shark
É impossível encontrar uma saída airosa para a maior das emoções.
Quando acaba, se for intenso e genuíno, seja qual for a consciência que tenhamos ou os motivos reais para justificar-lhe um fim, não há fuga possível ao vazio que se instala e nada consegue preencher.
As nossas culpas, as de terceiros, nem mesmo os desígnios divinos colmatam com explicações desnecessárias uma perda que sentimos irreversível, quaisquer que sejam as circunstâncias que a provoquem.
A nossa felicidade fica sempre comprometida perante as dúvidas, as mágoas, os remorsos, os desprezos até. E acima de tudo pela saudade. De quem se amou ou apenas, egoísta, da força e da beleza da emoção que se sentiu e nunca será repetida ou reproduzida na íntegra.
Ninguém resiste incólume à extinção de uma violenta paixão, ao frio interior que resta quando um amor chega ao fim e temos a noção dessa realidade maldita, enfrentamos a desistência de um compromisso que se firmou mas um dia deixou de valer a pena.
Impossível de contornar, tudo isso mais o colapso (sempre) prematuro de algo que desejamos eterno, imortal, utopia.
Por isso, e por quanto possa soar paradoxal ou fatalista, a única garantia de um final verdadeiramente feliz para um grande (grande) amor é a morte de quem o viva.
Publicado por sharkinho às 12:57 PM
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agosto 23, 2006
A POSTA NOS CROMOS



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 09:34 PM
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A POSTA CO-INCINERADA

Foto: Shark
Como qualquer pessoa que preste alguma atenção a noticiários televisivos, tenho tido acesso a muitas palavras acerca da controversa co-incineração que volta a estar na ribalta nesta altura.
O problema pode (deve) ser abordado de muitas formas, sobretudo se tivermos em conta as populações que terão de viver com o assunto paredes-meias.
Existe a questão ecológica e nem essa parece consensual. Existe a questão político-partidária e explica o vigor de algumas reacções.
Contudo, existe sobretudo a questão agora levantada em Souselas, nomeadamente a legislação camarária que tenta inviabilizar a decisão estatal, e que concentra para já a minha atenção.
Estes braços-de-ferro políticos nunca são isentos de repercussões, pelo que constituem de precedente. De um lado temos uma autarquia empenhada em rejeitar a solução que a envolve directamente num processo com alguns contornos polémicos e até difusos (e todos sabemos que ninguém pode facilitar em matéria de saúde pública). Do outro temos o Estado (ou o Governo, pois o Estado no seu todo também abrange as autarquias visadas nesta situação) a impor a alternativa que considera mais adequada, tanto na forma como na respectiva localização.
Aqui nasce a razão do meu temor. Depois de ser definida pelo Governo a versão definitiva da co-incineração lusitana, uma das autarquias que albergam os pilares do processo emite legislação que inviabiliza na prática a concretização do que o Governo decretou.
Alguém terá que perder esta batalha. E depois?
Depois temos um Estado enfraquecido na sua capacidade decisória, caso os “rebeldes” consigam efectivamente sobrepor os seus interesses locais aos que a decisão governamental enfatiza. Ou temos um Estado gerido por uma maioria absoluta naturalmente mais arrogante e coerciva na abordagem a este tipo de questões, caso o primado do interesse nacional sobre os direitos desta ou daquela localidade consiga vingar de uma forma ou de outra (como acredito acontecerá).
E resta-nos apenas esperar que a coisa não ultrapasse o campo da ginástica legislativa, pois existem exemplos pontuais de como estas teimosias degeneram em conflitos que resultam sempre em prejuízo do cidadão comum.
Custa-me pender para qualquer dos lados intervenientes na disputa, não apenas porque a informação de que disponho é incapaz de garantir (ou de desmentir) a validade da opção em causa mas também porque me preocupam acima de tudo as perdas que podem resultar de um excesso de zelo na aplicação de medidas tão controversas.
Se a decisão estatal for bloqueada pela tal proibição de circularem veículos com cargas perigosas na zona de Souselas (sem acessos, só por helicóptero) teremos a burra nas couves pelo que isso implicará em circunstâncias análogas no futuro. E se, por outro lado, o actual Governo impuser a sua força, por via legislativa ou pior, teremos aberta a porta para a ditadura da maioria e nenhuma localidade deste país ficará a salvo de decisões enérgicas mas eventualmente erradas que as possam lesar.
Por tudo isto, entendi relevar a evolução do assunto no que respeita a este desafio ao que o poder representa. Decisões, mais do que importantes são inadiáveis no que concerne ao tratamento dos detritos que o país produz. E se calhar a co-incineração até constitui uma opção acertada.
Porém, o simples facto de existir uma oposição tão obstinada à concretização prática do que a legislação preconiza faz pressupor que não se trata de uma opção sem reservas ou ameaças potenciais para quem a terá aplicada nas suas traseiras. É mais sério do que possa parecer, este receio manifestado pela população de Souselas e que constitui afinal a única justificação (e o único sustentáculo) plausível para o endurecer das posições dos seus líderes locais.
Ganhe quem ganhar esta disputa, suspeito que no saldo final teremos todos qualquer coisa a perder.
Publicado por sharkinho às 12:26 PM
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agosto 22, 2006
A POSTA BANCÁRIA



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 06:06 PM
DEIXO-ME ESTAR

Foto: Shark
Deixa-me percorrer o teu corpo como uma estrada sem fim, calcorreada por mim à procura de nós, apenas guiado pelo som da tua voz. Um destino tatuado no caminho traçado pelos contornos desse horizonte que desenhas no ponto onde se aconchegam os meus olhares embevecidos.
Deixa-me cerrar as pálpebras para estimular outros sentidos, tactear às cegas com o palato a mensagem sonora na tua boca, pontuada pelo ritmo crescente do bater do teu coração. Sinais de fumo na evaporação do suor que tento arrefecer com um sopro de amor, na brisa que os meus lábios libertam quando te ofereço num murmúrio as palavras que não consegues dispensar.
Deixa falar esse corpo que percorro em busca de socorro para o desejo que se apodera de mim como uma aflição. Beijar a tua mão, princesa, quando te exprimo a certeza de que reconheço este percurso como a palma da minha que te aplaude em surdina enquanto passeia à deriva por todos os teus pontos cardeais. Rosa dos ventos, no carinho desses momentos em que te toco de raspão com o fósforo que incendeio, pontas dos dedos, o fogo que ateio nos pelos eriçados, selvagem, que despertam alvoraçados pela passagem subtil desta emoção que te transmite a minha mão quando te sonda devagar.
Essa boca para beijar, oxigénio, salvação. Falta-me a respiração, o ar rareia no cimo desse teu peito a que me agarro com medo de cair para o abismo que a tua ausência produziria, decerto mergulharia para a minha morte emocional.
Finco-me num ponto seguro para lutar por um futuro na terra natal em que te transformas quando regresso ao lar que construíste para nós, mesmo à beira de uma escarpa que desafia o meu olhar quando espreito pelas janelas que a tua paixão abriu.
Foi a vida que me sorriu, tardia, no instante em que oferecia a um viajante desnorteado esse rumo acertado num cruzamento feliz.
O instinto que me diz sei bem para onde vou.
Perder-me em ti para saber onde estou.
Publicado por sharkinho às 04:01 PM
VACANCES DO ESQUALO 3




Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 11:42 AM
agosto 21, 2006
A POSTA QUE NÃO SABEMOS DE QUEM ELE ESTÁ A FALAR

Foto: Shark
De vez em quando gosto de fazer uma incursão pelo tema Blogosfera. Bem sei que pouco interessa a quem não avalia esta realidade sob o prisma de quem a constrói. Mas para quem se integra no grupo dos que fazem acontecer, existem tópicos que nos tocam de forma mais notória.
Isto a propósito de algo que li no espaço do Weblog.pt, nomeadamente numa discreta referência à criação de uma listagem editada do Blogómetro (um medidor de “audiências”). Para resumir, os editores desta listagem decidiram criar duas em paralelo, uma com “tudo ao molho e fé em Deus” e uma outra, a nova, onde sob critério dos editores são eliminados, por exemplo, os blogues de cariz pornográfico.
Mas não é essa a questão que move estas palavras e sim um comentário do Ognid, do Catedral, a propósito dessa inovação de utilidade ainda por comprovar mas reveladora de um novo empenho por parte de quem gere esta plataforma. E reza assim a parte que prendeu a minha atenção:
Não me aquece nem me arrefece nada disso. Se os blogs mais vistos são os porno então devem estar nos lugares que ocupam pelas visitas que têm. Pior, muito pior, é quem utiliza métodos "menos limpos" para aumentar o número de visitas. E há para aí muitos, oh se há. Até dos mais "respeitáveis".
O Ognid, membro conceituado desta comunidade virtual, fala em métodos “menos limpos” para aumentar o número de visitas. Isto soa inconcebível, considerando o que está em causa. Só por vaidade descontrolada ou ganância bem direccionada passaria pela cabeça de alguém aldrabar os contadores. Mais: na parte da ganância, só para embarretar terceiros (eventuais anunciantes/patrocinadores) faria sentido proceder à vigarice em causa.
Mas o bizarro nesta intervenção é, e que o Ognid me perdoe, o discurso à Octávio Machado (vocês sabem bem a quem me estou a referir), trazido para a blogosfera pela voz de um dos seus protagonistas. O meu colega blogueiro lança uma acusação pública, uma “boca”, mas omite factos e nomes. “Muitos”, afirma ele sem os nomear, e “até dos mais respeitáveis” (não sei como se mede essa respeitabilidade, confesso), são vigaristas (penso que será o termo a aplicar, caso se verifiquem os pressupostos que o Ognid levanta com a sua intervenção).
O discurso do futebol, do “sistema”, entra assim na Blogosfera. E isso faz-me confusão. Gosto das coisas claras, com os bois chamados pelos nomes, com a coragem da denúncia levada ao único expoente que lhe confere alguma legitimidade e resultado prático. Assim, lançada ao ar a ver se alguém veste a carapuça, soa apenas como uma acusação leviana e despeitada que levanta suspeitas sobre os tais “muitos” dos quais, naturalmente, este espaço fará parte enquanto não forem identificadas as situações que permitem ao Ognid afirmar com tanta convicção esta certeza perturbadora.
E a perturbação resulta, para lá da tristeza implícita na suspeita em causa, da constatação de que existem de facto suspeitas acerca da verdade dos números expressos nalgum medidor que o Ognid não identifica. E essa falsidade resultará dos tais métodos “menos limpos” que desconheço mas gostaria de aprofundar (para entender até que ponto bate no fundo a consciência de quem bloga e alinha nesses malabarismos), aplicados por “muitos” dos até agora insuspeitos sucessos de popularidade neste jogo para crescidos que parece entrar num domínio muito “profissional”.
Isto, claro, se o Ognid puder provar o que afirma. Com factos, com provas inequívocas de que existe quem falseie os números. Para desmascarar os impostores, os batoteiros, e para todos sabermos o porquê da vulnerabilidade dos contadores em causa e exigirmos a respectiva correcção.
Acho que é assim que se faz e gostaria imenso de ver concretizadas (ou desmentidas) as acusações que o homem do Catedral deixou, como minas, na caixa de comentários do Weblog.
É que a gente gosta de saber o calibre das pessoas com quem lidamos, tal como na vida “lá fora”, e (pelo menos no meu caso concreto) não gostamos de nos ver num rol potencial de “muitos” que fazem não se sabe bem o quê nem para quê mas acima de tudo não se sabe QUEM está a fazê-lo e onde.
E isto não me ocorre por causa da suma importância dos contadores numa fase em que poucos extraem dividendos do seu trabalho publicado, mas porque me incomoda ver lançar suspeitas sobre toda uma comunidade (“muitos” é uma data de gente) sem avançar com algo de palpável para conferir legitimidade e substância à afirmação produzida.
Talvez o Ognid se sinta tentado a esclarecer melhor o teor do que acima reproduzi. Caso contrário, acho que ficamos conversados.
Publicado por sharkinho às 01:20 PM
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VACANCES DO ESQUALO 2




Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 12:43 AM
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agosto 17, 2006
FERNÃO CAPELO




Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 06:14 PM
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VACANCES DE ESQUALO



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 05:30 PM
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agosto 16, 2006
TONS DE VERÃO 3



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 11:15 PM
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agosto 15, 2006
A POSTA NA HISTÓRIA DE UM AMOR SEM FIM

Foto: Shark
Olha para mim como se eu fosse aquele fim que os teus meios justificam por ser o mais feliz. Faz de nós a tua história mais sentida, o melhor da tua vida naquilo que tenho para te dar.
Um homem a corpo inteiro, amante companheiro, a tua escolha acertada quando o desejo ou a carência se sobrepõem a todas as coisas do mundo que prometo obliterar da consciência de ti. Parado, à espera que regresses comigo de um espaço e de um tempo vividos a dois.
Olha-me depois, com a certeza absoluta de que esta paixão impoluta é feita de tudo aquilo que se quer. Entre um homem e uma mulher, unidos na carne pela alma que fundiram na cama que partilham e na vida onde sem o outro nenhum deles se revê.
Aquilo que se lê nesse teu olhar convicto, no teu amar restrito aos momentos que me incluem. Essa mensagem que me fornece a corrente e me oferece de repente a vontade e a força para te provar o quanto estou próximo de ti. Dentro, se possível.
Conheço-me imprevisível mas aposto na minha persistência, pois a nossa consistência desafia as suas ameaças, olhos nos olhos, os teus e os meus, inabalável no que melhor a confirma. Indestrutível, também pelo teu lado. Quando se sente ameaçado reages com a fúria de leoa, um rugido que ecoa quando me agarras pelos cabelos e te vens sabendo-me teu como afirmas sempre que lutas. Nos momentos em que disputas um lugar que te pertence e nada te convence do contrário, sobretudo quando analisas atenta tudo aquilo que o meu olhar te diz.
E as minhas palavras também.
Mais o corpo que não me deixa mentir, seduzido. Sente-se atraído pelo toque que não estranha, a pele que a minha boca banha com beijos húmidos. Liquefeitos em instantes perfeitos de sintonia, o coração que se arrepia com a sensação indescritível que a nossa intimidade produz.
Não perdes o norte à nossa relação forte porque te guio com a minha mão, não alumio apenas os perigos que deves evitar, estou pronto para os desafiar em tua defesa. A minha firmeza é feita do poder que só o amor a sério confere. E tu és uma mulher que justifica qualquer guerra, no mar ou em terra, no céu para onde me transportas sempre que demonstras o teu empenho na minha presença a teu lado. A toda a hora, afinal, mesmo inibida pelo medo que te possam causar as minhas limitações.
Se algum dia vacilei foi apenas porque me sei incapaz de corresponder à tua altura. Esta paixão que tanto dura padece de um calcanhar de Aquiles, sempre que me perfiles com os príncipes encantados que nunca conseguirei igualar.
Aquilo que sei falar é o que vales para mim e a medida dessa importância assume natural preponderância em tudo o que faço para ti.
Como esta posta que escrevi, contigo na ideia, para nos perpetuar.
Foi escrita na areia mas nem tu, as marés da tua memória, nem o tempo, as ondas da nossa história, conseguirão algum dia apagar.
Publicado por sharkinho às 06:05 PM
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NÁITE NO LUGAR DE PORTO COVO

Longe vão os tempos do campismo (muito) selvagem no matagal denso diante da Ilha do Pessegueiro. E das maluqueiras refrescantes na fonte do centro da praça. O Rui Veloso cantou bem demais o encanto de uma terra onde agora se pavoneia a roupa de marca em corpos super bronzeados, numa versão miniatura do Algarve multilingue burguês.

Permaneceu a fé mas desapareceram os indígenas, com as casas abarbatadas aos poucos por gelatarias, cervejarias e lojas de todo o tamanho e feitio.
O coração de Porto Covo transformou-se numa espécie de outlet com paredes caiadas, debruadas a azul.

Da magia das noites de Porto Covo, outrora silenciosas e profundas, restam agora pouco mais do que saudosas memórias que uma locomotiva chamada progresso remeteu para o som do esquecimento abafado pelas vozes da multidão que enxameia uma localidade que cresceu depressa demais.

Ainda assim, o apelo irresístivel de uma mão-cheia de recordações intensas de Verão arrasta-me com frequência para esta terra alentejana litoral.
Devolve-me à lembrança o Alentejo. (...) rumando sem passado nem futuro.
Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 02:04 AM
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agosto 14, 2006
TONS DE VERÃO 2



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 08:09 PM
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agosto 13, 2006
TONS DE VERÃO



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 10:49 PM
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agosto 12, 2006
A POSTA QUE SÓ COMES COM OS OLHOS
É uma das mais flagrantes distinções entre um homem e um chavalo. Quando toca a apreciar mulheres, os rapazolas desdenham à partida determinados “alvos de mercado”.
Só valem a pena as mais novas, gandas mamas e gandas cus, o resto são sacos de batatas com pernas que até estragam o horizonte visual destes pequenos aprendizes de labrego incapazes de verem para lá do que as suas vistas (curtas) conseguem alcançar.
Têm a tesão concentrada no olhar e cegam com o imponente mastro que enxergam no meio da testa, entre os cornos que tanto se esforçam por merecer. Não vêem boi e julgam-se verdadeiros entendedores quando falam das medidas certas para um corpo de fêmea que não passa de um corpo e a cena da fêmea é só para disfarçar.
Não é de mulheres que gostam, mas de ícones estereotipados que até podem ser tão másculos na mona como na… postura.
Eram capazes de enfiar a pila (e a língua, oxalá) na fechadura de uma porta, depois de a fita métrica (ou a balança) lhes confirmar a excelência do orifício numa óptica tridimensional.
Porque para estes atesoados visuais, uma porta não passa de um adorno utilitário e nunca lhes passaria pelas tolas embebidas em pus de borbulha olharem para a porta e observarem com atenção o que ela pode esconder por detrás. Porque o valor de uma porta reside precisamente naquilo a que a ela nos dá acesso, entrada ou saída, na riqueza do que encontramos depois de atinarmos com a chave certa.
Estes fedelhos sem vergonha partilharão (há sempre raparigas parvas ou distraídas) a vida com uma pessoa que envelhecerá, eventualmente engordará (talvez na sequência da violência que o seu corpo sofre para darem filhos a estes coirões) e é fácil adivinhar o respeito e a consideração que estes futuros velhos babosos lhes concederão.
Porque são mais estúpidos e insensíveis do que as portas que acima citei.
Uma mulher bonita e com contornos perfeitos pode ser tão interessante (na cama ou fora) como um artigo de jornal escrito por uma besta a granel. Um bocejo embrulhado numa casca reluzente, como um Ferrari com o motor de um Citroen dois cavalos.
Uma mulher madura, experiente, determinada, sem merdas, pode ser a protagonista da mais espectacular cambalhota ou do diálogo mais apelativo que um gajo experimenta na vida e em nada a sua idade, peso ou outras marcas da passagem do tempo ou de uma combinação genética aziaga contam seja o que for nessa dimensão da realidade que os meninos de escola nunca saberão entender. Na cama ou fora, uma mulher a sério mede-se pelo que dela transpira em sensualidade, em inteligência, num rol interminável de iguarias que estes pseudo-devoradores de comida enlatada não alcançam nem à chapada nos beiços sem tino.
Isto a propósito de um post que li no Controversa Maresia, onde tomei conhecimento de uma alarvidade por escrito praticada com o beneplácito dessa instituição da Imprensa nacional que parece empenhada em acolher toda a trampa que possa encher chouriço e sacos de plástico com papel. O Expresso transforma-se aos poucos numa Maria (vai cas outras) boçal e onde há espaço de sobra para estes Maneis com tanta aversão ao tecido adiposo exterior ao seu obtuso córtex cerebral.
E a malta paga para ler estes gemidos provocados pelos ténues movimentos peristálticos no interior da reduzida massa encefálica que depois os converte em gases feitos palavras que afinal também libertam odores.
Tresandam a disfunção eréctil, ejaculação precoce, masturbação intelectual e outros recalcamentos que a medicina já consegue atenuar e as remunerações auferidas por estes calhaus podem custear na boa.
Mas talvez umas palmadas bem assentes nos cuzinhos bebés pelas suas mãezinhas com corpos danone resolvessem o problema.
Publicado por sharkinho às 08:06 PM
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SEGUROS DE NÓS
Eu gosto da publicidade sincera. Como aquele anúncio de uma seguradora, por exemplo, em que se chama a atenção do consumidor enfiando-lhe uma flecha no cu, olha que barato meu parvalhão, mesmo sabendo que se calhar quando houver bronca leva uma flechada no coração…
Pelo menos assim ninguém pode dizer que não conhecia as armas com que se atingem os tolos. As mesmas que convertem os clientes em imbecis, figuras patéticas, potenciais compradores de uma merda qualquer que sendo (parecendo) uma pechincha só pode tratar-se de embuste ou de produto barato para gente palerminha e sem capacidade de decisão ou vontade própria.
Gosto acima de tudo quando as corporações desenfreadas se pegam umas com as outras e desatam a descobrir carecas. Os outros vendem a xis e a gente faz a coisa pela metade. Os outros têm aquilo a menos e a gente tem isto a mais. Os outros enganam o público e nós nem aderimos a esses esquemas. E por aí fora, connosco, os patos, a aprender nesses momentos como somos endrominados pela compra por impulso ou por preguiça. Uma flecha enterrada no traseiro, em cada prateleira ou catálogo onde deitamos a mão à pior opção só para não esbanjarmos o tempo nas necessárias análises e comparações.
Enfiamos os barretes mesmo quando se torna evidente que bastaria percorrer mais uns metros, mais umas páginas, mais não sei o quê que nos pouparia um prejuízo ou, no mínimo, uma enorme desilusão.
E o mesmo se passa relativamente às nossas escolhas em matéria de pessoas. Tanta opção ao alcance e tanta gente a embicar para as escolhas menos acertadas, impossíveis até. Apenas porque sim.
A flecha do Cupido, directa mas insegura, que nos tolda a perspectiva e nos arrasta para alvos que não podemos atingir. Os alvos somos nós, da nossa distracção que impede a visão clara e objectiva do que se passa à nossa volta e nos empurra como carne tola para o canhão dos desgostos evitáveis.
Claro que os há fiéis à marca, publicidade outra vez, encostam-se ao tronco mais próximo e deixam-se dormitar nas emoções falhadas à sombra da luz que tudo revela se não tentarmos encobri-la com uma peneira qualquer. Ou os que se sentem bem servidos e não pretendem experimentar incógnitas para (re)confirmar as suas decisões ganhadoras.
Na verdade existem sinais inequívocos que bastam para nos reencaminhar a chamada para outro número qualquer, disponível, onde se possa encontrar uma alternativa cabal do outro lado da linha em vez do sinal de ocupado que constitui sempre uma frustração.
A publicidade faz de nós o quer, como uma posta mal interpretada, e pode mandar-nos serradura para os olhos.
Mas não podemos ignorar as contra-indicações bem claras nas letrinhas pequenas da embalagem que nos (a)trai.
Publicado por sharkinho às 05:41 PM
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agosto 11, 2006
DEPOIS DISTO:

(Obrigado, Gotinha!)
NUNCA MAIS BEBO SAGRES.
Publicado por sharkinho às 06:09 PM
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A POSTA PRA VER



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 04:19 PM
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A POSTA SÓ PARA TI

Sabes que é a ti que dirijo estas palavras. Se calhar, alguns dos que lêem (porque não quero esconder) também presumem que és tu o alvo da homenagem que te rendo, mesmo sem preencher o espaço no envelope virtual onde constaria o teu nome em letras garrafais.
Mas a certeza absoluta só tu e eu poderemos invocar. Porque escrevo estas linhas em resposta a um gesto teu que me agradou e que me provou seres das poucas pessoas que se dão ao trabalho de me ler por detrás das minhas evidentes limitações. E sabes que só por condicionalismos que conheces ou adivinhas não te louvo com o dedo apontado à tua imagem que em muito construí pela força de tantas palavras tuas que li.
Nem sempre fui digno da tua confiança ou mesmo da consideração que alguns gestos teus manifestam. Sou aquilo que estou farto de me expor, inconstante, alternando como tantos o melhor e o pior. Sofrível, na média.
Mas sou capaz de valorizar as pequenas coisas que me oferecem como penhor discreto, impulso do momento, da fé que não perdem naquilo que sou também, nos bastidores da capa que me cobre tantas vezes com a cor da desilusão.
Quando menos espero, por que menos terei feito para o merecer, avanças voluntária com uma prova extraordinária da tua paciência, da inesgotável persistência com que apostas sem euforias na manutenção do que nos liga sem nos amarrar.
Coisas pequenas, candidatas a irrelevantes no teu contexto como no meu. Sobrevalorizadas por serem raras no rol de indiferenças que cada novo dia traz à (da) maioria das pessoas que sobrevivem atordoadas pela pressão. Sem tempo nem disposição para os pequenos quase-nadas que arrancam aquele sorriso impossível no meio de um tempo que nos alucina e afasta da importância, da extrema relevância dos mais insignificantes sinais que nos dão.
Sobrevalorização, assumida. E uma euforia contida pela necessidade de não dar azo a especulações desnecessárias, falatório, a reacções ilegítimas da parte de quem nada tem a ver com aquilo que se passar ou não entre nós. E também para não te intimidar com o espalhafato habitual que o meu entusiasmo infantil induz. Tenho os pés bem assentes no chão e não alimento fantasias.
Mas tinha que te dizer o quanto o teu gesto me agradou e esta é uma forma tão boa como outra qualquer e assim partilho com outras pessoas a minha alegria por saber que existe gente como tu, fora do comum.
E essas pessoas saberão por inerência que não são para elas estas palavras e terão a consciência de que existes algures e que o meu discurso deixa bem claro o quanto essa existência é especial para mim por algum motivo que só a nós interessa e entre nós ficará.
Fizeste toda a diferença.
Agradeço o sorriso que a tua interferência me ofereceu.
Publicado por sharkinho às 01:27 PM
OS DIAS DO TUBARÃO

Ontem foi um dia preenchido e multifacetado.
Confrontei-me, entre outros episódios, com o erro de palmatória de um chico-esperto, com o desmazelo reincidente de uma pseudo-amiga e com um gesto admirável de um mulherão.
Dias assim dão pica.
Mal posso esperar pelo que o de amanhã me reserva.
Publicado por sharkinho às 12:51 AM
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agosto 10, 2006
O CHARCO NO BLOGÓMETRO EDITADO
Lista feita em 2006-08-10 03:48:25.
Publicado por sharkinho às 06:07 PM
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A POSTA PRA VER



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 05:03 PM
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A POSTA NA BELEZA INTERIOR

Foto: Shark (foi só para afinar o zoom da máquina...)
Quando cheguei à mesa da esplanada onde as minhas duas amigas me aguardavam, o debate incidia sobre o facto de um pénis ser mais belo erecto ou em repouso.
Percebi de imediato que iria ser arrastado para um assunto onde a minha intervenção só poderia baralhar ainda mais as conclusões possíveis.
No meu caso concreto existia a certeza inabalável da ausência de um critério estético a propósito desse controverso rolo de carne que faz toda a diferença numa data de merdas mas que, no meu modesto entender, não prima pela beleza sob prisma algum.
A maioria das pessoas com as quais debati a mesma questão acerca da vagina e do seu impacto visual apontou invariavelmente no sentido de que “são todas iguais”. Nunca concordei, como é óbvio, e só mesmo quem nunca olhou com olhos de ver consegue afirmar tal coisa.
São todas diferentes e algumas bem bonitas até. Tem a ver com uma data de aspectos que não vou aqui referir para não me tornar exaustivo e estender-me num inacabável lençol.
Contudo, as minhas amigas falavam de pilas e aí já a minha porca torce outro rabo. É que embora seja evidente que as pilas não são todas iguais (a minha, como já referi, tem uma inclinação à esquerda e outras têm inclinação à direita, existem as que inclinam para cima ou para baixo e ainda há as que raramente inclinam seja em que sentido for), para mim são todas igualmente feias. Acho até que uma parte do corpo tão importante para a felicidade de tantas pessoas merecia ser bonita, deslumbrante.
Mas não é.
E foi isso que joguei sobre o tampo da mesa encharcada de cerveja entornada e da água que escorria do exterior dos copos de imperial. Desculpem lá, dizia eu, mas é inócuo discutir se o Quasímodo é mais ou menos horrível a dormir ou acordado.
É feio, ponto. E quanto a isso, batatas…
A primeira reacção delas foi consensual. Qual quê, qual feio, e porque assim e porque assado e cada uma tentou reproduzir em poucas palavras a sua convicção da beleza do penduricalho que fica tão bem na estatuária mas, tenham dó, surge a meio do corpo masculino como um apêndice sem nexo. Talvez ainda mais absurdo quando arrebita as orelhas e se assume como uma espécie de morcela com manias de periscópio.
(E aqui lixei-me, pois caçaram-me na manifestação de um pendor e assumiram-me a tomar partido pelo belo escalope ao pendurão em detrimento do encantador galho de pessegueiro que desponta à toa um nadinha abaixo do umbigo de uma pessoa).

A conversa ainda rendeu algumas tiradas que proporcionaram gargalhadas das que se gosta nestas ocasiões. Porém, até elas acabaram por se render em parte ao facto de, feio ama bonito lhe parece, uma pila só poder ser dotada de algum tipo de beleza interior, oculta, que nasce na cabeça de quem a usufrua de facto ou apenas o anseie.
Eu gosto da minha porque se tem revelado capaz no exercício das funções que lhe estão consignadas. Nunca por achá-la digna de figurar num álbum de fotografias ou de justificar alguma espécie de louvor ao quanto fica bem vista de perfil.
Ainda assim, gostos não se discutem e tal, fico sensibilizado com o carinho que o coiso inspira em quem até consegue admirá-lo por atributos que manifestamente não possui. É saudável e só dignifica quem aprecia dessa forma empenhada o todo de que qualquer parte se faz.
Mas falando de assuntos sérios, já repararam bem na conjugação perfeita dos elementos de que uma vagina é composta? A harmonia, a beleza discreta, a analogia tão fácil, à primeira vista, com um beijo quente e acolhedor, com um abraço terno ou com as flores que embelezam o mundo inteiro?
Isso sim, é um assunto acerca do qual vale sempre a pena trocar umas impressões.

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 12:39 PM
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agosto 09, 2006
UM GAJO PERCEBE
Que se está a tornar num empresário de sucesso (com tudo o que isso implica de bom e de mau) quando de repente deixa de ter tempo pra fazer a posta do dia em pleno mês de Agosto...
Mas será que esta malta não vai de férias?
Publicado por sharkinho às 05:21 PM
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agosto 08, 2006
DIÁRIO DE BORDO

Foto: Shark
Circunscrevo a custo o incêndio a bordo do corpo caravela que te circum-navega à bolina, vela latina enfunada pelo sopro ofegante do teu incandescente desejo suão.
Publicado por sharkinho às 08:37 PM
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A POSTA PRA VER



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 11:51 AM
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agosto 07, 2006
GENTE QUE BLOGA - MAR

Foto: Shark
É incontornável para mim, o linque da minha antiga sócia. São poucos os dias em que não visito o seu espaço, até porque a ligação emocional que mantivemos ao longo de um ano deixou rasto numa relação de amizade que não tem cedido aos sintomas normais das ressacas de uma alteração de figurino como a que a nossa ligação enfrentou.
A Mar prendeu a minha atenção pela sua escrita no Espelho Mágico e embora tenha diminuído a sua produtividade blogueira, continua a justificar essa atenção dos primeiros dias pois incluo muitos dos seus posts no que de melhor se escreve no feminino na blogosfera que tenho frequentado.
E tem sido uma indefectível do charco, gente da casa, ao ponto de já ter aqui postado ao longo de algum tempo.
Esta “rubrica” do Gente que Bloga serve para eu ir aos poucos constituindo os linques do charco e qualquer blogue da Mar fará sempre parte dos meus imprescindíveis.
Gosto da forma como bloga e é público que temos partilhado momentos especiais na blogosfera como fora.
Isso bastaria para a incluir neste lote dos meus “favoritos”. Contudo, visitem o Ponto sem Nó e estou certo de que encontrarão motivos de sobra para justificarem esta minha referência.
E outras, que certamente surgirão neste espaço.
Publicado por sharkinho às 12:29 PM
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AUTO-RETRATO
Hoje acordei assim:

(A foto é minha, na autoria também)
Publicado por sharkinho às 11:11 AM
AGORA VARREU-SE-ME...
Que nome se dá à tendência que as pessoas têm para usarem os outros como pretexto, como atenuante, como desculpabilização para os seus impulsos menos dignos ou menos suportáveis nas suas consciências?
Aquela cena do “se tu fizeste eu também posso fazer” e assim…
Publicado por sharkinho às 10:58 AM
A POSTA NAS ESCOLHAS VIRTUAIS

Foto: Shark
Às vezes parece que dá mais pica partilhar a nossa vida, as nossas impressões, com um grupo quase inteiramente anónimo que nos lê do que com pessoas que nos são próximas. É a sensação que isto de blogar nos dá, sobretudo quando comparamos o que damos de nós aos amigos e à família com o que preferimos divulgar por esta via.
Dei comigo a constatar que digo muito mais de mim nestas postas, a cada pessoa que me lê, do que pessoalmente, por email ou por telefone a quem considero amigo/a. E o fenómeno não é um exclusivo meu. Muita gente que bloga prefere investir o seu tempo num post do que a dizer o mesmo a alguém disposto a ouvir ou a ler as mesmas impressões em privado.
Julgo que é nestas alturas que entendemos o que valemos para os outros e o que os outros valem para nós. E por outros refiro-me às pessoas que temos como mais próximas, a quem não oferecemos tanto do que temos para dizer como a quem calha passar num blogue para nos ler.
Preferimos divulgar ao mundo em primeira mão tudo o que nos interessa, em detrimento das pessoas que deveriam estar destinadas a partilharem connosco essas palavras, esse pedaço do nosso tempo que optamos por esgotar diante de um teclado e de um monitor.
E é mesmo de uma escolha que se trata, pois enquanto blogamos não podemos comunicar de outra forma e damos connosco a fazer resumos apressados aos “analógicos”, para cumprir calendário, daquilo que depois explanamos à larga “para inglês virtual ver”. Dá que pensar em matéria do valor que as pessoas mais chegadas assumem na nossa consciência e na nossa vontade de darmos de nós. Porque damos mais aqui, a quem passa, a andarilhos que cruzam os nossos caminhos por coincidência e depois seguem à vida, não nos aturam as birras, as insolências, os desabafos e outras merdas que reservamos para o tempo que damos a quem nos quer bem.
O resto, preferimos blogar.
Para toda a gente nos partilhar.
Publicado por sharkinho às 12:49 AM
A POSTA TELEGRÁFICA
Detesto telegramas.
Publicado por sharkinho às 12:19 AM
agosto 06, 2006
CADA VEZ MAIS ALENTEJO


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 08:06 PM
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A POSTA OU TEIMA?
Sou pessimista. Ou pelo menos desconfiado o bastante para nunca ter nada como adquirido, mesmo depois de ter esse nada diante do nariz.
Por isso mesmo, é raro criar expectativas e quando as crio dou-me mal. O mesmo se passa com os planos para o futuro que acaba por acontecer sempre como o passado e o presente impõem.
Atrevo-me a sonhar, faz parte de mim, mas nunca fora do plano da pura fantasia. E até posso lutar pela concretização desse sonho, mas só acredito quando o vejo acontecer e não acordo com um beliscão certificador.
Gosto de sonhar acordado e isso obriga-me a confrontar-me a toda a hora com a realidade como ela é, sem grande margem de manobra para ilusões. As que perseguimos, imensas, e as que vivemos, escassas, quase nos passam despercebidas no meio da confusão quotidiana.
Tenho os pés assentes no chão em matéria do que acredito plausível, mesmo quando arrisco um devaneio qualquer. Nunca dou como certa a minha reacção e o mesmo critério se aplica às das outras pessoas (que nunca cessam de me surpreender).
Só tenho a morte por garantida e uma mão cheia de recordações que ela cuidará de apagar.
Tudo o resto é apenas pó que algum vento irá soprar um dia.
Publicado por sharkinho às 12:00 AM
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agosto 05, 2006
A POSTA SARAIVADA
Como poderão constatar na caixa de comentários da posta anterior, tenho um amigo fotógrafo (daqueles a sério). O que nos aproxima, como o péssimo feitio que partilhamos, é o mesmo que nos afasta. E os nossos caminhos cruzaram-se por acaso, devido apenas à lamentável coincidência de termos trabalhado em tempos na mesma revista e, ainda pior, em equipa por diversas ocasiões.
Isto para vos explicar o teor da nossa ligação cujos contornos transpiram do clima que o bacano cria de cada vez que intervém a meu respeito. A porra é que o gajo é bom na cena (já falei do assunto neste pasquim mais de uma vez) e eu não consigo deixar de lhe dar mais atenção do que merece e muito mais do que eu tenho para lhe dispensar.
Feito o intróito, passo a explicar a lengalenga que o fulano (Pedro Saraiva) debitou no seu enigmático comentário.
Por ironia do destino, o pouco que fizemos juntos saiu bem. Nem ele nem eu entendemos como nem porquê, mas as minhas palavras vestiram bem alguns dos seus excelentes momentos na publicação onde ambos desempenhámos diferentes funções.
Daí, agora que ele já é um artista que expõe e tudo e eu continuo o mesmo moinante com algum jeito para palavrar surgiu-lhe a ideia peregrina de me convidar para debitar umas prosas acerca de cada uma das fotos em exposição num local (magnífico) que vos referirei mais adiante.
Com todas as limitações e disfunções que a sua intervenção abaixo denuncia, o Saraiva é um fotógrafo que me prende a atenção. Gosto do que ele faz e sinto-me lisonjeado pela sua insistência numa parceria que, espero, pode proporcionar momentos agradáveis para quem lhe possa observar os resultados.
Logo que (à trigésima tentativa) eu consiga debitar textos que satisfaçam os elevados padrões de Sua Senhoria ao ponto de poderem acompanhar o seu trabalho exposto no número 17 da Rua das Pedras Negras (à Sé, em Lisboa), o Work&Shop que eles (ele e a sua sócia) criaram para acolher quem gosta de artesanato, fotografia e outras coisas dessas que a malta não dispensa, darei conta desse facto e depois vocês vêem se arranjam pachorra para ir dar uma vista de olhos na cena.
Até pode ser que sintam que valeu a pena.
Publicado por sharkinho às 11:45 AM
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agosto 04, 2006
A POSTA PRA VER



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 02:50 PM
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A LOUCURA DOS QUARENTA
Depois dos quarenta sofri, como julgo que aconteça com os outros machos da espécie, algumas transformações subtis daquelas que se instalam na nossa forma de ser e de estar como softwares marados, insidiosos e piratas, que aterram no disco sem darmos por ela.
Coisas pequenas, quase imperceptíveis no dia-a-dia, mas que influenciam bastante o comportamento de um gajo quando se manifestam de forma automática, involuntária, e assim nos apanham de surpresa.
Com a idade passei a sentir mais na pele as mudanças do clima. Variações bruscas da temperatura que antes eram inofensivas, começaram a fazer-se notar no meu esqueleto e acima de tudo na minha predisposição para determinadas actividades humanas. Como jogar à bola, um pouco mais complicado quando emperram as juntas.
Contudo, o “clima” assumiu igual preponderância. Passei a dar mais atenção às questões de pormenor, mais permeável a essas diferenças térmicas que um diálogo mais quente ou um ambiente propício podem proporcionar.

Foto: Shark
O envelhecimento (ou a maturidade, para quem preferir) desperta-nos para a vida que acontece nos detalhes. Das pessoas também. Um ombro desnudo, um olhar apelativo, uma indumentária especial. E a atitude, o empenho, a frase certa, o gesto adequado.
As pequenas coisas que de repente passam a fazer a diferença na subida ou na descida do mercúrio no nosso termómetro interior. Uma delícia, confesso, um gajo dar consigo a saborear estas cenas que antes passavam despercebidas no meio da gula desenfreada.
Tudo adquire uma nova dimensão, mais sensual. Como se em vez de emborcar a água aos golos pelo gargalo de uma garrafa, sedento, desatento ao diferente sabor que as águas assumem, me desse para absorver o líquido precioso gota a gota. Até ao fim, na mesma, mas empenhado na degustação como se esta constituísse uma forma de sede acessória, alternativa, indispensável, complementar.
A pele mais sensível, mais atenta às sensações. E a cabeça no lugar, confiante, livre dos medos e das vergonhas, dos anseios e das hesitações.
O clima que se cria em torno de uma dada situação. O charme, o calor, a calma necessária para aguardar o momento ideal que se constrói passo a passo, como um lego, sem pressa que torne despercebida uma fresta por onde o frio possa penetrar. A temperatura amena, com tendência a subir. Meteorologia rigorosa, como a que se aplica a um vinho de excelência para o apreciar melhor. A medição com os ouvidos, pelas palavras, com os olhos, pelos gestos e pelas expressões, e em certas circunstâncias, pela reacção epidérmica ao toque suave de uma mão.

Foto: Shark
A sensacional revelação de que a passagem do tempo não faz esmorecer o entusiasmo (tá bem, a tesão também…), antes o sublima e doseia nas devidas proporções. Quando é preciso (o entusiasmo), está lá. Atento aos tais pormenores, os estímulos insuspeitos, imprevistos, que nos fazem disparar a adrenalina. A graciosidade de um enrolar do cabelo nas pontas dos dedos, o botão desapertado na blusa, a lingerie criada por quem entende como é bonito um corpo de mulher e como um pedaço de tecido se transforma num motor de explosão. A ignição no nosso olhar encantado por miríades de impulsos agradáveis, o milagre da multiplicação da vontade mais um toque de serenidade que nos permite merecer pelo empenho tanta fartura de pequenas emoções.
Os preliminares de si próprios, anunciados aos poucos na subida gradual da atracção.
Aos quarenta, queremos que valha sempre a pena. Que seja sempre muito bom. Exigimos mais e melhor, de nós e das situações que queremos explorar, na cama sobretudo.
Perdemos, falo por mim, a paciência para catraias. As expectativas elevadas têm maior correspondência no comportamento felino de uma mulher madura, exigente, ela própria concentrada em potenciar os momentos especiais.
Trabalho de equipa, parceria, acontece a magia prolongada, a emoção despoletada desde o primeiro instante (quando se recebe o impacto visual de alguém que se preparou por dentro e por fora para nos agradar).
E o mais giro é que também funciona na perfeição quando o termómetro rebenta escaldado e mandamos as medições às urtigas, roupa espalhada pelo chão.
Não morre em nós a capacidade de resposta imediata, se tem que ser agora mesmo a malta pode entreter-se a “preliminar” depois, nem que seja numa agradável e bem disposta, mais atrevida, sessão de palheta. Dá para tudo, esta disposição de quarentão que me tem surpreendido pela positiva e não dá mostras de querer abrandar.

Foto: Shark
Sinto-me melhor, em muitos aspectos, do que há vinte anos atrás (sim, no entusiasmo também). Mais consciente de mim e dos outros e das outras que são a alma do que chamo ser feliz. E sou, sempre que (re)encontro a paz comigo próprio e me posso dar ao luxo de ser como sempre me gostei. Sem merdas e sem vontade de conflituar ou de me embaraçar com atitudes menos próprias de mim.
E disso dou conta para que os chavalos que me leiam possam em simultâneo perspectivar o futuro com razões para não o temerem e percebam que vale a pena tentar antecipar alguns dos prazeres que só a idade nos traz.
A pele da vida que se agarra com a mesma sofreguidão, ou maior, porque o tempo anuncia-se mais curto na cabeça grisalha, mas acariciada por prazer com os dedos, com os lábios, com tudo o que temos para oferecer mais uma espécie de gratidão muda pelo que de bom a vida nos dá em troca. No sorriso de um filho que cresceu ou de uma mulher transpirada pelo ardor do amor que recebeu.
O amor que damos, refinado, quando vibramos por dentro mas conseguimos transmitir e absorver o desejo, a paixão e o prazer com o requinte dos entendedores que só a experiência de vida consegue moldar.
Aos vinte era fixe, mas aos quarenta fica tudo melhor. Antes, durante e depois.
Se pudesse recuar no tempo ia lá buscar-me para curtirmos os dois.

Publicado por sharkinho às 12:17 PM
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agosto 03, 2006
FATO E GRAVATA (repost)

Foto: Shark
Deitou-se arrasado, depois de um dia interminável. Nem comeu.
Sentia-se tão cansado que não tinha sono, apenas uma enorme vontade de dormir. Deitou-se de costas sobre a cama e fixou o tecto, tentando encontrar na monotonia daquele padrão ondulado a sonolência que tanto sentia precisar. Passados alguns minutos, constatou que a receita não resultava. Suspirou.
Lembrou-se de um clássico. Projectou com a imaginação uma cerca e um apreciável lote de ovídeos que se disporia a contar, até à exaustão. De cada vez que imaginava uma daquelas bolas de lã com patas a pular como um cavalo educado na melhor escola de equitação, bufava. Mas nem uma vez bocejou.
Trocou os cordeiros pela mais diversa bicharada. Cangurus e coelhos, pulgas e gafanhotos. Nem um elefante faltou à chamada, mas esse não saltou. Antes destruiu a vedação imaginada e com ela a esperança de que o expediente resultasse num sono repousante e feliz.
Acabou por se levantar, foi à janela espreitar o resto do mundo que dormia e invejar em silêncio, vento frio a soprar-lhe entre as orelhas e a gola do pijama, o descanso imprescindível que até uma cidade enorme se permitia usufruir. Sacudiu-se num arrepio. Todavia, insistiu em enfrentar a brisa glaciar daquela madrugada de final de Outono.
Estava bonito, o céu. Carregado de nuvens iluminadas pelo reflexo laranja da iluminação urbana, parecia abraçar a superfície abaixo, como uma gigantesca almofada onde os anjos dormiam ferrados e sonhavam o dia a seguir.
Ele pensava o dia acordado, gelado, em discreta vigília do sossego nocturno da totalidade dos habitantes daquela rua. Nem um gato vadio quebrava a paz daquele momento tranquilo, todos ressonavam bem alto e faziam pirraça ao protagonista sonâmbulo de um pesadelo vulgar. Acendeu um cigarro. Assim mantinha entretida a boca que reprimia a vontade de berrar o desagrado, de acordar à força a vizinhança e torná-la solidária num período difícil da vida de qualquer cidadão. Sentir-se-ia menos só, se pudesse trocar umas impressões sinceras com o pianista do lado ou com a doméstica de cima, tanto fazia, acerca das broncas que lhe atormentavam a vida e lhe tiravam o sono. Os problemas que o despertavam para a falta que faziam os outros em hora de aflição. Esta era a sua.
O relógio na cabeceira, implacável, contava em taques os segundos que se escoavam rumo à hora de levantar outra vez, os tiques diários, apressado ritual de pequenas tarefas que todas somadas pareciam inventadas só para o atrasar. Ele corria, vida em contra-relógio, sempre com medo de faltar à chamada do autocarro, carreira vinte e um, que passava na rua detrás precisamente às oito horas. Nem mais um minuto, motorista cumpridor de um raio que o parta, o seguinte só passado um quarto de hora e o patrão não perdoava tanta desculpa igual. Como se fosse obrigação de alguém ter pressa de chegar à merda de emprego que sua alteza se encarregara de providenciar. Era a aventesma do patrão que o privava de dormir, com a miséria de ordenado que não compensava o serviço de qualidade superior que lhe prestava aquele magnífico funcionário que merecia uma promoção. Mas isso, o sacana não apressava. Filho da mãe!
Sentiu o sangue fluir pelo corpo, rompendo a custo as barreiras de mau colestrol que haviam de o conduzir ao enfarte de miocárdio tradicional do operário urbano, moderno, atascado em papelada num agitado escritório. Morriam novos, as estatísticas o diziam, os trabalhadores do terciário mais empenhados em singrarem na vida, em progredir. Sobretudo os que não dormiam, pensou. E sentiu ainda mais o frio da madrugada, apagou o cigarro e enfiou nos lençóis a carcaça dorida, já o sol rasgava a noite por detrás do horizonte de betão. Precisava mesmo de dormir.
Mal teve tempo de encostar o rosto no travesseiro, em sonhos, que o maldito despertador desatou numa berraria. A insónia era mentira e estivera sempre a dormir. Deitado de costas, fato e gravata, tal e qual adormecera, acordou mil vezes mais fatigado que no dia anterior.
Acabou por se atrasar a sair para a rua, tentando remediar sem sucesso os vincos na indumentária.
Do outro lado da cidade, nesse mesmo dia ao jantar, um menino contou aos pais, impressionado, como no caminho para a escola, pelo vidro da traseira do vinte e um, viu pela primeira vez na sua vida um homem crescido a chorar, ajoelhado num abraço a uma paragem de autocarro vazia.
Publicado por sharkinho às 06:50 PM
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A POSTA PRA VER



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 11:13 AM
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agosto 02, 2006
FIEL AO AMOR QUE TE DOU

Foto: Shark
Quero que pares de verter lágrimas, por favor. Não chores nem te revoltes quando fazemos amor como o fazes sentida pela minha repetida ausência ou por algo que não te caia bem.
O teu soluçar, a tua revolta, acaba por rasgar uma fina película que me cobre o coração e o resguarda da consciência da desilusão que posso constituir.
E eu não quero admitir o meu papel de algoz, soa-me atroz este desgosto que manifestas nas minhas costas ou no momento em que te entregas, por baixo ou mesmo por cima de mim.
Quero que não entendas esta afirmação como uma inconcebível proibição mas apenas como uma súplica que te faço para me poupar a tudo o que resultar de negativo da minha presença na tua existência tão importante para mim.
Tu conheces-me assim, desregrado, facilmente desviado daquilo que não passam de previsões falíveis. Apelos irresistíveis que se apoderam da minha vontade, maluqueiras, e eu perco as estribeiras quando me temo cativo de um constrangimento qualquer.
Não faças planos, mulher, pois sou imprevisível e acho inconcebível uma vida definida por antecipação.
Sou um filho da ilusão, amante da utopia. Bastardo da liberdade reprimida que nunca aceitarei como herança. Não sou de confiança para quem me anseia tutelado por imperativos morais alheios à minha convicção de que a força de uma paixão é superior a todas as razões apregoadas pelo ícone conservador. Dizem-me que o amor só é puro e aceitável quando o tornamos enquadrável num determinado padrão.
Mas este meu coração renega todos os pressupostos e não alinha nos gostos instituídos como um uniforme que nos disciplina. Este homem não atina com as regras que o seu mundo tem.
O amor é rebeldia também. Parte da sua magia deriva da irreverência. Confundem consistência com uma espécie de estabilidade governativa sentimental.
O amor é revolução, agita. Porque acredita na liberdade sem restrições, instintivo, e não se aceita cativo de modelos que não o permitam activo, disponível. Não tolera que lhe digam ser possível existir um amor em demasia, vive na fantasia de uma perfeição condicionada pela educação castrada que transforma o ciúme num contrato vitalício em regime de propriedade horizontal.
O amor não pode ser visto como um mal, sempre que extravasa as suas alegadas competências. Contos de fadas, fidelidade canina, de uma forma genuína aos olhos de uma sociedade que o ordena mas nunca cuidou de o aprender.
E dói a valer essa humidade no olhar que me dedicas, quando sentes que abdicas de algo essencial em prol desse amor que gostaria de me impor um recolher obrigatório das emoções tresmalhadas.
O meu rebanho emocional é feito de alazões que a pele de ovelhas nunca consegue cobrir. Apenas disfarça o meu sentir como uma mezinha caseira para atenuar uma maleita. Mas eu não sinto doente a minha forma de amar alguém. Sou amante, sou amigo, sou um homem nascido para viver a felicidade espontânea que nasce nas árvores como musgo, imprevista, podendo fluir em simultâneo como a água na nascente de um rio.
Contudo, a minha forma de ser feliz implica a tua felicidade por inerência. Implica a obediência aos dogmas de uma doutrina que não se coaduna com aquilo que se produz onde não alcança o longo braço de lei alguma, incontrolável.
Por isso te peço que me ames tal e qual como sou, na certeza de que não vou desertar da minha forma de te amar nem a permito conspurcada por um sentimento marginal. É sempre legal a razão que um coração invocar e o meu pertence a quem o souber conquistar sem a violência de barreiras ou imposições.
Parece libertinagem mas é uma vantagem entender esta parte da minha essência que cria uma distância que se expõe artificial. É muito natural que existam pessoas como eu, diferentes para pior na óptica de quem me preferiria um pouco mais igual à maioria dos que afinal apenas se afirmam melhores porque libertam nos bastidores, às escondidas, os seus amores clandestinos que lhes traem as posturas apregoadas.
Mas eu sou um gajo desbocado, não me quero privado pela mentira da liberdade que reclamo na tua presença com a mesma sinceridade que escrevo aqui.
E tu, destinatária, és todas as mulheres que amei, que amo ou amarei no futuro. É muito mais seguro saberes com o que podes contar e poderes assim rejeitar a tempo o impulso desnorteado que em má hora te empurre para mim.
Sou uma péssima escolha se buscas uma solução tranquila e fiável.
O meu amor é indomável.
Mas algo no teu interior jogará a meu favor.
O teu coração consegue ver com clareza o que a lógica desmente com a certeza de uma tipificação absurda que nunca me definirá como pessoa incapaz de te amar como nunca alguém conseguiu.
As lágrimas que deitas ou a forma como me rejeitas, aqui e além, são produto de uma visão distorcida pelos contornos de uma vida que nos cega o instinto e amordaça a voz cristalina do amor sem mácula ou dor que não se subordina a padrões.
A verdade das emoções sorri, divertida, sempre que se assume foragida de condicionalismos exteriores.
Na intensidade dos meus amores, na sua força incontida, nasce a argumentação plausível quando acredito no impossível e abraço sem hesitar alguém que apaixonar a minha tentação libertária.
E me ofereça de bandeja a oportunidade que deseja quem vive o amor como ele se sente e não como ele se diz.
Correndo à solta pela planície, puro-sangue.
Livre.
E acima de tudo feliz.
Publicado por sharkinho às 02:56 PM
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agosto 01, 2006
A POSTA NA PRIVACIDADE VIRTUAL
Não sendo anónimo, já por diversas vezes aqui publiquei o meu rosto e o meu nome (alguém por mim publicou o resto que falta para todos saberem quem sou se o quiserem), fico sempre espantado quando alguém que não conheço me contacta por email. Mulheres, sobretudo, pelo estigma associado a uma cultura absurda de culpabilização da gaja que toma iniciativas.
Essa culpa assenta na interpretação doutrinada de que quando uma mulher toma a iniciativa é seguramente uma puta.
Muita gente pensa dessa forma e assume tal interpretação, o que pode suscitar faltas de respeito ou abusos de confiança. Ou ainda pior, se tivermos em conta que normalmente desconhecemos de todo o fulano do outro lado da linha.
Por isso me surpreende esse gesto quando se verifica. Pela coragem ou pela certeza que deve exigir a quem na prática abre uma nova via, privada, para a comunicação com alguém.
Desconheço o impulso que leva algumas pessoas a abrirem essa porta a estranhos, embora seja óbvio que essa porta pode fechar-se em qualquer altura (normalmente não é isso que se verifica). Sobretudo quando nem sabem ao que se expõem, pois é fácil pintarmo-nos por escrito de todas as cores na paleta.
O que está em causa é o tal estigma da iniciativa, um horror muito macho a essas coisas que constituem um privilégio de gajo e que, se calhar, até está na origem das tais interpretações erradas: “Olha, a gaja mandou-me um email. De certeza que anda à procura de qualquer coisa”. E afins.
Eu admiro a coragem de quem mete para trás das costas os medos e as falsas questões e assume um comportamento que qualquer pessoa de ambos os sexos deve por princípio ser livre de escolher. Porque reconheço o dilema subjacente, ainda que o objectivo desse contacto “arrojado” seja apelativo o bastante para vencer a renitência. Até pode ser apenas um assunto banal, uma questão menor que se pretende esclarecida fora dos olhos de outras pessoas.
Em privado, longe dos olhares que não se querem demasiado a par daquilo que temos em vista.
Isto pode soar imbecil, pois é voz corrente que já ninguém liga a estas tretas. Mas eu continuo a constatar os tais desvios que conduzem às interpretações levianas e preocupa-me que as reacções menos correctas a esses contactos possam constituir um factor de desmotivação para quem os arrisca.
Por outro lado, muitos romances secretos têm início assim, escondidas as palavras de outros olhares que não os dos interessados.
E isso por si só já basta para justificar essa aposta.
Publicado por sharkinho às 10:27 PM
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AGARRADA PELAS ANCAS

Foto: Shark
Olhar a vida que se escapa à socapa por entre os dedos, como areia na ampulheta que nos engana com a ilusão de podermos medir o tempo que nos resta pelo tempo que se escoou.
Olhar aquilo que passou e sentir que agora é sempre o momento melhor porque se antecipa o sabor do que podemos viver amanhã.
A esperança a encher-nos o peito como ar fresco do final da madrugada. A dúvida dissipada como a neblina instalada por instantes sobre o espelho de água que tão bem reflecte o céu. Um sopro de calor que as afasta com a certeza de que vale a pena lutar pelo que importa conservar, no contexto da felicidade tal como se apresenta ao nosso olhar sobre a vida que não queremos de partida.
A nossa e a dos outros, apenas uns poucos, preciosa. Quem connosco partilha as coisas de que uma vida se faz, lágrimas e sorrisos importantes, pessoas deslumbrantes porque nos arrastam seus ao longo de um caminho que exigimos comum.
Os filhos que fazemos e assim lhes oferecemos o milagre de uma vida para olhar. O amor que dedicamos, tão intenso, e aquilo que recebemos de volta como um sonho que a realidade corporiza. A tangibilidade da nossa presença nos olhos de quem observa a vida num lado de lá que é dentro de nós afinal.
A simbiose total, de vez em quando. Ou o amargo sabor de uma penosa separação. Acontecimentos que nos fazem a história contada em momentos de introspecção partilhada com a confiança que queremos depositar em alguém.
Muitos filhos da mãe, como chacais, envergam os seus punhais, traiçoeiros, e cravam-nos nas costas da alma as exclamações de medo e as reticências que nos intimidam como um gigantesco ponto de interrogação. Quantos mais se cruzarão, insuspeitos, pelo raio de visão de que dispomos sobre a vida que o acaso nos determina e apenas influenciamos nas decisões menores?
A vida com diferentes sabores, amargo e doce, salgado e picante, de todas as cores, amigo ou amante, segmento ou parcela, compete-nos vivê-la como se esta existência tão valiosa estivesse prestes a chegar ao fim.
Faz todo o sentido quando a pensamos assim, efémera, porque nos alerta para a emergência de aproveitar todo o tempo para amar.
Outras pessoas e a nossa essência também.
A vida que se tem, para olhar, usar e abusar antes que escape sorrateira. A folha derradeira no calendário que outras mãos irão rasgar um dia. O tempo parado porque fica esgotado na percepção de que podemos usufruir.
Admito partir mas exijo-me agarrado a este lado com a tenacidade desta indómita vontade de absorver aquilo que me oferecer o destino que alguém traçou (ou não) para mim.
Quero-me assim, incondicional.
Nesta vida que sinto e aprecio como uma mulher especial.
Com as duas mãos.
Publicado por sharkinho às 03:03 PM
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(LIS)BOA TODOS OS DIAS 2




Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 11:08 AM
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