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novembro 12, 2006
CAVALOS DE CORRIDA
Na zona onde trabalho os acidentes de viação acontecem com uma frequência anormal. E muitas vezes implicam a morte de pessoas.
Nos Olivais, a meio caminho entre o meu escritório e o local onde actualmente resido, um casal descarregava o porta-bagagens quando um (abstenho-me de escrever o que penso, para não radicalizar ainda mais a minha posição) condutor apressado os esmagou à vista das três filhas que os aguardavam no interior da viatura.
Isto aconteceu numa artéria secundária da capital, uma rua como qualquer outra onde tantas famílias descarregam os seus pertences sem temerem um fim abrupto como o que refiro acima. O condutor, cuja carta de condução acabará por lhe ser devolvida e poucas ou nenhumas consequências sofrerá na sequência da tragédia que a sua irresponsabilidade provocou, tentou fugir do local do crime à vista de agentes da PSP.
Ou seja, revelou uma baixeza de carácter e uma falta de capacidade para assumir os seus erros que deveriam bastar para nunca mais voltar a conduzir legalmente uma viatura. E caso fosse apanhado ao volante sem um título válido de condução deveria passar numa penitenciária o tempo necessário para aprender a lição. E o código da estrada que desrespeitou.
A zona oriental de Lisboa, próxima do autódromo Vasco da Gama, é um viveiro de street racers e os acidentes não acontecem por coincidência ou pelo mau estado das estradas. Acontecem pelo excesso de velocidade e pelo defeito de responsabilidade dos asnos que circulam num bairro habitacional como numa pista, inconscientes, tresloucados, assassinos potenciais.
Não existem paninhos quentes aplicáveis perante as circunstâncias em que o condutor (modera-te, Shark) acima literalmente desfez uma família.
Nem atenuantes para a ausência ou a passividade das autoridades que sabem, que ouvem o rugir dos motores e pouco ou nada fazem para acautelar a segurança das pessoas.
Este pesadelo não acaba porque não queremos. Damos carta branca por inerência, pois não protestamos, desculpabilizamos os bêbedos ao volante se forem nossos amigos ou familiares, aceitamos de forma passiva o medo que as estradas nos provocam e preferimos enfiar a cabeça na areia enquanto aguardamos a nossa vez ou a de alguém que amemos.
Fico fora de mim quando tomo conhecimento destas tragédias alarves, escusadas, absurdas.
E por isso aplaudo de pé a conjugação de esforços hoje anunciada entre estas duas organizações para combaterem uma parte do problema.
Publicado por sharkinho às novembro 12, 2006 08:58 PM
Comentários
Tens total razão, Shark..~. O progresso (?) está banalizando a vida! ..OLha, querido..voltei lá pro meu canto..Obrigada pelo carinho, ok??Bj!
Publicado por: agatha às novembro 13, 2006 06:21 AM
Fico feliz por sabê-lo, Agatha. Faz falta o teu jeito doce de blogar.
Beijo igual.
Publicado por: sharkinho às novembro 13, 2006 09:00 AM
(vamos ver se isto entra à segunda...)
Faço minhas todas as tuas palavras, mesmo as que não disseste! Também moro num sítio mesmo ao pé de uma rotunda, e sobretudo mais à noite mas também se ouve de dia, os guinchos dos carros a circularem numa velocidade completamente louca, não se pode imaginar. Vêm para aqui experimentar os carros. E eu dou por mim a desejar que tenham mesmo um acidente e espatifem completamente a porcaria do carro. Mas sozihos, é claro. Que aquela coisa se vire, fique de patas para o ar, e não tenha mesmo conserto! Porque só ouvir o som já me arrepia.... Claro que um desgraçado que se apresente à frente, é fácil de imaginar o que lhe sucede.
Publicado por: Emiéle às novembro 13, 2006 11:18 AM
Olá Charquinho há muito que não te deixava aquele abraço pois não tenho conseguido entrar e deixar o meu comentário.
Tens toda a razão para estares indignado e quem não fica com notícias como esta ? Primeiro porque carta de condução devia ser dada com mais rigor, depois porque de facto também penso que a "pista" Vasco da Gama só não acaba porque não se quer. Em noite de corrida, fechar a ponte e passar a pente fino todos os que lá estão castigando de forma severa os que de facto fossem responsáveis seria a medida certa. Mas as autoridades estão adormecidas.
Publicado por: susete às novembro 13, 2006 11:27 AM
PS: Só para te dizer que copiei a foto abaixo com o candeiro de rua com a serpe. O meu blogue tem estado parado embora tenha um sem número de fotos para publicar mas... o amor aconteceu e tudo o resto ficou para trás.
Publicado por: susete às novembro 13, 2006 11:31 AM
E bastaria, Emiéle, um endurecer de posições. A coisa já lá não vai com mais coima ou menos coima.
Tem que ser a doer e os criminosos (que é disso que se trata) têm que merecer o tratamento adequado, tanto em matéria penal como (e sobretudo) em matéria moral.
Publicado por: sharkinho às novembro 13, 2006 11:48 AM
As autoridades, no caso da Vasco da Gama, estão adormecidas de facto e só acordarão quando um dos aceleras se enfaixar de frente no veículo de outra família qualquer das poucas que arriscam a travessia a partir das 23 horas. Aí, toda a gente vai concentrar-se no problema que agora parece nem existir (são cinco ou seis os postos da GNR e esquadras da PSP onde ecoam os motores da ponte).
E olha que gostei bastante do teu pretexto para não blogares, Susete... :)
Publicado por: sharkinho às novembro 13, 2006 11:52 AM
Parece que a imprudência e o despreparo emocional andam de mãos dadas ante o olhar benévolo das autoriddades...eu creio que aqui no Brasil se dá no mesmo. Principalmente se se é famoso...aqui um cantor e um jogador de fitebol, por exemplo...não é atoa que o símbolo da justiça é uma senhora de olhos vendados...
Publicado por: sergio às novembro 14, 2006 07:55 PM
Olhos vendados, ouvidos tapados e boca fechada. Aqui como aí, Sérgio.
Publicado por: sharkinho às novembro 14, 2006 08:29 PM
Muito interessante. Para colaborar, chamo a atenção para um erro otográfico contido num trecho desta páginade 2/11/2006
...não é atoa que o símbolo da justiça.
O correto é à-toa.
Quanto à vida, parece claro que respeitá-la saiu de moda, e eu resumo o que isto me provoca, assim:
Para o ter nascido/
Resta um só sentido:/
O de escalar os anos/
Serpenteando os planos/
Rumo ao vazio/
De um deserto frio/
Onde da vida a mó/
Me entregará, em pó...
Abraço!
Publicado por: joel ribeiro do prado às novembro 19, 2006 12:26 AM
Belo comentário, Joel.
O erro ortográfico do Sérgio parece-me de tecla, como o seu (precisamente na palavra ortográfico) e aqui a gente quer é trocar umas impressões, sem ligar a essas coisas.
Abraço para si também e muito obrigado pela partilha da sua visão connosco.
Publicado por: sharkinho às novembro 19, 2006 12:50 AM
@ joel:
Amigo, eu escrevo o português /BR e considero atoa a gente se lixar por uma coisa
à toa ou à-toa, a teu gosto. Valei-me, NªSª dos teclados...
Publicado por: sergio às novembro 19, 2006 10:12 PM
Claro que o importante são as opiniões que o pessoal vai dando sobre os temas surgidos. No caso da falha digital, a intenção não foi de cesurar; apenas, de colaborar, sem a preocupação de definir o evento como de tal ou qual origem. Como brasileiro, acho importante e terapêutico, em qualquer espaço, amparar a nossa agonizante língua, o que eu próprio, ao digitar otográfico, não fiz. Agradeço a correção, e o faço com a mesma sinceridade com que peço ao patrício Sérgio que me desculpe a homeopática observação.
Um abraço!
Publicado por: joel às novembro 20, 2006 01:08 AM
Claro que o importante são as opiniões que o pessoal vai dando sobre os temas surgidos. No caso da falha digital, a intenção não foi de cesurar; apenas, de colaborar, sem a preocupação de definir o evento como de tal ou qual origem. Como brasileiro, acho importante e terapêutico, em qualquer espaço, amparar a nossa agonizante língua, o que eu próprio, ao digitar otográfico, não fiz. Agradeço a correção, e o faço com a mesma sinceridade com que peço ao patrício Sérgio que me desculpe a homeopática observação.
Um abraço!
Publicado por: joel ribeiro do prado às novembro 20, 2006 01:19 AM