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setembro 30, 2006

SUBTILEZA ARIANA

Sempre me causou urticária a forma descarada como muita Imprensa do nosso país suscita o racismo, apesar de julgarem que o fazem de uma forma subtil e que passa despercebida a quem recebe a mensagem.
Eu explico melhor.

Se eu matar alguém a tiro, a notícia será dada da seguinte forma:

Uma pessoa foi hoje abatida a tiro por um indivíduo com 41 anos de idade.”

Mas a coisa soa diferente, se for o meu vizinho guineense a assaltar o supermercado do bairro:

O supermercado do bairro foi hoje assaltado por um indivíduo de origem africana.”

Subtil à brava, não é? Pois, mas se eu censuro a Imprensa por alinhar nestas pequenas distinções das pessoas (e das situações) em função da sua raça ou nacionalidade (podem substituir o africano do exemplo acima por um branco louro, desde que seja ucraniano ou moldavo), acho igualmente reprovável que esse incitamento ao racismo seja levado a cabo num blogue.

É que isto de ter um blogue permite-nos algumas liberdades, mas não escapa ao compromisso moral de termos tino na utilização deste meio de comunicar com as pessoas. O facto de não sermos, na esmagadora maioria, opinion makers não nos desresponsabiliza de suscitarmos com os nossos textos as reacções que hoje encontrei num blogue da nossa praça e que só surgiram pela oportunidade que foi concedida a quem comenta.

Se não linco o blogue onde me confrontei com uma posta que até pelas circunstâncias descritas é de uma falta de sentido de oportunidade e de um mau gosto atrozes é apenas porque não pretendo levar ainda mais pessoas ao espaço em causa. E porque sei que quem ler aquele apelo descarado e bem direccionado ao racismo vai fazer a associação de ideias com este meu texto.

É que uma coisa é publicar um desabafo contra uma situação inadmissível.
Outra coisa é disfarçar uma atoarda racista no meio da confusão.

As reacções de quem leu, os comentários, dizem o que falta e não preciso de reiterar aqui.

Publicado por sharkinho às 11:16 PM | Comentários (18)

FERNÃO CAPELO (urban mix)

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 08:44 PM | Comentários (8)

NAS CALMAS

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 12:05 PM

setembro 29, 2006

A POSTA BEM JUSTIFICADA

Os bons princípios não bastam enquanto meios garantidos para se atingirem os melhores fins.
Este é um meio adequado para justificar qualquer fim, pois neste caso o teor do princípio não o invalida nem determina.

Publicado por sharkinho às 10:34 PM | Comentários (2)

MADE IN VENEZUELA

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Publicado por sharkinho às 10:19 PM | Comentários (0)

A POSTA MAL JUSTIFICADA

Por princípio os fins justificam os meios. Mas não há meio de justificar um fim sem ter em conta o princípio que o originou. E nesse caso, a falta de princípios acaba por ser um meio válido para se atingirem apenas os fins sem justificação possível.

Mas eu de política não percebo nada…

Publicado por sharkinho às 09:16 PM | Comentários (0)

NÃO HÁ PALAVRAS

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 02:50 PM | Comentários (6)

setembro 28, 2006

FEELS LIKE MONDAY...

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Publicado por sharkinho às 04:10 PM

SÓ ME APETECE

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 09:21 AM

setembro 27, 2006

PEÇO A PALAVRA

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Foto: Shark

Beijo-te palavra por tudo aquilo que representas, termo primeiro no meu dicionário emocional. Beijo-te afinal pela imagem que evocas, pela emoção que provocas quando te pronuncio.
E és tão simples, tão discreta, perdida na multidão de palavras que (apenas) soam maiores. Mais letras, talvez. Porque és o verbo cimeiro, sempre a corpo inteiro na selecção das palavras que quero amar e nas frases que pretendo usar enquanto a vida me permitir a comunicação.

Parágrafos cheios de ti, palavra, em metáforas ou analogias. Das minhas palavras que elogias, esta arte de te espalhar em tudo aquilo que olhar quem busque no que digo a palavra amor, o teu sinónimo natural.

E eu amo-te, palavra linda, por seres o que és e pelo significado que te atribuo. Por isso te incluo a toda a hora na minha expressão, preenches-me a imaginação quando busco no vocabulário a forma ideal de me pensar feliz.

A raiz etimológica não explica nem traduz o fenómeno que se produz neste homem que te afirma, peremptório, como a palavra rainha do meu prontuário posto a nu.

Essa palavra és tu.

Publicado por sharkinho às 12:56 PM | Comentários (21)

APENAS LUZ

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 10:21 AM | Comentários (5)

setembro 26, 2006

O HOMEM QUE ESCREVEU A SOLIDÃO

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Os sons das outras vidas transpunham as paredes que o isolavam da vizinhança e ele sentava-se na sala todos os dias, em silêncio, para os escutar.
Vivia assim, as vidas dos outros, ria e chorava, não dizia mas pensava as soluções em falta para os guiões alheios que lhe oferecia uma existência de espectador.
Durante trinta anos preencheu assim os serões e o início de cada dia, sentado no cadeirão à escuta. A companhia das vozes e dos ruídos que lhe traziam a escassa compensação de uma realidade que partilhava clandestino como um espião a fingir.

Todos no edifício o julgavam maluco e ninguém se atrevia, ninguém arriscava a troca de uma palavra com aquele estranho que os conhecia a todos melhor do que qualquer outra pessoa. Alguns apenas em uma ou duas ocasiões conseguiram apanhá-lo de fugida, na sua corrida para a salvação nos degraus.
O mudo do quinto, como o chamavam, sofria de claustrofobia e nunca partilhava um ascensor. Assim o explicavam, calado e arisco, sempre que o falavam pelas costas do roupão, com o lixo na mão que despejava de madrugada no contentor atafulhado dos restos das vidas que preenchiam a sua.

Estranhavam os minutos que demorava em contemplação dos detritos que lhe confirmavam teorias e completavam na memória as imagens esboçadas pela imaginação.
Ninguém adivinhava o prazer que lhe dava a visão do papel de embrulho rasgado pelas pequenas mãos do vizinho do lado, a festa de aniversário que sorvia enquanto sorria de orelha encostada ao fundo do copo na parede do quarto vazio que lhe servia de arrecadação.
Gritos de alegria, música no ar, pura magia nas sobras de vida que escorriam sonoras pelos poros do betão até aos ouvidos atentos do vizinho solitário.

Os dias escoaram-se assim até um dia em que alguém deu pela falta dos passos discretos do maluco do quinto na penumbra dos patamares. E o cheiro que exalava da porta que o isolava dos outros fazia prever o pior.
A polícia e os bombeiros desvendaram o mistério. Corpo inerte putrefacto, o cidadão anónimo do quinto jazia sem vida numa cadeira da sala vazia.

Descobriram-lhe no colo o grosso volume daquilo que confirmaram mais tarde tratar-se de um diário. As vidas de várias pessoas, famílias, descritas com emoção pelo observador ausente, um afastado parente que registava com palavras belas a expressão colorida do seu sentir envergonhado que a vizinhança ignorou, autista.

Ninguém o acompanhou na derradeira viagem, até à última paragem no condomínio para sempre fechado, onde o vizinho calado se apeou para escutar na eternidade as vidas passadas dos espíritos que o observavam desconfiados na sua muda corrida para a salvação nas nuvens mais escuras do céu.

O seu diário, legado, seria publicado pouco tempo depois e alguns críticos aventaram uma profecia, outros uma maldição, nas duas linhas iniciais.

Alma penada perdida na estrada que o destino esqueceu. O mapa traçado no papel assombrado que um fantasma escreveu.

Publicado por sharkinho às 11:38 AM | Comentários (2)

A POSTA PRA VER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 08:55 AM

setembro 25, 2006

A POSTA QUE NINGUÉM LEVA A MAL

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O espião do planeta mais árido do universo assumiu a sua camuflagem semi-humana no momento em que pisou o solo daquele espaço por conquistar.
Os navegadores da frota haviam seleccionado um local cujas características mais se aproximavam das de qualquer dos planetas do Império. Porém, ainda assim sentia a degradação no revestimento isolante que o protegia da ameaça imprevista que haviam detectado na maior parte da superfície e na atmosfera daquele antro de criaturas repulsivas.

Os cientistas da nave-mãe, estupefactos, tentavam entender como era possível existir alguma forma de vida num planeta assim, tão hostil em todos os parâmetros analisados.
A postos, a força invasora aguardava apenas a confirmação da vulnerabilidade das futuras cobaias. De resto, parecia evidente o cariz primitivo da sua evolução e pouca resistência se adivinhava perante as poderosas armas que tantas civilizações haviam vergado.

Ainda assim, o espião não se sentia seguro. Era evidente que a pouca protecção que lhe providenciava o sistema de camuflagem cedia ao meio ambiente e começava a temer o pior.

Avançou pelo areal do deserto até junto do que lhe pareceu uma habitação dos indígenas e reparou numa criatura de pequeno porte, em vestes brancas, que o observava com atenção.
Aproximou-se com cautela e tentou entabular comunicação gestual com o terráqueo, indispensável para obter a informação necessária acerca das aberrações locais.
Sabia de antemão que o Império não arriscaria um ataque sem certezas, após as pesadas baixas sofridas numa batalha anterior.

Foi transmitindo o que via, nomeadamente um painel cujos caracteres enviou para o Comando Supremo, C-A-R-N-I-V-A-L, e um temível receptáculo cheio de algo que a criatura pequena parecia ter manuseado pouco antes de dar conta da presença do batedor.
Chegou-se ao contentor e tentou tocar no composto transparente desconhecido, imitando o nativo.
Horrorizado, sentiu uma dor terrível nas extremidades que haviam contactado com o composto e viu como este corroía o seu sistema de protecção e lhe derretia partes do corpo. Instintivamente, deu um passo atrás e tombou de costas no chão.

O terror apoderou-se do visitante quando o pequeno turista, que os pais haviam disfarçado de beduíno no quarto do hotel antes de seguirem para a piscina maior, lhe apontou a bisnaga à cabeça e premiu o gatilho.

Publicado por sharkinho às 09:41 PM | Comentários (0)

A POSTA PRA VER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 07:53 PM

LEIS DO MENOR ESFORÇO

Aquele detective tinha vistas curtas mas alimentava uma ambição desmedida. Acabaria por restringir a procura de pistas aos circuitos de fórmula um e aos aeroportos internacionais.

Publicado por sharkinho às 01:00 PM

A POSTA PRA VER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 11:25 AM

setembro 24, 2006

IS THERE ANYBODY OUT THERE?

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Publicado por sharkinho às 07:17 PM

COM DUAS PEDRAS NA MÃO 2

A última acertou em cheio.

Publicado por sharkinho às 07:08 PM

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 12:21 PM | Comentários (2)

FOME DE CONVERSA

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Foto: Shark

Já pouco resta daquilo que foi. Cada vez mais sobra daquilo que seria.
O desperdício de um futuro alimenta-se do que num passado se acumula em vão. Simples termos de comparação, engolidos pelo tempo, soprados pelo vento das páginas de um menu escrito à pressa na areia de uma praia qualquer. Efémeros.
Sem opção, a fome da emoção devora no presente as raízes daquilo que a alimentaria depois de crescer.
Semear para colher.
Temporais, coisa trágica.

A esperança, tão humana, tem instintos canibais.
E a memória, leviana, tem tiques de autofágica.

Publicado por sharkinho às 01:02 AM

setembro 23, 2006

QUILÓMETROS DE AMOR

Há espaços que nos tocam pelas mais variadas razões. A este sou particularmente sensível.

Publicado por sharkinho às 11:58 PM | Comentários (0)

NO FIM DO DIA

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 08:16 PM | Comentários (0)

DO ALTO DESTAS PIRÂMIDES

Já enfrentaram uma daquelas fases em que decidem não se meter com ninguém e toda a gente entende meter-se convosco em simultâneo?
Sentimo-nos assim uma espécie de saco de pancada, com a única e quase exclusiva função de servir para outros descarregarem as suas iras e os seus azedumes, sem contrapartidas.

O instinto, nessas alturas, empurra-nos logo para o mecanismo acção-reacção à bruta. Contudo, a sobriedade que o bom senso impõe alia-se à inteligência residual e esta, num esforço extenuante, agarra-nos ao silêncio resignado e vira-nos a cara para o outro lado, oferece-nos uma distracção qualquer.

Distraio-me com a mumificação da sensibilidade alheia enquanto vejo a vida a esgotar-se no tempo que a desgasta, olhando para o futuro em busca de uma miragem de longa duração.

Mas já nem meio século me contempla…

Publicado por sharkinho às 05:53 PM

A POSTA PRA VER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 12:52 PM

SÓ PARA A MALTA DO BAIRRO

Agora que sabem onde me encontram, cá vos espero todos os dias.

Mas cuidadinho com as bocas foleiras e com outras liberdades nas caixas de comentários. meninas e meninos (olha que eu topo-te, PB)... :)

Charquinho Forever!

Publicado por sharkinho às 01:27 AM

A POSTA ACORDADA

Hoje recuperei algo que tinha perdido tempos atrás. Uma parte importante da minha forma de estar na vida, obliterada por uma névoa que entretanto tem cuidado de se dissipar o bastante para me permitir a redescoberta de laços que entretanto deixei quebrar.
Ligações ao homem que sou. Pessoas importantes, de alguma forma esquecidas no meu percurso fora de mim. Rituais de amizade. Vontade de partilhar o tempo de qualidade com gente que me aprecia.

Aos poucos, mais disponível, regresso a um rumo mais consentâneo com aquilo que sou e com algumas realidades que me fazem falta, que preenchem um vazio cada vez menos perturbador e mais realista.

Acabou por se revelar um dia bom.
E vai fazer-se sentir no futuro próximo da minha capacidade decisória.

Publicado por sharkinho às 01:07 AM

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 12:40 AM | Comentários (4)

setembro 22, 2006

NEM TUDO O QUE LUZ...

É ouro.
A posta anterior só fará sentido depois de explicada em alguns detalhes que lá incluí com um objectivo específico. Talvez amanhã. Para dar tempo a que cada leitor/a retire as suas próprias conclusões e as possa confirmar (ou não) quando vos oferecer as explicações que a justificam. Nada de importante, claro.

Mas necessário.

Publicado por sharkinho às 09:54 PM

HOJE DEU-ME PRÁQUI

É quase unânime o coro dos que afirmam que a blogosfera anda meio murcha. Nós próprios, na qualidade de leitores, sentimos essa falta de… de… empenho por parte de alguma malta que bloga. Ou melhor, sentimos que algo mudou e que a coisa ficou menos interessante, menos apelativa.
Porém, não é fácil perceber o quê e porquê mudou ao ponto de se instalar esta noção no discurso corrente. As diferenças que se fazem sentir residem no fim da euforia dos encontros de blogues (agora são raros e, regra geral, muito “sérios”), no evidente retraimento da “oferta” em matéria de comentadores (aqui no Weblog temos uma das explicações como certa…) e no fim de alguns projectos dos quais se sente a falta.

Continuo a encontrar posts bem esgalhados, blogues originais e pessoas porreiras por detrás de alguns nicks. No entanto, é óbvia a saturação por parte de alguns colegas e a cristalização de outros tantos numa receita que manifestamente já se esgotou. E eu tento enquadrar o charco numa dessas categorias, fazer auto-crítica, no sentido de combater o que eventualmente possa estar menos bem, embora (como os outros) não consiga distinguir no meu trabalho o impacto das tais mudanças que toda a gente aponta mas ainda ninguém conseguiu clarificar de forma concreta.

Blogar é uma actividade que requer tempo, capacidade e motivação. Tudo o resto é acessório, como a influência dos outros no nosso “estilo” ou na escolha dos temas sobre os quais pretendemos emitir umas palavras ou imagens.
E um dos aspectos acessórios que mais desiludiram as pessoas na blogosfera foi o relacionamento entre as pessoas que blogam. Na maioria dos casos não correu bem a transição do virtual para o analógico e isso fez esmorecer alguns entusiasmos e deitar a perder alguns projectos que justificavam melhores destinos.

Todavia, a essência da coisa mantém-se inalterada e tendo a acreditar que se trata de um caso de expectativas em excesso. É que isto de acompanhar um espaço que se quer dinâmico e atractivo (não me venham com o discurso do “blogo como quero, só para mim” que eu bem os/as vejo a afirmarem que se estão nas tintas para os números para logo a seguir postarem a análise “regional” da sua estatística) exige muito de quem se expõe aos critérios alheios e responde com o orgulho pelo resultado final daquilo que é capaz de produzir de borla. E isso cansa, quantas vezes desanima e perde todo o sentido quanto tentamos justificar esta opção de comunicar com os outros sem protecção alguma contra a má vontade, a inveja e todas aquelas pequenas mazelas que quem bloga tem mesmo que suportar ou então partir para outra...

O Charquinho, de acordo com a única referência disponível (e que é pública) tem actualmente uma média de (os senhores da "concorrência" têm a caneta à mão?) cerca de 600 visitas por dia. Um décimo bastaria para justificar o meu melhor, mas este número implica uma responsabilidade acrescida. E este pressuposto aplica-se a todos nós que blogamos. Se o fazemos por impulso voluntário, por outro lado também assumimos a carga moral/ética de justificar o tempo dos outros (eu sei que estou sempre a insistir neste aspecto) e isso implica necessariamente que façamos a escolha entre fazer o melhor possível ou arrumar as teclas.

Numa fase em que na blogosfera portuguesa estão prestes a surgir os primeiros projectos profissionais, com objectivos bem definidos e uma forma de blogar mais disciplinada, só a qualidade servirá de critério no inevitável processo de selecção natural ao qual, de resto, já estamos a assistir (e não me venham com a conversa de que um blogue com 30 visitas por dia pode ser tão bom como um com o dobro ou o triplo, pois um blogue bom - e bom poder querer dizer apenas bem concebido, apelativo, e nem reflectir a capacidade ou a bonomia intrínsecas dos/as criadores/as) sai do anonimato – leia-se “deixa de estar às moscas” – com naturalidade, mais cedo ou mais tarde, e os blogueiros/as com mais mania do que talento podem andar dez anos nisto que nunca passam da dimensão que a sua capacidade ou a do seu trabalho justificam. E não faltam exemplos dessa realidade nua e crua, por muita serradura que as alegadas “vedetas” tentem impingir do alto da sua veterana insistência no milagre que os números desmentem sem perdão.
Há blogues bons que não atraem multidões, mas os blogues excepcionais, concebidos de forma séria e bem comunicada, acabam por se destacar na multidão.

Alguns colegas nem se expõem nessa fria prova dos nove à sua apregoada cultura, ao talento que os “outros” (quais?) lhes reconhecem e a toda a “fama” que alegadamente possuem mas os factos comprovam não se traduzir em nada de palpável (quantidade de visitas, de comentários e de linques – que Gatos Fedorentos ou Abruptos valem pela sua qualidade e pelo que a estatística revela, ou não passariam de porreiros mas discretos Murcons ou de irrelevantes Charquinhos).
Não basta ser isto ou saber aquilo. É preciso levar a sério o que se faz, ignorar o peso relativo das tricas que a ninguém interessam e saber de facto, ter argumentos para cativar quem visita.
O resto são desculpas de maus pagadores e o que interessa é cada um/a conformar-se com os resultados (os seus e os dos outros) e fazer a coisa mesmo só pela pica que isto dá.

E é a falta de pica daqueles que já não conseguem alimentar fantasias que contagia, que transmite a falsa noção (que eu também “comprei” até há tempos atrás) de que não existem espaços interessantes e agradáveis, livres do mofo que emana dos pequenos grupelhos mais virados para o convívio (leia-se promoção recíproca, em muitos casos) do que para o esforço de impressionar e seduzir quem nos visita.

Porque se virmos a coisa sem tretas, quem não se interessa com a opinião de quem vê não precisaria da exposição para nada…

Publicado por sharkinho às 08:48 PM | Comentários (2)

THE WALL

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 09:31 AM | Comentários (2)

setembro 21, 2006

A FRASE DO DIA

Por favor, aguarde alguns segundos! O comentário está a ser validado!

Obrigado.
Weblog.

(Até acendo velinhas a Nossa Senhora do Weblogger)

Publicado por sharkinho às 09:30 PM | Comentários (14)

A FRASE DO MÊS

Internal Server Error

Publicado por sharkinho às 09:26 PM | Comentários (0)

A POSTA AFRICANA

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 05:13 PM | Comentários (5)

A POSTA PRA VER

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 04:43 PM

SINAIS NO TEMPO

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Foto: Shark

Ouvi dizer que hoje é o primeiro dia de Outono.
Isso é bom, pois vai permitir-nos entender o temporal que o anuncia como se fosse o temporal que o anuncia.
De outra forma teríamos que olhar para este céu cinzento e recordar o facto de se tratar do que resta de um furacão que nasceu a milhares de quilómetros mas conseguiu cá chegar a tempo de nos lembrar que o Outono começa hoje, depois de surfar durante dias sobre um oceano em banho-maria que o levitou de forma bizarra até aqui.

Não é o Outono que esta anomalia me invoca.
E a sensação é muito desconfortável.


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Publicado por sharkinho às 09:19 AM | Comentários (0)

setembro 20, 2006

PLEASUREDOME

Isto, para mim, é um blogue mesmo bonito.

Publicado por sharkinho às 10:24 PM | Comentários (7)

ROOF TOP

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:18 PM

SEMPRE COM DUAS PEDRAS NA MÃO

para mim.jpg

Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:10 PM

O CÉU NA TUA BOCA

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Rompe a escuridão desta noite de Verão, sem luar, ilumina a verdade por desnudar de um desejo coberto pelo pudor de um fino manto reflector que espelha a luz da centelha que vislumbro no teu olhar.

Rasga o silêncio deste tempo valioso, espalha ao vento o som do sentimento que gemes e que gritas quando tremes e me agitas num agradável frenesim. Escuto emudecido, o teu sussurro no meu ouvido, a voz interior que me fala do amor que se faz ouvir quando ecoa nas paredes do meu abraço, por dentro do espaço que nos rodeia, firmamento, a redoma transparente de um momento fecundo sem ruído de fundo que o possa perturbar.

Arranha esta pele que não estranha a tua, o desenho de meia-lua nas garras que me cravas no corpo que ofereço, entrega total, insensata. (pres)Sinto o teu amor em cada gota do suor nessa cascata de emoções que jorra dos corações para a cútis que a absorve com sofreguidão. A sede que se mitiga, a língua pela barriga em sentido descendente, rumo à nascente convertida na foz desses rios que partem de nós em enxurrada e desaguam serenos na confluência criada quando nos fundimos e nos tornamos um.

Retalha o ar com o teu perfume perfeito, espalha no meu peito o cheiro dos cabelos que penetro com os dedos em busca de um jardim suspenso no tempo sem fim que duram as carícias que parecem libertar a essência desse odor que me seduz. Aquilo que me reduz a um escravo da tua fragrância, dependente. A minha ânsia de te respirar quando me sufoca a falta de ti, um medo que não aceito porque temo desse jeito ver mirrar as flores silvestres imaginárias, tuas cortesãs, plantadas no meu olfacto como memórias permanentes da tua condição de rainha do corpo que definha quando a saudade lhe drena a energia vital pela raiz.

Fixa na minha boca o rasto do teu sabor, um trilho para o amor que degusto em cada instante beijado. O gosto lacrado no cofre da minha imaginação, secreta a combinação discreta com que só eu o possa abrir depois. Quando fazemos a dois, colados, aquilo que na mente germinar, em cada corpo um manjar repleto de estímulos para o palato em festa.

Os meus lábios na tua testa.
O meu corpo prostrado em cima do teu, aterragem forçada.
Destino selado nas nuvens do céu.

Dessa tua boca selvagem, alada.

Publicado por sharkinho às 03:55 PM

setembro 19, 2006

PELA (ES)CALADA

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Irrita-me esta propensão da populaça no mundo islâmico para pegar por tudo para fazer granel nas ruas, para atacar os “infiéis” por mais absurdo que seja o pretexto.
Por tudo e por nada, toca a queimar bandeiras, igrejas, automóveis e a berrar aos tiros o ódio do momento como se esse ódio lhes alimentasse o estômago e a fé.
Ou porque o escritor tal insultou o Alcorão, ou porque uns Zé-ninguém da Dinamarca fizeram umas caricaturas insultuosas para o Islão ou porque o Santo Padre (que não foi tão “bento” como o pintam) citou um imperador bizantino que insultou o Profeta séculos atrás.
Matam pessoas com base nesta reacção de virgens ofendidas que apenas tem servido para lhes criar uma imagem no mundo ocidental que em nada serve a causa de que fazem a apologia.

Uma freira sexagenária que trabalhava num hospital somali foi abatida a tiro por causa do insulto que serviu para mais uns incitamentos dos líderes religiosos fundamentalistas.
Isto cabe na cabeça de alguém?
Se por cada disparate que sai das bocas descontroladas de alguns fanáticos fossem executados membros das respectivas Igrejas o mundo transformar-se-ia num imenso faroeste. E essa, paradoxal, é a versão que veste melhor os bushes deste planeta panela de pressão, a gente boa que se pendura nos receios com a segurança para transformarem aos poucos o ocidente cristão numa imensa fortaleza e o oriente islâmico numa gigantesca, (in)discriminada e ameaçadora horda de talibãs.

Por outro lado, não se papa o grupo de que o Sumo Pontífice e seus conselheiros nem faziam ideia de que aquelas palavras proferidas nesta altura provocariam o estardalhaço que ainda mal começou. Como alguém dizia algures, ou foi de propósito ou foi uma tirada imbecil e despropositada. Qualquer das duas opções, num Estado a sério, democrático, deixaria o líder em péssimos lençóis e provavelmente conduziria à respectiva destituição do cargo.
Mas no Vaticano só mesmo a morte pode destituir um incapaz que o acaso (pois, a vontade de Deus…) imponha e os factos confirmem nesse particular.

Também me irritam os paninhos quentes com que (quase) toda a gente neste nosso santo bastião da cristandade civilizadamente hipócrita se apressa a cobrir as causas e os efeitos da “boca” desnecessária que os santos lábios não quiseram ou não souberam reprimir.
Os dois lados da barricada estão à mercê de líderes que não inspiram fé alguma na sua capacidade de resolução do problema que se agrava dia a dia com gestos cobardes, palavras insensatas e novas revelações do esterco ético em que se atolam uns e se conspurcam outros.

E a nós, cidadãos comuns de cada um dos extremos cada vez mais opostos, resta aguardar que esta gente perceba que a ninguém interessa um conflito destas dimensões e ainda menos interessa que dêem à costa alguns figurões que o agudizem. Em nome de qualquer fé, pois a fé principal consiste em termos uma vida em paz e sem mais medos do que aqueles que derivam, por exemplo, das calamidades naturais associadas ao aquecimento global ou do desespero que se vive em boa parte do hemisfério sul e cujas consequências se desenham negras nas fronteiras duma Europa encravada no seu papel de eminência parda que não sabe para que lado cair no meio dos interesses específicos de cada uma das nações que a integram.

Nós aguardamos, que remédio, pelo bom senso desta gente que manda.
Mas a avaliar pelo que está (e pelo que não está) à vista é melhor esperarmos sentados…

Publicado por sharkinho às 11:00 AM | Comentários (15)

setembro 18, 2006

A POSTA FLORESTAL

pinheiro bravo.jpg

Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 02:52 PM | Comentários (2)

MÃE, ESTOU ALI!

Como sempre acaba por acontecer aos "zezitos" deste mundo, o verme (talvez porque na sua plataforma não brincam em serviço quando recebem queixas fundamentadas) já sumiu (ver posta anterior) e não vale a pena clicarem nos respectivos linques.

E nem o perfil do bacano escapou à limpeza, mas caso conheçam um gajo chamado José Alberto Pereira, 39 anos de idade, funcionário público nascido em Almada, anteriormente residente na Costa da Caparica e na Lousã, com um filho chamado Miguel (4 anos de idade) e estado civil divorciado (neste caso, entendo perfeitamente porquê), peço encarecidamente que me informem do paradeiro habitual do parasita em causa. Ou que pelo menos lhe mandem saudações do gajo que lhe alimentou o blogue ao longo de mais de um ano...

Publicado por sharkinho às 12:07 PM | Comentários (14)

MÃE, ESTOU AQUI!

Já vi acontecer com outros colegas, mas é a primeira vez que me toca.
O plágio, esse recurso preguiçoso dos medíocres, pode bater à porta de qualquer um de nós e desta vez tocou ao charco ver-se copiado por um(a) idiota qualquer que faz de conta que é seu o que os outros criam.

O verme em causa até se dá ao luxo de alterar os títulos para que não o topem, mas a porra da internet está cheia de recursos para darmos com estas exibições de falta de inteligência e de capacidade.
Ainda por cima tem a lata de escolher o URL "zezito no trabalho" e afinal gosta mas é do trabalho dos outros.

Claro que vou andar em cima do nick e sempre que o topar em alguma caixa vou fazer o que me compete, para além de lhe fazer uma marcação no "seu" blogue até desistir e criar um novo (que descobrirei, podes crer ò ratazana imbecil). E que o acaso poupe o cromo ou a croma de dar a cara nalgum encontro blogger ou de soltar pistas que me permitam chegar à sua patética figurinha analógica.

Não sou conhecido pela moderação ou pela discrição das minhas reacções nestas coisas...

Publicado por sharkinho às 08:44 AM

IN HEAVEN

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 12:00 AM

setembro 17, 2006

PARA ENCERRAR DE VEZ O ASSUNTO

A minha vida privada inclui a possibilidade de escolher com quem me relaciono. Tal como as vidas privadas das outras pessoas. É assim que podemos acolher quem queremos e rejeitar quem não nos interessa.
Embora na vida profissional tenha que aturar algumas pessoas que nunca fariam nem farão parte da minha vida privada, o meu estatuto de trabalhador independente permite-me filtrar boa parte das pessoas que o meu instinto me diz não corresponderem ao perfil de quem quero servir. E faço-o de duas maneiras: não aceitando a entrada dessas pessoas no meu quotidiano (às vezes nem envio cotações para quem as solicita, caso desconfie que não é boa ideia) ou, quando me escapam no primeiro contacto, convidando-as liminarmente a escolherem outro profissional e a desampararem-me a loja.

E na blogosfera beneficio exactamente da mesma liberdade de escolha. Dirijo a palavra a quem quero e relaciono-me com quem vale a pena (dentro dos meus critérios), não podendo no entanto evitar que me leiam e assim alimentem animosidade e outros sentimentos negativos a que se poderiam poupar, bastando seguir a minha receita.
Custa-me perceber que algumas pessoas se sintam incomodadas comigo, com o que sou, com o que faço, com o que escrevo, mas algo as atrai para esse martírio que depois desabafam nos seus posts ou nas suas caixas de comentários. Um desperdício de tempo e de energia, portanto, quando bastaria fazerem como farei a partir desta altura (não visitando os blogues das pessoas que me são hostis, para não incorrer na mesma asneira).

É tão simples quanto isso. Não lemos, não desgostamos. É como se deixássemos de existir uns para os outros, excepto se tivermos o azar (que evitarei) de nos cruzarmos nas caixas de comentários alheias.
Claro que assim perde um bocado a piada quando parodiam ou insultam, pois não tenho nem quero ter quem venha a correr avisar-me de que fulano disse isto ou fulana cuspiu aquilo.

Mas estou certo de que conseguirão dar a volta por cima...

Publicado por sharkinho às 11:16 PM

setembro 16, 2006

A POSTA PRA VER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 05:46 PM

RACHA LENHA

A solidariedade é uma manifestação que me sensibiliza. Acho bonito quando alguém acode a outro alguém em apuros, de forma abnegada e corajosa.
Porém, não confundo gestos solidários espontâneos com reacções sistemáticas e padronizadas que apenas reflectem a defesa instintiva do membro da mesma tribo ou o apelo primário aglutinador de um bando de chimpanzés.

Quando se intervém em abono desta ou daquela causa, desta ou daquela pessoa, não se deve perder de vista a necessidade de averiguar a justeza da nossa reacção. Nem sempre os “nossos” têm a razão.
E corremos o risco de intervir em abono de crápulas manhosos (daqueles que agridem pela surra e saem sempre bem no boneco), dirigindo as nossas invectivas a quem apenas, por exemplo, reagiu “com eles no sítio” a uma provocação, ou de causas injustas e impossíveis de defender.

Não custa nada tentarmos perceber se é oportuna e justificada a nossa intervenção, evitando assim um pontapé no vazio em prol de uma razão obscura, baseado apenas numa reacção de impulso, instintiva, de defesa da parte que consideramos mais próxima por esta ou por aquela razão.
E não podemos cegar pelo despeito, pela animosidade pontual, pelos vínculos que tantas vezes se revelam frágeis ou mal avaliados à partida.

Irrita-me sobremaneira, esta tomada de partidos sem avaliação prévia das situações em que entendemos meter o bedelho. E essa escolha pode manifestar-se em gestos hostis para com quem não os mereceu ou em silêncios cobardes que fragilizam porque isolam alguém à mercê de quem lhe queira mal.
Merecem-me a mesma revolta, o mesmo subsequente desprezo, as solidariedades de circunstância mal medidas por parte de quem se cola a um lado da questão (o dos “seus”) e o cruzar de braços negligente de quem sabe a verdade dos factos mas prefere (por razões inexplicáveis) ignorá-los.

Enojam-me os dois lados da questão. A falta de solidariedade de quem se está nas tintas para os seus deveres de lealdade (fazem de conta que não percebem ou assim) e que revela pelo menos uma destas realidades: um comprometimento repartido, uma cobardia inata ou a simples negligência de quem nunca se esquece de reclamar o apoio que não oferece aos outros. E por outro lado, o excesso de zelo de quem, brothers in arms, avança sem questionar em defesa dos membros da “matilha” a que prova pertencer.
Se aos primeiros nos resta colocá-los no grau de importância que merecem, aos últimos basta recordar a sabedoria popular que lhes devia despertar a lucidez e a consciência.

Quem está fora…

Publicado por sharkinho às 09:56 AM

setembro 15, 2006

E OS ALUNOS ADEPTOS DO GIL VICENTE CHUMBAM TODOS?

cartola na carteira.gif

Eu sei que esta posta interessa mais a quem tem filhos em idade escolar, pelo que vou esforçar-me para reduzir a coisa ao essencial.
E começo pelo princípio: de cada vez que um Governo altera ou permite alterar o esquema de funcionamento do Ensino é mais vincada a sua crescente desresponsabilização das obrigações que os nossos impostos lhe impõem.

Tenho uma filha no segundo ano do primeiro ciclo (a antiga segunda classe). Este ano, como é costume, foi agendada uma reunião com os pais e encarregados de educação para, em simultâneo, apresentar a bela trampa de decisões do “agrupamento” que rege os destinos da escola da minha filha e fingir que respeitaram a intenção do Executivo de iniciar as aulas até ao final desta semana. Hoje, portanto.
O primeiro indicador de que algo não bate certo foi o facto de a dita reunião ter sido marcada para as 13:30 horas de um dia de semana…

Mas esperavam-nos revelações ainda mais elucidativas da barraca que o Estado dá nesta matéria.

As aulas passam a ter início meia hora mais cedo, o que até parece um transtorno menor. Estapafúrdio (e exemplificativo da tal desresponsabilização de que falo acima) é o facto de a esses trinta minutos corresponder um intervalo de igual período, não remunerado aos professores. Este pormenor implica que os alunos ficam durante meia hora ao relento, pois os blocos escolares são encerrados e muitos espaços de recreio não possuem uma área coberta. No pico do Inverno isto soa cruel e desnecessário, à conta da poupança de 30 minutos de trabalho de um professor.

Para os professores, para além da inovação do livro de ponto com sumários no 1º ciclo, nasce a obrigação de compartimentar a matéria em disciplinas (o que os impossibilita de criar uma sequência lógica e agradável para as aulas). No fundo, transporta-se o esquema do segundo ciclo para o primeiro. Fica tudo menos apelativo para alunos e professores.
Se considerarmos que a escola deve ser um espaço agradável precisamente para estes dois grupos, é óbvio o divórcio entre a lógica do Governo e a prática no terreno. Nada de inovador, portanto…

E depois os novos períodos “complementares”, o Apoio Escolar (os TPC passam a TPE) e as Actividades de Enriquecimento Escolar (os putos acrescentam mais duas horas ao tempo de permanência numa escola que os “põe na rua” todos os dias às 10:30), tudo desenhado para converter a escola num martírio (já tinham aquela ideia peregrina da hora e meia de aula no antigo secundário e agora começam a prepará-los mais pequeninos para o abandono escolar).

Eu pasmo com estas alarvidades. E se antes estranhava a súbita psicose de encerramento de escolas, com base na gasta e duvidosa argumentação da melhoria da eficácia do sistema, agora não duvido que o sistema quer é poupar umas coroas (sem que isso implique uma redução fiscal para quem o sustenta e, por isso, à nossa custa).
No fundo, o Estado quer obrigar quem pode a inscrever os filhos no privado. E para isso pioram aquilo que podem (parece mal deixar degradar o equipamento escolar e tal), alterando as regras a um ponto que torna insustentável a vida de alunos, professores e pais.

Se somarmos estas aberrações à forma desastrada (desastrosa) como a classe docente tem vindo a ser tratada (humilhada), é fácil de prever a alegria que irá reinar no ano lectivo que agora começou.

Como apontamento final deste lençol não posso deixar de referir um questionário de preenchimento “obrigatório” (deve ser, deve…) onde, entre outras informações importantíssimas, procuram saber com que idade o aluno foi desfraldado, o tipo de parto que o trouxe ao mundo, quantas assoalhadas tem a casa onde vivem e, esta é mesmo de bradar aos céus, qual o seu clube de futebol preferido!!!

É de mim ou andam mesmo a gozar com a nossa cara?

Publicado por sharkinho às 09:40 PM | Comentários (11)

A POSTA PRA VER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 11:40 AM | Comentários (3)

setembro 14, 2006

POSTA MISTA

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Foto: Shark

Acabou de beber a cerveja e depois reagiu como se tivesse emborcado um copo cheio de lágrimas.
Ninguém na esplanada reagiu. Alguns desviaram por instantes a vista do jornal, dois ou três pararam de vaguear com os olhos enquanto falavam pelo telemóvel e concentraram por instantes a atenção naquela figurinha. Mas a maioria nem reparou ou apenas fez de conta.

Deixou sobre a mesa duas notas. Só uma servia para pagar a despesa. A outra, soube-se depois do sucedido, era a factura individual apresentada ao mundo como o valor residual de um aluguer de longa duração cujo prazo chegara ao fim. Encurtara, logo a seguir ao ruído assustador do chiar de travões alguns metros adiante, no extremo da rua. O som seco de um baque, mais o que pareceu a alguns um grito.
Uns zunzuns, o dono do estabelecimento a espreitar o aglomerado de mirones, passados uns minutos chegou uma ambulância que acabou por se ir embora e a pequena multidão dispersou.

Alguns comentários e meia dúzia de esgares de consternação depois, alguém quebrou o silêncio encomendando uma tosta mista.

Sem manteiga, por favor.

Publicado por sharkinho às 10:10 PM | Comentários (0)

UM MAR DE FÍFIAS

Depois de várias tentativas frustradas para entrar na plataforma onde edito este blogue, o que aconteceu agora por mero acaso, acabei por publicar no Ponto Sem Nó da Mar (estava escrito, sócia) uma posta que estava destinada ao charco.

Até acaba por se escrever direito por linhas tortas, pois o assunto começou e no Blogger Beta as caixas de comentários são mais certinhas...

Publicado por sharkinho às 04:00 PM | Comentários (4)

A POSTA PRA VER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 11:06 AM | Comentários (0)

setembro 13, 2006

SALADA DE FRUTAS

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Sportinguismo à Figo (é preciso uma ganda lata...)
Foto: Shark

Ontem, depois de uma vitória importante para o futebol português, gostei particularmente de assistir à pouco simpática entrevista do alegado sportinguista que joga no Inter e levou na pá (parabéns, amigos e rivais da segunda circular). O bacano não achou que os putos (a meu ver brilhantes) do "seu" clube tivessem conseguido grande proeza.
Foi um momento enriquecedor pois todos vimos em directo como a engenharia genética portuguesa consegue produzir na boa um enorme melão verde do entroncamento a partir de um figo pequeno no feitio e demasiado maduro no desempenho.

E isto pouco tempo depois de lhe renderem homenagem sincera naquele mesmo estádio.

Meu rico Rui Costa...

Publicado por sharkinho às 02:39 PM | Comentários (3)

A POSTA PRA VER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 12:32 PM

SEM BARRACA NEM BANDEIRA

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Foto: Shark


Muitos blogues que em 2005 se revelaram viveiros de conversa em animadas caixas de comentários lembram-me agora bares quase desertos numa praia encerrada ao público por causa da matéria coliforme em excesso.
Quer dizer, os bares até continuam abertos (a maioria) e a fornecer os comidos e os bebidos virtuais que as palavras e as imagens simbolizam. Porém, é óbvio que a conversa de merda em que se incorreu com demasiada insistência, numa fase em que o clima entre bloggers acinzentou e as picardias saíam em barda como imperiais para as mesas, com a ajuda dos “cravas de estacionamento” anónimos que apanhavam a boleia de qualquer discussão para deixarem a sua impune poia cáustica, esse ambiente pesado e pouco higiénico que tombou sobre muita blogosfera acabou por inquinar as águas com as respectivas descargas.

E os banhistas visitantes, muitos deles industriais desta “restauração” virtual de esplanada, passaram a curtir a praia à distância, a partir da falésia.

Muitos dos que, como eu, geriram essa época dos ovos de ouro em que a interactividade prometia ser a alma da coisa como se nunca mais pudesse haver cadeiras vazias ou mesmo menor movimento nas caixas, podem agora olhar de esguelha e com consciência pesada os farrapos da bandeira azul dependurados sobre a inútil bóia de salvação.
O ambiente fétido que esteve até na origem do encerramento (ou aparente mudança ou aparente regresso seguidos de encerramento na mesma) de alguns estabelecimentos de renome, lixo acumulado nas postas e nas respostas, na atitude, consequente saturação, deu-nos cabo deste Verão.

O saneamento básico melhorou, mas a malta habituou-se aos poucos a trazer o farnel de casa. A reengenharia inadiável, que isto não vive do ar (sem pessoas que vejam), pode até passar por nos assumirmos entertainers e alguns até já se desfazem em palhaçadas para atrair os arrivistas com olfacto menos sensível.

Mas mesmo que se continuem a facturar uns chás, cafés e laranjadas à conta de quem arrisca um mergulho de teste nas águas ainda meio turvas para poder assistir de perto ou mesmo participar no espectáculo, temos que admitir a falta que os aplausos fazem no final de cada performance.

Afinal, agora a alma do “negócio” é sermos mesmo artistas e executarmos o nosso número, seja qual for, de forma ecologicamente irrepreensível e o mais possível “profissional”.

Mas claro que este paleio não se aplica a qualquer um de vós que blogam por e para si próprios e não ligam nada a estas questões “comerciais” e absolutamente secundárias do maior ou menor volume de atenções captadas.

Estou a falar com os meus botões neste palco-esplanada, completamente sozinho no meio do areal…

Publicado por sharkinho às 10:15 AM | Comentários (9)

setembro 12, 2006

À QUEIMA-ROUPA 3

Estou impressionado.
Qualquer dia ainda o vejo a construir (acho que é esse o termo adequado) a página de passatempos de uma prestigiada publicação qualquer.

Publicado por sharkinho às 03:56 PM

A POSTA PRA VER

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 12:29 PM | Comentários (2)

AQUI PRA NÓS QUE NINGUÉM NOS LÊ

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Um dos perigos que os “veteranos” da altura em que aderi a esta blogarice que me agarrou mais me aconselharam a temer foi o da tendência para nos deixarmos guiar pela audiência.
Ou seja, o impulso para dar ao povo aquilo de que ele gosta (e o povo gosta das coisas mais incríveis).

Contudo, e mais ainda desde que o charco perdeu o seu status de chatblog (como alguém o chamou tempos atrás), não faço a mínima ideia do que o povo gosta. Vou debitando postas sobre o que me dá na mona ou apenas uns bonecos para descansarem a vista e tento perceber como reagiria se estivesse no vosso lugar. Não para corresponder às vossas expectativas temáticas mas apenas às minhas expectativas em matéria de interesse, de “qualidade” do tempo que vos faço investir nesta treta.

É ponto assente que a “minha” blogosfera anda mortiça. Sem blogues como o Afixe, o Ruínas ou o Fumos (só para citar alguns) isto fica logo menos atraente para um gajo como eu. Por outro lado, a vaga mais recente de rapaziada tarda a produzir espaços que dêem pica, tem uma atitude merdosa relativamente às suas caixas de comentários (deixam um gajo a falar sozinho) e os que antes acompanhava, salvo raras excepções, tornaram-se algo mais enfadonhos e, confesso, entediam-me.

E esse é o receio que sinto, de cada vez que abanco diante de uma folha virtual em branco para construir algo que vos possa agradar por isto ou por aquilo.
Já sabem que sou alérgico a temas demasiado densos, próprios para saraus e cenas assim, bem como à utilização de um blogue para dar pala de culto à brava. Disso temos à carrada, feito por meia dúzia de pessoas com substrato e imitado por centenas de aspirantes a self made intelect.

Também me satura incidir por sistema numa determinada área. Podia falar-vos de sexo a toda a hora, ou de futebol, ou de gajas, ou de amor, ou de gajas, ou de emoções, ou de política, ou de gajas, enfim…
Podia cristalizar num estilo e num tema. Mas abomino as realidades estáticas e por isso tendo a variar nas abordagens, sem critério, apenas tentando oferecer-me (literalmente, nas incursões mais umbiguistas) com o respeito que me merecem desse lado.

Faço o melhor que posso e sei e já há muito deixei de ambicionar construir aqui uma versão alternativa à minha pessoa, pelo que quem cá vem só é enganado/a se quiser.
Estou farto de vos mostrar o rabiosque das minhas fraquezas, que assumo sem nóias, e das minhas forças, que quem me conhece reconhece facilmente.
Vejo-me a toda a hora confrontado com os aspectos negativos desta actividade. O excesso de exposição e os abusos e canalhices que daí derivam, as consequências da má interpretação das minhas palavras, o tempo roubado a outros tempos que me fazem falta.
Mas também vejo o entusiasmo com que me dedico a construir aos poucos uma realidade que não me envergonhe agora e no futuro, o charco que se aproxima a passos largos dos dois anos de Weblog mais uns meses de Blogger, e eu, que entrei comentador nesta vida virtual no início de 2004.

Tu, que estás a ler isto (e gabo-te a persistência se conseguiste chegar até aqui), podias estar a fazer outra coisa qualquer. E isso é motivo mais do que suficiente para me esforçar no sentido de saíres sempre com a sensação de que valeu a pena.

E o resto é conversa.

Publicado por sharkinho às 11:47 AM | Comentários (10)

setembro 11, 2006

PRESUNTÃO E TINTO BENTO

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Foto: Shark

O EOL, projecto e obra única literária no panorama do mundo digital português, acabou, finito.
Todas as obras têm um tempo, e o tempo de EOL esgotou-se. Principalmente porque o arquitecto desta obra perdeu a paciência; e também, a génese da verdadeira nova literatura portuguesa para o século XXI, uma literatura que se quer à altura dos seus grandes mestres do passado literário português, foi e está lançada.
Para toda a gente de bem, para todos os não-mal-intencionados, para todos aqueles que têm cérebro verdadeiramente humano, a obra foi feita.
Mas não houve mais paciência, por parte do arquitecto da obra, de continuar a aturar basbaques, bacocos, mentecaptos e outros monstróides que assediavam contínua e irritantemente esta obra que, e também, por sua pura ignorância, iliteracia, ou simplesmente pura maldade, não queriam permitir que esta obra aqui continuasse.

Extraído de "Caixa de Comentários do Weblog", Cap II, Tomo terceiro, por António Duarte Bento (com a devida vénia ao magnificente autor, os sublinhados são da responsabilidade deste humilde editor de um blogue de qualidade inevitavelmente inferior à do seu)

N do A: as referências no título visam apenas homenagear o lauto repasto de palavras que a obra do senhor arquitecto certamente terá fornecido à saciedade.


Depois disto, amigas e amigos, este portentoso anúncio do fim de um blogue que eu admito, sem um cérebro verdadeiramente humano, nunca ter visitado, como poderei algum dia despedir-me de vós com a dignidade que o charco merece?

Publicado por sharkinho às 08:27 PM | Comentários (2)

À FLOR DA PELE

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Foto: Shark

Plantas em mim canteiros, a delícia dos teus cheiros em cada carícia que me dás.

Publicado por sharkinho às 07:46 PM

A POSTA PRA VER

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 04:32 PM | Comentários (2)

À QUEIMA-ROUPA 2

Os seus sonhos parecem luzinhas de Natal.
Luminosos mas intermitentes.

E quase sempre fora de época.

Publicado por sharkinho às 03:04 PM

À QUEIMA-ROUPA

A vergonha é sua familiar próxima.
Prima pela ausência.

Publicado por sharkinho às 02:55 PM

A MEMÓRIA NÃO CAIU

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Foto: Shark

Hoje é dia 11 de Setembro.
Há cinco anos, quando o sol nasceu, era apenas o dia a seguir ao dez...

Publicado por sharkinho às 12:38 AM | Comentários (5)

VACANCES DO ESQUALO

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 12:08 AM | Comentários (2)

setembro 10, 2006

COFFEE BRAKE

Gosto mesmo muito de café. O virtual, tomo-o aqui.

Publicado por sharkinho às 11:14 PM | Comentários (0)

A POSTA PARA VER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 04:58 PM

DESCUIDADOS INTENSIVOS

Sentiu aquela perda como uma amputação.
Uma parte sua, decepada, inanimada no chão de pedra fria da sala de memórias das dores que sentiu.
Como uma amputação. A sangue frio.

E depressa descobriu que não tinha hipóteses de salvação.
Não existem próteses que encaixem nos cotos de um coração.

Publicado por sharkinho às 03:56 AM | Comentários (0)

A POESIA DOS OUTROS

É seguramente melhor do que a minha.
Deixo-vos aqui um exemplo, extraído de uma canção que ouço quase todos os dias.

I am the one who guided you this far
All you know and all you feel
Nobody must know my name
Oh nobody would understand

And you kill what you fear
and you fear what you dont understand

I love you but I must leave
You’re on your own until the end

There was a choice but now its gone
I said you wouldn’t understand
Take whats yours and be damned

Duke’s Travels, Genesis

Publicado por sharkinho às 01:48 AM

setembro 09, 2006

VACANCES DO ESQUALO

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Publicado por sharkinho às 03:35 PM | Comentários (0)

A POSTA AGRADECIDA

Podem ser valiosos os conselhos de uma amiga, mesmo quando demoramos a interpretar a mais-valia que eles representam. E mesmo quando a nossa atitude perante quem nos aconselha possa parecer indiferente ou mesmo hostil, nem sempre isso corresponde ao que nos fica na alma como rasto do que nos é transmitido.
Como já diversas pessoas fizeram questão de salientar, tu incluída, não primo pela capacidade de resposta rápida. Sou lento de raciocínio e, necessariamente, na compreensão das mensagens que me dirigem.

Contudo, água mole em pedra dura, vou apanhando aqui e além os elementos necessários para atingir a custo os objectivos para onde me encaminham com a sua sabedoria as poucas pessoas que me concedem o benefício da dúvida, algo que a maioria não se predispõe a confiar perante a minha forma de reagir a determinadas situações.
Nem sempre sabem o que está por detrás de alguma bizarria no meu discurso ou dos comportamentos aparentemente anómalos que protagonizo nos momentos menos bons, mas estão-se nas tintas e cuidam de si como é normal, sem espaço nem tempo para as ondas e os desequilíbrios de terceiros.
Absorvem com sofreguidão o lado rosa e cospem sem hesitação os caroços das pancas alheias.

Sou daquelas pessoas de quem só é possível gostar com base na intuição. Sou difícil de aturar, impossível de entender, tão extremado no que revelo de pior como extremoso nos atributos que, como qualquer pessoa, também possuo para me defender.
Sou daquelas pessoas de quem só é possível gostar com base no balanço, no saldo final de tudo aquilo que faço e de tudo aquilo que sou.
Uma amiga que insista, apesar da minha aparente distância, em me aconselhar, em tentar conduzir-me para soluções que me poupem e poupem os outros de uma série de constrangimentos que atraio é uma pessoa que me vejo forçado a admirar.

Sobretudo quando os conselhos, passados e presentes, constituem uma saída para os becos em que me encurralo ou deixo encurralar.

Vou seguir alguns dos teus conselhos à letra, amiga, e linco-te, e identifico-te, apesar de ninguém ter nada a ver com o que se passa (e tu sabes que é para ti este recado) não fornecerei qualquer indicação (tu acabarás por descobrir, com o olho de lince que te caracteriza) da solução que adoptei em conformidade com as tuas sábias palavras que cuidei de registar e não caíram em saco roto…

A limitação que atrás referi e da qual também tu já sofreste consequências directas ou indirectas não me impede de lá chegar.

O processo de mudança acaba de começar.

Observa…

Publicado por sharkinho às 02:59 PM

FINALMENTE FEZ-SE LUZ

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Foto: Shark

(Já te devia este há muito tempo, SaltaPocinhas...)

Publicado por sharkinho às 01:50 AM | Comentários (4)

UM AR QUE LHE DEU

Ele aguardava angustiado em silêncio no isolamento que a sua condição impunha.
Nem um sinal lhe chegava por entre o halo de luz diante do seu olhar.

Mas nesse dia, finalmente, escutou a brisa (de um email) a soprar...

Publicado por sharkinho às 12:30 AM

setembro 08, 2006

FOGO DE ARTIFÍCIO

Sentia no peito o aumento da pressão enquanto na sua cabeça queimava um rastilho imaginário que o aproximava aos poucos da inexorável explosão.
As cordas que o amarravam, ilusórias, cediam à força acumulada naquele corpo de homem saturado de uma estranha versão de cativeiro que se impunha para preservar coisa nenhuma, em prol de uma promessa que apenas na sua mente existia.
E agora partia, as amarras em excesso e a sua vontade inquebrantável de vencer a guerra perdida à partida na batalha inaugural, para um outro lugar da coragem desertora que insistia em desafiar as suas mais vincadas convicções.

Controlava as emoções e gerava a força interior de que necessitava para o toque a reunir das armas e munições que gritavam revolução. Em si a explosão anunciada, rastilho mais curto, a voz silenciada para não denunciar a hora H aos que de bom grado atingiria com os estilhaços da dor que sentia e se preparava para expurgar em definitivo num instante mágico de libertação.
Tronco nu diante da mesa, arfava a certeza de que seria capaz do passo seguinte no árduo caminho para a paz que buscava em vão nas soluções temporárias, nos finais das suas histórias de encantar que contava para enganar o destino traçado de antemão.

Mediu os prós e os contras das opções em causa, encostado à parede pelo ultimato da razão. Ignorou o coração que lhe implorava misericórdia, a esperança na concórdia que abortava no ventre da lucidez. Uma gravidez vaidosa numa montanha de solidez duvidosa que se preparava para dinamitar com as suas decisões inadiáveis.

O fragor do rebentamento das águas, silêncio sepulcral.

E depois um choro de crocodilo se ouviu da boca do rato que a montanha pariu.

Publicado por sharkinho às 02:46 PM

SEM ABRIGO

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Foto: Shark

O guerreiro veterano percebeu que a batalha estava perdida quando o mal se infiltrou, desilusão, no lado avesso da sua paliçada de cartão.

Publicado por sharkinho às 02:42 PM

setembro 07, 2006

VACANCES DO ESQUALO

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 10:06 PM

MESTRE CÃO

Acho que já vos falei há tempos de um velho chihuahua abandonado (acho que é essa a raça desses minorcas pelados) que abancou num estaleiro de obras nas traseiras do edifício onde moro.
É um daqueles cães irritantes, farta-se de latir mesmo que ninguém lhe dê importância. Incomoda um nadinha, pois o lugar dele é mesmo no canil de onde uma vizinha tóina o soltou, dando-lhe mais uma abébia para virar para a minha janela o seu ladrar histérico.

Eu gosto de cães. Mas também gosto de pessoas e não é por isso que tenho que as aturar a todas por igual. Aquele arraçado de pincher anão tem feitio zaragateiro, vira o dente a toda a gente que sente ter ficado com algo de seu (mesmo sem se meterem com ele, embirra). E tem pouco, de facto, pois é hostil mesmo a quem lhe sustenta os vícios de cão. Nem a tal vizinha escapou das suas dentadas manhosas e só por distracção poderá ter dado uma goela a um animal que tantas vezes lhe tirou a boa disposição com atitudes mesquinhas e uma barulheira distante mas perturbadora.

Agora estou de férias e não me incomoda a presença do canídeo a pilhas, mas aproxima-se o dia de regressar a casa e tenho que encontrar uma forma de aturar o béu-béu sem lhe enfiar a biqueirada que merecia mas já desisti de alimentar na minha ideia. Sou incapaz de maltratar os animais, ainda menos quando me metem dó.
O desgraçado do vira lata passa os dias e as noites a rosnar a sua desdita, coitado, e poucos lhe ligam. Compreende-se a motivação do seu feitio mau e tortuoso, traiçoeiro, e da sua insistência em latir mais para as janelas do lado dos que, como eu e a tal vizinha distraída, lhe vão dando pretextos para fazer ouvir a sua vozinha de falsete.

O meu cão, impávido, faz de conta que nem o vê. Ignora-o, como eu devia, e não lhe alimenta a vontade de ladrar.

Tenho muito a aprender com o meu cão.

Publicado por sharkinho às 04:20 PM

NATASHA NO TACHO

A jovem austríaca que se tornou célebre a nível mundial, pelo motivo que se sabe, não queria ser incomodada. E com toda a razão, pois já teria bastado o incómodo que um psicopata qualquer causou à rapariga e aos seus.
Contudo, depois desse divulgado fenómeno de rejeição à insistência da Imprensa, acabou por aceder a uma entrevista televisiva (da qual resultarão dividendos pela retransmissão no resto do mundo) e agora deixou-se fotografar para uma revista, pressupõe-se que “a pagantes”.

Pelo transtorno que oito anos de vida (toda a adolescência) passados num buraco na casa de um estranho lhe causaram, é natural que a moça até justifique os lucros que a sua triste mediatização possa render.
Porém, é inegável que os dramas modernos possuem uma variação bizarra de final feliz.

Foram amplamente noticiados & viveram F€£IZ€$ para sempre…

Publicado por sharkinho às 12:49 AM | Comentários (4)

setembro 06, 2006

A POSTA NO ÚLTIMO A RIR

Sempre admirei as pessoas capazes de parodiarem situações sérias. Vejo muito disso nas caixas de comentários alheias e até fico com pena de as do charco não funcionarem como deviam, para poderem acolher esses laivos de boa disposição.

É que muitas vezes as situações só são aparentemente sérias.

As aparências iludem.

E eu também gosto de brincar.

Publicado por sharkinho às 01:22 PM

setembro 04, 2006

A POSTA PRA VER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 11:20 PM

A POSTA PARA VER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:50 PM

A POSTA PRA VER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:28 PM

setembro 03, 2006

A POSTA NO SEXO EM GRUPO

Em resposta à proposta indecente da São Rosas, estreei-me hoje noutras águas.

Bolinha vermelha no canto.

Publicado por sharkinho às 05:55 PM

CATCH ME IF YOU CAN

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Existem coisas (pessoas, situações, sinais) que nos transmitem uma sensação desconfortável de calafrio. É uma reacção desconcertante porque impossível de racionalizar. Apenas sentimos que há algo de errado no filme mas não sabemos explicar perante nós próprios o quê e ainda menos porquê.
Coisas que não batem certo com a lógica que nos permite perceber a realidade de uma forma que encaixe nos moldes ditos normais.

Essa estranha percepção, desenvolvida sabe-se lá onde nos recantos mais esquecidos do nosso encéfalo subaproveitado, também nos transmite ondas positivas que nos levam a embarcar muitas vezes na mais retorcida incógnita, por simples impulso. Chamamos-lhe instinto para lhe podermos chamar alguma coisa, mas ninguém sabe explicar de forma inequívoca o que está afinal na origem desses fenómenos quantas vezes tão intensos que alguns chamam-lhe paranormais e outros atribuem-lhes um cariz mais do que sobrenatural. Divino, até.

Ao longo da minha vida prestei atenção a essas manifestações interiores. Em muitos momentos deixei-me guiar por esse farol interno que me safou de algumas encrencas (ou apenas me deixei limitar pelos condicionalismos inadiáveis e explica-se assim o abrandamento contra-natura). Mas também me conduziu como um passarinho às armadilhas com que uma vida normal nos confronta, quantas vezes com a nítida noção do risco em causa.
Gosto de arriscar, confesso, uns mergulhos de pranchas a partir das quais nem se consegue distinguir o tipo de chão onde eventualmente me estatelarei. Cego às recomendações desse alerta que tenta manter aberta a minha janela para a lucidez.
É nesse apelo inexplicável para o risco semi-controlado que residem as razões para a maioria dos disparates que cometo, cometi e cometerei sem dúvida no futuro que me restar.

Dou-me mal com faróis ou outros avisadores de perigos vários, pois gosto de encontrar a luz dos meus caminhos no meio da escuridão. Sem muletas, sem interferências, capaz de enfrentar os meus medos (acabo de vencer o mais ancestral, o medo aos dentistas) e de lamber as minhas feridas até cicatrizarem por si. Ou por mim, que no balanço me julgo merecedor de alguns trambolhões sem consequências funestas.
Avanço para o medicamento completamente desatento às contra-indicações e emborco-o sem hesitar, alheio às quantidades prescritas na receita. Tanto faz morrer da doença ou da cura…

Acima de tudo exijo viver num ritmo compatível com a minha alergia. Reajo mal à monotonia a que a prudência em excesso me reduz e aceito as consequências de algumas irreverências que me deitam a perder aqui e além, melhor ou pior.
Embalado pelo tal “instinto”, a mais de duzentos à hora numa auto-estrada até rebentar com o conta-quilómetros e a seguir gripar o motor. E isso se não me estampar entretanto.
Ou envolvido em situações de contornos delicados, tentando controlar os pequenos focos de incêndio que denunciam o descontrolo de fogos devastadores nos conturbados bastidores da minha emoção ateada.

Assim me explico no que não possui explicação alguma. Lenitivos para o reconhecimento de atitudes que oscilam entre o inevitável mergulho no caos e a mais absurda estupidez.

A minha razoabilidade é feita de ténues barreiras de sinalização que muitas vezes atropelo no meio da correria desvairada rumo ao “bute” que grita dentro de mim.

A minha vida é feita de curvas apertadas, mas é em frente é que é o meu caminho.

E depressa que se faz tarde.

Publicado por sharkinho às 04:30 PM

setembro 02, 2006

CABO DAS TORMENTAS

Dedo no leme, olhos colados ao horizonte no monitor. Navego pelo amor, comando à distância, parto para onde o coração me levar.
Movo-me afinal pela urgência de za(r)par rumo ao teu canal.

Publicado por sharkinho às 07:26 PM

setembro 01, 2006

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 04:58 PM | Comentários (2)