« UNITED COLORS | Entrada | ON THE ROCKS »

novembro 19, 2006

ALGODÃO DOCE

nova luz.JPG
Foto: Shark

Um dos aspectos que mais me ajudam a tolerar a temperatura baixa destes meses “do Norte” é a ausência de monotonia no céu.
Aquele azul imenso, calor intenso, dos dias quentes e limpos do Verão dá lugar a um cenário recortado em pedaços de algodão doce para o olhar. Padrões aleatórios de nuvens a ornamentar o fundo em todo o horizonte visual, ao sabor dos caprichos do vento e da influência da luz.

A luz é outra nestes dias brilhantes da estação agasalhada, constipada pelo frio que entra pelas mesmas frinchas das janelas onde meses antes acolhemos com agrado uma brisa que faz toda a diferença quando nos arrefece o suor que a canícula borrifou na pele a ferver.
Gosto da luz do Outono, mais límpida, mais genuína do que aquela que nos ilumina filtrada pelo efeito do calor.

Coisas simples, afinal, as que distinguem os dias uns dos outros e quebram a rotina das sensações primárias que o corpo e a mente processam enquanto sentimos a vida a passar nos dias que recuso iguais aos anteriores e aos que (eventualmente) virão depois.

Gosto da luz do Outono porque me oferece a diferença que preciso reconhecer, em cada dia, no brilho dos olhares que amo ou na forma das sombras desenhadas no chão.

Publicado por sharkinho às novembro 19, 2006 04:02 PM

Comentários

És um poeta em escrita de prosa, pouco provido de freios de vírgulas, mas abundante em imagem e sentimento. Salve!

Publicado por: sergio às novembro 21, 2006 01:47 AM

Realmente sou pouco provido de freios. E as vírgulas são apenas uma das manifestações desse destravamento...

Publicado por: sharkinho às novembro 21, 2006 11:14 AM

Queria ver-te retirar do armário da tua meteorologia poética chumaços de algodão doce, a enxugar, em pleno verão, o suor com que te borrifas todo, nesta rememoração da variedade climática que também aqui no Brasil temos: só que aqui não temos cataclismas da natureza, apenas uma que outra enchente, um transbordamento, um incêndio de imbecis largados, uns desmatamentos mais ao Norte, um grande afluxo de marginais dotados de autoridade naquelas duas metades de uma lata de queijo do reino...e o Companheiro Supremo...

Publicado por: sergio às novembro 24, 2006 08:04 PM

Queria ver-te retirar do armário da tua meteorologia poética chumaços de algodão doce, a enxugar, em pleno verão, o suor com que te borrifas todo, nesta rememoração da variedade climática que também aqui no Brasil temos: só que aqui não temos cataclismas da natureza, apenas uma que outra enchente, um transbordamento, um incêndio de imbecis largados, uns desmatamentos mais ao Norte, um grande afluxo de marginais dotados de autoridade naquelas duas metades de uma lata de queijo do reino...e o Companheiro Supremo...

Publicado por: sergio às novembro 24, 2006 08:05 PM

Comente




Recordar-me?

(pode usar HTML tags)