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abril 30, 2007
(LIS)BOA TODOS OS DIAS
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 03:10 PM
SENTIDO OBRIGATÓRIO

Tão simples. Deixarmo-nos embalar pelas ondas num imenso azul e chamar-lhe vida preciosa que é urgente saborear.
E enfrentar tempestades, que sempre existirão, as tormentas que experimenta qualquer navegador, mesmo que fique em terra e ignore o amor.
A aventura da existência, a sorte e o azar, o poder navegar sobre os espaços que incluímos no mapa de viagem pessoal.
O privilégio de escolher como o fazer, o rumo nas nossas mãos, pelas cartas que indicam os portos de abrigo ou ao acaso pelo desconhecido que urge desvendar.
Mistérios que guardamos naquilo que somos e a mente é tudo aquilo que nos faz. Ou a alma, como preferem os adoradores de deuses que acreditam ser esta apenas uma etapa num percurso que só depois do final poderá ser absolutamente feliz.
A nossa fé num amanhã para avançar num rumo qualquer nesta viagem sem sentido algum quando a abraçamos sem vontade de a usufruir.
Sem sabermos sequer de que lado das nuvens olharemos o céu daqui a nada.
E a vida na nossa mão, as rédeas que o torpor idiota do efeito da ressaca de dias desperdiçados a correr nos leva a ignorar e quando nos apercebemos que precisamos agarrar o leme e virar é quase sempre tão tarde demais. As decisões que deixamos por tomar, optimistas, até ao dia em que alguém terá que as decidir por nós. Ou ficarão para sempre adiadas nas memórias enterradas em conjunto com um invólucro que afinal deveria ter servido sempre e só para sentirmos o prazer da existência.
A vida a doer, pela evidência que nos obriga a reconhecer aquilo que vivemos às cegas. Aquilo que tapamos com as talas laterais que roubam à vista a felicidade que às vezes só surge de relance no ângulo alargado de uma visão periférica. Passam-nos ao lado as oportunidades melhores, o encanto de amores ou mesmo a inigualável experiência de ver um filho a crescer. Depressa demais, quando nos deixamos atordoar pelos narcóticos de um sucesso feito de plástico, inventado de propósito para nos impedir de olhar a sério para aquilo que interessa afinal.
Drogados pelo ópio do povo que é a ilusão da riqueza, o desvio de uma certeza que todos os dias é iluminada por um novo nascer do sol.
A esperança que aniquilamos com o tempo que desperdiçamos a fugir das coisas que nos fazem sorrir, cegos pelo cumprimento de um desígnio que não passa de uma obrigação que alguém nos vendeu.
Uma história mal contada que precisamos com urgência alterar, cada um o seu desvio para a linha alternativa nos carris da locomotiva ou esculpida pelo destino nas palmas das mãos.
Uma guinada no leme, repentina, viramos naquela esquina para o lado oposto onde a ilha deserta ou outra terra incerta nos podem aguardar. O destino a mudar quando não serve os propósitos sagrados de qualquer ser dotado de vida e capaz de decidir por si só.
O exemplo de uma avó ou de qualquer pessoa infeliz que não teve aquilo que quis enquanto podia lutar pela sua obtenção.
A verdade na nossa mão, a cada instante mais clara.
Porque o tempo não pára.
Mas o mesmo não acontece com o nosso coração.
Publicado por sharkinho às 10:06 AM | Comentários (2)
SAUDADE DO VERÃO
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:25 AM | Comentários (2)
A POSTA QUE MORDEM A CENA

Nem vale a pena comparar o número de vítimas mortais de ataques de cães em Portugal com o de pessoas mortas por tubarões. Em Portugal, nas Bahamas ou na Austrália. Tanto faz.
Os tubarões são como os lobos. Maus à partida. A única diferença é que o mito ligado aos tubarões pratica surf e o Capuchinho, ao que se sabe, era uma criança tolinha ou então tinha uma avó mesmo muito feia. Ou não era cliente da Multiópticas.
Ninguém esquece uma dentada de tubarão, onde quer que ela aconteça. O estúpido do Spielberg, a quem também não perdoo ter optado por um tachista kraut em detrimento do nosso Aristides de Sousa Mendes para fazer a sua lista minúscula, é apenas um dos responsáveis por essa fama sanguinária dos esqualos.
Mas é mesmo assim. Ninguém esquece uma dentada de tubarão, mesmo (e sobretudo) enquanto deglute uma sopinha de barbatanas daquelas com que os chineses começam a ameaçar de extinção uma espécie que acompanhou a evolução deste planeta idiota desde há milhões de anos. Milhões de anos! Para acabar numa tigela ao lado do arroz chao-chao…
No entanto, e pelo contrário, as dentadas aos tubarões não contam. Como têm fama de maus a malta pode morder à vontade que ninguém censura. Mas têm pena dos quatro pitbules que mataram uma senhora na zona de Sintra, abateram os pobres bichinhos. Fazem bem em ter pena, pois o dono dos cães é que merecia uma mão pesada da justiça.
Mas isso não vem ao caso, pois em nada contribui para defender a minha teoria.
Reparem que até a Fox, na sua recente série cujo título me apraz (Shark, claro) investe num James Woods sublime na pele da espécie. Impiedoso, predador, mordaz (esta eu podia evitá-la, porra…).
A imagem dos tubarões é péssima e até os pescadores veteranos fazem gala de se gabar quando apanham algum (dos mais minorcas, pois…) por distracção.
E por isso mesmo, a malta acha que vale tudo. É cachaporra no bicho até ele parar de nadar. Quase como se não tivesse o direito de ocupar as águas que um dia podem, sabe-se lá, destruir os parques de campismo da Costa da Caparica. De certeza que foram os tubarões que deram à cauda e, tal como as asas das borboletas no Japão, provocaram um maremotozinho só por represália por não terem condições para provar um pedaço de banhista portuga.
Tudo isto a propósito não sei bem do quê, só presumo.
Mas a razão ninguém me tira.
E um açaime ninguém me põe.
Publicado por sharkinho às 12:35 AM | Comentários (0)
abril 29, 2007
EU GOSTO DE ANIMAIS
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 10:48 PM | Comentários (0)
AFINAL GANHOU O FC PORTO...
Como o Sporting também aderiu à moda dos empatas, os clubes da capital acabam de se afastar um ao outro do título.
"Se não é para mim também não é pra ti. Bem feita!"
Prontos.
Publicado por sharkinho às 09:08 PM | Comentários (2)
EU GOSTO DE PESSOAS
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:07 PM | Comentários (6)
MAKE UP
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 04:51 PM | Comentários (0)
DUELO FRATRICIDA
Vai ser mais logo, no estádio do Glorioso.
Que vença o melhor (e esse já todos sabemos qual é...)
Publicado por sharkinho às 12:52 PM | Comentários (4)
abril 28, 2007
(LIS)BOA TODOS OS DIAS
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:01 PM | Comentários (0)
NA RUA DOS OUTROS

Foto/Imagem: Shark
À tua volta a cidade que te olha com piedade ou com o desprezo a que se votam os que se colocam ou são colocados do lado de fora por alguma razão.
Já nem olhas, saturado, e ignoras esse fado urbano que é o teu, isolado, num oceano cujas ondas te arrastam para a periferia do mundo que te naufragou.
Caminhas por entre as sombras de quem passa ao lado do teu corpo massacrado pelas noites mal dormidas, desprotegido, nas lajes geladas do chão que por castigo a cidade te impôs.
Acreditas que só te resta (sobre)viver assim, sempre próximo do fim que não temes sempre que gemes as dores que ninguém pretende ouvir. Enxotado para um ponto afastado dos sentidos tão sensíveis que protestam contra a fractura exposta que representa essa miséria imposta pelos andrajos que a sociedade te vestiu.
Quando te baniu por alguma razão.
A autoridade na perseguição a esses sinais de perigo, um futuro sem abrigo que pode abater-se sobre cada um de nós. Porque basta sentirmo-nos sós em demasia num mundo que desconfia dos que não conseguem esconder a solidão. Ninguém deita a mão a alguém que assume a desistência quando lhe acaba a resistência contra as agressões do exterior.
A cidade à tua volta e a falta de amor que te isolam como uma peste a evitar. Tu e os outros a caminhar em sentidos opostos, lado a lado no mesmo espaço onde te sentem a mais. E é assim que te entendem os que te olham com misericórdia ou te borrifam com a água benta da sua presunção. Beatas no chão que pisas, esses restos que fumas, esses vícios passados dos outros presentes na tua boca sem voz.
Uma cortina de fumo entre aquilo que te rodeia e a tristeza à vista no teu olhar.
Insistes em caminhar para lado algum nessa cela sem tecto, uma estrela tão perto que quase consegues tocar, cadente, que rasga o céu com o rasto brilhante até a luz desaparecer e o teu olhar se estatelar na gravidade da situação, o rebordo de outra garrafa vazia no frio do chão. A caridade fugaz dos poucos que iluminam o trilho que insistes percorrer sob a luz da cidade que um dia te apagou.
A corrente que arrastou a tua memória para longe do desalento que um dia te desligou.
Da tomada de consciência, irrelevante, daquilo que vi.
Dessa ausência indiferente dos outros como de ti.
Publicado por sharkinho às 12:13 PM | Comentários (4)
PAUSA PUBLICITÁRIA
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 01:14 AM | Comentários (0)
abril 27, 2007
UMA TRABALHEIRA
Com a primeira parte das férias acabadinhas de marcar (beach, beach!) e com a sonolência de quem se deitou apenas duas horas antes de acordar preparo-me para uma incursão pela gastronomia indiana.
Depois é ver no que dá o início do fim-de-semana.
Espero que o vosso seja excelente.
Publicado por sharkinho às 05:53 PM | Comentários (0)
BLACK & WHITE
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:58 AM | Comentários (7)
NÃO OLHES AGORA

Coisas que não podem ser ditas, angústias proscritas na boca e reclusas no coração. Segredos cativos, talvez ignorados nas masmorras do esquecimento em que se transforma o pensamento quando a verdade nos dói.
À espera de uma ocasião imprevista para se esgueirarem, na ânsia de escaparem para os cenários fantasiados de um crime por cometer.
Só precisam de obter uma fracção de segundo, um instante em que não se conseguem esconder essas coisas que não podem ser ditas mas espreitam pelas janelas abertas no momento de desatenção fatal de um olhar guardião prisional das emoções que alguém tentou ocultar.
Uma alma escondida com sonhos de foragida que sem querer deixou espelhar.
Publicado por sharkinho às 07:38 AM | Comentários (0)
abril 26, 2007
TALVEZ EM ALCOENTRE OU NO LINHÓ...
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:13 PM | Comentários (2)
FLOWER POWER
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 12:16 PM | Comentários (4)
A POSTA SEM CORANTES
Se tivermos em conta a forma como os próprios definem a sua motivação para blogar, cada cabeça sua sentença, não existe uma definição “universal” para o que nos prende a esta plataforma de comunicação.
Uns dizem que blogam para si, transformando o blogue numa espécie de diário “secreto” sem cadeado que se deixa à porta do prédio para toda a vizinhança o ler (quando até existem formas de bloquear o acesso aos outros com a simples exigência de uma password). Outros dizem que blogam apenas porque não gostam de escrever para a gaveta, o meu caso, ou pela simples sede de comunicar sem arriscar alguns contratempos analógicos a que nos podemos poupar neste meio virtual.
Outros nem sequer oferecem explicações. Mas também blogam e não são poucos.
Contam-se pelos dedos de uma mão aqueles que assumem publicamente a atenção às estatísticas, aos contadores que nos indicam quantas visitas o nosso trabalho angariou e assim permitem avaliar o nosso desempenho, pela evolução dos números, aos olhos dos outros. Sim, sim, quantidade não é qualidade e todos sabemos que a malta nem quer saber destas coisas (mesmo os que têm até mais do que um contador e de vez em quando se descuidam com um post acerca da visita número xis ou com o desabafo acerca da curva descendente que o gráfico das “audiências” não consegue esconder).
Contudo, se os que afirmam blogarem para si incorrem no óbvio contra-senso de tornarem público o que afirmam ser privado, os que invocam o gosto de exibirem aquilo de que são capazes também terão alguma dificuldade em explicar-me a lógica de “não lhes interessar” quantas pessoas apreciaram essa exposição.
Em resumo, há muitos bustos na pala de quem bloga e a maioria dos que apontam o dedo aos que não escondem andarem nisto (também) pela pica de chegar ao maior número possível de pessoas só o fazem para disfarçarem o desconforto de se sentirem a falar sozinhos, incapazes de assumirem com frontalidade que ou até têm jeito mas necessitam de alterar o figurino do seu trabalho ou, truth hurts, mais vale irem tentar o Second Life (onde a malta só precisa de ter palheta e nenhum outro talento – ou respectiva ausência – é necessário para dar nas vistas).
E que entendo eu por figurino do nosso trabalho? O tema dos posts, o estilo das gravuras, a regularidade na publicação (as “pausas retemperadoras” são um convite à desmobilização dos visitantes) e a vontade de fazermos o melhor que conseguimos por respeito a quem nos visita. É nestes aspectos que podemos fazer a diferença que se nota depois nos contadores (aqueles em que ninguém repara e até, quando beliscam o ego, são pintados como uma ameaça cheia de papões informáticos para justificar a sua eliminação).
Torna-se por demais evidente que a velha “mama” da troca de linques como se de cromos se tratassem, o comentáriozinho da treta copiado em doses industriais só para marcar presença no máximo de espaços possível (pela estúpida “obrigação” de retribuir um simples olá) e o “empurrão” recíproco de amigos de circunstância já foram chão que deu uvas. A malta diz que sim, muito giro e tal, mas depois não papa grupos e vai visitar os blogues que verdadeiramente interessam…
O amadurecimento da blogosfera está a conduzir as coisas num sentido que não interessa a quem nada tem de novo para dar, a filtragem de quem vale a pena em detrimento da “popularidade” sustentada numa maior ou menor teia de influências que antes disfarçava nos números as lacunas de quem agora se vê relegado para um plano, nas suas ambições desajustadas, confrangedor.
O tempo da projecção indevida está a acabar para quem anda nisto sem argumentos ou sem estaleca para enfrentar diariamente a pressão de fazer bem para garantir o regresso de quem antes observou.
E isso só pode ser boa notícia para quem leva isto a sério, dá o seu melhor e nada tem a esconder.
Publicado por sharkinho às 10:45 AM | Comentários (15)
HAVE A NICE DAY!
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:09 AM | Comentários (2)
É INDECENTE
Interromperem assim o feriado a uma pessoa.
Publicado por sharkinho às 08:04 AM | Comentários (0)
abril 25, 2007
A POSTA QUE SOMOS LIVRES!
Uma das coisas que a Liberdade nos permite é podermos pensá-la sem medos ou vergonhas.
Eu gosto de a pensar porque muitas vezes é a pensar que melhor se sentem as coisas.
E é bom senti-las porque viver é acima de tudo sentir.
Amanhã vou iniciar o dia como participante em mais um funeral, desta vez o de um homem que infelizmente não conseguiu aguentar mais um dia para comemorar a sua Revolução, um comuna que encontrou ontem a libertação que, em determinadas condições, a morte constitui.
Vou assim continuar a minha homenagem habitual às mulheres e aos homens que se bateram pela tal Liberdade que a Revolução nos ofereceu, à qual dei início com a sua voz (a do Zeca) cantada, homenageando amanhã com a minha presença um homem que se dá à terra no aniversário de um dos seus dias especiais.
Este, o meu, está marcado pela perda que amanhã se confirma.
Mas também pelo orgulho imenso de ver num desenho feito há pouco pela minha filha com sete anos de idade que a sua percepção do 25 de Abril é feita de flores, de sorrisos e de paz.
E é por esse sorriso que me encanta de quem pode falar sem mordaças que me baterei, até ao fim dos meus dias, para que nunca se perca no tempo o ideal que Abril representa e os abusos ou negligências que a fragilidade de um sistema democrático permite nunca conspurcarão.

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 12:42 AM | Comentários (11) | TrackBack
abril 24, 2007
SKY PAINTINGS
Fotos: Shark
Publicado por sharkinho às 05:25 PM | Comentários (9)
DESPORTO RADICAL - A Caça

Nem sempre nos calha falarmos de assuntos que nos interessam. Por vezes até se justifica abordarmos temas que abominamos por esta ou aquela razão, apenas para garantir que não existem temas tabu.
No entanto, e embora a caça seja o desporto radical desta prosa, permito-me (com a vossa licença) não esbanjar o nosso tempo a falar do quanto é fascinante disparar uma arma de fogo sobre um animal qualquer. Ou da injustiça de já quase não haver alvos de determinadas espécies, uma queixa frequente dos que não frequentam coutadas particulares.
(Pode ler esta crónica também na VOX)
É que a caça, como qualquer atirador experimentado o alegará como escapatória para o seu estatuto de “matador”, domina o Homem (sobretudo com minúscula, pois as mulheres em regra só há pouco tempo começaram a vestir o camuflado – muitas vezes precisamente durante a ausência prolongada dos seus consortes caçadores) desde há milénios.
A caça está arreigada nos hábitos e costumes da população, apesar de arriscada, e assim se prova como é radical a postura do portuga contemporâneo. Por outro lado, a modalidade constitui um excelente pretexto para dezenas de milhar de chanfrados (sim, porque um gajo acordar às três da manhã numa noite gelada e deixar a mulher sozinha na cama para ir matar passarinhos num ermo qualquer, enfim…) poderem conservar de forma legal uma arma de fogo com a qual muitas vezes acabam por caçar os passarões que lhes entram pela janela do quarto pela surra enquanto procuram lebres ou perdizes no campo.
Claro que isto é uma caricatura da realidade, pois existem muitas famílias onde é bem aceite este passatempo ancestral que por vezes até dá para poupar uns trocos em carne no mercado da freguesia.
Não faltam as que abençoam o pretexto para verem pelas costas os cretinos que aturam dias a fio, torcendo com afinco pela abertura de uma nova época de tirinhos que lhes desamparem a loja aos fins-de-semana.
A caça pode assim servir de terapia para evitar algumas separações perfeitamente evitáveis (olhos que não vêem…).
E assim proliferam pelo dia a dia as adaptações que a sociedade fez desta popular modalidade para poder praticá-la em quaisquer condições.
Durante as campanhas eleitorais, por exemplo, é frequente encontrar os caçalíticos (caçadores políticos) em plena caça ao voto nas feiras e outros locais onde abundam alvos potenciais.
Mas também é famosa a caça ao “pato”, com variante externa (angariadores de rua do time-sharing) ou interna (caçadores/as telefónicos dos mais variados embustes). Em ambos os casos, o “pato” é aliciado com viagens e outros engodos e quando dá por ela já tem as rodelas de laranja nas margens da travessa onde o irão trinchar, mês a mês.
Em voga nestes tempos de crise, a caça à multa adquire particular relevância e se antes só os agentes da autoridade podiam disparar coimas, a EMEL e outras empresas camarárias de extorsão legalizada podem agora disputar as peças de caça em plena via pública.
Das Caçadeiras
Outra variante mais moderna, conhecida pela caça ao disponível em condições, é praticada em exclusivo por caçadoras e distingue-se pela extrema dificuldade de encontrar alvos adequados que, de acordo com as praticantes federadas, escasseiam. De resto, o disponível em condições é uma espécie em permanente via de extinção na parte inferior da pirâmide etária (solteirus incautus) embora se encontre com relativa facilidade nas camadas mais maduras da população (divorciadus recentis).
Pela lei da oferta e da procura (e porque se alguém os descartou algum defeito lhes encontrou), esta última peça de caça é menos valorizada e normalmente abatida apenas para consumir os cartuchos remanescentes (excepção feita ao divorciadus recentis abastadus entradotis, muito cobiçado como troféu – depois de embalsamado pela sua caçadora ou “recém viúva” fica óptimo numa parede da sala).
Muito mais haveria a dizer acerca deste desporto tão popular, mas ficamo-nos pela recomendação prudente de que se fiquem pela caça aos gambuzinos. Não requer uma licença (nem mesmo dos visados), dispensa armas de fogo, não coloca espécies em risco e, acima de tudo, evita as deslocações frequentes sob o frio da madrugada e evita assim que ao fim de algum tempo mais valha a alguns caçadores dedicarem-se à pesca…
Publicado por sharkinho às 10:18 AM | Comentários (4)
abril 23, 2007
(LIS)BOA TODOS OS DIAS
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 07:50 PM | Comentários (2) | TrackBack
NOTAS VALSAS

O som do piano que ecoa na sala por entre as vénias que o silêncio lhe oferece nas bocas caladas de quem se presta a ouvir.
A música das palavras ditas dessa maneira, tocadas pelos dedos cuja mestria se mede na reprodução fiel de emoções escritas numa pauta para alguém as interpretar depois. O teatro musical, dramático o impacto daquela virtuosa combinação dos sons nos ouvidos sensíveis e conhecedores.
A expressão de inspirados autores na impressão traduzida nos rostos de olhares perdidos pelo palco imaginário para onde a música os transportou. Ou fechados à realidade do auditório improvisado onde as teclas produzem cores que voam pelo ar como pássaros a planar ao sabor do vento que soprou do coração de um compositor. No céu da imaginação.
Talvez uma ode ao amor ou apenas a evocação de uma sangrenta batalha, a glória de um monarca ou a euforia alheia de uma paixão que se absorveu.
Nas notas alinhadas em silêncio, o ritmo e o tempo de cada momento contado nas teclas por dedos esguios. Para experimentar num mutismo reverente e no fim aplaudir.
Bailar com os olhos a melodia na pauta que pode ser feita de vários papéis, num palácio de sonho como rainhas e reis ou como simples peões num enredo qualquer do tabuleiro universal.
O silêncio final rasgado na sala pelas palmas das mãos quando vibram ainda os últimos acordes, o derradeiro capítulo, o acto terceiro de mais uma peça solta na vida que se escuta, tal e qual como se vê.
Ou talvez nas entrelinhas de um livro que se lê.
(Hoje, dia de S. Jorge, é também o Dia Mundial do Livro)
Publicado por sharkinho às 08:36 AM | Comentários (16) | TrackBack
abril 22, 2007
FLOWER POWER
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:40 PM | Comentários (8)
A VOZ PARA QUE ME LEIAM

Sabem, gostava de poder falar convosco nesta altura. De saber que conseguiram encontrar uma forma de perdoar e de serem felizes os dois outra vez. Ou mesmo os três, se na vossa dimensão não existir o ciúme e a posse de uma alma seja de facto impossível por não fazer sentido algum num sítio onde as coisas não precisam de acontecer por uma razão.
E depois de vos saber assim, gostava de poder falar-vos de mim para podermos explorar as nossas semelhanças. As coisas que herdei por via indirecta, pela porta deixada aberta por um dos frutos visíveis da vossa relação. Gostava de vos mostrar o meu coração para que nele pudessem rever algumas características fáceis para vós de explicar e que me pudessem ensinar a dar a volta a algumas interrogações.
As vossas explicações seriam valiosas para encontrar em mim as respostas para os factos que vos perturbaram naquele tempo e regressaram sob outras peles nesta existência que a vossa, na prática, viabilizou.
Foram gente que amou e de forma intensa. Desafiaram a moral vigente e não acharam indecente entregarem-se por algum tempo a um poderoso sentimento que resultou numa enorme confusão, abraçaram a verdade e vergaram a realidade à que vos servia melhor quando cederam ao amor, tão proibido então como agora.
As coisas não mudaram por aí além nessa matéria, a maioria na miséria infeliz das farsas impostas pelos outros lá fora e o que possam dizer, ou na ressaca sempre foleira dos caminhos a dois que conhecem o fim quando cedem os laços tão frágeis que unem as pessoas. O mesmo mundo das paixões a fingir, dos rostos a sorrir para disfarçar uma sensação de tristeza ou mesmo a certeza de que a felicidade se tornou impossível como uma utopia ao alcance apenas de loucos, de pobres de espírito e de sonhadores.
E vocês, que tanto lutaram pela vossa até a pressão vos esmagar, têm imenso para me ensinar acerca de resistência e sobretudo da consciência tal como a devemos enfrentar nas piores alturas. Essas, como saberão, são aquelas que nos arrastam para a convicção de sermos responsáveis por toda a infelicidade alheia, cada desgosto uma tareia no ânimo indispensável para nos agarrarmos ao cadáver da esperança que afinal acaba por nem ser a última a morrer dentro de nós.
Sabem, é quando olhamos a sós as imagens em que somos protagonistas de uma história belíssima e nos identificamos com o papel do vilão. E não digo que o são, as pessoas apanhadas pelas repercussões negativas das suas acções irreflectidas mas motivadas pelas mais genuínas emoções. E não vos falo de arrependimento mas antes da frustração que se sente quando entendemos no presente as lições que o passado nunca sabe leccionar na devida altura.
Falo-vos de como é dura, e é disso que esta conversa trata, a estranha noção de que é impossível a absolvição para os culpados de rebeldia.
Como se fosse uma heresia acreditar que qualquer espécie de amor ou da paixão sua filha só pode ser uma maravilha, como quem tal experimenta o diz.
Só pode ser uma história com um final feliz.
Publicado por sharkinho às 09:18 PM
O CALOR CHEGOU
E eu fico mais feliz no meu clima ideal.
Publicado por sharkinho às 06:07 PM | Comentários (6)
TONS SADINOS
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 11:44 AM | Comentários (2)
abril 21, 2007
PORTAS ABERTAS
O cavalo de Tróia deixado por Portas no Caldas lá cumpriu a sua função. Concretizou-se a chicotada psicológica no CDS/FC e agora é só esperar para ver as ondas de choque no time laranja...
Mas claro que tudo o que escrevi acima é irrelevante quando temos em conta o AVC do grande Eusébio, algo que incomoda qualquer adepto do futebol em geral e do Glorioso em particular.
Para o Pantera Negra vai o meu voto de rápida recuperação.
E para o Mancha Negra nunca irá voto algum.
Publicado por sharkinho às 10:16 PM | Comentários (2) | TrackBack
TUBARÃO NO PORTAL
Hoje foi publicada no AEIOU a minha segunda crónica: Um Desastre Ambidextro.
Publicado por sharkinho às 10:05 AM | Comentários (8)
NAVEGAÇÃO COSTEIRA
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 01:17 AM | Comentários (0)
PALAVRAS
Para quê?
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abril 20, 2007
BLACK & WHITE
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 10:10 AM | Comentários (10)
abril 19, 2007
FLOWER POWER
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:36 PM | Comentários (8)
(LIS)BOA TODOS OS DIAS
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 04:45 PM | Comentários (2)
SWING THE BLUES

A mulher comprometida lançou-lhe um olhar que lhe pareceu combinar com o sorriso malandro que a sua boca tentadora compunha naquele rosto quarentão.
Lembrou-lhe o anúncio que colara no vidro traseiro de um carro que queria vender mas a lei proibia de anunciar à descarada. E o marido dela, pensou, quem podia autuar naquela circunstância, ficou sem argumentos para exercer o direito de preferência pois não descobriu à despedida, na falsa saudade prometida, a intenção prevaricadora.
A esposa sedutora, tão discreta, escrevia com os olhos uma proposta secreta para o alvo da sua cobiça. Um homem diferente para cada noite ausente em negócios, o marido atarefado demais para evitar a cama vazia. Um homem que a despia em sua substituição, não queria saber de paixão mas apenas do desejo e da companhia em cada noite fria naquela cama que era o palco das suas mais incríveis actuações.
Aquelas que o (des)interessado não via, tão ocupado a magicar a melhor forma de a enganar com uma outra que o deslumbrava como ela não conseguia.
E o homem desse dia, seleccionado pela matadora, avançava destemido para o contacto inicial. A confiança fundamental que o seu rosto transmitia era como a garantia de uns meses para a viatura que queria vender, a fulana que ia comer precisava de o sentir inofensivo sob qualquer ponto de vista. Era apenas um malabarista na gestão das maçãs que lhe calhavam na rifa, as dentadas doseadas em função da sua perspectiva subjectiva (que cada um, nestas coisas, cuida de si).
E ela ali, controlando as testemunhas em seu redor, tentando afastar a hipótese de alguém descobrir naquela forma de sorrir uma oferta pública de aquisição temporária. O fim daquela história traçado, adeus e obrigado que fica o segredo na lembrança e aquela aliança no anelar do fulano acautela a sua preservação.
Os dedos daquela mão, proibidos, percorrendo-lhe a pele e o corpo anónimo a fornecer-lhe o calor tão humano e natural.
O homem escultural, um amante ocasional, descontraído, que hesitava no preço pedido pelo carro que queria vender e nisso pensava em segundo plano sem imaginar a dimensão do seu engano, a bronca garantida por uma coincidência assim, quando se apresentou à esposa do homem de negócios que a sua aguardava numa esplanada próxima dali.
Publicado por sharkinho às 10:41 AM | Comentários (2) | TrackBack
HAVE A NICE DAY!
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 08:26 AM | Comentários (2)
abril 18, 2007
BOMBINHAS DE MAU CHEIRO
Uma multidão de jornalistas, a atenção de um país à abertura dos telejornais, os adiamentos para aumentar a expectativa bombástica. Depois rebentaram as águas à montanha e o rato nasceu...
O assunto Independente num crescendo de ridículo até ao fim. O assunto José Socrates num crescendo de suspeição a que esta conferência de empresa (a Sides) só serviu para acrescentar mais uns pós sem consistência.
E a gente, papalvos, a prestarmos atenção a toda esta legião de manhosos, chicos-espertos, eventualmente corruptos e, no episódio patético de hoje, comprovadamente imbecis.
Publicado por sharkinho às 07:46 PM | Comentários (9) | TrackBack
FIM DE TARDE
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 05:45 PM | Comentários (7)
NEM COM UMA GATA PELO RABO...
Hoje é mais um daqueles dias em que me vejo forçado a reconhecer que a casca de quarentão não possui a mesma rapidez de recuperação de outros tempos.
Dantes eram “directas” na boa, no dia seguinte era como se nada fosse.
Agora, basta um pouco mais de acção pela madrugada fora e são dois dias garantidos a perguntar ao corpo onde lhe dói mais…
Faz-se tudo igual. Ou melhor.
Mas a factura está bastante mais grisalha.
Publicado por sharkinho às 10:50 AM | Comentários (11)
JEANS
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:17 AM | Comentários (9)
abril 17, 2007
DÁ-LHE AGORA QUE TÁ DE COSTAS
Ora deixa cá ver quantas folhas A4 são necessárias para finalmente acabar a minha licenciatura...
(E para uma pós-graduação, serão folhas A3 ou basta uma cartolina?)
Publicado por sharkinho às 08:08 PM | Comentários (2) | TrackBack
A POSTA PANELEIRA
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 05:50 PM | Comentários (4)
DOS (B)LUGARES COMUNS
Beijo com estas palavras os lábios que as soletram enquanto interpretam aquilo que pretendo dizer.
Beijo as mãos de quem for capaz de me sentir naquilo que escrevo, sedenta de ouvir aquilo que digo, capaz de me fazer acreditar um homem melhor.
E ofereço-lhe uma flor em forma de texto, pois a ingratidão é o que mais detesto (tirando talvez o desprezo sempre tão versátil na forma de se manifestar).
É uma forma de amar diferente, esta necessidade premente de acompanhar de perto a voz que clama no deserto pela dádiva de quem a escutar (como eu sempre a escutei).
O grito neste (b)lugar onde o silêncio é lei.
Publicado por sharkinho às 03:08 PM | Comentários (7)
EU ATÉ JÁ TRABALHEI NA SECURITAS...
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 11:05 AM | Comentários (6)
FISSURAS NA BARRAGEM
Se um homem atinge um ponto de desespero tal que arrisca "invadir" um banco, desafiando a morte (estas coisas podem correr mesmo muito mal) e garantindo a sua detenção e consequente humilhação na praça pública, é porque sentiu os calos muito apertados por alguma situação.
O crédito mal parado começa aos poucos a entrar à bruta na vida das pessoas, como este triste exemplo dá conta, e não há indicadores macro ou micro que possam contrariar estas evidências que começam a brotar de entre pessoas insuspeitas, cidadãos comuns apanhados pela face mais selvagem e impiedosa deste sistema capitalista que alimentamos sem alternativa.
Um homem, um português como qualquer de nós, optou por levar a sua luta pessoal, desesperada, à imolação social que entendeu como a forma mais digna de desistência.
O seu grito abafado deve alertar-nos a consciência para o quanto é fácil sucumbir ao verdadeiro cilindro compressor em que a banca se transforma quando chega a hora de apresentar a factura, qualquer que seja a aparente tranquilidade que a nossa situação financeira num dado momento possa transmitir.
Ou o seu sacrifício tresloucado terá acontecido em vão.
Publicado por sharkinho às 08:13 AM | Comentários (4)
abril 16, 2007
(LIS)BOA TODOS OS DIAS
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 05:02 PM | Comentários (2)
NARCOTURISMO NO MAGREBE, ou A Minha Costela Anti-Careta das Segundas de Manhã
O contraponto necessário à posta anterior publiquei-o também na nossa Vox, na habitual crónica de segunda(s)...
Nos meus tempos de liceu havia dois destinos que faziam parte do imaginário mais distante que nessa altura um adolescente portuga podia conceber: a excursão a Torremolinos e a ida "às compras" no norte marroquino.
Se no primeiro caso vejo as sementes do burburinho que os putos hoje provocam nas suas viagens colectivas (os que têm idade para serem seus pais não deixaram saudades na costa mediterrânica espanhola duas décadas atrás), no segundo vejo o que de mais radical podíamos ambicionar numa altura em que ainda era o FMI a ditar as regras e o cinto apertava até faltar a respiração aos nossos pais cheios de vontade de nos dar aquilo que antes da Revolução lhes era negado.
A minha última incursão pelo território que a Pátria tanto ambicionou colonizar (e hoje percebo que só podia haver uma boa razão, não eram parvos os nossos mandantes – se exceptuarmos o precipitado monarca que o nevoeiro ainda não nos devolveu) aconteceu pouco antes do 11 de Setembro, numa altura em que dos marroquinos só tínhamos a temer um “barrete” no material fornecido ou um “chibanço” às autoridades alfandegárias.
Hoje sinto-me mais propenso a dar um pulinho a Amesterdão do que a arriscar a travessia no ferry em Algeciras, sempre que me dá o call of the wild das substâncias exóticas.
E se a minha primeira conclusão é a de que este estatuto de quarentão me está a aburguesar os costumes, pensando melhor percebo que existe outro condicionalismo na minha motivação.
Queiramos ou não, é impossível fazer de conta que está tudo na mesma nas nossas relações com o mundo muçulmano. As notícias de raptos, de atentados e de ameaças latentes com cada vez mais frequência num crescente número de nações islâmicas (Marrocos já não constitui uma excepção) torna tudo um pouco menos flower power nos passeios “ocidentais” às furnas (termas com fumos).
É que um gajo tem mesmo que se deixar impressionar pelo que os media vão contando acerca do tal choque de civilizações que ninguém de entre os “moderados” de ambos os lados assume, mas os factos provam estar a acontecer e, pior ainda, a assumir proporções mais e mais radicalistas.
E embora seja tentador reviver bons tempos passados numa terra onde a ilegalidade imposta pelo poder financeiro europeu não corresponde à mentalidade de quem convive na boa com a cannabis e derivados, soa leviano ignorar a influência perniciosa dos movimentos fundamentalistas sobre os jovens de terras onde abunda a falta de perspectivas de futuro.
Calculo que, excluindo (por enquanto) a questão da sua segurança pessoal, também não será convidativa para um marroquino tradicional a excursão a um lado do mundo onde quase todos o olham como uma ameaça potencial.
Pode ser uma cobardia daquelas que alimentam estas falsas distâncias entre as pessoas normais dos dois mundos em causa, mas a mais elementar prudência diz-me que é mais seguro abrir uma loja do Cogumelo Mágico e levar a toda a hora com a inspecção rigorosa das autoridades portuguesas do que insistir no passeio a sul que a nossa estúpida legislação impõe a quem não queira arriscar uma mais que injust(ificad)a passagem pela choldra…
Publicado por sharkinho às 11:29 AM | Comentários (0)
CAÇADORES DE MORCEGOS, ou A Minha Costela Careta das Segundas de Manhã
Entre rusgas e operações stop nocturnas, as autoridades têm detido às dezenas. Uns por posse de armas ilegais, outros por posse de drogas, outros ainda por falta de carta de condução ou, a mais comum, por se confessarem no balão.
A naite está perigosa para os seus frequentadores.
A polícia, a quem nem os aceleras da Vasco da Gama escapam nos últimos tempos, parece determinada em proteger os noctívagos de si próprios.
É que todos fazemos parte dos maus, esses terríveis “outros” que podemos ser nós próprios quando de repente damos connosco apanhados nessa estatística foleira.
Ou arrastados para o impensável, num daqueles dias maus em que a lei de Murphy decide transferir-se para o volante depois de abancar displicente no rebordo do copo da sexta ou sétima imperial…
Publicado por sharkinho às 10:28 AM | Comentários (0) | TrackBack
HAVE A NICE DAY!
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 08:11 AM | Comentários (5)
FAZ DE CONTA
A esmagadora maioria das pessoas não domina arte alguma. Só posso admirar quem domina duas.
A Jotapê (JP) espalha aqui emoções escritas e ali emoções pintadas, o seu par de formas de expressão com as quais se revela a quem bloga.
É uma mulher fora do comum, na minha percepção. E tem momentos blogueiros excepcionais.
Publicado por sharkinho às 12:36 AM | Comentários (10)
abril 15, 2007
MÁSCARA DE FERRO
Tentou perscrutar a verdade naquele olhar por detrás da máscara que escondia a realidade que queria nua. Mas a hipocrisia cobria-o com um véu e apenas conseguia ver o céu, encoberto pelas nuvens da mentira por contar.
Faz de conta o amor, um dois três, e agora é a tua vez de brincar. Um sorriso a despontar por debaixo da cara coberta, o final da madrugada naquela boca rasgada em vão sem reflectir o coração apagado como o pavio de uma vela soprada pela brisa fresca da manhã.
O Outono naquele olhar cinzento, a magia de um momento pintado pelo tom carregado da ameaça de um temporal. A aurora boreal num reflexo de luz enganador, a promessa de um amor esquecido, nas folhas perdido de um calendário do ano que já passou.
Mascarada a consciência de foliona sem prudência, sentimentos de fantasia naquela boca que sorria à espera de um beijo com sabor a troféu.
E a loucura naquele céu por detrás do disfarce, o voo de um milhafre em busca da sua presa distraída a fazer pela vida, à cata das migalhas que a existência lhe oferecia de vez em quando e dos milagres que sonhando quase pareciam acontecer.
A boca irresistível, o apelo carnal de uma aventura de Carnaval, temível pelas consequências, tamanhas as exigências que deixava de valer a pena arriscar pelo prazer de beijar aquela boca em forma de anzol.
Os olhos traiçoeiros que ocultavam arpões certeiros mais as palavras que seduziam como redes que envolviam num abraço a vítima da tentação.
E ele tentava acordar antes de a armadilha o encarcerar num beco sem saída naquela fêmea escondida por detrás de uma cobertura apetitosa, uma máscara gulosa que aliciava pelo mistério e prometia um caso sério na sequência de um beijo naquela serpente em forma de anel.
Lucrécia Bórgia, Medusa, lábios de mel e a mão estendida como uma serpente escondida por detrás da pele embebida em cianeto, o encantador aspecto de uma ratoeira para o primeiro a abandonar o navio e a enfrentar as águas revoltas da traição arquitectada.
O beijo da perdição, evitado no último instante pela recusa do amante potencial que desperta para o mal que o seduz e vira as costas à luz do farol que o atraía com a sua luz para as rochas afiadas, um naufrágio a menos nas contas da matreira com a sua pose traiçoeira que a máscara tombada frustrou num olhar demasiado sincero.
A verdade assim exposta, a perfídia à mostra na identidade revelada pela expressão contrariada de uma predadora convicta, conquistadora invicta até ao dia de um não primeiro no rosto trocista do pioneiro que a derrotou quando elegante a cumprimentou e saiu porta fora e a cavalo foi embora, muito bem acompanhado, para longe do palácio onde a festa aconteceu.
E até hoje ninguém descobriu o nome daquele homem mascarado que permaneceu disfarçado nessa noite de Carnaval e fugiu com a rival da poderosa anfitriã, a mais bela cortesã que o reino conheceu.
Publicado por sharkinho às 06:16 PM | Comentários (9)
TONS SADINOS
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 11:23 AM | Comentários (5)
abril 14, 2007
TOP MODEL
Foto: Shark
Gostava que posasses para mim. Que te quedasses numa posição confortável, essa figura inesquecível que poderia então pintar com palavras que te emoldurassem em definitivo nas páginas de um livro e na eternidade que a tua beleza merece na minha avaliação subjectiva.
Diante de uma objectiva, a que te observa o corpo e te retrata tão perto, este olhar que grava um zoom de cada pormenor quando a ele te expões.
Gostava de poder perder-me nas exaustivas descrições daquilo que em ti me impressiona. És tudo o que um homem sonha e sinto-me no dever de conseguir descrever essa jóia rara como te vejo, esse corpo que eu beijo como água de um oásis depois de um deserto percorrido.
O meu corpo ressequido pela falta do teu, em busca sedenta de uma gota tua, maravilhosa criatura que brilhas como o sol por entre as tuas iguais.
Apenas parecidas, que as imagino despidas e não lhes reconheço o encanto, não manifesto o espanto que me causas e eu gostava de contar ao mundo mas não posso, este segredo nosso que não me acredito à altura de pintar.
Com as palavras a falar da minha admiração, depois de cautelosa observação da tua pose mal estudada, a tua imagem deitada numa nuvem no céu de um paraíso que é onde estiver esse teu corpo adorável de mulher.
És modelo do meu padrão, és fonte de uma emoção sem fim.
E gostava que posasses para mim.
Publicado por sharkinho às 09:24 PM | Comentários (0)
EU GOSTO DE AVIÕES
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 04:56 PM | Comentários (4)
DIA DE SOL
Até que enfim, um cheirinho a Primavera...
Publicado por sharkinho às 01:17 PM | Comentários (0)
NO LIMBO

Foto/Imagem: Shark
Publicado por sharkinho às 12:52 AM | Comentários (6)
abril 13, 2007
13 BOAS RAZÕES PARA NÃO ACREDITAR TANTO NESSAS TRETAS

Cruzar o caminho com gatos pretos
Só dá azar se acontecer quando você levar o seu desobediente pitbull pela trela.
Abrir o chapéu de chuva dentro de casa.
Pode ser terrível, se o fizer mesmo ao lado do 13º e último jarrão da Dinastia Ming acabado de adquirir pela sua sogra.
Partir um espelho (sete anos de azar).
Até pode dar mais do que sete anos (de choldra) se o espelho em causa for o do retrovisor da mota que tentou ultrapassar junto a uma íngreme ravina quando conduzia bêbedo/a.
Brindar com alguém cujo copo não contenha uma bebida alcoólica.
Azar mesmo seria ambos os copos padecerem do mesmo problema.
Devemos entrar com o pé direito.
Nunca no sapato esquerdo.
Ou se a entrada for a do próximo avião a despenhar-se (aí tanto faz qual foi o pé...).
Passar debaixo de escadas.
Dá imenso azar. Sobretudo se isso acontecer no preciso instante em que a escada acaba de ceder sob o peso de um piano de cauda.
Deixar um chapéu em cima da cama.
Ui, isso dá um azar do caneco. Sobretudo quando o chapéu não pertence a nenhum dos elementos do casal.
Não bater três vezes na madeira para afastar o azar.
Azar a sério é bater três vezes com a cabeça na esquina aguçada da mesa de cabeceira (se for de madeira, claro está).
Dar os parabéns antes do tempo.
Particularmente azarado se se tratar do aniversário da esposa.
Mencionar a palavra igreja quando se navega.
Dá carradas de azar quando levamos a bordo uma trintona solteira.
O noivo ver a respectiva com o vestido de noiva antes do casório.
Azar, mas azar mesmo, é ver a noiva antes do casório sem vestido algum na cama de outro gajo qualquer.
Oferecer facas como prenda de casamento (superstição israelita).
Quanto ao azar possível implícito nesta superstição ela fala por si.
Casar no mês de Agosto.
Azar sobretudo para os convidados (que lixam as férias por causa da cerimónia).
Publicado por sharkinho às 05:58 PM | Comentários (0)
É PRETO? OLHA QUE AZAR...
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 12:19 PM | Comentários (18)
PRIMAVERA/VERÃO 2007 À PORTUGUESA
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 11:14 AM | Comentários (0)
abril 12, 2007
FERNÃO CAPELO

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 02:40 PM | Comentários (6)
NO FEAR (2)
Desliga os botões da máquina sem pressa, como se desapertasses a blusa de uma amante ocasional. Acaba com a respiração artificial que te agarra a uma realidade que morreu e aceita a passagem para o céu.
A liberdade da alma, como a do peito dessa dama, está condicionada pelo teu jeito para lidar com essas prisões.
Solta o teu corpo da vida prolongada sem sentido num sono tão profundo como o olhar dessa mulher que despes agora. Deita essa casca fora com a mesma determinação que empregas na cama quando a expressão dela já chama pelos lábios que precisas fechar.
Parte, quando a máquina parar de cumprir a sua função e experimentares a sensação de liberdade total, o orgasmo no final desse momento da vida, uma fêmea despida que acaricias agora antes de partires para fora da imaginação que a reproduz.
Ignora o teu receio e caminha para a luz.
Publicado por sharkinho às 11:03 AM | Comentários (2)
HAVE A NICE DAY!

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 08:22 AM | Comentários (0)
abril 11, 2007
SOMOS OFICIALMENTE CONTRAPODER
Em directo, numa entrevista que está a passar na RTP, o Primeiro-Ministro José Sócrates acaba de colocar a blogosfera num plano superior ao da Imprensa e mesmo ao da oposição ao seu Governo.
Não o afirmou de caras, nem podia, mas frisou a blogosfera como origem de muitos ataques de que é alvo, falou até na hipótese de poder vir a recorrer aos tribunais "porque é assim que se faz num Estado de Direito". E não citou outras origens para os tais ataques pessoais de que se sente alvo, deixando no ar a blogosfera como a má da fita em todo este cenário (onde inclusivamente alguns jornalistas "bebem informação").
Confesso que tirando a pele de bode expiatório, só posso sentir orgulho em fazer parte deste gang de mauzonas e de mauzões com chancela governamental.
Na blogosfera não querem eles ser julgados...
Quantos são, quantos são?
Publicado por sharkinho às 09:08 PM | Comentários (9) | TrackBack
TASCOS À MANEIRA - Ericeira
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 12:14 PM | Comentários (9)
MORDAÇA LEGAL
Num facto para mim inédito, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) decidiu condenar o jornal Público por difamação do Sporting Clube de Portugal (até podia ser o Cascalheira FC) ocorrida em 2001.
O insólito da questão prende-se com o insignificante detalhe de os factos noticiados (um calote fiscal “daqueles”) serem verdadeiros.
Vejam a coisa tal como ela se afigura: o STJ abriu o precedente de ser possível condenar um Órgão de Informação por publicar a verdade. Aliás, mais uma destas e a jurisprudência criará um monstro difícil de controlar.
É que a coisa aplica-se neste caso a duas pessoas colectivas mas amanhã podem estar em causa cidadãos comuns.
Levado ao extremo: o Zé Moinas, de Vila de Baixo, assaltou uma conhecida anciã. O Notícias de Baixo, publicação regional, dá conta do acontecimento. E o Zé Moinas, que até tem tempo para ver televisão, só espera sair da prisão para processar o periódico e garantir um regresso à liberdade, na maior, na pele do culpado difamado.
Ou seja, se eu afirmar aqui, preto no branco, que o STJ acaba de desferir um golpe foleiro na liberdade de Imprensa posso ser processado pelos juízes que o compõem.
Nem que seja por não ter juízo nenhum (eu, não o STJ).
Isto parece uma brincadeira, mas nos últimos tempos a Justiça tem revelado apetência para a paródia com coisas sérias.
Ou é impressão minha?
Publicado por sharkinho às 09:39 AM | Comentários (24) | TrackBack
(LIS)BOA TODOS OS DIAS
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 08:14 AM | Comentários (2)
O MEU APLAUSO AO GRUPO CGD
A ingratidão cai mal. Por isso mesmo, e enquanto intermediário da actividade seguradora, nunca poderia fingir-me indiferente à mais recente campanha das companhias do Grupo Caixa Geral de Depósitos.
“Só falo de seguros na presença do meu mediador.”, diz o Malato num dos spots que me tocam de perto e constituem uma iniciativa sem precedentes na forma e na profusão.
Um agente de seguros é um profissional “entalado” entre dois extremos de uma relação comercial baseada em contratos legais. E isso favorece à partida a controvérsia, algo que não é alheio à reputação deste negócio.
Essa posição, que a lei exige equidistante, obriga os profissionais sérios a um bom jogo de rins para evitar os conflitos de interesse com qualquer das partes envolvidas.
Para perceberem melhor a coisa e o texto não ficar cheio de cláusulas, é uma espécie de ménage à trois no qual o mediador veste sempre a pele do “de fora”, do amante que se vê obrigado a intervir nas brigas do casal em pleno acto…
Por via desta equidistância entre as duas partes que representa, a seguradora e o segurado, o agente vê-se não raras vezes metido na confusão e obrigado a gerir com particular sagacidade e diplomacia as situações que o aproximam mais de um dos vértices deste triângulo, sobretudo quando existem posições extremadas.
Para garantir o respeito dos interlocutores, ao agente exige-se uma boa bagagem técnica para em circunstância alguma ser-lhe imputada uma intervenção desastrada.
Da mesma forma, a experiência acumulada no acompanhamento de sinistros pode conferir-nos uma vantagem competitiva importante num mundo onde muito acontece com base na mais adequada palheta. Uma boa argumentação por parte de um profissional conceituado pode fazer maravilhas por um caso aparentemente impossível de resolver.
Por tudo isto e mais alguns aspectos que me inibo de vos impingir, nem sempre sinto que seja feita justiça ao papel do agente no contexto de um dos dez mais importantes pilares da economia portuguesa e mundial.
E o anúncio que motiva esta posta constitui um sinal inequívoco de que algo está a mudar e para melhor, a bem dos consumidores sem tempo nem pachorra para entenderem segurês.
Por isso aplaudo o investimento das companhias de seguros Fidelidade Mundial e Império Bonança, que bem podiam limitar-se a seguir o caminho das congéneres e a apostar na divulgação da imagem das empresas ou na promoção de um produto qualquer.
Porque só quem nunca se viu a braços com um sinistro complicado ou com um nó difícil de desatar não entende exactamente a utilidade do desembaraço de um agente de seguros…
Publicado por sharkinho às 12:13 AM | Comentários (0)
abril 10, 2007
FIM DE TARDE
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 07:14 PM | Comentários (5)
CONTA CARTÃO

Teria a sua piada que a nossa existência fosse gerida com base num cartão de crédito divino. Um crédito à partida e um saldo a equilibrar à chegada, tal como preconizam os preceitos que alegadamente podem levar-nos para o céu no fim.
A conjugação perfeita entre a forma cristã, ocidental, de nos obrigar (em teoria) a sermos merecedores de um direito em vida que só a fé garante usufruirmos na hora de morrer, e o sistema capitalista que nos controla cada vez mais.
Talvez mais até do que um Deus, caso exista.
O princípio é o de nascer com um cartão embutido, com o qual possamos ir liquidando as dívidas à sociedade que a nossa passagem pela vida possa contrair. Em prestações suaves.
Mas com juros, que os erros acarretam sempre uma perda que alguém acabará por pagar.
É o equilíbrio nas contas, o deve e o haver, registado nos movimentos cuja consulta requeira não mais do que uns momentos de introspecção. Quero pagar as consequências deste erro que cometi. Verde, código, verde. A transferência efectuada e a consciência sossegada até ao final de cada mês. Ou de uma vida, no crédito à habitação destes frágeis invólucros cuja construção se revela a qualquer instante pouco fiável.
As doenças que atormentam e os pesadelos que se acrescentam no telhado que chamamos cabeça e que é afinal a que mais parcelas acumula nos créditos registados pelo tal cartão.
O preço da solidão, custeado pelo visa dourado para nos evitar o tal castigo das facturas que os outros nos apresentam. Pagamento a pronto de uma asneira ou de um equívoco qualquer. Relações acabadas, pessoas afastadas e as almas como bolsos vazios e tanta infelicidade que se podia evitar.
Bastaria não ter que pagar na hora. Passar o cartão, assinar o comprovativo da nossa noção da despesa efectuada. Para sabermos o que está em causa e aprendermos a poupar na vida que dura até o cartão expirar.
O acerto de contas inevitável perante Deus ou pelo simples facto de chegarmos ao fim da coisa como a entendemos, mortais. Mas sem dívidas de gratidão ou outras, tudo liquidado pelo crédito assegurado no chip da memória daquilo que fomos e do que não fomos capazes de ser. Quanto menos linhas no extracto, melhor.
A melhor nuvem para o repouso eterno do anjo em nós, uma carrada de virgens ou a reencarnação num invólucro mais refinado. Qualquer prémio acumulado por toda uma existência sem má interferência nas de quem connosco a partilhe, nem que seja a certeza de que no saldo de conta a nossa passagem tem aos olhos dos que ficam um sinal que é uma cruz. De mais, positivo, o sistema cognitivo que nos transmite a percepção do arrependimento ou do perdão a confirmar-nos que valeu a pena e toda gente que nos ama com vontade de nos abraçar, a saudade a homenagear na ausência a válida presença que o cartão confirmará no final.
Pois o saldo global reflecte o epitáfio que outros escreverão acerca de nós.
E aí já é sempre demasiado tarde para acertarmos as contas.
Publicado por sharkinho às 11:41 AM | Comentários (24)
(DES)LIGAÇÃO
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:31 AM | Comentários (5)
UNIVERSIDADE MODERNA
Não falo, ao contrário do que o título da presente possa induzir, da Moderna propriamente dita mas da modernaça instituição do Ensino Superior privado a quem o Ministro Mariano Gago acaba de guilhotinar as veleidades académicas.
Não lhe bastou comunicar o encerramento de portas, apelidou os factos ocorridos como uma traição ao país. E isso, mais recurso menos recurso, constitui o golpe de misericórdia no prestígio da UI por lhe corroer a dignidade a par com a dos “responsáveis” que o Ministro não hesitou apontar.
Nada do que afirmo, porém, constitui uma censura à decisão tomada. Estou certo de que para os alunos da casa a maior aflição seria decisão nenhuma, agora que ocorre o êxodo em massa no que constituirá o maior jackpot dos últimos anos para a concorrência da agora quase extinta UI. Os alunos, mais de dois mil, sairão sempre perdedores, alguns talvez de forma irreversível no que respeita à ambição de uma licenciatura. Ou de saídas posteriores.
Por isso se impunha uma intervenção determinada, o sim ou o não depois de cuidada ponderação de todos os factores a jogo.
E o jogo era de azar para quem apostou naquela carta agora fora do baralho da bagunça que só podemos esperar se fique por aqui, neste ensino inferior a que o Estado deu cobertura quando permitiu a sua excessiva proliferação.
Se calhar as broncas já acontecidas não passam de uma normal reacção do mercado, uma espécie de purga para eliminar os players mais vulneráveis de uma oferta comprovadamente excedentária.
Porque para estas coisas virem a lume há quase sempre alguém que se chiba.
Publicado por sharkinho às 01:25 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 09, 2007
BLACK & WHITE
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 05:10 PM | Comentários (0)
PONTOS DE VISTA
Foto: Shark
Porque insistes em cruzar caminhos com o vaguear distraído do meu olhar perdido, sabendo de antemão que representas o céu e isso te torna quase impossível de alcançar?
Porque insistes em atiçar, tentação, a parte inquieta da minha atenção e depois aceleras o ritmo da passada que te afasta para longe de mim?
Uma fuga sem fim pela calçada da vida, numa observação descomprometida a este estranho ritual de sedução inconsequente. Nada acontece diferente depois dos olhares que trocamos quando nestas ruas nos cruzamos, por uma simples coincidência. E ambos temos consciência das rotas desencontradas, nas partidas como nas chegadas, deste sonho planado que acabará por aterrar.
Porque insistes em atrair o meu olhar, sabendo que o destino traçado é o do caminho separado que nos compete percorrer? É isso que me recordas com a mulher que transbordas na minha visão periférica, fenomenal, e eu resisto afinal a voltar a cabeça para prolongar a agonia que me impõe cada dia privado da ilusão que constituis. Tudo aquilo que possuis desperdiçado por não me teres ao teu lado nessa cama que nunca partilharemos, por muito que nos cruzemos em silêncio nas esquinas que a vida oferecer…
Sem tempo para perder com fantasias, no reino das utopias empatam as fadas essas bruxas malvadas que acenam o impossível. Falsas esperanças neste plano tangível em que me enfeitiças com o encantamento do teu olhar.
Num simples cruzar de caminhos, aleatório, que nada tem de premonitório senão a certeza que adquiro no momento em que suspiro o lamento previsível por não conseguir, de todo, conter esta vontade irreprimível de amanhã te rever mais uma vez.
A uma cautelosa distância, como recomenda a prudência contida nestas palavras que escrevo por saber que não as lês.
Publicado por sharkinho às 12:39 PM | Comentários (0)
PIOR DO QUE UMA DESTAS...

Só mesmo a primeira segunda-feira depois das férias...
Publicado por sharkinho às 08:32 AM | Comentários (8)
abril 08, 2007
PRISÃO DOMICILIÁRIA
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 10:04 PM | Comentários (0)
TUBARÃO DA PÁSCOA
Numa clara demonstração de fé, hoje tenho material disponível aqui, aqui, aqui e (como ontem anunciei) aqui também.
Aproveitem enquanto dura. E é de borla...
Publicado por sharkinho às 04:20 PM | Comentários (13)
EU GOSTO DE PESSOAS

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 11:35 AM | Comentários (2)
abril 07, 2007
Sharkinho no AEIOU

Têm mesmo que levar comigo...
Agora podem contar com crónicas minhas no portal AEIOU.
Hoje publicaram a de estreia. Espero que gostem.
Publicado por sharkinho às 08:41 PM | Comentários (14)
LITERATURISMO
Turismo fotográfico pelos sinais e sintomas da doença do Mundo.
E ficaria tudo dito acerca do blogue assinado por Berna Valada, charquinhense como eu, cuja recolha fotográfica constitui isso mesmo: um sinal dos tempos.
Não dispenso uma visita ocasional a este verdadeiro mural blogueiro construido, imagem a imagem, por uma outra dimensão do Charquinho que me fez.
E recomendo-vos sem hesitar uma vista de olhos por este olhar alfacinha sobre o mundo que se escreve em papel de betão.
Publicado por sharkinho às 01:19 PM | Comentários (9)
BLACK & WHITE
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 11:35 AM | Comentários (0)
abril 06, 2007
(LIS)BOA TODOS OS DIAS
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 10:12 PM | Comentários (0)
2001 NOITES
Foto: Shark
Os baixos a vibrarem debaixo dos pés, ainda lá fora, enquanto trocava umas larachas com o colosso porteiro. Cara conhecida, como muitas no interior do recinto. As miúdas que tive, as que ambicionava ter. Os concorrentes mais os simplesmente aberrantes que estavam ali apenas à espera de um pretexto para o sarilho com alguém.
O meu olhar de desafio, sem pachorra para diplomacias num ambiente onde tudo acontecia depressa demais.
A luz irregular, multicolor, a cerveja gelada na mão, os rostos e os corpos ao ritmo do som a rasgar, o rock a tocar e eu possuído pela batida acelerada de uma ganda malha qualquer.
O olhar cativo pelo sorriso de uma mulher agradada por um gesto subtil, a abordagem, cortando caminho pelo meio da multidão, os mais brutos e teimosos ao encontrão e logo de seguida um quéquefoi? para matar a situação antes mesmo de acontecer. A entrada de rompante num grupo de gente sentada, gente desconhecida habituada à minha presença naquele lugar.
A conversa possível, os beijos de apresentação, um atrevido a deitar o mirone armado em campeão, os sorrisos de circunstância, a atenção concentrada no mulherão capaz de me acompanhar na pedalada imparável da noite iniciada.
O amigo oportunista que se cola em busca de uma sobra de luxo naquele lote de excepção. Este é o Zé (e agora desenrasca-te). E o Zé sentado na hora a bater um coro à maluca mais à mão, os Whitesnake no prato e toda a malta para a pista abanar a carola.
Galo do bacano. Acontecia.
A loucura total, terceira ou quarta cerveja, de olho na gaja para ninguém se intrometer. O tal atrevido palerma a desatinar, uma mão no peito do rufia para arreganhar o dente e na boca um sorriso conciliador para lhe oferecer a hipótese de ficarmos por ali sem vergonhas. Uns segundos de tensão, tudo na boa, o Urgent já ecoa na catedral da rockalhada e a miúda, tão bonita, insiste em sorrir para mim.
Sempre a abrir (vamos dar uma volta?), o vitorioso cruzar da porta, até já, o porteiro (discreto) a piscar o olho maroto para me congratular pela companhia, o frio da madrugada a pedir agasalho.
De corpos húmidos pelo orvalho, em ebulição num relvado ali perto, o nome dela que me escapou, o meu nome que sussurrou enquanto se dizia minha naquele instante, o amor instantâneo no final de uma adolescência ansiosa por sensações.
As boas recordações, dedos de passeio num rosto belo, a noite mágica a abraçar cada momento com o seu cunho especial.
A noite no final quando se sacode a roupa e partimos em busca do resto da malta para cada um seguir à sua vida, talvez cá venha amanhã. Ou daqui a um mês, não fazia ideia, telefone não tenho mas dá-me o teu que eu ligo depois, e às vezes ligava. Quando me apaixonava ou uma música no FM, o “Berros”, os Cheap Trick ou assim, me lembrava de uma miúda sensacional.
Eram tempos de acelerar pela vida, de reclamar direitos, de nem admitir a ideia de perguntar um dia como o Jim Morrison: where are the feast we were promised?.
Foram gigantes as noites no Dois, o autódromo da minha corrida em fuga da idade adulta que fintava com arremedos de rebeldia, no culto da insubordinação.
A liberdade sorvida com sofreguidão, nos anos quentes da descoberta dos encantos mil que desbundámos na ressaca eufórica de um Abril especial, uma data histórica para a minha revolução pessoal.
Publicado por sharkinho às 06:08 PM | Comentários (6)
IMAGENS DE LIBERDADE

Liberdade Condicional, por Shark
(A partir de foto original minha, com recurso a software de imagem, por sugestão da "concorrência")
Publicado por sharkinho às 02:53 PM | Comentários (4)
ISTO SIM!
É uma SANTA sexta-feira!
Publicado por sharkinho às 11:55 AM | Comentários (4)
abril 05, 2007
TONS SADINOS
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 06:52 PM | Comentários (2)
A POSTA NO DESPERTAR DA FÉ

Deixou-se transportar, a alma, nos braços quentes de uma entidade superior (talvez o Amor) enquanto sentia como um corpo a magia e o conforto de um momento de paz absoluta.
Respirava fundo emoções, impoluta, que ar não existia, a alma que sentia como um corpo as sensações proporcionadas pela viagem em classe primeira. O doce percurso pelo halo de luz, a imagem difundida pelo imaginário colectivo da última corrida pelo mundo a que chamamos real.
E a alma vagueava com a calma que lhe dava aquela ilusão de felicidade imaterial. A serenidade total, uma surpresa. O fim de toda a tristeza e a eternidade confirmada.
Não era uma alma penada como temia quando ainda vivia no corpo pecador, quando vinha do interior da casca perecível o apelo irresistível para embarcar na aventura da tentação. Parecida, a sensação. No céu em cada minuto passado a contrariar o estipulado no catálogo das proibições.
E esta ideia despoletou-lhe recordações, sonhos húmidos até de quando caminhava pelo seu pé ao encontro dos anjos que a existirem só podiam ser aquelas criações divinas, as manifestações femininas do sexo que afinal possuem. As asas, mitologia, são apenas simbologia do sexo que os anjos fazem, cada mulher uma viagem na realidade ao regaço de Deus. Uma Deusa nua, na verdade, que a alma viajante já vislumbrava adiante, atordoada pela heresia da repentina erecção que do nada brotou.
E foi por essa incongruência que o agnóstico acordou.
Publicado por sharkinho às 10:53 AM | Comentários (0)
EU GOSTO DE LUZ
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 09:25 AM | Comentários (2)
MERGULHADOS NA ALIENAÇÃO
Esquecemo-nos de quão importante é sabermos que existe alguém capaz de sentir saudades do som da nossa voz.
Publicado por sharkinho às 09:02 AM | Comentários (2)
abril 04, 2007
...COM O RABO DE FORA
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 10:12 PM
É PRECISO TER UMA LATA...
...Do caraças para agarrar tão à pressa e de forma tão descarada um pretexto conveniente à brava para esconder a realidade menos agradável dos factos que preferes ocultar.
Os outros podem andar distraídos mas tu sabes que eu topo-te, manganão...
Mas sabe-la toda, nisso tenho que dar o braço a torcer. E por isso continua a ficar só entre nós.
Até ver.
Publicado por sharkinho às 09:59 PM
BLACK & WHITE
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 08:04 PM
HOJE TIVE
Um dia daqueles para esquecer. E no final ainda me aguardava uma espécie de cereja no topo do bolo, que me deu uma coisa com uma mão para tirar algo muito maior com a outra.
Por isso não estou muito interactivo. E as caixas também não andam a funcionar grande coisa...
Publicado por sharkinho às 07:57 PM
SE CALHAR É UM DOM...
Existem diversas formas, todas lindas, de nos fazermos sentir especiais uns aos outros.
E existem outras tantas formas, todas foleiras, de obter precisamente o efeito contrário.
Publicado por sharkinho às 07:54 PM
Adoro
Multidões.
Publicado por sharkinho às 06:53 PM
A CAMINHO...
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 10:32 AM
HORIZONTE

O frio cortante de um olhar congelante quando o caldo entorna por detrás dos faróis azuis. A emoção escondida numa reacção contida que é apanágio das nórdicas, ramificações históricas infiltradas nos povos do sul, ou a imprevista erupção no azul (influência latina), da mulher que desatina mas sabe pintar o olhar com a cor do mais doce mel.
O sabor a fel que se dissipa quando a alma se agita soprada pela brisa da paixão. Incremento da ondulação observada naquela visão descongelada, a lava que se esconde no mesmo mundo onde se (ap)rende a guarda que barra o caminho às desilusões.
Sentimentos nos alçapões controlados pelos fios manipulados à distância com o poder cinético que o olhar denuncia.
A cor parece fria, um detalhe estético, como a do mar que replica ao sabor dos ditames do céu. Quase transparente, é no entanto a mais prudente no que respeita a revelações.
Mas existem as excepções, apaixonadas, as guaritas abandonadas ao assalto de uma tentação. No olhar a invasão em directo, ainda que seja discreto sob a disciplina militar que, enquanto desaba o falso glaciar, distante, reprime o excesso emergente nos entusiasmos juvenis.
Reacções pueris, desfasadas nas ocasiões emocionadas à vista de um olhar azul. O tempo necessário para mil perguntas em silêncio, o tempo de um processo que filtra os efeitos indesejados mais os defeitos encontrados na calma com que sondam a aparente perfeição.
O poder da atracção subsequente à súbita passagem de indiferente a fogosa, a contemplação embevecida ou a observação atrevida do seu esmiuçado troféu.
As cores reunidas do céu e do mar, sob as pálpebras proibidas de ocultarem aos olhos restantes os flashes brilhantes de um reflexo tão forte que nos pode cegar.
Publicado por sharkinho às 12:44 AM | Comentários (4)
abril 03, 2007
RAÍZES

A terra espelhada naqueles dois pedaços da sua essência bravia, fixados em olhares desafiados no rosto do amante que nela adivinhava um corpo de intervenção.
O assalto ao bastião do amor, a sedução como um louvor à magia instalada naquela cama por fazer.
Os olhos castanhos de uma mulher, amêndoas, a gana de o ter como seu, fêmea acelerada com a alma moldada pela força das gentes de terras distantes ali semeadas pelo vento da migração. Os genes do calor, a fervura no interior de uma mistura que se lê naquele olhar.
O ginete à flor de uma pele morena, castanha, a fúria tamanha que explode na zanga e implode no ponto alto da tesão. O poder da deflagração concentrado num grito abafado para não sobressaltar a vizinhança, a emoção que nos olhos dança um ritmo latino, uma herança tropical. Sempre algo de especial, uma espécie de mistério, naquele olhar muito sério que denuncia a costela mourisca.
A coragem de quem sempre arrisca para lutar por um grande amor.
Os olhos que espelham a dor de uma forma tão clara e parece que dispara uma arma no seu interior. Quando se irritam e as pupilas se agitam num batuque emocional, uma experiência fenomenal na pele (segura) de simples testemunha.
Castanha a terra que os pinta da cor que muito encanta quando o amor se finca na retina morena que o traduz.
Publicado por sharkinho às 09:51 PM | Comentários (2)
CLOROFILA

Os seus olhos reflectiam esperança no brilho e na cor. Falavam de amor, quando verdes se perdiam nos seus reflexos as folhas das árvores naquela tarde de mudança de estação.
Um bosque plantado no coração enamorado de quem se perdia no mato por dentro daquele olhar.
Os seus olhos falavam de desejo também, quando quase os fechava e ainda assim brilhava uma centelha de fogo ateado, em tom esverdeado, que contrariava a laranja do sol que se deitava no horizonte como ela já cuidara de fazer.
Uma noite anunciada no final daquela estrada aberta no peito de quem se perdia no mato por dentro daquele olhar.
Sem aceitar qualquer saída.
Daquela floresta despida que o arrastava para o chão.
Daquela promessa cumprida que lhe beijava o coração.
Com os olhos.
O doce e o picante, o discurso inteligente, a sua boca sensual como isco no anzol. O apelo irresistível de um olhar tão temível como uma arma sem gatilho, uma bomba sem rastilho e em todo o corpo um detonador.
O prisioneiro do amor, num cativeiro voluntário, hipnotizado pelo imaginário despertado no meio de um sonho que partilharam até brilharem as estrelas no fundo verde daquela paixão.
À procura de uma entrada.
Naquela floresta encantada que o abraçava pelo chão.
Naquela promessa jurada que espalhava emoção.
Dos olhos ardentes, as lágrimas incandescentes de felicidade total.
Como sementes de fogo verde em campo lavrado pelos raios do sol.
Publicado por sharkinho às 06:35 PM | Comentários (0)
REAL POLITIK
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 12:26 PM | Comentários (0)
NUNCA ASSIM
Às vezes não sai. Por escrito ou de outra forma qualquer.
Porque prefere ficar, talvez. Alojada no esquecimento que só um segredo bem guardado consegue proporcionar. Silenciado no pensamento de alguém.
Uma frase, às vezes nem mais. Que não sai por não querer.
Uma ideia resguardada pela ignorância sagrada das frases por dizer.
Talvez uma sugestão.
Talvez não.
Publicado por sharkinho às 12:20 PM
BLACK & WHITE
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 10:10 AM | Comentários (7)
abril 02, 2007
FIM DE TARDE
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 04:56 PM | Comentários (2)
A POSTAGEM
Decidi hoje intensificar a graduação do radical na selecção da modalidade a abordar. É verdade, como o título da presente indica vou postar acerca desse desporto arriscado que fala por si. E por mim também.
Como se constata, sou um praticante a caminho do sagrado estatuto de veterano. Mas também sou um crente, pois ainda não perdi a fé na possibilidade de tanto latim publicado de borla fazer algum sentido ou cumprir algum desígnio que, assim de repente, me escapa.
(Publicado hoje, no Desporto Radical da VOX)
A Postagem é uma modalidade que requer um conjunto de atributos difícil de reunir num só atleta, até porque as características deste desporto radical obrigam o praticante a lidar com a queda livre (quem acompanha as estatísticas de blogues sabe do que falo), o alpinismo (subir nas “audiências” não é escalada para amadores), obviamente o surf (é mais o windsurf, pois há muito post que é só vento a soprar e pouco mais), um pouco de natação (para se manter à tona em tanta água que se mete neste desafio), algumas artes marciais linguísticas (não faltam os “combates” verbo-virtuais) e, claro, o terrível e muito temido Scrabble (para conseguir decifrar os muitos códigos embutidos/embuçados nestas "salas").
Claro que nem só de palavras vive a Postagem e existem outros recursos, como a imagem ou o vídeo tão em voga, para cumprir o exigente calendário de provas das competições oficiais (alguns “profissionais” postam diariamente e até mais do que uma vez ao dia).
A performance do postador (ou postadora) é avaliada ao estilo da patinagem artística, por um júri constituído a partir do público presente no estádio (que na postagem é conhecido por monitor) e onde se sabe existirem pessoas nada generosas na sua avaliação do esforço (e do risco) em causa.
Se o esforço está limitado à capacidade para justificar o tempo de antena do júri atrás citado, o risco é impossível de determinar. Voltando à patinagem como referência, se nessa modalidade uma queda pode deitar tudo a perder mas apenas numa final, na Postagem basta um deslize para danificar seriamente a imagem pública virtual do atleta.
Isto porque cada prova é uma final quando se fala da Postagem. Não há lugar a substituições, a repetições ou a qualquer tipo de benefício da dúvida.
Caiu, não volta a levantar-se.
É a consequência da crescente dimensão do leque de praticantes da Postagem. Sempre que algum cai, logo aparecem diversos colegas para lhe passarem por cima e se certificarem de que não volta a recuperar a pedalada. Existem casos documentados de ostracismo tão vincado que conduziu atletas ao estatuto de quase banidos dos circuitos oficiais.
Muitos desistem da prática do Postar por essa razão, embora a maioria dos abandonos se deva à constatação por parte dos próprios de não possuírem o tempo, a pachorra ou mesmo o jeito para a coisa.
Postar é um exercício que pode aleijar as pessoas, tanto ao nível do intelecto e da sensibilidade de quem posta como de quem aprecia.
E por isso não deve ser praticado sem a protecção adequada.
(O abuso do anonimato, um verdadeiro doping que falseia muitos resultados e permite muita marosca, não se encaixa nesta última noção.)
Publicado por sharkinho às 12:41 PM | Comentários (6)
BLACK & WHITE
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 10:41 AM
LIÇÕES QUE A RUA NOS DÁ
De entre algumas cenas foleiras a que assisti ao longo da adolescência, ficou-me gravado na memória um momento de pancadaria no qual nem participei (coisa rara na altura, por via do conjunto de maus feitios reunido no meu grupo habitual).
Dessa imagem que me perturbou, que qualquer acto de violência deve perturbar quem o vive ou o observa, ficou-me na retina o derradeiro instante da zaragata.
Nem existia mais do que uma estúpida rivalidade de bairros vizinhos a justificar a animosidade entre os adversários de circunstância. Uma embirração qualquer.
Contudo, uma troca azeda de olhares e de palavras bastou para se embrulharem dois dos membros de cada uma das tribos em disputa.
A situação que me caiu na fraqueza aconteceu quando a luta já estava definida no desfecho. Um dos “combatentes”, após uns bons vinte minutos de pancada séria, já estava estendido no chão. Incapaz de constituir ameaça alguma.
Teve o azar de erguer ligeiramente a cabeça, enquanto confirmava que desistia e pareceu-me até preparar-se para pedir desculpa.
E o vencedor pontapeou-o no rosto, deixando-o inconsciente na calçada.
Acho, como achei na altura e me afastei de imediato e em definitivo do fulano em causa, desnecessária e indigna esta tendência para tratar pessoas como baratas e esquecer a réstia de misericórdia que nos distingue das restantes feras do planeta.
Não vejo coragem nem sabedoria nem outra coisa que não um evidente mau fundo num gesto similar ao do meu conhecido que literalmente rematou o assunto daquela forma excessiva.
Se alguém assume uma derrota ou se revela incapaz de “espernear” mais, tem que haver lugar para, senão a conciliação, pelo menos o “não bater em mortos” que acontece nos espezinhanços de última hora.
É nobre fazê-lo, sobretudo quando o motivo do antagonismo nem justifica uma atitude manchada por “biqueiradas” suplementares para confirmação da superioridade tão óbvia num conflito.
E na minha escala de valores não existem senão excepções raras e muito extremadas que possam de alguma forma justificar tal postura.
No caso concreto, virar as costas teria bastado para o vencedor ganhar o “troféu”...
Publicado por sharkinho às 09:36 AM | Comentários (16)
abril 01, 2007
FERNÃO CAPELO

Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 05:33 PM | Comentários (8) | TrackBack
MENTIDERO
Cada vez há menos gente a ligar importância ao dia das mentiras. E eu percebo porquê.
Gostava, isso sim, de ver acontecer um Dia das Verdades (mais consentâneo com os nossos dias e por isso com todas as condições para ser um sucesso, imaginem as consequências...).
E juro que não estou a mentir...
Publicado por sharkinho às 03:16 PM | Comentários (0)
FLOWER POWER
Foto: Shark
Publicado por sharkinho às 12:40 PM
FACTOS SÃO FACTOS
Devo ter uma costela masoquista.
Publicado por sharkinho às 12:31 PM <