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janeiro 30, 2007

PRÓS E CONTRAS

Chamem-me faccioso se quiserem, mas ontem assisti ao debate televisivo do assunto na ordem do dia e tenho que ser frontal e directo nas minhas impressões.

A primeira: a malta do Não estava toda com umas trombas que parecia que todos lhes devem e ninguém lhes paga. Até parecia que sabiam estar a defender o indefensável.

A segunda: o Prof. Vital Moreira é um espectáculo e não percebo que merda de país é este onde um gajo daquele calibre não é ministro de qualquer coisa.

A terceira: o único dos Nãos que disse alguma coisa de jeito e com convicção foi o Luvumba. Pelo menos mostrou acreditar no que dizia.

A quarta: o bronco de serviço foi o matarruano do treinador do meu Glorioso. Nem sei como a malta do Não permitiu que aquela aventesma desse a cara pelas suas posições. E como se não bastasse, ainda lhe juntaram a Ana Brito e Cunha, a tal que tem a certeza que a Espanha é duas vezes maior do que Portugal. Talvez três...

A quinta: a malta da blogosfera que lá foi em representação do Sim esteve toda cinco estrelas. A Fernanda e o Vasco surpreenderam-me pela positiva.

A sexta: o Aguiar Branco parecia um vinil riscado. A agulha encravou no "aborto livre" e o homem não saía dali.

A sétima e última: quem assistiu ao programa (que a Fátima dominou com mestria) só vota Não se tiver feito alguma promessa a Nossa Senhora de Fátima ou não tiver tido a atenção ou a inteligência necessárias para entender como é fácil e clara a opção contrária.

Este foi o meu filme. Quem viu diferente que avance sem medos e a gente pode discutir o problema na boa.

Publicado por sharkinho às janeiro 30, 2007 05:26 PM

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Comentários

Agora não tenho tempo mas, desde já, deixa-me que te diga: és faccioso!!! :)

Publicado por: Kaffa às janeiro 30, 2007 06:11 PM

Mas muito sincerozinho, hã?

Publicado por: shark às janeiro 30, 2007 06:23 PM

A forma como relatas o debate é facciosa... mas quem tem convicções é sempre faccioso.
Do meu ponto de vista digo-te o seguinte: 1) As principais interessadas (ou interessados) nunca são ouvidas. Não vi lá ninguém das classes baixas e, portanto, as mais afectadas. Vi tias a discutirem o que as desgraçadas devem fazer, ou não. É genial meia dúzia de pessoas, de um lado e outro, dizerem o que devem fazer as pessoas que não estão lá... 2) Os pais deviam ser ouvidos. Se se pede a um homem que seja um pai responsável, deve ter o mesmo peso na decisão de abortar, ou não. O que por lá passou, do lado do sim, é o contrário. 3) Se hoje em dia se perdem anos para marcar uma consulta e ser atendido num hospital, e tendo em conta que a janela de uma mulher para abortar é sensivelmente 5 semanas, achas mesmo que as que não podem pagar o poderão fazer, de forma segura, num hospital público? Ou isto signicará, provavelmente um enorme lobby de clínicas privadas que vêm a oportunidade do enriquecimento súbito? Também não ouvi debater isso. 4) Fui só eu que reparei, ou amédica do não, se houvesse coerência, deveria ter sido presa em directo?
Resta dizer que não tenciono ir votar. O aborto é algo que fica ao critério da consciência de cada um e uma, e deve sujeitar-se quando o faz. Não serei eu que condeno... mas também não desculpabilizo. É quase como fumar. O correcto é não fazer, penso eu, mas quando fumas atentas contra a tua saúde por opção (e contra a dos outros, sem opção)
HAveria imensas coisas a debater, mas no final, como calculas tudo passa por jogos políticos. Vencer um referendo é sempre bom e dá votos, perder é mau e não os dá.
Abraços, Almeida Garrett
PS: Quanto ao Vital Moreira. Se me perdoas, e na minha opinião, foi o piorzinho que por lá passou. O aborto pode ser atacado e defendido de muitas formas correctas.... ele mostrou a única que está errada.

Publicado por: Almeida Garrett às janeiro 30, 2007 07:36 PM

Mesmo porque esta é uma questão que não DEVERIA nem poderia passar por jogos políticos ou por lobbies ético-religiosos, é que um Governo a sério tinha a obrigação de já ter legislado acerca da matéria, como é sua competência.
Esta lei DEVERIA já ter sido votada na Assembleia da República, à semelhança do que fazem os países cvilizados. Nunca ser posta a referendo precisamente para evitar todo o circo que se gera em torno de uma cisa que, como bem referes, é do foro íntimo de cada um/a.
A decisão é íntima, pessoal, do domínio das liberdades, direitos e garantias. O estado tem apenas que criar as condições de segurança para que, caso alguém OPTE, o possa fazer.
O resto é fantochada hipócrita.

Publicado por: Mar às janeiro 30, 2007 09:12 PM

(esclareço que esta é uma resposta ao Garret, pois quanto ao que foi escrito no post já tinha concordado em absoluto embora ainda não o tivesse manifestado aqui)

(desculpem lá as falhas de letras, o teclado só funciona a metade...)

Publicado por: Mar às janeiro 30, 2007 09:15 PM

!!!E ao que escreveste, acrescento a mal educada intervenção da katia guerreiro, que, de nariz empinado contra as opiniões do lado do SIM, alegou que em espanha os abortos aumentaram desde a despenalização. Esqueceu-se de dizer o numero das mulheres portuguesas que contam para esse aumento. Eu voto SIM, pois não quero mais abusos e humilhações nem espadas por cima das cabeças das mulheres que por um qualquer motivo se vem na situação de terem de abortar.

Publicado por: !!! às janeiro 30, 2007 10:26 PM

Hoje é daqueles dias em que respondo "upside down", pois o Garrett deixou-me um legado que obriga a uma resposta ponderada e que faça jus à sua intervenção. Deixo para o fim, para ganhar fôlego... :)

Espantação, escapou-me essa arrogante. Mas isso acontece porque só retive o tom e nada de substancial saiu daquela boca fadista que deveria mesmo cingir-se à música em vez de deixar-se emproar pelas reminiscências de ex-mandatária.
A estatística, de um lado ou do outro, é uma falsa questão pois nenhum número é fiável quando tratamos de realidades clandestinas.

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 09:26 AM

Cada vez mais concordo contigo, Mar, nessa premissa de que é cobardia política fugir da tomada de decisão no Parlamento e empurrar a sociedade para as posições extremadas que não servem interesse algum.
E também coloco as coisas no plano da liberdade e da consciência individual que deveriam sempre prevalecer numa nação dita civilizada.

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 09:29 AM

Começo por deixar clara a minha posição pessoal de homem e de cidadão quanto ao aborto em si. Sou contra. Com o meu conhecimento e ainda menos com o meu consentimento a potencial mãe de uma criatura gerada por mim nunca tomou ou tomará tal decisão. E isto implica o meu horror a ver alguém submetido a tamanha violência, a responsabilidade que temos que assumir quanto às consequências de uma relação sexual ainda que esporádica e também o respeito que me merece a concepção de um filho. E termina aqui a minha proximidade ao que o Não representa.
Concordo contigo, Garrett, em vários aspectos. Nomeadamente no papel masculino, absolutamente relegado para o oblívio no meio do ruído de fundo. E como salvaguardei a minha posição pessoal na matéria, sinto-me legitimado para achar que existe uma palavra a dizer quanto à decisão que a pergunta a referendar remete explicitamente para a mulher e exclui a outra parte interessada.
Também me preocupa a capacidade de resposta do Sistema de Saúde no caso de ganhar o Sim e o espectro que abordas de tudo isto de vir a traduzir no florescimento da iniciativa privada (não necessariamente de capital português) em mais uma área de intervenção. E aqui já entra a questão que levantas de serem as pessoas mais carenciadas quem tem tudo a ganhar ou a perder e não as dondocas de classe média-alta que têm protagonizado os debates públicos.
Contudo, nada disso invalida o mais sagrado dos pressupostos que é o da liberdade de escolha associado à responsabilização das pessoas pelas decisões tomadas. E aqui entra a parte que mais admirei na posição do Prof. Vital Moreira.
Despenalizar não implica convidar alguém a adoptar o aborto de forma leviana, tal como não cerceia quem possui imperativos de ordem ética e/ou moral de intervir no apoio a quem dele necessita, de rejeitar a opção em causa ou de insistir na formação de mentalidades que privilegiem o direito à vida que lhes serve de bandeira.
Isto bate certo, por exemplo, com a minha posição no que concerne às drogas leves e, de um modo geral, a tudo quanto dependa da confiança na capacidade de cada pessoa decidir sobre o seu próprio corpo e o seu próprio destino.
Rejeito em absoluto o oportunismo político-partidário e a boleia da Igreja Católica nesta ocasião, pois ambas as partes aproveitam o folclore e os resultados eleitorais para mobilizarem vontades que de outra forma já provaram não serem capazes.
Escapou-me esse detalhe da médica do Não. Podes partilhar connosco?
E fico por aqui, porque acredito que já deixo matéria suficiente para alimentar um papo saudável e para retorquir ao que te agradeço teres submetido à nossa apreciação.
Intervenções como a tua envaidecem-me porque acredito constituirem mais-valia para uma caixa de comentários que sirva o propósito que lhes justifica a existência.
Devolvo-te o abraço e acrescento-lhe o respeito que me merece a frontalidade das tuas intervenções.

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 09:54 AM

Vou tentar expor o que penso por tópicos, para facilitar:
1- Vou votar Não no referendo. Tenho ponderado muito nesta decisão e admito que, apesar de chegar sempre à mesma conclusão, há questões que são levantadas do "lado" do Sim às quais não sou insensível. Como tenho ponderado muito e segui com alguma atenção o debate (embora não tenha visto desde início), a minha razão para votar Não só pode ser por falta "da inteligência necessária"! :)

2- Se entendesse que se tratava, simplesmente, de uma questão de liberdade da mulher, eu não hesitaria em votar Sim. O problema é que eu considero que é um problema de "conflito de direitos": o direito de liberdade da mulher, por um lado, e o direito à vida do feto, por outro. Na verdade, o feto é uma vida humana (não uma pessoa, ainda), à qual a nossa legislação confere alguns direitos, sendo o direito a nascer o mais fundamental de todos.

3- A Lei deve, como em todas as outras situações da vida em sociedade, regular e, neste caso, ponderar entre o direito de liberdade da mulher e o direito à vida do feto. Na lei actual existe essa ponderação, na que propõem não me parece que haja esse cuidado (aliás, muitos dos defensores do Sim, inclusive no debate, nas suas argumentações acabaram por reconhecer que a IVG seria para quando falham todos os métodos contraceptivos, ou seja, seria o derradeiro método contraceptivo).

4- Essa ponderação que a Lei deve fazer serve, em muitos casos, para proteger a parte do "conflito" mais fraca/desprotegida que, neste caso, é bom lembrar, é o feto.

5- Por último, julgo que quem defende isto não está contra as mulheres em geral, nem contra as mulheres que abortam em particular. Simplesmente defende que a vida intra-uterina continue a ser minimamente protegida.


Publicado por: Kaffa às janeiro 31, 2007 10:43 AM

!!! Kaffa mais uma vez vou utilizar este espaço que o Shark nos disponibiliza para responder ao teu argumento acima esplanado. Eu voto SIM e não é pelo direito de liberdade da mulher, bem pelo contrário, é porque a mulher em certas situações não tem a liberdade de escolher ter um filho e desde logo poderás constatar com a maior das facilidades a opção nos apoios que lhe são dados. Não falo sequer das mulheres da classe média, falo das mulheres que mais recorrem ao aborto clandestino, as de mais fracos recursos, das que não podem ir a Espanha ou Inglaterra. Repara nisto: O Novo Código do Trabalho vem dar a possibilidade da mulher escolher 120 ou 150 dias de licença por maternidade é bom mas... se escolher 150 dias receberá apenas 80% do salário. Em boa verdade são pagos apenas pela segurança social 120 dias! Subsídio a crianças e jovens e não falando já no primeiro escalão cuja capitação é um salário de miséria, o segundo escalão capitação até um Salário Minimo Nacional (cerca de 400 euros) o subsídio para crianças com menos de 1 ano é de 100 euros a partir de 1 ano 25 euros! Achas que alguém com um SMN + 25 euros pode criar um filho com as condições esseciais que hoje todos aspiramos? Poderás dizer então tomem-se as dvidas precauções. Pois é, mas concerteza que sabes o metodo 100% infalível é a abstenção total. Somos homens e mulheres com desejo de amor e sexo, não sejamos hipócritas ninguém saudável tenha 18 ou 70 anos, para não ir mais além, consegue dominar essa força que nos move. Mais, sabes o que eu penso? É que até os mais acérrimos defensores do não e os pertencentes ao clero todos já deram o seu "mau" passo e a posição que tomam é apenas para iludirem a sua consciência. Criticam e querem obrigar os outros àquilo a que nem eles próprios resistem ou são capazes de superar.

Publicado por: ! ! ! às janeiro 31, 2007 11:47 AM

Nada a obstar à tua argumentação, Kaffa. Não porque concorde com ela em absoluto (se assim fosse, o meu sentido de voto seria outro) mas porque é plausível pensar dessa forma e agir em conformidade.
Chamo apenas a tua atenção para o peso inequívoco da Igreja no conjunto dos apoiantes do Não e para o paradoxo da posição defendida em matéria de contraceptivos (posição essa que constitui a maior armadilha para quem depois se vê na contingência de ter que "pecar" abortando...).
São aspectos práticos que invalidam de alguma forma boa parte da argumentação, sobretudo a que respeita aos cuidados a ter em matéria de "descuidos". E os aspectos práticos, como o de a existência da legislação que penaliza não invalidar a ocorrência de milhares de abortos pela surra, pesam e muito na minha posição nesta matéria...

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 12:10 PM

Só mais uma coisinha: em face da realidade factual, acredito que a protecção efectiva da vida intra-uterina é bem mais eficaz no domínio do trabalho sobre as mentalidades e sobre os mecanismos de apoio às mulheres que engravidam do que com base numa legislação que proíbe mas acaba por não reprimir (apenas empurra as pessoas para os recursos de vão de escada e para um estigma a que não deveriam ver-se obrigadas).

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 12:16 PM

!!!, eu respeito a tua opinião, mas não posso concordar que se utilize a IVG como método contraceptivo.

É bem verdade o que dizes sobre as condições de miséria em que muitas pessoas vivem e das dificuldades com que se deparam para criar uma criança. Mas, se é isto o melhor que lhes temos para oferecer... sinceramente não consigo ver esta solução como um avanço civilizacional!

Publicado por: Kaffa às janeiro 31, 2007 12:16 PM

Skark, acho que não devemos associar todos os movimentos pelo Não à igreja, simplesmente porque em muitos deles não há qq relação.

Não sendo este o assunto (tb muito interessante), eu não concordo com a mensagem da Igreja Católica quanto aos preservativos.

Percebo, porém, a posição da igreja quanto à IVG: são coerentes com aquilo que é a doutrina da igreja e, obviamente, procuram aconselhar quem acredita (livremente) na sua doutrina sobre a posição correcta, na sua óptica.

Os meus argumentos não são religiosos e julgo que não vale a pena repeti-los.

Só levanto uma questão: porque é que somos todos contra o aborto?

Publicado por: Kaffa às janeiro 31, 2007 12:28 PM

Cometi uma pequena gaffe. Quem "deveria" ter sido presa em directo, houvesse coerência, era a médica do sim, porque admitiu - em directo - que várias vezes, como médica, assistira grávidas que desejavam abortar.
A questão do aborto, em si, remete-nos para uma discussão muito melindrosa que, querendo ou não, se resume a isto: ou acreditamos que existe uma vida para além desta, e portanto tudo está predistinado e, como tal, necessário, ou não acreditamos, e cingimo-nos à lógica pura, e um aborto vale o que vale.

Publicado por: Almeida Garrett às janeiro 31, 2007 12:40 PM

Cometi uma pequena gaffe. Quem "deveria" ter sido presa em directo, houvesse coerência, era a médica do sim, porque admitiu - em directo - que várias vezes, como médica, assistira grávidas que desejavam abortar.
A questão do aborto, em si, remete-nos para uma discussão muito melindrosa que, querendo ou não, se resume a isto: ou acreditamos que existe uma vida para além desta, e portanto tudo está predistinado e, como tal, necessário, ou não acreditamos, e cingimo-nos à lógica pura, e um aborto vale o que vale.

Publicado por: Almeida Garrett às janeiro 31, 2007 12:40 PM

Relativamente ao debate televiso, queria deixar algumas notas:

Sinceramente, e tb me podes chamar faccioso :) , parece-me que os apoiantes do Não tiveram um discurso mais moderado e de respeito pela outra parte;

Não gostei de ver/ouvir gargalhadas ruidosas da bancada do Sim, sempre que alguém do Não defendia alguns argumentos. Ainda que possam ser incompreensíveis para o Sim, acho que manifesta alguma falta de respeito e arrogância.

A maior das pessoas (quer do lado do Não como do Sim) que falam sobre este assunto, são mais prejudiciais às ideias que defendem, do que às ideias que, supostamente, deveriam "atacar".

Levar o Fernando Santos para defender seja que ideia for, não lembra nem ao diabo!!! Então deixá-lo falar duas vezes... cruzes!!!

Acho que a bancada/painel do Sim consegui equilibrar o debate através da retórica e não pela consistência dos argumentos. Exemplo flagrante disso, o Prof. Vital Moreira.

Publicado por: Kaffa às janeiro 31, 2007 12:40 PM

Ò gaita, e eu alguma vez defendi a ideia de a IVG servir de contraceptivo? É uma solução radical e de todo evitável, um último recurso que a sociedade no seu todo deveria ser capaz de banir sem ameaças de prisão ou de excomunhão mas sim com um investimento sério nas estruturas que possam apoiar ANTES (planeamento familiar, educação sexual nas escolas - e em casa, Igreja Católica menos arcaica nas suas posições, etc) e DEPOIS (casas de acolhimento, subsídios decentes, apoio jurídico e psicológico para as mulheres que não pretendam abortar mas não possuam condições para criar esses filhos). No DURANTE já tenho mais dificuldade em aventar soluções, mas posso sempre dar umas dicas...
Fora de piada, Kaffa, com a lei actual fica tudo na mesma. Se a lei mudar podemos pressionar o Estado no sentido de proporcionar os meios necessários para intervir de forma positiva e não com base no papão penal.
Acho que é mais isso que está em causa, a realidade dos factos, e não as questões doutrinárias da Liberdade ou do Direito à Vida que constituem matéria interessante de diálogo mas não resolvem o problema da vida real.

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 12:52 PM

Quem me dera que isso tivesse acontecido, Almeida Garrett, a bem da vitória eleitoral da minha preferência... (sendo os portugas tão dados ao dramalhão).
Quanto ao aborto em si e o que ele representa, parece-me ser pano para mangas de um debate bem mais amplo e esclarecedor do que aquele que animamos com base no pretexto deste referendo.
Pelos motivos que acho já deixei bem claros.

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 12:57 PM

O referendo pergunta se somos a favor da despenalização do aborto. E a minha resposta é SIM. Ganhe o sim ou o não as mulheres vão continuar a abortar todos os dias. Não sou a favor do aborto, mas em último recurso, quando tiver que ser feito que o seja em segurança para a mãe. Sou pela vida. Prefiro que se salve uma a perderem-se duas. O resto são hipocrisias e o fechar os olhos à realidade.

Publicado por: Maria às janeiro 31, 2007 01:41 PM

Ainda ninguém respondeu à questão que levantei: porque é que todos dizemos que somos contra o aborto?

Publicado por: Kaffa às janeiro 31, 2007 02:11 PM

Maria, eu posso até estar errado (não sou dado a absolutismos), mas não me agrade que determinadas convicções (neste caso as minhas) sejam catalogadas de hipócritas.

Ninguém vai votar só a favor da despenalização. A penalização continua lá para quem fizer IVG após as 10 semanas ou para quem fizer num estabelecimento não autorizado. Portanto, vão continuar a haver mulheres sujeitas a julgamentos e a penalizações. Onde está a hipocrisia?

Na verdade, o que muda se o Sim ganhar é que deixa de ser necessário invocar um motivo para IVG, nas primeiras 10 semanas.

Por outro lado, faz-me confusão que toda a gente escamoteie que a legislação espanhola é igual à portuguesa, simplesmente em Espanha fazem uma interpretação diferente (quanto a mim abusiva). Mas não vi nenhum dos movimentos do Sim a propor a adopção desta interpretação da lei em Portugal, o que resolveria a questão.

Mais, já foi noticiado que estão a abrir as clínicas espanholas em Portugal, que já informaram que vão fazer as IVG, quer a lei mude ou não.

A meu ver, há uma parte que está interessada em politizar a questão e recolher os devidos dividendos disso. E esta confusão serve na perfeição.


Publicado por: Kaffa às janeiro 31, 2007 02:26 PM

Essa acaba por ser a essência do que motiva o meu sim, números redondos, Maria.

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 03:00 PM

Kaffa, vamos lá ser realistas. Há sempre quem tire dividendos. Hoje, com os abortos clandestinos, tiram grandes dividendos os farmacêuticos e os médicos com quem as parteiras fazem acordos para o fornecimento de medicamentos. Para além dos “padrecos” (que também fazem os filhos e depois lhes chamam afilhados) são pelo “não” porque uma boa parte dos proventos (que não pagam impostos) deixam de existir. E para as autoridades (GNR e PSP e PJ) que sabem muito bem onde eles se fazem o que os faz calar e não ver, quase sempre? E isso é feito à custa de vidas. Não é pela vida é pelos interesses económicos.

Publicado por: Maria às janeiro 31, 2007 03:01 PM

Apesar de subscrever o comentário da Maria não considero hipócrita o teor da tua forma de explicares o Não, Kaffa (e não creio que ela te vista essa pele, embora só ela o possa esclarecer).
Políticas à parte, e não fujo à tua pergunta, eu sou contra o aborto por diversas razões:
1- Pelo que implica para a mulher que se submeta a tal experiência;
2- Pela perda garantida de uma vida (em formação ou não), o que é sempre dramático, e possibilidade da perda de duas (o que a despenalização ajudaria a evitar);
3- Por ser uma opção de último recurso, o que subentende na maioria dos casos um desespero de causa;
4- Porque pode dar prisão de todo injustificada;
5- Pelo que representa em matéria de fracasso civilizacional.

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 03:10 PM

(Mas ò Kaffa: andamos a discutir o referendo e a questão da despenalização e não a do aborto em si...)

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 03:19 PM

E, para combater isso, despenalizamos?

(Lamento que nunca respondam às questões que levanto.)

Publicado por: Kaffa às janeiro 31, 2007 03:20 PM

Ocorre-me agora, a propósito da inegável ligação do Sim à esquerda e do Não à direita (em termos maioritários, claro) que é curioso como a Direita defende neste caso a intervenção do Estado na liberdade de escolha dos cidadãos e advoga precisamente o contrário quando toca a políticas económicas. E a recíproca esquerdista também é verdadeira...

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 03:23 PM

Ajuda-me aqui, Kaffa, quais são as questões que ainda não te responderam? Escapou-me, concerteza, pois não fujo a pergunta alguma.
E aproveito para responder à última: sim, para combater isso começamos por despenalizar e por trazer a questão para um plano objectivo e consensual.
Isto implica que não aceito a vitória do Sim sem a inerente aplicação das várias medidas tendentes a abordar o problema desde a raiz.

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 03:27 PM

Shark, não tinha visto os teus últimos comentários.

Como dizes, por implicar a perda garantida de uma vida é que sou contra, porque não posso concordar que uma lei legalize a "interrupção" dessa vida, sem nenhum motivo grave.

É por isso que estamos todos contra o aborto e é por isso que, estando contra o aborto, não posso votar favoravelmente esta pergunta porque, como expliquei acima, para além de não despenalizar totalmente, liberaliza até às 10 semanas.

Publicado por: Kaffa às janeiro 31, 2007 03:27 PM

Kaffa, as pessoas que tiram dividendos dos abortos clandestinos e depois vêm para a rua gritar “não” em nome de uma falsa moral, essas para mim são hipócritas. Respeito as outras estejam ou não de acordo com o que penso. Com estas discuto o assunto, às outras mando-as fecundar.

Publicado por: Maria às janeiro 31, 2007 03:27 PM

Já me respondeste a uma das questões, Shark.

As outras eram:
a lei deve proteger vida intra-uterina ou não lhe reconhecer nenhum direito, passando a ser da total esfera de liberdade da mulher?

porque é que não houve nenhuma iniciativa para aproximar a interpretação que fazem em Espanha da lei à interpretação que fazem em Portugal, sendo que a legislação é igual?

Que relevo dão ao anúncio das clínicas espanholas que vão passar a operar em Portugal?

Se se trata de despenalizar, não concordam que a pergunta é "mentirosa"?

Publicado por: Kaffa às janeiro 31, 2007 03:38 PM

Mas Maria, mandar fecundar não é mau, desde que se tomem precauções :) .

Publicado por: Kaffa às janeiro 31, 2007 03:43 PM

A lei actual não protege coisa nenhuma senão em teoria, Kaffa. E eu privilegio as questões práticas, a vida tal como ela acontece de facto.
Prefiro leis destinadas a apoiar efectivamente as pessoas para lhes pouparem estas cenas do que leis destinadas a tranquilizarem consciências e deixarem tudo na mesma. E aplico o raciocínio a qualquer lei, espanhola ou portuguesa.
O anúncio das clínicas espanholas coloco-o ao nível da declaração de recusa prévia dos principais hospitais privados do país.

A pergunta não é mentirosa, pois despenaliza de facto em caso de resposta afirmativa.

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 03:48 PM

(LOL, Kaffa, a essa do fecundar...) :)))

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 03:56 PM

Shark, nem isso eles sabem fazer bem. Quanto muito, de longe a longe fornicam, e se engravidam, Espanha está aqui tão perto. Acabei de ouvir uma senhora muito dondoca que dá pelo nome de matilde sousa franco dizer: -"mais moderno é votar não". Chamar-lhe o quê? Filha da pata que a lambeu...

Publicado por: Maria às janeiro 31, 2007 04:02 PM

Respondendo ao Kaffa, a uma das questões pelo menos, na minha opinião a vida intra-uterina não devia ser matéria para o Estado mas apenas para quem a concebe, a carrega e acarreta com os custos (aqui de forma abrangente) de a trazer ao mundo. Neste caso, o pai e a mãe. E só.
Entrar numa decisão que compete a estas duas pessoas, para mim, é entrar no campo dos direitos, liberdades e garantias individuais de cada cidadão que um suposto Estado de Direiro democrático deve preservar. Criminalizar alguém por esta decisão é atentar contra estes direitos.
Logo, a lei deve descriminalizar. POnto.

Publicado por: Mar às janeiro 31, 2007 04:55 PM

Mar, na minha opinião, não se trata de uma "luta" Estado vs Pais/Mulher ou Vontade da Sociedade vs Vontade dos Pais/Mulher.

Trata-se de Direitos da Vida Intra-Uterina vs Direitos da Mulher.

Se entendes que a vida intra-uterina (ela própria) não tem qualquer direito, eu respeito a tua opinião, mas discordo completamente.

Publicado por: Kaffa às janeiro 31, 2007 05:22 PM

Nesse caso, Kaffa, depreendo que privilegias os direitos da vida intra-uterina vs o da mulher. Em quaisquer circunstâncias, assumindo que existem de facto mulheres que ficam com a existência literalmente arruinada com a manutenção dessa vida intra-uterina, seja por factores familiares, económicos, sociais ou mesmo de saúde psicológica.
E agora pergunto eu, reportando-me por exemplo aos inúmeros casos de crianças indesejadas e subsequentemente maltratadas (algumas até à morte), se duas existências de merda são melhores do que uma eliminada antes de ter que passar por uma vida que ninguém quer.
E livra-te de me acusares de extremar argumentos, pois quem coloca a coisa numa de assunto de vida ou morte és tu.

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 05:56 PM

Era simpático que alguém desse uma mãozinha ao Kaffa, coitado, sozinho aqui à mercê desta esquerdalha afirmativa...

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 05:58 PM

Maria, essa tia Matilde foi um tiro mediático no pé do PS (dava jeito adoptar a viúva para a malta esquecer quem matou o desgraçado do marido de ataque cardíaco...).
E agora surgiu a oportunidade de ouro para a madame se revelar em todo o seu esplendor como uma escolha muito acertada para deputada da nação.
E nem preciso de me reportar às suas posições nesta matéria da moda.

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 06:03 PM

Shark, o marido sofria do coração e pronto. Todos sabemos que as campanhas eleitorais são feitas a beijar peixeiras e a ser levado em ombros pelas feiras. Portanto só lá vai quem quer, como gestão de carreira ou por vaidade pessoal. Ninguém sério e competente se sujeita a tanta estupidez. Por isso é que só chegam ao governo os medíocres. A tia matilde arranjou um tacho e é mais uma no meio da pandilha a dizer bacoradas.

Publicado por: Maria às janeiro 31, 2007 06:27 PM

Não depreendas isso. Como é óbvio, a mulher (ou o homem) tem muitos mais direitos. Eu só quero que a lei salvaguarde minimamente o único direito que uma vida intra-uterina tem. E não é qualquer privilégio relativamente à mulher: repara que o direito à vida da mulher (ou homem) está consagrado em absoluto na lei (e bem), eu só defendo que o direito à vida intra-uterina seja também minimamente defendido.

P.S.: as razões de saúde psíquica já estão previstas na lei.

P.P.S.: nenhum de nós pode fazer futurologia sobre o futuro de qualquer existência, nem considero que uma má existência seja pior de que uma "inexistência".

Publicado por: Kaffa às janeiro 31, 2007 06:27 PM

Mas ò Maria, naquele dia deu peixeirada da grossa... E o homem não tava habituado a tantas emoções fortes.
Seja como for, é bonito não deixar uma viúva desamparada. Eu evito, sempre que posso. :)

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 07:01 PM

Já tás a ficar demasiado "metafísico" pra mim, meu... :)
Mas garanto-te que entendo a tua preocupação com os indefesos e por isso não te corro à paulada verbal como se fosses um dos reaccionários e/ou mentecaptos falsos beatos que costumam dar a cara pelo Não. E ainda por cima és lagarto, o que torna ainda mais incompreensível o meu poder de encaixe para contigo. :)
Agora acabou-se-me o tempo de net, pois tenho que ir pôr um dos computadores fixos do meu escritório a arranjar e não tenho net em casa.
Mas amanhã tou cá para esgrimir argumentos (quantos são, quantos são?) caso alguém adite mais alguma opinião pra contestar ou apoiar ou assim assim...

Publicado por: shark às janeiro 31, 2007 07:10 PM

Eu também não quero dar esse desgosto a ninguém :)

Publicado por: Maria às janeiro 31, 2007 07:11 PM

Estou a ver o tempo de antena do "PNR". Este é o mal da democracia o voto destes cromos vale tanto como o meu :))))

Publicado por: Maria às janeiro 31, 2007 07:16 PM

Kaffa:

Também respeito a tua opinião mas o problema é que o que EFECTIVAMENTE estamos a discutir é essa "luta" Estado Legislador/ Direitos da Mulher/Homem indivíduo. Até onde a lei que defende a tal vida intra-utrina não respeita os direitos e liberdades individuais? É disso que estamos a falar. Um pouco como aquela do "a minha liberdade acaba onde começa a do..." e aqui, eu pessoalmente, entendo que a liberdade do feto tem que acabar onde começa a vontade e/ou opção/necessidade whatever, da mulher/pai/adultos responsáveis.

Como diz o shark, para mim os direitos da mulher/ (blá, blá) sobrepõem-se a tudo o resto.

Quanto à vida intra-utrina, ela própria, repara: o conjunto de células que compõe o potencial ser humano, não sabe que existe. Até às 10 semanas nem se sabe se será um embrião viável...tantos abortos espontâneos acontecem durante esse período de tempo sem as mulheres sequer saberem que estavam grávidas. É um projecto de ser humano. Que deve nascer se fôr desejado, para ser amado, se puder ter uma vida digna. Não se o destino traçado fôr uma casa de acolhimento ou pedir para as ruas.
E vai por mim: nenhuma mulher se "desembaraça" de um potencial ser humano de ânimo leve, numa de "agoranaomeapetecevoualifazerumdesmanchozito".Nenhuma.

Publicado por: Mar às janeiro 31, 2007 08:18 PM

Bem, isto é que é uma caixa cheia!
O post começou com um debate televisivo. Vou começar por aí apesar de só ter visto parte.
Concordo com o Kafka quanto às gargalhadas do SIM. Acho que o assunto é demasiado sério para essas atitudes e penso que devemos respeitar para sermos respeitados. Porque devemos tentar estar dos dois lados pelo menos em alguns pontos.
Também fiquei com a noção de que contra a despenalização (da mulher ser julgada, presa, etc)estão todos de acordo. Se calhar, neste momento daríamos esse pequeno passo para depois avançarmos com a IVG ("mais vale um pássaro na mão do que dois a voar"). Os centros de saúde têm preservativos, pílulas, consultas de ginecologia TUDO MAS TUDO inteiramente grátis.Eu quando lá vou fico abismada porque só vejo moldavas, ucranianas e africanas. Portuguesas, nem a sombra.
Quanto à IVG aí é que a porca torce o rabo. Mulher versus fecto. Tenho receio do NÃO vencer porque o que se tem feito desde o último teferendo para evitar chegar ao aborto é uma anedota e o sistema de saúde, se calhar, não está preparado para tal. E o NÃO anda por aí.
Mais uma achega: todas as mulheres que conheço e que o fizeram e mais do que uma vez não foi por motivos políticos ou religiosos.
Gostei também do comentário do Garret que focou tópicos que passaram mesmo ao lado no tal debate.
Apesar de ser a favor tento não ser facciosa nem de o dizer de animo leve...a minha bandeira do SIM é a meia haste. Com tristeza. Sem gargalhadas porque o assunto devia ser conscientemente sério.


Publicado por: celia às janeiro 31, 2007 08:27 PM

Desculpa Mar mas felizmente ou infelizmente nunca conheceste nenhuma mulher que o fez "mesmo porque não me apetece". Eu já conheci. Estava casada, relação 5 estrelas e de 5 meses de gestação e o 3º aborto. E o marido nunca soube. E a descontracção pela forma como o disse...nem te conto. Há de tudo, com consciência ou sem ela.
Posso te falar de outra que fez nove abortos...por inúmeras razões. Eu acredito que o nono fosse só um "desmanchozito" ou o terceiro ou sétimo. Mas eu respeito a consciência delas. Ou a falta da mesma.

Publicado por: celia às janeiro 31, 2007 09:11 PM

Celia, 5 (cinco) meses de gestação, aborta, e o marido não sabe? Relação 5 estrelas só porque ele andava a passear noutra galáxia. A casa ele não ia dormir com toda a certeza. Peço desculpa mas não acredito. Há qualquer coisa nessa história que está mal contada.

Publicado por: Maria às janeiro 31, 2007 10:20 PM

Maria, se calhar o senhor apanhou-a sempre de costas... :)

Publicado por: shark às fevereiro 1, 2007 09:07 AM

Bom dia!

Célia, eu acredito que possa haver excepções (como em tudo na vida, aliás) ao meu "Nenhuma".
Mas para o assunto em debate, nem as contemplo. Porque são casos (e pessoas)que não me merecem qualquer consideração. Poucas, felizmente.
Mulher a sério, com M grande, não o faz assim.

Publicado por: Mar às fevereiro 1, 2007 09:32 AM

!!! Que fique de uma vez por todas esclarecido o seguinte: nenhuma mulher em seu juizo perfeito irá utilizar a IVG como contraceptivo. Sei do que falo não é um copo de agua. A nemos que a mulher não respeite nem o seu proprio corpo. Mais afigura-se-me que esta ideia de que a IVG pode ser usada como contraceptivo só pode partir das cabeças pensantes de homens para quem fazer um filho não é mais que fazer sexo e que na hora H nem se lembram as consequências de tal acto remetendo para a mulher toda a responsabilidade de prevenir uma gravidez. Isso só tem um nome cobardia !!!

Publicado por: ! ! ! às fevereiro 1, 2007 11:20 AM

!!! Em tempo: IVG depois das 10, ou melhor 12 semanas é suicidio, inconsciência. A não ser em casos extremos, mas aí o médico deve ser responsavel e responsabilizado, não só por fazer a interrupção como se não a fizer, encobrindo até ao fim um diagnóstico em que logo na primeira ecografia é visivel uma acentuada mal formação do feto, como já aconteceu, deparando-se depois os pais com uma situação que se tivessem tido conhecimento teriam resolvido em consciência e em tempo util

Publicado por: ! às fevereiro 1, 2007 11:34 AM

!!! Kaffa acho que era "moderno" como diz a tia matilde, solicitar à assembleia da republica que podere uma lei para proteger os espermatosoides, poderando ao mesmo tempo a criminalização do sexo (qualquer modalidade...) sem objectivos de procriação. Toma essa iniciativa eu subscrevo!!!

Publicado por: ! ! ! às fevereiro 1, 2007 11:49 AM

Chiça, Espantação. Esta última, das duas uma: ou emigro ou assumo-me marginal!!!

Publicado por: shark às fevereiro 1, 2007 11:54 AM

Chiça, Espantação. Esta última, das duas uma: ou emigro ou assumo-me marginal!!!

Publicado por: shark às fevereiro 1, 2007 11:58 AM

E ainda o afirmo pela terceira vez, se for necessário!

Publicado por: shark às fevereiro 1, 2007 11:59 AM

Pois não contes comigo para essa iniciativa legislativa, Espantação! (e tb não estou de acordo com daquilo que afirmas no comentário anterior).

Mar, não se pode dizer que a liberdade do feto termina onde começa a liberdade dos pais, porque o feto não tem liberdade. A única coisa que ele tem (ainda) é um pequeno direito a nascer.

Mas já percebi que achas mais importante a liberdade dos pais à vida do feto e, por isso, votas sim. Acho que é coerente da tua parte, embora discorde.

Gabo-te a coragem, Maria. Ver os tempos de antena não é para qualquer um :) . Às vezes até me dá vontade de alterar o sentido de voto.


Finalmente, chega um pequena ajuda, ainda que a meia haste :) .

Publicado por: Kaffa "o lagarto metafísico" às fevereiro 1, 2007 03:19 PM

Para finalizar (que o debate já vai longo :) ), para mim esta é de facto uma questão fracturante, que me divide. Talvez esteja errado ou talvez o futuro me dê razão. De qualquer forma, qualquer que seja o resultado, espero que se tomem iniciativas para resolver os dramas que esta questão envolve.

Publicado por: Kaffa às fevereiro 1, 2007 03:29 PM

Para finalizar (que o debate já vai longo :) ), para mim esta é de facto uma questão fracturante, que me divide. Talvez esteja errado ou talvez o futuro me dê razão. De qualquer forma, qualquer que seja o resultado, espero que se tomem iniciativas para resolver os dramas que esta questão envolve.

Publicado por: Kaffa às fevereiro 1, 2007 03:35 PM

Se fossem todos como tu, Kaffa, a malta ia ver-se à rasca para desatinar ca maltosa do Não. Acredito mesmo que apesar da coerência da tua argumentação, bem trabalhadinho ainda lá ias botar a cruzita no sítio certo...
Mas enfim, um gajo que assume ser do Sporting denuncia à priori a inépcia nas escolhas.
E aqui não há debate possível: ÉsseÉleBê, ÉsseÉleBê, Glorioso, ÉsseÉleBê!!!

Publicado por: shark às fevereiro 1, 2007 05:56 PM

Também é muito difícil encontrar um benfiquista capaz de humor inteligente :) .

Publicado por: Kaffa às fevereiro 1, 2007 06:41 PM

Há mesmo excepcões, Mar. Vivi com uma familiar os ultimos 4 meses de gestação dela e ela escondeu a gravidez até ao fim. Era Verão (muito pouca roupa). E ninguém topou. Muita gordura ou arrumação, não sei. Eu sou pequenina e as minhas barrigonas ao quarto mês não davam para fingimentos. Só quiz contrapor um facto que comentaste e que sei que há mulheres que o fazem de uma forma muito leve. Infelizmente.
E tens toda a razão, não são mulheres com M grande. Nem pequeno. Mas são mulheres...e existem em maior quantidade do que desejaríamos.

Publicado por: celia às fevereiro 1, 2007 07:48 PM

Tou com o Shark (também no ÉsseÉleBê), acho que a humildade que o kaffa demonstra qo assumir as suas dúvidas é de louvar.
E voto Sim, Kaffa, claro.
Mas, como tu, também espero sinceramente que amudança da lei seja acompanhada por todas as medidas preventivas necessárias para que seja possível reduzir ao mínimo dos mínimos o recurso à IVG. Aí, teríamos um país civilizado (utopia né?).

Publicado por: Mar às fevereiro 1, 2007 09:12 PM

Tás comigo tás com deus. ;)

Publicado por: shark às fevereiro 2, 2007 12:51 PM