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dezembro 30, 2006

PARTE DE MIM

parte de mim.JPG
Foto: Mariana

Gosto de entender a escrita como uma arte. De me sentir capaz de pegar numa paleta de palavras, numa caneta com ou sem teclas feitas pincel, e encher esta tela com as cores da minha emoção ou a que outros fazem acontecer.
Gosto de me ver pintor, artista. De acreditar que é possível fazer arte com as palavras mais a alma que me faz. De carregar do cinzento da ira o mesmo céu que antes brilhou azul num estado de espírito cheio de sol. De espalhar o vermelho quente da paixão exactamente no mesmo chão branco e frio onde antes derramei as cores das palavras que falam de amores caídos como anjos no inferno da desilusão.

Adoro enfrentar o duelo com o espaço branco por preencher de mim. Ou de quem me suscita algum tipo de vibração, as histórias que tento contar com o coração. Ou com a cabeça, antes que ela esqueça os pormenores que interessam para colorir esta tela que os olhos de alguém irão depois apreciar. E talvez partilhar as emoções que reinam em cada pedaço do que sou, em cada texto que vos dou.
Cada texto um novo quadro pintado com as melhores palavras de que disponho para a combinação de tons, a evocação de sons, os detalhes que vos transmitam com a máxima clareza aquilo que pretendo dizer sob a forma de expressão que melhor consigo usar.

É isso que me move acima de tudo nesta demanda pela atenção que me possam dar. Nada mais tenho a ganhar com esta entrega de boa parte de mim, talvez o melhor de tudo aquilo que sou.
E é isso que vos dou aqui. Parte de mim, tão genuína quanto sou capaz de a retratar. Apenas um homem sedento de amar o muito que a vida tem para apaixonar qualquer um, empenhado em exprimir esse sentir sem medo algum. Á vista de quem encontre a sintonia perfeita com as cores que utilizei ou mesmo dos que me rejeitem à partida e se estejam nas tintas para a essência daquilo que me move ou para a beleza que por vezes sou capaz de reproduzir.

Gosto de escrever. E aquilo que tenho para dizer são imagens da minha forma de sentir o mundo que me rodeia. Prefiro uma emoção a uma ideia, nada mais. Por isso não inspiro respeito a intelectuais, mas sei que consigo falar a língua dos amantes nos momentos relevantes em que provo seja a quem for que trato por tu o amor e essa é uma certeza que me basta.
Não pretendo saber um pouco de tudo, mas exijo que um ombro desnudo de mulher não tenha segredos para mim quando o pinto com as palavras intensas e bonitas que lhe façam justiça, uma cor perfeita, e retribuam um pouco do prazer que me provoca a sua contemplação.

Justiça feita ao que a vida tem de mais maravilhoso para me encantar. Ou antes pelo contrário, quando a razão me aperta o coração com realidades que me chocam ou apenas me provocam e eu, zaragateiro, não sou capaz de me ficar como preferiria.

E escrevo o que diria, sem hesitar. Aquilo em que acreditar, todas as cores da emoção que me subjuga e me conduz por caminhos que nem sempre jogam certo e se reflectem depois em textos carregados de borrões.

É disso que se trata aqui. Tudo mais são ilusões ou equívocos iguais aos das pessoas normais como eu gostaria de me acreditar.

Isso mais a magia da libertação, a força indomável da expressão que aprendi a respeitar e que amo acima de quase todas as coisas.

Parte de mim, para vos dar.

Publicado por sharkinho às 01:00 PM | Comentários (24)

dezembro 29, 2006

ISTO TÁ MESMO BOM...

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...Para curtirmos um fim de ano na praia.

Publicado por sharkinho às 12:21 PM | Comentários (10)

ASSIM DE REPENTE...

...Só me ocorre desejar a todas e a todos quantas/os esbanjam uma porção do seu tempo neste blogue UM EXCEPCIONAL 2007!

(Mais tarde logo arranjo uma posta mais compostinha... Ah, e não se esqueçam de darem um pulinho à CASA DE ALTERNE pois eu de vez em quando prefiro editar no blogger e estou a estudar algumas novidades exclusivas para aquele espaço, já a partir de Janeiro.)

Publicado por sharkinho às 10:59 AM | Comentários (2)

dezembro 28, 2006

DECORAÇÃO DE INTERIORES

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:26 PM | Comentários (5)

A MINHA VIDA TÃO MELHOR

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Foto: Shark

Sabes, eu não consigo ignorar o facto de tu não ires ler estas palavras agora. Talvez daqui a uns tempos, quando te sentir capaz de as interpretar na essência e de entenderes a emoção que tento transmitir desta forma.
Claro que tenho fé que perdoarás a pequena traição implícita neste acto de permitir ao olhar de terceiros o acesso a algo que só a ti se destina. E a mim, que sinto cada vez mais forte o amor que me despertas desde a primeira vez que tive o privilégio de te contemplar.

Linda, aos meus olhos. E com o tempo a passar fui descobrindo em ti outros atributos que acrescentam algo mais à pessoa especial que te provas a cada dia. Nas mais pequenas exibições daquilo de que te compões e que me surpreendem num crescendo de admiração.
E são muitas as expectativas que alimentas com essa tua forma bonita de te revelares ao mundo que terá de te merecer.

Aquilo que podes valer, somados os argumentos que coleccionas. Os caminhos que seleccionas com a delicadeza de uma menina e a firmeza da mulher determinada que evolui em ti.
Tudo o que expões na generosidade de alguém que confia naqueles que ama e nada consegue esconder. Sincera, frontal, capaz de distinguir um bem de um mal com uma lucidez que me espanta.

O dom da palavra que usas para dar voz a uma alma precoce, um espírito que distorce o tempo e se adianta, o anjo que és, mesmo antes de conheceres o céu em que me soltas para voar com as asas que o teu amor me confere.
Aquilo que me sugere a tua expressão carinhosa quando me ofereces espontânea um beijo ou uma carícia que nem precisei de pedir.
Tudo o que me mostras por detrás do caldeirão das emoções que herdaste latina, incapaz de evitar que transbordem para fora desse teu coração sensível.

As memórias que me forneces numa enxurrada, em cada tirada genial das muitas que brotam da tua imaginação, em cada momento de partilha, de contacto. Na brincadeira bem humorada ou no desafio atrevido para uma sessão de karaté a brincar, o instinto de defesa que te incuti por te temer frágil às mãos de quem possa querer magoar-te seja de que forma for.

A minha vida tão melhor desde a tua entrada nos planos que faço contigo na base das mais importantes decisões.
A tua vida tão prioritária, a minha daria para a preservar intacta, sem pestanejar. Pelo amor que te tenho e pela certeza cada vez maior de que és alguém especial, das que fazem falta a um mundo que se queira melhor.

Por isso te garanto uma confiança que não se trai.
Por isso alimento a esperança ilimitada de um pai.

Publicado por sharkinho às 12:07 PM | Comentários (27)

TERRA SANTA

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:09 AM | Comentários (6)

dezembro 27, 2006

VERDADE E CONSEQUÊNCIAS - A Face Visível de um Webflop

Já vi pelo menos um blogue referenciar/publicitar este top como um indicador da sua enorme visibilidade. E nem só a nossa vaidade se alimenta destes indicadores. Existem trabalhos universitários feitos com base nos números disponíveis na blogosfera, peças jornalísticas, decisões de anunciantes, coisas sérias que implicam escolhas feitas com base em algo que sendo público se presume fiável (sobretudo tendo em conta a reputação de quem tutela o sistema).

Ou seja, os topes da treta (que toda a gente alega não terem para si qualquer importância mas são referenciados constantemente por essa mesma toda a gente depois de neles constarem) constituem um dos barómetros da evolução desta brincadeira cada vez mais séria em que a blogosfera se tornou. E isto não se aplica apenas em termos individuais.
A única forma de perceber a evolução quantitativa e outras dos espaços que constituem esta comunidade, as preferências de quem visita, é medi-la. E essa medição obtém-se como?
Precisamente pelos contadores públicos disponíveis, como este. Que desmente este outro e lhe desmascara a escassa fiabilidade.

A falta de atenção ao pormenor por parte de quem gere esta plataforma assume contornos tão absurdos como o que denuncio na posta anterior e que, de resto, o top dos “Mais Visitados” ilustra na sua dimensão fantasmagórica.
Ou então o Weblog é o maior sistema de fidelização de visitas do mundo, pois na tabela disponível dos 25 blogues mais visitados constam nada menos do que nove espaços que já não estão a funcionar nesta plataforma. Nove em vinte e cinco! E alguns sofrem oscilações diárias de centenas de visitas, mesmo estando inactivos há mais de um ano.

Teria piada se não espelhasse precisamente a incúria que está na origem da saída de parte desses nove (e de mais uns quantos) excelentes blogues, um fenómeno que empobrece esta comunidade virtual no seu todo e deveria envergonhar quem (há de haver alguém) preste contas pelo funcionamento e evolução desta iniciativa empresarial que o Paulo Querido tão bem concebeu e manteve ao longo de muito tempo.
E se me sinto no direito de colocar as coisas desta forma é porque investi e invisto muito de mim na presença virtual e reconheço em muitos colegas, mesmo alguns que abomino, o mesmo empenho que as sucessivas panes desmotivam e fenómenos visíveis como os indicadores de que falo traem por denunciarem a balda a que isto tudo começa a soar.

Eu não descobri a pólvora. Limitei-me a olhar para algo que alguém é responsável por manter acessível ao público e a descobrir as incongruências que nem vou aqui alongar à questão aritmética, demasiado óbvia para passar ao lado de um olhar minimamente profissional. Ninguém pode levar a sério um desempenho assim e não vejo como pretendem os mandantes do AEIOU continuar a recolher dividendos directos pelo aluguer que nos cobram (e indirectos com base na publicidade que só o nosso trabalho lhes permite angariar) e nem se dignam zelar pelos meios ao nosso alcance para (também) avaliarmos as consequências negativas, por exemplo, das caixas de comentários sistematicamente inoperacionais que nos inferiorizam os blogues perante os alojados noutras plataformas, inibindo potenciais visitantes/comentadores.

Mas também pouco há a esperar de quem nem discorreu que ter um blogue permite, por exemplo, desejar Festas Felizes à comunidade que lhes atura a inépcia (já que enviar emails a uma lista pré-definida de endereços de clientes/utentes deve dar uma trabalheira do caraças…).

Publicado por sharkinho às 08:56 PM | Comentários (4) | TrackBack

THE AMAZING WEBLOG GHOST CHARTS

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Aproveitando a embalagem da caixa de comentários outra vez aos soluços, o que me dá sempre motivação para abordar estes temas banais e desinteressantes, e pegando numa posta que aqui publiquei tempos atrás acerca de algo que o Weblog denomina de "serviço" no seu blogue e que consta de uns topes relativos aos espaços alojados na plataforma mais irregular do planeta, volto ao assunto porque aconteceu mais um insólito.

Na posta que referi, eu chamava a vossa atenção para o facto de no tal top existir um relativo aos "mais participados" - mais comentados DA SEMANA - cuja composição incluía diversos blogues absolutamente inactivos. Mortos, por assim dizer.
Na sequência dessa posta, ou por feliz coincidência, a rapaziada que toma conta disto resolveu o problema fechando a torneira aos blogues-fantasma. E fez muito bem pois tal como eu dizia na altura, se existem os tais tops associados a contadores que só eles podem controlar é para funcionarem como deve ser.

Pois hoje, danado com o facto de não conseguir responder a comentários no meu blogue e ciente de que estamos numa época de "vacas magras" em matéria de comentários por toda a blogosfera, fui dar uma vista de olhos no estado das coisas ao tal top que dantes incluía blogues defuntos.
E pasmei com a dinâmica de um blogue chamado Ilmatto e de um outro chamado 555 (os dois primeiros classificados dessa tabela por volta da 15h de hoje). Pasmei tanto que fui tentar perceber o segredo por detrás de tanta participação.

Não percebi.
Porque é segredo.
Tão secreto, mas tão secreto que o Ilmatto não regista um único comentário desde o dia 7 de Dezembro e o 555 oculta a sua imensa participação desde 16 de Novembro...
E o blogue da Floribella, que entretanto subiu ao segundo lugar por troca com o 555, registava ao longo da semana apenas cerca de 40 dos mais de trezentos comentários que a tabela do Weblog anuncia.

É um mistério, mais um, do funcionamento desta coisa.
Depois dos blogues-fantasma, os comentadores-fantasma.

Só espero que tanta necrofilia nas tabelas não seja prenúncio de algum funeral...

Publicado por sharkinho às 04:57 PM | Comentários (2) | TrackBack

PAINTING THE SKY

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 02:48 PM | Comentários (7)

A POSTA QUE A CULPA É DOS OUTROS

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Preparava-me para almoçar, no restaurante do costume, quando o bacano começou a elevar o tom de voz duas mesas à minha esquerda.
Fazia parte de um grupo de oito pessoas e berrava indignado:

- Mas há alguém aqui que não faça o mesmo que eu, algum de vocês pode afirmar que nunca fugiu aos impostos? Deixem-se de merdas, faço-o eu como faz toda a gente!

Nenhum dos restantes o desmentiu.
E eu até rangi os dentes com a gana que me deu de entrar na conversa à bruta. Não sou um menino de coro em muitas matérias, mas respondo pelo meu comportamento nas questões fiscais. Não, nunca fugi aos impostos e sim, estou-me nas tintas para os maus exemplos que os outros possam dar nesse domínio.

Farto-me de afirmar que adoro pagar impostos. Quem me dera, aliás, pagar muito mais. E nunca arranjei esquemas para me furtar a esse compromisso, nem permiti a qualquer contabilista que o fizesse por mim para me tranquilizar a consciência.
Esta mentalidadezinha de treta que arrasta provavelmente a maioria dos portugueses para jogadas que fintam os cofres do Estado das mais engenhosas ou descaradas maneiras é uma das explicações para vermos o resto da União Europeia a distanciar-se de nós na pirisga.

Isto não é moralismo da tanga. O bacano estava a gabar-se por conseguir enganar o fisco. A gabar-se, como se isso constituísse um indicador da sua brilhante inteligência. Poucos dias antes apontava o dedo ao Sistema Nacional de Saúde, que utiliza sem hesitar e que sobrevive à custa dos impostos que chicos-espertos como ele se gabam de evitar.
Provavelmente trata-se de um dos patriotas de pacotilha que forraram a varanda com bandeiras nacionais quando a moda pegou.
Este “orgulho” parolo dos habilidosos que defraudam o Estado de toda a maneira e feitio é um cancro da sociedade que estamos a construir, não há volta a dar à falta de ética implícita nestas manobras de diversão por parte de quem na prática se recusa a custear os serviços que utiliza e defende como direito inalienável.

Fujo a este tipo de conversas com pessoas que me sejam próximas. Porque me enojam estas atitudes e porque fico entalado entre o conhecimento factual de uma ilegalidade e o facto de não me predispor a ser o “chibo” que mete a boca no trombone.
Conheço um que viveu mais de dois anos à conta da Segurança Social, numa baixa fraudulenta, enquanto acumulava riqueza num esquema de economia paralela a fazer o mesmo que a saúde não lhe permitia fazer ao serviço do patrão, há mais de dez anos atrás.
Conheço dois que depois dos cinquenta anos de idade conseguiram um “tacho” na Função Pública apenas com o fito de mamarem uma reforma à conta. Nunca se safariam através das vias normais, caso se candidatassem aos cargos que ocupam.
Conheço um que utilizava a viatura de serviço de uma empresa pública para durante o horário de trabalho exercer uma actividade comercial bastante lucrativa e que lhe garantiu um nível de vida bem acima daquele que o seu imerecido salário permitiria. Agora ainda tem a lata de receber uma reforma mensal.
Conheço outro que pagava o seguro contra todos de um carro bem melhor do que o meu endossando-me cheques do então denominado Rendimento Mínimo Garantido.

São apenas quatro exemplos, dos muitos que coleccionei ao longo de uma vida a assistir à forma mesquinha como milhares de portugueses traem o seu país, sonsos de merda que têm a lata de se considerarem honestos apenas porque “toda a gente o faz”. Como os ratos de Hamelin, seguem o trilho uns dos outros e em vez de exigirem aos políticos e aos governantes que apliquem bem o dinheiro dos impostos servem-se deles como maus exemplos a seguir. “Ah, isto é tudo a comer e tal…”
E assim tranquilizam as consciências.

Deviam ter vergonha, estes parasitas da sociedade.

São estes cidadãos comuns tão “exemplares” e “decentes”, estes pequenos bandalhos que transformam o meu país numa realidade onde cada vez mais hesito ser boa ideia criar a minha filha.

Publicado por sharkinho às 10:39 AM | Comentários (28) | TrackBack

H2O

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 09:49 AM | Comentários (7)

dezembro 26, 2006

BUSH-A-TOON & Cia.

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Desde o fiasco das armas-fantasma de destruição maciça que serviram de falso pretexto para um novo Vietname à inépcia para descobrir o paradeiro do novo “hermano” de Ramos Horta (Bin Laden), passando pelas procuradas (wanted) linhas aéreas United Clandestines, a CIA parece empenhada de há uns anos a esta parte em auto-destruir a sua credibilidade.

Agora vem um médico espanhol desmentir o cancro de Fidel e declará-lo quase pronto para regressar dos mortos anunciados pela secreta americana que, de resto, terá prestado um valoroso serviço ao seu arqui-inimigo criando o clima ideal para um retorno apoteótico.

E embora custe relembrar o episódio, dificilmente a CIA não sairá chamuscada pela História quando o atentado ao World Trade Center se revelar ao público em todo o esplendor da cegueira dos espiões mais trapalhões que o mundo conheceu.

Dá a sensação que o presidente Bush himself, pródigo nas calinadas, é o maestro da cacofonia que esta CIA de brincar produz.
Não acertam uma. Ou, para utilizar uma expressão que encaixa como uma luva no desempenho destes sofisticados artolas, é cada cavadela cada minhoca…

Curiosamente, o povo americano não reage a tanta exibição de incapacidade e deixa andar como se nada fosse, mesmo confrontado a toda a hora com o desnorte desta sua derradeira (e única verdadeira) linha de defesa contra as ameaças reais (e fictícias) que a nova ordem mundial criada pelo petro-cowboy texano geram na penumbra da sua desorientação e que tem saído muito cara aos cada vez menos abastados cofres de Washington.

O vespeiro em que o Iraque se tornou, e que os homens da CIA não previram, prepara-se agora para conhecer uma nova acha para a fogueira sob a forma de um líder deposto e já meio esquecido a quem decidiram apressar o estatuto de mártir eterno.
A corda no pescoço de Saddam apertará ainda mais o nó que estrangula a imagem americana a nível mundial, pois ninguém duvide que se tratará de mais um tiro no pé que os nabos sobrinhos do Tio Sam se aprestam a (deixar) dar.

Parece intencional, tanto disparate. Por ser tão descarado, quase infantil, e trazer os operacionais da CIA para as parangonas quase sempre no papel de bobos da corte do rei momo que o seu povo elegeu.
É um fartar vilanagem de erros de cálculo, de inconfidências de bradar aos céus por parte dos seus antigos colaboradores, de falsos alarmes que descontraem em demasia ou de dentadas num traseiro que ninguém cuida de vigiar.
É CIAneto para um presidente em agonia nas sondagens.

E devem ser um dos mais hilariantes motivos de galhofa para um homem “do ofício” como Putin.
Que por acaso, se calhar outro galo cantaria, só aterrou no Kremlin depois da Cortina de Ferro se transformar num véu de (aparente) cetim…

Publicado por sharkinho às 06:32 PM | Comentários (16) | TrackBack

A DESTEMPO

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 12:26 PM | Comentários (18)

GOSTAVA DE SABER

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Foto: Shark

Gostava de saber explicar-me. Mais perante mim mesmo do que a todos vós que se constituem testemunhas mais ou menos distantes daquilo que sou.
Mas a sério que gostava de ter certezas tão absolutas como as que exibem a maioria das pessoas que contacto em cada dia. Pelo menos assim o alardeiam, com uma confiança que me desarma e me perturba sempre que tento explicar-me e não encontro uma resposta definitiva. Ou mesmo um simples palpite que não se veja desmentido por uma actuação desconcertante ou por uma evidência irracional.

Gostava de saber o que sou, aos meus olhos. Para entender melhor como se desenham os meus contornos nos olhares de cada um dos que me observam e me criticam a toda a hora as fraquezas, me castigam com a dureza das palavras ou me banem do seu círculo como um pária a evitar. Para adequar melhor a minha natureza por explicar às de tanta gente que soa tão certa de si ao ponto de me definirem com uma clareza de que nem eu sou capaz.

Gostava de saber o que existe em mim de nefasto, de tão prejudicial que me afasta da imagem que cultivo, a de pessoa de bem, e me rotula de indesejável, descartável, perigoso até.
Aquilo que me afasta dos outros por perceber que se afastam de mim e me negam a hipótese de lhes oferecer um simples pedido de desculpa ou mesmo uma explicação para tudo o que não se enquadra no nível de exigência que pareço suscitar.
Como se um homem como eu nunca pudesse falhar, fiável como um autómato e dócil como um animal de estimação.

Isso sei que não sou e sabendo não gostaria.

Publicado por sharkinho às 12:12 PM

ON THE ROCKS

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:33 AM | Comentários (5)

dezembro 25, 2006

O CONTO DE REIS - Epílogo (O Natal já era, tavam à espera de quê?)

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Instalou-se um silêncio expectante na casinha de madeira do casal Nicolau e Natália quando o Espírito do Quadro se pronunciou.
JC, por seu lado, parecia algo alheado da questão. Como se soubesse por antecipação o que se seguiria. E isso nem espantaria ninguém…

- Trago-vos a Boa Nova! – anunciou o Espírito com voz solene.

“O Nicolau bem precisava, coitado. E até bastava ser nova…”. JC pensou mas não disse.

E o Espírito prosseguiu com a sua revelação (que por questões ligadas ao Direito Canónico não podem ser expostas num blogue herético), na essência destinada a explicar porque o seu papel no conto consistia apenas em justificar-lhe o fim apressado que o aproximar da meia-noite de dia 25 recomendava.

- Mas não vamos transformar-nos em abóboras, pois não?

Um chiu em uníssono soou na sala quando Nicolau, completamente xexé, abriu a boca para soltar os disparates do costume.

- Não, amigo. Vamos transformar-nos em lixo informático, perdidos nos arquivos mortos de um blogue qualquer. – esclareceu o Espírito, tranquilizador.

- Isso quer dizer que ninguém vai ler esta merda e tudo não passou de um pesadelo saído da mente de um filisteu moderno?
- Sim, Natália. Assim consta no que está escrito.
- No que se está a escrever…
- Sim, mas quando alguém ler já terá acontecido…
- Mas enquanto personagem da história não tenho nada a ver com isso. Neste instante ainda não está escrito e por isso não vejo como se justificam de forma lógica essas palavras.

O Espírito já bufava.

- Certo, Natália. Mas a única forma de fazer sentido a minha aparição é justificá-la com a minha omnisciência…
- Atão mas o omnisciente não é o puto? Não é o Pai dele que está em todo o lado e tal? E tu, desculpa que te diga, és ainda mais absurdo enquanto personagem de ficção do que qualquer um de nós…

Perante o desespero do Espírito, cuja alteração fisionómica permitia antever (mesmo sem estar escrito) que não tardaria a adornar o pescoço de Natália com uma das suas telas (agora são telas mesmo), JC decidiu finalmente poisar o copo de três no tampo da mesa e acabar com a animada desconversa.

- Bom, como sabem eu tenho uma sólida reputação enquanto orador eficaz…
- Vem aí conversa fiada… - Natália não conseguia reprimir os seus ímpetos de amazona verbal.
- Natália, faz-me um favor: vai dar de comer às renas.
- Vai tu partilhar a palha com o burro. E de caminho arranja uns morfes prá vaquinha também. Estou a falar da vaquinha da tua…

Nicolau, muy macho, esmurrou a mesa e impôs a sua voz de trovão.

- Natália, nem mesmo no contexto de uma posta idiota podes sentir-te no direito de ires longe demais. O JC é um amigo desta casa!
- Pois sim, por ele já estavas a dar milho aos pombos no jardim da Estrela…
- Gosto dele como se de um filho se tratasse, bem o sabes. E há muita gente a sério, potenciais leitores desta palermice, que o respeita e não tolera determinado tipo de liberdades criativas.
- Isto agora é o quê? Lá porque usam barbas (o ícone adulto do JC também) vão armar-se em fundamentalistas? Não se pode tocar no menino? Ponham-se com essas tretas e eu, que até tenho jeito para o desenho, dedico-me já às caricaturas!

JC respirou fundo. Sabia que Natália nutria por Nicolau um grande amor que lhe instilava o instinto protector e a fazia proferir tantas ofensas. Era isso mais o impacto da falta de… animação nas noites frias do Alasca (a cena do pólo norte foi apenas um mito americano para desviar as atenções). Mas ele perdoava a quem lhe tinha ofendido desde há séculos atrás e não ia sacrificar a coerência por causa da leviandade de um escriba menor, um reles mortal sem costas para levar duas chibatadas bem aviadas.

- Acalma-te, Natália, que isto é só para inglês ler.

JC aproveitou para fazer uma pausa e acabar com o resto do trotil.

- No fundo, tudo o que acontece é fruto da Vontade do Criador. E isso aplica-se também a este conto, provindo das mãos de um membro do Seu rebanho (aí pára, que eu tou a escrever mas não tou a dormir. Se te esticas corto-te já o pio…).

Nota do autor: o autor também pode intervir nas suas chachadas, ou não? Bom, vamos lá devolver a palavra ao baixinho.

- E por isso não devemos levar demasiado a sério os seus devaneios ou mesmo as incongruências da história. Por exemplo: onde é que estão os reis que dão título ao conto?

Pronto. E agora basta. Querias um conto de reis (mil escudos, para quem já não se lembra da moeda portuguesa)? Toma lá cinco euros, deposita o excesso do arredondamento numa caixinha de esmolas qualquer e pisga-te que esta história acaba aqui.

E vocês, leitores, estavam à espera de quê? Neste blogue o todo-poderoso sou eu.

Mando mais do que o próprio JC!

(E a boa nova que o Espírito da Quadra trazia convidou-me para ir tomar um café…)

Publicado por sharkinho às 09:47 PM | Comentários (10)

PECADOS MORTAIS

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A mesma igreja (com minúscula, sim) que recusou um enterro religioso ao Piergiorgio nem hesitou em participar de forma empenhada no do Augusto, dias antes.
Assim se vê a (pouca) força do JC (nas mentes obscuras e hipócritas por detrás dos altares de fachada)...

Publicado por sharkinho às 02:05 PM | Comentários (9)

NATAL SEM PALAVRAS

presepio do shark.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 01:06 PM | Comentários (9)

NATAL EM IMAGENS

quando um homem quiser.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 12:59 PM | Comentários (3)

PARABÉNS PELO 2006º ANIVERSÁRIO, JC

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toca o sino.JPG

Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 12:47 PM | Comentários (2)

dezembro 24, 2006

O CONTO DE REIS - Uma Novela no Espírito do Quadro (Cap III)

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JC não estranhou quando Nicolau pousou sobre a mesa as cuba livres, que declinou com cortesia. “Já sabes que eu só bebo tinto, é a tradição desde a última jantarada…”

- Ah pois, com os “apóstrofos”! Mas não faz mal, tenho ali um alentejano de 97 que é de estalo. E na adega há mais (o de 2004 é ganda malha)!

Os olhos de Nicolau brilhavam com o reflexo das luzinhas da árvore enquanto pensava nas “pomadas” que reunira ao longo de muitos anos de distribuição de encomendas natalícias. As gorjetas não pagavam impostos e isso em muito contribuía para a paz financeira que Natália tudo faria para preservar.

- Vê lá mas é se te emborrachas outra vez este ano, Nicolau… Lá por agora não conduzires, isso não faz com que possas esticar-te na bebida.

Ela recordava-se do último pifo, dois Natais antes, quando finalmente lhe haviam apreendido a carta de trenó em definitivo. Para não o embaraçarem, e por respeito a tantos anos de dedicação, haviam fingido que o médico da Direcção Geral de Aviação não lhe renovara a carta.
Mas ainda assim, Natália receava a mistura com a medicação (pela surra, costumava desfazer comprimidos azuis – só um nadinha – no meio da sopa).

- Pois é, cá estamos outra vez… - JC estremeceu quando a matrona voltou a abrir a matraca. Vinha lá sarilho pela certa…
E assim se confirmou.

- Então, JC, o Zé já se conformou com aquela questão… hummm… da paternidade duvidosa?

Era um assunto muito sensível para o bebé nas palhinhas sentado e ela bem o sabia.
Ficou com um chorrilho de palavrões, pecado sem perdão, mesmo à porta da boquinha infantil.
Os sininhos da porta salvaram a situação por um triz.

Nicolau, já meio tocado, abriu a porta e abraçou com intensidade o recém-chegado como se entre ambos existisse alguma espécie de proximidade.

- Porra, pá, que me parte as (cos)telas!

Era o Espírito do Quadro, um pintor frustrado que só servia para justificar o subtítulo de uma posta marada e para ver se surgia um final qualquer prá coisa antes de o Natal acabar.
Divorciado da esposa, uma amiga íntima de Nicolau na sua fase jovem e irreverente, vivia da venda de bustos para enfeitar o Natal dos hipócritas e de, como o nome indica, quadros nos quais retratava espíritos do Natal Passado e outros fósseis que o consumismo desenfreado enterrara de vez.

Natália até se benzeu, para gáudio do menino que decantava o Herdade Grande com a mestria de um escanção.
Nunca esquecera os rumores da ligação entre o seu Nicolau e a flauzina da Quadra (que agora deixara cair o apelido do ex).
Dali só podia vir bronca.

Contudo, o artista surpreenderia todos com a sua intervenção.

- Desculpem incomodar, espero não ter interrompido nada…

JC contorceu a boquinha num esgar de anuência, perante o olhar severo de Natália. Nicolau, bochechas rosadas, sorria com um ar imbecil e olhava para o Espírito do Quadro como se de um filho se tratasse.

- Venho cá para vos contagiar com a paz e a harmonia que a Quadra (não tou a falar da minha ex, claro) deve a todos inspirar!

O trio nem tugiu nem mugiu, enquanto aguardava a sequência do surpreendente intróito.

Publicado por sharkinho às 04:36 PM | Comentários (6)

dezembro 23, 2006

O CONTO DE REIS - Uma Novela no Espírito do Quadro (Cap. II)

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Natália encolheu os ombros perante o olhar alucinado de Nicolau, convencido como nos anos anteriores de que havia recebido a bênção da paternidade na figura daquele bebé nas palhinhas gelado e agora iluminado pela luz quente da lareira.

- Tás bom, JC? – inquiriu ela sem grande entusiasmo.

Com as gengivas a baterem castanholas, o pequeno visitante respondeu com um aceno afirmativo de cabeça. Entretanto, o velho das barbas ruminava as siglas tentando associar o nome à pessoa enquanto ateava a braseira com um fole.

- Olha lá, ò Gepeto da tanga: tens a coisa organizada para este ano? – perguntou JC, agasalhado com um xaile de Natália (“não babes essa treta outra vez, menino, ou amanhã tenho outra vez uma chusma de beatas a snifarem-me o estendal”).

- As prendas? – retorquiu Nicolau – Sim, sim. Falei com os gajos da Manpower e eles desenrascaram-me um bacano da Associação de Reformados e Pensionistas da Pampilhosa. Eu tinha contactado o Centro de Emprego, mas só me mandam putos novos sem carta de condução de trenó…

- Mas quais prendas, pá? Achas que eu ainda ligo a essa tanga? A malta já nem faz presépios nem o camandro, compram aqueles muita farsolas das lojas dos trezentos e metem-nos num canto…
A passagem de ano, meu! É a tua vez de organizar a cena, lembras-te?

Nicolau esbofeteou a testa.

- Pois é, no ano passado foi o… o…
- O Manitu, sim, e já sei que adorou a tua fatiota e que te chamou irmão, ò pele-vermelha de trazer por casa. Mas já que falaste na cena das prendas, vou abrir o jogo contigo. Ando um bocado chateado com a onda do pessoal andar a curtir o meu aniversário sem me ligar pevas.

Natália levantou os olhos do tricô e fixou o pequeno traquina.

- E o que é que o Nicolau tem a ver com isso, ò fedelho?
- Fedelho? Olhe que o respeitinho é muito bonito. Eu já sou falado há dois mil anos e aqui o barbas ainda nem completou um século de impressão em papel de embrulho…
- Deves-te julgar muito importante… Tu tens é dor de cotovelo. Vai mas é fazer chorar imagens da mãezinha prás missas do galo, ò milagreiro da treta.

Nicolau, aflito, balbuciava palavras de concórdia mas nenhum dos dois parecia querer amainar o tom.
E o pequeno JC prosseguia:

- Ganda lata a sua… É por causa do patrocínio da marca? Mas olhe que também vendem Coca-Cola em garrafa. Se calhar anda distraída a promover o consumo dessa zurrapa para arrotar…

Nicolau apanhou logo a deixa.

- Olhem, e por falar em bebidas: vamos tomar qualquer coisinha?
- O puto bebe suminho. É proibido servir bebidas alcoólicas a penetras de fralda. E desmonta do xaile que tem dona, ò meia-leca!

Natália não suportava o miúdo e via nele uma ameaça à estabilidade financeira do seu agregado. Podia lá agora vir um rapazola dar cabo da reforma dourada ao seu Nicolau…

(continua)

Publicado por sharkinho às 11:20 PM | Comentários (11)

UP AND DOWN

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 12:57 PM | Comentários (6)

dezembro 22, 2006

SANTINHO! (repost com dedicatória)

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Jurou vingança perante o Conselho logo que lhe confirmaram a sua dispensa do cargo de assistente do departamento de Estudos Galácticos.
Acreditava ser o melhor cientista do universo e não tolerava a ideia de ser afastado das suas cobaias, criaturas raptadas em centenas de planetas distantes.
Dedicara a vida ao trabalho e rejeitava a ideia de que tinha de alguma forma sido afectado pelo contacto excessivo com alguns espécimes. Acusavam-no de comportamento agressivo e sabia que isso resultaria em demissão.

Já antevira tal desfecho e tratou de retirar a sua criatura preferida do casulo em que a colocara tempos atrás. Sabia que a cobaia era portadora do vírus mais letal que se conhecia e arrastou-a para um local movimentado de Crion, dentro de um saco isolador. Retirou da bolsa o antídoto, injectou-se e libertou do saco a criatura rosada.

O inferno instalou-se quando o terráqueo espirrou.

-/ /-

O texto acima (que já publiquei aqui, algures) serve como apresentação/recomendação de um dos blogues que mais tem prendido a minha atenção nos últimos tempos.
Escolhi este texto e respectiva ilustração para o efeito e não me perguntem porquê. Ocorreu-me fazer a coisa desta forma.
Se a curiosidade vos vencer, visitem o BITAITES.
Eu acho que é tempo bem empregue.

Publicado por sharkinho às 11:26 PM | Comentários (8) | TrackBack

IMAGENS DE UM NATAL DIFERENTE II

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"Fónix! Eu bem lhes disse que a curva era muito apertada..."

Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 03:33 PM | Comentários (11)

IMAGENS DE UM NATAL DIFERENTE

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Depois do almoço

Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 03:29 PM | Comentários (5)

O CONTO DE REIS - Uma Novela no Espírito do Quadro

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O vento soprava a neve lá fora enquanto o velho Nicolau terminava a decoração do seu pinheirinho. Tinha começado a tarefa onze meses atrás, pois a sua provecta idade já não lhe permitia acelerar em demasia e o médico de família até já lhe tinha proibido o consumo dos milagrosos comprimidos azuis.
O tempo não perdoava, Nicolau bem o sabia. E por isso só fazia aquilo que o corpo deixava, nas calmas, pois as costas davam-lhe cabo da boa disposição e a sua maria há muito o havia avisado que os tempos eram outros e se não se punha a pau dava de frosques e ele tinha que se desenrascar na cozinha se quisesse comer uma filhós.

Só ao terceiro berro da esposa o velho Nicolau percebeu que alguém tocara os sininhos da porta.
“A esta hora?” – pensou, enquanto fazia ranger as articulações pelo esforço de se levantar do chão.

- Ò Natália, onde é que está o gorro?
E ela lá de dentro resmungava que o gorro sempre ficava no sítio do costume.

- Ò Natália, onde é que puseste o roupão?
E ela, possessa, disparava um palavrão. E depois a ladainha habitual, “és sempre a mesma coisa, nunca sabes de nada, deixas tudo em todo o lado, blá blá blá, blá blá blá…”

Mas Nicolau já não a ouvia e depressa desistia de a questionar acerca dos óculos sem os quais via pior do que uma toupeira. “Já vai, já vai!”, gritava ele enquanto se arrastava até à porta onde os sinos não paravam de tilintar.
Quando lá chegou e finalmente a abriu apenas distinguiu umas manchas à distância, perdidas no meio do breu.
- Afinal é só um pastor, querida, mais as suas ovelhinhas…

- Tás cada vez mais pitosga, méne! Aquilo é o gajo da DHL com os sacos das encomendas…

Estremeceu com o susto e dirigiu o olhar para baixo. Sob um halo de luz, um lindo bebé sorria encaixotado nas palhinhas deitado (que o stock de esferovite esgotou).

- Ò Natália, é um milagre! – dizia o ancião, emocionado pela chegada do filho ambicionado que a vida sempre lhe negou.

“Pitosga e senil, é todos os anos a mesma merda…”. Concluiu em silêncio o bebé, cada vez mais enregelado. Fixou Nicolau nas cataratas e esclareceu:

- Olha lá, méne: E que tal levares-me para dentro que está um barbeiro do caraças e eu não quero passar o Natal ao relento! Ou deixaram-me na sede da CAIS por engano, hã?

(Continua)


Nota: Qualquer semelhança entre os eventos e os personagens de ficção desta novela e quaisquer outros eventos e personagens de ficção resultam apenas dos insondáveis desígnios do acaso, são pura coincidência e não dão abébias para processos judiciais, excomungação por heresia ou outras modernices que só servem para atafulhar ainda mais o Sistema Judicial.

Publicado por sharkinho às 11:00 AM | Comentários (8)

dezembro 21, 2006

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:16 PM | Comentários (3)

A POSTA QUE ISTO NÃO É COMO COMEÇA...

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Um gajo começa o dia com a tola cheia de problemas para abordar, com uma carrada de broncas para enfrentar e arranja uns minutos para se sentar diante do computador. Tenta visitar o seu blogue e toma lá qué práprenderes: 503 SERVICE UNAVAILABLE. Ou seja, é grupo, não há charco e, por inerência, também não haverá Weblog.
Porreiro, pensa um gajo.

Posto isto, toca de mentalizar a mona e partir em busca dos linques para colegas com blogues daqueles que funcionam. Nem de propósito: a placa TMN, quase tão irregular como a plataforma onde se aloja o charco, cortou-me o pio.
Net? Nicles. Desse por onde desse.
Ainda mais porreiro, continua um gajo a pensar com os seus botões enquanto os cobre de palavrões daqueles assim mesmo à Charquinho (o Bairro).

E pronto, resignado voltei à labuta (essa meretriz) até há uns minutos atrás. Meia dúzia de berlaitadas na placa (às vezes só à manivela como as arrastadeiras da Citroen) e a net lá arrancou outra vez.
Vamos ver como está o charco e tal, responder a comentários e consultar o email.

Aqui a coisa muda completamente de figura. Três mensagens, todas de pessoas cinco estrelas. E se uma dessas pessoas me surpreendeu agradavelmente com uma revelação de todo imprevista e outra me fez sorrir por sabê-la em vias de uma mudança que só pode fazer-lhe bem, a terceira vinha apenas dar-me os parabéns por algo que certamente me escaparia e que soube ainda melhor por me ter chegado desta forma.
O Charquinho surge hoje no Blogómetro entre os trinta blogues mais visitados e também nos trinta mais lidos dessa tabela cuja fiabilidade ainda ninguém contestou. Parece irrelevante mas não é.

São muitas as ocasiões em que um gajo entra numa de “praquié que me chateio com esta merda?”, sobretudo quando tem o blogue alojado num servidor que é próquelhedá (perdoem-me estes contraplacados de palavras). Saber que o nosso trabalho foi mais visitado do que os espaços de colegas como a Bomba Inteligente, o Murcon ou mesmo o Mar Salgado (só para citar alguns) e que está a apenas cerca de 60 visitas diárias do blogue colectivo que o elegeu como um dos piores de 2006 é gratificante e confere sentido ao esforço e à paciência que esta actividade nos exige.

Partilho convosco esta minha satisfação porque ela deve-se por inteiro à vossa receptividade, à vossa insistência em espreitarem aquilo de que sou capaz nesta nova forma de expressão ao dispor de quem bloga.

E porque esta é a única forma de dirigir a cada um de vós que me aturam a personalidade virtual o agradecimento sincero de quem encontra nos comentários que deixam e no registo das visitas que fazem o único estímulo para insistir em bulir de borla…

Pelo gosto que tenho na vossa presença até vou mais longe.
Pago pelo privilégio.

Publicado por sharkinho às 05:25 PM | Comentários (12)

dezembro 20, 2006

A POSTA PRA VER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 05:13 PM | Comentários (2)

OLHOS DESERTOS

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Pálpebras abertas à força, os olhos não podiam fugir à realidade que não queriam transmitir a um cérebro cansado da vergasta que a verdade empunhava.
A visão inevitável da razão impossível de ignorar depois, quando a mente processava a informação e concluía um desgosto que a cobardia evitava a custo sob as cotoveladas nervosas da lucidez.

E os olhos abertos recebiam o impacto das imagens a sangue frio, coração apertado pelo terrível resultado do raciocínio mais elementar. A vida a revelar a verdadeira dimensão do problema no focinho de cada hiena disfarçada que lhe oferecia outra dentada numa ferida por sarar.
A mente não conseguia abraçar a hipocrisia necessária para impor aos lábios o sorriso circunstancial e depois todos levavam a mal os desabafos sinceros que atraíam outros animais, predadores, em busca de fraquezas por explorar.

Não conseguia imaginar uma realidade alternativa e pintar cor-de-rosa a parede da masmorra onde aprisionava a sua vontade de ripostar. Amordaçada a boca que silenciava a revolta e os olhos proibidos de lacrimejar, vendados por dentro para filtrar o nojo crescente que lhe inspirava aquela gente que encenava sentimentos de brincar.
E afinal era a sério que doía o desmascarar da fantasia que se diz no instante em que se reabre a cicatriz com o cutelo de uma reiterada traição a um princípio qualquer.

Aquilo que lhe dava a ver o mundo, um cenário hediondo que incitava a fugir perante as bocas a sorrir que lhe mostravam as fauces aguçadas, pouco ou nada dissimuladas, por detrás da primeira fila da dentição. Os rostos da desilusão que frustrava por não ser capaz de a esconder.
A vida a doer em cada episódio da novela sem graça, os contornos da farsa que parecia alastrar como uma epidemia global.

A vitória do mal que se esgueirava pelas janelas entreabertas de quem ignorava os alertas que o instinto produzia, a trincheira que se abatia sobre as tropas que enfrentavam o inimigo de peito aberto, desarmadas, e se viam soterradas pela avalancha de constatações.
Somavam-se caveiras na fuselagem dos aviões imaginários que bombardeavam os mais otários na rectaguarda das suas linhas Maginot.
E os olhos fechados para sempre já não informavam a mente alienada da morte anunciada em cada etapa do calvário social.

O óbito da esperança em cada gesto foleiro, em cada impulso traiçoeiro que suscitava a rapina das emoções alheias. A cedência às tentações mais feias que depois urgia cobrir sob um cândido capote cuja água se sacode com uma mentira piedosa ou um falso pretexto de ocasião.

O milagre da ressurreição da alma envenenada pela mensagem inquinada que anuncia a banha da cobra redentora que se alega professora da arte de sobreviver a um pecado qualquer, imaculado por uma espécie de benzina a fingir. E nem a pior nódoa lhe consegue resistir, perdoada a ofensa pela contrapartida que quase equilibra a parada na consciência de cada prevaricador.

As desculpas de mau pagador que os falsos espertos utilizam para fintar o espanto da razão.

Mas os olhos abertos reagiram e não lhe permitiram ignorar o desencanto do coração.

Publicado por sharkinho às 12:25 PM | Comentários (17)

dezembro 19, 2006

A POSTA TRICOLOR

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Fotos: Shark


Publicado por sharkinho às 06:30 PM | Comentários (18)

dezembro 18, 2006

É SÓ PARA AVISAR

Que nesta altura o Weblog está outra vez com a filoxera no sistema de comentários.
Mais vale tentarem mais logo...

Publicado por sharkinho às 03:02 PM

EU GOSTO DE PESSOAS

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:09 AM | Comentários (10)

A POSTA NA CRISE NOTICIADA

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Um dos destaques da manhã noticiosa é a revelação de que neste Natal os consumidores estão a usar mais dinheiro vivo e menos cartões de crédito.

Olha a novidade...
As lojas do chinês não aceitam visa...

Publicado por sharkinho às 09:23 AM | Comentários (5)

dezembro 17, 2006

FERNÃO CAPELO

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>Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 11:42 PM | Comentários (3)

TAVA CAPAZ

De escarrapachar aqui um desabafo foleiro, mas vou conter-me pelo espírito da Quadra.
Talvez o guarde para a CASA DE ALTERNE, onde vou postando mas não tanto quanto deveria...

Aproveito para vos desejar uma boa entrada na última semana de trabalho antes da carga de trabalhos propriamente dita.

Publicado por sharkinho às 11:23 PM | Comentários (0)

BLACK & WHITE

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 06:25 PM | Comentários (1)

TRUE COLORS

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Foto: Shark

Tenho medo que as palavras acabem. Por isso as falo e as escrevo enquanto duram, as palavras que ainda são minhas mas podem um dia acabar com esta relação como acontece em qualquer grande amor (é disso que se trata, afinal).
Por isso as falo e as escrevo. Quantas vezes demais.

As palavras, enquanto duram, podem trair. No amor também pode acontecer a traição. Mas as palavras, que são mesmo minhas, merecem que nelas deposite inteira confiança. Até porque esse é um dos valores sagrados na amizade. Como no amor.

Falo da confiança que as palavras traem, sempre que me denunciam como um homem com fraquezas que outros conseguem esconder. Porque não as falam, não as escrevem, não lhes entregam de forma honesta a integridade das suas emoções, boas ou más. Se calhar não as amam como eu, mantêm uma relação prudente, sempre com um pé atrás, para evitarem o percalço de uma inconfidência que desvende mistérios que pretendem esconder.
Preferem não as falar ou escrever, abdicam dos momentos de paixão nas camas que façam para nelas não terem que se deitar depois. Sem mais palavras para dizer, silenciadas pela vergonha, censuradas pelo medo de falarem demais.
Preferem um silêncio (que nem parece) comprometedor.

Eu exponho-me ao mal que as palavras podem fazer quando a elas nos entregamos. Deixo-as viver à sua maneira, livres para cumprirem a sua função.
Enquanto duram, as minhas (que o são). E o seu único sentido não é o proibido que as cala mas o obrigatório que as justifica enquanto palavras para dizer. Mesmo que se possam virar contra nós, estupidamente sinceras na euforia da libertação que constitui a verdadeira razão para a sua existência.
As palavras são felizes na liberdade que só a verdade lhes oferece e definham no degredo das omissões.

Por isso as prefiro todas escritas ou faladas.
Tenho medo que acabem caladas.
Como acabam tantas paixões.

Publicado por sharkinho às 02:29 AM | Comentários (18)

dezembro 16, 2006

EU GOSTO DE AVIÕES

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 07:50 PM | Comentários (7)

dezembro 15, 2006

ARRUMA DOR

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Foto: Shark

Reparei no teu olhar perdido, o tempo esquecido na manhã de outro dia igual ao anterior.
E receio por instinto que um dia também me falte o amor, aquele de que abdicaste quando finalmente aceitaste a sina que te leu a cigana na palma das mãos que há muito não tocam outro rosto que não o teu.
A tua expressão zangada, represália pela vida alheada de uma presença que não lograste feliz. A indiferença de quem passa diante do teu nariz e te faz sentir transparente, inferior, destroço de gente que não interessa reparar.

A multidão a passar, hora de ponta, e o teu tempo esquecido no turbilhão de uma bebedeira. Anestesias uma vida inteira, esgotada a resistência à dor que o passado te deixou quando o cenário mudou e reparaste finalmente que já nada existia em teu redor daquilo que tinhas por sagrado mas foste desleixado e deixaste escapar.
Arrependimento de nada serviu. Essa vida partiu e tu juntas os cacos da alma com andrajos da consciência atolada de mágoa e com cola fingida da solidão que insistes cuspir mas não te larga da mão.

A tua companhia derradeira, no final de uma vida quase inteira a escorraçar quem te quis bem. Os filhos primeiro e logo depois a mãe, saturados da tua atitude quando estavas na plenitude da capacidade que decidiste desperdiçar.
Agora sentes vontade de amar, mas vê-se que entendes ser tarde demais.

Sentado num banco qualquer, à espera de coisa nenhuma. A esmola que vier de outro carro que alguém estaciona. A decadência que te aprisionou e agora te corrompe aos poucos a vontade e te exibe a verdade que tentas ocultar.

Nas costas de um espelho onde refugias esse olhar.

Porque recusas a imagem do homem que pelo caminho se perdeu.
E mergulhas numa viagem sem destino que o tempo há muito esqueceu.

Publicado por sharkinho às 12:46 PM | Comentários (29)

ASSIM SENDO:

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Foto: Shark

BOM DIA!

Publicado por sharkinho às 10:29 AM | Comentários (21)

ERA SÓ PARA...

...Ver se isto hoje funciona. So it seems.

Publicado por sharkinho às 10:23 AM | Comentários (2)

dezembro 14, 2006

SAUDADE DO VERÃO

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 03:40 PM | Comentários (16)

A POSTA NO FÚTILBOL

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Há muito tempo que não pousava a vista num jornal desportivo.
De resto, o meu divórcio com os jornais desportivos começou quando topei a “panelinha” de silêncios comprometedores que denuncia uma relação pouco saudável entre os jornalistas e o lado sórdido dos bastidores do futebol.
Ainda assim, retive alguns tópicos que no meu entender prenunciam o fim do fenómeno futebolístico em Portugal tal como o conhecemos até agora.

O Miguel Sousa Tavares, insigne adepto do FCP, deixou cair o dragão-mor. Sugere até o pedido de demissão de Pinto da Costa.
Coerente e louvável.

Um juiz daqueles que tiveram a desdita de se deixarem atrair para um mundo que sistematicamente os conspurca revelou, na sequência do episódio Carolina, que uma jornalista serviu de pombo-correio para uma ameaça velada por parte de um árbitro internacional ainda no activo.
De acordo com o juiz, cujo nome me escapa, estaria em causa um tratamento semelhante ao aplicado a um autarca de Gondomar que fala demais.
O silêncio é de ouro no decrépito planeta do futebol de tasca.

Ainda n’A Bola encontrei um trabalho meritório do Delgado (um dos futebolistas menos matarruanos que passaram pelos relvados portugueses nas duas últimas décadas) acerca da agonia aritmética dos nossos estádios.
Diz ele que nem chegou a trinta mil o número de espectadores que assistiram ao vivo a um total de oito partidas da última jornada da Liga. E mais: o jogo mais presenciado do campeonato nacional teve pouco maior assistência do que o menos frequentado do campeonato escocês.
Levantam-se diversas questões de imediato, nomeadamente de onde virá agora aquilo com que se compram os (caríssimos) melões que o futebol movimenta.
Se não é das receitas de bilheteira, só pode vir da alienação do património dos clubes e da publicidade (televisiva).
Junte-se estes dois ingredientes e some-se o impacto devastador de um estádio vazio no empenho dos protagonistas e temos a receita ideal para equiparar num futuro próximo o futebol português ao voleibol de praia.
E tanto estádio xpto que o Europeu nos ofereceu…

Mas o tema futebol também atraiu a minha atenção quando, durante a minha hora de almoço, reparei que o noticiário da RTP (o alegado serviço público de televisão) estava a dar muito mais tempo de antena ao desporto rei do que se justificaria numa quarta-feira sem competições intercalares (demasiado distante dos jogos já disputados e dos ainda por disputar).

Tentei perceber que tipo de assunto encheria o chouriço na dinâmica pimba que os telejornais vêm assumindo (fait divers, futebol e, a fechar, a inevitável passagem de modelos ocorrida algures – excepção feita aos primeiros dias de cada ano onde levamos sempre com imagens do fogo de artifício de Sydney e de Tóquio).

E percebi. Fiquei a saber que Portugal é um país tão desinteressante do ponto de vista da cobertura noticiosa que a RTP teve que nos informar que o Aloísio, um futebolista brasileiro que representou o Futebol Clube do Porto há não sei quantos anos atrás, é o novo treinador do Vila Meã.

Do Vila Meã, imagine-se. Ora, se o Aloísio já arrumou as botas há tempo suficiente para ser tão relevante como o Seninho ou o Teófilo Cubillas não é ele o enfoque da notícia.
Por outro lado, o Vila Meã, certamente um clube cheio de mérito mas pertencente aos escalões secundários do futebol luso, não constitui nestes dias um foco de atenção da audiência televisiva (mesmo a que liga alguma importância ao futebol). Também não é por aí que se mobiliza uma equipa de reportagem…
Então o assunto só pode ser o FCP, o clube que o tal Aloísio representou ao longo de umas épocas do passado (que em matéria de futebol só assume relevância para nós benfiquistas, os outros podem concentrar-se nas suas glórias do presente e nas expectativas do futuro).

Alguém adivinha porque é que tudo o que possa ser relacionado com o Porto, mesmo o novo treinador do Vila Meã, constitui nesta altura uma prioridade para os tontinhos que desenham a agenda dos telejornais? Aposto que Ela, Carolina sabe…

Publicado por sharkinho às 10:46 AM | Comentários (2)

dezembro 13, 2006

IMAGEM CHOCANTE

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 05:25 PM | Comentários (12)

GRÃO A GRÃO

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Foto: Shark


Onde acabam aquelas estradas, autênticos caminhos de cabras que pisamos no ponto de intersecção?
Porque nos coloca num cruzamento, indecisão, o capricho do acaso que nos transforma em marionetas?
E restam poucas escolhas certas relativamente ao melhor rumo a tomar.

E a vida, caprichosa, gosta muito de brincar. Connosco, gente que sente vontade de gerir o seu destino e afinal é um desatino dar de trombas a toda a hora com as escolhas mal feitas originadas pela imprecisão dos mecanismos ao nosso dispor.
Cegamos pelo amor e por outras coisas também. Tentamos ser perfeitos e descobrimo-nos filhos da mãe, apanhados em contra-pé pelo exagero das expectativas criadas.

As vidas desperdiçadas na deambulação, o sentido de orientação inexistente. Acabamos perdidos no meio de tanta gente, confinados ao percurso aleatório de um rebanho qualquer. Ninguém nos diz o que fazer no severo manual da sobrevivência social, apenas ensinam a decifrar o capítulo das exclusões. Ter consciência das vedações instaladas na pastagem, rasgada a paisagem pelo arame farpado proibicionista.

Um espaço limitado pela gestão equilibrista num ponto qualquer da pirâmide em que nos posicionamos, hierarquia, por aquilo que nos acham ou pelo talento para nos sabermos vender. A imagem. E o poder. O dinheiro que nos compra um espacinho maior, estatuto, mais acima de alguém. A corrida desenfreada da felicidade desbaratada no imobiliário das influências, o topo das preferências ambicionado por igual.

O que temos, o que somos. O que seremos e o que no balanço ficará por fazer. Esquecemo-nos de dizer às pessoas que as amamos enquanto desertamos no meio da fuga em frente aos medos que nos incutiram tempos atrás. Passa palavra, sexo é pecado, estar bem instalado num tacho que nada fazemos por merecer. Sempre a aprender as regras do jogo que só muda no tom.
As mesmas premissas idiotas, as festas janotas para disfarçar a tristeza e substituir a franqueza com que poderíamos desabafar as nossas preocupações.

Ocultamos as limitações que fragilizam perante as ameaças do exterior. Maquilhamos o valor para que nos aceitem tal e qual a sua própria pintura, inflados como balões, sobreavaliados. E afinal desesperados, a maioria, por nos vermos apanhados pela correria global. Incapazes de combater o sistema que nos trai, drenada a energia da única fonte de alimentação interior.

A falta de amor e da amizade também.
Uns filhos da mãe, presumidos inocentes.

Mas sempre conscientes do erro colossal.
O tempo na ampulheta, é mais do que certo, nesta estúpida travessia do deserto num imenso areal, vai escoar-se de repente.
Só aí nos arrependemos.

Quando nos escapa por entre os dedos da mão aquele que percebemos ser o último grão.

Publicado por sharkinho às 03:51 PM | Comentários (30)

dezembro 12, 2006

BLACK & WHITE

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:45 PM | Comentários (13)

RAINHA POR UM DIA

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De entre milhares de candidatos, o Charquinho foi seleccionado como um dos piores blogues de 2006.
Esta distinção resultou da escolha pessoal do Luís Rainha mais umas sugestões recebidas pelos mais variados meios (sic).

A categoria onde este espaço obteve o destaque em causa foi a de "Escrita Mais Pomposa".
O Luís, meu antigo parceiro no Afixe, explica porquê.

Publicado por sharkinho às 12:20 PM | Comentários (21)

dezembro 11, 2006

FAROESTE SICILIANO

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No país do faz de conta que ninguém vê, uma fulana provavelmente despeitada decide meter a boca no trombone. Escreve(?) um livro, não faz a coisa por menos, e conta a toda a gente um crime no qual foi conivente e silenciou até lhe dar na bolha.
Ora bem: a pessoa em causa assume-se pagadora de um serviço prestado a outrem. Esse serviço constava de um espancamento a um autarca como castigo por denúncias suas que entalavam o mandante da vingança a que a senhora, agora devidamente sacralizada pela confissão pública da sua baixeza, deu seguimento.

Posto isto (por escrito e com ampla cobertura mediática) temos um cenário curioso.
E não estou a falar da curiosidade de nenhuma investigação ter apurado o que a cúmplice agora revelou, mas sim do cenário previsível para o futuro desta situação.

Temos um agredido. Temos um mandante identificado. Temos uma cúmplice directamente implicada por confissão pública (o que, por inerência, garante que teremos conhecimento da identidade de quem executou a “sentença” mafiosa).

Temos mais uma vergonha impune (e muito lucrativa para a denunciante) na forja.

É o país que temos.

Publicado por sharkinho às 04:26 PM | Comentários (4)

ESPELHO DO OUTONO

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 09:11 AM | Comentários (9)

dezembro 10, 2006

A POSTA NO ÍNDICE DO WEBLOG

Gosto de rubricas. Não só porque evitam um gajo ter que assinar o nome todo no canto superior direito de cada uma das folhas de uma escritura, mas porque dão um ar muito profissional a qualquer blogue.
E ocorreu-me assim de repente uma novinha em folha. Explico como, para vocês compreenderem a mecânica complexa dos raciocínios de quem se vê obrigado a inventar cenas porreiras para entreter a malta que bloga.

Estava eu a olhar para o índice do Weblog, a sua principal razão de existência depois de tanto tempo a patinar nos Internal Server Errors, o pólo aglutinador (gosto muito desta expressão) de uma comunidade que o é de facto (mesmo que a gente não se conheça uns aos outros de lado algum) e que nos permite aquilatar da produtividade global dos tenazes que não desertam. Bom, pelo menos da produtividade dos que conseguem encontrar a janela de oportunidade de publicação aberta.

Ao contemplar todos aqueles títulos das postas que fazemos (à hora a que escrevo estas linhas estão lá dois títulos de minha lavra), surpreendido por tantos de nós encontrarem ânimo e inspiração para postar num Domingo véspera de dia útil maldito (os que se seguem a um fim-de-semana prolongado), percebi que alguns títulos prestam-se a trocadilhos fixes e acabam por constituir um indicador de quais os temas que absorvem a criatividade de quem bloga no Weblog.

E zás! Vou criar uma rubrica (isto era eu a pensar, todo eufórico por conseguir extrair uma conclusão no final de uma ponderação praí de uns quinze segundos)!

É esta. E como me estiquei na introdução (aprecio-as prolongadas, como os melhores fins-de-semana), passo a citar e comentar os primeiros da série, recordando que não pretende esta rubrica substituir de alguma forma o imobilizado Posto de Escuta ou mesmo de forma parcial o impagável Apdeites.
São só títulos, comentários curtos e o linque dos blogues em causa (naturalmente apenas os alojados nesta plataforma tão única que nunca se sabe quando terei títulos ao dispor para destacar).
Espero que gostem e que seja mais um instrumento de análise à mecânica complexa dos raciocínios de quem se vê obrigado a inventar cenas porreiras para entreter a malta que bloga (eu sei que já disse isto, mas não puxem demais por mim que já esforcei demais a carola para um dia em que até Ele descansou).


Política e Obituário

Pinochet e o milagre com pés de barro – Só podia ser um título do Aspirina B. Esquerdalha gozona, claro. O homem morre (tão novo ainda, coitado) e eles associam-lhe ao nome, como quem não quer a coisa, a palavra “milagre”. Uns ateus do camandro, vê-se logo que é mesmo para debochar com a trágica perda que a direita mundial sofreu.
Esperem pelo troco quando se apagar o Fidel…
E mais: o milagre tem pés de barro. É um milagre fraquinho, incapaz de se aguentar no estatuto que a divindade inerente ao conceito lhe confere. Porquê? Vê-se logo que é porque o homem demorou a bater a bota, é um milagrezinho da treta (para ser um milagre com pés de betão, teria que ter falecido pelo menos uns setenta anos antes).
Só quem não acompanha o Aspirina não topa estas manhas nas entrelinhas dos seus títulos.


Culinária e Flatulência

Feijoada à Brasileira Completa – Ter-me-ia passado despercebido este título do Culinária Daqui e Dali, não fora a palavra “completa”.
Qualquer português sabe que uma feijoada só fica completa quando lhe associamos o efeito póstumo, a reacção orgânica que obriga as escritoras portuguesas da moda a acenderem cigarros nas ocasiões mais impróprias.
Por outro lado, e um título é um mundo de possibilidades, se associarmos o “completa” não à feijoada mas à brasileira temos todo um samba visual sobre a mesa.
A malta (nós gajos) pensa em “brasileira completa” e vem-nos logo à ideia um manjar de iguarias…
Daí a distinção que confiro a este título. Completíssimo.


Cinema e Jogo “a doer”

Puseram o pano verde e agora não vão a jogo – Confesso que não li ainda este post do Ideias Soltas, mas o título já é quase um post.
O que nos ocorre assim de repente? Casino Royale, o mais recente Bond. Um tema muito actual, portanto, como é mais ou menos regra na blogosfera. Porém, a referência ao “pano verde” pode suscitar uma alusão subreptícia ao recente desaire leonino nas competições europeias de futebol. Pela cor do pano, logo seguida da alusão ao facto de agora não irem a jogo (uma clara paródia à ausência de uma bolinha a dizer Sporting Lissabon no próximo sorteio da Liga dos Campeões. E da Taça Uefa. E de qualquer competição futebolística de dimensão europeia na época que ainda mal começou).
Cruel. E ainda por cima, não há coincidências, ouvi dizer que o autor do blogue tem simpatias portistas…

E por hoje não me alongo mais para não esgotar a pilha e para ver como é que a malta reage à coisa. Se acharem piada, insisto. Senão, arrepio caminho que nisto da guerra blogueira de audiências um gajo não pode apostar nos cavalos errados.
Sobretudo agora que já puseram o pano verde e tudo…

Publicado por sharkinho às 11:52 PM | Comentários (1)

ISTO É CULTURA!

Se dúvidas havia acerca do cariz literário de todos os produtos blogueiros com a assinatura Sharkinho e considerando o mais badalado lançamento livreiro do momento em Portugal, digam lá se o nome da casa alternativa de Eu, Sharkinho não diz tudo o que os cépticos precisam de saber acerca da literacia, da cultura, do amor incondicional às letras deste vosso humilde escriba...

Publicado por sharkinho às 10:05 PM | Comentários (2)

LA REVUELTA DE LOS PASTELES DE NATA

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Foto: Shark

Agora mesmo, na Dois, uma fulana popularucha chamada Ana Brito e Cunha (só com uma das grandes podia chegar ali, considerando a sua intervenção) dissertava acerca das relações Portugal-Espanha na sequência de um sketch do programa A Revolta dos Pastéis de Nata.
O apresentador referia a proliferação de empresas espanholas em Portugal, por contraponto à inversa.

E a Aninhas, muito gira sei lá, a avançar para as câmaras com a sua explicação indignada para contrapor à paródia "xenófoba": a Espanha é duas vezes maior do que Portugal...

Bruá na assistência e o apresentador a não conter o riso. "Duas?" - perguntou ele a dar uma goela à Aninhas, muito gira sei lá, para emendar a calinada.
E ela: duas ou três.

E repetiu: "Duas ou três".

O apresentador teve misericórdia e deixou-a prosseguir sem se desmanchar às gargalhadas.
Eu não.
Fica aqui o registo, para memória futura.

(Já agora, who the fuck is Ana Brito e Cunha?)

Publicado por sharkinho às 07:46 PM | Comentários (7)

A POSTA QUE É CLARO QUE FICO CHATEADO

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Desde pequeno dou atenção à publicidade e parece-me que não sou o único, a avaliar pela forma como alguns anúncios se agarram às tolas da malta durante décadas.
Estou a exagerar? “Dundum é o fim!” (Digam lá se não se lembram da música associada?). “Claro que fico chateado!” (Nunca usaram esta expressão com o mesmo tom do Ricardo?).

E não preciso de ser mais exaustivo. São muitos os spots que se agarram a nós como lapas e até servem para nos referenciar momentos do passado que incluíam a publicidade aos produtos mais badalados de cada época.
É a prova mais simples da importância que a publicidade conquistou na sociedade da minha geração e mantém na que lhe sucedeu.

Por isso continuo a observar a publicidade e a ver como ela reflecte em boa medida cada tempo que se anuncia, tal como denuncia o perfil do consumidor de cada época. A pasta medicinal Couto (que andava na boca de toda a gente) e o restaurador Olex (um preto de cabelo louro ou um branco de carapinha) são espelhos do tempo em que se popularizaram na então relativamente jovem têvê.
Agora basta uma vista de olhos nos cromos da bola (o Abel Xavier) ou da música (o Marco Paulo dos primeiros dias) para encontrarmos aquilo que os criativos da altura consideravam uma impossibilidade (uma aberração?).
E os publicitários já não são descarados a impingirem os produtos associando-os à capacidade de girar uma cadeira pelo ar, presa pelos dentes de um malabarista.

Contudo, é flagrante a forma como, por exemplo, as grandes superfícies tipificavam tempos atrás os seus alvos de mercado como uns imbecis ou totós. Tal como é claro na nova campanha da Tv Cabo (por €15,50/mês uma família desertora, incluindo a empregada doméstica - cujo sotaque nortenho é obsoleto e deveria ser mais em tons tovarich…) e na inefável Dareway (um veículo farsola que é anunciado por dois fedelhos “cheios de classe”, vestidos e maquilhados como uma dupla gótica) que os tempos são outros e a publicidade abardinou.

E por abardinou quero mesmo dizer avacalhou, sendo hoje possível assistir mais do que nunca a anúncios dos quais ninguém percebe o alcance, a outros que nos deixam atónitos pelo teor paupérrimo da sua concepção e a alguns que vendem mensagens com pouco de politicamente correcto – não são raras as ocasiões em que os publicitários “remodelam” os seus spots depois de se aperceberem da estupidez e da falta de bom gosto neles reflectida.

Vejam a nova e insistente campanha de natal da TMN, por exemplo. A vanguarda da piroseira móvel, sem pés nem cabeça, num ambiente pseudo-futurista e descaradamente desprovido de uma imaginação coerente com a inteligência de quem produziu algo que bombardeia os telespectadores em doses intoleráveis.
Ou mesmo a da concorrente Vodafone, ainda a explorar o “filão” dos gajos roucos de tanto falar mas com um spot baseado nos Reis Magos que, francamente, a mim não convenceu a comprar seja o que for.

Claro que o objectivo destes colossos das comunicações é cravar-nos o logótipo na mona como se fossemos vacas acéfalas no curral consumista. Mas não vejo porque desperdiçam recursos a massacrar as audiências com cenas idiotas quando podem seguir excelentes exemplos da publicidade que vemos ganhar concursos lá fora. Como alguns a que temos o prazer de assistir, baseados numa estética agradável e apelativa ou numa abordagem inteligente que nos leva a comprar a ideia sem abdicar do nosso bom gosto. E não estou necessariamente a falar das pernas da polaca loura que transformou a Pluma da Galp na bilha mais leve e memorável da publicidade portuguesa.

Onde quero eu chegar com esta palheta toda? Ao facto de ser um desperdício a forma como (uma parte d)os criativos não possuem ou deixam que os anunciantes lhes restrinjam a capacidade de anunciar com brio, com respeito por quem vai levar com o resultado do seu trabalho a cada esquina e em quase todos os pontos onde nos pousa a vista.

É que no meio das dezenas de spots que as televisões me impõem nos intervalos das suas séries, filmes, ou programas chachada da moda não encontro mais do que meia dúzia concebidos com aquele cuidado e talento que me fizeram fixar até hoje a Bic laranja mais a Bic cristal ou os fechos de correr Polylon (que já entalavam pilas há mais de trinta anos).

E sempre gostava de perguntar na cara do gajo que criou a Leopoldina, um pássaro vestido à fiel de armazém, se ele acredita que aquilo é uma referência decente para o Natal dos ávidos aprendizes de consumista que estamos a criar nesta altura.

Publicado por sharkinho às 06:58 PM | Comentários (5)

A POSTA PRA VER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 01:24 PM | Comentários (5)

DEIXA-ME ENTRAR

jogo de luz.jpg
Foto: Shark


Como uma ligação à corrente, energia pulsante que se apodera de mim.
Como uma calma aparente, uma pose distante, que controla o frenesim.
No interior a batalha disputada em silêncio, abafada no seu fragor para não incomodar as palavras que saltitam como notas vivas nas pautas mágicas de uma sinfonia.

Como um raio de luz libertado do seio da escuridão, relâmpago e trovão.
Como a ponta da varinha de uma fada madrinha que me toca e enfeitiça.
Lá fora a paz oferecida em miríades de tons, a alegria nos sons estridentes das crianças que brincam a felicidade tão espontânea numa idade onde um sorriso pode bastar.

A visão do paraíso no céu do teu olhar.

O coração a galope na pradaria, a emoção de uma fantasia que realizamos a dois.
E regressamos depois ao ponto de partida, a nossa pele despida das roupas e a alma nua de falsos pudores. Os braços que te apertam nos sonhos que te alertam para a urgência de me amares enquanto respirares e, quem sabe, para lá do que julgamos um fim.

A visão do paraíso tão perto de mim.

Como um destino traçado num quadro pintado pelos anjos da guarda que zelam por nós.
Como uma profecia soprada pelos deuses ao vento que canta nas folhas o som da sua voz.
Ao longe no horizonte o sol que representas no amor que me sustentas, a viagem que mal começou nesta vida que me embarcou rumo ao porto da sorte que sorri.

A visão do paraíso.
E eu a caminho de ti.

Publicado por sharkinho às 01:48 AM | Comentários (23)

dezembro 09, 2006

WONDERLAND

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 11:14 AM | Comentários (6)

dezembro 08, 2006

A INVENÇÃO DE GARDEL

tango magic.jpg

Existem pessoas cuja passagem pelo mundo deixa um rasto mais intenso, uma marca indelével que muitas vezes nem associamos a alguém em concreto mas que acaba por influenciar aspectos importantes da nossa vida.
Alguns dedicaram-se a salvar vidas, a mudar o rumo da História ou a contribuir com o seu génio para enriquecer a Cultura.
Outros apenas contaram com a dedicação extrema a uma qualquer actividade humana.

Foi o caso de Carlos Gardel (Charles Romuald Gardés), que se presume argentino mas terá nascido em França (Toulouse). E essa conotação imediata deste nome com a terra das pampas deriva precisamente do facto de ele ser a maior referência mundial quando se fala de tango.
E se é incerta a verdadeira origem deste género musical e de dança dita de salão que se atribui aos prostíbulos de Buenos Aires do início do Séc. XX, ninguém pode negar à memória de Gardel o facto de ter sido sua a invenção do tango tal como hoje o admiramos.

O tango representa acima de tudo romance, paixão intensa, harmonia perfeita entre uma mulher e um homem que se desenham na pista ao ritmo de uma música que fala de sedução. E é aqui que entra a figura do señor Tango, um homem que abraçou esta forma de expressão com um charme latino e com um empenho que o imortalizou por imediata associação de ideias.
Cantor e actor, El Morocho conferiu ao tango a aura romântica que ainda perdura. Se à valsa ligamos a dança “nas nuvens” sob a luz dos candelabros palacianos, o tango é a expressão mais carnal e intensa da magia que emana de um par mergulhado num ritmo e numa forma de estar.

E por forma de estar entendo aquela que distingue os latinos dos restantes no que concerne ao amor e à sensualidade, reconhecida globalmente, e que urge preservar como qualquer outro traço que nos diferencia de entre a população mundial.
Nessa perspectiva, o tango é um símbolo que se ouve e se dança.

Com um olhar em chamas e uma alma incendiária.


Publicado por sharkinho às 10:39 PM | Comentários (19)

CALMARIA

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 04:14 PM | Comentários (6)

DIVORCIADOS DA RAZÃO

Estavam casados há uns anos e a coisa não resultou. Cada um para o seu lado, o dia ganho pelo advogado no litígio que depressa assumiu o descontrolo da situação. O costume, em boa parte das relações conjugais que se apagam como velas ainda cheias de cera e de pavio. Sopradas pelo vendaval da discussão.

Foi ela quem saiu, coisa rara, e não cuidou de alterar a morada nos contratos que só a si interessavam. O seguro do carro, por exemplo. Cujo aviso de pagamento ele terá recebido na caixa de correio que ambos partilharam enquanto a harmonia reinou. Tudo se esfumou ao vento, as coisas boas também, tábua rasa. O aviso não chegou às mãos a que se destinava e o seguro caducou.
Ela não reparou até ao dia em que se viu culpada de um acidente de viação.

O ex, que terá talvez todas as razões válidas para a odiar (e nem isso justificaria um acto/omissão tão irresponsável), comportou-se de uma forma ingrata, infantil e leviana. Canalha, se quiserem. E é fácil de ver porquê.
As relações entre as pessoas são difíceis de manter, sobretudo quando às diferenças se somam as divergências, o despertar sem maquilhagem, o wc partilhado e o fim do amor ou da pachorra. Por isso as relações podem acabar, de uma forma tão natural como começaram. E entretanto acontecem uma data de coisas boas e outra data de coisas más.

Nenhuma delas pode justificar o risco de mandar alguém que um dia no passado uniu o destino com o seu, a fé que nos move até que a vida os separe, para uma armadilha que pode implicar coima pesada, apreensão do veículo e, se as coisas correrem mesmo mal, uma pena de prisão.
Não consigo encontrar sentido numa "vingança" assim.

Gosto de pessoas. Mas ele há dias...

Publicado por sharkinho às 01:44 AM | Comentários (12)

dezembro 07, 2006

SAIL AWAY

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 03:44 PM | Comentários (11)

GRITO DE GUERRA

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Receber o impacto no peito e desafiar o agressor. Por não vacilar, escudado o medo por detrás do orgulho couraçado e da fraqueza feita força capaz de aguentar uma nova investida.
Assentes os pés na terra, gravidade aumentada. A coragem duplicada que gera uma raiz para prender o tronco ao chão quando deflagra a segunda explosão destinada a demolir a resistência feroz.

Um passo atrás, pela onda de choque da detonação. Ranger os dentes, vencer a dor. Avançar teimoso e recuperar a posição original, olhos nos olhos da besta infernal. Cada vez maior na sua percepção distorcida de uma vítima enfraquecida que se agiganta, animal ferido, em cada golpe da baixeza de um chicote frustrado pela falência da humilhação presumida.
Escravo rebelde, insurrecto. As marcas no peito de outras pancadas que a vida lhe deu, cicatrizadas.

A cura improvável na constituição vulnerável de um mero pigmeu, saradas pelo desespero essas feridas que o tempo tratou. Reforçado pela sobrevivência, inesperado na persistência das suas lides de forcado às marradas de um quotidiano traidor.
O poder do amor e o tónico da esperança que alimenta a confiança, espada reluzente imaginada numa das mãos daqueles braços abertos. Como galhos erectos naquele tronco nu.
Como armas letais, as palavras escritas. A guerra que gritas tu, resistente, no campo de batalha onde jazem apenas os que desistiram de lutar.

A vontade de vingar a perda sofrida, a dor infligida pelos golpes cada vez menos fortes que a experiência decifrou. A mazela que calejou, endurecimento a cada tormento enfrentado de pé. Olhos nos olhos da besta até a vergar, insistir em minar a sua arrogância por renegar a desistência prevista no plano boicotado assim.
Suportar até ao fim as suas bicadas de rapina e devolver-lhe com dentadas de surpresa, semear a incerteza onde antes residia o dado adquirido do triunfo final.

O combate desigual sem vencidos ou vencedores. O empate que adia a questão até ao dia da sublevação generalizada dos lutadores.
A força imparável de uma revolução inseminada pelo exemplo que se deu.

O sonho que se perdeu na desilusão de um mau dia.
Renascido invencível do ventre de uma utopia.

Publicado por sharkinho às 10:42 AM | Comentários (5)

dezembro 06, 2006

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

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Fotos: Shark

Publicado por sharkinho às 01:01 PM | Comentários (10)

A POSTA NA DIREITA REACCIONÁRIA (E SALOIA)

Como se previa, Hugo Chavez foi reeleito. E também seria fácil de antever a dor cotovelar da direita reaccionária (e saloia) que, como é tradição, excita o paleio ao ponto de evidenciar uma “cultura democrática” que oscila entre o bronco clássico e o pseudo-fascista refinado.
Nem costumo enveredar pelo discurso mais radical, até porque pouco me ralo com as idiossincrasias alheias quando estas não passam de vozes incapazes de atingirem o céu.
Porém, o exagero boçal em que a direita reaccionária (e saloia) incorre quando sofre um desgosto daqueles que os povos que votam (uma chatice, pois é) sabem proporcionar, nomeadamente a fantochada pictórica com associações de ideias próprias de uma visão política Neandertal, obriga-me a puxar pelos galões da esquerdalha e dar-lhes no toutiço sem misericórdia.

Hugo Chavez foi reeleito. Ou seja, governou e a maioria do seu povo entendeu que governou bem.
Obteve mais de sessenta por cento dos votos contados. Quer isto dizer que o candidato derrotado nem tem margem de manobra para contestar os resultados com base na habitual alegação de fraude na contagem.
E foi sistematicamente atacado por uma Imprensa hostil, o que em qualquer ponto do mundo pode influenciar sobremaneira o pendor de uma eleição. O que implica duas coisas: a liberdade de expressão concedida à Comunicação Social venezuelana e a politização do eleitorado que não se deixou manobrar.

Por tudo isto, irrita-me a boçalidade má perdedora da direita reaccionária (e saloia) que vai longe demais nos seus considerandos e nas suas brincadeiras de mau gosto, trocadilhos parvalhões e afins, quando se refere a um processo democrático sem mácula que resistiu, entre outras pressões directas e indirectas, às manobras de bastidores que os sequazes de mister danger sempre orquestram e financiam.
E também à influência interna de grupos tão poderosos (sobretudo numerosos) como a comunidade portuguesa radicada (instalada) naquele país.

Comparar Hugo Chavez a símbolos históricos da ditadura, pegando pelos papões de algo que não se verifica de todo (o homem foi eleito democraticamente e até a um golpe de estado resistiu, porra!) é típico das mentalidadezinhas medíocres que prefeririam uma América Latina dominada por canalhas tiranos como o fóssil decrépito que (ainda não foi desta) tarda em prestar contas com o Criador pelas três mil vidas que a sua falange assassina dizimou.

A direita reaccionária sonsa (e saloia) não sabe perder e possui uma visão muito periférica destas questões da democracia que tanto os incomoda porque raramente beneficia as suas concepções de como uma sociedade se deve gerir.

O fascismo encapotado, hipócrita, tem destas debilidades. Quando a coisa dá pró torto, as baratas tontas começam logo a destapar as suas essências camufladas e revelam a propensão para o disparate nos argumentos e para a desorientação nas atitudes que lhes desmascaram a postura impostora por detrás da bonomia de um discurso aparentemente equilibrado e cordial.

Quarenta e oito anos deixam marcas, pois é…

Publicado por sharkinho às 11:44 AM | Comentários (9)

EU GOSTO DE ANIMAIS

cao no terraco.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 11:41 AM | Comentários (9)

A POSTA NO DESPORTO REI

Apetece-me falar um pouco de futebol. Nem que seja apenas por ser gajo e, regra geral, nós gajos ligamos a esse incontornável fenómeno. Nem que seja só para chatear quem insiste em apontar esse magnífico desporto como uma espécie de palhaçada para entreter iletrados e outros burgessos, numa abordagem rasteira equivalente a avaliar o cinema com base nas opiniões de quem só viu o Cantiflas ou emitir opinião acerca do nível dos actores portugueses com base nos episódios da Floribella.

Eu aprecio futebol com a moderação de quem mantém uma prudente distância do folclore habitual que o rodeia. E dos estádios, que raramente frequento (há uns anos atrás ia à bola umas trinta vezes por ano). Sou benfiquista, contam-me, por influência do meu padrinho (grande impulsionador do antigo Lar do Benfica, onde até o Eusébio pernoitava). E joguei muito futebol, na rua, no liceu e como federado nos clubes do bairro e da freguesia (o ilustre "fófó").

Tudo isto para que não estranhem, não se perturbem ou se enojem pelo facto de esta ser uma posta dedicada ao futebol. E não será filha única.

É que hoje o Sporting sofreu uma das mais inesperadas e incompreensíveis derrotas da sua história como clube, sendo afastado das competições europeias da modalidade por uma equipa russa que já havia provado ser muito inferior à dos leoninos.
E eu, mesmo lampião, não gosto mesmo nada de assistir a uma derrota dos vizinhos da segunda circular perante equipas estrangeiras. Não gosto e sofro quase tanto como se fosse o Glorioso a tombar dessa forma escusada. Isto não é hipocrisia, quem me conhece sabe que a primeira vez que chorei num jogo de futebol foi quando os lagartos foram eliminados no velho José de Alvalade pelo Barcelona (2-1).

O futebol não se resume aos Pintos da Costa, aos Majores Valentins, aos José Veigas e outros figurões do lado pimba da coisa. É um fenómeno à escala mundial, muito mais importante para a vida de milhões de cidadãos do que a maioria dos assuntos com que enchemos os nossos posts. Doa a quem doer.
É uma delícia, quando os mais exímios praticantes logram um desempenho livre dos condicionalismos que a pressão da Imprensa, do dinheiro e dos vários poderes que atrofiam talentos e falseiam resultados exercem.

Mas não quero fugir ao tema principal. O Sporting perdeu porque mereceu perder e não devia. Mas eu sinto-me desolado por esse facto e insisto em deixar aqui a minha solidariedade para todos os leitores adeptos do antigo rival e agora companheiro de desdita.

Ah pois... É que amanhã não escrevo sobre o assunto quase de certeza...

Publicado por sharkinho às 01:21 AM | Comentários (10)

A POSTA PRA VER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 12:42 AM | Comentários (9)

dezembro 05, 2006

É QUANDO EU QUERO

E não quando o Weblog deixa.
Daí, a minha posta de hoje está AQUI.
E de futuro, sempre que estranharem a ausência de uma posta é bem provável que a encontrem no espaço supra.
Quem tinha o linque da CASA DE ALTERNE, agora ocupado pela malta do Viagra, basta adicionar um 2 a seguir à palavra "charquinho". Fica então: http://charquinho2.blogspot.com.
Somando o funcionamento irregular das caixas de comentários à aberração de estar horas sem conseguir aceder à edição do blogue, é cada vez mais tentadora a publicação em plataforma alternativa.

A CASA DE ALTERNE (reloaded, para ser mais in) passa a constituir a opção sempre que o Weblog falhar. Adivinho que passarei bastante tempo no editor do blogger (que no caso não é beto).

Publicado por sharkinho às 05:34 PM | Comentários (5)

dezembro 04, 2006

BLACK & WHITE

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 11:38 AM | Comentários (12)

A POSTA NA TEMÍVEL CRÍTICA BLOGUEIRA

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Isto um gajo quando posta é sempre preso por ter cão e preso por não ter.
Se falamos de nós e da nossa santa vidinha somos uns vaidosos, umbiguistas, só temos trampa na carola, mania que somos bons e o camandro. Olhó gajo, anónimo da treta, deve julgar que interessa a alguém se foi à bola ou se gostou de dormir com uma fulana ou o raio que o parta. Bom, vocês já sabem do que estou a falar.

Por outro lado, se tentamos evitar a raiva de quem nos detesta tanto que nem consegue deixar de clicar no linque odioso só para poder chamar-nos nomes ou escrever muito depressa (para publicar uns dias depois para evitar dar nas vistas) um post a insultar a nossa mania das grandezas e a reduzir-nos a pó virtual, se fugimos a essa tentação de usar o nosso blogue para falar do dono e enveredamos pelos temas de noticiário, coisas triviais, cai-nos logo em cima uma meia dúzia de coléricos/as.
Olhó gajo, sem piada nenhuma, a falar de cenas de treta. Sonífero, sem interesse, corriqueiro, só banalidades, a refugiar-se prá malta não lhe topar as emoções.
Pila mole, cobardolas.

Sobra-nos, e muitos/as adoptam essa saída de recurso, buscar na Cultura o refúgio sagrado para postas agradáveis e que até nos permitem angariar uma reputação muito intelectual. Ninguém tem pachorra para os nossos espichos (que os intelectuais a sério, as pessoas cultas, têm mais o que fazer do que escrever blogues) e temos o contador às moscas, mas sempre se aproveitam os linques nos blogues como o nosso (muito cultos) e aproveitamos para encafuar mais uns pós de sabedoria de algibeira na nossa cachimónia e nas dos básicos que blogam acerca de si próprios ou de temas sem nexo como política, gajas ou futebol.
Mas nem assim nos livramos de uma trollitada de um/a colega daqueles/as que nos detestam tanto que têm mesmo que acompanhar o nosso percurso para poderem depois denunciar a arrogância com que enveredamos pelo armar ao pingarelho.
Olhó gajo a citar o Kafka e a dissertar acerca de um quadro do Van Gogh. Deve ter a mania que é o Abrupto dos pequeninos…

Claro que um tipo fica a bater mal e sem saber como ocupar o tempo de antena minúsculo (cerca de um minuto por visita, em média) que meia dúzia de pessoas investem na apreciação do que nos dá uma trabalheira do caraças e milagres como o do Gato Fedorento só acontecem aos muita bons e às muita amigas das pessoas certas.
Muitos/as de nós ficam tão desprovidos/as de opções que investem na citação sistemática do que outros fizeram. Letras de canções, fotografias, poemas, frases célebres, vale tudo para manter entretida a audiência sem termos que nos entalar perante a temível crítica blogueira.
Esta é a abordagem mais sensata, no meu entender, pois defende-nos de todo o tipo de ataque pessoal (nada de nosso transparece no blogue) e “profissional” (se o que publicamos é da autoria dos outros – até os lincamos ou citamos – se estiver mal feito a culpa é deles).

Contudo, e gajos estupidamente teimosos reservam sempre um porém, um todavia ou um contudo na manga, uma das poucas coisas de que um gajo se pode gabar quando cria e mantém activo um blogue é precisamente ser ele a mandar na cena. Podemos não mandar na mulher, nos filhos, no chefe, no patrão, na assembleia de condóminos ou seja no que for. Mas no blogue podemos exercer o poder, somos os editores, mandamos à brava e ninguém pode fazer nada para nos impedir de fazermos o que nos dá na gana.
É uma sensação magnífica, esta de escrever uma posta e zás! Ou de tirar uma foto e zás outra vez!
Umas atrás das outras, tudo nosso, bom ou mau, toma qué práprenderes ò pessoa que me detesta mas tá sempre caídinha no charco, ah poizé, ou pessoa que até me grama mas tem que se achantrar quando a cena não tá muito baril pois esta treta é oferecida, completamente grátis, e a posta dada não se olha o dente, a vida é mesmo assim.

Claro que a pessoa, nem que seja para dificultar a vida à temível crítica blogueira, esforça-se para fornecer (totalmente “à pala”, de bórliu) material em condições, dentro da medida do possível.
E essa medida só é possível se for a nossa, o que verdadeiramente valemos e o que bem ou mal somos mesmo capazes de fazer. Se for a menos, não enchemos as medidas a ninguém. E se for a mais transborda, como um lençol deste tamanho (por exemplo) ou uma treta muito elaborada mas que toda a gente percebe (consultando os arquivos, por exemplo outra vez) que ou foi plagiado, ou foi adaptado, ou foi outra coisa qualquer que não nós mesmos (a bagagem não aparece de repente à porta dos/as incapazes e a malta estranha logo os rasgos isolados de génios por descobrir).

Mas mesmo esta paupérrima reflexão acerca de um tema pacífico (porra, se um gajo não pode escrever sobre a blogosfera…) é susceptível de despoletar o rancor da temível crítica blogueira.
Olhó gajo a escrever uma carrada de linhas acerca de coisa nenhuma. Tanto paleio, tanta converseta e afinal nicles. Nem uma conclusão para o (alegado) raciocínio que nos ocupou praí uns dois minutos e picos. É mesmo uma nódoa, a mim nunca enganou…

É verdade. Com um décimo das palavras podia ter dito a mesma coisa e encerrar com chave de ouro com a tal conclusão que nos confere legitimidade blogueira perante a temível crítica da especialidade.
Até o fazia com menos, querem ver:

É só para dizer que o Charquinho é o meu blogue, publico o que me apetecer, só aceito críticas fundamentadas no que faço e não no que sou e nunca sob o manto cobarde do anonimato de quem, bem vistas as coisas (e essas coisas vêem-se), se estivesse ocupado/a a fazer melhor do que eu não teria tempo para vestir a pele da temível crítica blogueira e escarnecer o trabalho dos outros para disfarçar a sua confrangedora inépcia de gente que não interessa nem ao menino Jesus.

Dizia o mesmo, mas dava-me menos gozo. E sem esse, então é que esta cena não tem mesmo ponta por onde se pegue.

Publicado por sharkinho às 09:12 AM | Comentários (10)

dezembro 02, 2006

TUDO DITO

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Publicado por sharkinho às 02:05 AM

dezembro 01, 2006

A POSTA FORA DA LEI

Já há uns meses que o grupo congemina um plano para que nada possa correr mal. Detalhes acertados em diálogos cifrados para despistar as escutas, tudo definido ao pormenor. Um esquema traçado por verdadeiros profissionais da coisa, calejados por situações precedentes em que o resultado…
Bom, o resultado foi sempre o mesmo e todos escapámos impunes.

Amanhã vou de novo fazer parte de um comité que executará a sentença letal, numa cerimónia sangrenta. E ilegal.

Nada me move contra o alvo seleccionado. Aliás, nenhum dos membros deste gang improvisado possui questões pessoais ou outras que possam justificar o acto que, sem dúvida, praticaremos com a limpeza do costume. Tudo muito rápido, eficaz, implacável e assassino.
Não se pode hesitar, agora que a vítima potencial já se encontra em nosso poder. Cativa num espaço exíguo onde vive neste momento as suas horas derradeiras, ignorando o destino que lhe está reservado. Um final marcado para as primeiras horas da manhã.

Não sei se pressentirá o momento da agonia pouco antes de o arrastarmos ao cadafalso, pouco me interessa. O seu último suspiro acontecerá minutos depois.
E de seguida o ritual macabro de esquartejamento da única prova do crime que algum dia existirá.
Ninguém saberá, excepto os envolvidos, o que está na origem do seu desaparecimento.
Ninguém saberá como morreu numa manhã escolhida ao acaso pelos seus algozes de avental, gente anónima e comum. Clandestinos, como eu o serei na ocasião.

Confio plenamente nos meus cúmplices nesta matança, não há chibos entre nós.
E estou certo de que o porco, mesmo que conheça a legislação comunitária que o pouparia a tal fim, não conseguirá gritar alto o bastante para nos denunciar.

Jorrará o sangue nos alguidares e depois fazemos uns chouriços, umas morcelas, umas febras. Tudo bem regado com um tinto regional…


NOTA: Esta era a posta de ontem. Não foi publicada pelo motivo do costume. Se não sabem que motivo é esse, perguntem à malta que cuida do Weblog.

Publicado por sharkin