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abril 23, 2007
NOTAS VALSAS

O som do piano que ecoa na sala por entre as vénias que o silêncio lhe oferece nas bocas caladas de quem se presta a ouvir.
A música das palavras ditas dessa maneira, tocadas pelos dedos cuja mestria se mede na reprodução fiel de emoções escritas numa pauta para alguém as interpretar depois. O teatro musical, dramático o impacto daquela virtuosa combinação dos sons nos ouvidos sensíveis e conhecedores.
A expressão de inspirados autores na impressão traduzida nos rostos de olhares perdidos pelo palco imaginário para onde a música os transportou. Ou fechados à realidade do auditório improvisado onde as teclas produzem cores que voam pelo ar como pássaros a planar ao sabor do vento que soprou do coração de um compositor. No céu da imaginação.
Talvez uma ode ao amor ou apenas a evocação de uma sangrenta batalha, a glória de um monarca ou a euforia alheia de uma paixão que se absorveu.
Nas notas alinhadas em silêncio, o ritmo e o tempo de cada momento contado nas teclas por dedos esguios. Para experimentar num mutismo reverente e no fim aplaudir.
Bailar com os olhos a melodia na pauta que pode ser feita de vários papéis, num palácio de sonho como rainhas e reis ou como simples peões num enredo qualquer do tabuleiro universal.
O silêncio final rasgado na sala pelas palmas das mãos quando vibram ainda os últimos acordes, o derradeiro capítulo, o acto terceiro de mais uma peça solta na vida que se escuta, tal e qual como se vê.
Ou talvez nas entrelinhas de um livro que se lê.
(Hoje, dia de S. Jorge, é também o Dia Mundial do Livro)
Publicado por sharkinho às abril 23, 2007 08:36 AM
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Comentários
Vou homenagear o dia... lendo.
Publicado por: claudia às abril 23, 2007 11:32 AM
Boa escolha. Se pudesse também o faria. Como não posso, escrevi.
Espero que tenha constituído um estímulo adicional para essa tua decisão.
Publicado por: shark às abril 23, 2007 12:12 PM
Dou comigo a fugir para o universo dos livros. Nestes dias, mais complicados, escolho enredos fáceis, onde o amor se torna milagre nas últimas páginas. Outra vezes exijo outros livros, de outra dimensão. Mas acho que, desde menina, nunca me faltaram. Escondia-me debaixo da cama dos meus pais, na hora de limpar o pó; levava livros para o rio, para a praia, para a serra, para todo o lado. Tornei-me uma moça silenciosa, que aprendeu na leitura a ouvir as histórias que cada um tem para contar.
O teu texto deu-me gosto, sobretudo porque falas de duas coisas que me encantam, piano e palavras escritas. Trazem-me o coração mais leve, mais solto.
E continuam os dias bonitos. Estás bem?
Publicado por: Nina às abril 23, 2007 12:12 PM
Os livros são isso mesmo: janelas ou portais para outra dimensão para onde podemos escapar a partir de (e para) um ponto ou um tempo qualquer.
E é uma forma prudente e serena de enfrentar a vida, essa do silêncio por padrão. Embora a tua actividade comentadora indicie algum apelo à comunicação (silenciosa, tá bem...).
E por falar em tá bem, tou bem obrigado e os dias bonitos têm grande interferência no meu astral.
Mas hoje vou ao dentista e isso traz sempre um céu encoberto aos meus dias de sol. :(
(Tenho a vantagem de poder ler qualquer coisa na sala de espera, mas basta lá estar presente uma desconcentração qualquer para eu não conseguir pirar-me pela tal janela com letrinhas. É um pé lá e outro cá...)
Publicado por: shark às abril 23, 2007 12:20 PM
Comento, mas escrevo pouco. Falo menos ainda, mas sorrio com vontade e abraço com gosto. Nunca pensei se isso era bom ou mau, mas nem todos ficaram encantados. Enfim, és um homem grande e o dentista não é nehum lobo mau :)
Publicado por: Nina às abril 23, 2007 12:45 PM
Exacto, Sharkinho. Escrevi um comentário para te dar os parabéns para aquele texto tão bem ilustrado com aquela velhinha, mas, muitas vezes, há problemas de não sei o quê e, quando dou por mim, o comentário foi ao ar. Ai este weblog...
Publicado por: claudia às abril 23, 2007 01:20 PM
Não é um lobo mau, Nina, mas hoje arrancou-me um uivo daqueles... :)
Publicado por: shark às abril 23, 2007 06:11 PM
É frustrante, Cláudia, bem o sei. Mas por isso recomendo a pachorra necessária para fazer um copy de qualquer comentário aqui, psra depois ser possível fazer um paste nas ocasiões em que fazer "retroceder" duas vezes não resolve o problema (devolvendo-nos ao texto original e permitindo uma nova tentativa).
Mil vezes obrigado pela tua paciência e olha, apesar de o texto ser uma conversa com os meus botões e por isso ter a caixa fechada, obrigado também pela intenção.
(E com o tamanho desta resposta nunca arriscaria não proceder como te recomendei acima)
Publicado por: shark às abril 23, 2007 06:29 PM
Eu celebrei apenas um...mas dia de S. Jorge é um dia importantíssimo, olá se é! ;-)
Publicado por: Mar às abril 23, 2007 08:26 PM
Já eu ainda não celebrei népia mas sinto-me tentado a partilhar essa tua noção, ò oceânica. :)
Publicado por: shark às abril 23, 2007 09:02 PM
Desalinhada e a correr que o tempo de antena acelera e não escoa, mas tem tempo para uma vénia às tuas palavras e ao som do piano. E vou me transportar...para a vida real!
Que o Charco continue assim, a dar gosto!
Publicado por: celia às abril 23, 2007 09:09 PM
(há muito que não ouvia essa designação) :-)
E ainda tou em casa...a "celebração" foi em palavras, era o que eu queria dizer.
Publicado por: Mar às abril 23, 2007 10:16 PM
Obrigado, Célia, por encontrares sempre um bocadinho para animares o tubarão. :)
Brindo a isso.
Publicado por: shark às abril 23, 2007 11:05 PM
Tenho andado distraído, ò meu elemento natural (e desta, ainda te lembras?). :)
A celebração está um mimo, gaja!
Publicado por: shark às abril 23, 2007 11:13 PM
Essa é lapidar, sócio.
Eu também achei. (mas, pelos vistos, fomos os únicos...) ;-DD
Publicado por: Mar às abril 24, 2007 11:31 PM
(Tavas à espera de quê, miúda?) :)
Publicado por: shark às abril 25, 2007 12:07 AM