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março 21, 2007
DESEJO CLANDESTINO

Olha assim para mim e depois não negues que me desafias, nesse instante em que denuncias a tua vontade de me teres. O meu corpo no teu encostado, o calor do teu desejo acordado pela resposta que esperavas e não neguei.
Hesitas numa fútil reacção, a necessidade de negação de uma vontade proibida nessa alma esquecida por quem devia acarinhá-la. A pele que me embala adiante, abraçar-te de rompante para vergar a ténue resistência e eliminar essa prudência que te impede de ser feliz.
Esse olhar que me diz estar na hora de mostrar o quanto quero provar que sou digno de tal anseio, de te exibir o quanto quero substituir quem te permite privação. Acelera-me o coração com a tua revolta de mulher que sabe bem o quer e muito sente a falta de um amante que te sinta importante e te arraste nos seus braços para um leito que sentes pedestal.
O teu momento especial, negado por quem o deve, criado por quem atreve aceitar o desafio nesse olhar que exibe o cio de uma fêmea sedenta de paixão. O toque da minha mão nas tuas costas, a expressão que confirma que gostas de sentir este apelo selvagem e embarcas na louca viagem sem os medos postiços que alguém te incutiu.
A loucura que te possuiu nesta altura é genuína, o grito de prazer que me anima a cuidar de ti como uma jóia. Preciosa para desfrutar, diamante por lapidar, escondida num cofre privado por um amor desencantado que te trata como uma posse e todos os dias esquece a fortuna que toda tu constituis. Aos meus olhos aquilo que possuis é uma fabulosa riqueza e apago essa tristeza com a prova que te faltava, o teu corpo ansiava pela chama intensa de um desejo carnal, a vontade imensa de um orgasmo final que te liberte e no fundo te desperte para a vida que queres absorver.
Pelo corpo de mulher que acarinho, esse olhar meigo que adivinho ser espelho da tua gratidão por toda a emoção que me empenhei suscitar quando me permitiste amar naquele dia o olhar que dizia preciso de me sentir desejada.
Sem presumir desrespeitada a dignidade e a nobreza que a tua pessoa dá a certeza de fazer parte do todo que te faz.
Publicado por sharkinho às março 21, 2007 03:53 PM
Comentários
O clandestino é o mais apetecido ...:)
Publicado por: Maria às março 21, 2007 04:12 PM
Sim, tem o seu quê... ;)
Publicado por: shark às março 21, 2007 04:27 PM
Com os olhos até tenho jeito... pelo murozito é que passa pouca gente.
Gostas de escrever, não gostas?
Publicado por: Nina às março 21, 2007 05:20 PM
(Mais vale poucos e bons...)
Gosto. Muito. De escrever e descrever.
Publicado por: shark às março 21, 2007 05:25 PM
Nem poucos, nem bons, nem maus. É mais ovelhas, cães vadios e gatos poeirentos. Mas a imaginação torna-se prodigiosa!
Publicado por: Nina às março 21, 2007 05:33 PM
A imaginação é o melhor "motor de arranque", amiga... :)
Publicado por: shark às março 21, 2007 05:36 PM
E depois fica "afogado" com tanto arranque!!! Andar a 180 numa auto-estrada também sabe bem, de quando em quando.
Publicado por: Nina às março 21, 2007 05:54 PM
Vrruuum! :)
Publicado por: shark às março 21, 2007 07:41 PM
Adorei\este texto.Està muito bem escrito, para além de conter em si uma enorme realidade
Publicado por: antonieta às março 21, 2007 09:10 PM
Muito obrigado, Antonieta. E não posso negar que foi inspirado na vida como ela por vezes se apresenta...
Publicado por: shark às março 21, 2007 11:29 PM