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janeiro 29, 2007

A POSTA SINCERA

Num mundo pouco dado a sentimentalismos e onde a razão prevalece em quase todos os domínios da actividade humana e condiciona a maior parte dos gestos e das decisões, a sinceridade é sinónimo de fragilidade e pode constituir um sério obstáculo na maioria das circunstâncias em que alguém a adopte como regra.

As pessoas preferem jogar à defesa, perante os outros como perante si. Preferem o refúgio do silêncio que nunca compromete pois só a mentira é pecado e existem demasiadas coisas que se catalogam facilmente como segredos que não interessa divulgar. E com toda a razão, pelo motivo que consta do parágrafo acima.

Ganha quem mais esconde e prevalece quem melhor esgrime contra os incautos a postura desbocada que os trai. É a regra de ouro na política como em quase tudo o resto e raramente admite excepções.
E não vale a pena invocar a questão do certo e do errado, pois na hora da verdade não são os valores que se impõem mas sim a realidade prática do funcionamento entre as pessoas. E estas, regra geral, adoptam sempre o mecanismo de defesa em detrimento da ingénua “pureza” da frontalidade total.

São as estratégias mais eficazes que moldam os vencedores numa sociedade construída com base no que parece mais do que naquilo que é, mesmo que se trate de vitórias relativas e que nada de bom acabem por trazer seja a quem for na hora do balanço daquilo que se foi e que se conseguiu fazer.

E a sinceridade absoluta, apesar de destemida, nunca foi adoptada como critério de definição de heróis…

Publicado por sharkinho às janeiro 29, 2007 02:44 PM

Comentários

E, pelos vistos, também não grangeia grande vontade de tecer comentários...

Publicado por: Mar às janeiro 30, 2007 09:21 AM

É uma questão melindrosa, pois é...

Publicado por: shark às janeiro 30, 2007 10:30 AM

Eu acho que a sinceridade absoluta é bastante inerente ao mundo da criança. Quando ela cresce vai adoptando os tais critérios de defesa. Felizmente tenho amigos que ainda têm esse lado infantil e que só faz bem à nossa saúde mental:)

Publicado por: celia às janeiro 30, 2007 08:28 PM

Eu gosto de preservar o puto em mim, mas à minha volta não existe espaço de manobra para esse tipo de "liberdade criativa".

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 10:14 AM

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