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janeiro 25, 2007

PREFERIA-OS FELIZES

É visível o desconforto que grassa entre boa parte dos agentes da PSP e adivinham-se as tensões acumuladas no seio de um grupo cuja responsabilidade é imensa e desproporcional às compensações que o Estado lhe confere.
Os polícias são pessoas com uma missão ingrata a cumprir e lidam com o pior que a nossa sociedade produz. São a única barreira entre os criminosos, os marginais, e as pessoas decentes e arriscam o seu bem mais precioso para cumprirem essa função.
Não existe, em meu entender, qualquer justificação, qualquer argumento para explicar porque lhes é imposta uma desconsideração (aberração) tão evidente como, por exemplo, obrigar os agentes da autoridade a custearem a própria farda.

Por princípio, a remuneração de um polícia deveria ser elevada. Não apenas para compensar as mulheres e os homens que se prestam a uma tarefa tão exigente como também para reduzir ao mínimo a tentação que os possa corromper.
Mas não é.
Os polícias portugueses auferem vencimentos absurdos em função do que valem e do que se vêem forçados a suportar. E isso constitui um óbice para que muita gente de bem considere a hipótese de ponderar uma carreira policial, o que lesa sobremaneira a sociedade no seu todo.

O dinheiro é um símbolo de estatuto social, de prestígio de cada função. E isso não muda pela farda que se usa, pelo que a um vencimento paupérrimo corresponde, aos olhos da maioria das pessoas, um estatuto inferior.
É injusto que um polícia possa sentir-se nessa pele, tal como um bombeiro, um enfermeiro ou qualquer pessoa cujo ofício implique abnegação e altruismo (ou mesmo risco da própria vida) em prol de cidadãos que não conhecem de lado algum.

E que não primam pela gratidão se permitem que situações destas se eternizem como se o problema fosse de outros quando afinal é um problema de cada um de nós.

Publicado por sharkinho às janeiro 25, 2007 09:58 AM

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Comentários

Essa "tristeza" estende-se a demasiados sectores da sociedade portuguesa. Somos um país de tristes muito contentinhos. Lá vamos cantando e rindo...

Publicado por: Maria às janeiro 25, 2007 11:18 AM

Já não me lembrava desse "jovem" refrão, moça...
E podes crer que sim, é deplorável assistir à degradação moral e financeira de todo um país enquanto nos adormecem com medidas para encherem a vista e nos empobrecem com uma generalizada política do "cada um por si".

Publicado por: shark às janeiro 25, 2007 12:31 PM

Infelizmente é uma realidade. E esta profissão devia ser mesmo revista quer a nível remuneratório quer a nível jornalístico nos noticiários dos canais televisivos nacionais. E nem vou falar sobre legislação porque quem arrisca a vida para defender os cidadâos de alguns -5***** e os vê cá fora num piscar de olhos... é mesmo amor à camisola. Pelo menos para alguns.

Publicado por: celia às janeiro 25, 2007 06:58 PM

Ao ler este texto, a primeira coisa que me vem à mente é esta: alguém pagou para isto ser escrito. Ou não sabes do que falas, ou omites o outro lado do resto da realidade. E a imparcialidade é sempre triste.
É, a meu ver, um texto paupérrimo que faz do polícia o primo pobre da sociedade; "coitadinho", "pobrezinho". Seja como for, é sempre bom lembrar, que só é polícia quem quer. A porta está aberta para quem quiser sair, de preferência a quem se sente tentado a passar-se para o outro lado - a criminalidade - nas horas vagas.
O certo, certo, é que continua a haver mais candidatos a polícias que vagas existentes. Se calhar, não é assim tão mau, se calhar não custeiam tanto assim a farda...

Publicado por: matahary às janeiro 28, 2007 07:17 PM

Célia, basta recordarmos os que perderam a vida nos últimos anos, jovens na maioria, para lhes darmos o devido valor.
E quem não o reconheça é porque nunca levou um apertão nos calos que bem merecia para lhes perceber a utilidade da função e a desproporcionalidade na remuneração.

Publicado por: shark às janeiro 29, 2007 09:12 AM

Não me surpreende o teor do teu comentário, Matahary, pois já li a tua opinião a meu respeito e calculo que tenhas dificuldade em distinguir o homem do autor.
E se aceito que te soe paupérrimo (gostos não se discutem), rejeito essa onda do "alguém pagou para". É que se alguém me pagou para elogiar a polícia, só mafiosos, marginais ou amigos blogueiros poderiam ter-te custeado uma boca tão foleira.
Se vives no país real também saberás que não faltam candidatos à recolha camarária de lixo e ao cargo de servente na construção civil. Na tua perspectiva isso quer dizer que se trata de cargos... aliciantes, não?

Publicado por: shark às janeiro 29, 2007 09:18 AM

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