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março 02, 2007
A POSTA NO ACELERADOR DE PARTÍCULAS

Em boa medida, aquilo a que se convencionou apelidar de crise da meia-idade (que alegadamente nós homens enfrentamos pela casa dos quarenta) tem imensos paralelos com uma outra que nos toma de assalto quando o buço desponta.
E a principal semelhança entre esses dois períodos marados que nos descontrolam o pensamento e a atitude consiste na rebeldia atesoada que marca ambos com um cunho indelével e nos acelera sem controlo rumo a situações por vezes caricatas.
Confesso que na adolescência, e mal se revelou essa extraordinária utilidade suplementar de uma parte do corpo que julgava destinada apenas a cumprir funções no âmbito do sistema urinário, o acne assumiu um papel secundário nas minhas preocupações e o sexo passou a protagonizar quase todos os momentos dos meus dias.
Foi o tempo de desejar. As vizinhas, as amigas, as professoras, as primas e tudo quanto era fêmea ao alcance da vista pareciam-me sex symbols capazes de incendiarem fantasias e de condicionarem o meu comportamento de jovem aprendiz de garanhão.
Dava comigo em figurinhas patéticas, tentando atabalhoadamente sondar as hipóteses (quase sempre remotas) de concretizar na prática tudo aquilo que via nas Ginas que os colegas de turma gamavam nos esconderijos secretos dos pais. Fui aprendendo, à custa de alguns vexames próprios da época e da circunstância, a moderar a abordagem por forma a não “espantar a caça” ou a evitar comprometer-me perante esses alvos que me enlouqueciam quando se travestiam em amantes tresloucadas no meu fértil e infatigável imaginário juvenil.
E essa aprendizagem faz toda a diferença quando a ternura dos quarenta nos impele de novo para as cruzadas do amor, pois a relativa maturidade que vamos adquirindo permite-nos controlar o impulso arrebatador que nos arrasta (naquilo a que o povo desbocado designa como pensar com a pila) para um novo descontrolo hormonal que muitos entendem como o canto do cisne da nossa sexualidade primária.
Ou seja, voltamos a cobiçar (quase) tudo quanto mexe mas conseguimos dar a pala de distantes e contidos que não nos coloca sob suspeita de andarmos com falta de algo (naquilo a que o tal povo sem tento na língua apelida de mal fodidos).
Se essa é uma constatação fácil quando somos adolescentes e efectivamente o nosso olhar guloso traduz um apetite voraz por satisfazer, o mesmo pode não corresponder à realidade na fase quarentona.
Aí, o problema não reside apenas no apetite mas também no (chamemos-lhe) requinte que almejamos sempre que desejamos esta ou aquela pessoa. Mesmo que tenhamos estado na cama com alguém poucas horas atrás, o que em teoria nos sossegaria a maluqueira, basta um vislumbre de algo numa pessoa (digo pessoa porque gostos não se discutem) que nos desperte uma imagem mais sensual e a nossa libido converte-se instantaneamente num acelerador de partículas…
E essa é a parte castiça da tal crise de meia-idade que assumo pela interpretação destes sinais que nunca me abandonaram mas seguramente recrudescem nesta altura e, pela troca tímida e fugaz de impressões com outros machos da espécie, concluo indiciarem o mergulho na convenção que referi. Sobretudo quando se associam a aceleração libidinosa e a descontracção perigosa que nos leva a negligenciar a prudência em muitos domínios que a nossa vida contempla.
Não tem sido fácil de gerir, tal como não o foi outrora, este call of the wild que na caricatura mais corriqueira empurra gajos com idade para terem netos para o interior de desportivos descapotáveis.
Mas tenho que admitir que dá pica, este regresso (porquanto irregular) a um estado de espírito que a ser uma espécie de despedida aos dias de glória constitui sem dúvida um portentoso e agradável adeus…
Publicado por sharkinho às março 2, 2007 12:13 PM
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Comentários
Tirar partido de cada etapa, afinal continua a ser uma aprendizagem...
Passar de inexperiente (o tal aprendiz de garanhão) , a apressado e pouco selectivo (com medo que acabe já amanha ou a pensar já na próxima “vitima”)
A selvagem (vale tudo…. Para quem goste até tirar olhos rsrsrs)
Selectivo (nem tudo o que vem à rede é peixe)
Agora sentir que poderão ser as ultimas “cartadas”…
Tirar partido de tudo o que se aprendeu, partilhou, recebeu…. Agora sim é o momento de te “transformares” conforme te apeteça… sharkinho…. Shark…. Ou SHARK ;)
Beijo amigo
Publicado por: Ao Luar às março 2, 2007 09:38 AM
Tou aqui a pensar em possíveis partes da anatomia por onde se dispersam essas partículas aceleradas...:-))
E tu pá, és mesmo exigente, atão porque é que só os quarentões que têm desportivos descapotáveis é que têm direito a...hummm...recordar as epopeias da juventude, hein? Não pode ser num mini, não? Pfff...burgueses.
Publicado por: Mar às março 2, 2007 09:46 AM
Alto e pára o baile! Eu não sinto que são as últimas cartadas, amiga. Apenas refiro que é essa a noção mais generalizada. Muita atenção a este pormenor.
Não sei nem me interessa se são as últimas cartadas ou não (se forem, tenho trunfos por jogar), certo é que me dizem que por esta altura costuma perder-se algo do qual ainda não dei pela falta... :)
E eu reproduzo o que dizem, apesar de, como é óbvio, cada um sabe de si (e eu não tenho preconceitos contra o viagra quando tiver que ser).
Beijo amigo pra ti tb.
Publicado por: shark às março 2, 2007 09:46 AM
Lol, Mar! Mas olha que eu não tenho um descapotável e no entanto... :)
Publicado por: shark às março 2, 2007 10:13 AM
!!! Deixa-te chegar aos 60 e verás o que é bom...
Publicado por: ! ! ! às março 2, 2007 10:58 AM
Só o que não se usa atrofia, Shark. Se dizes que tens trunfos para jogar qual é o teu problema? É só a ternura dos quarenta, falta muito para a tremura dos oitenta :)))
Publicado por: Maria às março 2, 2007 11:07 AM
Ò Espantação, considerando a evolução dos últimos 20 anos posso dar-me ao luxo de prever com optimismo os próximos 20. ;)
Publicado por: shark às março 2, 2007 11:09 AM
Problema nenhum, Maria. E até ver, a fita métrica ainda não me deu esse desgosto... :)
Publicado por: shark às março 2, 2007 11:10 AM
Não é descapotável mas tem tecto de abrir. E dimensões semelhantes a um T0, portanto...;-)))
Publicado por: Mar às março 2, 2007 11:18 AM
Bem visto.
É mesmo como dizes, burgueses e tal... (e não, não pode ser num mini, pfff, pois não há como arrumar 1,80m de esqualo numa lata de sardinhas)
Publicado por: shark às março 2, 2007 11:21 AM
Bom dia, Amigo!
Não fosse o modo gingão, com que escreves este post e eu sentir-me-ia a mulher, mais infeliz do mundo...
A ideia de um fulano, sair da minha cama (ou do meu corpo...) e desejar a próxima pessoa, que... leva-me não sei a que sensação... quase orgásmica de raiva... e de despeito...
Tal como dizia um dia deste a um "amigo", enre o pouco e o nada... fico-me pelo nada...
Que imaginar, que saibo a pouco a alguém... é algo, que preferia nunca saber...
Beijos
Publicado por: Partilhas às março 2, 2007 12:01 PM
A Mar tem toda a razão quando fala nas capacidades do mini, Shark. Ainda sobra espaço depois de arrumar 1,80m. É pequeno mas tem muita arrumação. Garanto eu!!!:)))
Publicado por: Maria às março 2, 2007 12:01 PM
Gingão é fixe, Partilhas. E sim, é óbvio que o tom brejeiro deixa margem de manobra para não se levar a coisa tão à letra que se possam ferir sensibilidades...
Nem o discurso pode deixar transparecer que isto é o da Joana nem as coisas são assim tão simples na prática.
Mas do ponto de vista teórico, enfim...
Publicado por: shark às março 2, 2007 12:20 PM
Vocês lá sabem, pelintras...
Eu só uso carrões. (cof cof)
Publicado por: shark às março 2, 2007 12:27 PM
!!! O que eu quiz dizer é que aos 60 vem ao de cima as ternuras dos 20 dos 30 dos 40 dos 50 e é um ver se te avias com a ternura dos 60. Lá para os 80 talvez venha a saudade, isto no caso dos homens claro, que é quem mais se tem de esforçar porque no caso das mulheres, mesmo que fiquem um pouco mais passivas até aos 100 penso que não há nada a obstar... é só querer.
Publicado por: ! ! ! às março 2, 2007 05:03 PM
!!! Mais uma coizinha relativa à "caça" como tu dizes:
"Fui aprendendo, à custa de alguns vexames próprios da época e da circunstância, a moderar a abordagem por forma a não “espantar a caça”"
Pergunto: quando será que vocês os homens percebem que por muito que julguem que andam à caça, vocês são os únicos caçados !?!?!?!?
Pois!!! só que não conseguem perceber né ?
Vá-se lá saber porquê... deve ser do esforço a que são submetidos os neurónios.
Com esta o tubarão vai passar a coelho!
Publicado por: ! ! ! às março 2, 2007 05:21 PM
(De cenoura ao canto da boca)
Eu sei que tens razão, mas a malta tem que dar aquela pala pra não parecer mal. Sabes como é...
E quanto à idade, conto com a indústria farmacêutica para criar um viagra para todas as idades até lá. :)
Publicado por: shark às março 2, 2007 05:54 PM
bla bla bla
Publicado por: Eu às setembro 12, 2008 05:25 PM
Sem dúvida. Eu também prefiro fazer.
Publicado por: shark às setembro 13, 2008 01:13 PM