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novembro 23, 2006
DEJÁ VU

O torniquete, cada vez mais ávido da dor alheia, aprendeu a dosear o aperto de uma forma que prolongava a agonia e dessa forma lhe rendia mais e mais daquele prazer cruel.
Ganhou vida própria, independente do algoz que acreditava comandar a pressão exercida. A tortura devida sob a falsa batuta de quem a aplicava nos corpos e nas almas que quantas vezes lhes fugiam por entre a brisa de um suspiro final.
Nunca iria a tribunal, inimputável, quando a revolução aconteceu e o depositaram num museu onde o rosto de outros culpados não se perpetuaria, desbotando a imagem cada vez mais difusa pelo tempo que tudo perdoaria.
E o objecto facínora, tão quieto numa prateleira esquecida, completamente só, ruminava a lembrança coberto pelo pó e alimentava a esperança de rever o que viu.
A fé justificada pela memória curta de uma História filha da puta que tantas vezes se repetiu.
Publicado por sharkinho às novembro 23, 2006 08:43 PM
Comentários
Casamento de um cão perdigueiro com uma tartaruga gigante...o que tem este texto com a fotografia de um membro da Klu-Klux-Khan com o filhote, passeando em Paris?...
Publicado por: sergio às dezembro 2, 2006 03:17 PM