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agosto 24, 2006
SEM SAÍDA
Foto: Shark
É impossível encontrar uma saída airosa para a maior das emoções.
Quando acaba, se for intenso e genuíno, seja qual for a consciência que tenhamos ou os motivos reais para justificar-lhe um fim, não há fuga possível ao vazio que se instala e nada consegue preencher.
As nossas culpas, as de terceiros, nem mesmo os desígnios divinos colmatam com explicações desnecessárias uma perda que sentimos irreversível, quaisquer que sejam as circunstâncias que a provoquem.
A nossa felicidade fica sempre comprometida perante as dúvidas, as mágoas, os remorsos, os desprezos até. E acima de tudo pela saudade. De quem se amou ou apenas, egoísta, da força e da beleza da emoção que se sentiu e nunca será repetida ou reproduzida na íntegra.
Ninguém resiste incólume à extinção de uma violenta paixão, ao frio interior que resta quando um amor chega ao fim e temos a noção dessa realidade maldita, enfrentamos a desistência de um compromisso que se firmou mas um dia deixou de valer a pena.
Impossível de contornar, tudo isso mais o colapso (sempre) prematuro de algo que desejamos eterno, imortal, utopia.
Por isso, e por quanto possa soar paradoxal ou fatalista, a única garantia de um final verdadeiramente feliz para um grande (grande) amor é a morte de quem o viva.
Publicado por sharkinho às agosto 24, 2006 12:57 PM
Comentários
Não acho não, Sharkinho ( falo com propriedade por ter vividos vários finais )...O final feliz é a consciência do por quê não deu certo e a superação da dor ,seja por outro amor , por uma paixão qualquer que nos ajude ( profissional ou pessoal)ou até mesmo a superação por nós próprios ( a melhor ) ...aquela que nos garante a individualidade..Bj ( hj também falo de machos e fêmeas ) rsrsr.
Publicado por: agatha às agosto 24, 2006 07:15 PM
Eu referi-me apenas a GRANDES amores, Agatha. Finais também já vivi alguns e a banda seguiu, mas amor a sério pra mim é até fechar os olhinhos de vez (e pra lá)...
Publicado por: sharkinho às agosto 24, 2006 07:31 PM
Entendo o conceito de GRANDE Amor, tal como o descreves e desses, raros, também creio que só a morte apaga a chama.
Os outros, amores grandes, médios, mais ou menos, é como diz a Agatha, superar e encontrar de novo.
Mas finais felizes em que fica uma enoooorme amizade, são os meus preferidos. (À falta do tal GRAAANDE....) :-)*
Publicado por: Mar às agosto 24, 2006 08:18 PM
Atão tamos de acordo outra vez, ò oceânica. :)
Publicado por: sharkinho às agosto 25, 2006 10:48 AM
Deixa-me dar-te um final diferente
Um grande amor, daqueles que descreves, não tem fim, nem quando um dos interpretes morre…
Respira-nos na pele, quando um vento, um cheiro, um toque, um pestanejar, um movimento diferente a ele nos transporta. Está cá, instalou-se nas células, fez-nos crescer algumas e morrer umas outras tantas.
Um grande amor, daqueles que nos faz enrolar ao recordar, sobrevive escondidinho. A saborear o bem e o mal que nos fez.
Um grande amor Shark, não tem que necessariamente deixar saudades. Pode-nos deixar plenos, íntegros, seguros de saber que se foi capaz, e que se é capaz, de continuar a amar mesmo depois do fim.
Publicado por: j.p. às agosto 26, 2006 08:42 PM
Eu não duvido que a ausência do outro não implica o fim da emoção para o que fica, Jotapê.
Defendo apenas que o fim mais "consentâneo" com um amor "daqueles" é o que ocorre sem que o saibamos. Ou seja, se morremos nem chegamos a saber que acabou (nesta dimensão). Se tivermos consciência do fim, por esta ou por aquela razão, ficam sempre alguns engulhos que dão cabo do final feliz que preconizo.
Morrer a amar, entendes? Sem noção da interrupção que acontece, sem termos que perceber (como acontece em vida) que a chama se apagou.
Para nos pouparmos ao pragmatismo que os ideiais românticos não contemplam...
Publicado por: sharkinho às agosto 27, 2006 12:21 AM
Eu não duvido que a ausência do outro não implica o fim da emoção para o que fica, Jotapê.
Defendo apenas que o fim mais "consentâneo" com um amor "daqueles" é o que ocorre sem que o saibamos. Ou seja, se morremos nem chegamos a saber que acabou (nesta dimensão). Se tivermos consciência do fim, por esta ou por aquela razão, ficam sempre alguns engulhos que dão cabo do final feliz que preconizo.
Morrer a amar, entendes? Sem noção da interrupção que acontece, sem termos que perceber (como acontece em vida) que a chama se apagou.
Para nos pouparmos ao pragmatismo que os ideais românticos não contemplam...
Publicado por: sharkinho às agosto 27, 2006 12:22 AM
Eu percebi amigo.
Porêm deixei-te aqui o meu fim, o diferente. Aquele que eu mantenho aceso. O grande amor que fica mesmo "engulhado". Mesmo com mau fim, mas que não deixa de ser o grande amor, que nos ajudou a perceber de que ele fomos e somos capazes.
Os ideais românticos relatam-nos que se vive feliz para sempre. Eu sou pouco credula, mas acredito em amor que dure aqui e para alêm daqui ;-)
Publicado por: j.p. às agosto 27, 2006 02:27 AM
Lembrou-me um poema de Amalia Bautista: "Conta-me outra vez:é tão bonito/que não me canso nunca de escutá-lo./Repete-me outra vez que o par/do conto foi feliz até à morte. (...)
Publicado por: magarça às agosto 28, 2006 12:14 AM
É uma evocação feliz, Magarça, e lisonjeira para a minha prosa.
Obrigado.
Publicado por: sharkinho às agosto 28, 2006 01:20 PM
Olá migo,
Por vezes amores que poderiam apenas ser médios, transformam-se em gigantes... precisamente com a morte... que se não existisse (falo da prematura), torná-lo-ia normal...
Lembro-me de uma amiga, que perdeu o namorado, por cancro... e que demorou muuuutio tempo a recuperar. Acho, que ela verá aquele homem, sempre como o seu Grande Amor... apenas, porque as partes más... se concentraram numa só...
Por outro lado... um casal apaixonado, não resistiu à amputação de um membro inferior de um deles... E o que seria um grande Amor... afinal não foi...
Jocas
Publicado por: Partilhas às agosto 28, 2006 04:39 PM
Puxa, Partilhas...
Anda intensa, a vida amorosa da malta tua amiga...
Sim, os amores podem evoluir por esta ou aquela razão como podem definhar com os mesmos pretextos.
Mas final feliz, só mesmo aquele.
Publicado por: sharkinho às agosto 29, 2006 01:48 AM