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fevereiro 21, 2007

A POSTA NO FLORIBUSTO

Ao longo da minha vida, por mero acaso ou por imperativo profissional, contactei diversas pessoas com o estatuto de figura pública. Nunca as invejei, pois em qualquer dos casos não me pareceu que gostassem particularmente da devassa das suas vidas privadas que, de resto, começava no simples gesto de tomar um café algures sem deixarem de atrair a atenção e até a insistência incómoda dos mirones de circunstância.

A figura pública, como o nome indica, é do povo. E o povo sente-se no direito de usufruir de algo que considera seu. Olha, olha, é aquele gajo da RTP, o… o…
Até pode nem ser “o”, mas aparece na televisão e é como se fosse da família.
Por isso mesmo, nem todas as figuras públicas possuem o traquejo necessário para lidar com este fenómeno de apropriação popular.
E das várias que conheci ou entrevistei pude concluir que esse traquejo anda de braço dado com a origem e o mérito da pessoa em causa. Eu explico melhor.

É fácil distinguir um milionário de quinta geração de um pato-bravo da construção civil vindo do nada. Este último enquadra-se, pela ostentação com que exibe o poder financeiro recém-adquirido a pulso num esforço para colmatar as lacunas ao nível da formação académica e/ou pessoal, naquilo a que chamamos um novo-rico.
Da mesma forma, entre as figuras públicas existe uma distinção. Há os que vestem a pele por obrigação, por inerência da projecção mediática que obtiveram por este ou aquele dom ou função, e há os deslumbrados que fazem questão de ostentar os tiques naturais daquilo que são afinal: meras vedetas de circunstância, regra geral do tipo efémero.

É a diferença entre um Fernando Dacosta, um Ricardo Carriço ou um Rui Águas, três das figuras públicas com quem privei por mais ou menos tempo, e uma tal de Luciana Abreu (que apesar do nível de popularidade actual nunca descolará da personagem que a celebrizou e dificilmente prosseguirá uma carreira em plano de ascensão).
E esta conclusão que retiro nem depende por inteiro da avaliação subjectiva da capacidade ou do talento da fulana, mas sim da atitude pimba do seu comportamento fora de palco e que denuncia o desconforto da vedeta na pele que vestiu por uma conjugação de factores que nada tem a ver com a do trio que citei acima.

Na Segunda-Feira à tarde, na estação de serviço de Aveiras, sentido Sul-Norte, diversas pessoas tiveram oportunidade de contactar de perto com a vedetazinha e com a sua pose arrogante de quem não respeita os papalvos que lhe enchem a conta bancária.
Ninguém se meteu com ela nem para pedir autógrafos. No entanto, foi visível e audível o desprezo com que tratou as funcionárias do bar que a atenderam, essa gente inferior que não saiu como a gaiata Floribruta do anonimato por um milagre daqueles difíceis de explicar.
Gente vulgar, como ela, mas mais educada, como se viu.

E é nesta pala de superior à força que se distinguem os que justificam o estatuto alcançado, ou pelo menos o sabem merecer, e os que cospem na taluda porque se sabem incapazes de a preservar no futuro e adivinham o inevitável declínio dos meteoros sem estofo nem classe para permanecerem no firmamento das estrelas a sério.

Por isso deixo aqui a minha aposta. Esta floribella/cinderela de segunda vai perder o sapatinho de cristal mal comece a perder o fulgor nas audiências e nenhum príncipe encantado procurará a respectiva dona.

E o coche, como a sua cabecinha oca, voltará sem apelo à sua condição de simples abóbora.

Publicado por sharkinho às fevereiro 21, 2007 10:01 AM

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Comentários

De uma lucidez arrepiante mas certo comá morte.
Partilho inteiramente desta reflexão. Conheço os meandros da invisibilidade tão bem como os da "figura do povo" embora a uma escala pequenininha e sei o quanto se nota a existência ou não de capacidade para encarar o mediatismo como uma coisa efémera. A "mocinha" é daquelas que não tem, tadita, foi tudo rápido demais. E com muito brilho - purpurinas e confetis - à mistura. ;-)

Publicado por: Mar às fevereiro 21, 2007 10:36 AM

Uns têm, outros não. É a lei da vida, sócia, e não há volta a dar...
E não creio que tenha sido por causa da rapidez do fenómeno que a rapariga se tenha revelado tão inadaptada à nova condição.
É mesmo uma questão de calibre.

Publicado por: shark às fevereiro 21, 2007 10:47 AM

Quem?

Publicado por: Kaffa às fevereiro 21, 2007 06:35 PM

Ninguém me soube dizer...

Publicado por: shark às fevereiro 21, 2007 07:32 PM

A culpa também é de todo o mecanismo que a fez ser floriestrela. E a rapariguita ainda é muito nova. Não amadureceu na idade nem no estrelato. Quando o brilho assentar rentinho ao chão, vamos a ver...

Publicado por: celia às fevereiro 22, 2007 12:05 AM

Somos aquilo que queremos ser, Célia, mesmo que o "sistema" nos empurre para outro lado qualquer, se na essência tivermos a força de alguma convicção.
E nessas escolhas difíceis é que revelamos o verdadeiro valor enquanto pessoas, pelo que a rapariguita não me inspira (pelo desdém que exibiu para com quem a admira) grande confiança nesse particular.

Publicado por: shark às fevereiro 22, 2007 12:54 AM