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dezembro 17, 2006

TRUE COLORS

ceu encharcado.jpg
Foto: Shark

Tenho medo que as palavras acabem. Por isso as falo e as escrevo enquanto duram, as palavras que ainda são minhas mas podem um dia acabar com esta relação como acontece em qualquer grande amor (é disso que se trata, afinal).
Por isso as falo e as escrevo. Quantas vezes demais.

As palavras, enquanto duram, podem trair. No amor também pode acontecer a traição. Mas as palavras, que são mesmo minhas, merecem que nelas deposite inteira confiança. Até porque esse é um dos valores sagrados na amizade. Como no amor.

Falo da confiança que as palavras traem, sempre que me denunciam como um homem com fraquezas que outros conseguem esconder. Porque não as falam, não as escrevem, não lhes entregam de forma honesta a integridade das suas emoções, boas ou más. Se calhar não as amam como eu, mantêm uma relação prudente, sempre com um pé atrás, para evitarem o percalço de uma inconfidência que desvende mistérios que pretendem esconder.
Preferem não as falar ou escrever, abdicam dos momentos de paixão nas camas que façam para nelas não terem que se deitar depois. Sem mais palavras para dizer, silenciadas pela vergonha, censuradas pelo medo de falarem demais.
Preferem um silêncio (que nem parece) comprometedor.

Eu exponho-me ao mal que as palavras podem fazer quando a elas nos entregamos. Deixo-as viver à sua maneira, livres para cumprirem a sua função.
Enquanto duram, as minhas (que o são). E o seu único sentido não é o proibido que as cala mas o obrigatório que as justifica enquanto palavras para dizer. Mesmo que se possam virar contra nós, estupidamente sinceras na euforia da libertação que constitui a verdadeira razão para a sua existência.
As palavras são felizes na liberdade que só a verdade lhes oferece e definham no degredo das omissões.

Por isso as prefiro todas escritas ou faladas.
Tenho medo que acabem caladas.
Como acabam tantas paixões.

Publicado por sharkinho às dezembro 17, 2006 02:29 AM

Comentários

Que nunca se calem as tuas palavras porque é nelas que vamos vivendo um mundo inteiro. De emoção, de paixões, de amor e amizade, de realidade, de espanto.
Gosto das tuas palavras.

Publicado por: Mar às dezembro 17, 2006 12:08 PM

E eu gosto de te saber a gostá-las, Mar.
Valorizo muito, como bem sabes, a tua receptividade ao que tenho para dizer.

Publicado por: sharkinho às dezembro 17, 2006 12:27 PM

Roubaste-me todas as palvras. Fiquei sem nenhuma. Ainda bem. Assim leio sem as pensar. Fica-me para apreciar a beleza das palavras quando escritas como tu as escreves.

Publicado por: susete às dezembro 17, 2006 08:09 PM

Bem, mas vocês hoje querem estragar-me com mimos virtuais...
Ou então, modéstia flagelada, o texto tá mesmo fixe (pelo menos na perspectiva alentejana da malta habitué do charco) :)

Publicado por: sharkinho às dezembro 17, 2006 08:32 PM

Pois, é que os Alentejanos além de "fatalistas" apreciam a força das palavras e as suas sutilezas. É a sensibilidade de quem as medita e as usa na fala e na poesia, os alentejanos/as são assim.

Publicado por: susete às dezembro 18, 2006 01:12 PM

Sharkinho, é um texto magnífico que escreveste aqui.

Publicado por: claudia às dezembro 18, 2006 01:17 PM

Espero que continues apaixonado pelas tuas palavras não caladas. Escritas ou faladas ganham vida e fazem nos sentir vivos tanbém.

Publicado por: celia às dezembro 18, 2006 01:53 PM

Espero que continues apaixonado pelas tuas palavras não caladas. Escritas ou faladas ganham vida e fazem nos sentir vivos também.

Publicado por: celia às dezembro 18, 2006 01:58 PM

Sabes amigo... Também existem aquelas palvaras que nos emudecem... Aqueles, que não se dizem e se sentem... e que por mais que as gritemos, só as ouve... quem as sente...

Mais beijos
Pois já tinha percebido, que os coments andam dificeis por estas bandas...

Publicado por: Partilhas às dezembro 18, 2006 04:19 PM

Atão, Susete, posso considerar-me um nadinha alentejano? Posso, posso? :)

Publicado por: sharkinho às dezembro 18, 2006 08:31 PM

Excelente, Cláudia. Hoje em dia já só consigo impressionar-te com fotos, fico feliz por conseguir estender essa boa impressão a um textozito de vez em quando... :)

Publicado por: sharkinho às dezembro 18, 2006 08:46 PM

Eu sou um homem apaixonado, Célia. A cada momento do meu dia. Ou não funciono como pessoa.
As palavras são apenas uma das minhas paixões.

Publicado por: sharkinho às dezembro 18, 2006 11:05 PM

Tens razão, Partilhas. Mas vale sempre a pena proferi-las.

Publicado por: sharkinho às dezembro 18, 2006 11:06 PM

lolol. Nada, Sharkinho, isso deve ser a minha dor de cotovelo a falar ;-) Este texto está excelente e há outros também. Já te disse que há um de que gosto muito. O problema é saber onde é que ele está no blog.

Publicado por: claudia às dezembro 19, 2006 01:22 PM

Fala de quê, esse texto? Dá-me pistas...

Publicado por: sharkinho às dezembro 19, 2006 06:21 PM

Enviei mail para Sua Excelência: duas mulheres que se confrontam e as malas ou sacos à porta do apartamento ou casa. Gostei desse texto.

Publicado por: claudia às dezembro 19, 2006 09:12 PM

gostei.....já gosto de ti de novo

Publicado por: Maria às dezembro 23, 2006 01:35 PM

És prolífico ad nauseam, és poético ad natura, és sharkinho chegando logo após a cabeça do cavalo...
És uma suspiradeira - onde tua legião de fãns do sexo não tão oposto assim te atira seus suspiros litero-enamorados...que inveja...

Publicado por: sergio às dezembro 24, 2006 01:11 PM

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