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novembro 30, 2006
HOJE ACORDEI MAIS CEDO...
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 12:47 PM | Comentários (7)
novembro 29, 2006
NOS MEUS SONHOS

Foto: Shark
Como as folhas de uma árvore no início do Outono os meus dedos desfalecem sobre o teu corpo nu e deixam-se arrastar ao sabor do vento gelado num húmido arrepio.
Publicado por sharkinho às 08:45 PM | Comentários (14)
A POSTA PRA VER
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 11:21 AM | Comentários (10)
PARADOS NO TEMPO
A "minha" blogosfera, aquela que incluo na deambulação pelos espaços que aprecio, não cessa de me pregar cagaços ou mesmo de me dar desgostos. É que um gajo habitua-se a estes pequenos prazeres e assume-os quase como um ritual, dá-se pela falta deste ou daquele pouso habitual e a sensação é esquisita.
É que bem vistas as coisas, quando um blogue congela no tempo ou pura e simplesmente desaparece a gente sente a coisa mais ou menos como naquela situação em que nos damos bem com um vizinho e até parece que um dia podemos vir a ser amigos e tal. E de repente descobrimos que esse vizinho resolveu mudar de casa e não deixou rasto algum...
Não sei se será o caso do Auto Estrada do Norte, um blogue ao qual me afeiçoei deveras, e do Blue Velvet, um clássico da minha visitação.
Mas a confirmar-se o pior, sinto isso como uma perda.
A "minha" blogosfera anda assim...
Publicado por sharkinho às 11:11 AM | Comentários (4)
novembro 28, 2006
THE HOUSE OF THE

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 05:42 PM | Comentários (8)
UM NATAL LIGHT, COM GELO E LIMÃO

Já tresanda. A inauguração oficial da maior árvore, barulho das luzes, e o ressurgimento da Leopoldina, a iluminação artificial das ruas e o massacre dos anúncios a bonecas com telemóvel e a telemóveis com bonecos mais os folhetos em barda na caixa do correio em vez dos postais que caíram em desuso. A tensão crescente de ver o subsídio a escoar-se nas mazelas do Verão à rica enquanto se aproxima o momento inevitável de enfrentar a multidão apressada das compras de última hora.
Pelo meio, os poucos que tentam relembrar a malta que não foi o pai natal quem nasceu nesse dia cada vez mais coke e ainda menos os que se esforçam por cultivar um espírito da coisa que não aceita visa ou mastercard.
Entro sempre em conflito interior nesta quadra natalício-consumista que parece desenhada para se autodestruir em labaredas de saturação. Gosto do pretexto que o Natal oferece para sermos todos um nadinha diferentes, um pouquinho melhores do que no resto do ano em que a vida nos absorve num galope desenfreado que não deixa espaço para nada ou ninguém. E desgosto assistir à cedência colectiva a toda a pressão comercial que desaba nos ombros fatigados da maioria de nós.
Para muitos a coisa coloca-se em termos próximos do martírio. “Tenho que dar uma prenda a fulano porque ele deu-me uma treta qualquer no ano passado. E outra a sicrano porque é um gajo importante na organização que me fez um favor. E o puto quer uma consola xpto e estão esgotadas. E não posso esquecer-me do par de peúgas para cumprir o ritual.”
Ala que eles aí vão para os hipermercados, para as lojas de rua, “sim, é para oferecer”, as lâmpadas novas para a árvore, com música, compradas na loja do chinês em conjunto com as oferendas baratas para cumprir calendário na consoada embrulhada de um vizinho ou de um amigo afinal só “conhecido” que se presenteia quase por obrigação.
A generosidade imposta por oposição ao clima de festa desinteressada, o sorriso espontâneo (que deveria contagiar os cristãos como os ateus) convertido num esgar de desagrado pelo frete de ter que ir comprar.
Os natais dos hospitais e coitadinhos dos pobrezinhos, as reportagens da praxe acerca das vidas geladas na marginalidade de um universo paralelo, desabrigadas em caixas de papelão. As sopinhas que lhes dão, para borrifar um pouco de humanidade na rotina da cidade que os ignora um ano inteiro e agora esbanja o dinheiro numa farsa mercantil.
Não é esse o meu natal, embora baste uma filha para me ver enredado de alguma forma nos brinquedos da moda que a bombardeiam nos seus canais de televisão. O medo de a fazer sentir-se inferiorizada relativamente aos amigos e colegas, vaidosos de pequeninos com o seu karaoke da floribella e outros sinais exteriores da riqueza que um dia irão alardear como os progenitores.
A herança que deixamos da banalização que alimentamos com a nossa incapacidade para impor aquilo que se sabe ser mais bonito mas não encaixa no absurdo em que a nossa vida se tornou.
Um grande galo, e não falo da missa, não conseguirmos ignorar uma tristeza mansa que se instala discreta no meio da confusão na mente anestesiada pela pressão que nos afasta dos mais importantes ideais.
Hipotecamos os nossos natais no crédito ao consumo que os comprou algures, carregamos essa cruz.
Talvez acabemos um dia com a alma pendurada no prego da loja de penhores, mesmo ao lado da efígie empoeirada de um tal de Jesus.
Publicado por sharkinho às 11:14 AM | Comentários (8)
novembro 27, 2006
SAUDADE DO VERÃO

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 06:39 PM | Comentários (16)
SENHORA DE MIM

A mulher perfeita não existe. E ainda bem. A sua inexistência deriva do facto de uma mulher em condições ser aquela que vive bem com as suas imperfeições e as assume com tamanha naturalidade que as transforma em meras chamadas de atenção para tudo o que possui de bom para partilhar com quem a observa no todo que a compõe.
A mulher perfeita seria necessariamente arrogante porque a sua inteligência superior não lhe permitiria ignorar o facto de constituir um ideal, uma criatura suprema, cobiçada ou invejada por gente invariavelmente inferior.
Seria uma pessoa triste também. Pela constatação de lhe ser vedada a luta pela melhoria que move todos quantos possuem algo em si para corrigir, por se sentir limitada à manutenção da sua condição, isolada no cimo do pedestal.
Essa pessoa mulher não poderia ser uma pessoa melhor. E por isso prefere enfrentar os desafios que a sua natureza lhe coloca, com a mesma frontalidade e firmeza que aplica aos que lhe lançam a toda a hora a partir do exterior.
A mulher perfeita é sem dúvida a que aceita na boa as questões de pormenor de somenos importância porque lhes vislumbra a irrelevância, pragmática. Os quilos a mais, as rugas que despontam, o mau feitio manifestado em mais do que um dado período em cada mês. Detalhes que compensa com o resto de si enquanto destrinça com clareza o que importa de facto corrigir.
Ela não reage agressiva à indiscrição elegante de um olhar seduzido pela sua presença carnal, mais visível porque enfatizada pela segurança que alardeia e pela certeza absoluta que irradia quanto ao rigor das suas escolhas. E pela convicção que nela transpira de que não existe qualquer obstáculo letal a um instante mais sensual, reunidos os pressupostos para uma possível concretização da cedência à atracção que reconhece decisiva para o equilíbrio que procura manter.
E gosta de fazer ou que lhe façam o amor inadiável no calor da sua mais intensa tesão. Ou da simples paixão despertada pela frase adequada ou pelo toque subtil de um qualquer pormenor que nunca escapa à sua percepção de fêmea potencialmente disponível para quem a saiba merecer.
Sem estorvos artificiais ou dogmas fundamentais, sem vergonha do seu instinto animal. Recatada na pose mas sem renegar o sentido de humor ou o apelo interior que lhe justifica cada aposta, filtrada com o saber da experiência mais o dom da inteligência que em conjunto lhe franqueiam os actos de liberdade que se reserva.
Sem medos nem falsos pudores, na cama com os seus amores. Eternos ou não, pois a vida é parca em opções sedutoras como em relações duradouras e ela cedo aprendeu tal lição.
Em cada decisão o seu cunho pessoal, o arrependimento normal de quem erra de vez em quando mas prefere arriscar e até podia refugiar a frigidez emocional mal disfarçada em argumentos de merda que a impediriam de ser feliz.
A mulher perfeita, paradoxal, nunca se rejeita sensual com base nos diferentes papéis que a vida lhe acarreta. É amante, é mãe. E excelente profissional também. Exímia em todas as missões, capaz. De conseguir distingui-las na execução, sem nunca admitir a confusão que a possa castrar pois recusa amputar qualquer parte de si, no todo, essencial.
É filha, é amiga, é senhora ou rapariga e não se atrapalha no conflito entre a loucura e a lucidez que a empurram à vez para uma forma de estar. Eufórica ou melancólica, passiva ou activa, dominadora ou confiada ao poder que alguém decide exercer sobre si num arrebatamento consentido pelo reconhecimento de uma força irreprimível ou de um jeito másculo, circunstancial, que se manifestou, desejável se oportuno.
Sem pressupostos ou imposições. Com lugar para a irreverência na análise à consciência daquilo que pode ou deve fazer. Porque sabe o que quer na sua lógica de mulher tão flexível nos conceitos por admitir subordiná-los, sabedora, a diferentes interpretações.
Alimenta ilusões e contos de fada, menina, como assenta em profundas convicções a realidade que desatina mas enfrenta à sua medida, os pés bem firmes no chão.
Resistente inquebrantável à adversidade, combatente implacável pela paridade. Sem espalhafato, serena, a vitória pela evidência que só os estúpidos não conseguem distinguir. Ela sabe prevalecer sobre as falsas questões e as absurdas tradições que se esforçam por a convencer de uma inferioridade artificial.
É uma pessoa normal, alheia contudo aos clichés que dão jeito à maioria para cristalizar uma versão universal do padrão associado à alegada debilidade da cruz que um pipi representa. A fraqueza feita força no poder que não desdenha exercer pelos atributos do género, praticante de um judo misturado com xadrez, o adversário estatelado na baba que ingénuo derramou enquanto ela congeminava o método mais simples de o arrastar para o chão.
Por vezes apenas um sorriso matreiro. Ou talvez um argumento certeiro, de surpresa, para levar a água ao moinho vencedor, no seu imparável caminho para a perfeição rejeitada.
Só a trai o amor, calcanhar de Afrodite, a cegueira instantânea que lhe perturba a concentração e a empurra para fora dos carris de uma linha determinada, para os braços de uma incógnita carmim chamada emoção.
A mulher perfeita apaixonada constitui para mim a mais sublime imperfeição.
Publicado por sharkinho às 12:38 PM | Comentários (10)
novembro 26, 2006
AIR POST
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 08:48 PM | Comentários (7)
CONTRACEPÇÃO HOTELEIRA

Foto: Shark
Habituei-me aos poucos à ideia de as unidades hoteleiras não permitirem animais nas suas instalações. É chato e tal, os bichos fazem barulho, sujam tudo, podem suscitar alergias. Enfim, podem perturbar o sossego de quem busca um hotel para uma noite descansada ou um restaurante para uma refeição em boas condições higiénicas.
Habituei-me apesar do transtorno que isso me causa, pois sempre tive cão e nem sempre tenho disponibilidade financeira ou outras condições para arranjar quem tome conta do bicho para eu poder usufruir também desses privilégios que a hotelaria pode oferecer.
O princípio em causa, aquilo que leva os responsáveis pelos hotéis e restaurantes a recusarem liminarmente a presença de animais nos seus espaços de lazer, é fácil de assimilar. Mesmo um inconformado como eu, que já me vejo empurrado para a rua a contra-gosto sempre que quero fumar um cigarro (outro incómodo que a hotelaria decidiu banir, seguindo o exemplo das transportadoras e aproveitando o trilho que a Lei e os costumes vão criando), aceita os argumentos e age em conformidade.
Claro que só um parvo não percebe que a proibição, qualquer proibição, incute nos mais comodistas uma aversão natural aos alvos dessas limitações.
Cada vez menos gente se predispõe a acolher um animal na sua vida e cada vez mais pessoas preferem dispensar nas suas casas e mesmo nos seus carros a presença de quem fuma, impondo as mesmas regras que a hotelaria populariza.
A malta deixa cair na boa tudo quanto possa constituir um embaraço, um inconveniente, a maçada de qualquer limitação.
Fiquei a saber hoje, na revista de Imprensa de dois canais de televisão, que as unidades hoteleiras começam a impor restrições na admissão de famílias com crianças.
Neste caso concreto nem vale a pena dissecar a argumentação que queiram impingir para justificarem tal medida. Nem mesmo o facto de não ser ilegal essa reserva específica do direito de admissão.
Ninguém me conhece por moderado no discurso ou mesmo no comportamento quando as decisões de outrem me enojam. E é o caso.
Esta nova tendência, que coloca os putos ao nível dos cães, é mais uma machadada num valor fundamental e sagrado. Tão grave, na minha óptica pessimista de quem adivinha o impacto de tal aberração nos casais jovens sem filhos e nos que adoram qualquer pretexto para os confiarem a terceiros, tão grave que assumo sem problema que qualquer hotel ou restaurante que me tente privar da companhia da minha filha terá que chamar a polícia para acabar com o putedo. E garanto que não tenho medo de defender esta causa na pele de arguido num tribunal.
Dão-me saudades do tempo da “velha senhora”, estes liberais da trampa que aceitam o mercado como equilibrador natural destas coisas. Dizem eles que à proibição de uns corresponderá o incentivo de outros e nascerão as unidades hoteleiras vocacionadas para acolherem essas famílias indesejáveis noutros estabelecimentos. E apetece-me mandar à merda esses teóricos que ignoram o valor da Família como o primordial em qualquer sociedade, em qualquer civilização digna desse nome.
As crianças, como os anciãos (talvez os próximos alvos da purga), não podem ser interpretadas como uma inconveniência em circunstância alguma. Não podem servir de pretexto para vedar às pessoas o acesso aos locais da sua preferência, remetendo-as para onde as deixam entrar.
Estas anomalias indignas fazem-me ferver por dentro, pelo efeito que lhes adivinho num país onde a taxa de natalidade já não lhe permite compensar os desequilíbrios da pirâmide etária. Onde muitos jovens encaram a paternidade como um estorvo à progressão na carreira ou mesmo à manutenção de uma relação conjugal sem ondas.
Estas regras do jogo nojento que o dinheiro impõe empurram-me em simultâneo para a esquerda radical que não acredita no bom senso do mercado e exige maior intervenção do Estado na regulação destas coisas e para a direita mais conservadora que coloca valores como a Pátria e a Família no lugar que acredito intocável.
Viram-me do avesso e obrigam-me a soltar o labrego em mim, nos actos como nas palavras.
Representam o que de pior encontro naquilo que os mais cordatos assimilam de forma pacífica como as “consequências naturais do progresso e da evolução”.
Nem os macacos evoluíram de um modo tão repugnante, em muitos domínios.
Publicado por sharkinho às 12:07 PM | Comentários (3)
novembro 25, 2006
FERNÃO CAPELO (Urban Mix)

Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 05:50 PM | Comentários (1)
TERRA PROMETIDA
Foto: Shark
Promete-me que esquecerás o que fomos e entenderás o que somos, sem tristeza nem dor.
Deixa partir o amor para o seu recato, um canto afastado e discreto daqueles onde se guardam as memórias e se perdem as ilusões.
Vira as costas às recordações e abraça um futuro melhor assim, a vida passada sem mim nos teus dias do presente oferecido pela minha ausência.
A pacata inconsciência de um coma, estendida na cama que nunca partilhámos, faz de conta, finge que nunca aconteceu noutro espaço que não um sonho teu. Deixa cair.
Passa pelos locais que me estão associados de alguma forma e aprende como se contorna o desconforto de uma saudade que deves renegar. Uma tesoura imaginária a recortar na fotografia a silhueta que pertencia a quem precisas esquecer.
Sabes que não podes manter ocupado o lugar deixado vago pela desilusão que não choras, agora que esperas pela renovação do teu sentir.
Sei que te queres apaixonar outra vez e acreditar que se fez justiça quando acabou a paixão postiça que te amarrava a um ideal sem sentido, esse amor condenado que agarraste em vão e fugiu da tua mão como um pássaro selvagem, partiu para uma viagem pelo céu e tu sabias que não era teu o coração acelerado que sentias no peito onde adormecias feliz.
Promete-me que também partirás agora para outra vida lá fora, livre de novo para buscar o desejo a que te habituei. Não escondo que sei o quanto custa recomeçar, disponível para amar, a sementeira da entrega num campo arado que sentes rasgado pelas garras do destino que nos afastou. Feridas que o tempo não cicatrizou de forma instantânea, saradas apenas as que a revolta submeteu à cirurgia, pela urgência de salvar o que podia.
Para sobrar de ti o bastante para viveres convalescente um amanhã qualquer nesse corpo de mulher que enrolo em caracol na escada do pensamento, como um cachecol que me resguarda do frio que a saudade provocou quando sorriu, trocista, enquanto se fingia fadista e trauteava canções de amor só para me entristecer.
Promete-me ainda, nesta aventura que finda, que saberás sempre acolher nas tuas promessas o benefício da dúvida que a minha actuação estúpida permitir.
Promete-me acima de tudo que as deixarás por cumprir.
Publicado por sharkinho às 11:57 AM | Comentários (6)
novembro 24, 2006
LUMINOSIDADES
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 08:10 PM | Comentários (2)
UMA MESQUITA NO CALDO

Foto: Shark
Sempre me causou alguma admiração a forma disciplinada como os quadros do PCP acatam qualquer decisão que o partido lhes impõe. E não falo de admiração propriamente dita, mas de espanto perante o espírito de sacrifício que tal implica e a capacidade de engolirem sapos como o recente episódio da Câmara de Setúbal tão bem ilustrou.
Esta rebeldia que Luísa Mesquita protagoniza, recusando aceitar o “convite” para abandonar o parlamento em nome da renovação, soa a traição aos princípios que o partido sempre defendeu (sem a sua contestação) e quem nele milita sabe de antemão ter que enfrentar.
Contudo, a reacção da deputada comunista agora caída em desgraça também deixa no ar a ideia de que o PCP nem sempre sabe reconhecer o mérito e a dedicação dos seus leais militantes.
Aos 54 anos de idade e depois de muitos anos de imersão na vida político-partidária, não é de presumir que uma antiga professora do ensino secundário possa retomar o ofício que abandonou sob a presunção de que nunca teria que enfrentar tal decisão por parte do partido a quem, diz ela, nunca negou seja o que for.
É um partido diferente dos outros e ninguém pode alegar o desconhecimento das regras do jogo. Décadas de clandestinidade forçaram a organização a constantes adaptações que acabaram por endurecer os processos internos que, afinal, têm mantido a coesão no interior do mais hermético e inflexível partido do panorama político nacional.
Eu, por exemplo, nunca conseguiria adaptar-me a um esquema assim.
Mas lá está: quem opta por integrar a estrutura sabe do que a casa gasta e só por ingenuidade se pode sentir à margem deste tipo de decisões.
Por isso estranho a atitude da política, tanto quanto entendo a revolta da mulher. Existem tiques de comportamento no PCP que colidem com a percepção que temos de um partido de esquerda, compreensíveis à luz da sua história mas impossíveis de encaixar no que se entende por uma relação saudável dos militantes com o seu partido. Os outros imploram a participação activa dos seus filiados (pelo menos que paguem a quotização, quase sempre simbólica), enquanto o PCP “recruta voluntários” com base naquilo que os comunistas interpretam como uma obrigação, servir a democracia por intermédio de quem, na sua ideia, mais a defende contra as ameaças do costume (aquilo que o povo baptizou de cassette).
Luísa Mesquita, agora numa posição insustentável no partido como na bancada parlamentar, terá dado um tiro no pé com este seu grito do ipiranga.
E com a sua iniciativa, longe de atear um rastilho semelhante ao que abriu caminho para as badaladas cisões de anos atrás, apenas dará razão à corrente mais ortodoxa do PCP e acabará inevitavelmente isolada na sua desdita que, bem vistas as coisas, só a surpreendeu se andou distraída quanto aos mecanismos de funcionamento da estrutura na qual depositou uma confiança digna de uma "passaroca".
E será essa, provavelmente, a única imagem que irá perdurar na sequência da bronca que em má hora terá abraçado neste caldo que entornou.
Publicado por sharkinho às 09:19 AM | Comentários (13)
novembro 23, 2006
DEJÁ VU

O torniquete, cada vez mais ávido da dor alheia, aprendeu a dosear o aperto de uma forma que prolongava a agonia e dessa forma lhe rendia mais e mais daquele prazer cruel.
Ganhou vida própria, independente do algoz que acreditava comandar a pressão exercida. A tortura devida sob a falsa batuta de quem a aplicava nos corpos e nas almas que quantas vezes lhes fugiam por entre a brisa de um suspiro final.
Nunca iria a tribunal, inimputável, quando a revolução aconteceu e o depositaram num museu onde o rosto de outros culpados não se perpetuaria, desbotando a imagem cada vez mais difusa pelo tempo que tudo perdoaria.
E o objecto facínora, tão quieto numa prateleira esquecida, completamente só, ruminava a lembrança coberto pelo pó e alimentava a esperança de rever o que viu.
A fé justificada pela memória curta de uma História filha da puta que tantas vezes se repetiu.
Publicado por sharkinho às 08:43 PM | Comentários (1)
novembro 22, 2006
TRIBUTO

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 11:13 PM | Comentários (13)
QUINZE MIL EMOÇÕES
São números e valem o que valem. Mas se podem (e devem) discutir-se os critérios que definem a qualidade de um blogue, não há como ignorar os factos que se exprimem na estatística.
Pouco tempo depois de atingir as 150 mil visitas (desde Janeiro de 2006) no contador menos "generoso" e teoricamente mais fiável, este charco viu registado o seu comentário 15 mil em dois anos de existência.
Este número justifica por si só a minha aposta neste trabalho e acresce, na satisfação que isso me provoca, o facto de a autora desse comentário simbólico ser precisamente a comentadeira mais activa do tasco.
A Mar, minha parceira blogueira, assinou na posta abaixo esse "marco" que, naturalmente, agrada a qualquer "escrevinhador" (como ela nos chama).
Queiramos ou não, os números reflectem o interesse que o nosso trabalho suscita e se assim não fosse nenhum blogue teria contadores. E os números deste espaço não são batoteados com scripts, corantes ou conservantes de qualquer espécie. São a realidade do que o Charquinho representa para mais pessoas do que algum dia me atrevi a ambicionar.
E essas, todas elas, e sem que nisso interfiram as simpatias ou animosidades pessoais, são a razão de ser desta treta. São quem justifica o empenho e merece o meu carinho, pela atenção que reservam ao que concebo para lhes oferecer.
A minha gratidão é imensa e tentarei reflecti-la no melhor que conseguir dar de mim para vos justificar o regresso em cada novo dia.
Publicado por sharkinho às 09:24 PM | Comentários (10)
O BLOGUE DO NIM
In “TVI pelo aborto”, por Rui Castro, Blogue do Não.
Escolhi este pedaço de argumentação, mas não faltaria por onde pegar. O blogue do não, um espaço livre de exposição dos pontos de vista dos adeptos da criminalização do aborto, é a face visível da bonomia cristã no folclore costumeiro sempre que a questão se coloca.
Não é preciso dissecar o post para nele encontrar a sensatez e o rigor com que os “defensores da vida” (entre aspas para frisar a ironia implícita em defender a vida por nascer, considerando um nojo denunciar a morte desnecessária de quem a perdeu por culpa da clandestinidade que a legislação impõe) revelam o tipo de campanha que já estão a fazer.
O autor deste desabafo tão self explained esclarece-nos logo na segunda frase a sua condição de telespectador chocado, ao ponto de se interrogar se o programa que (alegadamente) viu de manhã é de facto matinal.
E segue no seu tom cordato e estimulador de um diálogo em clima de paz referindo-se à situação em causa como “miséria humana”. Um “verdadeiro nojo”, como o autor salienta, esta utilização da verdade dos factos que se converte automaticamente (na perspectiva dos que renegam as evidências) num acto de campanha pelo sim.
Faço campanha pelo NIM. Isto porque me assumo no lado oposto da barricada que o dito blogue representa, sem no entanto pactuar com a tradicional e tendenciosa distinção dos que estão contra o aborto e dos que estão “a favor”.
Eu não estou a favor e tenho quase a certeza de que a “miséria humana” que o Manuel Luís Goucha terá identificado no seu programa também não estaria. Ninguém no seu juízo perfeito está a favor do aborto, sobretudo se já passou por tal experiência.
E é essa “subtil” colocação dos “a favor” da coisa por oposição aos que estão “contra” que me impede de assumir o SIM como a minha resposta inequívoca (que votarei) à questão a referendar.
Os canais de televisão, independentemente de quem forem os seus accionistas, são Órgãos de Comunicação Social e possuem por inerência o direito (e o dever) de exibirem os factos mesmo quando estes enojam os que pretendem ignorá-los. Faz parte da crueldade que a liberdade de expressão encerra para quem prefere abafar a realidade no lodaçal do que se sabe que existe mas que se prefere remetido para a masmorra do silêncio pueril.
E acredito que é (também) em nome desse silêncio conveniente que os “defensores da vida” se insurgem contra uma alteração legislativa que evite adicionar a carga de um processo crime aos vários medos que as mulheres se vêem obrigadas a enfrentar nessas circunstâncias. Os medos, as vergonhas e os riscos concretos que o Manuel Luís Goucha terá exposto ao olhar de quem os prefere ignorados.
Se a actual legislação fosse adequada, como defendem os Nãos, o problema estaria resolvido e os canais televisivos não teriam estes exemplos de “miséria humana” para citar. É que é fácil proibir (mantendo ilegal) mas o tempo que entretanto decorreu não nos deu provas de que tenham sido criadas soluções, as verdadeiras contraditas, as alternativas concretas para quem se vê a braços com um problema bem real cuja resolução, em última análise, foi Deus, que inspira a posição da maioria dos “contras”, quem decidiu bem ou mal confiar às suas controversas criações.
Às “boas” e às “más”…
Publicado por sharkinho às 12:16 PM | Comentários (16)
PONTOS DE VISTA

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:32 AM | Comentários (7)
novembro 21, 2006
DA PILA E DE OUTRAS COISAS BANAIS

O Sérgio chamou-me a atenção para uma realidade que me anda a escapar. E escapa-nos muita coisa no meio do critério subjectivo que nos vale para apreciarmos a mercadoria que expomos a uma freguesia exigente mas generosa (sim, pois qualquer comentador/a desta plataforma é um exemplo de persistência e de pachorra dignos de realçar).
Tenho andado mais denso do que nos primeiros dias do charco. São fases, julgo eu, que um gajo para aguentar a pedalada diária desta cena tem mesmo que variar no estilo e na forma. Senão enjoa, como acontece perante os blogues dos colegas que cristalizam num dado tema ou estilo e não descolam dali.
Dou pela falta dos assuntos aparentemente banais, coisas do dia-a-dia faladas na boa, que ninguém aborda precisamente porque a banalidade retira a um blogue todo o status e afasta-o da rota corriqueira dos aspirantes a intelectuais.
Eu não aspiro, até porque me sobram as lacunas ou escasseia a paciência, e por isso permito-me luxos como escrever acerca do que me passa pela vista e não acerca das ideias de gajos que já estão a fazer tijolo há séculos.
É uma opção tão razoável como realista, vinda de um gajo como eu.
(Nota: a partir daqui começa um lençol "daqueles". Depois não digam que não estão avisados/as...)
Há muito tempo que não falo daqueles temas que podem interessar o cidadão comum. Como os aspectos ligados à nossa pila, esse objecto de culto de que muitos falam mas quase sempre numa óptica cheia de fantasia.
Eu gosto de olhar para a minha pila como olho para o resto de mim. Nas grandezas e nas misérias, como o arquivo do charco vos permite confirmar.
E não é porque ache a minha pila especial, melhor do que as outras. Ou mesmo incomum, apesar da acentuada inclinação esquerdista que lhe confere um estatuto minoritário.
Lembrei-me da pila quando absorvia das palavras do Sérgio aquilo que entendo como uma crítica construtiva daquelas que se levam a sério e se reflectem depois no trabalho a produzir. Claro que a associação de ideias entre a minha pila e o Sérgio não passa de uma coincidência, até porque das várias mazelas na minha reputação blogueira ainda não consta a suspeita de uma tendência latente para a homossexualidade que, de resto, ninguém duvide que assumiria de forma pública (pois só assim a coisa perde o cunho “vergonhoso” que lhe pintam moralistas da treta, machões de garganta e outros burgessos sem talento para pintar seja o que for).
Mas vamos então à minha abordagem de hoje em torno do meu falo. E sei do que falo, pois mantenho com ele uma relação de independência mas adornada com os devidos contornos emocionais que qualquer homem deve manter com essa porção fantástica da nossa anatomia.
Lembrei-me do dito precisamente quando me ocorreu que é óptimo para aligeirar a prosa.
É que não há como adensar um tema ligado ao pénis sem cair no ridículo.
E ocorreu-me também que para a geração anterior à minha, a pila era um tema tabu. Era como se não existissem pilas, pelo menos no discurso dos homens do tempo do meu pai.
Eu nunca vi a pila do meu pai. E embora duvide que essa possibilidade trouxesse algo de novo ou de interessante à minha perspectiva acerca da coisa (do coiso), não posso deixar de ter em conta a forma como para ele a pila era uma vergonha a esconder (e presumo que também a escondia de vez em quando em locais semelhantes aos que recolhem a minha preferência – mas isso é outro assunto tabu, numa família como a nossa em que os machos se pautam pelo recolhimento do silêncio nessas matérias).
Eu não escondo a minha pila à minha filha, embora não a pavoneie pela casa nem faça questão de a evidenciar seja perante quem for. Sempre que por acaso o olhar curioso de criança se fixa no dito cujo, limito-me a desdramatizar perguntando-lhe porque não presta tanta atenção a um dos meus dedos mindinhos ou a outra parte do corpo.
Acredito que a desmistificação do tabu, a redução da pila ao seu devido lugar no conjunto de que um homem se faz, é meio caminho andado para lhe evitar paranóias futuras.
Confesso que apesar de não apontar um dedo acusador ao meu pai por me ter ocultado deliberadamente a visão, as coisas são como são, ou mesmo o diálogo acerca desse detalhe que partilhamos, teria preferido poder conversar com ele quando constatei a tal inclinação fálica de esquerdalha que me distinguia do resto da malta e me assustou como o caraças até ao dia em que o experimentei no “campo de batalha” e a coisa nem correu nada mal.
Porque essas cenas não se partilham com os amigos, certo e sabido que nos tornamos alvo da chacota por causa de uma mera borbulha ou de um simples sinal nessa idade de todas as descobertas.
E por isso optei, quando pela primeira vez a garota entrou pela casa de banho e me apanhou em pleno chichi, por dar a pala de indiferente, de lhe explicar nas calmas que se tratava da questão de pormenor mais óbvia que distinguia as meninas como ela e a mãe de meninos como eu e o meu cão. E em que medida isso explicava o facto de eu fazer chichi de pé (difícil foi contextualizar o alçar da pata que o meu fiel amigo herdou dos seus antepassados das alcateias ancestrais).
Foi a minha escolha. Sou e serei enquanto viver um pai de confiança para a minha menina, tal como me orgulho de ter sido até esta data um amante cuidadoso e, na medida do possível, respeitador. A minha pila não é uma pistola desengatilhada e não há margem para constrangimentos numa relação sem tretas como a tenho habituado a viver comigo e recuso-me a entender o meu estimado “companheiro de luta” como algo de embaraçoso e que urge esconder.
E isto não é paleio de naturista, repito. Não é minha tradição exibir a nudez (fora do âmbito privado que a torna essencial) e admito que nesse particular tenho a alma muito mais desnuda…
O tema desta posta incide, portanto, numa faceta das várias que só quem tem pila pode verdadeiramente entender e com isso distingo claramente o meu blogue como do género masculino. Um blogue de gajo, como é costume rotular.
E eu adoro essa minha condição por uma data de razões, sendo que a primeira é a compatibilidade óbvia entre esse género que a combinação de cromossomas em boa hora ditou e a verdadeira loucura que sempre nutri pelo sexo oposto. Facilita bastante o meu culto dessa adoração que, entre outras coisas, me permitiu aprender a andar quando já toda a gente se preocupava com a minha locomoção tardia (fui atrás de duas vizinhas do lado, a correr, e nunca mais perdi esse apelo interior para as longas caminhadas por um bom motivo).
Agora sou obrigado a encerrar o lençol, até porque já percebi que nesta fase do texto já estou a falar para as paredes e mesmo os leitores mais esforçados saltitaram o olhar entre parágrafos e zarparam para outro linque qualquer.
Mas não quis deixar de corresponder ao alerta que o novel colega brazuca me deixou.
E sei que os mais antigos frequentadores desta casa já sabem do que ela gasta.
De vez em quando, estico-me. E o assunto pareceu-me elástico qb.
Publicado por sharkinho às 09:20 AM | Comentários (31)
novembro 20, 2006
CAIS EM TI

Foto: Shark
A esperança num futuro distante era mais forte do que o desespero presente naquilo que o passado lhe serviu.
Por isso não partiu quando a oportunidade lhe foi concedida. Rejeitou a despedida e abraçou a fé que assomava, discreta, no prenúncio vago de um evento que contrariava o fim que renegou com a sua teimosia militante.
De malas aviadas em redor dos pés bem assentes no cais, acendeu um cigarro enquanto assistia à largada de outros participantes na corrida que abandonou mesmo antes de começar.
A embarcação a zarpar para outro destino e ela insistente na receita que originava a maleita que lhe atormentava o coração, uma estranha opção que o instinto lhe impunha.
Sentenciada pela emoção julgada improcedente na primeira instância da análise racional, recurso interposto pela inteligência emocional que traía as decisões impulsivas das que se arrependia depois.
O barco a partir e a sua existência a prosseguir em terra firme, a lembrança de um nome que não conseguia esquecer.
Gaivotas reunidas no mastro de um arrastão, testemunhas alinhadas da sua indecisão aparente. Afinal apenas cedia num instante alucinado pela ira passageira que nunca implica que se queira embarcar numa alternativa qualquer.
Arremedos de mulher e nada mais.
Sorria no cais por entre uma baforada que se via misturada com o fumo das chaminés de muitos navios que não temiam os desafios e avançavam sem medos, flutuavam por entre os segredos que os oceanos escondiam no fundo da sua alma inconstante que oscilava ao ritmo das marés, barcos alheios à incógnita submersa sob a espuma dos receios provocados pela ondulação.
Sorria pela constatação inevitável da verdade expressa naquela bagagem pousada, outra viagem adiada, impossível.
A quilha na proa que antes rasgava raivosa a superfície do mar cedia à força da âncora que se agarrava na popa, teimosa, à vontade de ficar.
Publicado por sharkinho às 03:07 PM | Comentários (6)
ON THE ROCKS


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 09:45 AM | Comentários (8)
novembro 19, 2006
ALGODÃO DOCE
Foto: Shark
Um dos aspectos que mais me ajudam a tolerar a temperatura baixa destes meses “do Norte” é a ausência de monotonia no céu.
Aquele azul imenso, calor intenso, dos dias quentes e limpos do Verão dá lugar a um cenário recortado em pedaços de algodão doce para o olhar. Padrões aleatórios de nuvens a ornamentar o fundo em todo o horizonte visual, ao sabor dos caprichos do vento e da influência da luz.
A luz é outra nestes dias brilhantes da estação agasalhada, constipada pelo frio que entra pelas mesmas frinchas das janelas onde meses antes acolhemos com agrado uma brisa que faz toda a diferença quando nos arrefece o suor que a canícula borrifou na pele a ferver.
Gosto da luz do Outono, mais límpida, mais genuína do que aquela que nos ilumina filtrada pelo efeito do calor.
Coisas simples, afinal, as que distinguem os dias uns dos outros e quebram a rotina das sensações primárias que o corpo e a mente processam enquanto sentimos a vida a passar nos dias que recuso iguais aos anteriores e aos que (eventualmente) virão depois.
Gosto da luz do Outono porque me oferece a diferença que preciso reconhecer, em cada dia, no brilho dos olhares que amo ou na forma das sombras desenhadas no chão.
Publicado por sharkinho às 04:02 PM | Comentários (4)
novembro 18, 2006
UNITED COLORS
Publicado por sharkinho às 09:59 PM | Comentários (3)
PALAVRA QUE NÃO SEI
E gostava. De saber como a escrever, enfeitiçada, mágica como um abracadabra, chave de acesso ao portão encantado que nos separa da realidade alternativa onde a felicidade pura é o tesouro. Ao alcance de cada leitor.
Essa palavra, estou certo, é sinónimo de amor.
Publicado por sharkinho às 11:28 AM | Comentários (12)
novembro 17, 2006
FERNÃO CAPELO


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 07:00 PM | Comentários (6)
AMENA CAVAQUEIRA
Pela boca do maior equívoco da política nacional pós-25 de Abril fiquei a saber que o actual Presidente da República, Cavaco Silva, foi um dos responsáveis pela queda do Governo mais absurdo que Portugal conheceu.
Isso deixa-me em conflito interno, pois nunca escondi a minha aversão à figura do Chefe de Estado que a Esquerda elegeu com a sua tolice multi-candidata.
Porém, seria ingrato da parte de qualquer cidadão português não reconhecer o mérito que assiste ao professor pela sua eventual intervenção no acelerar de uma decisão que Jorge Sampaio adiou em demasia.
Não consegui reunir a coragem e a paciência necessárias para acompanhar qualquer das entrevistas da desgarrada televisiva que o Presidente e o seu correligionário laranja dos dias polémicos em que o PSD governou a nação ontem protagonizaram.
Mas retive essa ideia essencial.
E dou a mão à palmatória: merece ficar na História quem tenha contribuído para devolver ao país a confiança nas instituições democráticas que um vergonhoso vazio de poder, a deserção de Durão, tinha deixado à mercê de uma caricatura política cuja inépcia e falta de sentido de Estado quase destruíram a credibilidade dos portugueses nos Órgãos do Poder que tão vulneráveis se revelaram a estas contingências alheias ao que se entende, e cuja premência o “queixinhas” enfatizou pela negativa, por política séria.
Nesse sentido, o Presidente da República prestou-nos um serviço inestimável.
Estancou a hemorragia daquele que constitui o mais flagrante exemplo da enorme fragilidade desta nossa (ainda) jovem e muito ingénua Democracia .
Publicado por sharkinho às 11:09 AM | Comentários (8)
novembro 16, 2006
A POSTA TEMÁTICA


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 10:27 PM | Comentários (7)
FOLHA CADUCA
Dava gosto, vê-los tão próximos.
Chegavam a hipotecar as relações de amizade com outras pessoas em prol daquela união sagrada, mesmo quando a razão não lhes assistia.
Louvavam-se, defendiam-se, não abdicavam de marcar a presença nos espaços um do outro, promoviam-se entre si . Manifestavam a admiração recíproca, quase um culto, com um entusiasmo digno de um clube de fãs a dois.
E agora nada, nem um cumprimento de despedida.
É assim a vida, tramada. Impõe a verdade mesmo quando julga à revelia.
E raramente perdoa a leviandade e a sobranceria.
Publicado por sharkinho às 07:16 PM | Comentários (4)
A POSTA NOVENTA POR CENTO

Pois é. Ninguém o grama, muitos acham que o gajo não tem nada de especial enquanto blogueiro. Mas bastou o homem enfiar nove em cada dez blogues no saco do lixo para a blogosfera lusa se agitar em convulsão, com uns a tentarem desesperadamente desautorizar o fulano (para prevenirem um desgosto estatístico), outros a assobiarem para o ar (“faço parte dos dez por cento, aquilo é para tomar como um elogio”) e outros ainda a aproveitarem o ensejo para fecharem as portas antes que o tipo metesse a boca no trombone e publicasse a lista que serviu de base ao seu cruel tratamento dos números.
Eu faço parte do grupo daqueles que não reconhecem autoridade ao insigne colega para proferir tais sentenças do alto do pedestal em que os noventa por cento o colocaram (que os da “elite” não lhe ligam pevas), embalados pela projecção mediática que não é tudo mas dá um jeitão nestas coisas do estatuto de quem bloga.
E esta minha (irrelevante) posição nem passa necessariamente pelo facto de eu não ter pachorra para o blogue dele (que originou centenas ou milhares de “réplicas” pseudo-intelectuais assinadas por todo o tipo de cidadão anónimo com pretensão ao estrelato), ou ainda menos por ter a lata de o julgar incapaz. Não é. É um gajo inteligente, com uma bagagem cultural acima da média, não escreve com os pés e fazem falta pessoas assim na blogosfera, nem que seja para a arraia miúda ter alguém com visibilidade a quem apontar o azedume.
O meu esforço de desautorização passa pela certeza de que ele disparou um número ao calhas (“aquilo são nove em cada dez, tudo trampa”) e não possui qualquer base fiável para o afirmar. Por exemplo: ninguém sabe qual é a dimensão da amostra que ele analisou e quais os blogues que serviram de bitola para a sua avaliação. E a margem de erro, hum?
Por outro lado, ficámos sem saber onde se integra o blogue dele nessa afirmação caceteira. E isso é batota, claro está.
Aliás, toda a batota é possível quando se fala de números sem definir os critérios. Ou seja, eu, que não frequento o ilustre espaço do paizinho desta cena (só porque o Zé Magalhães adormeceu à sombra dos louros e lixou-se), posso muito bem concordar com o bacano e truncha, enfiar o blogue dele na faixa maioritária do meu top cem…
Mas claro que eu não pinto nada nesta comunidade virtual e sei que noventa e nove vírgula noventa e picos da blogosfera está-se nas tintas para os bitaites de um Zé-ninguém (excepto se ele os integrar no lote dos magníficos). E esse reconhecimento da minha irrelevância remete-me sem apelo para os tais contentores onde os famosos (e muitos anónimos, admito-o) enfiam o lixo blogueiro.
Contudo, resta-me sempre a hipótese de me deixar iludir pelas tais estatísticas dos contadores que toda a gente desdenha na sua implacável franqueza mas ao quais ninguém liga qualquer importância (instalam-nos porque fica bem do ponto de vista estético).
Ou, pelo contrário, posso sempre alegar que o número de visitantes não reflecte a qualidade do que se publica (o que faz todo o sentido e deveria ser aplicado a outros domínios da vida – o meu Glorioso entrou para o Guiness por ser o clube com mais sócios do planeta mas toda a gente sabe que quem merecia essa distinção era o Cascalheira FC que até oferece um lanche à massa associativa no final dos jogos).
Mas a vida é assim, injusta. E acabam por ser os gajos que blogam para milhares de leitores a ditarem as regras e a enxovalharem os verdadeiramente bons mas pouco divulgados que debitam diariamente pérolas a torto e a direito para menos gente do que a que participa na assembleia de condóminos lá do prédio.
E é esta certeza que faz com que noventa por cento dos noventa por cento que o outro lixa não se revejam nessa maioria anónima (e arrogante) que não mete na cabeça a ideia de que nisto da blogosfera como no resto só dá nas vistas quem merece e que, por muito que insistam na tónica de que “não querem ser demasiado populares” ou que “escrevem para si próprios” e outras preciosidades do género, enquanto continuarem a exibir publicamente em vez de enfiarem na gaveta as evidências da sua real valia expõem-se à crueldade dos factos (dos números) e às bocas foleiras de quem, mal ou bem, conquistou por mérito próprio um lugar ao sol na esplanada vaidosa que esta actividade representa.
Publicado por sharkinho às 10:55 AM | Comentários (5)
novembro 15, 2006
HOPE



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 11:26 PM | Comentários (0)
EM CASA EMPRESTADA
Hoje apeteceu-me postar em condições, à hora a que me deu na bolha.
Publicado por sharkinho às 12:08 PM
novembro 14, 2006
LUA CHEIA

Foto: Shark
Ouço o som com tanta nitidez como sinto na pele a passagem da corrente de ar que me agita o cabelo em pequenos frémitos de inclinação.
Apuro a audição, como um microfone sofisticado e sensível, criado de propósito para registar precisamente o propagar dessas ondas sonoras que sopram e me agitam o cabelo e algo mais.
Estendo a minha mão e tento agarrar a fonte do ruído, invisível, tento sentir o remoinho por entre os dedos da mão aberta e assim perceber a dinâmica do movimento que sei estar na origem desse som tão nítido na minha percepção do que sou neste instante do meu tempo. Pressão atmosférica desequilibrada, quente e frio, a falta do ar que subiu em espiral, a génese de um temporal que acabou por não acontecer agora porque afinal já aconteceu.
E o som anoiteceu comigo, despediu-se do sol e acolheu a face iluminada de uma lua cheia de vontade de fazer parte da magia universal. Sentir-se desejada, no olhar intenso de amantes e de poetas que a reflectem como um espelho colossal resultante da soma de milhões de pequenos olhares distantes de gente a sonhar, de gente a olhar distraída do som que prende agora a minha atenção e eu a pedir-lhe para jamais parar de soprar.
És tu a respirar.
E eu a ouvir esse vento numa falésia do teu peito, entretido a sentir-me feliz.
Publicado por sharkinho às 12:39 AM | Comentários (15)
novembro 13, 2006
PAST TENSE
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 07:31 PM | Comentários (2)
BANHA DA COBRA

Já me preocupei mais com estas coisas, mas continua a incomodar-me a forma como muitas pessoas abraçam a falta de ética sem qualquer espécie de hesitação.
Isto a propósito de uma reunião de negócios na qual participei neste fim-de-semana cheio de obrigações, onde me confrontei mais uma vez com a arrogância e o desplante com que a malta do papel assume os seus esquemas marados para intrujar os incautos e os pobres de espírito.
Confesso que tinha comprado a ideia, quando numa primeira abordagem me forneceram a informação essencial acerca do que estava em causa. Nessa altura, por delicadeza, não coloquei qualquer questão e concentrei-me nos aspectos financeiros e de natureza prática. Soou-me demasiado simples, confesso, mas acreditei que a reunião seguinte traria a lume as questões de pormenor.
E trouxe, de facto, mas não com a frontalidade que esperava e de modo algum com os contornos que um negócio sério deve possuir.
O negócio, afinal, é explorar a debilidade financeira e/ou psicológica dos cidadãos, explorando sem pudor a confiança que inspiram nas outras pessoas.
Foi a meio da reunião, que envolveu meia dúzia de pessoas, que alguém deixou escapar uma discreta inconfidência, um desabafo entre dentes que outrem silenciou com um gesto que não passou ao largo da minha atenção reforçada. Passei de moderadamente eufórico, descontraído o bastante para negligenciar algumas incongruências no discurso, a exageradamente atento a todos os sinais de alerta. E esses começaram a surgir em barda, logo que o meu cérebro esqueceu o “barulho das luzes” e, lucros cessantes, focou a sua missão nas tarefas defensivas.
Não tardei a somar dois mais dois, enquanto observava o comportamento dos restantes “parceiros” numa aventura comercial certamente lucrativa para alguns mas que não encaixa de todo no meu conceito de actividade legítima.
Passei então de observador participante a figura de corpo presente, uma mudança de atitude que não terá passado despercebida à organizadora do evento e principal interessada na minha “conversão” à causa que implicaria o empenho da minha influência junto de outros “sócios” potenciais para o negócio da china.
Não é algo que encare de ânimo leve, admito, dar a cara por algo em que não sinta os pés bem fincados no chão.
E mal acabou a reunião tomei nota das áreas menos claras de toda aquela concepção “milionária” que antes me soara tão simples e inteligente, tão feita à medida de quem vive há uns anos o papel de mercador.
Bastaram alguns minutos de raciocínio e outros tantos na exploração dos motores de busca. O embuste revelou-se em toda a sua dimensão.
A empresa sedeada num paraíso fiscal (economia paralela), a ausência de papéis, a omissão de uma sede física em Portugal (reduzindo a coisa a um site quase sem conteúdo) e a “importação” descabida de termos contratuais aplicados noutro país onde acabei por descobrir ter acontecido um colapso da “galinha dos ovos de ouro” que lesou um número inquantificável de empresários menos desconfiados do que eu.
Uma fraude concebida com base em esquemas já existentes, devidamente ornamentada com o glamour que trai qualquer pessoa crédula, ambiciosa e vulnerável aos números com dígitos dignos do euromilhões.
De acordo com quem decidiu meter a boca no trombone e se afirma vítima do esquema, os responsáveis pela instalação da cena no seu país piraram-se para o nosso quando a coisa descambou.
Por isso vos deixo um aviso muito simples: se alguém da vossa confiança insistir em vos arrastar para uma “oportunidade única” que se recuse a identificar nesse contacto e alegar estar na presença do “responsável pela entrada em Portugal de uma multinacional europeia”, desconfiem. E se querem um conselho amigo, recusem o convite e, das duas uma, abram os olhos a quem vos propuser o “negócio” ou abram os vossos e ponham-se a pau relativamente a quem se mostrou tão empenhado em vos enriquecer…
Publicado por sharkinho às 11:15 AM | Comentários (10)
PINTURA CELESTE
Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 09:11 AM | Comentários (14)
novembro 12, 2006
CAVALOS DE CORRIDA
Na zona onde trabalho os acidentes de viação acontecem com uma frequência anormal. E muitas vezes implicam a morte de pessoas.
Nos Olivais, a meio caminho entre o meu escritório e o local onde actualmente resido, um casal descarregava o porta-bagagens quando um (abstenho-me de escrever o que penso, para não radicalizar ainda mais a minha posição) condutor apressado os esmagou à vista das três filhas que os aguardavam no interior da viatura.
Isto aconteceu numa artéria secundária da capital, uma rua como qualquer outra onde tantas famílias descarregam os seus pertences sem temerem um fim abrupto como o que refiro acima. O condutor, cuja carta de condução acabará por lhe ser devolvida e poucas ou nenhumas consequências sofrerá na sequência da tragédia que a sua irresponsabilidade provocou, tentou fugir do local do crime à vista de agentes da PSP.
Ou seja, revelou uma baixeza de carácter e uma falta de capacidade para assumir os seus erros que deveriam bastar para nunca mais voltar a conduzir legalmente uma viatura. E caso fosse apanhado ao volante sem um título válido de condução deveria passar numa penitenciária o tempo necessário para aprender a lição. E o código da estrada que desrespeitou.
A zona oriental de Lisboa, próxima do autódromo Vasco da Gama, é um viveiro de street racers e os acidentes não acontecem por coincidência ou pelo mau estado das estradas. Acontecem pelo excesso de velocidade e pelo defeito de responsabilidade dos asnos que circulam num bairro habitacional como numa pista, inconscientes, tresloucados, assassinos potenciais.
Não existem paninhos quentes aplicáveis perante as circunstâncias em que o condutor (modera-te, Shark) acima literalmente desfez uma família.
Nem atenuantes para a ausência ou a passividade das autoridades que sabem, que ouvem o rugir dos motores e pouco ou nada fazem para acautelar a segurança das pessoas.
Este pesadelo não acaba porque não queremos. Damos carta branca por inerência, pois não protestamos, desculpabilizamos os bêbedos ao volante se forem nossos amigos ou familiares, aceitamos de forma passiva o medo que as estradas nos provocam e preferimos enfiar a cabeça na areia enquanto aguardamos a nossa vez ou a de alguém que amemos.
Fico fora de mim quando tomo conhecimento destas tragédias alarves, escusadas, absurdas.
E por isso aplaudo de pé a conjugação de esforços hoje anunciada entre estas duas organizações para combaterem uma parte do problema.
Publicado por sharkinho às 08:58 PM | Comentários (14)
FLOWER POWER
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 12:56 PM | Comentários (7)
novembro 11, 2006
ALMA KODAK

Foto: Shark
Espreita, fantasma, pelas frestas que o teu presente permite, o passado a que deixaste de pertencer quando todo o teu rasto sumiu.
Escuta o som distante da vida que renegaste enquanto te foi concedida para usufruir e agora partiu. Um momento, um simples lapso de tempo que, bem te avisaram, passa sempre a correr.
E agora assistes de fora às outras existências, sonhas o que podia ter sido, tangível, mergulhado no pesadelo do que nunca mais será possível para ti.
Sofre, fantasma, o arrependimento. Agora, que já não vais a tempo de reparar o desperdício, aguenta o sacrifício e observa enquanto te dói. Mereceste por inteiro essa punição, palerma, pelos pretextos que inventaste para justificar a tua incapacidade de agarrar a felicidade quando ela esteve à mão.
Alma penada, agora. Um espírito que chora sem ninguém para o ouvir, escondido no esquecimento a que se votam os deserdados do amor.
Inconsolável na solidão eterna, enfiado numa caverna que não passa do buraco no peito onde tinhas um coração a bater. Um coração a valer e capaz, menosprezado afinal, porquanto condenado à tarefa mecânica essencial.
Sangra, fantasma, a tristeza corada pelas tuas vergonhas. Aquilo que sonhas é agora proibido, a tua vida sem sentido acabou e a lógica bem te avisou o que só confirmaste depois do fim. A vida é mesmo assim, sem espaço para a arrogância de a presumir intemporal, sem qualquer complacência para um engano fatal. Como o destino, aquele que desafiaste quando um dia te acreditaste capaz de sobreviver sem abraçar o amor que se faria.
Confiante no dia de amanhã ou no que viesse a seguir, logo se veria.
Despede-te, fantasma, do que esbanjaste e outros usufruem no teu lugar deixado vago. Assiste impotente, triste fado, ao festim alheio dos que beijam a vida com gratidão, dos que estendem a mão cheia de oferendas a quem retribui depois com o carinho que te faltou.
Acena adeus a quem te amou, escondido detrás dessa janela no céu que imaginas dourado à medida da tua ilusão.
Mas na vida real, que não a tua, o prateado da lua reflectida no mar é o pouso de um olhar apaixonado que cobiçaste outrora.
O tesouro que procuraste à toa no sótão de uma qualquer mansão das histórias de terror encontrava-se afinal nas memórias do amor que preferiste ignorar nessa ânsia sem tino.
E agora, fantasma leviano, como que fotografas à distância a emoção de que sentes a falta e pretendias ressuscitar. Sem sucesso, pois não sentes na pele o que imprimes nesse papel que não desempenhaste na vida, actor, perante todos aqueles que não soubeste ou não quiseste amar como deverias.
Não tiraste essas fotografias, ficaste a ver navios, no tempo certo para as tirar.
Sobraram-te os álbuns vazios.
Para mais tarde recordar...
Publicado por sharkinho às 11:34 PM | Comentários (4)
CROMOS

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 12:08 PM | Comentários (0)
DUQUES
Há dois anos foi assim.
Publicado por sharkinho às 12:05 PM | Comentários (4)
novembro 10, 2006
CORREIO DO LEITOR
Foto: Shark
As pesquisas nos motores de busca são uma fonte natural de visitas para um blogue ou um site na internet. E algumas são particularmente curiosas e dizem muito(?) do tipo de pessoa que frequenta este mundo virtual.
Contudo, não me arvoro de aprendiz de psicólogo e pouco me interessa traçar um perfil de quem visita o charco ou, ainda menos, expor as pessoas a qualquer tipo de ridículo que, na prática, já seria ridículo da minha parte assumir nessa perspectiva.
Tudo isto para inaugurar mais uma rubrica pontual que constará da postagem neste espaço, com o título desta posta, e cujo objectivo será precisamente fornecer as respostas a quem as procurou obter. Ou seja, para não defraudar as expectativas de quem buscava e, em simultâneo, certificar-me que a próxima questão dessa natureza encontrará uma solução onde antes ela não existia.
Por outro lado, existe quem procure não uma resposta mas uma imagem. Na medida do possível, tentarei encaminhar os visitantes para o local apropriado ou fornecer aqui a dita cuja.
O meu objectivo é conferir maior utilidade a este trabalho e ao mesmo tempo ajudar a incluir a blogosfera no roteiro habitual dos internautas.
Mal não faz. E sempre ajuda a diminuir a dor de cabeça de encontrar um tema para as postas do dia.
E vamos então ao que interessa, resultante da minha primeira selecção:
Imagens picantes - É das pesquisas mais frequentes. Não custa nada: encontram-se em quantidade e em qualidade aqui.
Como faço para viver um amor sem ciúme - Esta é um desafio, quase uma missão impossível. Mas cada um de nós tem a sua concepção teórica (sublinho o teórica) acerca dessas matérias tão sensíveis.
O senso comum diz-nos que a confiança absoluta (tanto no/a parceiro/a como em nós próprios) é meio caminho andado. E acredito que não podemos confiar ao livre arbítrio do coração, das emoções descontroladas, a gestão desse sentimento que só serve para nos angustiar e infernizar a existência e a relação, bem vistas as coisas...
Teste para sabermos o nosso futuro - Sugiro esperar que ele aconteça, usufruindo ao máximo cada momento desse período de expectativa. Quando lá chegamos, ficamos logo a saber o que queríamos e entretanto vivemos despreocupados e a fazer cenas muito mais giras do que testes em bolas de cristal ou similares.
E sem o efeito surpresa a coisa perde um bocado a piada, não é?
Tamanhos dos penis pretendidos pelas mulheres - Presumo que se trate de um leitor, pois parece-me que somos nós gajos quem mais se preocupa com essa questão. Na minha opinião, os tamanhos mais generosos têm mais "procura". Mas sinceramente, apesar de não ser um sobredotado nessa matéria fui ganhando a convicção de que elas preferem um pénis de tamanho médio agarrado a um gajo em condições do que um estandarte tamanho 25 a brotar de uma besta acéfala.
Claro que a gente, gajos, não percebemos boi do que lhes vai na cabeça nessas coisas e só podemos dar palpites.
Ainda assim, o tema é fascinante e todos temos o direito à especulação acerca destas "aflições" de macho.
Agora mais a sério, julgo que não existe um padrão uniforme, universal (até porque as medidas delas também variam - nas fantasias também) e o que nos resta é darmos o melhor uso possível ao que a natureza nos colocou entre as pernas. Se nos aplicarmos a sério, tenho fé de que elas até esquecem esse pormenor do tamanho...
Publicado por sharkinho às 10:24 PM | Comentários (2)
DIÁRIO DE UM QUIOSQUE
É diferente de qualquer blogue que conheci. Está tão agradável e bem esgalhado que quase nos dá vontade de nos lançarmos no negócio que o Ardinário (ganda nick) ali descreve com rigor e com alma.
Confesso que gosto de lá ir e nunca me faltam motivos para justificar cada uma das visitas.
A sério, vão lá. Eu não consigo explicar melhor mas acho que vale a pena.
E como lá diz: aproveitem, é inédito.
Publicado por sharkinho às 09:01 PM | Comentários (0)
ERRAR ASSIM NÃO É HUMANO

Em poucos dias, os exércitos de Israel e do Sri Lanka assumiram “erros técnicos” que custaram a vida a 18 e a 45 pessoas, respectivamente, somando-lhe várias dezenas de estropiados.
Em ambos os casos, boa parte das vidas que se perderam eram de crianças. No caso singalês, tratava-se de uma escola o alvo do bombardeio por parte das tropas governamentais.
Numa época em que até pelo Google se conseguem obter imagens nítidas de qualquer ponto do planeta, estes erros de palmatória, crimes sem castigo, não têm justificação possível.
Ou têm, mas não a que mais abona a favor dos autores destas chacinas.
O exército israelita, sob a orientação eficaz dos seus serviços secretos, já por diversas vezes conseguiu eliminar com precisão cirúrgica indivíduos que se deslocavam num automóvel.
Isso pressupõe uma capacidade tecnológica e uma presença no terreno que invalidam as margens de “erro” constantemente invocadas pelos responsáveis impunes destas atrocidades (cada vez menos) mediáticas.
O exército singalês, cujo protagonismo macabro se verificou na própria nação que lhe compete proteger, não pode alegar a falta de conhecimento da localização de um estabelecimento de ensino.
Uma barragem de artilharia é uma operação que leva bastante tempo a preparar, requer uma logística complicada e envolve muita gente e muitos meios. É quase impossível acontecer um “erro” desta envergadura.
Em ambos os casos, tresanda a massacre deliberado, a ajuste de contas. Estes “equívocos”, cuja impunidade denuncia o cariz deliberado, visam apenas subir a parada na hedionda escalada que os dois conflitos têm revelado ao longo de décadas.
Se assim não fosse, rolariam cabeças e alguém teria que enfrentar a justiça pelas culpas inscritas no seu cartório.
Mas não é isso que se verifica. São “coisas que acontecem”, acasos que a estatística pode explicar se um governo sanguinário assim o entender.
Contudo, enquanto no Tribunal de Haia um congolês responde pela mobilização de crianças para a guerra, transmitindo ao mundo a noção de que é possível incriminar e sentenciar estes nojentos worldwide, ninguém levantará o dedo contra as altas patentes dos exércitos que acabam de ceifar mais esperança na sua sementeira de ódio.
Basta colocarmo-nos na pele dos irmãos e dos pais das crianças tamil e palestinianas que se viram obrigados a recolher os pedaços das meninas e dos meninos desfeitos pelas explosões “erradas”…
Estas exibições grotescas de infâmia servem para banalizar a morte, para a multiplicar ao ponto de ir empurrando os massacres para as páginas interiores dos jornais e para as referências discretas nos noticiários das rádios e das televisões.
E servem também para evidenciar a baixeza deste tipo de conflitos onde não têm explicação possível tais “erros” que nem numa guerra convencional se podem tolerar.
Não existem crianças de primeira e de segunda. O horror vive-se com a mesma intensidade em qualquer ponto do globo e deixa um rasto de dor e de sede de vingança que agudizam e eternizam estas manifestações do que os seres humanos revelam de pior.
Ainda mais cruel do que permitir que estas coisas aconteçam é consentir que a sua repetição sistemática as torne menos pérfidas aos olhos de quem as observa a prudente distância, (por ora) imune às respectivas repercussões.
À factura pesada que o futuro não deixará de nos apresentar por estes “erros” sem perdão.
Publicado por sharkinho às 09:56 AM
novembro 09, 2006
DETALHES ALENTEJANOS


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 10:37 PM
BODY PARTS
Perguntassem-me onde buscaria o mais belo som do planeta, de imediato encostaria o meu ouvido à tua boca.
Publicado por sharkinho às 10:09 PM
EU GOSTO DE PESSOAS
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 11:20 AM
(IN)FIDELIDADE CANINA
Foto: Shark
O mal é a gente dar-lhes demasiada confiança. Abusam logo e desmascaram-se à primeira oportunidade, contrariando a sua aparente e apregoada bonomia e enveredando pela dentadinha manhosa à vista do resto da matilha.
E antes que comecem a tirar conclusões precipitadas, estou a falar de canídeos de pequeno porte. Daqueles que ladram à brava mas só mordem para impressionar grupelhos restritos de audiência canina, para se fazerem passar por duros e maus e cimentarem a sua integração nesses fenómenos colectivos indispensáveis para a sobrevivência em condições desfavoráveis, como a Natureza ensina nas suas lições ancestrais.
Mas como é sabido, a melhor receita para evitar essas reacções inesperadas consiste em nunca mostrar medo aos animais (o que é simples, perante “cãezinhos a pilhas”).
E sobretudo em nunca lhes dar os flancos enquanto lhes passamos a mãozinha no pelo do lombo, pois o senso comum ensina-nos que só ferram o dente quando nos pressentem distraídos ou vulneráveis.
Ou quando lhes damos demasiada atenção…
Nota: antes que os habituais defensores dos animais se insurjam contra mim ou vislumbrem alguma forma subtil de crueldade na posta acima, recordo que até tenho um cão (de médio porte) e gosto muito dele.
Publicado por sharkinho às 10:05 AM
FILHOS PRÓDIGOS
Agora que se sabe que o AEIOU passou para as mãos da Impresa, ou muito me engano ou é de prever uma inversão no “fluxo migratório” do Weblog…
Publicado por sharkinho às 09:26 AM
novembro 08, 2006
EMOÇÕES SEM PALAVRAS

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 11:21 PM
LIDES DOMÉSTICAS
Limpas estas paredes das memórias que lhe cobrem a pintura e somam à estrutura um volume que torna apertado esse espaço até ninguém lá caber.
Aperto na garganta, a boca que canta os males a espantar, os cotovelos a abrirem caminho por entre imagens e sons em demasia num tempo que se quer reflexão. Sem lugar à recordação nestas paredes molhadas, as telas forradas com um papel de fantasia (erótica) tão húmido e espesso como o nevoeiro de uma noite sem espaço para a luz.
Escovado o estuque como uma pele, até sangrar. A forma de expurgar lembranças que toldam o raciocínio e enfraquecem o coração. Líquido vermelho a escorrer e cada parede a verter para um balde a cabidela de emoções proibidas e de coisas perdidas que sufocam as ideias como acentuam a solidão.
Limpas agora, vazias dos retratos estáticos que a vida lhes pendurou como espantalhos para os corvos da cidade sonhada feliz. As asas do desejo negro nas penas do degredo de quem arranha as paredes, ardor, como as costas de alguém num momento de paixão.
Limpas estão.
A porta fechada para impedir a entrada dos fantasmas barrados em camadas de pó, alergia.
Lá dentro a alegria de um tempo que passou, renegada cá fora na expressão endurecida da pessoa só que vira as costas à saudade e busca um sopro gelado de libertação.
Ou apenas demolida essa construção de papel, congelada em cubos pequenos pelo frio passageiro do Inverno no amor, camartelo.
À espera do inferno interior no degelo. Rosto derretido num sorriso esquecido perante as flores imaginárias que brotam espontâneas do chão, iluminadas, no final das madrugadas de insónia, pelos primeiros raios de sol acolhidos pelas janelas escancaradas, o calor endiabrado de um fauno decalcado nas paredes dessa sala também, só para te desassossegar (a cabeça).
Talvez amanhã as consigas limpar bem (ou o tempo arrefeça).
Publicado por sharkinho às 09:20 PM
BLACK & WHITE

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 06:02 PM
INSTINTO PREDADOR

Existem escolhas terríveis, situações impossíveis por não deixarem opções ganhadoras ao nosso dispor. Perdas inevitáveis nos dois lados da decisão a tomar.
Contudo, a vida continua. Mesmo quando as circunstâncias nos empurram para a necessidade de escolher o menos mau dos caminhos, para evitar o amorfismo de uma alternativa comprovadamente pior.
Mas os dias têm passado. E eu estou a reaprender-me no silêncio, em recolhimento de monge urbano no seu pequeno casulo da capital.
Enfiado no meu mundo privado e com a certeza absoluta de a minha existência não chatear seja quem for.
A sós comigo, autista.
Cada vez mais irrequieto o instinto predador.
Publicado por sharkinho às 05:57 PM
(LIS)BOA TODOS OS DIAS



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 10:39 AM
BURROS E ELEFANTES

A sensação é parecida com a de assistirmos a uma final do campeonato do mundo entre duas selecções estrangeiras. Torcemos sem entusiasmo pela menos má, pois a nossa não está lá e a coisa tem mais piada quando pendemos mais para um dos lados da questão.
Porém, nunca deixamos de ter a noção de que na prática tanto faz se ganha a equipa B ou a equipa A. Pouco nos interessa.
A nossa não está lá e por isso não pinta nada, como as outras que assistem na bancada.
Ficou pelo caminho algures, a relevância de Portugal, ao longo da complicada História desta competição milionária global.
Publicado por sharkinho às 09:57 AM
MIRAGENS

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:04 AM
novembro 07, 2006
NO MÍNIMO, FRUSTRANTE
Durante o dia é quase um milagre conseguir postar seja o que for.
À noite, raramente se consegue publicar uma ilustração.
As caixas de comentários têm funcionamento aleatório.
E as estatísticas revelam a "fiabilidade" por comparação ou pela análise a oscilações verdadeiramente inexplicáveis.
Entretanto, as debandadas sonantes continuam a acontecer.
E eles, que voltaram à lei da rolha e nada dizem em seu abono, buscam energicamente um logotipo novo...
Publicado por sharkinho às 11:42 PM
ARMISTÍCIO

Foto: Shark
Em silêncio, recolho numa caixa os despojos de mim. Relíquias que abrigo para sua preservação, sorrisos e carícias, memórias congeladas para um dia de festa que possa acontecer no futuro, no degelo que a esperança ambiciona mas o medo trai.
Calado, fecho a cadeado as minhas fraquezas e parte da força de outrora, uma nova força agora, feita de uma paz imposta mas necessária. Também para a minha protecção.
E arrumo num canto, com um sorriso, a fé fossilizada no âmbar que só o tempo saberá fundir sob o calor do sol ou de um beijo apaixonado que se possa dar.
Sem mais palavras, viro as costas e parto para o interior da solidão resignada.
Parto para te aguardar, algures nos confins da minha emoção resguardada.
Da vontade de te ter.
Publicado por sharkinho às 11:21 AM
A (I)LÓGICA DO MARTÍRIO
É óbvio que não devem enforcá-lo.
Vão provocar um rombo cruel e desnecessário no cada vez mais escasso contingente de virgens...
Publicado por sharkinho às 10:02 AM
BLACK & WHITE

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:19 AM
NUNCA ESCONDI...
...que reparo nestas coisas.
Publicado por sharkinho às 09:12 AM
novembro 06, 2006
PERFUME DE MULHER
Era a única gaja num grupo de doze marmanjos cheios de andamento. Eu fazia parte da pandilha, mas nunca lhe ligara enquanto fêmea da espécie. O meu olhar perdia-se sempre nos alvos por detrás do seu ombro e afinal ela era da malta, semi-intocável por inerência.
Um dia, por mero acaso, calhou ficar diante de mim na mesa da esplanada onde começávamos a noite por volta das cinco da tarde a toque de imperial e falámos os dois até nos doer a voz.
Não foi o cabelo negro, nem os olhos de um verde impossível, nem a voz rouca e sensual.
O que bateu mesmo, o que me hipnotizou (e ainda hoje me delicia a memória olfactiva) foi a mistura explosiva do seu Opium com o cheiro da maresia na praia onde nessa mesma noite fizemos amor pela primeira vez.
Nota: O título da posta corresponde ao de um dos filmes (Scent of a Woman) que mais me impressionaram até esta data. Al Pacino enorme!
Publicado por sharkinho às 10:16 PM
A POSTA PRA VER


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 03:39 PM
novembro 05, 2006
A POSTA NA FOTOGRAFIA

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 08:06 PM | Comentários (0)
CONSTATAÇÃO
Quando alguém utiliza de forma depreciativa um termo que antes nos aplicou, mas agora como termo de comparação com algo que preferiria, que conclusões podemos tirar?
Publicado por sharkinho às 08:00 PM | Comentários (5)
BLACK & WHITE

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 07:57 PM | Comentários (0)
QUASE UMA TARDE INTEIRA...
...Perdida a tentar instalar nesta treta o Haloscan ou outro sistema de comentários alternativo.
Não consegui. Desisto.
Fica mesmo assim.
Publicado por sharkinho às 06:59 PM | Comentários (7)
FERNÃO CAPELO


Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 11:32 AM | Comentários (2)
novembro 04, 2006
EYES WIDE SHUT

Muitos gostam de o comparar ao Holocausto, pelos contornos. Eu acho isso errado, pois soa a desculpa de mau pagador, a falso alívio de consciência pelo retrato de algo de similar acontecido aos europeus (ocidentais).
A realidade de Darfur, (mais) um genocídio sistemático de pessoas a que mesmo os noticiários voltam a cara para o lado oposto, é terrivelmente mais cruel do que a sofrida pelos Judeus às mãos dos nazis. E a reacção do resto do mundo é, seguramente, mais hipócrita.
A crueldade de que vos falo reside no facto de hoje, o momento em que acontece a chacina e a tortura de milhares de pessoas, existirem uma data de mecanismos de que o mundo da II Guerra Mundial não podia valer-se para pôr fim a uma indignidade colossal.
Hoje, o mundo dispõe da Organização das Nações Unidas, de comunicações muito mais eficazes (Imprensa, Internet), de exemplos a não seguir, de força bélica para destituir qualquer líder sanguinário pela força (excepto nos Estados Unidos da América, a menos que seja por via económica. E mesmo aí…).
E o mundo não intervém.
Enquanto escrevo estas linhas é bem provável que mais algumas aldeias tenham sido arrasadas, as mulheres violadas, os homens assassinados e as crianças sobreviventes a engrossarem a gigantesca fila de espera para a morte por inanição.
É disso que estou a falar nesta posta. De um pedaço do nosso planeta onde um governo ditatorial executa uma limpeza étnica com o conhecimento (e o inerente beneplácito) global.
Todos de olhos fechados, a vida continua, enquanto pessoas sofrem horrores que um terço das tropas estacionadas no Iraque e no Afeganistão bastariam para impedir.
Não tem comparação possível com o Holocausto, por muito que os historiadores contemporâneos alinhem na versão que aos políticos mais interessa. Como interessa aos cidadãos comuns, todos nós que não vivemos na pele (mais escura mas de sangue igual ao que nos corre nas veias) de quem padece algures, a quem incomoda viver com tais pesos distantes na consciência.
“Aquilo é em África, lá acontece a toda a hora.”
Mas não devia.
E compete-nos evitar que assim seja. Como? Pressionando cada Governo de cada país para que utilize os seus dispendiosos recursos em termos de política externa (diplomatas, militares, etc.) no sentido de pressionar quem efectivamente dita as regras numa ONU refém da injecção dos dólares que a sustentam. Intervindo pelos meios ao nosso alcance para incutir vergonha na cara e na atitude de quem nos representa nessas matérias. Rejeitando esta doutrina do deixa andar (deixa morrer) que nos vai sair cara num futuro tão pouco distante que já se faz sentir em diversas fronteiras europeias.
Num futuro que se desenha pouco favorável nas descrições vindouras do quanto de hediondo as gerações que ocuparam a Terra neste período fizeram ou permitiram.
Num tempo que só pode registar-se na História como o mais negligente que a Humanidade conheceu.
Publicado por sharkinho às 11:42 PM | Comentários (4)
VIAGENS NA MINHA TERRA



Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 07:05 PM | Comentários (7)
novembro 03, 2006
CRÍTICA CONSTRUTIVA




Publicado por sharkinho às 11:59 PM
GREY DAY
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 11:18 PM | Comentários (2)
QUERIAS UM LENÇOL?
Toma dois.
E lavadinhos (espero que não estranhes).
Faço tudo para que não fiques (ainda mais) mal visto...

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:15 PM
A POSTA NA BANDALHEIRA À PORTUGUESA

Foto: Shark
Por opção consciente, porque não tenciono criar uma “princesinha” burguesa que apenas conheça a vida folgada da classe média com posses, inscrevi a minha filha no Ensino Público. Por isso e porque entendo que o Estado tem a obrigação de gerir os cerca de dez mil euros de impostos que me saca sem apelo em cada ano, criando as condições necessárias para que ela receba uma formação escolar decente.
Não cria.
E as recentes “inovações” que visam assegurar a permanência das crianças nos estabelecimentos de ensino até às 17:30h, aliviando os pais da pressão e do encargo de encontrar soluções para ocupar o tempo dos miúdos, não funcionam.
Pelo menos na Escola Básica que a minha filha frequenta.
Em causa está um período de tempo cuja gestão, antes cuidada pelas Juntas de Freguesia, foi agora entregue às Câmaras Municipais. E a de Lisboa, um buraco negro sorvedouro de dinheiro, não está a honrar o seu compromisso financeiro e deixa os monitores de Educação Física, Música e Inglês sem receberem os seus vencimentos. O resultado é óbvio. Os monitores não recebem e baldam-se. Mais de cem crianças ficam assim “penduradas” ao longo de mais de uma hora no interior de uma escola, vigiadas por apenas um adulto e sem um espaço coberto onde possam ao menos brincar nos dias chuvosos.
O mais caricato é o facto de os pais, mesmo sabendo que os seus educandos se encontram nessas condições e mesmo podendo observar os filhos a partir do lado de fora das vedações, não podem ir buscá-los à escola antecipadamente pois os responsáveis da mesma recusam abrir os portões de acesso ao longo do período em causa, invocando questões de segurança (alegadamente porque não dispõem de pessoal em número suficiente para acautelarem os acessos) .
Neste contexto, é fácil de entender que professores e auxiliares têm todo o interesse em boicotar a boa intenção do Ministério pois sobram para eles, sem qualquer retribuição, a responsabilidade e o trabalho acrescidos. E no meio estão as crianças, encurraladas num espaço sem condições adequadas para esta época do ano e à mercê dos desígnios da sorte, e os pais, entalados entre a decisão de encontrarem alternativas externas (caras) e baixarem os braços perante a inépcia do Estado em controlar as autarquias, ou arriscarem deixar as crianças em circunstâncias nada tranquilizadoras.
A terceira alternativa, a mais correcta e que tem em conta os pais cuja situação financeira e/ou laboral nem lhes permita escolhas, é pressionar o Ministério da Educação e todas as entidades ligadas a mais esta exibição do país de treta que estamos a permitir, no sentido de assumirem os seus compromissos ou, no mínimo, de imporem às Câmaras Municipais o honrar daqueles que em má hora lhes delegaram.
Não é fácil pugnar por quaisquer direitos numa nação de irresponsáveis, de muros de betão que delimitam os seus feudos e as suas regalias por detrás de uma postura que nunca tem em conta os interesses alheios. São instituições e pessoas herméticas, sempre lestas a sacudirem a água para o capote alheio enquanto se aguarda que o pior aconteça para alguém ter que tomar decisões drásticas nas quais, por norma, nunca cabe a punição exemplar dos verdadeiros culpados dessas broncas que podem custar muito caras a crianças entre os seis e os dez anos de idade.
Contudo, como encarregado de educação e como pai, não posso confiar a terceiros desta laia a segurança da minha filha e resta-me, no âmbito da Associação de Pais ou por iniciativa própria, encostar à parede todos quantos possuam a autoridade para resolver a situação, ainda que isso me possa custar muito tempo e neuras constantes a que os meus impostos deveriam bastar para me pouparem.
Os impostos e a seita de incompetentes que minam pela raiz o futuro que os nossos herdeiros merecem num país onde cada vez menos há esperança num amanhã em condições.
E isso explica em boa medida o facto de nos últimos anos serem mais as saídas do que as entradas nas estatísticas dos fluxos migratórios nas fronteiras portuguesas.
Publicado por sharkinho às 11:40 AM | Comentários (13)
A POSTA NUMA BOA NOTÍCIA

É uma colega, é uma amiga. Tem um filho pequeno para criar.
Apanhou o susto de uma vida e ao longo das últimas semanas todos quantos gostamos dela temos aguardado com expectativa o resultado dos exames ao tumor que acabam de lhe extrair do corpo.
Foi a melhor notícia que recebi nos últimos tempos, Partilhas.
Não é maligno!
E agora vais ver a vida (e amá-la) com os olhos de quem, mais do que nunca, lhe sabe dar o devido valor.
Publicado por sharkinho às 09:37 AM
novembro 02, 2006
A POSTA NA FOTOGRAFIA

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 06:08 PM
A POSTA NA SONSA DESTEMIDA
Nesta posta, hoje citada como um exemplo da cobardia que grassa na blogosfera, desabafei uma situação que me desagradou. Não é a primeira vez que o faço, pois quem não se sente não é filho de boa gente e tal, e porque tenho esse direito enquanto todo-poderoso editor deste espaço.
Esse texto, que serviu de base para uma “corajosa” acusação por parte de uma jovem colega de Beja cujo nick acaba por reflectir a postura, menciona os paladinos (sobretudo paladinas) que acorrem em defesa de terceiros sempre que eu escrevo algo que possa visar alguém das suas simpatias. Claro que a reacção destas cruzadas pela harmonia na blogosfera nunca tem em conta a motivação subjacente aos meus desabafos. Ou se calhar até tem, pois não há coincidências e a própria reacção da colega prova-o.
Ela tem muita razão, quando me acusa de não escarrapachar de caras as identidades (os linques) dos alvos da minha ira verbal. Calculo que ela tenha baseado este desconforto no facto de eu aqui, por exemplo, não ter lincado o fomentador de racismo como devia. Mas fez de conta que esqueceu, por exemplo, uma posta minha (Farsa da República em Beja) que apontava claramente o destinatário das minhas palavras. Eu retirei essa posta porque troquei impressões por email com o visado e entendi que a sua atitude cordata justificava esse gesto. Por cortesia. Mas serve como exemplo de que quando é indispensável chamo mesmo os visados pelos nomes.
Nunca será o caso relativamente a quem motivou a posta que indignou a rapariga, pois a insistência das suas invectivas subtis (que nunca me foram directamente dirigidas, mas nisso a colega não reparou) não basta para que lhe confira neste espaço uma projecção de que não julgo ser merecedor.
Eu não preciso de dar explicações a ninguém acerca do que faço ou do que escrevo, mas quando me acusam de cobardia é-me difícil ficar indiferente. Porque confundem cobardia com desprezo, que é o caso, e esse manifesta-se da forma em causa (não lincando os visados). Por outro lado, a ausência de uma menção directa só incomoda os/as cuscos/as que ficam assim sem saber a quem se destinam as carapuças. É que os meus textos não lincam mas também não deixam dúvidas aos interessados/as de que são eles/as os leitores preferenciais, os protagonistas da prosa.
E é apenas a esses que me dirijo e não à plateia de mirones que devia rachar lenha quando os assuntos não dizem respeito senão a quem eu direcciono os desabafos nos termos que eu defino como os mais adequados.
Assim sendo, a jovem colega alentejana revelou de novo a sua propensão para a tolice, presumo que motivada pelo seu apreço ao palerma que insiste em picar-me e pelo linque que a posta que a desagradou inclui, direitinho ao seu ódio de estimação que, por coincidência, é uma pessoa de quem gosto imenso. Em ambos os casos, valeu a pena acicatar a sua vontade de tomar partidos para assim a ver exposta na verdadeira essência que tenta ocultar com palavras nuas e fotos despidas que apenas disfarçam o rancor que a move contra todas/os quantos na sua cabecinha ociosa constituem adversários a abater.
Não será o caso, pois nem visto a pele de oponente da figurinha cada vez menos aliciante que me escolheu hoje como alvo da sua corajosa menção. Aliás, vou reincidir na cobardia de que ela me acusa não retribuindo os seus linques viris, outro gesto indigno da minha parte (na sua iluminada perspectiva) mas cuja motivação explico umas linhas mais acima.
E concluo mais esta exibição do medo terrível das repercussões dos meus desabafos, brrrrrr, com um agradecimento à colega (e minha parceira num blogue colectivo, o que deveria bastar para optar pela elegância em detrimento do ataque despropositado que me fez) pela referência ao facto de ser uma leitora assídua e de, pelo menos isso, considerar publicamente a minha escrita como merecedora da sua admiração.
Agradeço, mas em face do exposto, não sei se tenho motivos para validar o elogio e a respectiva proveniência.
Publicado por sharkinho às 04:18 PM
AINDA LÁ ESTÁ
Trezentos e sessenta e cinco dias depois.
Publicado por sharkinho às 12:34 PM
A POSTA PRA VER

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 11:06 AM
novembro 01, 2006
ESCOLHO A VERDADE
Podia optar pela hipocrisia, fazer de conta que não vejo e calar o desconforto. Mas não sou homem para pactuar com essa forma de estar, prefiro assistir ao inevitável colapso da minha capacidade de integração num grupo qualquer.
Falo demais. Não consigo calar as emoções, as boas e as más, não consigo reprimir a ira como não consigo renegar a paixão.
Exijo demais das outras pessoas, mesmo quando a minha conduta não o justifica. Isso torna-me um alvo fácil para a represália, sempre que as minhas falhas e limitações, imensas, se revelam na minha incapacidade para as camuflar. E essa incapacidade deriva do facto de não ser minha intenção ocultar os pontos fracos que me traem. Nem as pessoas que optam por esse caminho, de forma consciente ou involuntária, que ignoram tudo o que tenho de bom para oferecer e enfatizam os aspectos que me inferiorizam ao ponto de sustentarem a minha condenação no implacável tribunal das escolhas.
Já por diversas vezes aqui elogiei a lealdade de pessoas que me atacaram em defesa dos “seus”, e não está em causa a razão e quem a possua, ninguém é razoável quando disputa seja o que for. Eu aprecio a lealdade e acho que ela se manifesta com a mesma espontaneidade de tudo quanto faz parte da amizade e do amor, emoções endiabradas mas genuínas que nos arrastam como locomotivas para as mais disparatadas decisões.
Nem sempre estou à altura perante os outros nesse particular.
E encosto à parede quem me estima quando os meus fantasmas uivam rumores de traição, quando a minha visão dos factos denuncia o que entendo como uma falta de solidariedade escusada.
Eu vejo e eu percebo e nem sempre estou equivocado nas minhas conclusões. Quando alguém me ataca, denunciando o seu desprezo, o seu ódio, a sua inveja, o seu despeito ou a sua mera embirração, aceito essa postura como natural. Não somos obrigados a gostar seja de quem for e cada um é livre de agir como o seu impulso ou a sua motivação pensada imponham.
Regra geral reajo na proporção, fundamentado no conceito de legítima defesa que na maioria dos casos não justifica a estupidez das minhas reacções que afinal se baseiam apenas no instinto do chavalo que fui e que nunca podia virar a cara para o lado sob pena de se tornar no bombo da festa pela cobardia na reputação.
Neste meio, esse é um instinto fatal. Ninguém aceita que alguém enfie um murro verbal bem assente na tromba virtual de quem apenas lhe deu uma tímida estalada. E surgem logo os paladinos em defesa dos coitadinhos que morderam (mais ou menos) pela surra, tomando partidos em generosa verborreia ou alinhando na paródia (mais ou menos) explícita e assim concedendo o seu beneplácito à atoarda desnecessária.
Na minha concepção maniqueísta e mesquinha da solidariedade entre amigos, esse alinhamento passivo nos ataques que me desferem, nas provocações medíocres de quem poderia utilizar o talento e a sagacidade para suscitar reacções agradáveis e positivas por parte dos outros, essa presença (mais ou menos) deliberada constitui para mim um sinal inequívoco da falta de consideração para com quem se vê atingido por um texto concebido com o único objectivo de me achincalhar.
Mas afinal o que me achincalha, e já dei provas cabais de que sou gajo para nunca me ficar, qualquer que seja o plano em que me ataquem, é precisamente a leviandade de quem nos bastidores me manifesta independência e alheamento ou mesmo proximidade à “causa” de mim próprio que represento e depois dá a cara em apoio de quem demonstra o seu desdém por tudo aquilo que sou.
Na minha lógica simplista de gajo vulgar, a amizade tem regras. E delas faz parte o discernimento das ocasiões em que devemos manifestá-la, nem que apenas com o pudor da nossa omissão. Não falo em tomar partidos, refiro-me expressamente ao oposto. Refiro-me concretamente ao silêncio de quem entende que alguém parodia outro alguém que afirmamos digno da nossa confiança e até de alguma estima e por isso abstém-se de intervir para não conferir a uma das partes a força da sua intervenção e o apoio deliberado que ela denuncia.
Na minha lógica elementar de pessoa sem atributos, isso enquadra-se no que entendo ou pelo menos no que sinto como uma traição. E perco a confiança ou mesmo o respeito por quem me ataca por tabela dessa forma insidiosa, como quem não quer a coisa, fazendo de conta que se está a cagar no problema mesmo quando não pode fingir que não percebeu claramente quem é o destinatário da graçola.
Esta minha visão limitada das coisas está na origem do ostracismo a que me vota, mais cedo ou mais tarde, a maioria das pessoas de quem arrisco aproximar-me mesmo adivinhando o desfecho inevitável dessa frágil ligação. Sou eu quem a fragiliza, com o tal nível de exigência que não perdoa o desleixo e muito menos a palmadinha nas costas de quem me escolhe como alvo quando lhe falha tudo o resto para manter interessados os poucos que lhe prestam atenção.
É disso que trata esta posta descaradamente umbilical. Assumo sem problema as características que me constituem e as consequências das mesmas na minha relação com as outras pessoas. Ou a sua ausência.
E não as escondo, ao contrário do que muita gente neste meio pleno de farsas me aconselhou.
Valho o que valer e não faltarão as evidências que permitam medir esse valor, aqui como na vida lá fora. Valho pouco, se quiserem. Valho muito, se acharem que vale a pena acreditar.
Mas sou eu aqui. Tal e qual. Por escrito, para que nunca possa desmentir-me ou dar a volta ao texto. Com tomates para reagir à bruta e com inteligência para alinhar no joguinho merdoso de meia dúzia de cromos que embirram comigo ou me deixaram cair quando estalou o verniz e deixei de ser o mister perfect que outros se pintam até a maquilhagem se esborratar.
Só me falta o talento para fingir que não percebo o que se passa à minha volta, para transmitir a todo o tempo a imagem de bonzão que nunca serei como nunca o serão os infelizes que investem o seu tempo a desdenhar de quem em nada os pode afectar nem tenciona. Eles e os seus sequazes por inerência, os tais que são “isentos” e “imparciais” mas não reprimem a sua “dentadinha” solidária sempre que surge a ocasião propícia.
Gente pequena aos meus olhos, como eu serei aos seus.
Aceito o meu estatuto. Enfiem também a vossa carapuça e assumam as vossas preferências, as vossas lealdades reais, as vossas solidariedades que ninguém pode ou deve contestar.
E nesse caso, por favor, deixem-se de tretas, não me desiludam que já tive a minha conta.
Desamparem-me a loja e larguem-me da mão.
Publicado por sharkinho às 03:26 PM