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outubro 31, 2006
UNDER CONSTRUCTION


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 05:57 PM
CINEMA MUDO
A minha boca clama pelo teu sabor e chama ao amor estouvado pelo seu apelo desvairado a que o teu corpo nunca rejeita corresponder.
Os meus olhos exigem ver aquilo que as imagens fingem no reino de fantasia minha onde te assumes rainha e protagonizas o papel fulcral.
Um verdadeiro festival de cinema interior, este que vejo. O amor a atiçar o desejo e a película a passar na tela onde se pintam as cores garridas de emoções sentidas e de sensações que admito celestiais.
Os sons primordiais que os meus ouvidos solicitam, quando as folhas se agitam com o vento que parece sussurrar o timbre da tua voz que me delicia. Uma forma de magia que inspira os dedos de prestidigitador com que percorro a ilusão, recriada pela imaginação, da tua pele forrada a cetim.
Tão perto de mim, cá dentro, essa ideia avassaladora de um momento iluminado pelos raios de uma luz que brilha, lá fora, no sol que o teu sorriso traduz.
Tão perto de nós, esse amor vagabundo que nos toca tão fundo nos intermináveis intervalos de cada sessão, minutos talvez, mas uma eternidade na minha ideia.
E eu encafuo, onde não escasseia, mais uma bobina da longa metragem rodada na vertigem dos nossos corpos em ebulição.
Publicado por sharkinho às 03:53 PM
URBANIAS



Publicado por sharkinho às 10:31 AM
NADA A TEMER
De acordo com a Imprensa de hoje, Portugal será um dos países mais afectados pelas alterações climatéricas.
Contudo, somos também das nações mais bem preparadas para enfrentar a consequente desertificação (se tivermos em conta o facto de sermos dos maiores camelos em matéria de política ambiental...).
Por outro lado, estudos indicam no pior cenário concebível serão quatro milhões os portugueses afectados por uma eventual pandemia da gripe da aves.
Também aqui não vale a pena preocuparmo-nos em demasia, pois o rosto que o Governo escolheu para anunciar esta macabra previsão é o mesmo que exibiu a propósito da barraca em matéria de escassez de vacinas para a gripe comum...
Publicado por sharkinho às 10:01 AM
outubro 30, 2006
A POSTA NA FOTOGRAFIA

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 08:21 PM
UM GAJO DEVE PREOCUPAR-SE...
...Quando lhe falam em lubrificantes e a primeira coisa que lhe ocorre é marcar a revisão do carro.
Publicado por sharkinho às 11:46 AM
UMA SEMANA SERENA
Foto: Shark
É o que vos desejo.
Publicado por sharkinho às 11:43 AM
EUROTROVÕES
Com a guerra de audiências ao rubro, as televisões portuguesas aproveitam a onda apostadora gerada pela sucessão de jackpotes no Euromilhões e empenham os seus meteorologistas numa guerra fratricida de adivinhas.
Assim, enquanto a SIC anunciava aos portugueses um dia de céu limpo em todo o território do continente, excepção feita ao Algarve, a RTP metia a cruzinha num dia de céu muito nublado com hipótese de ocorrência de aguaceiros e trovoada, excepção feita... ao Algarve.
Aos portugueses resta assim abordarem este início de semana com uma perspectiva abrangente, t-shirt e gabardina, a menos que se queiram fiar nas aparências que indicam ter sido a equipa manda-chuva do serviço público a falhar o alvo com os dardos...
Publicado por sharkinho às 09:22 AM
outubro 29, 2006
BLACK & WHITE

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 08:57 PM
MIGUEL PINTO CORREIA
O gajo ser adepto do FCP já me causava alguma apreensão. Mas eu atinava com ele, até porque de vez em quando dizia umas verdades que os outros silenciavam para não agitarem as águas e estava ligado a uma revista sensacional (a saudosa GR).
Mas agora borrou completamente a pintura, armado em virgem ofendida porque alguém levantou suspeitas sobre a originalidade da sua obra-prima. Não bastando ameaçar com tribunais e com porrada (o que não abona muito da sua total inocência no episódio), apeteceu-lhe desdenhar de quem o apontou como plagiador.
E não foi de modas. Comeu a blogosfera no seu todo, essa ralé anónima de uma net que o gajo nem frequenta (com a honrosa excepção dos sites "informativos", diz ele, embora ninguém tenha ficado a saber que tipo de informação lá procura).
Esta ira generalizada a cada um de nós, os inferiores que blogam em vez de copiarem os livros dos outros, deriva do facto de, segundo ele, escondermos a nossa identidade.
Pois olha, rapazinho, eu não escondo a minha quando te digo (embora tu não leias estas tretas) que da fama não te livras. Até tens a minha foto para não haver dúvidas (secção "Todo Aberto"), caso queiras dar-me tau-tau ou punir-me com as ferramentas jurídicas ao teu dispor.
É que, como tu, eu não aprecio que me desconsiderem ou atribuam más famas de que não me sinto merecedor.
E se quiseres mesmo dar largas a esse feitiozinho rabino, podemos dispensar a cena dos tribunais e dizes-me cara a cara essas coisas todas que pensas acerca de quem bloga.
Até podemos fazer de conta que fui eu o bacano que produziu esta pequena maravilha que agora foi transformada num panfleto publicitário...
Publicado por sharkinho às 07:09 PM
DETALHES ALENTEJANOS


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 06:11 PM
CHOVER NO MOLHADO

Em todo o mundo, a cada minuto que passa morre um ser humano em consequência de acidentes de viação. E mais de 50 sofrem ferimentos graves, muitas vezes com sequelas irreversíveis. Quase uma pessoa por segundo.
No nosso país, onde os números até revelam uma tendência favorável, continuamos a perder gente no asfalto e isso é dramático. Mais ainda quando começa a ser notória a perda de gente muito jovem, menores, envolvidos em sinistros provocados pelo excesso de velocidade. Sem carta de condução.
Este foi um fim-de-semana aziago para diversos pais portugueses. Um veículo cheio de miúdos ignorou uma operação stop e acabou por se despistar. Um outro ignorou uma passagem de nível e acabou esmagado por um comboio. E um terceiro, em Beja, com seis menores a bordo, arrastou para a morte um adolescente com quinze anos de idade e deixou os restantes em péssimo estado.
Se a isto somarmos a frequência com que as autoridades caçam jovens sem carta ao volante de automóveis, podemos concluir que está a nascer um fenómeno nada tranquilizador para quem tem filhos na faixa etária de risco.
Quem mora num raio de cinco quilómetros da ponte Vasco da Gama, pior do que residir ao lado do autódromo do Estoril, já se habituou ao roncar dos motores que parecem não incomodar as meia dúzia de esquadras da PSP e de postos da GNR da zona.
É do conhecimento geral que a partir da meia-noite das quintas-feiras torna-se uma aventura circular nos acessos à ponte e no seu tabuleiro, onde duzentos quilómetros por hora são velocidade de tartaruga…
Ninguém mexe uma palha. Mesmo tendo consciência do facto de os street racers serem pessoas muito jovens e trazerem à pendura as gaiatas e os aprendizes que pretendem impressionar. Carne tenra para o canhão macabro das estradas deste país, à mercê de factores tão aleatórios como o rebentamento de um pneu ou uma manobra imprevista por parte de outro condutor.
É um facto que está a crescer o número de jovens entre o rol de vítimas desta carnificina e que ninguém parece atento a essa progressão assustadora e, considerando a natural inconsciência da idade das hormonas de quem ocupa esses mísseis descontrolados, tão arriscada como uma roleta russa sobre rodas. Para os próprios e para quem tenha a desdita de se cruzar no seu caminho na pior altura.
E as estradas já são temidas ao ponto de muitas pessoas preferirem não sair de casa para evitarem esse risco elevado.
O Estado, cada vez mais empenhado em descartar-se do seu papel na vida dos cidadãos, tem que assumir a responsabilidade política que isto implica. Se é um facto que não é possível policiar todos os locais a todo o tempo, existe um instrumento ao alcance do poder que parece ser de último recurso e só surge em cena quando o choque mediático o impõe: a legislação.
E se existe um problema que requer o endurecimento drástico das consequências legais é o da sinistralidade automóvel.
Custa-me a entender como é possível permitir a circulação nas estradas a veículos capazes de atingirem velocidades dignas da Fórmula Um, ao alcance de qualquer cidadão. Sim, porque não me venham com o discurso da liberdade de escolha neste campo específico: os automóveis podem sofrer “estrangulamentos” baratos no motor que limitem a velocidade que podem atingir. Se não os fazem, não há volta a dar, é por estarem reféns da indústria automóvel. A mesma que pode de forma impune publicitar os seus produtos com claras associações aos carros de corrida, à potência do motor, à virilidade estapafúrdia que cultivam em torno dos seus caixões motorizados e que influencia acima de tudo a camada mais jovem da população.
A mim não enganam com a instalação de radares xpto por toda a cidade e nos veículos da Brigada de Trânsito. A sinistralidade automóvel não pode ser confiada ao livre arbítrio dos condutores alcoolizados ou demasiado jovens ou demasiado estúpidos e gágás para entenderem que uma estrada pública não pode ser um circuito de velocidade onde se buscam recordes ou que não se deve circular nas auto-estradas em contramão.
Já não existem paninhos quentes que disfarcem o óbvio.
Enquanto não endurecer a actuação do Estado o problema não acaba.
E isso não passa pelo conveniente aumento das coimas.
Passa pelos tomates com que se legisla para salvar vidas humanas.
Talvez as dos próprios filhos ou jovens familiares de quem “deixa andar” à espera que o problema se resolva por si.
Talvez a vida dos próprios cobardes que têm a faca afiada na mão para inventar as receitas extraordinárias que lhes disfarçam a inépcia na gestão das contas públicas mas preferem na prática delegar os cortes à precisão dos bisturis.
Publicado por sharkinho às 10:49 AM | Comentários (2)
outubro 28, 2006
MARE NOSTRUM


Fotos: SHARK
Publicado por sharkinho às 06:54 PM | Comentários (3)
HISTÓRIAS DE (DES)ENCANTAR

Era uma vez.
Mas acabaram por ser três.
E eles, cansados, adormeceram felizes. Para sempre.
(Porque entretanto o marido dela regressou de surpresa do fim-de-semana na caça.)
Publicado por sharkinho às 01:13 PM | Comentários (0)
FLOWER POWER


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 01:14 AM | Comentários (2)
outubro 27, 2006
JÁ PARA SEMPRE

Faz amor comigo, agora!
Esquece o mundo lá fora. Vamos fechar-nos numa assoalhada do coração, isolados de qualquer razão perturbadora desse momento precioso.
Um pedaço de tempo harmonioso que nada nos garante poder repetir-se amanhã ou depois.
Vamos fazer amor os dois, antes que o mundo acabe de repente.
E cada vez é mais urgente, neste estado de emergência, o apelo que incrementa a falta de paciência para aguardar a próxima vez.
O amor que se fez é um dado adquirido e eu sinto-me possuído por uma vontade descontrolada que o tempo não definha na sua passagem serena.
A tua pele colada à minha como uma tatuagem.
Eterna…
Publicado por sharkinho às 01:02 PM | Comentários (0)
BLACK & WHITE
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 10:18 AM | Comentários (2)
AMOR PERFEITO 2
Ela morreu hoje.
Publicado por sharkinho às 10:02 AM | Comentários (4)
BOM FIM DE SEMANA E...
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:23 AM | Comentários (0)
outubro 26, 2006
DOIS LADOS
Tem o coração desta blogueira.
(Mas há uns minutos que não consigo entrar nos blogues do blogspot, por isso vão lá mais daqui a bocadinho.)
Publicado por sharkinho às 10:29 PM | Comentários (8)
ORA VEJAM SÓ...

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 10:18 PM | Comentários (3)
RETALHOS DE DOR

Foto: Shark
A poça no chão crescia e ela não sabia se era da chuva ou das lágrimas que escorriam copiosas no rosto sulcado de sal pela espera, na falésia, do amor que demorava a regressar.
Vultos vestidos de negro em seu redor, as outras, trajadas pelas perdas sofridas noutros temporais sem perdão. As ondas malditas a fustigarem rochedos e a alimentarem os medos de uma maré de solidão.
E os homens na faina, surpreendidos pela tempestade traiçoeira que sem aviso tombou sobre as cascas de noz. Frágeis como bóias das crianças na praia em dias de Verão, famílias de turistas alheias às fileiras de catraios de olhar triste alinhados no pontão. Os órfãos da ira do mar que lhes fazia naufragar a esperança a cada tragédia vivida e por todos sentida quando na falésia ecoavam os gritos das mulheres traídas pelo destino, privadas para sempre de um pai, de um filho ou de um irmão.
O som de um trovão distante que abafou por um instante o soluçar angustiado. O olhar concentrado no horizonte sem luz, coração a galope no peito de cada mulher. O parto adiado de um dia cruel. O sol por nascer, escondido por detrás da expressão furiosa do céu que se apoderava de todo o espaço que a vista conseguia alcançar.
Reflectido no mar inquieto pela raiva no tecto do mundo igual ao das casas vazias de gente no povoado em aflição.
Nomes gritados dos homens condenados no final da oração, a fé fustigada pelo castigo divino na terra marcada pelo triste destino gravado em lápides da cor do giz. Como uma cicatriz no solo firme que outra leva de pescadores não voltaria a pisar.
E a família a adivinhar o final da história, outra dor na memória, outro dia malvado que ninguém poderia esquecer. O dia de morrer para entes queridos com nome nos instantes finais, anunciados como números nas páginas dos jornais nas mãos dos turistas invejados pelos putos tresmalhados por entre as toalhas de praia no areal. Órfãos que nasciam no intervalo das tragédias e cresciam nas falésias até chegar a sua vez, o momento de sofrer.
O dia de morrer ou de assistir à desdita da frota maldita arrastada para o fundo em dolorosas prestações. A dívida saldada na água tingida de preto pelo céu, outra mulher de mãos na cabeça coberta pelo luto de um véu.
O sol a despontar e a esperança a desertar a cada minuto escoado sem o regresso anunciado pela silhueta distante de uma embarcação. Em cada miragem uma nova desilusão, pontos imaginários vislumbrados pela vontade de acreditar no milagre a acontecer.
E às vezes acontecia.
Mas não naquele dia devolvido em pedaços pequenos, destroços de vidas perdidas na voragem de um oceano possesso pelo mal.
Vidas engolidas por um destino marginal.
Publicado por sharkinho às 12:32 PM | Comentários (2)
outubro 25, 2006
FIM DE TARDE

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 05:27 PM | Comentários (2)
NOVO DICIOSHARK: A ERECÇÃO DA URINA

De cada vez que encalho na escolha do tema para uma posta acabo por dar comigo a estudar as tendências do momento nos outros blogues, precisamente para as evitar e assim reduzir o leque das minhas opções.
Porém, com a proliferação de espaços, de pessoas e de interesses, torna-se cada vez mais difícil produzir algo de novo e/ou de útil para distinguir o charco pelo ineditismo da sua abordagem versátil e desbocada.
Custa-me cruzar os braços ao som da velha (do Restelo) máxima de que “já ninguém inventa nada”. Pois. Diz-se que já “ninguém dá nada a ninguém” e olhem para mim a esforçar-me por vos dar algo de meu inteiramente de borla (já vai sendo tempo de os Sapos e os Vodafones e afins começarem a “baldar-se” a quem tanto lhes estimula a navegação da clientela, mas enfim…).
Assim sendo, embico para os temas mais estapafúrdios, banais, (muitos deles directamente ligados ao meu insaciável umbigo, o que nem é o caso do tema em apreço) e tento abordá-los de uma forma original ou, no mínimo, que possa ser útil a quem aqui dispensa parte da sua atenção.
Um grupo cada vez mais representativo e que justifica o nosso empenho redobrado é o dos nossos irmãos (e irmãs, e irmãs…) do Brasil. A língua aproxima-nos (soa bem, dito assim) mas existem expressões que podem confundir o leitor (e a leitora, e a leitora…) brasuca.
Hoje decidi pegar numa dessas expressões para tentar clarificá-la, my way, por forma a evitar eventuais erros de interpretação que, de resto, podem igualmente acontecer a portugas menos esclarecidos.
Tesão do mijo não é uma expressão agradável e o seu uso é desaconselhável diante de gente sem poder de encaixe para o vernáculo. Contudo, trata-se de um recurso excelente para identificar uma actuação concreta (ou a sua ausência) por parte de alguém.
De acordo com a minha interpretação pessoal, a tesão do mijo (em sentido literal) é uma erecção involuntária associada à vontade de fazer uma mijinha. Ou seja, um tipo acorda de manhã à rasquinha para ir ao wc e em simultâneo descobre-se numa condição que, para muitos, raramente se verifica.
O problema dessa tesão em particular é que costuma terminar mal um tipo suspira de alívio, antes mesmo de fechar a tampa da sanita para evitar chatices com a “patroa”.
E é neste cariz temporário e associado a uma vontade que não a indicada pelo aumento da volumetria que reside a ideia da coisa. A tesão do mijo (em sentido lato) consiste num entusiasmo visível mas passageiro e manifestamente enganador (devido às expectativas frustradas).
Um exemplo deste conceito é o daqueles blogues que começam com uma grande fanfarra, cheios de pujança, e desaparecem de cena ou estagnam pouco tempo depois. O simbolismo da tesão aplica-se à fanfarra, naturalmente, e o fim do blogue corresponde ao “meter a viola no saco” que isto não é para todos e requer, no mínimo, entusiasmo para dar a segunda (a segunda reabertura do blogue ou a segunda versão do mesmo ou até o seu segundo ano de existência).
Assim sendo, a tesão do mijo costuma implicar uma conotação pejorativa para quem a exibe e pode até constituir um mote para a galhofa relativamente à pessoa visada. O humor da situação (que em determinadas circunstâncias pode não ter piada alguma) passa pelos contornos efémeros do tal entusiasmo e que o transformam num embuste para quem leve a sério o sinal transmitido por essa manifestação anatómica ou a sua versão idiomática.
Talvez derivado a esta expressão, costuma dizer-se por paródia que quando um tipo é jovem mija para o tecto e depois de velho já só molha as pantufas (um exagero, pois qualquer jovem atesoado sabe que nessas circunstâncias um gajo não tem outra hipótese senão substituir a posição vertical do corpo pela oblíqua, sobretudo se o alvo for uma sanita e não um urinol).
Não me ocorre neste momento uma expressão alternativa à que hoje abordo (convido a deixarem as vossas sugestões, se vos ocorrer alguma, na caixa de comentários), mas todas são preferíveis à que titula esta posta…
Publicado por sharkinho às 05:20 PM | Comentários (5)
EU GOSTO DE PESSOAS
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 02:33 PM | Comentários (2)
IDOLATRIA REVELADORA
Uma recente sondagem levada a cabo na Índia revela que 30% dos jovens daquele país referem Mahatma Ghandi como o seu ídolo. Porém, a mesma sondagem refere que 37% dos inquiridos apontam nessa categoria o nome de Bill Gates.
Abstenho-me de comentar estes (curiosos) números enquanto não tiver acesso a um estudo equivalente feito em Portugal...
Publicado por sharkinho às 11:59 AM | Comentários (0)
A POSTA PRA VER

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 11:09 AM | Comentários (0)
outubro 24, 2006
VIDA DE PAI 2
Foto: Shark
Andava na bicicleta com rodas laterais de apoio e não pretendia efectuar qualquer alteração, preguiçosa.
E casmurra também, ninguém a convencia a abdicar das “muletas”.
Porém, chegou o dia em que o terreno não favorecia a utilização das ditas rodas suplementares. Uma delas acabaria por cair, vergada pelo esforço.
E na primeira curva caiu a ciclista, naquele que foi provavelmente o maior e mais desamparado trambolhão da sua curta existência.
Parti-me todo por dentro enquanto a via levantar-se e limpar o pó do corpo para não ter que limpar lágrimas do rosto, orgulhosa demais para dar parte de fraca perante testemunhas.
Altiva, nem hesitou. A roda suplementar que restava tinha que sair naquele preciso instante.
Assim se fez.
Ainda esfolada em consequência da queda, e para minha aflição, agarrou-se ao guiador com um olhar determinado. Aceitou algum apoio nos primeiros instantes, mas depressa se fartou da falta de resultados visíveis
Poucos minutos depois, sozinha, aprendeu a andar de bicicleta.
Faz hoje sete anos, essa mulherona pequenina.
E é a minha filha.
Publicado por sharkinho às 09:35 PM | Comentários (27)
VIDA DE PAI
A minha casa está transformada num pesadelo.
E elas são só três...
Publicado por sharkinho às 08:03 PM | Comentários (0)
SAUDADE DO VERÃO

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 12:55 PM | Comentários (7)
HÁ MOMENTOS

Imagem daqui.
Em que apetece anichar-me no teu ventre como uma cria de canguru.
Publicado por sharkinho às 12:16 PM
WE HAVE IGNITION!
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 11:46 AM
O POSTO ENSURDECEU

E eu ainda não consegui digerir esta perda blogueira.
Publicado por sharkinho às 11:37 AM | Comentários (0)
outubro 23, 2006
(LIS)BOA TODOS OS DIAS



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 09:03 PM
SÓ PARA SABEREM
Sou daqueles gajos que raramente apanham uma gripalhada. Mas quando o bicho me ataca é mesmo a partir.
Fico de rastos, com (quase) tudo a funcionar a meio gás, febril. Dá-me cabo do feitio, ainda mais. E deixa-me quase sem conseguir raciocinar, quanto mais escrever postas à altura do que gostaria de vos oferecer.
Já ando a benurons há dois dias e continuo numa lástima.
Eu sei que vocês não têm nada a ver com estas trivialidades, mas é só para não estranharem uma onda mais fotoblogue que tem dominado o charco.
Logo que me sinta em condições, tentarei compensar-vos com prosas à maneira.
Ah, não vale a pena perderem o vosso tempo a tentarem comentar. Logo que a coisa funcione eu dou-vos o sinal, abrindo a caixa (o que não acontecerá até eu ter a certeza de que ninguém corre o risco de investir o seu tempo num comentário baril para depois o perder às mãos do Internal Server Error – o carrasco desta plataforma).
Tenham uma excelente semana.
Publicado por sharkinho às 05:47 PM
FOTO POSTA

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 03:29 PM
A POSTA NA COIMA DA TIA

A Lei define, e muito bem, quantos copos podemos beber até atingirmos o limite estipulado como máximo e a partir do qual deixamos alegadamente de poder conduzir com a mesma segurança.
E esse limite, que é atingido com maior ou menor facilidade consoante os tipos de bebida (e de pessoa), acaba por fazer a distinção entre os efeitos das diferentes opções ao nosso dispor na garrafeira.
Contudo, e agora que as autoridades se preparam para estrear o novo aparelho que detecta a presença de drogas no organismo, ainda não tomei conhecimento de quantos charros ou snifes de coca podem consumir-se até se atingir o limite equivalente ao das bebidas alcoólicas.
E a avaliar pela mentalidade tacanha que insiste em misturar no mesmo saco as drogas leves com as duras, omitindo por exemplo o efeito dos drunfos (que tantas “tias” consomem à fartazana para combaterem a neura), é de prever que ninguém se tenha dado ao trabalho de distinguir os efeitos das diferentes substâncias na capacidade efectiva de manobrar máquinas e em particular os veículos automóvel.
Isso leva-me a concluir que o Estado apenas pretende explorar um novo filão tapa-buracos à custa do maior número possível de cidadãos, aproveitando para infligir um golpe de misericórdia na questão da liberalização do consumo das drogas leves que, como se sabe, depende em absoluto da mentalidade vigente.
E essa é que colocará o cidadão “caçado” depois de fumar um charro de erva que lhe dá vontade de rir no mesmo plano do que consumiu heroína ao ponto de nem ser capaz de conduzir um carrinho de mão.
Soa-me imbecil.
Nota: Em condições normais nunca deixaria a caixa de comentários de uma posta destas fechada, pois não receio o debate das minhas posições e até a sua contestação.
Se testarem as caixas das postas abaixo percebem logo porquê.
Mas fica disponível o email sharkinho at gmail dote come para quem não consiga reprimir uma reacção a estas palavras.
Publicado por sharkinho às 09:46 AM
FLOWER POWER


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 12:06 AM | Comentários (0)
outubro 22, 2006
UM BLOGUE PODE SERVIR PARA...
Isto, por exemplo.
Um bom exemplo, aliás, considerando o que está em causa.
Publicado por sharkinho às 08:15 PM
BLACK & WHITE

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 07:57 PM
ONTEM FOI ASSIM...
Por favor aguarde umas horas! O seu comentário está a ser trucidado!
Obrigado
Weblog
Publicado por sharkinho às 04:55 PM
outubro 21, 2006
A POSTA PRA VER


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 09:17 PM | Comentários (2)
A POSTA NA (D)EFICIÊNCIA

Se me perguntarem onde adquiri a melhor carteira em pele da minha vida, não hesito: foi AQUI.
Feita à mão com todo o rigor, perfeita. Tão boa que já lhes comprei outra e nem coloco a hipótese de olhar para a mercadoria da concorrência(?).
Eu acredito que não há preço que pague uma boa ideia posta em prática, tal como entendo que na Deficiprodut todos se esforçam para fazer bem, tão bem que não restem dúvidas acerca da capacidade dos artesãos que ali laboram. O resultado final é compensador, afirmo-o na pele de cliente satisfeito daquela empresa fora do comum.
Dêem uma vista de olhos no site para perceberem do que falo. E não hesitem em investir seja no que for que tenha o "selo" desta iniciativa empresarial fantástica.
Experimentem solicitar a visita de um dos vendedores da Deficiprodut ao vosso local de trabalho e vejam se tenho ou não a razão do meu lado.
E escolham uma peça, qualquer peça.
Se o trabalho não estiver perfeito aos vossos olhos (o que duvido), eles devolvem um sorriso e trocam logo por outra.
Publicado por sharkinho às 03:55 PM | Comentários (7)
outubro 20, 2006
BLACK & WHITE

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:26 PM | Comentários (10)
NOBEL DA INTELIGÊNCIA

Imagem daqui.
Ando há uns dias para escrever acerca do assunto, pois fiquei feliz por saber um Prémio Nobel tão bem entregue.
Muhammad Yunis, economista originário do Bangladesh, recebeu a mais prestigiada distinção a nível mundial não na sua área mas na que distingue as pessoas de bem. Contudo, já tinha o seu lugar reservado na História por ter sido o pioneiro na aplicação prática do pressuposto de que não se combate a pobreza oferecendo o peixe mas sim a cana de pesca, confiando na capacidade das pessoas quando possuem apoio efectivo e realista para concretizar os seus projectos em vez de as estigmatizar com o rótulo de miseráveis sem recuperação possível.
A diferença entre praticar a caridade de fachada e estender uma mão solidária…
Este homem notável, chocado com a realidade da miséria no seu país, utilizou os seus conhecimentos na área económica para criar uma realidade que soava como um contra-senso: enquanto os bancos tradicionais se digladiam na “caça” aos mais endinheirados, Yunis decidiu apostar no extremo oposto da equação e fundou um banco vocacionado para os extremamente pobres.
E acertou em cheio.
Existem diversos aspectos notáveis no trabalho deste ser humano excepcional, bem como alguns dados que o devem orgulhar porque estimulam novos investimentos nesta área e, sobretudo, nesta forma proactiva de agir contra a miséria.
Saliento um que, a meu ver, diz tudo o que há de importante a saber quanto aos resultados obtidos pelo projecto do novo e merecido Prémio Nobel da Paz: o volume de crédito malparado, apesar de ser acima de tudo a honra e a honestidade dos beneficiados a garantir a cobrança dos financiamentos, é bastante inferior aos dos bancos comuns.
Parece ficção, num mundo que parece mergulhado numa idade das trevas civilizacional e que se traduz no crescente desequilíbrio entre as condições de vida dos privilegiados do hemisfério norte e as dos seus "parentes pobres" das nações menos desenvolvidas, quiçá uma herança da intervenção colonialista dos europeus nessas zonas do planeta.
Dos números envolvidos no sucesso obtido pela ideia genial deste Senhor destaco que cerca de 60% das pessoas beneficiadas pelo Grameen Bank saíram do limiar da pobreza e já são mais de cem milhões os titulares de um micro-crédito.
Por isso mesmo, rendo aqui homenagem a este Homem que justifica a imortalidade nas memórias dos seus semelhantes.
Menos do que isso seria dar corpo a um expoente elevado da ingratidão mais leviana.
Publicado por sharkinho às 10:54 AM | Comentários (2)
(LIS)BOA TODOS OS DIAS

Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 09:28 AM | Comentários (2)
outubro 19, 2006
MORAL DIVINAL

Gravura integralmente preenchida com gente hetero e unida pelos sagrados laços do matrimónio.
O indivíduo, quarentão com um ar distinto, entrou pelo meu escritório e estendeu a mão com uma folha colorida de papel e perguntou:
- Posso deixar-lhe o tratado?
E eu disse que sim.
O “tratado” consistia afinal num folheto destinado a explicar o que é uma religião falsa na perspectiva das Testemunhas de Jeová. Knock, knock! Shit happens.
E é elucidativa em muitos aspectos, esta propaganda fascista de distribuição impune.
Fascista é um termo forte? Então regalem a vista com esta passagem:
“Em países ocidentais, grupos religiosos nomeiam gays e lésbicas como ministros em suas igrejas e pressionam o governo a reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Até mesmo igrejas que condenam a imoralidade toleram líderes religiosos que abusaram sexualmente de crianças.”
Estão a ver o paralelo subtil, a associação de ideias natural neste raciocínio “divino”?
Gays, lésbicas e violadores de crianças enfiados no mesmo saco, escória imoral na visão cristalina destes pregadores inconvenientes na presença e no discurso.
Tudo em nome de Deus, claro, como se infere da citação que compõe esta pérola:
“Não sejais desencaminhados. Nem fornicadores, nem idólatras, nem adúlteros, nem homens mantidos para propósitos desnaturais, nem homens que se deitam com homens… herdarão o reino de Deus.” (Coríntios 6:9, 10)
A revista Asiaweek, citada pelos fulanos, alerta que “o Mundo está à beira da loucura”. E eu só posso concordar. Sob a capa de uma religião, estes lunáticos sentem-se no direito de invadir a minha privacidade para divulgarem ideologias merdosas. Isentos de punição, a coberto de um estatuto que lhes permite proferirem este tipo de atoardas insidiosas, de incitarem por inerência e contra o próprio espírito da legislação e os princípios deste país a descriminação das pessoas em função dos seus hábitos e preferências sexuais, sem hesitarem em associar homossexualidade e pedofilia às claras, no seu “tratado” que não passa de uma declaração de guerra a uma parte da população.
Em nome de Deus, o deles.
E eu, agnóstico, não consigo vislumbrar um deus que defina a capacidade de liderança de um ser humano, a sua integridade, em função do género a quem dedica o seu desejo e o seu amor. Não consigo encontrar a fé em deuses reaccionários, ícones tutelares de um conceito de moralidade questionável, desprezível, à luz do bom senso dos homens e estapafúrdio se entendido numa dimensão divina.
Estes puritanos que afirmam que “os verdadeiros adoradores não são divididos por raça ou cultura” vetam essa condição aos que, mesmo crentes e praticantes de uma forma de estar na vida exemplar aos olhos do padrão definido por estes juízes de pacotilha, enveredem por um comportamento sexual que fuja ao estipulado na concepção medonha desta religião “verdadeira”.
Se dependesse destes cromos, podem ter como certo que me assumiria ateu.
Publicado por sharkinho às 12:57 PM | Comentários (11)
INSÓNIA
Procuro o meu sono nestas teclas dormentes que também escondem as palavras que pretendo soltar.
Palavras reclusas, ideias obtusas, guardadas no segredo de um cofre virtual.
Na minha cabeça, afinal.
Acordado, a sonhar-te.
Publicado por sharkinho às 11:00 AM
EU GOSTO DE ANIMAIS


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 10:27 AM | Comentários (7)
outubro 18, 2006
GENTE QUE BLOGA - Vieira do Mar

Foto: Shark
Foi das minhas primeiras descobertas nesta comunidade e disso dei conta na versão blogspot do Charquinho. Não tardaram a aflorar as nossas divergências em matéria de carácter e de opinião, públicas, que nunca deixaram de existir e por isso constituem a maior garantia de isenção naquilo que afirmo de seguida.
A Vieira do Mar é provavelmente a autora mais dotada da blogosfera que conheci até esta data. Na quantidade e na qualidade do que produz, a autora do Controversa Maresia trata as palavras por tu e desdobra-se sem custo nos mais variados estilos e abordagens.
Intensa, emotiva, tenaz. Não brinca em serviço quando escreve emoções e não esconde a “bagagem” cultural que transparece nos conteúdos que nos dá a ler.
Considero-a por isso um caso sério da blogosfera e defendo que faria todo o sentido ver algo de seu publicado em papel. Está muitos degraus acima da maioria, é inteligente e sabe brincar com as palavras de ódio como as de amor.
De resto, qualquer trabalho seu é um ponto de passagem incontornável nas minhas incursões blogueiras, uma espécie de ferrero rocher que degusto para satisfazer o desejo de requinte verbal sempre que é a escrita que me move o cursor no passeio pelos favoritos.
É nisto que consiste a minha admiração desde há dois anos atrás. A Vieira escreve bem e é pão-pão queijo-queijo nas suas convicções, mesmo as que me desagradam. É uma blogueira fiel a si própria e leal para com quem estima.
E isso, tão raro, já bastaria para vos recomendar que não dispensem este linque nas vossas preferências.
Publicado por sharkinho às 06:16 PM | Comentários (4)
FOTO POSTA
Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 10:32 AM | Comentários (0)
ESPAÇO NENHUM

Curto o espaço que sobra. A margem de manobra para curtir, escassa mas apreciada.
O tiro de partida para uma nova corrida rumo à chegada no melhor lugar.
Saber saborear a vida em goles pequenos, sorvidos num beijo que se converte de repente num chupão.
O poder de uma mão à solta como cavalo selvagem pelos montes e vales de que se faz o relevo de um corpo. Afirmação de um desejo na sedução sem pressa, num momento que nunca se esqueça e antecipe o melhor que virá depois.
Comprido o tempo, cumprido o intento de o alongar em requintes de prazer. Elástico, interminável nessa porção de vida moldável em função da vontade de cada um. O poder de uma mão à solta sobre o barro cru desse pedaço nu de uma vida demasiado vestida com uniformes sociais. O prolongamento da partida empatada, a vitória conquistada com o suor dos rostos que se roçam junto aos ouvidos para lhes gemer o amor que se sente nessas alturas.
O calor acumulado pelo amor libertado que se grita por fim.
Imenso, esse apelo intenso para lambuzar emoção nessa doce sensação da partilha. Primeiro as senhoras, claro, pois o dever de um cavalheiro é render o peixe antes que a vida nos deixe e isso pode acontecer amanhã ou depois.
Sempre o último a abandonar o navio, náufragos os dois numa ilha deserta temporária e a morte tão certa como a vida imaginária que tanto sonhamos mas nunca gozamos, estupidamente adiada para um dia qualquer.
O poder de uma mão que agarra pelos cabelos a felicidade instantânea personificada no alvo da atracção. Palavras sem nexo na ânsia do sexo, a pele esfregada como uma lâmpada mágica, libertados os génios e concretizados os desejos em orgasmos simultâneos.
O vislumbre da perfeição ao som da tua voz.
Curto o espaço quando não sobra entre nós.
Publicado por sharkinho às 12:28 AM | Comentários (5)
outubro 17, 2006
ARQUITECTURA LEONINA
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 10:36 PM | Comentários (18)
INDESCULPÁVEL

Esta foto foi o Shark quem a tirou. Os senhores da rtp é favor terem tino nas mãozinhas.
Tomei conhecimento da situação no Comunicar a Direito, mas a história detalhada (e a proposta de actuação) encontra-se no (esse sim) serviço público que é o Apdeites.
Nunca escondi a minha repulsa pelo plágio e até já senti na pele os seus efeitos, mas quando este se verifica por parte da Comunicação Social o nojo aumenta de forma exponencial.
Custa a entender como os medíocres conseguem chegar tão baixo na exposição da sua falta de brio. Uma instituição como a RTP não pode albergar este tipo de parasitas e se existir alguma vergonha na cara dos seus responsáveis o autor ou a autora desta façanha deveriam ser liminarmente corridos para debaixo do muro de onde se esgueiraram algures.
O nosso colega do Caderno de Corda tem todo o direito de se sentir indignado e de exigir uma actuação decente por parte do canal televisivo que menos pode pactuar com este tipo de situação.
De resto, a Imprensa tem mesmo que aprender a ter mais respeito pela blogosfera e somam-se os exemplos em sentido contrário. Os nossos blogues, que concebemos por gosto e sem qualquer tipo de compensação financeira, não podem servir de muleta para os profissionais remunerados com falta de ideias próprias. E quando isso acontece é um imperativo moral citar a fonte, algo que qualquer jornalista deveria saber de forma instintiva, mesmo que o receio (não se ponham a pau, não...) ou o desprezo pelo trabalho que produzimos os induza a sentir que isto é o da joana.
Não é.
E cada vez mais serão expostos ao embaraço da divulgação da mediocridade que os caracteriza e às consequências em termos de perda de credibilidade e mesmo em termos legais que este tipo de baixeza justifica.
Publicado por sharkinho às 12:51 PM | Comentários (12)
MO(VI)MENTOS



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 11:51 AM | Comentários (0)
COMO DIRIAM OS INGLESES:
What a remarkable woman!
Publicado por sharkinho às 01:03 AM
LUZ NATURAL

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 12:53 AM | Comentários (2)
BLACK & WHITE

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 12:39 AM | Comentários (0)
outubro 16, 2006
A CORDA

Foto: Shark
Como uma cobra amestrada, a corda enrolou-os num abraço terno e proporcionou-lhes o aconchego que tanto sentiam precisar.
Deixaram-se ficar naquele nó, amarrados, como um só.
Mas a corda começou a esticar, aos poucos, sentiram-se abafar com a proximidade excessiva. Demasiado apertados, os sonhos desvanecidos na realidade sincera que nunca escondia a dimensão da asneira, teimosia e fé, ou o desequilíbrio que aos poucos se instalava naquela ligação.
A voz da razão ou outra coisa qualquer. Os caprichos de uma mulher irreverente, livre como o vento, embarcação irrequieta e incapaz de se prender a um cais por mais tempo do que o necessário para encher o porão com os resumos uma lição que reaprendia. Depressa enfunaria as velas para zarpar, confiante numa rota incerta que adivinhava segura e amparada. Não temia o naufrágio, guiada pela luz distante das estrelas ou do sol, ou de um patético pirilampo artificial no cimo das falésias mais hostis, fantasia. Talvez um nónio ou um simples mapa, assinalada na carta a cruz de um tesouro que buscaria às cegas com a ajuda do instinto pirata que confiava sem hesitar.
E ele, igualmente navegador, também buscava o amor mas sufocava com a pressão do cordame no peito que parecia rebentar.
A corda a esticar na vertigem do aumento da tensão. Cada um na sua ponta, puxando em sentido oposto para enganar o desgosto com pretextos sem nexo. Um jogo doloroso, aquele passo ansioso adiante que prenunciava sempre os dois passos no sentido de recuar.
E a corda, enfim, esticava e logo veria se aguentava as forças combinadas dos dois extremos em oposição.
A esperança que partia e a corda que se seguiria, no limite da força centrífuga que a esticava.
Porém, nenhum deles largava a ponta de vez. Navegavam em círculos com um raio crescente, seguiam em frente sem abandonarem a órbita em torno de um magneto que parecia provir apenas do coração mas tinha origem também na cabeça. A névoa espessa que mal lhes permitia descortinar o outro no lado de lá de uma vida cada vez menos comum. Ideias erradas, expectativas frustradas, o livre arbítrio da especulação.
Perdiam a razão estupidamente no meio de um conflito latente, cediam ao jogo do empurra e trocavam acusações de falsas pequenas traições que lhes mitigavam o desconforto provocado pela fricção na palma de cada mão agarrada a uma corda que antes os unia e agora só servia como fraco argumento para os afastar.
Ele queria nadar para longe dali, poupar-se à corrosão daquele ácido verbal, daquela guerra que lhe fazia mal. E no entanto amarrava no pulso a ponta do fio para não perder o rasto de volta e para a saber capaz de regressar ao ancoradouro sã e salva, onde sempre encontraria a segurança de uma baía de confiança.
Ainda que fustigada pelo tremendo temporal que desabava de quando em vez sobre as velas enfunadas que eram velas apagadas sempre que o vento parecia decidido a não soprar outra vez.
Presos por um fio, em permanente rodopio nas bordas daquele remoinho de emoções, o carinho nos corações e a vontade de escapar ao aperto que há muito deixara de existir.
Esforçavam-se por resistir à tentação demoníaca da separação inequívoca, pressentiam a falta que o outro faria naquele ou em outro dia marcado pela saudade que parecia não vergar como a corda desfeita que já não prendia ninguém.
Apenas fazia de conta, pedaços inúteis, fragmentos de memória cada vez mais difusa nas imagens de um passado sem futuro num presente que lhes dizia fica um pouco mais.
A corda partida, esgaçada pelo tempo a lutar contra a sua própria passagem, inexorável, numa missão impossível que nenhuma persistência conseguia explicar.
E eles a observarem à distância o outro, a partir do ponto preciso de onde seriam avistados meio caminho depois, cada um em busca da bandeira branca que sinalizaria a paz que os reuniria algum dia no centro da circunferência imaginária onde corda alguma voltaria a limitar-lhes a navegação.
Publicado por sharkinho às 08:28 PM | Comentários (2)
EU GOSTO DE PESSOAS

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 12:05 PM | Comentários (3)
AÇORDA ORTOGRÁFICA
Dia 28 vamos dar-lhe os parabéns e oferecer-lhe um prontuário.
Dividido pela malta toda sai a tuta e meia...
Publicado por sharkinho às 11:54 AM | Comentários (0)
VÊM AÍ...
Os dias histéricos do extremar de posições.
Teremos então uma nova oportunidade de observar as imagens de fetos desmembrados que nos recordam a argumentação do costume da malta pelo direito à vida, sempre baseada no pressuposto de que do outro lado da barricada encontram-se aqueles/as que defendem com euforia a estimulante prática na boa do aborto como método contraceptivo…
Para que não restem dúvidas, não sou comunista mas faço parte desse grupo de esquerdalha sem princípios que provavelmente também abona a favor das injecções atrás das orelhas dos anciãos (embora, incoerente, não advogue que - só por causa dos brincos sem mola - as furem às criancinhas que escapem à chacina que os monstros como eu votarão no referendo que já peca por tardio).
Vê-se logo que sou homem. E arraçado de filisteu.
Publicado por sharkinho às 09:21 AM | Comentários (10)
REGRESSARAM...

Foto: Shark
...Os dias assim.
Publicado por sharkinho às 09:05 AM | Comentários (2)
outubro 15, 2006
FERNÃO CAPELO



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 09:31 PM | Comentários (2)
(IN)DEFINIÇÕES
A amizade engloba confiança, honestidade e respeito mútuo.
Também implica consideração, disponibilidade e estima.
Isto para não falar do carinho, da lealdade e do espírito de entreajuda.
Sentimentozinho complicado, hã?
Publicado por sharkinho às 06:02 PM
A POSTA NA REVIRAVOLTA IMEDIATA

Existem fases da vida em que é difícil renegar o sobrenatural. Nesses períodos que desnorteiam, acumulam-se os episódios desagradáveis e os sinais que desmentem pressupostos ou alimentam suspeitas. Parece que tudo se conjuga para nos fazer sentir mal, bruxedo, e para nos demolir a resistência.
Parece que existem forças negativas a conjugarem-se para nos empurrarem para becos sem saída ou nos obrigarem a despertar para a necessidade de combater determinados problemas que nos afectam, aqueles sobre os quais ainda possuímos algum controlo e podemos eliminar do rol de preocupações.
São essas as opções que nos restam quando um gajo já nem sabe para onde se virar, a braços com tantas situações anómalas. Ou nos entregamos ao desespero, à desilusão, e baixamos os braços ou, a melhor alternativa, berramos por dentro isto tem que acabar.
Eu sou mais propenso a escolher esta última. Se existirem de facto as tais forças negativas capazes de nos atormentarem com coisas que nos arrasam, temos que reunir as nossas, positivas ou não, e ripostar. E se tudo não passar de uma série de coincidências foleiras, pelo menos enquanto mobilizamos a força interior encontramos a esperança de quem sente de novo o chão debaixo dos pés ou algo a que nos agarrarmos para fugir à prostração.
Gosto de batalhar contra aquilo que me afecta, interno ou externo, e não me reconheço no abandono perante as fases menos boas que qualquer existência produz. Ciclos que nos obrigam a mostrar o que valemos, a (re)descobrir a tenacidade, a capacidade de dar a volta a tudo e mais alguma coisa. A agarrar pelos cabelos com determinação ou a deixar cair com bom senso.
Gosto de berrar a sós num local isolado, esmurrar os deuses se necessário, para exibir perante mim e as energias perniciosas a vontade de estrebuchar, de desatar à cabeçada nos males e nas aflições.
Depois arregaço as mangas e ataco cada um dos problemas com a frieza e a garra suficientes para resolver a maioria e enfrentar com dignidade e com coragem os que não dependem directamente da minha intervenção. Descarto tudo quanto não justifica a minha atenção, nesses momentos que tanto dependem da acuidade das nossas escolhas, da prioridade que urge definir com rigor.
Está tudo na nossa cabeça, afinal. A maior parte do que nos enfraquece e conduz a comportamentos e decisões absurdas, a humilhar-nos perante terceiros, a fomentar o desastre quando estamos na melhor altura para o evitar.
Ervas daninhas que devemos cortar sem demora, coisas e pessoas com quem não contamos de todo na luta por dias melhores ou só servem para nos minar a solidez.
Tocamos a reunir na praça forte da nossa fé em nós próprios e avançamos para cada dia como guerreiros, alheios às cobardias, às hipocrisias ou às insensibilidades alheias e consequentes deserções que se traduzem na prática em coisa nenhuma se quisermos mesmo avançar para qualquer batalha. A vitória é garantida quando somos capazes de ignorar tudo e seguir em frente com determinação. Mesmo que se percam alguns pilares pelo caminho, a estrutura permanece intacta e reconstrói as suas bases de sustentação.
Estou a braços com esse tipo de desafio. E sinto-me cada vez mais capaz de o enfrentar, imune às debilidades artificiais.
Publicado por sharkinho às 01:35 PM
BLACK & WHITE

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 12:39 PM
DOENÇAS BLOGUEIRAS
2 – Insónia Virtual
Pode afectar mesmo os blogueiros que se deitam cedo e costumam estar cheios de sono às nove da noite.
De repente, às cinco da manhã, acordam com uma vontade irreprimível de visitar um blogue.
Depois, retomam a incapacidade de algo os interessar ao ponto de os manter acordados, interessados seja pelo que for, e vão deitar-se outra vez.
Publicado por sharkinho às 12:33 PM
outubro 14, 2006
THIS SIDE UP

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 06:33 PM
BLACK & WHITE

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 06:25 PM
A ÚLTIMA PÉTALA
Pelo espelho retrovisor conseguia ver o passado que se afastava quanto mais carregava a fundo no pedal do acelerador. O motor que rugia e o homem que partia para longe em busca de uma solução para o problema que nunca conseguira identificar.
Procurava a resposta para o que afinal nem sabia questionar.
E acelerava, fugia de si próprio e dos outros que o faziam sentir-se a pior das criaturas, implacáveis perante as falhas imperdoáveis que o tornavam proscrito. Parecia que estava escrito no céu, em letras garrafais, esse libelo acusatório.
No cimo do promontório meditou a existência e ganhou a consciência da missão que lhe competia no futuro reservado às pessoas sem lugar marcado na plateia social. Nem mesmo o amor resistia aquela dor que sentia e espalhava em seu redor, revoltado.
Renegou-se apaixonado e assumiu-se solitário.
E só nesse dia parou de inventar últimas pétalas que nunca disfarçavam a inevitável nudez do seu malmequer imaginário.
Publicado por sharkinho às 02:38 PM
outubro 13, 2006
EU GOSTO DE PESSOAS
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 10:39 PM | Comentários (4)
AMOR PERFEITO

Foto: Shark
Foram felizes até que aquilo aconteceu. Ela ficou em casa sozinha, demasiado tempo sozinha. Quando ele chegou nesse dia, o mal já tinha acontecido e pouco ou nada havia a fazer.
Levou-a para o hospital, tarde demais.
Ela entrou em coma e agora está agarrada a uma cama com pouco melhores perspectivas do que acordar no estado vegetal.
Tem pouco mais de trinta anos e foi vítima de um aneurisma no cérebro que entendeu manifestar a sua presença da forma pior, arrastando uma jovem mulher cheia de planos para o sono profundo e o seu amor para uma situação impossível de entender.
É uma daquelas histórias que preferimos ficção, mesmo quando não somos os protagonistas ou nem temos qualquer relação com as pessoas afectadas. Dá que pensar, quando nos revemos instintivamente numa desdita alheia que pelo seu cariz imprevisível adivinhamos passível de nos acontecer. Ou a quem dedicamos o nosso amor.
É demasiado doloroso para mim imaginar tal cenário, aplicado às pessoas que amo. Aplicado a mim, na condição de testemunha potencial de um drama assim.
Nem arrisco uma previsão do meu comportamento na pele de alguém tão surpreendido pela vida no que de mais requintadamente cruel encontra para nos confrontar. O choque da surpresa num dia que nasce igual ao de ontem e acreditamos semelhante ao de amanhã. Felizes os dois, os dias e as pessoas. E de repente uma cortina de fumo que cobre o horizonte azul (tido por) garantido que a paleta da vida pinta tragicamente cinzentão.
Ele, o homem apaixonado que a existência decidiu infernizar, tinha mais do que uma opção perante tal desafio.
Podia ter optado pelo suicídio, caso a esperança (que os médicos lhe tiraram após a segunda intervenção cirúrgica) estivesse comatosa como a consciência da sua amada naquele leito frio de hospital.
Podia também “desligar a máquina”, partir para outra, buscar a felicidade num mundo alternativo ao que a sorte lhe ofereceu.
Optou por acreditar, por se agarrar a esse amor que pretende eterno. Recusa a possibilidade de ela não regressar aos dias melhores, com o sorriso habitual.
Ninguém consegue demovê-lo dessa fé. Se calhar ninguém devia.
Inscreveu-se num curso de massagista, certo de que depois de tanto tempo de imobilização ela irá precisar desse tipo de cuidado. Decidido a esperar pelo mais ansiado despertar que algum dia pensou.
Tenho lágrimas nos olhos, piegas, por ter acabado de conhecer esse pormenor que referi.
Tenho lágrimas nos olhos de tristeza como de alegria por num relato de tragédia vislumbrar uma das mais lindas histórias de amor que conheci.
Publicado por sharkinho às 03:07 PM | Comentários (16)
KNOCK ON WOOD

Nunca fui muito dado a superstições. Nem que seja por uma questão de coerência, pois não faria sentido um agnóstico acreditar nesse tipo de crendice sem outra forma de se sustentar que não a estatística.
Os azares acontecem, isso é um facto que ninguém contesta. E alguns surgem como uma consequência dos nossos actos ou omissões, um azar pré-fabricado que só tem essa designação por causa daquela tendência para descartarmos as nossas culpas.
Porém, esses “azares” também entram na estatística e alimentam os receios que estão na origem das precauções estapafúrdias que alguns entendem tomar nestes dias especiais.
Hoje é sexta-feira treze, um dia que a palermice humana convencionou mais azarado do que os outros. Escadas, ferraduras, gatos pretos, patas de coelho. Simbologia tão tola como outra qualquer, apenas porque alguém teve um dia mau e necessitou de encontrar uma explicação para tanto galo.
Claro que para muitos o que acabo de escrever é quase uma blasfémia, uma provocação descarada ao destino que me poderá castigar como um deus pagão sob a forma de um azar que até poderia acontecer noutro dia qualquer. Uma provocação a quem acredita nestas coisas, pois não há maior insulto para uma crença do que a respectiva ridicularização.
Eu não passo debaixo de escadas ou escadotes por uma questão elementar de bom senso, de resto o mesmo motivo que me leva a não acrescentar um acessório para cavalos aos molhos de chaves, moedas e outras cenas de metal que me atafulham as algibeiras. Não monto quadrúpedes, nem os temo em função da cor. Se os gatos são pretos, apenas concluo que de noite é mais difícil descortiná-los e é mais fácil ter o azar de lhes pisar a cauda sem querer.
E quanto às patas de coelho, só mesmo no tacho e ficamos conversados quanto aos símbolos que seleccionei para ilustrar o meu cepticismo radical.
Assim sendo, enfrentarei este dia como outro qualquer. Sempre à coca de chatices inesperadas que urge evitar, sobretudo provocadas pela minha desatenção.
Mas convicto de que no final do dia, e mesmo que as porras se manifestem em catadupas, não faltarão outras sextas-feiras treze para limpar a má imagem que este dia me possa trazer.
E claro que vos desejo um dia sortudo, nem que seja só para eu ter razão naquilo que afirmei.
Publicado por sharkinho às 11:13 AM | Comentários (4)
A POSTA COLORIDA


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 10:00 AM | Comentários (0)
O DONO DO JOGO

Tijolo a tijolo, o indigente mental vai construindo uma reputação sobre as fundações daquilo que parece um palácio aos olhos de quem ocupa as barracas de madeira vizinhas. Promove-se enquanto constrói esquemas para que o promovam também.
E quem mais contribui são precisamente os seus detractores, levando a sério o cromo.
Provando afinal que fazem parte da mesma escola primária, básica, de meninas e meninos sem brinquedos que lhes ocupem o ócio e demasiado preguiçosos (ou mesmo incapazes) para aprenderem a brincar com outra coisa qualquer.
Publicado por sharkinho às 09:41 AM
outubro 12, 2006
COISAS QUE VI



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 11:31 PM | Comentários (0)
O DIA EM QUE A MORTE LHE ACENOU
Foto: Shark
Acabo de passar uns minutos a ouvir uma daquelas histórias de vida que nos deixam sem saber por onde pegar.
Um dos meus clientes fazia parte do grupo de felizardos que sobreviveram a um voo de quase meia hora num avião sem combustível. Algo que nem nos simuladores é fácil de conseguir. Um milagre, afinal, protagonizado por um piloto com asas, um anjo como o vêem cada uma daquelas pessoas aterrorizadas pela morte quase certa que o próprio lhes anunciou.
Vinte e cinco minutos de aflição a bordo de uma aeronave condenada. Mães com crianças de colo, casais, tripulação, pessoas que se viram forçadas a encarar a morte e a aguardá-la no céu enquanto um homem desconhecido as conduzia ao seu destino presumidamente fatal.
De lágrimas nos olhos, o meu cliente contou-me como a sua mulher gritava sem cessar o nome do filho de ambos. Mal a ouvia no meio do som de muitos gritos, orações, corações acelerados à espera da batida final.
Só um sobredotado conseguiria fazer aterrar o monstro de metal que planava sem motores. Todos a bordo o sabiam e a esperança era escassa, sobretudo quando o comandante informou que ia tentar uma aterragem de emergência no mar e recomendou a todos que vestissem os coletes salva-vidas. As hipóteses de sobrevivência nessas condições são quase nulas, como a história já provou.
Mas o piloto mudou de ideias, preferiu esgotar a única tentativa em solo firme. À partida uma opção teoricamente pior. Ele acreditou que não e apontou o avião para terra, decidiu arriscar uma aterragem no sítio certo. E foi.
A aeronave flutuou no ar enquanto lá dentro, corpos dobrados, cabeças encostadas ao assento de alguém escolhido para morrer no mesmo instante, os passageiros despediam-se da vida e/ou das pessoas amadas junto de si.
O meu cliente, olhos esbugalhados enquanto me descrevia a cena, perdeu a fala e a audição, estado de choque, quando a quinhentos quilómetros por hora o avião embateu na pista perdendo de imediato os pneus que o trem de aterragem substituiu, rasgando o alcatrão até o enorme pássaro de ferro se imobilizar sem nenhuma vida perdida nessa hora de sorte sem paralelo.
Esse homem que sirvo no âmbito das minhas funções contou-me a sua história inesquecível na sequência de uma conversa acerca da avioneta que ontem pregou um susto terrível aos nova-iorquinos e arrastou para a morte duas pessoas cuja sorte se esgotou. Esse homem, uma pessoa normal, contou-me tudo isto a poucas horas de seguir para o aeroporto da Portela, para mais um voo de cinco horas rumo a um destino qualquer.
Publicado por sharkinho às 10:56 AM | Comentários (6)
FOTO POSTA

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 08:59 AM | Comentários (2)
outubro 11, 2006
DOENÇAS BLOGUEIRAS
1 - Sonambulismo Virtual.
O diagnóstico obtém-se a partir de alguns contadores de visitas. É excelente para evitar contactos indesejados sem ficar mal visto perante os mesmos e os efeitos secundários são do tipo descartável.
Os sintomas não impedem o blogueiro de manter uma vida normal e muito preenchida, acabando até por resultar em benefício da pessoa afectada como uma espécie de terapia do sono invertida.
A doença não é contagiosa.
Publicado por sharkinho às 11:41 PM
VISTO DO CÉU

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 10:40 PM | Comentários (0)
ARITMÉTICA FOR DUMMIES
Se ele tivesse metade dos dela, mesmo assim ainda lhe sobravam.
Publicado por sharkinho às 09:54 PM | Comentários (0)
A POSTA DE FACHADA

Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 05:40 PM | Comentários (0)
DANTE RELOADED
O Mundo está cada vez mais perigoso. Apesar de o espectro de um terceiro conflito mundial (e certamente nuclear) ter sido “erradicado” com o fim da guerra fria, a tensão entre Estados, ideologias e até religiões é crescente e o calibre dos líderes actuais não deixa margem de manobra para a fé no bom senso.
Basta imaginar uma Baía dos Porcos gerida por George Bush no lugar de John Kennedy. Ou um Chernobil controlado por Putin.
A ONU, desacreditada, de pouco vale em caso de ameaça séria à estabilidade mundial. O desequilíbrio latente de forças (ainda faltarão uns anos para que surja uma nova super-potência capaz de ombrear de igual para igual com o gigante americano) cria receios naturais que as recentes intervenções no Afeganistão e no Iraque consolidam e que a perspectiva dos que, como o professor Marques Bessa (docente no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas - ISCSP), defendem - só existe a política externa quando se possui o poderio militar para a impor – justifica.
No meio deste cenário, nações como a Coreia do Norte podem constituir o rastilho para situações impensáveis à luz da aparente acalmia que se vive nos países ocidentais e que, por via dos interesses económicos e das alianças firmadas, inevitavelmente os arrastarão para o centro de qualquer conflito seja este convencional ou não (como os atentados terroristas em solo europeu bem o demonstram).
Mas mesmo a China, o eterno papão, poderá a qualquer momento anunciar ao mundo a sua tomada de posição mais temida, aplicando em Taiwan a receita tibetana.
E a Rússia de Putin, mantida a recato por via da paupérrima situação económica em que o país mergulhou, cedo ou tarde voltará a querer afirmar-se no contexto internacional. À bruta, como estas coisas costumam acontecer naquelas paragens.
Por outro lado, a clivagem cada vez mais acentuada entre hemisférios não dá mostras de tirar o sono aos mentores da nova ordem mundial mas revela-se cada vez mais trágica, cruel e potencialmente geradora de alguns dos episódios mais indignos que a Humanidade já conheceu.
O ataque às torres gémeas, o massacre de Beslan, a chacina do Ruanda e a agonia em Darfour são a ponta de um icebergue que ninguém saberá ou poderá controlar se alastrar como a negligência e a arrogância actuais permitem.
O clima está muito denso nos bastidores das Relações Internacionais e estupidamente elevado nos oceanos e nas calotas polares. O ambiente ainda é o parente pobre das preocupações modernas mas já revela (Nova Orleães constitui um sólido exemplo) o quanto os habitantes de qualquer nação da Terra estão à mercê de tragédias a que os Estados não estão preparados para dar resposta.
E por fim, neste rosário pessimista que o Mundo me inspira, existe a infelicidade latente na sociedade que estamos a construir. A que se vê nas ruas e se lê nos jornais, traduzida num aumento da criminalidade protagonizada por cidadãos pacatos que sem causa aparente atacam escolas e na realidade dos factos representada pelo número impressionante de um milhão de mortes anuais por suicídio.
A sensação de impotência perante todos estes factores é imensa e leva-me a temer um futuro pouco risonho se nada acontecer que altere de forma drástica a atitude global, mesmo que isso possa custar uma catástrofe económica cuja contenção é prioritária (obsessiva?) nas decisões de quem as pode tomar por nós.
E não vejo motivos para as acreditarmos acertadas.
Publicado por sharkinho às 11:09 AM | Comentários (2)
PARA COMEÇAR BEM O DIA



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 09:30 AM | Comentários (0)
outubro 10, 2006
ASAS NO PENSAMENTO

Ofegantes, chegaram os dois ao cimo da montanha mais alta daquela cordilheira. Contemplaram em silêncio a magia em seu redor.
Os reflexos brancos da luz do sol no seu braço de ferro com a neve teimosa, gelada, resistente ao calor. Imenso céu azul e as nuvens mais abaixo, espreguiçadas sobre o vale.
O desafio, a conquista, a vitória alcançada no objectivo que se cumpriu. Tenaz a persistência daquele par. Outro feito a alcançar, para lá da última elevação no horizonte.
A firmeza na vontade e a certeza no olhar. Os dois, sem conversa, convictos. Saboreavam por antecipação a próxima luta com os elementos que a natureza usava para dizer aos seres vivos que aquele lugar não era seu.
Vento, chuva, frio e nevões ocasionais. Mais a montanha em si, majestosa. O maior troféu que se podia conceber, o topo daquele monstro de rocha e a visão inesquecível do mundo como todo ele deveria ser. Agradável, bonito, sereno, em paz.
Deixaram-se ficar naquele gozo mudo, felizes os dois. O tempo que parecia nunca se esgotar naqueles instantes difíceis de respirar, o sucesso numa missão impossível a que se propunham, insistentes.
Tornavam-se mais exigentes a cada obstáculo ultrapassado, mais difícil o que vier a seguir. Avançavam a custo, cansados. Mas insistiam, amarrados num esforço comum com contornos individuais. Os problemas habituais, equipamento e outros pormenores, tempestades imprevistas e coisas assim.
E o sabor de cada vitória a bailar sobre o gelo da pista, a força da gravidade trocista e a graça nos movimentos ao som de uma melodia sem par.
Abraçaram-se por fim.
E concentraram-se no sopé distante que atacariam de seguida, outro esforço de descida, com a garra dos eleitos.
Para subirem outra vez.
Publicado por sharkinho às 10:41 PM | Comentários (0)
FOTO POSTA

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:45 PM | Comentários (2)
ASAS NO PEITO

Foto: Shark
Fazer as perguntas erradas, tentativas desesperadas de obter as respostas que se sabem impossíveis de antemão.
Proferir afirmações que se revelam contradições, apelos tresloucados numa língua que o destinatário desaprendeu.
Remexer nos arquivos mortos, na memória do calor dos corpos e das almas incendiadas por um fogo fátuo que finge apagar-se para escapar à constatação de um final qualquer ou ao prolongar de uma insuportável oscilação.
Desequilíbrio sobre um chão fugido aos pés.
Aprender a voar nesse instante, rumo ao sol no horizonte.
Ou mergulhar num abismo sem fim.
Arrastado pelo chumbo pesado.
Dentro de mim.
Publicado por sharkinho às 02:30 PM | Comentários (4)
JÁ TIROU A SENHA?
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 01:46 PM | Comentários (6)
outubro 09, 2006
O MALEFÍCIO DA DÚVIDA
A verdade está tombada de costas no lodaçal da sinceridade impossível. No atoleiro das coisas que contam mas não podem ser contadas. As coisas que não se podem dizer por causa de um medo qualquer. Dos outros ou de nós mesmos, incapazes de assumirmos a versão original sem cortes nem acrescentos.
Omitimos por obrigação, encostados à parede pelas repercussões possíveis. No muro das lamentações silenciadas, das histórias inventadas, dos pecados capitais a que as vidas normais obrigam.
Mentimos ao ataque ou à defesa, ocultamos a tristeza como uma vergonha terrível, pintamos a certeza como um antídoto para as nossas hesitações imperdoáveis.
Aldrabamos os outros para que acreditem em nós tal e qual nos podemos revelar.
A verdade é chocante para a maioria das pessoas. Preferiam nem saber. Reagem à bruta, acossadas pela inconveniência de um facto perturbador. Mesmo nas histórias de amor, livros abertos, contornam-se evidências com notas subtis de rodapé, a lápis de carvão para se poderem apagar depois (quando o tempo as reduzir a larachas pela inevitável relativização).
Mentiras piedosas, as rainhas do arsenal ao alcance do cidadão comum que anseia ser feliz. Hipocrisia, também, no limite difícil de traçar entre um tique social e uma simples imprecisão involuntária.
Jardins secretos que amedrontam, pontos fracos, os nossos, perante os outros que nunca admitem a rega clandestina dos seus. O medo da exposição daquilo que entendemos ser a nossa maior fraqueza. Vergonha ser frágil, pecado ser perdedor. A imagem que o outro aceita pois é raro quem respeita os que despem preconceitos, chamam-lhes excêntricos, os que colocam as suas misérias a nu. Os pobres coitados, pela vida derrotados apenas porque todos em seu redor se afirmam vencedores. Imaculados. Aldrabões.
A verdade é uma vara de dois bicos. Magoa-nos tanto escondida como na ressaca da sua revelação. A verdade é uma maldição numa sociedade de verniz. Silicone nas próprias existências que se fingem tão boas, intocáveis na sua perfeição esculpida a cinzel. Farsas impostas pela necessidade de integração ou apenas por se ambicionar uma vida melhor, nos moldes convencionados.
A mentira cultivada, indispensável, estratégica,como um manual de sobrevivência neste meio hostil.
Mais fácil ainda quando não se enfrenta um olhar.
E alguém inventou os blogues.
Há coisas fantásticas, não há?
Publicado por sharkinho às 09:22 PM | Comentários (6)
FOTO POSTA

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 06:23 PM | Comentários (0)
A POSTA NO CARTÃO VERMELHO
Um país inteiro a acontecer. Um mundo com quase duas centenas de nações!
E no noticiário da RTP, o canal do Estado, serviço público, espetam-me com o lançamento de um CD pimba de um ex-árbitro de futebol??? Entrevistam o homem, como se tivesse acontecido algo de relevante que envolvesse a criatura? Um CD para vender nas feiras e nos cafés?
Puta que os pariu, perdoem-me o vernáculo, mas sustentamos a corja e temos o direito de lhes exigir o respeito, no mínimo, pelo bom gosto e pelo bom senso.
Ou alguém quer convencer-me que o não-sei-quantos-Rodrigues, esse artista consagrado, é tema de notícia noutro suporte que não um tablóide ou um canal de tv (e K7) pirata?
Publicado por sharkinho às 04:52 PM | Comentários (0)
A POSTA PRA VER


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 04:12 PM | Comentários (0)
DEIXEI DE ACREDITAR
Em coincidências.
Publicado por sharkinho às 12:53 PM
A TECLA DO DIA
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Publicado por sharkinho às 11:09 AM
SEM OBSTÁCULOS

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 10:25 AM
CONFUSÃO DE NARIZES
Alguém foi desagradável para mim num email que enviou em resposta a uma iniciativa minha que se destinava a manifestar apoio a essa pessoa. Publiquei aqui a minha manifestação de desagrado e, por coincidência, outro alguém sentiu como sendo a si dirigida essa manifestação e reagiu em conformidade.
Saí a perder em toda a linha e tive mais uma demonstração de como isto de ter um blogue não é isento de riscos e pode efectivamente perturbar o normal relacionamento entre as pessoas, mesmo que esteja na origem dessas ligações.
Por estas e por outras jogo muitas vezes à defesa e inibo-me de publicar o que me vai na alma, condicionado por não ser curial identificar com clareza os/as destinatários/as dos “recados” que me sinto no direito de enviar por esta via quando não me apetece recorrer a qualquer outra. Mas a esse sigilo pode corresponder um enfiar de carapuça por parte de alguém que não sendo visado/a nas minhas palavras interprete as mesmas à luz de factos produzidos no âmbito de uma relação (apenas) virtual e que, por isso mesmo, se presta a equívocos deploráveis e difíceis de esclarecer no calor de uma discussão por escrito.
Por estas e por outras invisto cada vez menos nos contactos virtuais e mais nos analógicos, aqueles que nos permitem exprimir olhos nos olhos aquilo que pretendemos mesmo dizer à pessoa em causa.
Cada vez acredito menos na viabilidade das relações que se cingem à troca de emails ou de comentários.
As emoções e as relações genuínas não dispensam o calor de uma voz ou a chispa num olhar.
Publicado por sharkinho às 10:15 AM
outubro 08, 2006
A POSTA NA FOTOGRAFIA

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 07:34 PM | Comentários (19)
GATO ESCONDIDO 2

Publicado por sharkinho às 06:53 PM
EU NO MEU BLOGUE
É espantosa a habilidade de um blogue para nos arrancar à força palavras e imagens do baú secreto das emoções. Um blogue é como um amigo traidor, desvenda-nos os segredos depois de se apoderar da nossa consciência, impele-nos a confessar os desejos secretos e os anseios que mais discretos gostaríamos de conservar.
Um blogue põe-nos a falar, sozinhos, para uma plateia difusa na maioria composta por gente sem qualquer espécie de interesse na pessoa por detrás desta sua representação virtual.
Um blogue é indiscreto, coscuvilha. É uma autêntica armadilha para quem dispensa a razão. Só fala o coração, alegria ou tristeza, a permanente incerteza que nos move ao longo de um caminho pautado pela esperança como pela desilusão.
A estranha sensação da janela aberta de par em par, sentir o cheiro da madrugada ou saltar para o vazio num derradeiro arrepio da nossa fraqueza que se expõe a quem a pretenda explorar.
Pedidos de socorro floreados, os medos abafados nas palavras que outros interpretarão de acordo com a sua sensibilidade peculiar. Ou com a vontade de magoar aqueles que hostilizam ou deixam de repente de lhes servir um propósito qualquer.
Um blogue é como uma mulher matreira, desconfiada mas traiçoeira, que nos arrasta com frieza para o caminho pior. Assiste impávido à degradação da pessoa que o constrói, à medida em que lhe destrói as defesas e lhe revela as tristezas que preferiria esconder.
Sempre a fingir, para evitar o óbvio. Adepto da charada, da prosa equivocada que actua como um bumerangue letal. O sim quando se queria dizer não e a recíproca verdadeira.
O palco da asneira que instiga a toda a hora, sincero na maneira como nos desmascara diante de quem aguarda o seu quinhão, a derradeira dentada nos despojos que um bando de hienas disputa nas entranhas da nossa percepção.
O certo e o errado, tudo misturado nos confusos meandros da adivinha e da especulação.
As duras consequências à luz das evidências que não se podem disfarçar.
Eu amo o meu blogue.
Tanto quanto o consigo odiar.
Publicado por sharkinho às 05:34 PM
A POSTA PARA VER
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 01:59 PM
PALAVRAS AO VENTO
A brisa, discreta na proveniência como uma inadvertida flatulência, cumpriu o seu papel anónimo e soprou aos ouvidos sedentos de uma das correntes de ar que lhe alimentavam o ego, um concubino cego que guinchava pelas frinchas das janelas como um violino triste que só tocava a solidão que sentia porque a brisa não lhe concedia outra hipótese de sonhar.
Mas a brisa não sabia amar, apenas soprava histórias de encantar (aos que não conseguia alcançar) que lhe ocultavam a natureza foleira, umas histórias à maneira, vira-bicos, mais uns pequenos arrufos para exibir uma indignação que provinha apenas da frustração de ver cada vez mais reduzido o seu harém imaginário, as hipóteses em aberto que mantinha com o poder que detinha sobre a circulação do ar nas mentes adormecidas dos ventos que adoravam a máscara e ignoravam a essência por detrás.
A brisa parecia capaz, assim o soprava, de ser aquilo que esperava quem dava ouvidos à sua música celestial. Mas tinha pouca paciência quando a sua inconsistência se expunha descarada e alguns ventos se revelavam furacões, contrariavam as ilusões de manter amarradas as trelas nas pernas da cadeira feita trono onde sentava a sua pose superior.
Mas desconhecia o amor e a amizade também. Não considerava ninguém capaz de lhe justificar um desvio do olhar embevecido com que mirava o seu reflexo invertido, aquilo que gostava de se pintar.
Fútil, afinal. Desdenhosa, buscava uma saída airosa sempre que o vento soprava mais forte e denunciava a sua incapacidade para gostar a sério dos objectos do seu culto de personalidade frustrada de uma brisa enamorada pelo som da sua passagem. E nada mais.
Também sabia gostar das manifestações de si, tudo aquilo que conotava com a sua alma de fingir. Refugiava-se nas poucas realidades que não lhe podiam escapar, as suas.
Errante pelas ruas de uma amargura que consolidava em cada fracasso da sua estratégia inevitavelmente individual.
Queria soprar sozinha, a brisa comezinha incapaz de ocultar a falta de substrato nos aspectos essenciais.
Impunha regras, ditadora, e punha o rabinho de fora sempre que chegava o momento de provar o seu valor. Desculpava-se com o mal nos outros, sua alteza, e nunca reunia a franqueza bastante para assumir as suas falhas, imaculada na sua sensibilidade de fachada que a traía no momento de se provar capaz e de responder ponto por ponto, cobardolas.
Sempre muito concentrada noutra coisa qualquer, distracções. As suas precisões de loba solitária sem tempo nem motivação para atender aos males da alcateia estúpida que uivava e assim incomodava o silêncio resignado que melhor lhe servia os propósitos de brisa autónoma. Heterónima de um vendaval feito de azedume e de pó.
Nunca acabaria só, claro, habilidosa na arte de insuflar pela surra as correntes de ar que a iluminavam ou construíam, idolatravam e seguiam até ao dia em que a brisa parava de soprar as melodias de embalar e o seu desprezo ecoava com o som de um trovão.
Buscava então, como quem não quer a coisa, as alternativas que se perfilavam no horizonte deserto de emoção, depois de esgotada a utilidade subserviente dos que a adoravam em vão.
Soprava promessas, escondia premissas, varria pecados de uma memória irregular que apenas registava o suficiente para agradar o gosto dos outros e o seu.
Aquilo que pareceu. Mas nunca conseguiu demonstrar.
Publicado por sharkinho às 01:50 PM
VERSÃO CONTEMPORÂNEA
Foto:Shark
A garina tá feita porque o bacano deu de frosques.
Foi curtir uma onda menos sonífera...
Publicado por sharkinho às 11:57 AM
PESSOAS ASSIM
Acredito nas pessoas generosas, capazes até de abdicarem de si próprias em prol de alguém de quem gostam. Capazes de identificar os momentos certos para se transcenderem e conseguirem reunir as poucas forças que lhes restam numa atitude generosa e sensível.
Acredito nessas pessoas porque são as únicas que valem a pena, não reduzem ao paleio politicamente correcto a sua intervenção nas vidas dos outros. Intervêm de facto, proactivas, fazem a diferença com a exibição clara de que não vivem afogadas no seu umbigo colossal.
São pessoas que interpretam as dores dos outros e as tomam como suas, não se limitam a proferir (papaguear) afirmações que as envernizem aos olhos dos outros. São, não fazem de conta.
E nunca se limitam ao essencial, tentam ir mais além e merecem retribuição, merecem toda a estima que lhes dão em troca dessa oferta de si próprias nos momentos cruciais.
Valem pelo que são e não pelo que afirmam ser. Não são secas, de plástico, falsas emocionais. Têm garra, não a apregoam.
Tenho tido a grata experiência nestes dias de contar com gente capaz de me conferir mais atenção do que lhes mereci. Generosas na disponibilidade que encontram no seu tempo para nele me incluírem, honestas na franqueza que transparece das suas palavras e, acima de tudo, sensíveis às questões alheias ao ponto de as tornarem prioritárias (ainda que de aparente irrelevância, as questões e as pessoas) sobre todas as outras coisas que poderiam fazer nesse instante em que se dão.
Admiro pessoas assim.
E gostava de estar sempre à sua altura.
Publicado por sharkinho às 01:01 AM
EM TONS DE AZUL


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 12:55 AM
outubro 07, 2006
NUNCA MAIS
Desperdiçarei contigo palavras para além das estritamente necessárias.
Publicado por sharkinho às 11:33 PM
(LIS)BOA TODOS OS DIAS

Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 11:04 PM | Comentários (2)
VERY BUSY
Tomei duche. Vesti-me. Fui levar a minha filha a uma festa de aniversário de uma colega. Desenrasquei dois clientes em situações morosas e impossíveis de resolver em qualquer outro lugar numa tarde de sábado. Fui resolver um problema mecânico do meu carro. Fui ao supermercado. Respondi a dois ou três comentários no charco. Tratei do jantar da miúda. Comentei dois blogues. Postei. E ainda arranjei tempo para responder a dois emails-lençol de alguém que precisava de uma palavra amiga.
E o meu sábado ainda não acabou…
Publicado por sharkinho às 10:39 PM
H2O



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 09:10 PM | Comentários (0)
outubro 06, 2006
SERÁ CORRECTO AFIRMAR...
...Que De vagares, devagarinhos, o Aspirina B está cada vez mais (A)fixe?
Publicado por sharkinho às 10:48 PM | Comentários (4)
MAR(IO) ENCRESPADO

Dos melhores momentos televisivos a que assisti, ver o relativamente circunspecto Mário Crespo escangalhado de riso a encerrar o noticiário da SIC Notícias, minutos atrás.
Em causa estavam umas passarolas que vão desfilar na Avenida da Liberdade.
Será que o homem confundiu passarolas com passarinhas?
Publicado por sharkinho às 10:34 PM | Comentários (2)
SAUDADES DO VERÃO



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 05:30 PM | Comentários (0)
ENSURDECEDOR
Encontro no teu silêncio a explicação para a minha surdez.
Publicado por sharkinho às 05:23 PM
RACIOCINIOS DESNECESSARIOS 2
Escrever o amor de uma forma “universal” é quase um santo Graal para quem investe na emoção e inclui as palavras nessa definição do que de mais profundo conseguimos sentir.
E isso aplica-se tanto ao amor sereno que adormece nos braços de alguém depois de um momento irrepetível como ao amor explosivo, arrebatado, que se contorce de ira às mãos do ciúme ou conduz um amante às raias da loucura.
Por muito que esse arquétipo ornamente alguns devaneios literários e fantasias de casal, nem o próprio amor possui uma alma gémea. Não existem dois amores iguais, duas formas semelhantes de sentir e de exprimir uma paixão e as suas grandezas e misérias.
Cada pessoa valoriza o amor numa escala que é a sua e opta por um caminho para o usufruir que jogue certo com a sua sensibilidade e o seu grau de carência. Por isso chamam egoísta ao amor, por prevalecer sempre a “nossa” percepção. A que muitas vezes nos tolda à diferença que caracteriza os/as destinatários/as desse ar sem o qual ninguém respira em condições.
O amor é fundamental, nem que baseado apenas numa reciprocidade ilusória ou mesmo num erro grosseiro de interpretação da nossa inteligência emocional.
Escrevemo-lo, os que conseguem, sempre de acordo com a intensidade que nos absorve enquanto o pensamos para o traduzir em palavras. Por vezes, tantas vezes, bem melhor do que o conseguimos por outra forma. Numa conversa telefónica. Na cama, até.
E sempre de uma forma subjectiva, seja no modo como descrevemos o nosso sentir ou como interpretamos o das outras pessoas.
Por isso vão sempre existir tentativas frustradas de “globalizar” em palavras o que nunca poderá definir-se de uma maneira que encaixe em todas as noções possíveis de entre as variáveis sem fim que cada ser humano em cada conjuntura produz.
A prová-lo, basta repararmos nos exemplos de sintonia perfeita nesse domínio entre uma multidão de dois.
É por isso que me senti tentado a repetir agora a última frase da posta anterior.
Publicado por sharkinho às 03:39 PM | Comentários (5)
RACIOCÍNIOS DESNECESSÁRIOS
Tomamos a maioria das decisões que influenciam o rumo das nossas vidas sem a noção do impacto das mesmas, de forma leviana. E o mesmo se aplica às decisões que deixamos por tomar, preguiçosos ou apenas inconscientes das repercussões que os adiamentos podem implicar.
Não pretendo com isto generalizar um padrão de comportamento, até porque todos nos esforçamos (uns mais do que os outros) para racionalizar de alguma forma as (poucas) escolhas que a vida nos concede.
No entanto, a maioria das histórias de existência que conheci no meu tempo de vida, a minha também, fazem-se de equívocos menores que assumem proporções colossais e de desmazelos aparentemente inconsequentes que se traduzem depois em perdas infelizes e desnecessárias.
Parece que não temos a percepção da realidade quando a projectamos no futuro, naquele instante em que tentamos sopesar os prós e os contras desta ou daquela atitude ou omissão. E depois é sempre tarde demais para arrepiar caminho.
Estranho é percebermos muitas vezes que nos deixamos levar por impulsos irracionais, o feitio e essas cenas, com a consciência de que não vamos no melhor sentido e avançamos mesmo assim. Depois logo se vê. E vê-se, à nossa custa e à custa de todos quantos sejam afectados pelas nossas decisões.
A nossa vida acaba assim por seguir rumos que muitas vezes não correspondem ao que desejamos, nem sempre por obra de um acaso infeliz mas pela nossa intervenção ou alheamento desastrados. A tal leviandade que nos trai.
Por isso é quase um milagre que algum ser humano consiga ser a todo o tempo verdadeiramente feliz.
Publicado por sharkinho às 01:04 PM | Comentários (7)
A POSTA NUM DIA BOM


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 09:33 AM | Comentários (2)
outubro 05, 2006
A POSTA NO EXAME ORAL
Meteu a ferramenta na boca dela e aguardou uma reacção. Ela assentiu com um piscar de olhos e ele deu início a um suave rodeio nas bordas daquele buraco que lhe competia tapar.
Sentia-a tensa, receosa, e tentou tranquilizá-la com o olhar enquanto prosseguia o movimento delicado. Entrava e saía daquela boca sem um pingo de emoção, alheio aos pequenos saltos que o corpo dela produzia quando ele avançava um pouco mais.
Esteve naquilo um bocado, até que decidiu ir mais fundo na questão. De imediato ela gemeu.
Perguntou-lhe se doeu e ela fez que sim com a cabeça.
Decidiu então abordar outro orifício, aproveitando o ensejo de a ter disponível para a função. Sabia-a medrosa, raramente a conseguia apanhar naqueles propósitos e empenhou-se em dar o seu melhor para aproveitar ao máximo a situação.
Ela gemia enquanto o seu corpo se contorcia, ele abrandava um pouco e depois recomeçava o acto. Cada vez mais apressado pela pressão do tempo que passava. A outra, que se seguiria, aguardava impaciente na sala contígua o momento de abrir a boca para o receber. E ele temia o adiamento, privava-o do sustento que obtinha daquela forma, insaciável no seu furor invasivo.
Alternou entre os buracos à disposição, consoante os sinais que ela lhe transmitia. Um gemido mais forte, uma mão que se erguia pedindo clemência, um pouco mais de paciência para com as suas hesitações. E ele concentrava noutra cavidade o seu talento reconhecido, a sua exímia destreza para cobrir com uma substância esbranquiçada qualquer espaço necessitado de um tratamento eficaz.
Meia hora mais tarde deu por terminado o serviço, satisfeito com o resultado obtido.
Olhou-a com um sorriso, deu-lhe os parabéns pelo comportamento exemplar.
E depois, olhando o relógio, apressou-a.
Mandou-a bochechar.
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Publicado por sharkinho às 01:34 PM | Comentários (6)
PROVA DOS NOVE
Se cortarmos um princípio rigorosamente ao meio justifica-se que obtenhamos dois fins absolutamente iguais.
Ou seja, a multiplicação dos fins obtida por meio da divisão dos princípios não adiciona necessariamente algo de novo no leque de opções.
E diminui sem dúvida a margem de acerto de qualquer previsão.
Publicado por sharkinho às 11:56 AM
A POSTA PRA VER