« FERNÃO CAPELO (urban mix) | Entrada | CLIMA INSTÁVEL »
setembro 30, 2006
SUBTILEZA ARIANA
Sempre me causou urticária a forma descarada como muita Imprensa do nosso país suscita o racismo, apesar de julgarem que o fazem de uma forma subtil e que passa despercebida a quem recebe a mensagem.
Eu explico melhor.
Se eu matar alguém a tiro, a notícia será dada da seguinte forma:
“Uma pessoa foi hoje abatida a tiro por um indivíduo com 41 anos de idade.”
Mas a coisa soa diferente, se for o meu vizinho guineense a assaltar o supermercado do bairro:
“O supermercado do bairro foi hoje assaltado por um indivíduo de origem africana.”
Subtil à brava, não é? Pois, mas se eu censuro a Imprensa por alinhar nestas pequenas distinções das pessoas (e das situações) em função da sua raça ou nacionalidade (podem substituir o africano do exemplo acima por um branco louro, desde que seja ucraniano ou moldavo), acho igualmente reprovável que esse incitamento ao racismo seja levado a cabo num blogue.
É que isto de ter um blogue permite-nos algumas liberdades, mas não escapa ao compromisso moral de termos tino na utilização deste meio de comunicar com as pessoas. O facto de não sermos, na esmagadora maioria, opinion makers não nos desresponsabiliza de suscitarmos com os nossos textos as reacções que hoje encontrei num blogue da nossa praça e que só surgiram pela oportunidade que foi concedida a quem comenta.
Se não linco o blogue onde me confrontei com uma posta que até pelas circunstâncias descritas é de uma falta de sentido de oportunidade e de um mau gosto atrozes é apenas porque não pretendo levar ainda mais pessoas ao espaço em causa. E porque sei que quem ler aquele apelo descarado e bem direccionado ao racismo vai fazer a associação de ideias com este meu texto.
É que uma coisa é publicar um desabafo contra uma situação inadmissível.
Outra coisa é disfarçar uma atoarda racista no meio da confusão.
As reacções de quem leu, os comentários, dizem o que falta e não preciso de reiterar aqui.
Publicado por sharkinho às setembro 30, 2006 11:16 PM
Comentários
Mas já devias saber que, do parvalhão em causa, poderias esperar tudo. Falta de gosto, sentido de oportunidade, ego insuflado, aldrabão, utilização de "espias" para depois fazer textos parvalhões, sem saber sequer do que fala, enfim...
Racista era só já a que lhe faltava para confirmar a completa abjecção de espécime que é.
Publicado por: Mar às outubro 1, 2006 01:38 PM
Acredito que tenhas motivos de sobra para colocares as coisas nesse prisma.
Ainda assim, eu centrei o meu texto não na pessoa mas na sua expressão blogueira e prefiro manter o assunto nesse domínio.
Achei deplorável o texto e execráveis alguns dos comentários que suscitou, indignos de um blogue com expressão regional e com responsabilidades acrescidas nesse contexto que deveriam bastar para conter achas desta natureza para uma fogueira que o quotidiano já ateia qb.
Publicado por: sharkinho às outubro 2, 2006 09:20 AM
Tenho concerteza e esqueci-me de que não deveria transpô-los para outros locais que não aquele pelo qual respondo directamente.
Peço-te desculpa pelo facto e garanto que não volta a repetir-se.
Publicado por: Mar às outubro 2, 2006 10:10 AM
Também não é preciso tanta formalidade entre nós, pá...
Fiz o reparo apenas porque nesta altura não quero alimentar questões de índole pessoal e tu sabes porquê.
Publicado por: sharkinho às outubro 2, 2006 11:11 AM
Mas tens razão pá. Eu apenas reagi ao vómito que me provocam o tipo de pessoas que descreves no teu texto. Qualquer incitamento a racismo xenofobia ou outro tipo de fanatismo me tira do sério, daí o excesso da minha reacção. Não tive intenção nenhuma de te envolver aqui em público em questões pessoais minhas e por isso não o deveria ter feito daquela forma. ;-)
Publicado por: Mar às outubro 2, 2006 11:36 AM
Tás perdoada ò impulsiva desbocada... :)
Publicado por: sharkinho às outubro 2, 2006 11:48 AM
Xou axim...e gosto de mim, fazer o quê? (smile, que o weblog não aceita)
Publicado por: Mar às outubro 2, 2006 12:30 PM
Há pessoas assim... é triste mas há! Faz lembrar aquela história:
Um jovem está na porta da Universidade em Lisboa e vê uma senhora a ser atacada por um pitbull, de imediato pega num pau e começa a bater no cão até ele largar a senhora. Um jornalista que por ali passava aproveita logo para fazer reportagem.
-Muito bem jovem você é um herói! Já estou a ver o título "Jovem Lisboeta salva senhora da morte certa"
-Mas eu não sou lisboeta... eu sou ali da "margem sul"
-Hummm... ok... "Jovem delinquente ataca pitbull à paulada"
----
Já tive um "confronto blogueiro" com um blogger de extrema direita (não assumido) que mantinha um blog de um mau gosto também subtil, de maneira que não dizia praticamente nada, mas dava a entender tudo...
Publicado por: Farpas às outubro 2, 2006 01:37 PM
Charquinho até estás a ser muito moderado é que, quando o individuo pseudo-marginal é de origem africana, normalmente é multiplicado por 10 por 50 ou até por mais.
E quantas vezes a palavra origem, dá lugar à palavra "raça" (detesto esta palavra) e esquecem os indivuduos, passando um, por um todo.
(Nota - como raça só aceito a raça Humana)
Publicado por: susete às outubro 2, 2006 02:14 PM
As respostas que vos dei há horas atrás, Susete e Farpas, foram raptadas por um tal de "Internal Server Error" que anda aí a surripiar os comentários da malta.
Logo que possa repetirei a dose...
Publicado por: sharkinho às outubro 2, 2006 06:36 PM
Estive a ler um texto seu que fava sobre a cegueira.....
Mas afinal o individuo que assaltou o supermercado, era ou não de origem africana?
Fundamentalismos...
Desculpe a falta de subtileza de assinar com o meu próprio nome.
Publicado por: João Santos às outubro 4, 2006 12:01 AM
Estive a ler um texto seu que falava sobre a cegueira.....
Mas afinal o individuo que assaltou o supermercado, era ou não de origem africana?
Fundamentalismos...
Desculpe a falta de subtileza de assinar com o meu próprio nome.
Publicado por: João Santos às outubro 4, 2006 12:05 AM
Estimado amigo João, mesmo não entendendo o cerne da sua questão (talvez a tal cegueira...) quero tentar esclarecê-lo que o supermercado não foi assaltado mas se fosse eu estaria nas tintas para a cor da pele ou para o local de nascimento ou para as raizes de quem cometesse tal crime.
E para que não fique no ar essa noção da falta de subtileza inerente à assinatura com nome próprio, assino este comentário com o meu e equilibramos a parada:
Jorge Silva.
Sempre ao dispôr...
Publicado por: sharkinho às outubro 4, 2006 10:35 AM
O melhor mesmo é ignorar. Há uns tempos, sem dar por isso, fiz um comentário num blogue. Mais tarde, quer pelas réplicas ao meu comentário quer pela associação que comecei a fazer entre os vários posts e o próprio título do blogue, percebi que se tratava de um blogue de "extrema direita", racista e xenófobo.
Solução: Passei a ignorar completamente o blogue. O que eles procuram, na maior parte dos casos, é exposição e publicidade.
Publicado por: K@ffa às outubro 4, 2006 02:37 PM
Acho bem que eles se exponham e publicitem as suas convicções, Kaffa. Assim podemos identificá-los nessa condição e evitamos equívocos como o teu.
Além disso, a mesma liberdade que nos obriga a permitir-lhes a divulgação dos seus ideais leva-nos, em defesa desse valor sagrado, a termos que contrapor com as nossas ideias e prová-los errados se assim o acharmos.
Mas claro que o mais razoável é seguir a tua opção, considerando os modos agressivos da maioria dos aficionados dessa corrente.
Não foi o caso do amigo João e por isso lhe respondi sem qualquer problema.
Olha, tenho dias...
Publicado por: sharkinho às outubro 4, 2006 05:26 PM
Sr. Jorge Silva, presumo que pelo tempo que tem disponível para manter vivo este blog (de excelente qualidade literária e até fotográfica) que não tem e não me parece que venha a ter um supermercado, até a avaliar pela forma, digamos menor como fala desse negócio. Se o tivesse e fosse assaltado parece-me que se tornaria para si relevante saber de onde vem o perigo, que cor ele tem e ao que é que cheira.
Pode seguir o conselho do/a kaffa e ignorar o meu ponto de vista mas a realidade e angustia do "dono do supermercado" subsiste.
Garanto-lhe que este email não é violento nem é essa a minha natureza, mas tenho por hábito olhar para os problemas e perceber o que leva a haver, digamos, azuis e amarelos. é que eu tenho uma boa percepção cromática e não posso ignorar as cores, até porque todas elas são necessárias e de igual valor.
Nem mais nem menos......
Espero que não ter ameaçado o valor sagrado da Liberdade de nimguem, e fico -lhe grato por, condecendentemente, ter estado para aí virado naquele dia.
Cumprimentos e mais uma vez parabens por este Blog,
João Santos
Publicado por: João Santos às outubro 5, 2006 06:23 PM
Sr. Jorge Silva, presumo que pelo tempo que tem disponível para manter vivo este blog (de excelente qualidade literária e até fotográfica) que não tem e não me parece que venha a ter um supermercado, até a avaliar pela forma, digamos menor como fala desse negócio. Se o tivesse e fosse assaltado parece-me que se tornaria para si relevante saber de onde vem o perigo, que cor ele tem e ao que é que cheira.
Pode seguir o conselho do/a kaffa e ignorar o meu ponto de vista mas a realidade e angustia do "dono do supermercado" subsiste.
Garanto-lhe que este email não é violento nem é essa a minha natureza, mas tenho por hábito olhar para os problemas e perceber o que leva a haver, digamos, azuis e amarelos. é que eu tenho uma boa percepção cromática e não posso ignorar as cores, até porque todas elas são necessárias e de igual valor.
Nem mais nem menos......
Espero que não ter ameaçado o valor sagrado da Liberdade de nimguem, e fico -lhe grato por, condecendentemente, ter estado para aí virado naquele dia.
Cumprimentos e mais uma vez parabens por este Blog,
João Santos
Publicado por: João Santos às outubro 5, 2006 06:28 PM
Começo por agradecer o tom elogioso com que se refere ao meu trabalho neste espaço, amigo João Santos, e por confirmar que não possuo de facto um supermercado mas sei o bastante acerca do esforço exigido a quem o tem para nunca me referir a esse negócio como "menor" em qualquer circunstância. Por isso optei por um ofício menos cansativo e que me confere maior disponibilidade em matéria de tempo e de boa disposição. Terá sido um erro de interpretação seu ou uma afirmação involuntariamente ambígua da minha parte, estou certo.
Quanto à angústia a que se refere, possuo bens e não gostaria de me privado deles. Porém, e aí consiste a nossa divergência, sentirei a perda independentemente das características de quem a provocou. Ou seja, tanto faz que tenha sido um branco ou um amarelo ou às bolinhas: continuarei a achá-lo um criminoso e a não generalizar todos os indivíduos da mesma cor como potenciais criminosos pela coincidência na origem ou na pigmentação da pele.
Não ameaçou nada a ninguém e tive o cuidado de o salientar, embora a minha natural reserva de daltónico nessa matéria de seres humanos possa ter influenciado o tom condescendente a que faz alusão.
Prefiro arriscar a condescendência do que libertar a hostilidade instintiva que geram alguns pressupostos e respectivas consequências no mundo cão que construímos.
Como vê, um diálogo entre pessoas com diferentes pontos de vista pode ser cordato e esclarecedor.
E não me furto a debater essas diferenças com pessoas (de qualquer cor) capazes de revelarem bom senso e moderação na defesa das suas convicções. Faz parte da tal liberdade que tanto prezo e da qual este espaço é uma manifestação tangível.
Grato pela sua nova intervenção, envio votos de que goze um resto de feriado magnífico.
Publicado por: sharkinho às outubro 5, 2006 08:35 PM